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Flávio Bolsonaro, em conversas internas, mentiu a aliados sobre sua relação com Vorcaro

Desde que o escândalo eclodiu o advogado Frederick Wassef voltou a guiar as estratégias jurídicas do senador

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mentiu, nos últimos meses, a dirigentes do Partido Liberal e a outros aliados sobre sua relação com o banqueiro Daniel Bueno Vorcaro, controlador do Banco Master preso por suspeita de lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa. Ele foi questionado, ao menos duas vezes, se conhecia e tinha qualquer relação, mas sempre negou. Desde que as mensagens entre ele e o banqueiro vieram à tona, o ambiente dentro do partido é de total desconfiança em relação a Flávio. A coluna apurou que desde que o escândalo eclodiu o advogado Frederick Wassef voltou a guiar as estratégias jurídicas do senador.

No início de dezembro de 2025, quando anunciou sua pré-campanha, Flávio Bolsonaro foi questionado por dirigentes do PL sobre a existência de algum relacionamento com Vorcaro e negou qualquer relação relevante. O partido já se preocupava em preparar uma defesa sobre todos os casos criminais nos quais Flávio já esteve envolvido. Meses depois, em outra conversa, o senador admitiu que o banqueiro o havia procurado para uma conversa, mas afirmou que recusou o encontro. Uma vez que as mensagens entre ele e Vorcaro vieram à tona por meio de reportagens do Intercept Brasil todos ficaram surpresos e chocados.

Nesta semana, o ICL Noticias revelou com dados do Portal da Transparência do Senado que Flávio Bolsonaro foi ressarcido com dinheiro público por viagem feita a São Paulo no dia 29 de novembro, um dia após Daniel Vorcaro voltar para casa após sua primeira prisão. O banqueiro havia tido sua prisão revogada na noite do dia anterior, 28 de novembro de 2025, por uma decisão da desembargadora do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) Solange Salgado da Silva.

No final da manhã de 29 de novembro, o senador embarcou em voo da Latam marcado para sair às 11h40 de Brasília para o aeroporto de Congonhas, com custo de R$ 2.216,77. Na noite do mesmo dia, retornou à capital federal em voo operado pela Azul, no valor de R$ 413,22. O encontro com o banqueiro ocorreu no mesmo dia da viagem do presidenciável do PL a São Paulo.

Desde que o senador anunciou que foi escolhido por Jair Bolsonaro (PL-RJ) para a disputa, Wassef voltou a se reaproximar de Flávio, o que preocupa interlocutores do ex-presidente e integrantes da legenda.

O advogado coleciona uma série de polêmicas, problemas e envolvimento em investigações. Em 2020, Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio, foi encontrado e preso no sítio de Wassef em Atibaia em meio às investigações sobre peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no antigo gabinete de Flávio na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio).

Além disso, em março de 2023, ele foi até os EUA recomprar um Rolex de ouro branco, presenteado à presidência da República, vendido ilegalmente pelo tenente-coronel Mauro Cid a pedido de Bolsonaro. O valor pago pelo advogado foi de U$ 49 mil.

*Juliana Dal Piva/ICL


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Política

Envolvimento da família Bolsonaro com Vorcaro escancara a engrenagem da corrupção no Brasil

O escândalo do Banco Master revela como os ultra-ricos e a extrema direita se associam para moldar a política, mostrando que a raiz da corrupção no Brasil está fincada no sistema capitalista.

A revelação recente do Intercept Brasil de que Daniel Vorcaro e sua fortuna estavam por trás do filme “Dark Horse”, produzido pela família Bolsonaro para contar, de maneira bastante enviesada, a história do ex-presidente condenado Jair Bolsonaro, causou um alvoroço no Brasil. Flávio Bolsonaro, que horas antes havia dito ser mentira, tentou moldar a narrativa, fingindo se tratar de mero apelo a um financiador privado qualquer para a realização de um projeto familiar.

Mas uma mensagem que diz “irmão, estou e estarei contigo sempre” não é trocada em simples transações financeiras. Essa nova etapa do escândalo Bolsomaster demonstra quão promíscua é a relação entre os ultra-ricos brasileiros e a extrema direita que insiste em roubar o povo, enquanto prega que Deus e o Brasil estão acima de todos.

A direita deturpa seu histórico de corrupção
Uma das vitórias políticas da direita brasileira foi a inserção no senso comum de que a esquerda rouba e é corrupta. É fato que há escândalos de corrupção também por representantes políticos de esquerda, desde a corrupção mais leviana de um parlamentar que se apropria de fundos públicos para si próprio, até esquemas mais elaborados de troca de favores e resolução de conflitos políticos através de liberação orçamentária. Mas a blindagem que a direita construiu para si não passa de uma narrativa cada vez mais frágil que esconde o quão enraizada está a corrupção no seu meio.

Um mito histórico e uma confusão sobre a base da corrupção são bem explorados pela direita para manipular a opinião pública. O primeiro se trata de uma ilusão de que durante o regime ditatorial militar iniciado com o golpe de 1964 não havia corrupção. Popularmente, propagam que os militares eram (ou ainda são) moralmente idôneos, incapazes de roubar, e que seu único interesse sempre foi zelar por ordem e progresso no Brasil.

Os próprios ditadores brasileiros investiram nesse ufanismo – como é praxe de ditadores fascistas que se escondem atrás do ultranacionalismo e ideias abstratas de unidade nacional – e representantes da direita conservadora e autoritária se munem desses sentimentos para eliminar dúvidas e questionamentos sobre seus afazeres.

