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Velha mídia: Mas o Lulinha…

Quem é comprovadamente corrupto há anos e é candidato a presidente é Flávio — mas a velha mídia prefere especular contra Lulinha

Há uma inversão escandalosa de prioridades no debate político brasileiro. De um lado, está Flávio Bolsonaro, político profissional, com uma longa trajetória cercada por denúncias, suspeitas e investigações, agora apresentado como candidato à Presidência da República. Do outro, está Lulinha, que nunca exerceu mandato eletivo, nunca foi político e não é candidato a absolutamente nada.

Ainda assim, basta observar as manchetes para perceber onde parte da chamada velha mídia decidiu concentrar seus holofotes: em Lulinha.

A estratégia é conhecida. Transformar especulação em manchete, suspeita em sentença e vazamento em espetáculo, enquanto questões muito mais concretas envolvendo personagens da política são tratadas com uma cautela quase reverencial.

O problema não é investigar Lulinha — qualquer cidadão pode e deve ser investigado quando houver fatos concretos. O problema é a assimetria da cobertura. É exigir explicações de quem não disputa eleição, enquanto um candidato presidencial com um histórico político controverso recebe um tratamento incomparavelmente mais complacente.

A pergunta que precisa ser feita é simples: qual é o critério?

Se existem provas, que sejam apresentadas. Se existem documentos, que sejam publicados. Se existem fatos relevantes, que sejam investigados. Mas jornalismo sério não pode funcionar à base de insinuações, vazamentos seletivos e manchetes em letras garrafais destinadas a produzir uma condenação antecipada.

Enquanto isso, Flávio Bolsonaro está no centro da disputa eleitoral. Portanto, tudo o que envolve sua trajetória, suas relações políticas e empresariais, seu patrimônio e as acusações que recaem sobre ele deveria receber escrutínio máximo. Afinal, estamos falando de alguém que pretende comandar o país.

Mas a velha mídia parece operar com uma régua curiosamente diferente: para uns, investigação permanente; para outros, blindagem permanente.

Lulinha não precisa ser candidato para ter seus direitos respeitados. E Flávio não pode ser tratado como candidato acima das perguntas que sua própria trajetória política impõe.

O eleitor tem direito à informação, não a uma campanha midiática disfarçada de jornalismo.

Se a imprensa quer realmente cumprir seu papel, deveria parar de transformar especulações contra Lulinha em manchetes e começar a aplicar a mesma intensidade investigativa a Flávio Bolsonaro. Porque, no fim das contas, a questão central é muito simples: quem pretende ocupar a Presidência precisa ser cobrado por seus atos, por sua trajetória e pelos fatos concretos que o cercam.

O que não pode existir é uma imprensa que grita diante de uma suspeita contra um não candidato e sussurra diante de fatos envolvendo quem quer chegar ao Palácio do Planalto.


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Política

Quem a mídia está protegendo mais: Flávio Bolsonaro, André Mendonça ou Nunes Marques?

Há momentos em que o silêncio da imprensa se torna uma notícia por si só. E a pergunta que começa a incomodar é inevitável: quem, afinal, está recebendo mais proteção da mídia — Flávio Bolsonaro, André Mendonça ou Nunes Marques?

A questão ganha força diante da sucessão de episódios envolvendo o candidato do PL, o caso Dark Horse, sua relação com Daniel Vorcaro e a atuação de ministros indicados por Jair Bolsonaro em processos que alcançam direta ou indiretamente o universo político bolsonarista.

No caso de Flávio Bolsonaro, por exemplo, há investigações que continuam produzindo fatos novos. A imprensa noticiou que o caso Dark Horse permanece em investigação e que André Mendonça é o relator das apurações relacionadas aos repasses de Vorcaro. Também foram divulgadas informações sobre mensagens e áudios que colocaram sob questionamento versões anteriormente apresentadas pelo senador.

Mas a pergunta que precisa ser feita é: a mesma disposição jornalística utilizada para explorar suspeitas contra adversários políticos é aplicada quando o personagem investigado está no campo bolsonarista?

André Mendonça também passou a ocupar o centro desse debate. O ministro é responsável por decisões relevantes em processos que envolvem o entorno de Flávio Bolsonaro e, ao mesmo tempo, aparece em outras disputas eleitorais de grande repercussão. Recentemente, por exemplo, determinou a retirada de um vídeo produzido por inteligência artificial que associava Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, por entender que o material criava situações inexistentes com aparência de realidade.

