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Política

Quando a investigação vira espetáculo: a “pirotecnia” da Globo com Flávio Bolsonaro

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, reagiu com contundência ao que classificou como uma operação de “pirotecnia” e “cegueira deliberada” na cobertura envolvendo o filho do presidente Lula e a atuação política de Flávio Bolsonaro. A crítica coloca em discussão não apenas o conteúdo das reportagens, mas também a forma como determinados fatos são selecionados, apresentados e transformados em munição eleitoral.

O episódio ocorre em um momento particularmente sensível da corrida presidencial. Flávio Bolsonaro incorporou o caso Lulinha ao discurso de campanha e vem apostando no escândalo do INSS como uma das principais armas para atingir Lula. Seu plano de governo, inclusive, utiliza o episódio como instrumento de desgaste político do presidente.

É justamente aí que a expressão “dobradinha” ganha peso político. Quando uma investigação jornalística passa a alimentar, quase simultaneamente, a estratégia de um candidato, surge uma pergunta legítima: onde termina a apuração jornalística e começa a disputa política?

A imprensa tem, evidentemente, o dever de investigar e publicar fatos de interesse público. Lulinha é alvo de investigações da Polícia Federal, e as suspeitas que recaem sobre ele não podem ser simplesmente ignoradas. O próprio Lula, ao contrário de como agia Bolsonaem em relação aos filhos, afirmou que não pretende interferir nos inquéritos e que, se o filho tiver cometido algum crime, deverá responder por isso.

Mas o princípio deve valer para todos.

Se a cobrança por transparência é legítima em relação a Lulinha, ela precisa ser igualmente rigorosa quando o nome de Flávio Bolsonaro aparece associado a investigações. Não existe jornalismo independente quando determinados personagens são submetidos a uma lupa enquanto outros recebem uma cobertura muito mais complacente.

E esse é o ponto central da acusação de “cegueira deliberada”: não necessariamente negar fatos, mas olhar para alguns deles com uma intensidade desproporcional e deixar outros convenientemente fora do enquadramento.

A própria conjuntura torna essa seletividade ainda mais problemática. Enquanto a campanha de Flávio tenta transformar Lulinha em símbolo dos ataques contra Lula, o senador também aparece no noticiário por questões envolvendo o empresário Daniel Vorcaro. Segundo reportagem do UOL, a PF investiga a obtenção de R$ 61 milhões por Flávio a partir de um pedido de R$ 134 milhões feito ao empresário.

Não se trata de afirmar culpa de quem quer que seja. Investigar não é condenar. Suspeita não é prova. Denúncia não é sentença. Esse cuidado deveria ser obrigatório para qualquer veículo de comunicação, independentemente de quem esteja no centro da notícia.

O problema começa quando a cobertura deixa de oferecer ao público o conjunto do quadro e passa a funcionar como uma espécie de tribunal midiático seletivo, no qual alguns personagens são permanentemente colocados sob suspeita enquanto outros aparecem como protagonistas de uma narrativa política conveniente.

A expressão “pirotecnia”, portanto, é poderosa porque aponta para o risco de transformar fatos graves em espetáculo eleitoral. E, em ano de eleição, esse risco é ainda maior: manchetes podem se converter em propaganda, investigações podem ser instrumentalizadas e denúncias podem ser transformadas em slogans antes mesmo de qualquer conclusão judicial.

A sociedade brasileira não precisa de jornalismo que escolha mocinhos e vilões. Precisa de jornalismo que faça a mesma pergunta incômoda a todos.

Se há documentos, que sejam apresentados. Se há provas, que sejam examinadas. Se há suspeitas, que sejam investigadas. E se há silêncio, que ele também seja questionado — seja diante de Lulinha, seja diante de Flávio Bolsonaro.

Porque a credibilidade da imprensa não se mede pela contundência com que ela investiga seus adversários políticos. Mede-se pela coragem de fazer as mesmas perguntas quando elas atingem aqueles que, por conveniência eleitoral ou editorial, seria mais confortável preservar.

É exatamente nesse ponto que a crítica à “dobradinha” Globo-Flávio Bolsonaro precisa ser enfrentada: não com censura à imprensa, mas com mais jornalismo, mais contraditório e, sobretudo, menos seletividade.