Não se pode indagar sobre os interesses dos autoritários, já que tudo que fazem seria em nome do estado-nação. Qualquer visão contrária seria sinônimo de traição. Mas o que chamam de patriotismo, nacionalismo e amor ao Brasil sempre foi seletivo, voltado aos interesses de grupos específicos, tanto que não deveria causar estranhamento a obsessão dos mesmos com os Estados Unidos e o imperialismo.

É característica histórica do ufanista autoritário de estados pós-coloniais rogar por golpes e intervenções estrangeiras, crendo que uma força maior lhe concederá autoridade absoluta para moldar toda uma nação de acordo com os interesses financeiros e políticos de seus grupos. É um nacionalismo excludente que manipula a ideia de povo para, ao fim, governar apenas com uma elite de escolhidos e iguais.

Seu projeto depende de explorar e oprimir para se sustentar e é por isso que odeiam tanto os movimentos indígenas, negros, feministas e LGBT. Juntos, eles demonstram a complexidade de experiências de exclusão e violência entre as classes subalternas. É também por isso que odeiam propostas para a redução da jornada de trabalho. Mais tempo livre para o trabalhador é também mais tempo para se organizar e para se formar politicamente. Aumenta o risco de que o trabalhador brasileiro aprenda, por exemplo, que a ditadura militar foi um período altamente corrupto de nossa breve história como nação.

O negacionismo da corrupção na ditadura se dá por várias razões, mas uma delas seria de que vários militares morreram pobres, então como seriam corruptos? Essa visão simplista e completamente falsa é levantada por figuras como o senador Omar Aziz, do PSD do Amazonas, buscando esconder o quanto práticas ilegais e relações duvidosas entre os gestores do estado e grande burguesia faziam parte do cotidiano da ditadura.

A documentação histórica demonstra que o aumento do aparato estatal antidemocrático também abriu espaço para o pagamento de propinas e esquemas de favorecimento a empresários nos grandes projetos e operações do regime.

Relações espúrias entre o público e o privado
O apagamento do histórico de corrupção da direita e de regimes autoritários também serve ao falso diagnóstico da origem da corrupção. É muito fácil atribuí-la a um problema moral e mais ainda ao suposto tamanho gigantesco do estado. Neoliberais argumentam convenientemente que a esquerda prefere um estado gigantesco para facilitar a apropriação de recursos, mas, como a teoria é uma coisa e a prática é outra, a maioria dos neoliberais gostam do estado, desde que seja reduzido à sua função de facilitar o lucro e a concentração de renda.

Mecanismos de investigação e transparência democrática são rechaçados, frequentemente atribuindo métodos de participação social a “populismo” (palavra empregada de maneira esvaziada). Estado de bem estar social? Estado bem gerido para suprir necessidades do povo? Estado que garante justiça fiscal? Nada disso é bem-vindo para a direita, seja ela neoliberal ou desenvolvimentista.

O que sobra é o aparato do estado gerido ao lado da iniciativa privada, que nos empurra à privatização, mesmo quando diz fazê-la em nome do “desenvolvimento” – como já elaborei anteriormente nesta coluna. Se há imposto, que empresários possam se apropriar do seu uso para investimentos em setores que eles pretendem explorar. Ademais, em nome de uma visão torta de segurança pública, defendem a presença do estado nas periferias e espaços populares, pois estado bom é aquele que reprime e controla a população, nunca combatendo o crime na sua raiz, pois precisa do medo para justificar seu autoritarismo.

*Sabrina Fernandes/Intercept Brasil


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Educação Política

Marcha gigante leva estudantes ao Bandeirantes; Tarcísio se esconde

USP, Unesp e Unicamp tomam as ruas de SP; comissão é recebida pela Casa Civil, mas governo nega acordo e recusa nova reunião com o movimento

Cerca de 30 mil estudantes, professores, servidores e trabalhadores tomaram as ruas de São Paulo na tarde desta quarta-feira (20) numa das maiores marchas da educação dos últimos tempos. A coluna vertebral do ato eram os universitários das três grandes estaduais paulistas — USP, Unesp e Unicamp —, em greve há mais de um mês, que marcharam do Largo da Batata até a porta do Palácio dos Bandeirantes para entregar ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) uma conta que ele vem se recusando a pagar: a da educação pública destruída a conta-gotas.

Tarcísio não apareceu. Em seu lugar, mandou a polícia.

Centenas de agentes da Polícia Militar formaram um cordão de isolamento a cerca de 500 metros da sede do governo estadual, impedindo o avanço da multidão. O aparato era desproporcional — e revelador. Um governador que mobiliza tamanho efetivo militar para se proteger de estudantes com cartazes e bandeiras não demonstra autoridade: demonstra medo. Medo do povo. Medo das perguntas que não sabe responder. Medo de olhar nos olhos de quem come comida com larva no restaurante universitário e dorme em moradia com teto caindo.

Após cerca de quatro horas de protesto e uma hora de negociações mediadas pela própria PM, o governo cedeu o mínimo e autorizou a entrada de uma comissão no Palácio. Eram seis representantes estudantis — quatro da USP, um da Unesp e um da Unicamp —, dois advogados e a deputada estadual Mônica Seixas (Psol). Foram recebidos não pelo governador, não por um secretário, mas por integrantes da Casa Civil. O recado estava dado antes mesmo de a reunião começar.

O governo que não ouve

A presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, que integrou as negociações, não deixou margem para interpretações amenas ao relatar o encontro: “Foram indiferentes às pautas e se negaram a sair com o compromisso de uma próxima reunião de diálogo. Receberam protocolarmente, mas não encaminharam nada”, disse ao Portal Vermelho.

