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Política

A direita se assume como sabuja de Trump, corrupta e golpista

A direita brasileira parece ter abandonado de vez qualquer esforço para esconder aquilo que seus próprios atos vêm revelando, uma parcela significativa de seus representantes, sobretudo Flavio Bolsonaro, se comporta como uma espécie de filial política dos interesses de Donald Trump, aceita a ingerência estrangeira como estratégia eleitoral e, ao mesmo tempo, convive com denúncias de corrupção e com setores que jamais fizeram as pazes com a democracia.

O problema não é simplesmente admirar ou apoiar um líder estrangeiro. Democracias maduras podem ter afinidades ideológicas e relações diplomáticas estreitas. O escândalo começa quando políticos brasileiros passam a tratar os interesses de uma potência estrangeira como prioridade, mesmo quando isso significa pressionar o próprio país. É a inversão completa do princípio de soberania: em vez de defender o Brasil, defendem Trump.

E a submissão não aparece isoladamente. Ela se soma a um histórico político marcado por ataques às instituições, questionamentos sem provas sobre eleições, ameaças contra o Estado Democrático de Direito e a insistência em transformar derrotas eleitorais em supostas conspirações. Quando a democracia não entrega o resultado desejado, parte dessa direita simplesmente tenta deslegitimá-la.

Ao mesmo tempo, os discursos moralistas sobre combate à corrupção perdem força diante das sucessivas suspeitas envolvendo integrantes, aliados e operadores desse campo político. A velha retórica da “família, Deus e pátria” revela-se cada vez mais conveniente: serve para esconder contradições, relativizar escândalos e transformar investigação em perseguição sempre que o investigado pertence ao grupo.

Há, portanto, uma combinação particularmente perigosa: subserviência externa, tolerância com suspeitas de corrupção e desprezo pelas regras democráticas. Não se trata mais apenas de uma disputa entre esquerda e direita. Trata-se de decidir se a política brasileira continuará submetida aos interesses do eleitor brasileiro ou se parte da direita aceitará transformar o país em instrumento de uma agenda estrangeira.

A democracia não exige unanimidade. Exige soberania, respeito às instituições e responsabilidade pública. Quem aceita pressão estrangeira contra o próprio país, relativiza suspeitas de corrupção e flerta com soluções golpistas não pode depois posar de defensor da pátria.

No fim, a contradição é gritante: aqueles que mais falam em patriotismo são justamente os que, diante de seus interesses políticos, parecem dispostos a colocar o Brasil em segundo plano. E talvez seja essa a revelação mais incômoda: por trás do discurso de patriotismo, há quem esteja disposto a servir a Trump; por trás do discurso anticorrupção, há quem relativize denúncias; e por trás do discurso em defesa da liberdade, há quem não aceite a própria democracia quando ela contraria seus interesses.

Soma-se a isso a volta do negacionismo contra as vacinas que, agora, estimula o aumento exponencial do sarampo, como ocorre no Brasil, sobretudo em São Paulo.

Numa recontagem sobre as vítimas fatais da pandemia de covid, o número revela o assustador resultado de mais de 2 milhões de brasileiros mortos em consequência da doença. Estudo divulgado pela Dra. Margareth Dalcolmo da Fiocruz.


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Política

Kassab desafia Flávio Bolsonaro: Diz que Centrão está com Lula e que Flavio “Vai desabar” quando a campanha começar

A campanha eleitoral ainda nem começou oficialmente, mas Gilberto Kassab já colocou em xeque a viabilidade da candidatura de Flávio Bolsonaro. Presidente nacional do PSD e candidato a vice na chapa de Ronaldo Caiado, Kassab foi direto ao afirmar que considera “zero” a chance de Flávio vencer a eleição e que o senador está sendo, neste momento, politicamente “preservado” pelos adversários. Para ele, essa proteção vai desaparecer assim que a disputa começar de fato — e o candidato do PL deverá “desabar” nas pesquisas.

A declaração é especialmente significativa porque parte de um dirigente que conhece profundamente a lógica do Centrão: partidos desse campo raramente se movem por fidelidade ideológica; calculam riscos, espaços de poder, tempo de televisão, palanques regionais e, sobretudo, quem demonstra maior possibilidade de vitória. Nesse sentido, a leitura de Kassab é que Flávio Bolsonaro ainda não conseguiu convencer essas forças de que possui musculatura para chegar ao Palácio do Planalto.