Isso, evidentemente, não permite concluir que exista proteção indevida. Decisões judiciais precisam ser examinadas pelo conteúdo e pela fundamentação, não por simpatias políticas. Mas justamente por isso deveriam receber escrutínio jornalístico rigoroso, transparente e proporcional.

E Nunes Marques?

O ministro também entrou no centro das atenções eleitorais. Foi ele quem determinou o restabelecimento da filiação de Flávio Bolsonaro ao PL depois do episódio envolvendo o registro de filiação ao partido Missão, além de determinar investigação sobre o caso.

Dias depois, Nunes Marques teve papel decisivo em outro processo eleitoral ao desempatar, no TSE, o julgamento que permitiu a candidatura de Marcelo Crivella ao Senado. A decisão ocorreu após liminar anteriormente concedida por André Mendonça.

São fatos públicos. E fatos públicos deveriam ser tratados como fatos públicos — sem blindagem, sem demonização e sem dois pesos e duas medidas.

É aí que a pergunta ganha força política e jornalística: por que determinados personagens são submetidos diariamente a manchetes, especulações, editoriais e vazamentos, enquanto outros parecem ser tratados com uma cautela quase reverencial?

Se a imprensa pretende fiscalizar o poder, precisa fiscalizar todo o poder. Se pretende investigar relações políticas, jurídicas e empresariais, precisa fazê-lo independentemente de quem esteja no centro da história.

Porque o verdadeiro problema não é perguntar se a mídia está protegendo Flávio Bolsonaro, André Mendonça ou Nunes Marques. O problema é quando o leitor começa a ter a impressão de que há personagens para os quais qualquer suspeita vira manchete e personagens para os quais até fatos relevantes são tratados como nota de rodapé.

E essa é uma questão que a própria imprensa deveria responder.

Quem está sendo protegido? Quem está sendo poupado? E, principalmente, por quê?

Enquanto essas perguntas permanecerem sem respostas convincentes, a suspeita de seletividade continuará rondando a cobertura política brasileira — e não será resolvida simplesmente aumentando o volume das manchetes contra os adversários de sempre.


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Lula enfrenta Trump e cobra negociação para pôr fim ao tarifaço contra o Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu tratar diretamente com Donald Trump uma das maiores tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Em telefonema de 1 hora e 20 minutos, realizado nesta sexta-feira (21), Lula foi direto ao ponto: afirmou que as justificativas utilizadas pelo governo norte-americano para impor as tarifas contra produtos brasileiros são “infundadas” e defendeu a retomada imediata das negociações.

A conversa, segundo o governo brasileiro, ocorreu em tom amistoso e cordial, mas isso não significou que Lula tenha aberto mão da defesa dos interesses do Brasil. Ao contrário. O presidente deixou claro que o tarifaço prejudica não apenas a economia brasileira, mas também os próprios Estados Unidos, e sustentou que o caminho mais inteligente é a negociação, não a imposição unilateral de barreiras comerciais.

O recado de Lula é politicamente importante: o Brasil não está disposto a aceitar acusações consideradas sem fundamento como justificativa para medidas que atingem empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países. Em vez de transformar o conflito comercial em uma escalada de retaliações, o presidente brasileiro colocou a diplomacia novamente no centro da discussão.

E houve um resultado concreto. Trump concordou sobre a importância de preservar relações comerciais fortes entre Brasil e Estados Unidos e propôs que as equipes dos dois governos voltem a se reunir o mais rapidamente possível.

Isso significa que o canal de diálogo foi reaberto. E, diante de uma crise que poderia produzir prejuízos econômicos ainda maiores, a retomada das conversas representa uma vitória da diplomacia sobre a lógica do confronto.

Lula também aproveitou o telefonema para reafirmar a disposição brasileira de cooperar com os Estados Unidos no combate ao crime organizado. O presidente, porém, fez uma distinção fundamental: organizações criminosas brasileiras são extremamente violentas e precisam ser enfrentadas com firmeza, mas isso não significa que devam ser automaticamente classificadas como organizações terroristas.