A reunião terminou sem acordo, sem agenda futura e sem que o governo desse qualquer explicação sobre a ação policial que, na madrugada de 10 de maio, retirou 150 estudantes da ocupação da Reitoria da USP a base de bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes — enquanto os estudantes dormiam. Cinco foram hospitalizados. Quatro, detidos. A USP disse que não foi avisada previamente. Tarcísio defendeu a polícia.

Malena Rojas, diretora do DCE da Unicamp, resumiu o que os estudantes sentiram ao deixar o Bandeirantes por volta das 22h30: “Para nós, essa é uma posição intransigente e vexatória.”

Os representantes das três universidades saíram com uma certeza: a greve não para. “Nós exigimos o diálogo. Queremos negociar não só com as reitorias das nossas universidades, como também com o governo”, disse Pedro Chiquitti, do DCE Livre da USP. A resposta do governo foi o silêncio burocrático.

O que os estudantes exigem

A greve não nasceu do nada. Começou em 15 de abril na USP, como solidariedade aos servidores que protestavam contra uma gratificação de R$ 4.500 aprovada exclusivamente para professores — uma bonificação de R$ 239 milhões anuais que não contemplou quem limpa, quem cozinha, quem cuida. Depois que os servidores conquistaram avanços e encerraram a paralisação, os estudantes ficaram. Porque as suas pautas ainda não foram respondidas.

O auxílio de permanência estudantil — que garante que um jovem pobre possa estudar sem passar fome ou dormir na rua — está defasado e insuficiente. Hoje, os beneficiários recebem R$ 885 de auxílio integral e R$ 335 de auxílio-moradia. O movimento exige R$ 1.804 e R$ 340, respectivamente, além de bolsas no valor de um salário mínimo paulista para estudantes de baixa renda.

Leia também: Repressão a estudantes amplia crise e mobiliza universidades de SP

Mas a lista vai além dos números. Os estudantes denunciam restaurantes universitários com larvas na comida, moradias com infiltrações, mofo, falta de água e vazamentos de gás — em 2026, no estado mais rico do Brasil. Danny Oliveira, diretora do DCE Livre da USP, colocou em palavras o que nenhum dado traduz completamente: “Em 2026, a gente volta a ver as universidades de São Paulo com falta d’água, com os estudantes passando sede na moradia, com as aulas sendo canceladas porque não tinha água para beber, com os bandejões atrasando a sua abertura porque não tinha como produzir alimento para os estudantes.”

A luta continua

A UNE já avisou: o silêncio do governo não vai calar ninguém. Em nota, a entidade convocou a continuidade da mobilização: “A indiferença do governo não vai calar a nossa voz. Se eles fecham as portas para o diálogo, nós abrimos os caminhos da resistência.”

Bianca Borges foi direta sobre os próximos passos: “Seguir a mobilização, insistir no diálogo com as reitorias sobre a pauta da permanência e na reivindicação por mais orçamento para o financiamento das estaduais, para garantir moradia, bandejão e bolsas de permanência no valor de um salário mínimo paulista para os estudantes de baixa renda.” Sobre novas manifestações, ela foi igualmente clara: “Ainda vamos deliberar nos fóruns do movimento estudantil, mas a ideia é que sigamos ocupando a rua, sim!”

Tarcísio colocou a polícia para barrar estudantes nas estradas de manhã, cercou seu próprio palácio à tarde e mandou burocratas para receber uma comissão à noite. Trinta mil pessoas foram até lá mesmo assim. E vão voltar.

*Vermelho


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Política

Lula escracha Flávio Bolsonaro por ligação com Daniel Vorcaro

Presidente rompeu o silêncio sobre o escândalo em evento cultural no Espírito Santo e ironizou a contradição entre o discurso da família Bolsonaro e o recebimento de R$ 61 milhões de um ex-banqueiro investigado pela PF para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro.

presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou publicamente, pela primeira vez de forma direta, o escândalo envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado pela Polícia Federal. Durante evento para anunciar ações para o setor cultural, realizado nesta quinta-feira em Aracruz, no Espírito Santo, Lula afirmou que as revelações sobre o financiamento do filme “Dark Horse” são “apenas o que a gente sabe agora” e advertiu que “ainda vai aparecer muito mais coisa”, em referência ao aporte de pelo menos R$ 61 milhões que o senador admitiu ter recebido de Vorcaro para a produção da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A fala do presidente
Uma semana atrás, quando o caso veio à tona, Lula havia desviado da questão com uma frase curta: “É um caso de polícia, não meu.” Nesta quinta-feira, em Aracruz, o tom mudou. O presidente escolheu um evento do setor cultural para fazer o que evitara até então: nomear o episódio, confrontar a contradição e antecipar novos capítulos. “A verdade tarda mas não falha”, disse, antes de disparar a comparação que resume o argumento político do governo.

“Vocês, que são da área cultural desse país, sabem quantas ofensas artistas receberam porque iam buscar um dinheirinho na Lei Rouanet. Mas nós nunca fomos atrás da Lei Daniel Vorcaro para financiar nenhum artista brasileiro”, afirmou Lula. A ironia é direta: durante anos, a família Bolsonaro transformou a Lei Rouanet em alvo preferencial de sua retórica anticultural, acusando artistas de viver às custas do Estado. Agora, o filho mais velho do ex-presidente admite ter captado dezenas de milhões de dólares de um investigado por crimes financeiros para financiar uma produção sobre o pai.

