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Negociador: Lula fecha acordo com Motta e Alcolumbre e destrava fim da 6×1, ‘taxa das blusinhas’ e terras raras

Lula retoma a iniciativa e fecha pacto no Congresso para destravar 6×1, blusinhas e terras raras

O almoço de Lula com Hugo Motta e Davi Alcolumbre, nesta quarta-feira, produziu algo politicamente relevante: um acordo para tirar da gaveta uma série de pautas que estavam emperradas no Congresso e colocá-las no centro do esforço concentrado da próxima semana. Entre elas estão o fim da escala 6×1, a derrubada da chamada “taxa das blusinhas” e o marco legal dos minerais críticos e terras raras.

Não é pouca coisa. É justamente no Congresso que muitas das propostas de maior impacto social e econômico acabam paralisadas por disputas partidárias, interesses corporativos e cálculos eleitorais. Ao reunir os presidentes das duas Casas e arrancar deles um compromisso de tramitação, Lula demonstra que ainda dispõe de capacidade de articulação política — e que, quando Executivo e Legislativo decidem colocar determinadas matérias na pauta, a engrenagem anda.

O fim da escala 6×1 é o ponto de maior impacto social. A proposta reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, preservando os salários e ampliando o descanso dos trabalhadores. A PEC já avançou na Câmara e chegou à CCJ do Senado, onde o senador Omar Aziz foi escolhido relator. A previsão é que o relatório seja apresentado no início de setembro.

É exatamente aí que aparece o contraste político com a oposição. Enquanto Lula transforma a redução da jornada e o direito a mais tempo de descanso em uma bandeira concreta, setores ligados ao bolsonarismo tentam sustentar alternativas que preservam maior flexibilidade para patrões e empregados. A disputa, portanto, não é apenas regimental: é uma disputa sobre que projeto de país será apresentado ao trabalhador brasileiro.

A “taxa das blusinhas” também tem enorme potencial de repercussão popular. O acordo prevê acelerar a votação da MP que suspende a cobrança federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. A medida precisa avançar rapidamente para não perder validade.

Já a discussão sobre minerais críticos e terras raras coloca o debate em outro patamar: soberania econômica. O governo quer estabelecer regras para proteger riquezas estratégicas brasileiras diante da crescente disputa internacional por esses recursos. Lula foi direto ao defender que riquezas existentes no território nacional não sejam simplesmente exploradas por interesses estrangeiros sem uma legislação capaz de garantir benefícios ao Brasil.

E há ainda a PEC da Segurança Pública e o projeto Redata, voltado à atração de investimentos em data centers. Ou seja, o acordo não se limita a uma única bandeira eleitoral: envolve trabalho, consumo, soberania mineral, segurança e desenvolvimento tecnológico.

Politicamente, a fotografia de Lula, Motta e Alcolumbre juntos também fala alto. Depois de períodos de tensão e travamentos, o presidente conseguiu sentar à mesa com os comandantes da Câmara e do Senado e estabelecer uma agenda comum. O resultado é uma demonstração de que a política institucional pode funcionar quando há negociação e disposição para construir maioria.

Há que se reconhecer a dimensão eleitoral do movimento não diminui a importância das medidas. Se uma proposta é boa para o trabalhador, reduz uma cobrança que pesa no bolso ou protege riquezas estratégicas do país, sua aprovação continua sendo positiva independentemente da data em que ocorrer.

O que o acordo revela, sobretudo, é uma mudança de cenário: Lula saiu da posição de quem apenas cobra o Congresso e passou a comandar uma articulação capaz de colocar suas principais pautas na fila de votação.

E isso explica por que o movimento incomoda tanto a oposição. Se o Congresso efetivamente aprovar o fim da 6×1, avançar sobre a “taxa das blusinhas” e estabelecer regras para proteger minerais críticos e terras raras, Lula poderá chegar à campanha apresentando não apenas promessas, mas resultados concretos.

No fundo, é essa a batalha que começa a se desenhar: de um lado, quem quer transformar direitos, renda, tempo livre e soberania nacional em políticas públicas; de outro, quem terá de explicar ao eleitor por que determinadas pautas populares deveriam continuar esperando.