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Política

Por que a mídia não cobra de Flávio Bolsonaro os documentos do Dark Horse, e de seu vice, o DNA?

Há perguntas que deveriam estar no centro de qualquer campanha presidencial. Não porque sejam convenientes para um lado político, mas porque dizem respeito à transparência que se espera de quem pretende comandar o país.

No caso de Flávio Bolsonaro, a pergunta é simples: onde estão os documentos que comprovem, de forma clara e verificável, a origem, a movimentação e a destinação dos recursos relacionados ao filme Dark Horse?

O próprio Flávio confirmou que procurou Daniel Vorcaro para tratar de financiamento do projeto. As conversas divulgadas indicaram a negociação de valores que poderiam chegar a R$ 134 milhões, enquanto reportagens apontaram o pagamento de R$ 61 milhões. Ao mesmo tempo, a produtora declarou que o filme teria apenas investimentos estrangeiros e que os recursos de Vorcaro não teriam sido destinados à produção.

É justamente aí que a imprensa deveria apertar o cerco jornalístico: se não há nada a esconder, que apareçam os contratos, comprovantes, notas, registros bancários e documentos capazes de explicar o caminho do dinheiro.

Não basta dizer que se tratava de dinheiro privado. Dinheiro privado também precisa ter origem e destino identificáveis quando está relacionado a uma operação que envolve um candidato à Presidência, um banqueiro posteriormente envolvido em uma gigantesca crise financeira e um projeto que se tornou objeto de questionamentos eleitorais. O próprio TSE recebeu representação pedindo a apresentação de documentos relacionados ao financiamento, produção e exploração eleitoral de Dark Horse.

E há outra pergunta que não pode ser deixada de lado: por que o mesmo padrão de cobrança não é aplicado ao vice de Flávio Bolsonaro?

Se existem questionamentos públicos sobre a trajetória e os episódios envolvendo o escolhido para compor a chapa, o eleitor tem direito a respostas documentadas. Não se trata de condenar ninguém antecipadamente. Trata-se exatamente do contrário: de permitir que os fatos sejam esclarecidos antes que o eleitor seja chamado a votar.

Uma imprensa verdadeiramente vigilante não pode funcionar pelo princípio de dois pesos e duas medidas. Se exige documentos, explicações e transparência de um candidato, deve exigir o mesmo do outro — especialmente quando se trata de uma chapa presidencial.

O problema, portanto, não é apenas o que Flávio Bolsonaro diz. É aquilo que ainda precisa ser demonstrado documentalmente.

A democracia não pode ser abastecida apenas por versões de campanha. Precisa de provas, documentos e transparência.

E a pergunta continua de pé: se está tudo explicado, por que não colocar os documentos sobre a mesa?

O eleitor não deveria precisar escolher entre versões. Deveria poder conferir os fatos.


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Política

Vídeo: Vice de Flávio é cortado durante discurso e vira piada nas redes: “Despreparado”

O episódio expôs, de maneira constrangedora, a fragilidade política que acompanha a pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Durante um discurso, seu vice foi interrompido e cortado, numa cena que rapidamente deixou de ser um detalhe de palanque para se transformar em combustível para as redes sociais.

A reação foi imediata. Usuários ironizaram o desempenho do vice e questionaram sua capacidade de sustentar um discurso político minimamente consistente. O rótulo de “despreparado” ganhou força justamente porque a cena passou a simbolizar, para os críticos, uma campanha que ainda não conseguiu demonstrar organização, conteúdo e capacidade de mobilização.

Mais do que o constrangimento de alguns minutos diante do público, o episódio revela um problema maior: campanha eleitoral não se sustenta apenas no sobrenome Bolsonaro, em ataques à esquerda ou na exploração da polarização. É preciso apresentar projeto, domínio dos temas nacionais e, sobretudo, capacidade política para convencer além do eleitorado já convertido.

Quando o próprio palanque parece não conseguir administrar o discurso de seus integrantes, a imagem transmitida é de improviso. E improviso, em uma disputa presidencial, pode custar caro.

Nas redes, a cena virou piada. Politicamente, porém, deveria servir de alerta. Se a campanha de Flávio Bolsonaro pretende se apresentar como alternativa para governar o país, terá de provar que possui mais do que herança familiar, slogans e uma máquina de redes sociais. Terá de demonstrar preparo.