O presidente brasileiro ainda levou para a conversa outros temas internacionais, entre eles a guerra na Ucrânia e a necessidade de soluções negociadas para conflitos globais.

O telefonema acontece depois de o governo brasileiro ter aberto formalmente o processo para avaliar medidas de reciprocidade contra as tarifas norte-americanas. Ou seja, Lula negocia, mas negocia respaldado pela disposição de defender os interesses nacionais caso o diálogo não produza resultados.

A estratégia é clara: não aceitar imposições, não abrir mão da soberania e, ao mesmo tempo, manter aberta a porta da negociação.

Mais do que uma conversa protocolar entre dois presidentes, o telefonema mostra que Lula decidiu assumir pessoalmente a condução política da crise. O Brasil sinaliza que quer preservar sua relação estratégica com os Estados Unidos, mas não pretende fazê-lo de joelhos.

A mensagem de Lula a Trump foi, portanto, simples e contundente: se há problemas comerciais, que sejam discutidos à mesa; se há divergências, que sejam negociadas; e se há acusações contra o Brasil, que sejam apresentadas com fatos, não usadas como pretexto para um tarifaço.

Agora, cabe às equipes dos dois países transformar a reabertura do diálogo em resultados concretos. A negociação voltou ao centro da agenda — e o Brasil chega a ela deixando claro que amizade entre países não significa submissão.


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Política

Em uníssono inédito, mídia canoniza Flávio, sataniza Lulinha e mergulha na campanha pró-fascista

Há algo de profundamente revelador no comportamento de parte da mídia brasileira nesta largada da eleição de 2026: enquanto Flávio Bolsonaro é tratado como candidato presidencial plenamente reabilitado, o noticiário sobre Lulinha ganha uma dimensão que ultrapassa a própria investigação e passa a funcionar como munição eleitoral contra Lula.

Não se trata de defender qualquer pessoa de investigação. Se existem suspeitas, que sejam apuradas até o fim, com transparência, direito de defesa e sem interferência política. O problema é outro: a régua parece não ser a mesma para todos.

Flávio Bolsonaro passou a ser apresentado como uma espécie de alternativa política viável, enquanto questões que envolvem diretamente sua campanha são empurradas para o rodapé. O caso do filme Dark Horse é o exemplo mais gritante. O candidato afirmou que o episódio é uma “página virada” e que já teria prestado contas, embora a imprensa registre que ele ainda não apresentou os documentos prometidos e que a origem e a destinação dos recursos continuam sob investigação.

Ao mesmo tempo, qualquer informação relacionada a Lulinha recebe enorme repercussão e rapidamente é transformada em argumento político contra Lula. Há, de fato, três inquéritos envolvendo Fábio Luís da Silva, e sua defesa nega irregularidades. Mas investigação não é condenação — e suspeita não pode ser apresentada como sentença.

O mais impressionante é a assimetria.

Quando Flávio é questionado sobre Vorcaro, Dark Horse e os milhões destinados à produção de um filme sobre Jair Bolsonaro, a resposta vira notícia, mas a cobrança parece desaparecer rapidamente. Quando o assunto é Lulinha, entretanto, a investigação se transforma em manchete, comentário, análise eleitoral e combustível permanente para a campanha bolsonarista.

O próprio Flávio percebeu a oportunidade e passou a explorar sistematicamente o caso Lulinha para desgastar Lula. Não por acaso, seu discurso eleitoral passou a girar em torno de corrupção, INSS e ataques ao presidente, enquanto a campanha tenta deslocar o centro do debate para os adversários.

É justamente aí que mora o perigo.

A imprensa não pode se transformar em cabo eleitoral involuntário de um projeto político autoritário.

Quando determinados candidatos são submetidos a uma investigação permanente, enquanto outros recebem tratamento de presidenciáveis “moderados”, cria-se uma espécie de lavagem política da imagem pública. O passado desaparece, as controvérsias são relativizadas e o candidato passa a ser apresentado apenas pelo personagem que sua campanha deseja vender.

É a fabricação do “Flávio moderado”.

Mas a embalagem não apaga a história. Tampouco transforma automaticamente um representante do bolsonarismo em democrata, conciliador ou institucionalista.

