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Nada de documentos do “Dark Horse”, nada de DNA: a chapa de Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar continua devendo explicações

Há uma pergunta incômoda que continua sem resposta, quando Flávio Bolsonaro pretende apresentar os documentos que prometeu sobre o financiamento do filme “Dark Horse”? Em maio, o senador afirmou que estava disposto a tornar públicos os contratos e anunciou uma prestação de contas. O prazo passou, e a própria campanha reconheceu posteriormente que a prometida prestação de contas ainda não havia sido divulgada.

O silêncio ganha ainda mais peso porque o caso deixou de ser apenas uma controvérsia política. O financiamento do filme passou a ser alvo de investigação, depois das revelações sobre as negociações de Flávio com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O senador nega irregularidades, mas a investigação torna ainda mais importante que os documentos sejam apresentados de forma completa e transparente.

E há uma segunda cobrança sobre a mesa: o exame de DNA envolvendo Alfredo Gaspar, escolhido como vice de Flávio. Gaspar é acusado de estupro de vulnerável, acusação que ele nega. Diante da denúncia, sua defesa pediu que o exame fosse realizado, justamente para esclarecer objetivamente a questão. Até agora, porém, o caso continua mergulhado numa disputa de versões, com o STF aguardando informações da Polícia Federal antes de decidir sobre os próximos passos.

O contraste é inevitável. Se Flávio diz que não há irregularidade no “Dark Horse”, que apresente os documentos. Se seu vice afirma que a acusação é falsa, que o DNA seja realizado e que os fatos sejam esclarecidos. Transparência não deveria ser tratada como favor, muito menos como ameaça política.

Uma candidatura que pretende disputar a Presidência da República não pode exigir confiança enquanto responde a perguntas objetivas com silêncio, adiamentos e versões conflitantes. Documentos não são opinião. DNA não é discurso. E promessa de transparência não vale nada se nunca chega ao público.

No fim, a questão é simples, Flávio Bolsonaro precisa explicar o dinheiro do “Dark Horse”; Alfredo Gaspar precisa esclarecer a acusação que pesa sobre seu nome. Antes de pedir o voto dos brasileiros, a chapa deveria começar fazendo aquilo que qualquer candidato que se diz comprometido com a verdade deveria fazer, abrir os documentos e permitir que os fatos falem.


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Política

A chantagem política de Alcolumbre para pautar o fim da escala 6×1

Há momentos em que a política deixa de ser instrumento de representação popular e passa a funcionar como balcão de interesses. A postura de Davi Alcolumbre diante do fim da escala 6×1 é um exemplo preocupante desse velho método: uma pauta que interessa diretamente a milhões de trabalhadores é mantida sob o controle exclusivo de quem tem o poder de decidir quando — e se — ela será votada.

A proposta não surgiu ontem. Ela atravessou a Câmara, chegou ao Senado e ganhou apoio de parlamentares de diferentes correntes. Em plenário, até o senador Cleitinho, de oposição ao governo Lula, cobrou publicamente de Alcolumbre prioridade para a PEC que estabelece a jornada 5×2.

Ainda assim, o presidente do Senado insiste em falar em “melhorar” o texto, submetê-lo ao percurso pelas comissões e, agora, admite a possibilidade de empurrar a votação para depois das eleições.

É justamente aí que a situação se torna politicamente inaceitável.

O trabalhador brasileiro não pode ser transformado em moeda de negociação política. Quem enfrenta jornadas exaustivas, passa seis dias por semana trabalhando e tem apenas um dia para descansar não pode ficar à mercê do calendário eleitoral, das conveniências partidárias ou das disputas de poder no Congresso.

Se Alcolumbre tem ressalvas ao texto, que as apresente às claras. Se existem alternativas, que sejam debatidas publicamente. Se há impactos econômicos a considerar, que sejam discutidos com transparência. O que não é aceitável é manter uma mudança de tamanha importância social em uma espécie de limbo legislativo e utilizar sua votação como instrumento de pressão política.

A palavra “chantagem” é forte — e precisa ser usada com responsabilidade. Não há, até aqui, comprovação pública de uma chantagem no sentido literal de uma exigência vinculada à votação. Mas a lógica política que se desenha é profundamente preocupante: uma pauta de interesse nacional fica condicionada à vontade de um único comandante da Casa, que pode decidir o momento de colocá-la em votação.

Isso é concentração excessiva de poder.

E há uma ironia difícil de ignorar: enquanto milhões de brasileiros são cobrados por produtividade, pontualidade e cumprimento rigoroso de suas jornadas, o Congresso pode simplesmente adiar indefinidamente uma discussão que mexe justamente com o tempo de vida dessas pessoas.

