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Cada novo envolvido com Vorcaro que aparece não pode servir para apagar Flavio Bolsonaro do caso

A cada nova revelação sobre as relações de Daniel Vorcaro com figuras do poder, surge um risco evidente no debate público: transformar a multiplicação dos personagens em uma cortina de fumaça que deixe em segundo plano os crimes que envolvem Flavio Bolsonaro.

As mensagens reveladas pela Polícia Federal mostram relações de proximidade de Vorcaro com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e com o presidente da Câmara, Hugo Motta. No caso de Motta, as reportagens mencionam inclusive um empréstimo de pelo menos R$ 22 milhões do Banco Master para uma empresa ligada à sua cunhada. Ambos negam irregularidades.

Mas uma coisa não elimina a outra.

O surgimento de novos nomes na investigação não apaga o Dark Horse. Ao contrário: torna ainda mais necessário que todas as relações financeiras e políticas sejam esclarecidas, inclusive aquelas envolvendo Flávio Bolsonaro.

Documentos tornados públicos pelo STF mostram que existe investigação sobre o envolvimento até o pescoço de Flavio Bolsonaro com o banqueiro criminoso. Mensagens divulgadas anteriormente registram pressão de Flávio para Vorcaro liberar R$ 134 milhões. Quem não sabe disso?

É justamente aí que a cobertura jornalística precisa manter o foco. Cada revelação deve ser investigada pelo que ela efetivamente demonstra, sem permitir que um escândalo seja usado para obscurecer outro.

Se há relações entre Vorcaro e diferentes caciques políticos, todas precisam ser escrutinadas. Se há indícios envolvendo Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, esses fatos também precisam permanecer no centro da apuração. Uma revelação não deve funcionar como álibi para outra.

O caso Master não pode virar uma disputa de manchetes em que cada novo nome sirva para deslocar a atenção do anterior. O que está em jogo é justamente o esclarecimento integral da rede de relações e negócios promíscuos de Vorcaro com Flavio Bolsonaro.

Nem Alcolumbre, nem Motta, nem Flávio Bolsonaro podem ser transformados em cortina de fumaça uns para os outros. Todos os fatos precisam ser investigados, documentados e explicados.


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De clã a clã

Aqui não se está falando de dois grupos laterais, mas de dois clãs políticos que se unem pela direita contra qualquer político progressista, contra Lula então!

Não há escultor possível que crie uma imagem dos Marinho como grupo democrático que, agora, junta-se à apoteose bolsonarista não como uma alegoria, mas como filhos e herdeiros da ditadura.

Enquanto o país luta por uma representação progressista, os dois clãs representantes da escravidão não cabem sequer em fantasias interpretativas. Por isso não há parênteses quando se fala do clã Marinho ou do clã Bolsonaro.

Pior é ver a reconstrução de alianças na hora em que a bola rola e, no centro do campo, um cavalo, um pangaré ou um potrinho miliciano. É dessa lógica na busca pela vitória do que é mais reacionário no Brasil, que as asneiras, ditas pelo bolsonarismo, ganham a ajuda estratégica das asneiras básicas do colunismo do Globo e, de gorjeta, da própria TV aberta dos Marinho.

Ou seja, tudo é comentado de acordo com as unhas da onça, na base da cavação para tentar destruir a imagem do oponente e, junto, destruir a vida de milhões de brasileiros das camadas mais pobres da população.

Isso nos cobre de vergonha, justamente porque o Jornal Nacional, durante ao menos uma década, vem mostrando uma fieira de crimes do clã Bolsoaro, seja com Jair, Flavio, Carluxo ou Eduardo que, de alguma forma, meteram as mãos nos bolsos dos brasileiros.

Contudo, os Marinho se esqueceram disso transcendendo a lógica da lógica e amontoa uma série de princípios antijornalísticos para defender o que eles próprios relataram sobre as ações criminosas dos Bolsonaro.

Isso é um monumento de falsidade jornalística para consagrar os próprios crimes que denunciaram. É uma esquizifrenia? Sim, totalmente nonsense vista por uma olhar minimamente decente sobre civilização.

Entre a barbárie e a democracia, os Marinho não falham, sempre optam pela barbárie. Não é de agora, mas desde o golpe de 1964 que Bolsonaro tanto exalta.

Por isso mesmo a afinidade entre os clãs naquilo que lhes é mais caro.

Mas essa faixa elástica também chega a outros jornalções, como o Estadão, Folha e revistonas, como a Veja, por exemplo.

Então, quanto mais próximo da eleição, mais fraternos se tornam os clãs entre si, sem qualquer pudor ou máscara, é osso no osso, pois, para os Marinho, contra Lula,  vale tudo; para os Bolsonaro, idem.