O almoço no Alvorada pode ter sido servido à mesa, mas o prato principal é político: Lula conseguiu colocar novamente o Congresso para votar aquilo que interessa diretamente à vida dos brasileiros.


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Vídeo: Merval questiona Valdo Cruz e jornalistas que guardam documentos sobre Flávio e “Dark Horse”

Uma discussão entre os comentaristas da GloboNews expôs uma questão incômoda sobre o tratamento jornalístico de informações capazes de afetar a eleição presidencial de 2026.

O comentarista Valdo Cruz afirmou que jornalistas já têm documentos e informações relacionados a Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e o escândalo do filme picareta “Dark Horse”.

“Tem jornalistas que têm dados sobre isso e estão esperando o momento para divulgar”, disse Valdo. “Tem gente que já tá com documento, mas tá aguardando o momento ali que considera mais adequado para divulgar. Que hora vai sair algo? Como vai sair algo?”

Talvez para limpar a barra da casa, Merval contestou frontalmente o colega. “O jornalista que tem documento, que tem informação e que guarda para um momento oportuno não é um jornalista profissional”, afirmou.

“Esse deve ser interessado em um ou outro político, um ou outro candidato. Porque não é possível. Qual é o momento ideal para soltar uma notícia?. Não tem momento ideal. O momento ideal é quando as notícias aparecem, né?”

O decano insistiu. “Não vejo muita lógica em jornalista sério que guarda informação para o melhor momento. Melhor momento para quem, cara pálida? Não vejo isso com bons olhos, não”, declarou.

Nos últimos meses, vazamentos da Polícia Federal relacionados ao filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passaram a alimentar o noticiário da Globo sem qualquer contextualização, apenas com interesse eleitoral em desgastar o governo.


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Flávio Bolsonaro e PL tentam manter escala 6×1 e partido sugere emendas à PEC

Presidenciável orientou senadores de seu partido a defender remuneração por horas de trabalho

Enquanto a PEC de derrubada da escala de trabalho 6×1 avança no Senado, depois que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), liberou o tema para votação, o presidenciável Flávio Bolsonaro e seu partido, o PL, se articulam para tentar mudar o texto original ou adiar a votação para depois das eleições. Na noite desta terça-feira (25), senadores da legenda apresentaram cinco emendas à PEC: duas são de autoria de Hermes Klann e outras três emendas foram apresentadas por Izalci Lucas para manter o limite de 44h, condicionando a jornada à negociação com os patrões, além de permitir a contratação por horas trabalhadas.

“Tudo isso é parte da tentativa de Flávio Bolsonaro de passar a boiada e deixar o trabalhador com sensação de ‘ganhou, mas não vai levar’”, critica Rick Azevedo, vereador carioca que lidera o movimento Vida Além do Trabalho (VAT), responsável pela mobilização em torno da mudança da jornada de trabalho.

Na segunda-feira (24), após reunião na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Flávio mais uma vez afirmou ser contra o fim da escala 6×1 e propôs alternativas ainda mais desfavoráveis ao trabalhador. Depois de dizer que a PEC contém “grande carga de hipocrisia” e classificar como avanços para o Brasil a existência de aplicativos de entrega e de transporte, ele explicou qual proposta defende.

“Foi passado aqui para a nossa bancada essa sugestão, essa alternativa, que seria a remuneração por horas de trabalho”, revelou o candidato. É justamente esta ideia a base das emendas apresentadas nesta terça-feira.

“Não aceitaremos essas propostas e faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para derrotá-las novamente”, afirmou nas redes sociais a deputada Erika Hilton (PSOL-SP).

Omar Aziz quer manter texto que veio da Câmara
Relator no Senado da PEC do fim da 6×1, Omar Aziz (PSD-AM) deu entrevista na manhã de terça-feira ao programa ICL Notícias 1ª Edição e disse que pretende manter o texto aprovado pela Câmara, embora parlamentares possam apresentar emendas. Entre os pontos que deverão ser discutidos estão regras de transição e adequações para categorias com regimes específicos de trabalho, como profissionais que atuam em plataformas de petróleo, além dos setores de comércio, serviços e hotelaria.