O fim da escala 6×1 não deveria ser tratado como favor, concessão do Senado ou moeda de troca entre políticos. É uma discussão sobre qualidade de vida, descanso, saúde, convivência familiar e dignidade no trabalho.

Alcolumbre precisa responder ao país, e não apenas aos líderes partidários: por que uma proposta que já chegou ao Senado precisa esperar indefinidamente? Quem ganha com a demora? E por que o trabalhador precisa aguardar as eleições para saber se terá direito a uma jornada mais humana?

O Senado não é propriedade de seu presidente. A pauta legislativa não pertence a Davi Alcolumbre. E os trabalhadores brasileiros certamente não podem ser tratados como peças de um jogo de poder.

Se a escala 6×1 será aprovada ou rejeitada, que o plenário decida. Que cada senador vote diante das câmeras, com nome, rosto e posição claramente conhecidos pelo eleitor.

O que não pode continuar é a política do empurra-empurra, do silêncio e da conveniência.

A democracia exige debate e voto. O que ela não pode admitir é que o direito de milhões de trabalhadores fique refém da caneta de um único homem.


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Política

Testemunha de acusação contra vice de Flavio muda versão sobre o estupro

Luiz Antonio Lopes, personagem central nas versões que cercam a acusação de estupro de vulnerável contra Alfredo Gaspar (PL-AL), mudou sua versão.

O caso envolvendo Alfredo Gaspar, escolhido como vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro, ganhou uma reviravolta que aumenta ainda mais a necessidade de investigação rigorosa e independente. A principal testemunha relacionada à acusação de estupro de vulnerável apresentou versões diferentes sobre o episódio, chegando posteriormente a afirmar à Polícia Legislativa que poderia ter ocorrido uma armação para incriminar o deputado.

A mudança de versão é extremamente relevante porque a acusação original é gravíssima: segundo o relato inicialmente levado a parlamentares, uma adolescente de 13 anos teria sido abusada e engravidado. A denúncia também mencionava uma suposta tentativa de comprar o silêncio da família. Gaspar nega todas as acusações e afirma estar disposto a realizar exame de DNA para esclarecer definitivamente a questão.

Mas o novo depoimento do comerciante Luiz Antonio Lopes acrescentou uma camada ainda mais controversa ao caso. Segundo a reportagem da Agenda do Poder, ele passou a afirmar que a história poderia ter sido montada para atingir Alfredo Gaspar e mencionou supostos pagamentos relacionados à articulação. Ao mesmo tempo, continuou dizendo possuir provas da versão original — contradição que precisa ser esclarecida pelas autoridades.

Uma acusação gravíssima não pode ser transformada em arma política

É justamente por envolver uma acusação de estupro que o caso exige máxima responsabilidade. Nem uma denúncia dessa natureza pode ser ignorada, nem uma acusação sem comprovação pode ser transformada automaticamente em sentença política.

O episódio também precisa ser separado da disputa eleitoral. Alfredo Gaspar é hoje uma peça importante da candidatura de Flávio Bolsonaro, o que inevitavelmente confere enorme dimensão política ao caso. Entretanto, a gravidade da acusação exige que a verdade seja estabelecida por provas, documentos, perícias e depoimentos consistentes — e não por versões conflitantes divulgadas de acordo com a conveniência de cada lado.

Outro ponto importante é que, até o momento, não há conclusão oficial que comprove nem a acusação de estupro nem a alegação posterior de que teria existido uma armação. O caso chegou ao STF por meio de um pedido de investigação, mas isso não significa que Alfredo Gaspar tenha sido formalmente investigado ou considerado culpado.

A mudança de versão da testemunha, portanto, não encerra o caso. Ao contrário: torna indispensável descobrir por que a primeira história foi apresentada, por que depois foi modificada, quem eventualmente participou dos relatos e se existem provas materiais capazes de confirmar qualquer uma das versões.

No meio de uma eleição presidencial marcada por intensa polarização, a sociedade brasileira não precisa de acusações lançadas como munição eleitoral. Precisa de investigação séria, transparência e verdade.

Se houve crime, que os responsáveis sejam punidos. Se houve armação, que os responsáveis também respondam. O que não pode prevalecer é uma versão conveniente no lugar dos fatos.


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A diferença abissal entre o melhor ministro da Educação da história do Brasil com o governador que acha que diploma não vale nada

Haddad e Tarcísio, dois projetos de educação que não poderiam ser mais diferentes

O debate em São Paulo colocou frente a frente dois políticos com visões profundamente diferentes sobre o papel da educação. De um lado, Fernando Haddad, que comandou o Ministério da Educação entre 2005 e 2012 e esteve à frente de um período marcado pela expansão do ensino superior, pelo fortalecimento do ProUni e pela ampliação das universidades federais. De outro, Tarcísio de Freitas, atual governador de São Paulo, cuja declaração de que o diploma “vale cada vez menos” abriu um enorme debate sobre o valor que um governo deve atribuir à formação educacional.