Até mesmo no ataque à N. Sra. Aparecida e na defesa das bets, lembrando também que os dois clãs apoiam vivamente o genocídio de crianças e mulheres, assim como a população civil como um todo em Gaza pelo exército terrorista de Israel.


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Gilmar Mendes: Em 24h, STF encontra dados do Master sobre ministros após meses com Mendonça

O ministro Gilmar Mendes afirmou que integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) encontraram, em menos de 24 horas de acesso aos dados brutos do celular de Daniel Vorcaro, elementos envolvendo outros ministros que, segundo ele, haviam “passado despercebidos” durante os meses em que o acervo do caso Master permaneceu sob a guarda de André Mendonça. No voto divulgado nesta segunda-feira (28), Gilmar relata que o material só foi compartilhado após sucessivos pedidos e aponta informações relacionadas a Kassio Nunes Marques e a seu filho, o advogado Kevin Marques.

A revelação consta do voto apresentado por Gilmar na questão de ordem da Petição 16.662, julgamento em que o Plenário do STF discute quem deve conduzir essa frente do caso Master, como ela deve tramitar e quais ministros podem participar de sua análise. A controvérsia surgiu depois que o presidente da Corte, Edson Fachin, assumiu o procedimento e o levou ao colegiado. Gilmar defende que essa petição seja reunida à Pet 16.704 e, depois, redistribuída pelas regras regimentais do Supremo.

Segundo o voto, os demais integrantes do colegiado só receberam acesso aos dados brutos na tarde de 14 de setembro, véspera do julgamento da questão de ordem sobre a condução das apurações. Gilmar afirma que o material estava havia “muitos meses” com Mendonça e que foram necessários “sucessivos ofícios” diante do que classificou como uma resistência inicial do relator em disponibilizar a íntegra do acervo.

Foi nesse intervalo que, segundo Gilmar, apareceram informações que não haviam recebido a mesma atenção.

“Em menos de vinte e quatro horas de acesso direto a esse acervo, já foi possível identificar elementos que reclamam atenção desta Corte e que passaram despercebidos ao escrutínio atento do eminente Relator”, escreveu.

Gilmar sustenta que a análise integral do material mostrou relações de Vorcaro com diferentes autoridades e parentes de autoridades. Ele contrapõe esses dados aos relatórios produzidos por determinação de Mendonça sobre informações envolvendo Alexandre de Moraes e afirma que elementos que apontavam para outras direções não receberam “igual escrutínio”.

Entre eles estão mensagens que, na avaliação de Gilmar, exigem esclarecimentos sobre Nunes Marques antes que o STF prossiga com os julgamentos relacionados ao Master. O ministro ressalva que o material não permite concluir pela existência de irregularidade ou impedimento de Nunes, mas considera que há dúvidas que precisam ser examinadas.

Gilmar pede levantamento de magistrados citados no caso Master
A partir desse quadro, Gilmar incorporou ao voto uma proposta apresentada inicialmente por Flávio Dino: identificar magistrados de todos os tribunais brasileiros mencionados nas investigações do Master e, entre eles, aqueles sobre os quais existam indícios sólidos de recebimento indevido de valores.

O levantamento alcançaria STF, Superior Tribunal de Justiça (STJ), Tribunal Superior do Trabalho (TST) e os demais tribunais do país. O critério inclui valores provenientes do Master, de empresas ligadas ao banco, de seus sócios ou administradores, recebidos diretamente pelo magistrado ou por intermédio de parentes próximos. Para essa finalidade, Gilmar considera indevido o recebimento sem causa jurídica “lícita e demonstrável”.

A medida também serviria para definir quem pode participar dos julgamentos. Gilmar afirma que, enquanto não forem conhecidos os ministros mencionados no acervo e as circunstâncias dessas referências, o Supremo não terá como saber se algum deles está impedido de votar.

“Enquanto não se souber quais integrantes desta Corte foram mencionados e em que condição, não se saberá quem pode votar e quem se acha impedido nos feitos correlatos”, escreveu.

Depois do levantamento, a proposta prevê manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e dos próprios magistrados citados. Gilmar também defende reunir as duas frentes do caso Master que tramitam no Supremo — as Pets 16.662 e 16.704 — e redistribuí-las pelas regras regimentais da Corte.

Para o ministro, submeter informações sobre alguns magistrados a uma apuração aprofundada e não fazer o mesmo com elementos relacionados a outros comprometeria o processo.

“Apuração parcial é apuração viciada”, afirmou.