Aziz também rebateu o argumento de que a redução da jornada poderia prejudicar a economia. Para ele, o Brasil já passou por mudanças semelhantes no passado, como a redução da carga semanal e a criação do 13º salário, sem que as previsões de colapso econômico se confirmassem. O senador defendeu ainda que as transformações no comércio e nos serviços exigem adaptações diante de mudanças nos hábitos de consumo e do avanço das novas tecnologias.

Ao comentar a defesa de uma maior liberdade para que trabalhadores escolham jornadas mais longas, como defende Flávio Bolsonaro, Aziz afirmou que é preciso considerar os limites impostos à saúde. Como exemplo, citou profissionais da saúde que enfrentam longos plantões e disse que jornadas extensas podem comprometer a saúde mental, sem necessariamente aumentar a produtividade.

“Olha, eu não vou polemizar com o Flávio, mas eu acho que não tem coisa mais importante que a convivência familiar. Não tem coisa mais importante, e o Brasil tem que entender isso, que é as pessoas”, afirmou Aziz.

O senador também citou profissionais da saúde que enfrentam longos plantões como exemplo dos impactos das jornadas extensas. Segundo ele, há estudos que mostram que o aumento da quantidade de horas trabalhadas não significa necessariamente maior produtividade, enquanto a saúde mental pode ser afetada.

“A gente está falando de seres humanos, não estou falando de máquina”, afirmou.

*ICL


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Recordar é viver: a mídia recicla a velha fórmula das farsas do mensalão e da Lava Jato contra Lulinha

Recordar é viver: na pantomima que setores da mídia estão construindo em torno de Lulinha, há pelo menos um aspecto revelador: ela permite reconhecer, quase em tempo real, o velho padrão de manipulação utilizado pelo chamado jornalismo industrial nas farsas midiáticas que marcaram o mensalão e, posteriormente, a Lava Jato, com o protagonismo Joaquim Barbosa e de Sergio Moro.

A fórmula é conhecida. Primeiro, escolhe-se um personagem que precisa ser transformado em vilão. Depois, insinuam-se conexões, levantam-se suspeitas, selecionam-se informações convenientes e, sobretudo, repete-se exaustivamente a narrativa até que a suspeita passe a ocupar o lugar da prova. O método é simples, mas poderoso: quando a manchete é reproduzida milhares de vezes, a dúvida cuidadosamente fabricada começa a adquirir aparência de verdade.

Foi assim que parte da imprensa construiu, durante anos, uma espécie de tribunal paralelo. O jornalismo deixou de ser, em muitos momentos, instrumento de investigação para assumir o papel de acusador, julgador e propagador de versões. A diferença entre fato comprovado, hipótese, ilação e opinião tornou-se convenientemente nebulosa.

O mais curioso é que a atual ofensiva contra Lulinha parece ressuscitar justamente esse mecanismo. Em vez de esclarecer, contextualizar e separar evidências de especulações, setores da mídia parecem interessados em produzir um ambiente de suspeição permanente. E há uma razão política evidente para questionar esse movimento: Lulinha não é candidato a presidente, não disputa eleição e não ocupa cargo público — mas seu nome vem sendo explorado como se fosse uma arma eleitoral contra Lula.

É aí que a comparação histórica se torna inevitável. Durante o mensalão e, sobretudo, na Lava Jato, a exposição seletiva de informações, o vazamento estrategicamente utilizado, a repetição incessante de acusações e a transformação de suspeitas em certezas contribuíram para criar uma atmosfera política na qual determinados personagens já chegavam ao noticiário previamente condenados.

A questão não é impedir que ninguém seja investigado. Ao contrário: qualquer pessoa deve responder por eventuais irregularidades, com provas, contraditório e devido processo legal. O problema começa quando o jornalismo abandona esses critérios e passa a trabalhar com a lógica da insinuação: se existe uma suspeita, ela vira manchete; se não há prova suficiente, acrescenta-se uma nova suspeita; se a narrativa perde força, resgata-se outra.