Durante a gestão de Haddad no MEC, houve uma forte expansão do acesso ao ensino superior. Dados oficiais registram a ampliação das vagas e matrículas nas universidades federais, enquanto o ProUni criou uma porta de entrada para milhares de estudantes de baixa renda em instituições privadas. O programa, criado em 2005, teve sua constitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em 2012.

Tarcísio quer transmitir aos jovens a ideia de que anos de estudo, formação acadêmica e conhecimento perderam importância.

Diploma não é apenas um pedaço de papel. É resultado de anos de dedicação, estudo, pesquisa, formação profissional e esforço de milhões de brasileiros que enfrentam enormes dificuldades para chegar a uma universidade.

E o contraste fica ainda mais evidente quando se olha para a trajetória dos dois. Haddad construiu parte importante de sua carreira política justamente na educação e participou de políticas que ampliaram o acesso ao ensino superior. Já Tarcísio, ao falar sobre a perda de valor do diploma, parece apostar em uma concepção na qual a formação acadêmica deixa de ocupar lugar central na construção de oportunidades.

O debate, portanto, ultrapassa Haddad e Tarcísio. A pergunta que fica é muito maior: o Brasil deve ampliar as portas das universidades ou convencer seus jovens de que o diploma já não vale tanto?

Em um país marcado por desigualdades históricas, desvalorizar a educação é um caminho perigoso. Para quem nasce nas camadas mais pobres, estudar continua sendo uma das principais possibilidades de romper barreiras sociais e conquistar melhores oportunidades.

O confronto entre Haddad e Tarcísio expôs, assim, duas concepções distintas de futuro: uma que enxerga a educação como instrumento de inclusão e transformação social e outra que relativiza o peso do diploma diante das novas exigências do mercado.

No fim das contas, a questão é simples: se a educação não deve ser valorizada, qual é o caminho que resta para milhões de jovens que dependem dela para mudar a própria história?


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Política

Neonazistas planejavam explodir o Palácio do Planalto com Lula dentro

O ódio político levado ao limite do terrorismo

O Brasil precisa tratar com a máxima seriedade a descoberta de um grupo neonazista que planejava atentados contra instituições públicas em Brasília e tinha o Palácio do Planalto entre seus principais alvos. Segundo as investigações da Polícia Civil do Distrito Federal, os criminosos discutiam a possibilidade de atacar a sede do governo federal durante o período eleitoral, com a intenção de atingir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Não estamos falando, portanto, de uma simples manifestação de extremismo nas redes sociais. As investigações revelaram uma estrutura que utilizava ambientes virtuais para disseminar ideologia neonazista, promover discurso de ódio, recrutar pessoas dispostas à violência e discutir atentados contra prédios públicos. O grupo também tinha como alvo o local onde poderia ocorrer o debate do segundo turno das eleições presidenciais.

A gravidade aumenta porque, de acordo com as informações divulgadas sobre a Operação Rede Interrompida, os integrantes compartilhavam informações sobre os prédios que pretendiam atacar e discutiam formas de executar as ações. O núcleo investigado chegou a reunir dezenas de integrantes, enquanto outros grupos funcionavam como espaços de propagação e recrutamento.

O que emerge desse caso é algo que não pode ser relativizado: o extremismo político, quando abandona a palavra e passa a organizar violência, deixa de ser apenas uma ameaça retórica e se transforma em perigo concreto para a democracia e para a vida humana.

A escolha do Palácio do Planalto como alvo é particularmente simbólica. Trata-se da sede da Presidência da República, um dos centros institucionais do Estado brasileiro. Planejar sua destruição, sobretudo com a intenção de atingir o presidente da República, significa atacar não apenas uma pessoa, mas uma instituição fundamental da democracia.

E o componente neonazista torna tudo ainda mais alarmante. O nazismo não representa uma simples opinião política radical: é uma ideologia historicamente associada à perseguição, ao extermínio e à eliminação violenta de grupos considerados inimigos. Quando seus símbolos e ideias aparecem associados ao planejamento de atentados, o Estado precisa responder com investigação, prevenção e punição rigorosas.

O episódio também deixa uma lição importante sobre o ambiente digital. Grupos extremistas podem começar disseminando ódio, racismo, antissemitismo, misoginia e teorias conspiratórias e, em determinadas circunstâncias, transformar essa radicalização em planejamento de violência real. A internet não pode ser tratada como território sem lei quando utilizada para organizar crimes.