E, até aqui, episódios como esse alimentam exatamente a impressão contrária.


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Política

Flávio Bolsonaro discursa para o vazio: além do pai, quem ainda se empolga?

Flávio Bolsonaro pode até ter herdado do pai o sobrenome, o discurso de confronto e a retórica contra o Supremo Tribunal Federal, mas ainda não conseguiu herdar aquilo que mais importa na política: capacidade própria de mobilização. Seu discurso parece falar para um público cada vez mais restrito, no qual a empolgação genuína dá lugar à repetição de velhos slogans e à nostalgia do bolsonarismo original.

O lançamento da campanha em Copacabana foi emblemático. Justamente no território onde Jair Bolsonaro construiu alguns de seus maiores atos políticos, Flávio precisou recorrer à voz e à imagem do próprio pai para dar peso ao palanque. Jair, ausente fisicamente, acabou sendo o personagem central do evento.

E essa talvez seja a maior fragilidade da candidatura: Flávio tenta apresentar-se como sucessor, mas ainda não demonstra ter se tornado liderança por conta própria. Em vez de construir uma identidade política capaz de mobilizar além do núcleo mais fiel do bolsonarismo, continua orbitando a figura paterna, como se sua candidatura dependesse permanentemente da autorização simbólica de Jair Bolsonaro.

O problema é que discurso não se transforma automaticamente em liderança. Repetir ataques a Lula, ao STF e ao chamado “sistema” pode manter a chama acesa entre os já convertidos, mas não necessariamente conquista quem está fora da bolha. O próprio ato de lançamento foi descrito como mais esvaziado do que grandes mobilizações realizadas anteriormente por Jair Bolsonaro.

Flávio também aposta fortemente no enfrentamento ao Supremo. Mas, quando a principal bandeira de uma candidatura presidencial passa a ser o ataque permanente às instituições, surge uma pergunta inevitável: qual é o projeto de país que sobra quando se retiram o pai, o STF e o antipetismo?

Até aqui, a resposta parece pouco convincente.

Há, evidentemente, uma parcela do eleitorado que permanece mobilizada. Mas transformar essa parcela em maioria nacional exige muito mais do que reproduzir o repertório político que Bolsonaro pai construiu durante anos. Exige capacidade de dialogar com quem não vive de guerra política permanente, com quem está preocupado com emprego, renda, saúde, educação, segurança e custo de vida.

É justamente aí que o discurso de Flávio parece encontrar seu limite.

Ele fala alto, mas não necessariamente fala para muitos. E uma eleição presidencial não se vence apenas com a militância mais fiel, muito menos com a aprovação do próprio pai ou com a simpatia de setores do campo conservador e de integrantes do mundo institucional. É preciso conquistar o eleitor que não tem compromisso com sobrenomes políticos.

A campanha ainda está no começo, é verdade. Mas os primeiros sinais já deixam uma questão incômoda para o bolsonarismo: Flávio Bolsonaro conseguirá ser candidato de si mesmo ou continuará sendo apenas a extensão eleitoral de Jair Bolsonaro?

Porque, se para empolgar uma multidão é necessário evocar constantemente o pai, talvez a candidatura ainda não tenha encontrado sua própria voz.

E, por enquanto, parece que os entusiasmados com o discurso de Flávio cabem numa lista bastante curta: seu pai, seus aliados mais fiéis e, pelo menos no imaginário bolsonarista, algum ministro do STF transformado em antagonista de ocasião.

O eleitorado brasileiro, porém, é muito maior do que essa plateia.


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Cotidiano

Morre Gloria Menezes aos 91 anos

Glória Menezes, uma vida dedicada à arte e um legado que atravessa gerações

A dramaturgia brasileira perde, nesta terça-feira (18), uma de suas maiores referências. Glória Menezes morreu aos 91 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro, encerrando uma trajetória artística de mais de seis décadas no teatro, no cinema e na televisão. A morte foi confirmada pela família e pela assessoria da atriz.