Mais do que uma simples provocação eleitoral, a fala revela um problema central da candidatura bolsonarista: o sobrenome Bolsonaro pode garantir uma base fiel, mas não necessariamente é suficiente para ampliar a votação para além dela. A campanha oficial, que começa neste domingo (16), tende a colocar Flávio sob um escrutínio muito maior, transformando seu histórico político, seus aliados e suas propostas em alvos permanentes dos adversários.

Kassab também fez uma afirmação politicamente explosiva: segundo ele, embora partidos do Centrão tenham adotado formalmente uma posição de neutralidade, na prática o grupo está com Lula. União Brasil, PP e Republicanos, por exemplo, não fecharam uma aliança nacional com Flávio e mantêm espaço para movimentos pragmáticos nos estados. Essa ausência de apoio formal pode representar um problema considerável para uma candidatura que precisa de palanques regionais, estrutura partidária e tempo de propaganda para alcançar eleitores fora de seu núcleo mais fiel.

Há, portanto, uma contradição importante no discurso bolsonarista: enquanto Flávio tenta se apresentar como o candidato capaz de unir a direita e derrotar o PT, uma parcela relevante das forças políticas que poderiam sustentar essa candidatura prefere manter distância. No mundo real da política, isso significa que o entusiasmo das redes sociais não necessariamente se converte em alianças, votos e estruturas eleitorais.

As pesquisas ajudam a explicar por que o cenário ainda está longe de estar decidido. A Quaest divulgada nesta sexta-feira mostra Lula com 38% e Flávio com 31% no primeiro turno. Num eventual segundo turno entre os dois, Lula aparece com 43% e Flávio com 40%, em empate técnico dentro da margem de erro. Ao mesmo tempo, a rejeição a Flávio chega a 54%, enquanto a de Lula está em 52%.

Ou seja: Kassab pode estar fazendo uma aposta eleitoral, e não anunciando um resultado antecipado. Dizer que Flávio “vai desabar” é uma previsão política, não um fato consumado. Mas o alerta tem peso porque toca justamente no ponto mais vulnerável da candidatura: sua capacidade de crescer para além do eleitorado bolsonarista tradicional.

E é aí que o início da campanha pode mudar o jogo. Com a propaganda eleitoral, os debates, os ataques dos adversários e a exposição ampliada dos candidatos, a imagem cuidadosamente construída durante a pré-campanha será submetida ao teste das urnas. Se Flávio não conseguir transformar a força do bolsonarismo em uma candidatura capaz de atrair eleitores independentes e setores do centro, a previsão de Kassab poderá ganhar contornos mais concretos.

No fundo, a declaração do presidente do PSD revela uma disputa que vai muito além de Lula contra Flávio. É também uma batalha pelo Centrão e pelo eleitor que rejeita tanto o petismo quanto o bolsonarismo. Kassab e Caiado tentam ocupar justamente esse espaço. E, ao afirmar que Flávio está sendo “preservado” e que irá “desabar” quando for efetivamente confrontado, Kassab não apenas critica o adversário: ele tenta convencer o eleitorado de que a candidatura de Flávio é mais frágil do que aparenta.


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Política

Lula, o FMI, a economia e as tragédias econômicas da direita

A direita pariu Bolsonaro e o bolsonarismo. Esse mérito ninguém pode negar.

Comecemos pelo começo. Quando a catátrofe do golpe de 1964 se abateu sobre o Brasil, a ditadura organizadora, que recebeu de Jango, de esquerda, um país com uma dívida externa de R$ 3 bilhões, foi nas mãos dos militares à estratosfera, com o impagável endividamente, aomente ao FMI, mais de R$ 100 bilhões, junto, uma hiperinflação nunca vista na história e, entregaram o país aos civis, 21 anos depois, com a economia absolutamente colapsada.

O Brasil estava rigorosamente falido, sem condição de sair da completa estagnação e sem qualquer nota dos ditadores sobre o caos econômico que produziram no país.