O presidente foi além da ironia. Referindo-se ao senador sem citá-lo pelo nome, afirmou: “Quem imaginava que aquele menino, que parecia ser a pessoa mais santa da família Bolsonaro, estivesse pegando milhões de dólares para fazer um filme do pai? Ninguém imaginava. E isso é apenas o que a gente sabe agora.” A frase “ainda vai aparecer muito mais coisa” foi o sinal mais claro de que Lula passou a tratar o caso como munição política, e não apenas como matéria de polícia.

O caso Flávio Bolsonaro e Vorcaro
O escândalo ganhou contornos concretos após o site The Intercept Brasil revelar áudios trocados entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Até então, o senador afirmava publicamente nunca ter falado com o ex-dono do Banco Master. Diante das gravações, a versão desmoronou. Flávio admitiu que negociou e recebeu pelo menos R$ 61 milhões de Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, descrito como uma versão romanceada da trajetória de Jair Bolsonaro.

As admissões vieram em etapas, cada uma precedida por uma negação que as reportagens subsequentes desfizeram. A mais recente foi a confirmação de que o senador visitou Vorcaro na residência do ex-banqueiro, em São Paulo, enquanto ele cumpria prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. Segundo Flávio, o encontro serviu para “botar um ponto final” na história e cobrar pagamentos atrasados relacionados ao filme. O senador alega que buscou os recursos sem oferecer qualquer vantagem em troca. A produtora Karina Ferreira Gama, dona da Goup Entertainment, confirmou que Vorcaro foi responsável por cerca de 90% dos recursos do projeto, estimado em US$ 13 milhões no total.

Contexto das investigações
A situação jurídica de Daniel Vorcaro é o elemento que transforma o episódio de constrangimento político em caso de potencial gravidade institucional. O ex-banqueiro foi preso preventivamente em novembro do ano passado ao tentar embarcar para Dubai em um jatinho particular. Meses depois, em março deste ano, teve nova prisão decretada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, por suspeita de obstrução de Justiça. É nesse contexto que Flávio Bolsonaro visitou Vorcaro em sua residência, durante o cumprimento da prisão domiciliar e usando tornozeleira eletrônica.

O próprio senador forneceu, involuntariamente, a medida do problema. Ao justificar a visita, afirmou que, se soubesse antes da gravidade das investigações envolvendo Vorcaro, teria buscado outros investidores para o projeto. De acordo com a Forum, a declaração confirma que o vínculo financeiro existia enquanto as investigações avançavam, e que a decisão de mantê-lo foi consciente, ainda que o senador negue qualquer irregularidade. Lula resumiu a dimensão do que ainda pode vir: “Isso é apenas o que a gente sabe agora.”

Combate ao crime organizado
O evento no Espírito Santo serviu também como plataforma para Lula reforçar sua agenda de segurança pública e cooperação internacional. O presidente relatou ter entregado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o endereço e o nome do empresário Ricardo Magro, investigado por fraudes e foragido em Miami. Lula reforçou a disposição da Polícia Federal para atuar em casos de grande repercussão.

A menção a Magro não foi casual. Ao colocar lado a lado a entrega de informações a Trump sobre um foragido e o escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro, Lula construiu um contraste político deliberado: de um lado, um governo que coopera com investigações internacionais e entrega suspeitos; de outro, um senador que visitou um investigado em prisão domiciliar para tratar de negócios. A narrativa de “combate à corrupção”, bandeira histórica da família Bolsonaro, aparece, no discurso presidencial, como mais uma contradição a ser cobrada nas urnas.


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Apelo a Trump: Articulação de Flávio para encontro com Trump acende alerta na ABIN e no Itamaraty

Governo monitora risco de ingerência externa nas eleições de 2026; Itamaraty vê tentativa de abafar caso Master

A articulação de Flávio Bolsonaro para tentar uma agenda com Donald Trump nos Estados Unidos passou a ser acompanhada com preocupação por setores da inteligência e da diplomacia brasileira. Segundo apuração do ICL Notícias, servidores da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) e integrantes do Itamaraty avaliam que, dependendo do formato e do protocolo adotado pela Casa Branca, um eventual encontro poderia ser interpretado como gesto de interferência externa no processo eleitoral brasileiro.

A preocupação ganhou força após a Reuters informar que Flávio Bolsonaro busca uma reunião com Donald Trump em Washington na próxima semana. Segundo a agência internacional, duas fontes familiarizadas com o assunto afirmaram que o senador brasileiro tenta construir uma agenda com o presidente norte-americano em meio à crise política provocada pelas revelações sobre sua relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e o financiamento do filme Dark Horse.

No Palácio do Planalto, membros da articulação política do governo afirmam que a orientação é acompanhar com atenção os movimentos do bolsonarismo junto ao governo norte-americano, principalmente a atuação do secretário de Estado Marco Rubio, considerado por integrantes do governo como um aliado político da extrema direita brasileira.

Reservadamente, integrantes do governo avaliam que o tema deixou de ser apenas uma movimentação de pré-campanha e passou a envolver preocupações relacionadas à soberania institucional e à influência internacional sobre o ambiente político brasileiro.

No círculo mais próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o risco de uma ingerência na eleição brasileira jamais foi descartado, mesmo com os encontros entre o brasileiro e Trump.

No Itamaraty, a possibilidade de um encontro é interpretada como uma manobra para abafar a crise instaurada na campanha bolsonarista, depois do vazamento de áudios entre Flávio e Daniel Vorcaro.