Nascida em Pelotas (RS), em 1934, Glória Menezes começou sua trajetória artística ainda nos anos 1950 e rapidamente se tornou uma das protagonistas da transformação da dramaturgia brasileira. Na televisão, foi pioneira ao protagonizar, ao lado de Tarcísio Meira, a primeira novela diária brasileira, “2-5499 Ocupado”, em 1963.

Sua carreira foi marcada por uma impressionante versatilidade. Glória transitou do drama à comédia, da mocinha à vilã, construindo personagens que permanecem na memória afetiva do público. Em mais de 40 novelas, participou de produções que se tornaram clássicos, como “Irmãos Coragem”, “Pai Herói”, “Guerra dos Sexos”, “Rainha da Sucata”, “A Próxima Vítima”, “Torre de Babel”, “Senhora do Destino” e “A Favorita”.

Entre seus trabalhos mais emblemáticos está Laurinha Figueroa, de “Rainha da Sucata”, personagem que mostrou sua extraordinária capacidade para a comédia e para a composição de tipos populares. Também brilhou em papéis dramáticos, revelando uma atriz capaz de reinventar-se continuamente sem jamais perder sua identidade artística.

No cinema, sua importância não foi menor. Glória participou de “O Pagador de Promessas”, filme dirigido por Anselmo Duarte que conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes, em 1962.

Ao lado de Tarcísio Meira, com quem foi casada por 59 anos, Glória também protagonizou uma das mais conhecidas histórias de amor da televisão brasileira. Os dois formaram uma parceria artística e afetiva que atravessou décadas e se tornou parte da própria memória da televisão nacional.

Mais do que a quantidade de trabalhos, porém, o tamanho de seu legado está na influência que exerceu sobre a dramaturgia. Glória ajudou a consolidar uma forma mais naturalista de interpretação na televisão brasileira, afastando-se de uma atuação excessivamente teatralizada e contribuindo para aproximar personagens e público.

Seu último trabalho em novelas foi “Totalmente Demais”, em 2015. Depois, manteve uma vida mais reservada, embora continuasse sendo lembrada e homenageada por colegas e admiradores. Em 2025, foi celebrada no programa “Tributo”, reafirmando a dimensão de uma carreira que já havia ultrapassado gerações.

A partida de Glória Menezes deixa um vazio impossível de preencher. Mas também deixa algo maior: personagens inesquecíveis, interpretações que resistiram ao tempo e uma contribuição definitiva para a cultura brasileira.

Glória não foi apenas uma atriz de televisão. Foi parte da história da dramaturgia brasileira. Sua voz, seus gestos, suas personagens e sua maneira singular de interpretar permanecerão vivos enquanto o público continuar revisitando as histórias que ela ajudou a transformar em memória.

A televisão perde uma de suas grandes damas. O Brasil, porém, ganha a permanência de uma obra que não termina com a morte de sua intérprete. Glória Menezes deixa a cena, mas permanece no imaginário de gerações.


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Política

O maior cabo eleitoral de Flávio Bolsonaro depois do pai é o ministro “terrivelmente evangélico”

Se Jair Bolsonaro continua sendo o principal fiador político de Flávio Bolsonaro, há um personagem que, pelo peso institucional de suas decisões e pela visibilidade que ganhou no cenário eleitoral, passou a ocupar um espaço cada vez mais incômodo nessa equação: o ministro André Mendonça, o magistrado que chegou ao Supremo indicado por Bolsonaro sob a célebre promessa de ser “terrivelmente evangélico”.

A relação entre Mendonça e o universo bolsonarista não é uma invenção retórica. Ele foi indicado ao STF por Jair Bolsonaro em 2021 e mantém proximidade conhecida com Michelle Bolsonaro. Ao mesmo tempo, tornou-se relator de investigações envolvendo o caso Master e fatos relacionados a Flávio Bolsonaro. A própria imprensa tem destacado o peso político que suas decisões podem adquirir durante a campanha eleitoral.

É justamente aí que está o ponto central da questão: quando um ministro do Supremo passa a ocupar uma posição capaz de produzir decisões com impacto direto sobre a disputa eleitoral, cada despacho ganha uma dimensão que ultrapassa os autos.

Não se trata de afirmar que Mendonça esteja agindo para beneficiar Flávio. O próprio ministro afirma que suas decisões serão baseadas nas evidências apresentadas pela Polícia Federal e que não permitirá que preferências políticas interfiram em sua atuação.