Somando os 21 anos dos militares rigorosamente de extema direita que, mais tarde, pariu Bolsonaro e seus filhos pilantras, o Brasil teve 5 anos de José Sarney que correspondeu úbica e exclusivamente a um mesmo dilema, o de governar a partir da régua do FMI, assim como foi Fernando Collor e Itamar Franco, todos herdeiros da hiperinflação cavada pelos militares e com um aparato informativo com todas as loas para os gênios da economia que pioraram, e muito, a vida nacional, com planos econômicos mirabolantes, sequestro da poupança dos brasileiros eprovatizações de todas as estatais para onde o n ariz apontava.

Depois dessa tragédia, vem Fernando Herique Cardoso, que acabou enfiando um lambçao dentro do outro, desde os  ilitares até Itamar, ainda se endividou mais com o FMI, já que nenhum dos seus antecessores pagou lhufas a um fundo que mandava e desmandava no Brasil, porque, segunto todos acredityavam, a dívida com o FMI era impagável.

Então, vem Lula, aquele que a direita sempre chamou de analfabeto e gastador, e coloca ordem na cqasa, liquida a dívida do Brasil com o FMI, além de emprestar R$ 15 bilhões paa o Fundo e, pela primeira vez, acumulou reservas internacionais no valor de R$ 350 bilhõesw.

Depois veio Dilma, ampliou o empréatimo do Brasil para o FMI e aumentou as reservas in ternacionais para R$ 374 bilhões.

Soma-se a isso, o fim da miséria e o Brasil fora do mapa da fome, depois de Lula e Dilma tirarem dessa condição humana degradante 36 milhões de brasileiros, zerando a mortalidade infantil que custava mais de 300 vidas de crianças diariamente em decorrência da fome.

Por isso foi bom Lula, em entrevista no Inteligência Ltda:


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Política

Perseguição a Haddad exige investigação, não respostas apressadas

O pedido do ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo, Mauro Caseri, para que seja aprofundada a investigação sobre os policiais militares envolvidos no episódio relatado por Fernando Haddad é um sinal de que o caso está longe de poder ser encerrado com uma explicação preliminar. Mais do que isso: a sugestão de quebra do sigilo telefônico dos agentes mostra que ainda existem perguntas fundamentais sem resposta.

Haddad relatou que, depois de deixá-lo em casa, seu motorista teria sido acompanhado de maneira ostensiva por uma viatura da PM durante cerca de 40 minutos. O episódio teria incluído aproximação excessiva da viatura e uma tentativa do motorista de obter explicações dos policiais. A campanha do candidato levou o caso à Procuradoria Regional Eleitoral, diante da possibilidade de que a ação tivesse relação com o contexto político-eleitoral.

A Secretaria da Segurança Pública afirma que analisou imagens de aproximadamente 40 câmeras e dados de geolocalização das viaturas e, até o momento, não encontrou indícios de irregularidade. A investigação, porém, continua aberta e pode avançar caso surjam novos elementos.

É justamente aí que está o ponto central. Uma investigação não pode começar pela conclusão. Se há uma denúncia envolvendo agentes públicos armados, um candidato ao governo do Estado e um episódio ocorrido em plena disputa eleitoral, o caminho correto é esclarecer cada detalhe, ouvir todas as testemunhas, confrontar versões, analisar as câmeras corporais e verificar os contatos telefônicos dos policiais, caso isso seja juridicamente autorizado.

O próprio ouvidor questiona por que uma viatura teria continuado acompanhando o veículo depois que Haddad desembarcou e considera insuficiente simplesmente ouvir os policiais para concluir que não houve abuso. Segundo Caseri, também é necessário esclarecer se as câmeras corporais foram acionadas conforme os protocolos.

E há uma questão política que não pode ser ignorada: Haddad é candidato ao governo paulista e enfrenta justamente o grupo político que administra a estrutura de segurança pública do Estado. Isso não prova qualquer motivação política na ação policial — mas torna ainda mais indispensável uma investigação independente, rigorosa e transparente.

Se foi apenas uma coincidência ou uma diligência policial legítima, a apuração séria servirá para demonstrá-lo. Se houve abuso, intimidação ou qualquer desvio de finalidade, é igualmente necessário que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados.