Mensagens citam julgamento e filho de Nunes Marques
Um dos episódios destacados por Gilmar ocorreu em 1º de outubro de 2024. Naquele dia, Luiz Rennó, então diretor jurídico do Master, escreveu a Vorcaro: “Ganhamos alcidia”. Em seguida, registrou o resultado de uma votação: “3 (Fachin/Tofoli/Cassio) x 2 (Gilmar e André) desprovido o recurso da União”.

Poucos minutos depois, Rennó encaminhou a Vorcaro o contato de Kevin Marques, filho de Nunes Marques, acompanhado da mensagem: “Dominado aqui”.

Gilmar ressalva que conversas entre terceiros não permitem concluir que seu conteúdo seja verdadeiro. O que chamou a atenção do ministro foi a correspondência entre a mensagem e um julgamento efetivamente realizado pelo STF naquele dia.

Tratava-se de um recurso envolvendo a Destilaria Alcídia. O placar foi exatamente o descrito na conversa: Edson Fachin, Dias Toffoli e Nunes Marques formaram a maioria; Gilmar e Mendonça ficaram vencidos.

O voto também registra que Nunes havia aparecido como impedido no processo em fevereiro de 2024. No mês seguinte, retirou o impedimento e se declarou habilitado a votar. Em setembro, pediu vista e, em 1º de outubro, apresentou o voto que desfez o empate e formou a maioria.

Nunes Marques afirmou que o impedimento havia sido registrado porque ele atuara no caso quando era vice-presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Depois, concluiu que não estava tecnicamente impedido por se tratar de uma tese jurídica ampla e pediu a correção.

O ministro também declarou nunca ter votado em favor de Vorcaro ou do Master, nunca ter trocado mensagens com o banqueiro e jamais ter autorizado alguém a falar em seu nome.

Outras mensagens mencionam Consult e Kevin Marques
O voto reproduz ainda outras conversas entre Rennó e Vorcaro nas quais aparece o contato de Kevin.

Em agosto de 2025, Rennó escreveu que, entre os “pagamentos essenciais”, estava faltando “a consult”. Em seguida, encaminhou o contato de Kevin e escreveu “Único ‘meu’ que faltou”. Mais tarde, informou: “Foi pago”.

Em julho, o mesmo contato havia sido enviado acompanhado da pergunta: “Esse aqui – 500 mil mês – mantém?”.

O material não permite afirmar que Kevin recebia R$ 500 mil mensais, nem estabelece que o valor mencionado tivesse como destinatário o filho de Nunes. O próprio Gilmar adverte: “são conversas, e conversas não são condenações”.

O voto também menciona reportagens baseadas em dados do Coaf segundo as quais Kevin recebeu R$ 281,6 mil da Consult Inteligência Tributária em 11 transferências. A empresa teria recebido R$ 18 milhões entre agosto de 2024 e julho de 2025, sendo R$ 6,63 milhões do Master e R$ 11,38 milhões da JBS.

Kevin afirmou que os pagamentos remuneraram trabalho na área tributária e negou que suas empresas tenham mantido negócios com o Master ou a JBS. A Consult declarou que os valores pagos ao advogado correspondiam a serviços técnicos e jurídicos. Nunes Marques afirmou nunca ter prestado serviços ou consultoria à empresa.

Contrato poderia render R$ 427 milhões
Outro conjunto de informações citado por Gilmar envolve um contrato de honorários que poderia alcançar R$ 427 milhões e que, segundo reportagem mencionada no voto, já integrava o material enviado pela Polícia Federal ao gabinete de Mendonça.

O acordo com o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos previa honorários de 5% sobre valores que o Master recebesse em 12 processos ligados ao setor sucroalcooleiro. Uma das integrantes do escritório é Camilla Ramos, mulher do desembargador federal Newton Ramos, do TRF-1.

Essas ações discutiam indenizações relacionadas ao controle de preços do açúcar e do álcool, a mesma controvérsia jurídica do processo da Destilaria Alcídia.

Nunes Marques sustentou que o Master não era parte naquele processo. Gilmar reconhece esse fato, mas afirma que a tese jurídica definida pelo STF poderia produzir efeitos sobre outras ações nas quais o banco tinha interesse econômico.

Gilmar volta a advertir que os elementos não permitem antecipar uma conclusão contra Nunes. “Conversas de terceiros não são condenações, e reportagens não são provas”, escreveu. Para ele, as informações precisam ser esclarecidas antes de o Supremo continuar a julgar os processos relacionados ao Master.

Gilmar acusa Mendonça de viés político-eleitoral
Na parte mais dura do voto, Gilmar acusa Mendonça de imprimir “inequívoco viés político-eleitoral” à condução do caso.