Flávio iniciou sua campanha reproduzindo discurso do pai, atacando o STF e utilizando símbolos políticos associados ao bolsonarismo. Ao lado de Guilherme Derrite, também elogiou o modelo de Nayib Bukele em El Salvador e defendeu endurecimento de penas e redução da maioridade penal em determinados casos.

Nada disso significa que o eleitor não possa escolher Flávio. Significa apenas que a sociedade tem o direito de conhecer o candidato inteiro — e não a versão higienizada construída para consumo eleitoral.

E existe uma ironia ainda maior: enquanto a mídia ajuda a transformar Lulinha em personagem central da eleição, o próprio Flávio tenta escapar das perguntas que lhe são feitas sobre seu relacionamento com Vorcaro. Quando questionado sobre Dark Horse, responde que o assunto está encerrado e imediatamente aponta o dedo para Lula e Lulinha.

Essa é a velha técnica política: quando a pergunta aperta, troque o acusado pelo acusador.

E quando a imprensa embarca nessa troca sem manter a mesma intensidade de cobrança, deixa de ser apenas observadora do processo eleitoral e passa a interferir na própria disputa.

Não é necessário absolver Lulinha para denunciar essa assimetria. Não é necessário defender Lula para exigir jornalismo sério. E não é necessário ser petista para perceber que democracia exige a mesma régua para todos.

Se há documentos a apresentar, que sejam apresentados. Se há suspeitas, que sejam investigadas. Se há crimes, que sejam responsabilizados os culpados.

Mas que isso valha para Flávio Bolsonaro também.

Porque uma eleição não pode ser vencida pela quantidade de manchetes produzidas contra um adversário. E uma democracia não pode ser reduzida a uma operação de marketing destinada a transformar um candidato do campo radical em uma figura palatável enquanto seus adversários são submetidos diariamente ao tribunal midiático.

O que está em jogo não é apenas a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro. É a disputa pelo direito do eleitor de receber informação completa, proporcional e honesta.

Quando parte da mídia escolhe um lado da balança, suaviza um candidato e amplifica incessantemente os problemas do outro, o jornalismo deixa de iluminar a eleição e passa a participar dela.

E é justamente nesse ambiente que o discurso autoritário encontra terreno fértil.

Não é jornalismo quando a pergunta para um lado é “prove que é inocente” e para o outro é “por que você está sendo atacado?”.

A democracia brasileira merece mais do que isso.


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Política

90 dias depois, Flávio Bolsonaro não entrega documentos prometidos sobre filme Dark Horse, e O Globo prefere atacar Lulinha

Ontem fez 90 dias. Noventa dias desde que Flávio Bolsonaro prometeu que, em no máximo 30 dias, entregaria os documentos, recibos e demais comprovantes relacionados ao filme patrocinado por Daniel Vorcaro.

O prazo venceu. E venceu há dois meses.

Até agora, não apareceu documento, recibo, contrato ou qualquer esclarecimento capaz de sustentar a promessa feita pelo senador. O que era para ser entregue em 30 dias transformou-se em 90 dias de silêncio. E a pergunta inevitável é: se os documentos existem e não há nada a esconder, por que não foram apresentados?

A resposta política parece cada vez mais desconfortável: Flávio prometeu entregar aquilo que até agora não entregou.

E há um segundo aspecto ainda mais revelador: o comportamento de parte da imprensa diante desse silêncio. Enquanto os documentos prometidos por Flávio continuam desaparecidos, O Globo passou o dia explorando manchetes e especulações envolvendo Lulinha. A régua jornalística, nesse caso, parece ter dois tamanhos: para um lado, cobrança incessante; para o outro, uma paciência quase infinita.

Não se trata de pedir tratamento privilegiado para ninguém. Trata-se de exigir o mesmo jornalismo para todos. Se há suspeitas ou perguntas envolvendo Lulinha, que sejam investigadas. Mas, exatamente pela mesma razão, devem ser cobradas explicações de Flávio Bolsonaro sobre aquilo que ele próprio prometeu esclarecer.

A diferença é brutal: de um lado, manchetes construídas sobre suspeitas e especulações; de outro, uma promessa objetiva, com prazo definido, que simplesmente não foi cumprida.

E isso não pode ser tratado como detalhe.