É justamente por isso que “recordar é viver”. Porque quem acompanhou aqueles episódios reconhece os sinais. Reconhece a linguagem, o enquadramento, a seleção das fontes, a insistência desproporcional e, principalmente, a tentativa de transformar uma narrativa política em fato consumado.

A história recente deveria ter ensinado alguma coisa. O jornalismo não pode repetir os mesmos vícios que ajudaram a produzir algumas das maiores distorções da política brasileira. Se há fatos contra Lulinha, que sejam apresentados com documentos, provas e contexto. Se existem crimes, que sejam investigados. Se não existem provas, a imprensa deveria ter a responsabilidade de dizer exatamente isso.

Porque a diferença entre jornalismo e propaganda não está no tamanho da manchete. Está na capacidade de resistir à tentação de fabricar certezas onde existem apenas suspeitas.

E talvez seja justamente esse o lado “bom” da atual pantomima: ela permite reconhecer a velha fórmula antes que ela seja completamente naturalizada. Ao repetir os mesmos métodos do passado, parte da mídia acaba revelando não apenas sua narrativa atual, mas também o padrão de operação que utilizou em momentos decisivos da história política brasileira.

Desta vez, porém, há uma diferença importante: muita gente já conhece o roteiro. E quando o público reconhece a fórmula, fica muito mais difícil vender a velha manipulação como se fosse jornalismo novo.

Em última análise, Comparar o caso de Lulinha com o esquema pesado de corrupção de Flávio, como faz a velha mídia, fala muito mais sobre como funciona a imprensa industrial no Brasil.


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Dark Horse: Decisão de Dino dá ‘xeque-mate’ em Mendonça no STF

Decisão permite à PF acessar material apreendido na investigação sobre a produtora do filme.

Uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, criou uma ponte entre duas investigações que, até agora, corriam separadamente — e colocar nas mãos da Polícia Federal e do ministro André Mendonça alguns dos documentos mais importantes para desvendar o caminho do dinheiro do Dark Horse.

No último dia 21, Dino autorizou a PF a acessar o material apreendido pela Polícia Civil de São Paulo na investigação que atingiu Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme sobre Jair Bolsonaro. O compartilhamento havia sido solicitado pela própria PF. A investigação é diferente daquela relatada por Mendonça, que apura os milhões negociados por Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro para financiar o projeto. Mas as duas têm um ponto óbvio de encontro: a produtora e o dinheiro que passou por ela.

A coincidência da data é especialmente interessante. No mesmo 21 de agosto em que Dino assinou sua decisão, publiquei na minha newsletter e depois revelei no ICL uma entrevista com o perito responsável pelo laudo usado pela Go Up para sustentar a regularidade das contas do filme. E o que ele me contou ajuda a dimensionar o potencial da decisão de Dino.

O perito admitiu uma série de limitações no trabalho. Disse que não verificou se os valores pagos pela produção estavam de acordo com os preços de mercado e que não sabe o que os fornecedores fizeram com o dinheiro depois de recebê-lo. Ou seja: o laudo pode demonstrar contabilmente que determinado valor saiu de um lugar e chegou a outro, mas não responde sozinho à pergunta mais importante da investigação: qual foi o destino final do dinheiro?

Ao mesmo tempo, porém, ele revelou algo fundamental: as notas fiscais existem e estão em seu poder. Disse ainda que a Polícia Federal determinou a apresentação de comprovantes relacionados aos gastos. É aí que a decisão de Dino pode se transformar numa espécie de tacada de mestre investigativa.

O inquérito sob sua relatoria não é o principal processo sobre os milhões de Vorcaro. Mas, ao permitir que a PF acesse o material obtido pela Polícia Civil, Dino abre caminho para que documentos financeiros, computadores, celulares e registros relacionados à Go Up sejam cruzados com a investigação que realmente alcança a negociação entre Flávio e o dono do Banco Master.