A democracia brasileira já conhece o preço da tolerância com ameaças contra as instituições. O país assistiu, em janeiro de 2023, à invasão e depredação das sedes dos Três Poderes. Agora, a descoberta de uma célula que discutia atentados com explosivos mostra que a ameaça extremista pode assumir formas ainda mais perigosas.

Por isso, o caso exige muito mais do que indignação momentânea. É necessário identificar todos os envolvidos, investigar possíveis financiadores, descobrir a extensão da rede e impedir que organizações extremistas continuem recrutando pessoas para ações violentas.

Não existe liberdade democrática para quem pretende destruir a própria democracia pela força. Não existe tolerância possível com quem transforma ódio ideológico em projeto de assassinato. E não existe espaço para a banalização de grupos que flertam com o nazismo e planejam atentados contra o Estado brasileiro.

O alerta está dado: quando alguém planeja explodir o Palácio do Planalto com o presidente dentro, o problema já ultrapassou todos os limites do discurso político. É uma ameaça direta à vida, às instituições e à democracia brasileira.

E diante de uma ameaça dessa dimensão, a resposta do Estado precisa ser igualmente contundente, com investigação profunda, responsabilização dos criminosos e nenhuma condescendência com o terrorismo de extrema direita.


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Política

Nikolas Ferreira e a receita para transformar crescimento patrimonial estratosférico numa mera narrativa

O mago da internet, segundo o próprio, como um gênio das finanças, converteu em bufê à brasileira sua receita, supostamente futura, em patrimônio atual.

Isso, segundo o falastrão, sem comprovante, justifica seus módicos foguetes que lhe deram 8.000% de ganho patrimonial em apenas 4 anos. Para o povo, sobrou combar do novo Midas da história da humanidade, uma singela auditoria como comprovante do “mérito”, notas fiscais dos livros, das palestras, dos cursos e, por que não, as viagens no jatinho de Vorcaro que ele não sabia de quem era.

Não é uma questão mera e simplesmente de extrato bancário, como quis fazer parecer em seu videozinho “muito didático”. Isso não é documento fiscal. Aplausos da Receita Federal, nesse caso, vêm com multa se não tiver nota. Aqui se acredita em conta com comprovante, é claro, assim como a Receita não discute narrativa.

E é nesse ponto que Nikolas esqueceu de declarar alguma coisa, é que, no Brasi, tornou-se a picaretgem mais comum de quem joga para o apaluso de gente burra com a ignorância alheia.

Estamos falando de um patrimônio material astronômico, segundo ofício da Receita vazado.

Lógico que o pouca sombra mandou aquele lado gravado na história “gente, estão pedindo comprovante! Isso é perseguição”.

Auditor: “Não, isso é aritmética”. Mais que isso, o audtr com uma lupa gigante em cima de um extrato, onde aparece 8.000% de crescimento patrimonial circulado em vermelho.

O que Nikolas tentou fazer foi responder à Receita sem responder à Receita.

Título do vídeo (Eles me perseguem porque eu trabalho. É pura perseguição política, 8.000% não é crime, mas sim a inveja do meu sucesso).

Passo um: Não anexar estrato, mas sim anexar print de corte de podcast.

Passo dois: Vou falar de Deus, pátria e família que meus críticos travam.

Passo três: E se me apertar muito, gravo um videozinho chorando.

No mundo animal do bolsonarismo, xiita funciona 100% das vezes. E termino lembrando: “Eu declaro tudo, inclusive as coisas que não dá para declarar. Tamo junto”.

Provar é igual a chorar mais bandeira do Brasil. O que não entr ano videozinho, nota fiscal, contrato, extrato, DARF

Ou seja, a receita é falar bem para não mostrar nada.

Esperamos agora a parte quatro, a intimação da Receita Federal para o auditor reagir ao videozinho.


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Política

Quatro candidatos de direita, quatro discursos e nenhum projeto consistente para o Brasil

Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos querem ocupar o espaço da direita na disputa presidencial. Cada um tenta se apresentar como alternativa ao governo Lula e, sobretudo, como representante de um eleitorado que procura uma opção conservadora para 2026. O problema é que, até aqui, sobra discurso político e falta aquilo que deveria ser o centro de qualquer candidatura à Presidência da República: um projeto de governo sério, detalhado e capaz de responder aos problemas concretos do país.

E não estamos falando de slogans, frases de efeito ou da repetição exaustiva de “combater o PT”, “defender a liberdade”, “reduzir impostos” ou “endurecer contra o crime”. Isso é propaganda eleitoral. Projeto de governo é outra coisa.