Flávio Bolsonaro estabeleceu o prazo. Flávio Bolsonaro prometeu os documentos. Flávio Bolsonaro não os apresentou. O mínimo que se espera agora é que a imprensa cobre a promessa que ficou pelo caminho, em vez de simplesmente mudar o foco para outro personagem.

Porque, quando um político diz que vai apresentar documentos em 30 dias e 90 dias depois não apresenta absolutamente nada, a pergunta jornalística não deveria desaparecer.

Deveria ficar ainda mais forte:

Onde estão os documentos, Flávio?

E por que aqueles que deveriam cobrar essa resposta preferem fazer barulho em outra direção?

Para quem se apresenta como fiscal da moralidade pública, o silêncio diante de uma promessa não cumprida é, no mínimo, uma contradição difícil de esconder. E quando a imprensa abandona uma cobrança concreta para transformar especulações contra adversários políticos em manchetes do dia, a sociedade tem todo o direito de perguntar a quem esse jornalismo está servindo.

Noventa dias depois, a história continua simples: prometeu em 30. Não entregou em 90.

Agora, mais do que a promessa, o que está em jogo é a credibilidade de quem prometeu — e a responsabilidade de quem deveria cobrar.


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Deputada bolsonarista é processada por Chico Buarque, Gil e Djavan

A deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PL-SC), conhecida por sua atuação alinhada ao bolsonarismo, volta ao centro de uma disputa judicial envolvendo alguns dos maiores nomes da música popular brasileira: Chico Buarque, Gilberto Gil e Djavan. Os artistas movem uma ação contra a parlamentar e a Livraria Campagnolo por causa do uso de músicas em uma aula do chamado “Clube Antifeminista”, conteúdo comercial divulgado nas redes sociais.

O ponto central da ação não é uma simples divergência política ou ideológica. Os artistas sustentam que suas obras foram utilizadas para uma finalidade diferente daquela apresentada quando a autorização para o uso das músicas foi solicitada. Segundo o processo, as canções acabaram inseridas em uma atividade paga, com conteúdo e propósito ideológico distintos dos informados inicialmente às editoras.

E é justamente aí que a história ganha contornos ainda mais emblemáticos. A deputada, que construiu parte de sua atuação política em torno do discurso antifeminista e de uma agenda de confronto com setores progressistas, teria utilizado obras de artistas que representam uma tradição cultural frequentemente atacada pelo campo político ao qual pertence.

Entre as músicas mencionadas na disputa estão “Mulheres de Atenas”, de Chico Buarque e Augusto Boal; “Ai Que Saudades da Amélia”, de Mário Lago e Ataulfo Alves; “Super-homem – A Canção”, de Gilberto Gil; e “Flor de Lis”, de Djavan. Também integram a ação os herdeiros de Mário Lago e Augusto Boal.

Os autores pedem R$ 50 mil de indenização por danos morais para cada um, além de reparação por danos materiais, cujo valor deverá ser apurado no decorrer do processo. A Justiça também já determinou a retirada do material das plataformas digitais, segundo as informações mais recentes sobre o caso.

O episódio expõe uma contradição difícil de ignorar: recorrer à obra de artistas para sustentar uma determinada narrativa política é uma coisa; utilizar essas obras em um produto comercial sem respeitar as condições de autorização é outra, e é justamente essa questão que está sendo discutida judicialmente.

Mais do que uma briga entre artistas e uma deputada, o processo recoloca em debate um princípio básico: obra artística tem autor, tem direitos e não pode ser tratada como propriedade ideológica de quem decide utilizá-la.

No caso de Chico Buarque, Gilberto Gil e Djavan, a mensagem parece ser direta: discordâncias políticas não dão a ninguém licença para usar a produção cultural alheia como bem entender. A disputa agora está nas mãos da Justiça, que deverá avaliar as responsabilidades e os pedidos apresentados no processo.


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Mendonça deve ignorar PGR e manter inquéritos contra Lulinha no STF

A decisão do ministro André Mendonça sobre o destino dos inquéritos que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, promete colocar novamente o Supremo Tribunal Federal no centro de uma disputa política e jurídica. A Procuradoria-Geral da República pediu que as investigações sejam remetidas à primeira instância, sob o argumento de que não há investigados com foro privilegiado que justifique a permanência dos casos no STF. A palavra final, porém, caberá a Mendonça.