O que não pode acontecer é uma denúncia dessa gravidade ser tratada como um episódio banal e encerrada às pressas. Quando policiais são acusados de perseguir ou intimidar um candidato, a democracia exige mais investigação, não menos. E, neste caso, quanto mais completa e transparente for a apuração, melhor para todos — inclusive para a própria Polícia Militar.


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Política

Quanto mais André Mendonça se cala sobre Flávio Bolsonaro, mais seu silêncio fala por ele

Há momentos em que o silêncio deixa de ser ausência de manifestação e passa a ser uma mensagem política. No caso do ministro André Mendonça, a demora em se posicionar sobre questões que envolvem Flávio Bolsonaro e sua campanha presidencial alimenta justamente essa percepção: quanto mais o ministro se cala, mais seu silêncio passa a ser interpretado como uma escolha.

O momento é especialmente delicado. Mendonça é relator, no Supremo Tribunal Federal, de processos envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro é acusada pelo PT de ter tido acesso a áudios que estariam sob sigilo judicial. O partido pediu ao STF que investigue o suposto vazamento, e Mendonça está diretamente envolvido na análise de parte desses processos.

A questão, portanto, não é exigir que um ministro condene ou absolva alguém por pressão política. É exigir transparência, coerência e igualdade de tratamento. Quando há acusações graves envolvendo um candidato à Presidência, o silêncio prolongado de uma autoridade judicial pode produzir uma impressão extremamente perigosa: a de que existem situações que merecem respostas imediatas e outras que podem esperar.

E essa impressão se torna ainda mais incômoda diante de outras decisões recentes do ministro no ambiente eleitoral. Mendonça e Kassio Nunes Marques sinalizaram entendimento favorável a uma possível flexibilização das regras sobre deepfakes, tema que envolve diretamente a campanha de Flávio Bolsonaro. O TSE, porém, atualmente possui regras que vedam o uso de deepfakes para favorecer ou prejudicar candidaturas.

Não se trata de afirmar, sem provas, que André Mendonça esteja favorecendo Flávio Bolsonaro. Trata-se de algo mais simples e mais sério: a Justiça precisa parecer tão imparcial quanto deve ser.

Em uma eleição marcada por desinformação, inteligência artificial, vazamentos de informações e disputas judiciais, ministros dos tribunais superiores não podem permitir que suas omissões sejam transformadas em combustível para suspeitas. A autoridade de um magistrado não se sustenta apenas nas decisões que assina, mas também na confiança pública que consegue preservar.

E confiança pública não combina com dois pesos e duas medidas.

Se há uma acusação contra Flávio Bolsonaro, que seja investigada. Se não há fundamento, que isso seja esclarecido. Se há ilegalidade, que sejam tomadas as providências cabíveis. O que não pode prevalecer é um silêncio que se prolonga justamente quando as dúvidas aumentam.

Porque, na política e na Justiça, o silêncio também comunica.

E quanto mais tempo André Mendonça permanecer calado sobre Flávio Bolsonaro, mais espaço haverá para que a sociedade faça a pergunta inevitável: o que exatamente esse silêncio está dizendo?


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Política

O mesmo Tarcísio de Freitas, que é formado em engenharia pelo IME, como governador, diz que diploma não vale nada

O diploma vale menos — menos para quem?

Há algo de profundamente contraditório na fala do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ao afirmar que “o diploma cada vez tem menos relevância”. A declaração foi feita em novembro de 2025, durante um evento sobre a expansão do ensino médio técnico, quando ele defendeu a ideia de que o mercado estaria mais interessado nas habilidades do trabalhador do que no lugar onde ele se formou.

O problema é que o autor dessa tese não chegou ao cargo que ocupa ignorando a importância da formação acadêmica. Muito pelo contrário.

Tarcísio é formado em Engenharia pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), uma das instituições de ensino de engenharia mais tradicionais e rigorosas do país. O próprio Ministério dos Transportes já registrou a importância que ele atribuía à formação recebida no IME, descrevendo-a como uma verdadeira “caixa de ferramentas” para enfrentar problemas profissionais.