Diplomatas ouvidos pela reportagem afirmam que o ponto mais delicado não seria necessariamente a reunião em si, mas a forma como ela poderia ocorrer. A avaliação é que, dependendo do protocolo adotado pela Casa Branca, do nível de formalidade da agenda e da eventual utilização política do encontro, o gesto poderia ser interpretado como uma tentativa de ingerência no processo eleitoral brasileiro.

Entre os pontos que geram preocupação estão uma eventual fotografia oficial na Casa Branca, manifestações públicas de apoio político, tratamento institucional diferenciado ou qualquer gesto que possa ser interpretado como chancela eleitoral internacional.

A leitura dentro da diplomacia brasileira é que encontros entre lideranças estrangeiras e pré-candidatos fazem parte do jogo político internacional. O problema, segundo interlocutores ouvidos pela reportagem, surge quando essas agendas passam a ser utilizadas como instrumento de pressão política interna ou como mecanismo de influência sobre a disputa eleitoral de outro país.

Nos bastidores da ABIN, o episódio também dialoga diretamente com alertas já formalizados pela própria agência. Em relatório público divulgado no fim do ano passado, a inteligência brasileira apontou a interferência externa como um dos riscos ao processo democrático e eleitoral brasileiro.

O documento menciona ameaças relacionadas à influência internacional sobre o debate público, campanhas coordenadas de desinformação, uso político de redes digitais e tentativas de desestabilização institucional.

Segundo servidores da agência ouvidos reservadamente pela reportagem, a movimentação envolvendo Flávio Bolsonaro passou a ser vista como tema de atenção justamente por ocorrer em um cenário já considerado sensível pela inteligência brasileira.

Mesmo enfrentando limitações orçamentárias e redução de recursos, integrantes da ABIN afirmam que os desdobramentos da articulação precisarão ser acompanhados para avaliar se haverá algum impacto concreto sobre o ambiente político e democrático brasileiro.

A preocupação não envolve apenas a realização da reunião, mas principalmente os possíveis efeitos políticos e simbólicos que ela pode produzir em meio à disputa presidencial de 2026.

Durante conversa com jornalistas nesta quinta-feira (21), Flávio Bolsonaro negou que tenha solicitado uma reunião com Trump. Questionado sobre o tema, o senador afirmou em inglês que “ninguém pediu nada” e disse que questionamentos sobre a agenda deveriam ser feitos diretamente à Casa Branca.

Até o momento, o governo norte-americano não confirmou oficialmente o encontro.

*Jamil Chade e Cleber Lourenço


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Política

Estadão denuncia Flavio, mas alivia para o que é ainda pior, que é a academia do crime dentro do Congresso

O editorial do Estadão foi extremamente ácido com o 01 do clã mais bandido da história do Brasil. Mas em certa medida, o editorial está chutando cachorro morto.

É fato que a direita sempre trablahou, dento do Congresso, como garçom da elite brasileira, uma elite que, a cada dia, vem se revelando mais podre e antinacional, por isso mesmo, mostra como o poder da grana é a fórmula de sucesso dos filhotes da escória herdeira da aristocracia cafeeira, escravocrata e ladra.

Na verdade, isso deixa claro quanto custa até hoje para um pais de pouco mais de cinco séculos, sendo quase quatro em que viveu da escravidão feroz dos negros.

Esse é um ponto da histótia do qual a elite econômica desse país quer distância. O Estadão não foge à regra, não associará a escória do dinheiro grosso ao mais corrupto amontoado de vigaristas, assassinos, ladrões, corruptos de direita que dominam o Congresso Nacional, sobretudo depois da chegada de Cunha à presidência da Câmara. Lembrando que Cunha foi tratado não só pelo Estadão, mas por toda mídia industrial como herói nacional, por reger o golpe contra Dilma.

Qualquer enciclopedista sério lembrará que, a partir da farsa do mensalão, seguida da farsa da Lava Jato, em que a justiça no Brasil era feita através de manchetes dos jornalões, sob o julgamento do tribunal da mídia.

É desse filão de aspectos espúrios que nasce Cunha prsidente da Câmara, festejado pelas redações como o novo herói nacional por ter colocado a cabeça de Dilma Rousseff a prêmio, numa escandalosa cumplicidade com empresários e barões da mídia que avançaram, com sangue nos olhos, sobre a presidenta do Brasil.

De lá para cá, com um de seus ilustres herdeiros, Arthur Lira, o Brasil viu, sem a menor hesitação, quem regularizou a corrupção da direita dento do Congresso.

Essa gente, praticamente, criou uma língua nacional própria com todo tipo de velhacos que, a príncípio, causou surpresa e o desencadeamento disso só piorou com o afrouxamento de uma parcela da sociedade que verdadeiramente serviu de avalista para o estupro dos cofres públicos.

Tudo, absolutamente tudo, com a complacência de veículos da envergadura eonômica do Estadão, num silêncio sob medida para os interesses das classes eocnomicamente dominantes.

É correto o Estadão afirmar que o clã Bolsonaro não gerou nada de bom para o país. assim como diz o periódico, em seu editorial, que ninguém pode se surpreender com as mentiras de Flavio. O que ele não diz é que Flavio e o clã estão longe de ser exclusividade nessa esbórnia da direita que atua no Congresso Nacional.

Pior, não cita seus patrocinadores, nem do sistema produtivo, menos ainda do sistema financeiro, que formam uma verdadeira academia do crime, que se transformou naquela choldra parlamentar.