Projeto de governo significa explicar como o país será administrado, de onde virão os recursos, quais serão as prioridades, quais políticas públicas serão mantidas ou modificadas, como enfrentar a desigualdade, melhorar a educação e a saúde, ampliar o emprego, recuperar a infraestrutura, combater o crime organizado, preservar o meio ambiente, equilibrar as contas públicas e, principalmente, como transformar promessas em resultados. Este sim, é o programa de governo do presidente Lula.

É justamente aí que a direita candidata à Presidência tropeça e cai.

Flávio Bolsonaro carrega uma candidatura fortemente ancorada no sobrenome. Em vez de apresentar ao eleitor um plano capaz de demonstrar que possui condições de governar o Brasil, sua pré-campanha continua excessivamente dependente da herança política do pai e da guerra permanente contra seus adversários. A candidatura parece pedir ao eleitor uma coisa bastante simples, que vote no sobrenome Bolsonaro. Mas governar um país de 215 milhões de habitantes exige muito mais do que hereditariedade política e fidelidade ao bolsonarismo.

Caiado é só mais um. O eleitor precisa saber qual Brasil ele pretende construir para além das fronteiras de Goiás e para além do discurso de segurança, conservadorismo e oposição ao governo federal. Uma candidatura presidencial não pode se resumir à apresentação do currículo do candidato.

Zema, por sua vez, tenta transformar sua experiência como governador de Minas Gerais, onde dobrou a dívida com a União, em credencial nacional e aposta no discurso liberal de eficiência administrativa, responsabilidade fiscal e redução do tamanho do Estado.

Uma eleição presidencial exige respostas muito mais amplas, como lidar com as enormes desigualdades regionais? O que fazer com a saúde pública? Como enfrentar o déficit habitacional? Qual política industrial o país terá? Como financiar educação, ciência e tecnologia? Como enfrentar a crise climática? Como o Brasil pretende se posicionar diante das grandes disputas econômicas internacionais?

E há Renan Santos, que chega à disputa como expressão de uma nova direita ligada ao MBL e ao partido Missão. Sua candidatura procura vender a imagem de ruptura com a política tradicional e de uma direita mais radicalizada em determinadas pautas. Mas ser “outsider” não é projeto de país. Ser contra o sistema também não responde à pergunta fundamental: o que será colocado no lugar dele?

A situação chega a ser curiosa. Há quatro candidatos disputando o mesmo território político e todos parecem muito mais preocupados em demonstrar quem é mais autenticamente de direita do que em explicar, com seriedade, como pretendem governar o Brasil.

Enquanto isso, problemas concretos continuam esperando respostas.

O país precisa saber como esses candidatos pretendem enfrentar a concentração de renda. Precisa saber o que farão com o SUS. Precisa conhecer suas propostas para educação básica e ensino superior. Quer saber como pretendem combater o crime organizado sem transformar segurança pública em espetáculo. Precisa saber qual será a política econômica, qual a estratégia para o crescimento, como pretendem reduzir juros, aumentar produtividade e gerar empregos de qualidade.

Precisa, sobretudo, saber quanto custará cada promessa e quem pagará a conta.

Porque é muito fácil prometer Estado menor, impostos menores, mais segurança, mais crescimento e mais liberdade. Difícil é colocar números sobre a mesa, estabelecer prioridades e explicar quais despesas serão cortadas, quais receitas serão preservadas e quais políticas públicas terão financiamento.

É justamente nessa hora que a retórica costuma desaparecer.

A direita brasileira parece ter aprendido a disputar a internet, mas ainda demonstra enorme dificuldade para disputar o debate sobre o futuro do país. Transformou a política em uma sucessão de guerras culturais, provocações, ataques ao adversário e disputas pela hegemonia dentro do próprio campo ideológico.

Mas o Brasil não é uma postagem nas redes sociais.

Não se governa uma economia de trilhões de reais com memes. Não se combate a violência com bravatas. Não se reduz a desigualdade com frases prontas. Não se reforma o Estado com bordões. E não se administra uma democracia complexa alimentando permanentemente a polarização.

O mais preocupante é que esses candidatos de direita pretendem ocupar a Presidência sem apresentar, até aqui, uma visão nacional suficientemente detalhada para que o eleitor possa comparar alternativas de maneira responsável. Analistas também apontam que Caiado, Zema e Renan enfrentam dificuldades para transformar suas trajetórias e discursos em uma candidatura nacional competitiva.

No fundo, o que se vê é uma disputa para saber quem será o dono do eleitorado de direita, quando a pergunta que realmente interessa deveria ser outra:

quem tem condições de apresentar ao Brasil um projeto de governo?