Segundo ele, informações envolvendo Alexandre de Moraes já haviam vazado em março de 2026 e apareciam em relatório da Polícia Federal no mês seguinte, mas Mendonça só determinou novas providências durante o período eleitoral. Gilmar também critica o levantamento do sigilo antes de o Plenário analisar a controvérsia.

As afirmações são acusações feitas por Gilmar no voto e não conclusões já estabelecidas pelo STF.

Ao defender que o mesmo critério seja aplicado a todos os nomes que aparecem no acervo, Gilmar resume a posição em uma frase: “Os fatos serão apurados — todos eles e de todos.”

Pela proposta, o STF deverá reunir e redistribuir os procedimentos, identificar os magistrados associados a indícios sólidos de pagamentos indevidos e ouvir a PGR e os próprios citados antes de retomar o julgamento.

*Cleber Lourenço/ICL


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Política Saúde

Governo cobra de bets R$ 2,6 bilhões por prejuízo ao SUS e devolução a apostadores

Ação contra 17 empresas que concentram cerca de 80% do mercado também pede R$ 1 bilhão por danos coletivos e restituição em dobro em casos de ludopatia

A Advocacia-Geral da União (AGU) foi à Justiça nesta segunda-feira (28) para cobrar das maiores empresas de apostas do país o ressarcimento dos gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) associados aos danos provocados pelo jogo. Estudos preliminares do Ministério da Saúde citados na ação estimam esse prejuízo em pelo menos R$ 2,6 bilhões.

A ação vai além da conta do SUS. A União também pede que as bets paguem ao menos R$ 1 bilhão por danos morais coletivos e devolvam em dobro, em determinadas situações, valores apostados por pessoas diagnosticadas com transtorno do jogo, conhecido como ludopatia.

O processo foi apresentado à Justiça Federal em Pernambuco contra 17 operadoras que, segundo a AGU, representam cerca de 80% do mercado nacional de apostas de quota fixa. Entre as marcas atingidas estão Betano, Bet365, Superbet, Sportingbet, Esportes da Sorte, Blaze, Betnacional, Estrelabet, Vaidebet, Pixbet, Betfair e KTO.

Na prática, a União tenta estabelecer na Justiça que as empresas também devem arcar com parte dos custos sanitários e sociais associados ao negócio que exploram.

União estima prejuízo de R$ 2,6 bilhões
Um dos principais argumentos apresentados pela AGU é a distância entre o dinheiro destinado pelas empresas à saúde pública e o custo que, segundo o governo, acabou absorvido pelo SUS.

Atualmente, apenas 0,12% da arrecadação destinada pelas operadoras vai para o Ministério da Saúde. No último exercício fiscal, segundo a ação, foram aproximadamente R$ 50 milhões.

O valor é uma fração dos R$ 2,6 bilhões que estudos preliminares do Ministério da Saúde estimam como prejuízo mínimo ao SUS relacionado às apostas. A conta apresentada pela União é 52 vezes maior que o montante repassado à Saúde.

Isso não significa que as empresas já tenham sido condenadas a pagar R$ 2,6 bilhões. A AGU quer primeiro que a Justiça reconheça a obrigação de ressarcir o SUS. Se isso acontecer, o valor definitivo será calculado posteriormente, durante a execução da decisão.

A União sustenta que o modelo atual permite que as empresas fiquem com os resultados econômicos da atividade enquanto parte de suas consequências recai sobre o orçamento público.

Na ação, a AGU afirma que as operadoras “privatizam proveitos expressivos decorrentes da exploração econômica das apostas”, ao mesmo tempo em que transferem ao SUS e à sociedade os custos relacionados ao adoecimento associado ao jogo.

Segundo os dados apresentados no processo, cerca de 28 milhões de brasileiros apostam atualmente e aproximadamente 10,9 milhões apresentam padrões de jogo considerados de risco ou problemáticos.

A AGU também cita dados do Ministério da Saúde que mostram crescimento de cerca de 140% nos atendimentos do SUS relacionados ao jogo patológico e ao jogo excessivo entre janeiro de 2018 e dezembro de 2025.

Apostadores com ludopatia podem receber dinheiro de volta
Outro pedido da AGU pode atingir diretamente a relação entre as plataformas e seus clientes.

A União quer que sejam consideradas nulas apostas feitas por pessoas diagnosticadas com transtorno do jogo em duas situações: quando a empresa continuou permitindo depósitos e apostas mesmo depois de ser formalmente informada sobre o diagnóstico; ou quando deixou de agir diante de sinais de comportamento de risco que poderiam ser identificados pelos próprios sistemas da plataforma.