Ou seja, por mais duras e verdadeiras que teenham sido as palavras do Estaxdão, ainda assim foi extremanente seletivo e generoso com a escória de direita que hoje atua no Conresso, irrigada pelos milionaríssomos desse país.

Mídia de banco é mídia de banco.


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Política

Está enrolado: marqueteiro abandona campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência

Marcello Lopes alegou que precisa focar em sua empresa, mas saída ocorre em meio a duras críticas internas após o vazamento da relação do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro

crise gerada pelas revelações da relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, fez a sua primeira vítima na pré-campanha à Presidência da República. O publicitário Marcello Lopes, o “Marcellão”, amigo pessoal do parlamentar, deixou a coordenação de comunicação da equipe nesta quarta-feira (20).

O movimento ocorre no momento em que o bolsonarismo tenta apagar o incêndio causado pelo vazamento de áudios em que Flávio cobra repasses milionários do ex-banqueiro. Oficialmente, Marcellão divulgou uma nota afirmando que a decisão partiu dele próprio para focar em sua agência, a “Cálix Propaganda”. Nos bastidores, no entanto, a realidade é outra.

Marcello Lopes foi alvo de um intenso processo de “fritura” e críticas internas pela forma como a campanha reagiu às reportagens do The Intercept Brasil. Parte do entorno do senador reclamou da demora na resposta e das pontas soltas na narrativa para explicar o pedido de R$ 61 milhões a Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, ficção inspirada na vida de Jair Bolsonaro.

Em seu perfil no X (ex-Twitter), o ex-secretário-executivo do Ministério das Comunicações e chefe da Secretaria de Comunicação Social no governo de Jair Bolsonaro (PL), Fabio Wajngarten, saiu em defesa de Marcellão.

“Eu não tolero injustiças: O Marcelão é ótimo, alma boa. Foi sabotado pela política. Ele não caiu, pediu para sair. A política não entende nada de comunicação e nem deveria se meter. Ele é a pessoa certa para a função. Ele é calmo e agregador e possui a confiança e amizade do Flávio”, disse o advogado. “Estou tentando fazer o Marcelão reconsiderar e caso não tenha êxito, vou sugerir alguém da confiança do Marcelo, que já teve contato com o grupo até o momento. Os nomes que pipocam como candidatos a assumir a tarefa NÃO servem. Meu celular derrete nesse momento para que nenhum desses nomes seja sequer considerado.”

Flávio Bolsonaro e contenção de danos
Para tentar reduzir os danos e reestruturar a equipe, Flávio Bolsonaro aproveitou uma viagem a São Paulo para avançar na contratação do publicitário Eduardo Fischer como novo marqueteiro.

Em paralelo, o senador iniciou uma turnê para tentar tirar o foco do escândalo, marcando reuniões com as bancadas do PL no Congresso Nacional e com agentes do mercado financeiro.

Apesar da gravidade das denúncias, a equipe de Flávio tenta demonstrar otimismo com base em supostas pesquisas internas (trackings). Segundo aliados, os levantamentos indicam que, embora a maioria dos eleitores considere um erro o pedido de patrocínio ao banqueiro investigado, há uma percepção de que o senador não obteve vantagem financeira direta, diz a Folha de S.Paulo.

A cúpula do PL tem atuado para blindar o pré-candidato e afastar rumores de que ele poderia ser rifado da disputa presidencial. Aliados garantem que a bancada mantém o apoio e que não haverá substituição de nome.


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Ricardo Nunes bancou despesas de R$ 3,5 milhões em feira gospel para produtora de “Dark Horse”

A Prefeitura de São Paulo gastou R$ 3,5 milhões para cobrir despesas da Connect Faith 2025, feira gospel de inovação realizada por Karina Gama, produtora executiva de “Dark Horse”, cinebiografia ficcional sobre Jair Bolsonaro (PL). O evento ocorreu entre 12 e 15 de junho do ano passado, no Expo Center Norte.

O valor saiu da Secretaria Municipal de Turismo, então comandada pelo pastor e deputado estadual Rui Alves (Republicanos), e foi executado pela SPTuris, sob gestão de Gustavo Pires, exonerado depois de denúncias envolvendo a empresa municipal.

A feira foi organizada pela Academia Nacional de Cultura, presidida por Karina, que também se apresenta como “presidente” da Connect Faith. Ela ainda comanda o Instituto Conhecer Brasil, ONG que firmou contrato de R$ 108 milhões com a gestão Ricardo Nunes (MDB) para instalar pontos de wi-fi na cidade e passou a ser investigada pela Polícia Civil.

Segundo a apuração, os gastos não constavam no Diário Oficial e só podiam ser encontrados em pastas zipadas dentro do portal de processos da prefeitura, o que dificultava a localização por buscas de palavras-chave. A planilha de “custo final” da feira mostra que a gestão municipal bancou despesas de pessoal, infraestrutura e materiais.

Karina Gama, produtora de “Dark Horse”. Foto: reprodução
Entre os itens pagos estão seguranças, limpeza, produtores, palco, som, painéis de LED, camisetas, café, lanche, água mineral e até locação de ônibus e vans. A MM Quarter, empresa no centro do escândalo da SPTuris, recebeu R$ 183,5 mil para fornecer produtores, recepcionistas e carregadores por seis diárias, embora o evento tenha durado quatro dias.

A Connect Faith cobrou ingressos para shows e palestras e vendeu cotas para patrocinadores e expositores. O modelo usado pela prefeitura é classificado como “apoio”, mecanismo pelo qual secretarias repassam recursos à SPTuris para bancar serviços de eventos escolhidos sem a mesma transparência exigida em patrocínios.