Porque ser contra Lula não é programa de governo.

Ser bolsonarista não é programa de governo.

Ser liberal não é programa de governo.

Ser “nova direita” também não é programa de governo.

O Brasil não precisa apenas de candidatos que saibam apontar inimigos. Precisa de alguém capaz de apresentar caminhos e segui-los, como faz Lula.

E, até agora, entre Flávio Bolsonaro, Caiado, Zema e Renan Santos, o eleitor recebeu muitos discursos sobre o que eles combatem — mas ainda muito pouco sobre o Brasil que pretendem entregar.


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Chanceler Mauro Vieira: Família Bolsonaro deve responder por ‘crimes de alta traição’,

Em entrevista ao jornal Clarín, Mauro Vieira destaca papel do clã Bolsonaro na crise internacional e nos ataques sofridos pelo Brasil

O chanceler Mauro Vieira afirmou que membros da família Bolsonaro ”devem responder por crimes de alta traição e ofensas contra a nação”. Em entrevista publicada neste domingo pelo jornal Clarín, da Argentina, o ministro brasileiro fez uma avaliação dos ataques sofridos pelo país, tanto dos EUA como de Javier Milei.

Parte de sua mensagem, porém, indica para o papel do clã do ex-presidente Jair Bolsonaro na crise. “(Os Bolsonaros) são responsáveis ​​pela campanha que levou às sanções que causam sofrimento a empresários, capitalistas, servidores públicos e trabalhadores que estão perdendo seus empregos”, disse.

O chanceler descreveu os atos de Washington contra a embaixadora brasileira, Maria Luiza Viotti, como “parte, sem dúvida, da ofensiva para interferir nas eleições”.

“É verdade que houve duas reuniões entre os presidentes — uma de uma hora em Kuala Lumpur e outra de três horas em Washington. Muitos temas foram analisados, incluindo questões comerciais e a resolução da questão tarifária que afetava especificamente o Brasil”, disse.

Para ele, porém, “o episódio atual decorre do fato de terem submetido ao Congresso dos EUA a indicação de um embaixador para o Brasil”.

“Os EUA ficaram mais de um ano e meio sem embaixador no Brasil — não estavam preocupados com isso — e, de repente, enviaram uma indicação ao Senado. Trinta dias depois, consultaram o governo brasileiro de uma maneira pública que, do ponto de vista diplomático e político, violou a Convenção de Viena”, indicou.

“Tais consultas devem ser confidenciais, não públicas”, insistiu. “Além disso, isso ocorreu em meio a comentários de autoridades dos EUA e do Departamento de Estado sobre o sistema eleitoral brasileiro, juntamente com pedidos para visitar o Brasil e o ex-presidente (Bolsonaro), que está preso. Foi demais. Suspender o visto do embaixador brasileiro foi uma manobra para nos pressionar a aceitar aquele indicado, mas a Convenção de Viena não estabelece prazos para a concessão do agrément. Nós nem sequer encaminhamos o pedido ao presidente Lula, pois ele está extremamente ocupado com as eleições, faltando apenas dois meses para o pleito”, afirmou.

Questionado se o ato teria sido uma iniciativa exclusiva de Marco Rubio ou se seria uma política oficial dos EUA, o chanceler deixou claro que considera que vê o gesto como envolvendo “todo o governo dos EUA, incluindo Marco Rubio”.

“Conversei com ele várias vezes — duas delas em Washington — e discutimos essas questões. Lembremos que tudo começou com tentativas de obstruir os processos legais contra o ex-presidente (Jair) Bolsonaro, que havia tentado um golpe de Estado fracassado. Aquele plano de golpe militar incluía o assassinato do presidente eleito e de um membro da Suprema Corte. Foi aí que a interferência começou — com sanções e exigências feitas ao governo para interromper os processos contra o ex-presidente; —algo que, aliás, não pode ser feito no Brasil, pois os poderes são independentes”.

Sobre a pressão dos EUA para afastar a China da região, Vieira destacou que “o Brasil mantém relações muito importantes com os EUA — é o nosso segundo maior parceiro comercial — e também tem laços significativos com a China”.

“A China está presente não apenas no Brasil, mas em todas as Américas. O presidente Lula está implementando uma política de engajamento global em todos os continentes, visando a um comércio equilibrado; por exemplo, o comércio com o Sudeste Asiático está crescendo enormemente, assim como o comércio com a Europa. Não temos dúvidas sobre a importância de manter relações com todos os países”.

Para ele, “uma política de pressão e sanções não é útil; a negociação é o que funciona”. “O Brasil sempre privilegiou a negociação e o entendimento mútuo, seja com aqueles que compartilham nossas posições ou com aqueles com quem temos divergências”, disse.