Nesses casos, a AGU pede que o dinheiro seja devolvido em dobro, com correção monetária. Eventuais prêmios recebidos pelo apostador no mesmo período seriam descontados do valor da restituição.

A medida, porém, não significaria uma devolução automática para todas as pessoas diagnosticadas com ludopatia.

Primeiro, a Justiça precisa aceitar a tese da União. Se houver uma decisão favorável, serão estabelecidos critérios gerais. Depois, cada consumidor terá de demonstrar individualmente que se enquadra nessas condições e comprovar quanto teria direito a receber.

A AGU também pede que sejam consideradas sem efeito cláusulas contratuais usadas pelas plataformas para transferir integralmente o risco financeiro ao apostador ou impedir a restituição nessas situações.

Bets tiraram R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias em 2025
Para sustentar que o problema ultrapassa os gastos do sistema de saúde, a AGU levou à Justiça dados sobre os efeitos das apostas no orçamento das famílias.

Estimativa do Ministério da Fazenda citada na ação aponta que as bets retiraram cerca de R$ 62,5 bilhões do orçamento familiar brasileiro somente em 2025. São recursos que, segundo a União, deixaram de estar disponíveis para despesas como alimentação, moradia, educação e saúde, além de consumo e formação de poupança.

De acordo com Cleber Lourenço, ICL, outro levantamento apresentado no processo aponta uma redução de aproximadamente 43% na variação mensal do saldo bancário depois que uma pessoa começa a apostar, indicativo usado pela AGU para sustentar que as apostas diminuem a capacidade das famílias de manter reservas e bancar despesas emergenciais.

A ação cita ainda estimativas de impacto entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões sobre a atividade econômica nacional e de aproximadamente R$ 143 bilhões em efeitos da inadimplência sobre o comércio varejista.

Na área da saúde, estudo apresentado pelo Ministério da Saúde estima que os problemas relacionados ao jogo atingem, em média, seis pessoas próximas de cada apostador, com consequências que incluem endividamento, deterioração da saúde mental e violência familiar.

Ação atinge empresas que concentram 80% do mercado
As 17 empresas acionadas são responsáveis por algumas das maiores plataformas em operação no país: Betano, Bet365, Superbet, Sportingbet, Esportes da Sorte, Onabet, Blaze, Betnacional, Estrelabet, 7K, Cassino, 7Games, Betão, Vaidebet, H2 Bet, Pixbet, Novibet, Bullsbet, Betfair e KTO.

Segundo os estudos citados pela AGU, juntas elas concentram aproximadamente 80% do mercado brasileiro de apostas de quota fixa.

A União defende que eventual indenização seja dividida entre as empresas de acordo com a participação de cada uma no mercado. Como alternativa, pede que a Justiça reconheça a responsabilidade solidária, permitindo que o ressarcimento seja cobrado conjuntamente das operadoras.

O processo foi apresentado em Pernambuco porque, segundo dados do Ministério da Saúde citados pela AGU, o Nordeste concentra a maior proporção de pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica que apresentam padrões de jogo considerados de risco.

Agora, caberá à Justiça Federal decidir se aceita as teses apresentadas pela União. Além dos R$ 2,6 bilhões estimados como prejuízo mínimo ao SUS, estão em jogo o pedido de R$ 1 bilhão por danos morais coletivos e a possibilidade de restituição em dobro a consumidores que comprovem as condições estabelecidas na ação.

As empresas acionadas terão direito de apresentar suas defesas no processo.


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Política

Brasil não é propriedade de uma fé

Alguém minimamente sensato pode ignorar a gravidade política de um candidato à Presidência afirmar que, se eleito, um de seus primeiros atos será “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”?

A frase não é invenção de adversários. Foi dita pelo próprio Flávio Bolsonaro. E é justamente por isso que ela merece ser discutida com seriedade.

Uma coisa é um presidente professar sua fé pessoal. Outra, completamente diferente, é falar em “decretar” uma identidade religiosa para a nação, como se o Estado brasileiro pudesse pertencer a uma determinada crença.

O Brasil tem católicos, evangélicos, espíritas, adeptos de religiões de matriz africana, judeus, muçulmanos, pessoas de outras tradições e também milhões que não professam religião alguma. A Presidência da República não pertence a nenhuma igreja, pastor, padre ou denominação. Pertence à República e deve representar todos os brasileiros.

E há uma questão que não pode ser varrida para debaixo do tapete: a frase foi proferida justamente por um candidato evangélico, num contexto eleitoral em que religião e política vêm sendo cada vez mais misturadas. Isso explica por que ela provocou questionamentos sobre qual seria o espaço reservado às demais tradições religiosas num eventual governo.