Veja os gastos da SPTuris com o evento:

Ao contrário do patrocínio, que exige solicitação formal, documentação, contrapartidas e prestação de contas, o “apoio” não registra publicamente quem pediu os recursos nem quem aprovou a despesa, segundo o DCM.

No caso da Connect Faith, só após investigações do Tribunal de Contas do Município e do Ministério Público a Secretaria Municipal de Turismo passou a informar alguns solicitantes. Para a feira, aparece a “Academia Nacional de Cultura”.

Ao Metrópoles, a Secretaria Municipal de Turismo informou “que as contratações mencionadas respeitaram todos os trâmites previstos na legislação. O apoio do Município ao The Connect Faith foi concedido com base no Decreto Municipal nº 61.244/2022 e destinado à infraestrutura do evento, que teve público estimado em 60 mil pessoas entre os dias 12 e 15 de junho de 2025. Por fim, a administração repudia qualquer tentativa da imprensa de criar relações entre iniciativas do Município e a produção cinematográfica do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A Prefeitura de São Paulo reitera que a obra não recebeu recursos municipais”.


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Vergonha: Liberada a compra de votos?

O Congresso Nacional se prepara para derrubar um veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e liberar doações de bens, dinheiro e benefícios durante a campanha eleitoral de 2026 A votação está prevista para esta quinta-feira (21), enquanto a Marcha dos Prefeitos acontece em Brasília e reúne diversos prefeitos do país.

A proposta, defendida pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), está incluída na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, que define as regras do Orçamento da União e abre caminho para a transferência de recursos, cestas básicas, tratores, ambulâncias e outros bens mesmo nos três meses anteriores à eleição, período em que a legislação eleitoral restringe esse tipo de repasse, conhecido como “defeso eleitoral”.

Na prática, a proposta flexibiliza as regras e permite que governos mantenham transferências a municípios e entidades durante a campanha eleitoral, desde que exista alguma contrapartida, como cessão de terreno, participação financeira ou compromisso de uso público dos recursos. A mudança alcança até mesmo o pagamento de projetos bancados com emendas parlamentares.

O trecho da proposta estabelece que a distribuição de recursos e bens públicos não será considerada violação das restrições impostas pelo período eleitoral, quando a legislação normalmente impede esse tipo de repasse nos três meses que antecedem a votação. Um mecanismo semelhante já havia sido utilizado durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), nas eleições de 2022.

Embora o governo Lula tenha apoiado a aprovação do texto no Congresso, o presidente vetou o trecho sob argumento de inconstitucionalidade e por tratar de tema eleitoral fora do escopo da LDO. Ainda assim, o Palácio do Planalto liberou parlamentares da base para apoiar a derrubada do veto.

A articulação acontece paralela à liberação de emendas parlamentares em ano eleitoral. Segundo dados do governo, R$ 25,9 bilhões já foram autorizados em 2026, dos quais R$ 11,4 bilhões foram efetivamente pagos.

Parlamentares também articulam derrubar outro veto que permite a municípios com até 65 mil habitantes e em situação de inadimplência continuarem recebendo transferências e emendas federais.

As medidas autorizam o envio de recursos federais para obras e manutenção de estradas estaduais e municipais, além de investimentos em hidrovias locais, flexibilizando limitações para que a União financie ações fora de sua responsabilidade direta.

*ICL


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Política

Vereador diz que ONG ligada ao filme Dark Horse atuava como ‘laranja’ de recursos

Segundo Nabil Bonduki, contrato de R$ 108 milhões da Prefeitura de SP pode ter alimentado estrutura política ligada ao bolsonarismo

O vereador Nabil Bonduki (PT-SP) afirmou ao ICL Notícias que a ONG ligada à produtora do filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, teria funcionado como uma “espécie de organização laranja” dentro do contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de Wi‑Fi em comunidades da capital.

Segundo Bonduki, a principal suspeita é de que a entidade tenha servido como intermediária para distribuição de recursos públicos a terceiros, sem possuir capacidade técnica real para executar o serviço contratado. O vereador afirma que a estrutura do contrato, somada à ausência de concorrência e à cadeia de subcontratações, levanta suspeitas graves sobre o modelo adotado pela gestão Ricardo Nunes.

Durante a entrevista, Bonduki também disse que parte dos pontos declarados como instalados não existiam nos endereços informados e que, em alguns casos, havia concentração de equipamentos a poucos metros de distância entre si. Segundo ele, a Prefeitura realizou pagamentos antecipados antes da efetiva prestação dos serviços.

O parlamentar também defendeu uma investigação mais ampla envolvendo o Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal (PF), o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e o Banco Central para rastrear o destino final dos recursos públicos. Para ele, o caso pode revelar um modelo de financiamento político sustentado por contratos públicos e pulverização de recursos por meio de organizações da sociedade civil.

Bonduki ainda afirmou que o chamamento público teria sido estruturado de maneira que empresas privadas do setor não pudessem participar diretamente da contratação. Segundo ele, o formato adotado acabou restringindo a disputa a organizações da sociedade civil (OSCs), o que favoreceu a entidade contratada.

Entrevista
ICL Notícias — Quando o senhor começou a analisar esse contrato, qual foi o primeiro elemento que fez soar o alerta de que poderia existir algo muito fora do normal?