E essa segunda investigação está com André Mendonça. É justamente a frente que mais preocupa a campanha de Flávio, diante da suspeita investigada de que recursos destinados ao fundo usado para financiar o projeto captado com Daniel Vorcaro, do Banco Master, possam ter bancado despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Isso torna ainda mais curiosa a estratégia adotada agora pelo candidato. Segundo uma reportagem d’O Globo, a orientação do QG de Flávio é parar de responder sobre o Dark Horse, transferir as explicações para a produtora e para as autoridades e tentar deslocar o debate eleitoral para as suspeitas envolvendo Lulinha. Em maio, Flávio havia prometido apresentar uma prestação de contas em 30 dias. Agora diz que viu as contas, mas que não é ele quem precisa apresentá-las.

A estratégia pode até funcionar eleitoralmente. Investigativamente, porém, acontece num momento ruim. Porque a produtora para a qual Flávio agora manda as perguntas é justamente aquela cujo material apreendido Dino acaba de colocar ao alcance da Polícia Federal.

E as notas fiscais que Flávio não apresentou publicamente podem estar entre os documentos capazes de responder às perguntas que continuam abertas: quem efetivamente recebeu os milhões do Dark Horse, por quais serviços e, sobretudo, onde esse dinheiro terminou.

Dino abriu a porta. Agora resta saber se André Mendonça vai atravessá-la.

*Paulo Motoryn/ICL


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Dino mexe as placas tectônicas do Dark Horse

A movimentação de Flávio Dino tem potencial para mexer nas placas tectônicas de uma engrenagem política que vinha tentando se consolidar nos bastidores. Ao colocar o peso institucional do STF em determinadas frentes e avançar sobre áreas sensíveis, Dino altera o terreno onde alguns personagens imaginavam poder caminhar sem maiores obstáculos.

O efeito é especialmente forte porque o chamado Dark Horse depende, por definição, de zonas de sombra, acordos silenciosos e movimentos que não aparecem imediatamente no radar público. Quando Dino desloca essas peças, o que parecia estável começa a tremer.

Não se trata apenas de mais uma decisão ou de mais um capítulo da disputa política. É uma mudança de ambiente. E, quando o ambiente muda, estratégias cuidadosamente montadas podem perder valor em questão de horas.

Para quem apostava na acomodação, o recado é incômodo: Dino está mexendo no tabuleiro antes que os jogadores consigam sequer entender completamente as novas regras. As placas tectônicas se movem lentamente — mas, quando finalmente se deslocam, ninguém consegue fingir que nada aconteceu.

E é justamente aí que está o perigo para o Dark Horse: o que parecia uma corrida previsível pode estar entrando numa fase completamente diferente, na qual as velhas proteções, os velhos cálculos e as velhas certezas deixam de funcionar.

Fato é que, Flávio Dino deu um sacode bonito nas placas tectônicas do Dark Horse e Flávio Bolsonaro sentiu o tranco, porque, por essa o cínico não esperava.


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Ninguém sentiu a falta de Zema no debate da Band

O debate da Band terminou e uma pergunta ficou no ar: alguém percebeu que o candidato banana, Romeu Zema, não estava lá?

A resposta parece ser um sonoro “não”.

Zema fez tanta falta no debate quanto guarda-chuva em dia de sol. Sua ausência foi tão discreta que, se alguém tivesse anunciado no meio do programa que ele estava participando por videoconferência, provavelmente ninguém teria perguntado onde estava a tela.

Enquanto os candidatos trocavam farpas, propostas e ataques, o ex-governador mineiro conseguiu protagonizar uma façanha rara na política: não participar de um debate e, ainda assim, não deixar saudade nenhuma.

Foi praticamente o equivalente político daquela cadeira vazia numa reunião que ninguém usa.

A Band conseguiu reunir candidatos, câmeras, mediadores, tensão e promessas. Só não conseguiu reunir uma coisa: alguém perguntando “mas cadê o Zema?”

No fim, sua ausência acabou sendo mais comentada justamente porque ninguém pareceu sentir falta.

Zema talvez tenha descoberto uma nova modalidade eleitoral: o candidato invisível — aquele que consegue perder espaço até quando não está disputando espaço.

Se o objetivo era chamar atenção pela ausência, funcionou. Se era fazer falta, aí foi outro debate.