“Impor sanções é inadequado; o interesse nacional deve ser sempre a prioridade, e é isso que defendemos. Lula não tem interesse na política interna de outros países; como Chefe de Estado, ele está aberto a discutir e negociar com todas as nações, independentemente de sua postura política. Não é crível pensar que uma ação punitiva vá melhorar a posição de negociação de alguém”, insistiu.

Vieira também destaca o papel da família Bolsonaro. “Eles foram responsabilizados no Brasil e devem responder por crimes de alta traição e ofensas contra a nação”, disse. “São responsáveis ​​pela campanha que levou às sanções que causam sofrimento a empresários, capitalistas, servidores públicos e trabalhadores que estão perdendo seus empregos”, disse.

Segundo ele, o governo brasileiro implementou programas para proteger os setores mais afetados. “Quanto à família Bolsonaro, lembro que dois indivíduos já foram condenados: um pelo Supremo Tribunal Federal (o ex-presidente Jair Bolsonaro) e o outro — Eduardo, irmão do candidato à presidência Flávio — que está atualmente nos Estados Unidos e perdeu seu mandato na Câmara dos Deputados”.

“No Brasil, ele enfrentará processos judiciais pelas declarações e ações com as quais atacou o país”, completou.

Para ele, todos os países da região enfrentam dificuldades com isso — inclusive a Argentina e também o Brasil. “Todos nós estamos sofrendo o impacto das tarifas dos EUA”, completou.

*Jamil Chade/ICL


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Vídeo: Flávio acusa cúpula do judiciário de “roubalheira” enquanto se beneficia da blindagem de Mendonça

Protegido por Mendonça, Flávio Bolsonaro transforma o Judiciário em alvo político

Há algo profundamente revelador na postura de Flávio Bolsonaro: enquanto se beneficia politicamente de um ambiente em que o ministro André Mendonça vem adotando uma atuação cada vez mais controversa em casos que atingem interesses do campo bolsonarista, o senador se sente à vontade para atacar a própria cúpula do Judiciário com acusações gravíssimas.

Chamar ministros dos tribunais superiores de envolvidos em “roubalheira” não é uma crítica política comum. É uma acusação de enorme gravidade. E justamente por isso deveria exigir provas, fatos concretos e responsabilidade. Quando uma autoridade pública lança uma acusação dessa natureza sem apresentar elementos capazes de sustentá-la, o que resta é a velha estratégia bolsonarista de transformar suspeitas e narrativas em sentença política.

O paradoxo é ainda maior quando se observa o silêncio — ou a complacência — diante de situações que envolvem o próprio campo político de Flávio Bolsonaro. O discurso contra a corrupção aparece com toda a força quando o alvo são adversários, ministros ou instituições que incomodam. Mas perde intensidade quando as suspeitas atingem aliados, familiares ou personagens próximos ao seu grupo político.

E é justamente nesse ambiente que a atuação de André Mendonça ganha relevância. O ministro, que deveria ser símbolo de equilíbrio, independência e respeito às instituições, vem sendo alvo de críticas por decisões e iniciativas que, aos olhos de seus críticos, parecem produzir efeitos políticos favoráveis ao bolsonarismo. Quando um integrante da Suprema Corte passa a ser percebido como alguém capaz de oferecer proteção institucional a determinado grupo político, a consequência inevitável é o desgaste da própria credibilidade do Judiciário.

Flávio Bolsonaro parece perceber esse cenário e explorar politicamente suas contradições. Ataca ministros, desqualifica instituições e tenta vender à opinião pública a imagem de um Judiciário tomado pela corrupção. Ao mesmo tempo, porém, encontra espaço institucional para aliados questionados e para operações jurídicas que podem beneficiar seu campo político.

A pergunta que fica é simples: se há “roubalheira” na cúpula do Judiciário, onde estão as provas? Quem praticou quais crimes? Qual foi o dinheiro desviado? Quem recebeu? Quem intermediou? Onde estão os documentos?

Acusar é fácil. Provar é outra história.

O problema é que esse tipo de retórica não busca necessariamente esclarecer fatos. Busca incendiar a opinião pública, destruir reputações e alimentar a velha narrativa de que todas as instituições são corruptas — exceto aquelas que, por alguma razão, acabam favorecendo o grupo político que faz a acusação.

É uma fórmula conhecida: quando a Justiça aperta, acusa-se a Justiça de perseguição; quando uma investigação avança, denuncia-se uma conspiração; quando uma decisão favorece, celebra-se a independência institucional. A régua muda conforme o resultado.