E aqui está a contradição que merece ser exposta: se o diploma vale tão pouco, por que a formação de Tarcísio no IME é apresentada como credencial para demonstrar sua capacidade técnica?

Ninguém está dizendo que um diploma, sozinho, transforma alguém em um profissional competente. Evidentemente, experiência, capacidade de comunicação, criatividade e conhecimento prático também são fundamentais. O problema começa quando essa constatação é transformada em argumento para diminuir a importância da universidade e da educação formal.

Porque os dados não sustentam a ideia de que estudar perdeu relevância. Segundo dados da OCDE citados à época da declaração, brasileiros de 25 a 64 anos com ensino superior ganham, em média, 148% mais do que aqueles que têm apenas o ensino médio. Além disso, a própria OCDE aponta que a formação superior aumenta as chances de emprego e de melhores salários.

Portanto, dizer a um jovem que o diploma “vale cada vez menos” pode ser uma mensagem especialmente perigosa em um país onde a educação ainda é uma das principais portas de ascensão social.

E existe uma ironia adicional: Tarcísio não é um exemplo de alguém que chegou onde chegou apesar da formação acadêmica. Sua trajetória é, justamente, um exemplo de como uma formação altamente qualificada pode abrir portas.

O IME não é um detalhe biográfico. É parte importante da construção da imagem de Tarcísio como gestor técnico. O próprio instituto define sua missão como a formação superior em Engenharia e a produção de conhecimento científico e tecnológico.

Por isso, a pergunta que fica é simples: o diploma perdeu valor ou é conveniente dizer que ele perdeu valor quando se fala com os filhos dos outros?

Para quem teve acesso a uma formação de excelência, o diploma pode ser apresentado como consequência de esforço, competência e preparo. Para quem ainda luta para chegar à universidade, porém, a mensagem parece ser outra: não precisa estudar tanto, não precisa chegar ao ensino superior, basta desenvolver algumas “habilidades” e deixar que o mercado resolva.

Não deveria ser assim.

O papel de um governante deveria ser ampliar oportunidades, fortalecer a escola pública, democratizar o acesso às universidades e garantir que jovens pobres também possam conquistar os mesmos diplomas que ajudaram a construir as carreiras das elites brasileiras.

Desvalorizar o diploma não democratiza o conhecimento. Democratizar o conhecimento é garantir que todos possam conquistá-lo.

Tarcísio tem todo o direito de defender o ensino técnico. O que não faz sentido é transformar a valorização do ensino técnico em uma espécie de contraponto à universidade — muito menos sugerir que a formação superior esteja se tornando irrelevante justamente em um país que ainda possui uma parcela relativamente pequena de adultos com diploma universitário.

No fim, a frase do governador pode ser resumida em uma pergunta incômoda: se o diploma não vale tanto, por que justamente o diploma do IME continua sendo tão importante para contar a história de Tarcísio de Freitas?

A resposta talvez seja mais reveladora do que a própria declaração.


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Política

O carro de R$ 9 mil por mês e o moralismo seletivo de Rosângela Moro

Valor pago pelo aluguel de um veículo usado pelo gabinete da parlamentar é duas vezes e meia superior ao de um carro médio. No entanto, a deputada diz que Lula é que gasta mal o dinheiro do contribuinte

A deputada federal Rosângela Moro (PL-PR) tem sido uma crítica frequente das despesas do governo Lula e, particularmente, dos gastos relacionados às viagens internacionais do presidente e da primeira-dama, Janja da Silva.

Em uma publicação nas redes sociais, ao comentar a viagem de Lula e Janja a Paris, Rosângela foi especialmente contundente:

“Só com aluguel de carros de luxo, o governo torrou R$974 mil.”

Na mesma publicação, acrescentou: “Tudo isso pago com o dinheiro do contribuinte.”

E encerrou com uma frase que dá a dimensão do tom de sua crítica: “O Brasil não aguenta mais bancar a ostentação do presidente.”

O problema é que o mesmo princípio utilizado pela deputada para cobrar o governo federal precisa valer também para os gastos realizados por ela própria com dinheiro público.

E, nesse caso, os números chamam atenção.