Mas política também é percepção. E, numa eleição tão polarizada, a percepção de independência é tão importante quanto a independência propriamente dita.

O problema se torna ainda mais delicado porque Flávio enfrenta questionamentos relacionados à sua relação com Daniel Vorcaro e aos R$ 61 milhões destinados à produção do filme “Dark Horse”. Flávio nega irregularidades e afirma que sua relação com Vorcaro esteve ligada à busca de recursos para o projeto cinematográfico.

Nesse ambiente, qualquer decisão judicial envolvendo o candidato pode repercutir como um terremoto político.

Por isso, a cobrança precisa ser objetiva: Mendonça não tem que provar que é contra Flávio Bolsonaro. Tem que provar, a cada decisão, que não é a favor dele.

E essa diferença é fundamental.

A Justiça não pode ser percebida como instrumento de proteção de aliados, tampouco como arma contra adversários. Um ministro do STF não é cabo eleitoral de candidato algum. Sua única obrigação é com a Constituição, com as provas e com a imparcialidade.

Se Flávio Bolsonaro pretende disputar a Presidência apresentando-se como herdeiro político do pai, precisa responder politicamente pelos próprios atos. E se André Mendonça ocupa a cadeira que Bolsonaro lhe entregou, precisa demonstrar institucionalmente que a toga não veio acompanhada de compromisso político com a família que o indicou.

No fim das contas, a questão é simples e contundente: quanto maior o poder de uma decisão judicial sobre uma candidatura, maior precisa ser a transparência sobre os critérios que a fundamentam.

Porque, numa democracia, nenhum candidato pode ter como cabo eleitoral o poder da caneta de um ministro do Supremo.


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Política

As ruas estão refletindo algo bem diferente do que dizem as pesquisas sobre Flávio Bolsonaro

Há uma diferença cada vez mais evidente entre o que algumas pesquisas apontam sobre Flávio Bolsonaro e aquilo que se vê nas ruas. Enquanto os números tentam sustentar a ideia de uma candidatura competitiva, a realidade dos atos políticos parece revelar um cenário muito menos confortável — marcado por esvaziamento, baixa mobilização e dificuldade para transformar apoio virtual ou eleitoral em presença concreta.

Política se faz também com gente. E gente nas ruas. É justamente aí que a candidatura de Flávio Bolsonaro parece encontrar um de seus maiores problemas. Quando um candidato precisa recorrer a discursos inflamados, às redes sociais e à máquina bolsonarista para tentar produzir a sensação de força, mas não consegue levar multidões para seus atos, há algo que merece ser observado com atenção.

As ruas não fazem pesquisa eleitoral, mas podem oferecer um termômetro importante do grau de entusiasmo de uma candidatura. E o que esse termômetro vem mostrando não combina com a imagem de força que determinados levantamentos tentam projetar.

O bolsonarismo continua tendo um núcleo fiel e barulhento, ninguém ignora isso. O problema é outro: transformar esse núcleo em uma maioria capaz de sustentar uma candidatura presidencial. Entre a bolha digital e a realidade das ruas existe um abismo — e Flávio Bolsonaro parece estar descobrindo isso da maneira mais incômoda.

A pergunta, portanto, não é apenas quantos eleitores dizem preferir Flávio numa pesquisa. É quantos estão dispostos a sair de casa, ocupar as ruas, participar de atos e defender publicamente sua candidatura.

Porque eleição não se ganha apenas com números em tabelas ou hashtags nas redes sociais. Ganha-se com votos, mas também com capacidade de mobilização, presença política e conexão real com a sociedade.

E, se as ruas continuarem falando uma língua tão diferente daquela apresentada pelas pesquisas, talvez seja hora de perguntar se a candidatura de Flávio Bolsonaro é realmente tão forte quanto seus aliados querem fazer parecer — ou se estamos diante de mais uma bolha política prestes a perder altitude.


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Política

Vídeo – Flopou novamente: ato de Flávio Bolsonaro em Minas expõe fracasso da campanha

Se a estratégia de Flávio Bolsonaro era transformar Minas Gerais em uma demonstração de força eleitoral, o resultado passou longe disso. O ato realizado em Belo Horizonte, nesta segunda-feira (17), voltou a expor a dificuldade da candidatura em produzir mobilização popular compatível com a dimensão do projeto presidencial.