A expectativa, segundo informações divulgadas nesta quinta-feira, é que o ministro não siga a manifestação da PGR e mantenha no Supremo os dois inquéritos que estão sob sua relatoria. Mendonça considera que há elementos que justificariam a permanência dos casos na Corte, inclusive referências a autoridades detentoras de foro.

É justamente aí que a questão ganha dimensão política. Se a própria PGR entende que não há razão jurídica para que os inquéritos continuem no STF, a permanência deles na Corte exigirá uma justificativa especialmente sólida. Não basta a impressão de que um caso ganhou importância política: competência judicial precisa ser sustentada por fundamentos jurídicos claros e verificáveis.

O episódio também expõe uma contradição que merece atenção. De um lado, a PGR defende que os casos desçam para a primeira instância. De outro, Mendonça pode optar por mantê-los no tribunal. Se isso acontecer, a sociedade terá o direito de perguntar quais são exatamente os fundamentos que tornam o STF indispensável para conduzir essas investigações.

Os inquéritos apuram suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha, a lobista Roberta Luchsinger e negociações relacionadas a um projeto de medicamentos à base de canabidiol junto ao governo federal. Lulinha não foi indiciado e sua defesa nega irregularidades, além de questionar os vazamentos das investigações.

Portanto, é preciso separar investigação de condenação. Ser investigado não significa ser culpado. Mas, justamente por isso, o caminho mais importante é garantir uma apuração tecnicamente rigorosa, transparente e submetida ao juiz competente — sem privilégios, mas também sem perseguição.

Se Mendonça decidir manter os inquéritos no STF contra a posição da PGR, a decisão inevitavelmente será escrutinada. E quanto mais politicamente sensível for o caso, maior deve ser a transparência sobre os fundamentos jurídicos utilizados.

O Supremo não pode se transformar em palco de disputas políticas. Tampouco pode parecer que processos permanecem em determinada instância simplesmente porque isso interessa a algum lado. A Justiça precisa demonstrar, acima de tudo, que não escolhe seus caminhos de acordo com o personagem investigado.

No caso de Lulinha, portanto, a pergunta central não deveria ser se Mendonça está contra ou a favor de Lula. A pergunta é outra, muito mais simples e muito mais séria: qual é a razão jurídica para esses inquéritos permanecerem no STF se a PGR afirma que não existe foro privilegiado que justifique isso?

É essa resposta que Mendonça terá de apresentar. E quanto mais contundente for sua decisão de contrariar a PGR, mais contundente também precisará ser sua fundamentação.


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Flávio Bolsonaro diz que não tem mais nada a explicar sobre Dark Horse e Vorcaro — mas é justamente aí que a coisa aperta

Flávio Bolsonaro resolveu subir o tom e dizer que não tem mais nada a explicar sobre a relação com Daniel Vorcaro e o caso envolvendo o filme Dark Horse. Mas essa frase, em vez de colocar uma pedra no assunto, levanta uma pergunta simples que qualquer cidadão pode fazer: se está tudo explicado, por que ainda existem tantas perguntas sem resposta?

Tem que mostrar. Tem que provar. Tem que abrir os documentos.

O problema é que o episódio do Dark Horse não surgiu do nada. A relação de Flávio com Vorcaro já foi objeto de questionamentos e reportagens. E quando surgem versões diferentes sobre essa relação, a conversa deixa de ser apenas uma questão de narrativa política. Passa a ser uma questão de transparência.

É aquela velha história: quem não deve, não teme.

Se Flávio diz que está tudo certo, então que coloque as cartas na mesa. Quanto dinheiro foi envolvido? Quem pagou? Quem recebeu? Qual foi o acordo? Quem participou das negociações? Que documentos comprovam tudo isso? Qual foi exatamente o papel de Vorcaro?

São perguntas simples. E perguntas simples merecem respostas simples.

O que não dá é transformar uma investigação séria em um jogo de empurra-empurra, como se bastasse repetir que “não há mais nada a explicar” para que as dúvidas desaparecessem.

Não desaparecem.

Muito pelo contrário. Quanto mais se tenta fechar a porta, mais a sociedade quer saber o que existe do outro lado.