Segundo os registros da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar, a deputada destinou aproximadamente R$ 306 mil ao aluguel de veículos entre 2023 e maio de 2026.

A distribuição informada é a seguinte:

2023: aproximadamente R$ 75 mil;
2024: aproximadamente R$ 84,5 mil;
2025: aproximadamente R$ 104,5 mil;
janeiro a maio de 2026: aproximadamente R$ 42 mil.
No total, são cerca de R$ 306 mil.

Considerando os 41 meses do período, a média é de aproximadamente R$ 7,46 mil por mês.

Mas o dado mais significativo está na evolução recente. Em 2025, a média ficou em aproximadamente R$ 8,7 mil mensais. Nos primeiros cinco meses de 2026, chegou a aproximadamente R$ 8,4 mil por mês.

Ou seja, o padrão recente de despesa está próximo de R$ 8,5 mil mensais para manter o veículo alugado.

É justamente aí que surge a pergunta que a própria Rosângela costuma fazer ao governo: isso é razoável para o contribuinte?

Não há, por si só, irregularidade em uma deputada utilizar a Cota Parlamentar para locação de veículo quando a despesa atende às regras da Câmara.

Da mesma forma, também não é correto afirmar que todo gasto elevado com uma viagem presidencial seja automaticamente desperdício. Eu entendo que não. Viagens internacionais de um chefe de Estado envolvem reuniões diplomáticas, negociações comerciais, encontros multilaterais e atividades destinadas a ampliar a presença e os interesses do Brasil no exterior.

Quando se trata de Lula, Rosângela parece adotar uma régua bastante severa.

Quando se trata de sua própria despesa parlamentar, entretanto, a pergunta sobre a razoabilidade dos valores também precisa ser feita.

E ela não é uma pergunta abstrata.

Uma despesa na faixa de R$ 8 mil a R$ 9 mil todos os meses não é pequena.

Ao longo de um mandato, esse valor se transforma rapidamente em centenas de milhares de reais. No caso de Rosângela Moro, a soma já alcança aproximadamente R$ 306 mil desde 2023.

Além disso, há referências no próprio setor público que permitem questionar se os preços praticados são competitivos.

Em 2025, por exemplo, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) contratou um veículo executivo tipo sedan, sem motorista e sem combustível, por R$ 141.839 pelo período de 36 meses. Isso corresponde a aproximadamente R$ 3.940 por mês.

A comparação não é suficiente para afirmar que a deputada tenha pago preço indevido. Os contratos podem ter características diferentes: modelo do veículo, idade, seguro, manutenção, franquia, quilometragem, disponibilidade, serviços incluídos e outras condições podem alterar o preço.

Mas ela é suficiente para levantar uma questão legítima: o que exatamente justifica uma despesa mensal de quase R$ 9 mil?

Se existem serviços adicionais, é preciso identificá-los. Se o veículo possui características especiais, elas devem ser conhecidas. Se o contrato oferece condições diferenciadas, elas podem ser apresentadas.

Transparência funciona assim.

É justamente por causa do discurso da deputada que seus gastos merecem ser analisados com a mesma severidade que ela aplica às despesas do governo.

Rosângela não se limitou a perguntar quanto Lula gastou.

Ela utilizou expressões como “carros de luxo”, afirmou que o governo “torrou” quase R$ 1 milhão e classificou os gastos como “ostentação do presidente”.

Esse vocabulário é importante porque estabelece uma régua moral para avaliar despesas públicas.

Quando alguém afirma que o governo está promovendo “ostentação” porque utiliza recursos públicos para determinadas despesas, é legítimo perguntar se essa mesma pessoa considera razoável gastar, individualmente, centenas de milhares de reais em aluguel de veículo executivo utilizando recursos da Cota Parlamentar.

A pergunta não é partidária.

É simplesmente uma questão de coerência.

É nesse ponto que aparece o que pode ser chamado de moralismo seletivo.

Não é necessário defender todas as despesas do governo Lula para questionar a postura da deputada. Tampouco é necessário considerar automaticamente justificável o gasto de R$ 306 mil com veículos.

É possível, ao mesmo tempo, defender a fiscalização dos gastos presidenciais e exigir fiscalização dos gastos parlamentares.