“Eu sou um merda
Um Zé mané, um zero a esquerda
Se eu não for
Ninguém vai sentir a perda”


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Brasil aproveita erros de Trump e da família Bolsonaro e encosta nos EUA no agronegócio

O que Donald Trump pretendia transformar em instrumento de pressão contra o Brasil começa a produzir um efeito bastante diferente no comércio internacional: o país está ocupando espaços que os Estados Unidos vêm perdendo no agronegócio e já se aproxima de superar os norte-americanos em valor de exportações do setor.

Os números ajudam a dimensionar a mudança. Em 2025, os Estados Unidos exportaram cerca de US$ 171 bilhões em produtos agropecuários, apenas 14% acima do resultado de cinco anos antes. No mesmo período, o Brasil saltou 68%, chegando a US$ 169 bilhões. A distância, que no início do século era enorme a favor dos americanos, praticamente desapareceu.

A explicação não está apenas na extraordinária capacidade produtiva brasileira. A política comercial de Trump também abriu portas para os concorrentes. Ao transformar a China e outros parceiros tradicionais em adversários comerciais, Washington perdeu mercados estratégicos justamente para países capazes de oferecer produtos competitivos — e o Brasil estava pronto para ocupar esses espaços.

Na Ásia, o movimento é particularmente revelador. Entre 2022 e 2025, as exportações agropecuárias dos EUA para a região caíram 25%, enquanto as brasileiras cresceram 9%. No mercado chinês, a retração americana foi ainda mais expressiva: as vendas dos EUA diminuíram 49% em cinco anos, enquanto as brasileiras avançaram 8%.

É a velha ironia da geopolítica: ao tentar usar tarifas para proteger o produtor americano, Trump acabou estimulando compradores internacionais a procurar fornecedores alternativos. E o Brasil apareceu como uma alternativa natural.

A soja é um dos exemplos mais emblemáticos. Os Estados Unidos continuam fortes no milho, mas perderam espaço justamente em uma das commodities que historicamente sustentaram sua balança agrícola. Nas carnes, o avanço brasileiro também é significativo. O Brasil ampliou sua presença internacional enquanto os americanos enfrentam um rebanho bovino no menor nível em décadas e passaram, paradoxalmente, a depender mais de carne importada.

O desempenho brasileiro não é apenas uma reação circunstancial ao tarifaço. As exportações do agronegócio atingiram US$ 87 bilhões no primeiro semestre de 2026, recorde para o período, impulsionadas principalmente por carnes, soja e algodão. A China sozinha respondeu por US$ 30,5 bilhões, 35,1% do total, com crescimento de 10,5% sobre o mesmo período anterior.

E há outro dado que desmonta a ideia de que o Brasil estaria excessivamente dependente dos Estados Unidos: no primeiro semestre de 2026, as vendas brasileiras de produtos do agronegócio para os EUA caíram 25,1%, mas a China, a União Europeia e outros mercados absorveram boa parte da expansão brasileira.

Isso significa que a diversificação virou uma espécie de seguro contra o protecionismo de Trump. Quanto mais Washington fecha portas, mais Brasília procura — e encontra — compradores em outras partes do planeta.

O resultado é uma transformação importante no equilíbrio do agronegócio mundial. Os Estados Unidos continuam sendo uma potência agrícola incontestável, mas já não podem contar com a mesma vantagem de décadas atrás. O Brasil dispõe de território, produtividade, capacidade de expansão, diversidade de produtos e uma posição privilegiada no comércio com a Ásia.

Trump queria utilizar o tamanho do mercado americano como arma. O problema é que o mundo mudou — e o Brasil também.

Hoje, quando Washington ergue barreiras, Pequim abre espaço. Quando os americanos perdem competitividade, os brasileiros avançam. Quando Trump transforma parceiros em adversários, produtores brasileiros encontram novos clientes.

O mais revelador, portanto, é que a política de confronto dos Estados Unidos pode estar acelerando exatamente aquilo que pretendia evitar: a consolidação do Brasil como um dos grandes fornecedores estratégicos de alimentos do planeta e como concorrente cada vez mais direto da agricultura americana.

A disputa pelo agronegócio mundial, ao que tudo indica, está mudando de mãos — e o Brasil chega a essa disputa muito mais forte do que estava no início do século.


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