Não é preciso inventar projeto contra Nossa Senhora Aparecida para fazer essa discussão. Aliás, a própria controvérsia recente mostrou o perigo da desinformação: o projeto que pretendia alterar a referência a Nossa Senhora Aparecida foi apresentado em 2007 e arquivado em 2008, sem ligação comprovada com Flávio Bolsonaro.

A pergunta realmente relevante é outra:

Quando um candidato diz que pretende “decretar” que o Brasil é de Jesus Cristo, está falando apenas como cidadão de fé ou está anunciando uma concepção de Estado?

Essa é uma pergunta legítima. E merece resposta clara — não gritos, não fake news, não guerra religiosa.

Porque o Brasil não pode ser propriedade de ninguém. Nem de partido, nem de família política, nem de igreja. O Brasil é de todos os brasileiro


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Se o “terrivelmente evangélico” já protagonizou uma batalha judicial envolvendo Nossa Senhora Aparecida, imagine o que o Zero Um do clã poderá fazer com a religião se chegar à Presidência

O episódio envolvendo Nossa Senhora Aparecida acendeu um alerta que vai muito além da disputa eleitoral. André Mendonça, ministro indicado por Jair Bolsonaro e apresentado pelo próprio ex-presidente como alguém “terrivelmente evangélico”, determinou, no TSE, a remoção de 1.125 publicações que associavam Flávio Bolsonaro à suposta retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. Flávio negou apoiar essa proposta, e Flávio Dino posteriormente derrubou a decisão, restabelecendo as publicações.

O episódio nos autoriza  a afirmar que Mendonça agiu eleitoralmente, revelando algo politicamente muito mais sério: até a devoção popular a Nossa Senhora Aparecida entrou no campo de batalha eleitoral e judicial.

E é justamente aí que a sociedade precisa prestar atenção.

Quando um projeto político começa a misturar de maneira cada vez mais agressiva fé, Estado e poder, prática comum ao clã Bolsonaro, a pergunta deixa de ser sobre esta ou aquela religião. Passa a ser sobre o princípio constitucional de que o Estado brasileiro é laico e deve garantir liberdade religiosa para todos.

O próprio Bolsonaro anunciou sua intenção de colocar no Supremo ministros “terrivelmente evangélicos”. Agora, diante do episódio envolvendo Mendonça e Nossa Senhora Aparecida, é legítimo discutir qual será o limite entre convicção religiosa pessoal e exercício do poder de Estado.

E se isso já produz tamanho conflito durante uma campanha eleitoral, a pergunta política é inevitável: o que aconteceria se Flávio Bolsonaro, o Zero Um do clã, tivesse nas mãos a Presidência da República e o poder de indicar ministros para o Supremo? É hora de pensar muito sério sobre seu voto e escolher entre soberania e democracia ou o caos.

Não se trata de atacar evangélicos, católicos ou qualquer outra religião. Trata-se exatamente do contrário: de defender o direito de todos a professarem sua fé sem que uma religião seja transformada em instrumento de poder político.

Nossa Senhora Aparecida pertence à fé de milhões de brasileiros. O Estado, porém, pertence a todos.

E essa fronteira — entre a crença de cada cidadão e o poder de quem governa — não pode ser tratada como detalhe eleitoral.


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Discussões sobre N. Sra. Aparecida têm 75% de posts negativos para Flávio Bolsonaro

Segundo relatório, episódio ganhou relevância por envolver diretamente eleitorado católico em meio à campanha presidencial

A repercussão nas redes sociais da associação de Flávio Bolsonaro (PL) à articulação para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil foi majoritariamente negativa para o candidato. Segundo relatório da empresa de monitoramento Palver, 73% das publicações com posicionamento nas redes sociais criticaram Flávio, enquanto 27% foram favoráveis a ele. No fluxo de mensagens online, que inclui WhatsApp e Telegram, a proporção de críticas foi de 60%.

O levantamento analisou o período de 18 a 25 de setembro e apontou que a discussão ganhou força na noite de 24 de setembro, depois que a GloboNews associou o candidato à mobilização envolvendo o título de Nossa Senhora Aparecida. A emissora posteriormente se retratou e esclareceu que a informação tinha como referência um projeto apresentado em 2007 e arquivado em 2008.

De acordo com a Palver, 28% dos conteúdos analisados nas redes foram classificados como neutros. Entre os demais, 73% apresentaram críticas a Flávio, percentual que corresponde a aproximadamente três quartos das manifestações com posicionamento. O relatório aponta que, no que se refere à troca de mensagens, o cenário foi menos desfavorável ao candidato: 40% das mensagens com posicionamento eram de apoio.