O problema começa quando uma autoridade pública trata como escandalosa uma determinada despesa do adversário político, mas não demonstra o mesmo rigor ao explicar despesas próprias de natureza semelhante.

Se R$ 974 mil em aluguel de carros durante uma viagem oficial são apresentados como prova de “ostentação”, o eleitor também pode perguntar por que aproximadamente R$ 306 mil em aluguel de veículos para um único mandato parlamentar não deveriam ser submetidos à mesma análise.

A comparação não significa que as duas despesas sejam idênticas. Não são.

Uma refere-se a uma viagem internacional de uma comitiva presidencial; a outra, a despesas de uma parlamentar.

Mas o dinheiro, nos dois casos, é público.

E é exatamente esse o princípio invocado pela deputada quando critica Lula: “Tudo isso pago com o dinheiro do contribuinte.”

O mesmo contribuinte paga a Cota Parlamentar.

.x.x.x.x.

Para garantir o direito de resposta e permitir que a parlamentar apresentasse sua versão sobre os gastos, procurei o gabinete da deputada Rosângela Moro e expliquei à assessoria de imprensa qual era o objeto da matéria e quais questões seriam abordadas.

A assessoria informou que encaminharia a demanda à deputada.

Até o fechamento desta matéria, porém, não havia sido recebido retorno.

Caso a deputada ou sua assessoria encaminhe esclarecimentos posteriormente, as informações poderão ser incorporadas à reportagem.

É nesse ponto que aparece o que pode ser chamado de moralismo seletivo.

*Joaquim de Carvalho/247


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Ex-ministro de Bolsonaro ligado ao Banco Master

O João Roma (PL-BA), candidato ao Senado e ex-ministro da Cidadania durante o governo Bolsonaro, é sócio do empresário Alfredo Pacheco Pereira Neto na Prata da Chapada, empreendimento ligado a uma fazenda produtora de bananas. Pacheco é dono da AB Serviços de Corretagem Financeira, que assinou ao menos R$ 19,7 milhões em contratos com o Banco Master nos últimos anos.

Roma e Pacheco passaram a dividir a empresa rural em 2021, quando o político ainda integrava o governo de Jair Bolsonaro. Em sua declaração à Justiça Eleitoral, Roma informou possuir 50% das cotas da Prata da Chapada, avaliadas em R$ 100 mil.

Os contratos da AB Serviços com o grupo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro envolveram consultoria, assessoria e relacionamento comercial, informou a corretora. A empresa disse que os acordos tiveram “comprovação técnica”, foram firmados no setor privado e incluíram recolhimento de tributos, segundo o DCM.

Por meio de nota, Alfredo Pacheco afirmou que a Prata da Chapada produz bananas e não mantém “qualquer relação com outras atividades, muito menos qualquer relação com a empresa AB”. Ele também negou que Roma tenha participado da aproximação entre a corretora e o Banco Master.


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Kassio sob suspeita: os acenos a Flávio Bolsonaro que começam a incomodar o TSE

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, passou a enfrentar um problema que nenhum integrante da Justiça Eleitoral deveria ter de administrar em plena corrida presidencial: a desconfiança sobre sua imparcialidade.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, ministros e técnicos do TSE e do Supremo Tribunal Federal (STF) identificaram, em decisões e declarações recentes de Kassio, supostas convergências com posições defendidas pela equipe jurídica de Flávio Bolsonaro. O ministro, por sua vez, nega qualquer favorecimento e afirma que manterá postura de neutralidade em relação a todos os candidatos.

O problema é que, na Justiça Eleitoral, não basta ser imparcial. É preciso também parecer imparcial. E quando decisões de um presidente de Corte eleitoral começam a ser interpretadas internamente como favoráveis a um determinado candidato, o desgaste deixa de ser apenas político e passa a atingir a própria credibilidade da instituição.

Um dos episódios que alimentaram as críticas foi a decisão de Kassio de suspender a divulgação de uma pesquisa eleitoral que apontava recuo de Flávio Bolsonaro. A medida atendeu parcialmente a um pedido da campanha do senador e provocou questionamentos sobre os limites da intervenção judicial em pesquisas eleitorais.