Flávio Bolsonaro, portanto, deveria explicar muito mais do que suas acusações contra ministros. Deveria explicar por que acredita ter autoridade moral para transformar acusações sem provas em instrumento político enquanto seu próprio grupo permanece cercado por controvérsias e questionamentos.

A democracia não sobrevive de gritos, slogans ou acusações lançadas ao vento. Sobrevive de instituições, provas e responsabilidade.

E se existe realmente “roubalheira” na cúpula do Judiciário, que Flávio Bolsonaro apresente as provas.

Do contrário, sua fala corre o risco de ser apenas mais um capítulo da política de destruição institucional que o bolsonarismo utiliza quando não consegue responder às perguntas que realmente importam.

Porque acusar todo mundo de corrupto pode ser uma excelente estratégia eleitoral.

Mas não substitui prova, não produz verdade e, muito menos, transforma acusado em inocente.


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Política

Vídeo: Eduardo Bolsonaro quer liberdade para não vacinar a própria filha e transforma saúde infantil em arma política

Eduardo Bolsonaro conseguiu aquilo que parece considerar uma grande vitória política: no Texas, onde vive, assinou uma declaração que lhe permite assumir a responsabilidade pela dispensa de determinadas exigências de vacinação da própria filha. O procedimento teria custado apenas US$ 10. Em seguida, encontrou a oportunidade perfeita para fazer aquilo que o clã Bolsonaro sabe fazer como poucos: transformar uma questão de saúde pública em munição contra o governo Lula.

O problema é que existe uma diferença monumental entre exercer uma escolha pessoal e tentar transformar essa escolha em bandeira política. Quando o assunto é vacinação infantil, não se está discutindo apenas a preferência de um pai. Está-se falando de prevenção, saúde coletiva e proteção de crianças que não têm condições de decidir por si mesmas.

Eduardo, porém, prefere apresentar a questão como uma suposta batalha pela “liberdade individual”. Ao defender que os pais tenham o direito de recusar vacinas e sugerir que o Brasil siga o modelo adotado no Texas, ele convenientemente ignora que a legislação brasileira trata a vacinação recomendada pelas autoridades sanitárias como uma questão de proteção da criança. A vacinação infantil está prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente quando recomendada pelas autoridades competentes.

Mais curioso ainda é o método: ele utiliza uma decisão tomada para a própria filha como argumento para atacar Lula. Ou seja, a experiência particular de um integrante da família Bolsonaro passa a ser apresentada como se fosse uma espécie de prova de que a política brasileira de imunização estaria errada.

Não é.

É apenas mais uma tentativa de transformar uma pauta técnica em guerra ideológica.

Eduardo questiona quem seria responsabilizado por eventuais efeitos adversos das vacinas e levanta suspeitas sobre autoridades e fabricantes. Mas essa retórica já é velha conhecida. Durante a pandemia, Jair Bolsonaro também atacou a vacinação infantil e chegou a afirmar que sua própria filha não seria vacinada contra a Covid-19, apesar da autorização da Anvisa e das recomendações das autoridades sanitárias.

A diferença é que agora o discurso reaparece pelas mãos da geração seguinte do bolsonarismo.

É difícil não enxergar a contradição: quando interessa, Eduardo Bolsonaro invoca a autonomia individual; quando quer fazer oposição, transforma a política pública de imunização em suposto instrumento de controle estatal. No meio disso tudo, ficam as crianças — justamente aquelas que deveriam estar protegidas da disputa política.

A vacinação não pode ser tratada como torcida organizada. Não é assunto para “Lula contra Bolsonaro”, direita contra esquerda ou Brasil contra Texas. É uma questão de saúde pública baseada em evidências, recomendações técnicas e responsabilidade coletiva.

O mais preocupante é transformar a recusa de uma vacina em símbolo de resistência política. A mensagem que chega às famílias é perigosa: a de que desconfiar das autoridades sanitárias seria sinal de coragem e que seguir recomendações de imunização seria submissão ao governo.

Eduardo Bolsonaro parece querer transformar o próprio ato de não vacinar a filha em manifesto político. Mas uma criança não deveria ser instrumento de propaganda ideológica.

E saúde pública não pode ser submetida à lógica eleitoral do clã Bolsonaro.

Se Eduardo quer assumir pessoalmente as consequências de suas escolhas familiares, isso é uma questão privada. O que não pode fazer é transformar uma decisão particular em argumento para desacreditar políticas públicas de vacinação e atacar o governo Lula.

No fundo, o episódio revela algo ainda mais grave: para o bolsonarismo, aparentemente qualquer assunto pode virar palanque — até mesmo a proteção da saúde das crianças.

A vacina protege a criança, mas Eduardo prefere usar a criança para proteger uma narrativa política.


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