A repercussão também provocou um salto expressivo no volume de menções. Nas redes sociais, o pico chegou a 735 menções a cada 100 mil mensagens em 25 de setembro, contra uma média de aproximadamente 40 a 80 menções por 100 mil nos dias anteriores. No X, o índice passou de cerca de 50 menções por 100 mil em 23 de setembro para 379 em 25 de setembro.

O relatório registra que muitas das mensagens reproduziram cards atribuídos à GloboNews e apresentaram a suposta retirada do título de Padroeira do Brasil como uma ameaça aos católicos. A narrativa também relacionou Flávio à bancada evangélica e ao projeto de lei apresentado em 2007 pelo então deputado Victorio Galli, que foi assessor especial de Bolsonaro durante seu governo, que propunha substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos”. A proposta foi arquivada no ano seguinte.

Após a repercussão, Flávio publicou um vídeo negando a existência de qualquer projeto nesse sentido. A narrativa de defesa do candidato e reprodução do desmentido representou aproximadamente 16% das mensagens relevantes analisadas pela Palver. Segundo o relatório, esse conteúdo teve maior presença nos grupos de mensageria ligados ao campo bolsonarista.

Outra frente, responsável por cerca de 15% das mensagens, reuniu conteúdos de checagem sobre a origem do projeto e questionamentos ao desmentido de Flávio. Parte das publicações ressaltava que a proposta era de 2007, havia sido arquivada em 2008 e não era de autoria do candidato.

Tema alcança eleitorado católico
Para a Palver, o episódio ganhou relevância por envolver diretamente o eleitorado católico em meio à campanha presidencial. O relatório aponta que a associação entre Flávio, a bancada evangélica e uma suposta ameaça à padroeira passou a circular para além das bolhas partidárias e alcançou grupos religiosos.

O monitoramento também indica que a correção da informação não eliminou imediatamente a repercussão do conteúdo original. Segundo a empresa, a velocidade de disseminação do boato foi superior à do desmentido, fazendo com que a narrativa continuasse presente nas redes mesmo após a retratação da GloboNews e a manifestação de Flávio.


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A MP de Lula tirou o tumor à força; a Flávio Bolsonaro restou o papel de gritar que a cirurgia é ilegal

I. A Canetada do Planalto contra a “Ciranda da Arrecadação”

A Medida Provisória editada nesta tarde pelo presidente Lula estabeleceu a proibição total e imediata de apostas de quota fixa, jogos online e cassinos digitais (como o “Jogo do Tigrinho”). Ao instituir o dia 6 de outubro como o prazo fatal para que todos os domínios e aplicativos de bets saiam definitivamente do ar no país, o governo federal buscou colher dois dividendos simultâneos: estancar o endividamento catastrófico das famílias de baixa renda e atingir o coração de um eleitorado (mulheres do Sudeste e evangélicos) que as pesquisas internas apontavam como o núcleo de sustentação de seu rival.

A reação de Flávio Bolsonaro foi fulminante. Gravando vídeos de campanha a apenas nove dias do primeiro turno, o senador rotulou a MP de um “estelionato eleitoral” e uma “solução fajuta”. Na narrativa do parlamentar do PL, a canetada é puramente oportunista: o governo teria criado o problema ao sancionar a regulamentação do setor em dezembro de 2023 por pura avidez arrecadatória, e agora joga com o calendário eleitoral ao emitir uma MP que caducará em quatro meses, abrindo brecha para que o “tumor” retorne com força total após a apuração dos votos.

II. O Histórico Oculto: A Distinção entre o Púlpito e a Planilha

O cruzamento do discurso inflamado de hoje com a atuação legislativa de Flávio Bolsonaro desnuda a geometria variável de seu pragmatismo. No mesmo vídeo em que acusa Lula de “ferrar a vida das pessoas”, o senador fez uma promessa cirúrgica: “Nos meus quatro anos como presidente do Brasil, não vai ter cassino online, nem Tigrinho”. O silêncio sepulcral de sua fala em relação às bets esportivas de quota fixa não é um esquecimento; é método.

Ao discursar na formatura de praças da Polícia Militar do Rio de Janeiro, o candidato foi forçado a fazer uma distinção drástica entre o pecado do azar digital e o mercado do entretenimento esportivo:

“Uma coisa é você permitir, como já é permitido no Brasil há décadas, que brasileiros, por livre e espontânea vontade, possam apostar nos jogos que são reais, no jogo de futebol. Sou contra, mas é o que está em vigor”.