E há outro ponto que não pode ser ignorado: Flávio Bolsonaro é um homem público e pré-candidato à Presidência. Quem quer comandar o país precisa entender que transparência não é favor. É obrigação.

O cidadão comum, quando precisa prestar contas, não pode simplesmente dizer que “não tem mais nada a explicar”. Tem de apresentar documento, recibo, contrato, comprovante. Por que deveria ser diferente com um senador que pretende ocupar o Palácio do Planalto?

Por isso, a frase de Flávio pode até ter sido pensada para encerrar o assunto. Mas acabou produzindo o efeito contrário.

Porque, diante de tantas dúvidas, dizer “não tenho mais nada a explicar” soa menos como esclarecimento e mais como uma tentativa de mandar o assunto para debaixo do tapete.

Só que política não funciona assim.

Se está tudo limpo, mostre os documentos. Se está tudo explicado, responda às perguntas. E se não há nada a esconder, por que tanto esforço para encerrar a conversa?

No caso Dark Horse e Vorcaro, a sociedade não precisa de frases de efeito. Precisa de fatos.

E, enquanto eles não aparecem de forma clara e convincente, o silêncio continuará falando mais alto do que qualquer discurso de Flávio Bolsonaro.

Até porque, O senador Flávio Bolsonaro prometeu apresentar a prestação de contas detalhada do caso “Dark Horse” no dia 19 de maio de 2026, estipulando um prazo de até 30 dias que venceu em meados de junho. Ele achou por bem fazer molecagem com seu compromisso, anunciando que não tem mais nada a explicar, deixando claro que não tem como explicar a montanha de dinheiro que recebeu, seu áudio com Vorcaro e sua ida à casa dele.

Que conclusão se tira disso, senão que ele não tem explicar seus crimes.


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Nem os vazamentos contra Lulinha na mídia, nem a blindagem de Flávio Bolsonaro por um ministro do STF, empolgam os bolsonaristas

Há algo de revelador no momento político vivido pelo bolsonarismo: nem mesmo a munição que, em tese, deveria produzir uma explosão eleitoral está conseguindo incendiar sua militância. Os vazamentos envolvendo Lulinha ocupam manchetes, alimentam debates e já foram incorporados à disputa presidencial. Ainda assim, o entusiasmo esperado entre os bolsonaristas parece não aparecer na mesma proporção.

As mensagens atribuídas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, estão sendo investigadas pela Polícia Federal e pelo STF, e a divulgação do material provocou forte disputa política. A própria defesa questiona a divulgação parcial das conversas e afirma que os fatos precisam ser analisados dentro do devido processo.

O problema para a oposição é que transformar um episódio investigativo em combustível eleitoral exige muito mais do que manchetes. É preciso convencer o eleitor de que existe ali uma alternativa política capaz de representar mudança. E é justamente nesse ponto que a estratégia parece encontrar dificuldades.

Mais sintomático ainda é o caso de Flávio Bolsonaro. Mesmo diante de uma sucessão de episódios que poderiam, em tese, mobilizar sua base, sua candidatura continua enfrentando dificuldades para transformar exposição em entusiasmo. A própria imprensa tem registrado que a campanha enfrenta problemas políticos e que o caso Lulinha, embora possa desgastar Lula, não necessariamente produz uma transferência automática de votos para Flávio.

Isso desmonta uma fantasia recorrente do bolsonarismo: a de que qualquer desgaste de Lula representa automaticamente uma vitória de Flávio Bolsonaro.

Não representa.

O eleitor não é uma planilha em que cada denúncia contra um adversário se converte mecanicamente em um voto para o outro lado. O eleitor compara, desconfia, observa contradições e, sobretudo, pode rejeitar simultaneamente os dois polos quando percebe que a política está sendo reduzida a uma guerra permanente de acusações.

E há outro elemento que merece atenção: a tentativa de transformar o STF em personagem central da campanha. A narrativa de que Flávio estaria sendo “perseguido” ou, ao contrário, “blindado” por setores do Judiciário pode mobilizar a militância mais fiel, mas não necessariamente convence o eleitorado que decide a eleição.

É justamente aí que aparece a fragilidade da estratégia: muita guerra política, muito ruído e pouca capacidade de produzir esperança.