Nabil Bonduki — “Em primeiro lugar, o fato de se fazer um chamamento público para uma organização da sociedade civil num tema que normalmente não é o tema que este tipo de organização trabalha. Em geral, as OSCs trabalham com temas mais ligados à área social, assistência social, cultura, meio ambiente. No caso, era um contrato de tecnologia, onde normalmente quem atua são empresas privadas e tem muitas qualificadas para esse tipo de função, inclusive empresas que já tinham trabalhado com a própria Prefeitura em gestões anteriores.”

“Em segundo lugar, só apareceu uma organização. Essa foi a única OSC que apresentou proposta e nem ela mesma tinha expertise ou capacidade técnica para executar esse serviço.”

ICL Notícias — Na sua avaliação, é cabível que uma entidade vença um contrato público de R$ 108 milhões alegando capacidade técnica para executar o serviço e, depois de receber os recursos, terceirize praticamente toda a operação para empresas privadas?

Nabil Bonduki — “Essa organização funciona como uma espécie de organização laranja. Ela funciona simplesmente para receber recursos, distribuir esses recursos para outras organizações e apenas uma parte vai para prestação de serviço, que inclusive não existe comprovação que tenha sido feita de maneira correta e completa.”

“Embora seja responsável pelo contrato, ela não tem condição de executá‑lo. E a execução é feita por terceiros, por valores muito inferiores àqueles que ela recebeu.”

“Essas empresas não participaram diretamente porque o chamamento público foi destinado exclusivamente para organizações da sociedade civil. Essa foi a jogada. Se outras empresas pudessem participar, certamente elas teriam entrado e poderiam ganhar tanto por preço quanto por qualificação.”

“Essa intermediação não respeita o interesse público e não deveria ter sido feita.”

ICL Notícias — O senhor encontrou indícios de que a Prefeitura flexibilizou exigências técnicas ou ignorou alertas internos para viabilizar esse contrato?

Nabil Bonduki — “Com toda certeza a Prefeitura flexibilizou exigências porque contratou uma organização que não tinha nenhuma experiência nesse tema. O normal seria a Prefeitura cancelar esse chamamento e mudar o procedimento.”

“Não fazia sentido fazer um chamamento público para OSCs num tema de tecnologia onde normalmente atuam empresas privadas especializadas.”

“Também havia vários adiantamentos anteriores que antecipavam pagamentos em relação aos serviços não prestados.”

ICL Notícias — O senhor verificou problemas na execução do projeto?

Nabil Bonduki — “De fato existem pontos instalados, mas nós verificamos alguns endereços e não havia ponto nenhum. Também havia situações contraditórias, mudança de endereço e casos de três pontos colocados numa distância de dez ou quinze metros uns dos outros, o que obviamente não faz sentido.”

“Então houve situações em que se declarou que tinha sido instalado e não existia.”

ICL Notícias — O senhor acredita que esse caso pode revelar uma estrutura política maior financiada com recursos públicos?

Nabil Bonduki — “Uma das questões principais que precisa ser investigada são as fontes de financiamento do bolsonarismo e da extrema direita. É óbvio que, para manter essa estrutura, são necessários muitos recursos.”

“Esse contrato foi uma identificação que nós conseguimos mostrar de um contrato suspeito da Prefeitura de São Paulo com o financiamento dessa estrutura bolsonarista. E provavelmente existem coisas semelhantes em outros níveis de governo e até em outros órgãos da própria Prefeitura.”

“É uma máquina que está sendo alimentada por recursos públicos. Podem ser emendas também. Muito provavelmente existem esquemas semelhantes funcionando em vários lugares.”

“Talvez merecesse um encaminhamento para o Ministério Público Federal (MPF) e, a partir daí, buscar a colaboração do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), da Polícia Federal (PF), do Banco Central e de outros órgãos federais que possam rastrear o dinheiro.”

“É preciso quebrar o sigilo bancário dos atores envolvidos para entender para onde esses recursos foram.”

ICL Notícias — O senhor acredita que houve uso eleitoral ou político dessa estrutura nas periferias?

Nabil Bonduki — “Eu não acredito que tenha sido diretamente uma ferramenta política nas periferias porque o Ricardo Nunes fez muitas outras obras maiores nesse período. Mas o que pode ter acontecido é outra coisa.”

“Um dos repasses foi para uma entidade chamada Periferia Conectada. Foram R$ 12 milhões. E essa organização é ligada a uma pessoa bastante suspeita e que certamente tem algum tipo de relação com o crime organizado em favelas.”

“O que pode ter acontecido é, por exemplo, repassar recursos para essa entidade e isso acabar ajudando campanhas politicamente. Eu não saberia dizer se isso teve uma relação direta com a eleição.”

ICL Notícias — O senhor vê resistência da Prefeitura em abrir informações sobre esse contrato?

Nabil Bonduki — “Estranhamente, esse contrato está aberto no site da Prefeitura. Muitos outros contratos acabam entrando em sigilo quando começam a ser questionados, mas esse não.”

“Então eu não vejo exatamente resistência da Prefeitura nesse caso específico. O problema é que não existe transparência sobre o que aconteceu depois que o dinheiro saiu da OSC para as subcontratadas.”

“Os contratos entre a organização e as empresas são bastante precários e não há detalhamento adequado sobre os serviços efetivamente prestados. A partir dali o rastreamento do dinheiro fica muito mais difícil.”

O ICL Notícias pediu esclarecimentos ao Instituto Conhecer Brasil através de e-mail e também tentou via ligação telefônica. O número informado no site da ONG está fora de serviço e até o fechamento desta matéria não tivemos retorno.

*Cleber Lourenço]


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