A manobra do clã visa a blindar os contratos bilionários que sustentam a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o ecossistema comercial do esporte. O histórico recente do senador mostra que, durante a tramitação da Lei nº 14.790 no final de 2023, a bancada da oposição não operou para banir a jogatina, mas sim para moldar as taxações de forma a favorecer as grandes plataformas de quota fixa. Flávio Bolsonaro sempre flutuou no limite da defesa do fomento de cassinos físicos e resorts sob o pretexto de “atrair turismo e investimentos estrangeiros”, mas agora, diante do colapso econômico provocado pelas bets no bolso do trabalhador, tenta equilibrar-se na corda bamba: condena o “Tigrinho” para acalmar os pastores conservadores e protege o bilionário mercado das apostas de futebol para não asfixiar o faturamento das redes de mídia e das camisas dos clubes.

III. A Gramática Eleitoral a Nove Dias do Voto

A publicação da MP hoje converteu as apostas no tema central da reta final da campanha ao Planalto, destronando parcialmente os ensaios de segurança pública e as crises de bastidores. A oposição sabe que a radicalidade do texto de Lula colocou o bolsonarismo em uma encruzilhada moral. Ao tentar jogar no colo do atual presidente a culpa pela expansão da epidemia do vício — ignorando que a liberação original das bets de quota fixa ocorreu em 2018, no governo Michel Temer, e passou em branco por quatro anos de gestão de seu próprio pai —, Flávio tenta estancar a sangria de votos de sua base.

A verdade matemática que cruza as urnas e os decretos é implacável: o candidato do PL não pode chancelar o banimento completo do futebol porque isso implodiria suas pontes com os barões da comunicação; mas também não pode defender o jogo virtual sob o risco de perder de vez as mulheres evangélicas do Sudeste que hoje sofrem os efeitos do colapso financeiro doméstico.

A MP de Lula tirou o tumor à força; a Flávio Bolsonaro restou o papel de gritar que a cirurgia é ilegal, rezando secretamente para que o paciente continue dependente do remédio que financia o espetáculo do poder.


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Política

Dino derruba decisão de Mendonça e libera posts sobre Nossa Senhora

Ministro do STF, Flávio Dino, mandou restabelecer publicação de Tabet e afirmou que debate sobre título de Padroeira do Brasil deve ser livre

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou neste domingo (27/9) a decisão do ministro André Mendonça, também vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que havia determinado a remoção de uma publicação do humorista Antonio Tabet sobre a polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida.

Dino também determinou que o post e outras publicações retiradas pelo mesmo motivo sejam restabelecidos. Isso porque, para o ministro, não havia certeza suficiente sobre ilegalidade que justificasse uma restrição tão ampla à liberdade de expressão.

A decisão do magistrado ocorre após o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) apresentar uma ação contra o humorista.

O caso começou após a circulação, nas redes sociais, de que grupos evangélicos ligados ao senador queriam retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O assunto repercutiu em 23 e 24 de setembro.

Na noite do dia 24, Tabet publicou no X uma imagem da santa, com a frase “a família miliciana odeia tanto mulher preta que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida”. Segundo Dino, o post não citava nominalmente Flávio nem familiares.

Embora a publicação não mencione a família do senador, ele entrou com representação no TSE alegando que a postagem trazia fato sabidamente inverídico, ódio racial e ligação com milícia.

O ministro André Mendonça, que acatou a ação, determinou a remoção do post de Tabet e proibiu novas postagens de mesmo teor, com multa de R$ 30 mil por descumprimento.

A ordem mirava publicações que tratassem como verdadeiro o boato de que Flávio ou sua família teriam proposto retirar o título de Padroeira, mas ressalvava críticas, sátiras e opiniões.

Decisão de Dino

Ao analisar o recurso, Dino afirmou que seria preciso presumir que “família miliciana” se referia a Flávio para justificar a remoção, o que não teria segurança, sem instrução adequada.

O ministro alegou que o debate eleitoral deve permitir exposição crítica e que até declarações eventualmente errôneas podem estar protegidas, exceto em casos como racismo e incitação à violência.

Dino destacou ainda que o próprio debate sobre a Lei nº 6.802/1980, que tornou 12 de outubro feriado nacional em homenagem à santa e a reconhece como Padroeira, pode ocorrer na eleição.

Ainda segundo o magistrado, candidatos podem se posicionar contra convicções religiosas e defender mudança na lei, mas isso não pode ser impedido de ser informado e debatido.

A decisão cita ainda o PL 2.623/2007, do então deputado Victório Galli Filho, que propunha alterar o título de Padroeira, como parte do debate público já existente.

Com isso, Dino cassou a ordem de Mendonça, mandou as plataformas restabelecerem o post e citou como fundamento a ADPF 130, que trata da proteção constitucional à liberdade de imprensa e de expressão.

*Metrópoles


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