Enquanto os grupos políticos apostam em vazamentos, acusações, escândalos e disputas institucionais, uma parcela do eleitorado parece procurar respostas muito mais concretas: emprego, renda, segurança, saúde, educação, inflação e perspectiva de futuro.

O bolsonarismo pode continuar comemorando cada manchete negativa contra Lula. Pode continuar tratando cada decisão judicial como prova de perseguição ou proteção. Pode continuar tentando transformar Lulinha no centro da eleição. Mas existe uma diferença enorme entre produzir barulho nas redes e produzir entusiasmo eleitoral.

E essa diferença pode ser decisiva.

Se nem os ataques contra Lulinha conseguem incendiar a militância e nem as controvérsias envolvendo Flávio Bolsonaro conseguem consolidar sua candidatura, talvez o problema não esteja na falta de munição. Talvez esteja na falta de projeto, de credibilidade e de capacidade de convencer além da própria bolha.

No fim das contas, uma eleição presidencial não se ganha apenas derrotando o adversário no discurso. Ganha-se convencendo o eleitor de que existe um caminho melhor.

E, até aqui, o bolsonarismo parece ter muitas denúncias para explorar, muitos inimigos para atacar e muito pouco entusiasmo novo para oferecer.

A impressão que se tem é a de que a falta de empolgação dos bolsonaristas com Flavio vai muito além do seu modorrento bate-estaca que não apresenta qualquer projeto para o país.

A blindagem do assunto Dark Horse e o vazamento seletivo contra Lulinha que, até então, não configura crime, parece que criou um grande constrangimento até mesmo oara os bolsonaristas mais fabáticos.


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Política

Vorcaro tenta aproximação com Mendonça enquanto investigação sobre Flávio Bolsonaro pode culminar em indiciamento

A movimentação de Daniel Vorcaro para tentar uma nova aproximação com o ministro André Mendonça ocorre justamente quando a investigação sobre os repasses ligados ao filme Dark Horse entra em uma fase decisiva. O caso ganhou dimensão ainda maior porque a Polícia Federal apura se os recursos destinados à produção da cinebiografia de Jair Bolsonaro foram utilizados de acordo com a finalidade apresentada e qual foi, efetivamente, o papel de Flávio Bolsonaro nessa operação.

Mendonça autorizou, em julho, a abertura do inquérito que investiga os repasses de Vorcaro para o filme, seguindo manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República. A investigação busca esclarecer a origem, o destino e a utilização dos recursos, além das circunstâncias que envolveram as tratativas entre o empresário e Flávio.

É nesse contexto que uma tentativa de aproximação entre Vorcaro e o ministro chama atenção. Não se trata de antecipar culpa ou afirmar um resultado que ainda não existe, mas de reconhecer que qualquer movimento de um dos principais personagens da investigação, justamente quando a apuração se aproxima de uma conclusão, merece escrutínio público.

O ponto central é que a investigação não pode ser conduzida sob a lógica de conveniências políticas. Se existem elementos que apontem para irregularidades, eles precisam ser analisados tecnicamente e encaminhados às autoridades competentes. Se não existem, a conclusão também deve ser apresentada com a mesma transparência.

A situação é especialmente delicada porque Flávio Bolsonaro é candidato à Presidência e o caso Dark Horse já se tornou um dos pontos mais sensíveis de sua trajetória eleitoral. Mensagens divulgadas anteriormente mostraram o senador solicitando recursos a Vorcaro para o projeto do filme, e a própria PF ainda não havia concluído que não houve crime — informação que chegou a circular falsamente nas redes sociais.

Por isso, a reta final da investigação exige algo elementar: independência, rigor e publicidade dos fatos que puderem ser divulgados legalmente. Nem Vorcaro, nem Flávio Bolsonaro, nem qualquer autoridade envolvida pode estar acima da apuração.

Se o inquérito encontrar elementos suficientes para responsabilização, que eles sejam apresentados e submetidos ao devido processo legal. Se não encontrar, que isso também seja demonstrado de maneira inequívoca.

O que não pode acontecer é a investigação terminar cercada por dúvidas, suspeitas de favorecimento ou movimentos de bastidor. Quando estão em jogo dinheiro, poder político, um candidato à Presidência e um dos maiores escândalos financeiros sob investigação no país, a sociedade tem o direito de saber exatamente o que foi apurado — e por quê.


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