Outro ponto de tensão envolve o uso de inteligência artificial na campanha de Flávio. Kassio teria sinalizado entendimento favorável à tese dos advogados do senador sobre a legalidade de um vídeo produzido com deepfake de Jair Bolsonaro e exibido em evento político. O tema é especialmente delicado porque o uso eleitoral de conteúdo manipulado por inteligência artificial é justamente uma das questões mais sensíveis da eleição de 2026.

Não se trata, portanto, de uma única decisão isolada. É a acumulação de episódios que produz o incômodo dentro da própria Corte. Quando diferentes medidas começam a beneficiar, ainda que indiretamente, os interesses de uma determinada candidatura, cresce inevitavelmente a cobrança por explicações.

Kassio tem todo o direito de rejeitar as acusações e defender sua atuação. Mas também é legítimo que ministros e integrantes das instituições democráticas questionem decisões que possam produzir a aparência de tratamento desigual. A Justiça Eleitoral não pode entrar na disputa presidencial carregando a suspeita de que seus árbitros estariam mais próximos de um dos lados.

E há uma razão ainda maior para essa preocupação: 2026 não é uma eleição qualquer. Depois dos ataques às instituições e das tentativas de desacreditar o sistema eleitoral, qualquer sinal de parcialidade vindo justamente da Corte responsável por garantir a lisura do processo tem potencial para alimentar desconfiança e tensão política.

Kassio afirma que será neutro. Agora, caberá a ele demonstrar isso não apenas por meio de declarações, mas principalmente por suas decisões. Na Justiça Eleitoral, a neutralidade não se proclama: prova-se na prática, voto a voto, candidato a candidato e sem exceções.

Porque, quando o árbitro passa a ser acusado de fazer acenos para um dos jogadores, a pergunta inevitável deixa de ser apenas quem vencerá a eleição. Passa a ser: todos estão realmente disputando em condições iguais?


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Nada de documentos do “Dark Horse”, nada de DNA: a chapa de Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar continua devendo explicações

Há uma pergunta incômoda que continua sem resposta, quando Flávio Bolsonaro pretende apresentar os documentos que prometeu sobre o financiamento do filme “Dark Horse”? Em maio, o senador afirmou que estava disposto a tornar públicos os contratos e anunciou uma prestação de contas. O prazo passou, e a própria campanha reconheceu posteriormente que a prometida prestação de contas ainda não havia sido divulgada.

O silêncio ganha ainda mais peso porque o caso deixou de ser apenas uma controvérsia política. O financiamento do filme passou a ser alvo de investigação, depois das revelações sobre as negociações de Flávio com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O senador nega irregularidades, mas a investigação torna ainda mais importante que os documentos sejam apresentados de forma completa e transparente.

E há uma segunda cobrança sobre a mesa: o exame de DNA envolvendo Alfredo Gaspar, escolhido como vice de Flávio. Gaspar é acusado de estupro de vulnerável, acusação que ele nega. Diante da denúncia, sua defesa pediu que o exame fosse realizado, justamente para esclarecer objetivamente a questão. Até agora, porém, o caso continua mergulhado numa disputa de versões, com o STF aguardando informações da Polícia Federal antes de decidir sobre os próximos passos.

O contraste é inevitável. Se Flávio diz que não há irregularidade no “Dark Horse”, que apresente os documentos. Se seu vice afirma que a acusação é falsa, que o DNA seja realizado e que os fatos sejam esclarecidos. Transparência não deveria ser tratada como favor, muito menos como ameaça política.

Uma candidatura que pretende disputar a Presidência da República não pode exigir confiança enquanto responde a perguntas objetivas com silêncio, adiamentos e versões conflitantes. Documentos não são opinião. DNA não é discurso. E promessa de transparência não vale nada se nunca chega ao público.

No fim, a questão é simples, Flávio Bolsonaro precisa explicar o dinheiro do “Dark Horse”; Alfredo Gaspar precisa esclarecer a acusação que pesa sobre seu nome. Antes de pedir o voto dos brasileiros, a chapa deveria começar fazendo aquilo que qualquer candidato que se diz comprometido com a verdade deveria fazer, abrir os documentos e permitir que os fatos falem.


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