Depois de uma largada em Copacabana marcada por público muito inferior aos grandes atos que consagraram Jair Bolsonaro naquele mesmo território político, Flávio chegou a Minas precisando mostrar que não depende apenas do sobrenome. E encontrou, novamente, uma realidade incômoda: discurso inflamado, promessas radicais e referências permanentes ao pai não parecem suficientes para transformar a candidatura em fenômeno de massas.

O contraste é particularmente significativo porque Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país e historicamente ocupa posição estratégica nas eleições presidenciais. Ainda assim, o candidato precisou apostar no apoio de lideranças locais e até fazer acenos a Cleitinho, que lidera as pesquisas para o governo estadual.

O problema, portanto, não é apenas o tamanho de um ato. É o que ele simboliza. Uma campanha que pretende se apresentar como herdeira de uma força política capaz de mobilizar multidões começa encontrando dificuldades para reproduzir justamente aquilo que marcou o bolsonarismo: a capacidade de colocar grandes contingentes nas ruas.

Flávio tenta vestir a camisa do pai, repetir seus símbolos, seus discursos e até percorrer os mesmos lugares emblemáticos. Mas eleição não se ganha apenas por herança. É preciso demonstrar força própria.

E, até aqui, o que aparece nas ruas é justamente o contrário: muita propaganda, muita retórica e pouca gente.

Se em Copacabana o desempenho já havia acendido o sinal amarelo, o episódio de Minas reforça a impressão de que a candidatura de Flávio ainda não encontrou o caminho para transformar o capital político herdado da família Bolsonaro em mobilização eleitoral própria.

Flopou novamente. E, desta vez, no coração de um dos estados mais importantes para qualquer projeto presidencial.


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Política

Até quando André Mendonça fará ouvidos moucos para a relação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro?

Até quando o ministro André Mendonça pretende fazer ouvidos moucos diante das conexões que vêm sendo reveladas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master? A pergunta deixou de ser retórica. Ela se tornou uma questão de transparência, de isenção e, sobretudo, de respeito ao princípio de que a Justiça deve tratar todos os envolvidos sob os mesmos critérios.

Flávio Bolsonaro admitiu ter procurado Vorcaro em busca de recursos para financiar o filme Dark Horse, produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. A partir daí, a relação entre o senador e o banqueiro passou a integrar o radar das investigações. O próprio Mendonça já autorizou a abertura de inquérito para apurar os repasses relacionados ao filme.

Então, a pergunta inevitável é: se existem elementos suficientes para investigar o dinheiro que teria circulado nessa relação, por que não aprofundar todas as conexões entre Flávio, Vorcaro e o universo do Banco Master?

Não se trata de condenar ninguém antecipadamente. Trata-se exatamente do contrário: de investigar com rigor, sem blindagens, sem privilégios e sem dois pesos e duas medidas. Se a relação foi absolutamente regular, que as investigações demonstrem isso. Se houve irregularidade, que os responsáveis respondam por ela.

O problema é que, quanto mais surgem informações sobre o caso Master e sobre a proximidade entre personagens desse universo, maior fica a necessidade de esclarecimentos públicos. Vorcaro continua no centro de uma investigação de enorme gravidade e, segundo seu novo advogado, manifesta disposição para colaborar novamente com a Justiça.

E é justamente nesse cenário que o silêncio ou a demora em esclarecer determinadas conexões se torna politicamente incômodo. A Justiça não pode parecer seletiva. Muito menos quando o investigado ocupa posição de destaque na disputa presidencial e quando as relações financeiras em questão envolvem um dos maiores escândalos bancários sob investigação no país.

André Mendonça tem afirmado que o Judiciário deve exercer autocontenção e evitar a politização de investigações sensíveis, inclusive no caso Banco Master. Pois bem: nada seria mais coerente com esse discurso do que permitir que os fatos sejam apurados até o fim, doa a quem doer.

Não cabe ao STF proteger políticos. Cabe ao STF garantir que ninguém esteja acima da investigação.

Se Flávio Bolsonaro não tem nada a esconder, que apresente documentos, esclareça contratos, explique os recursos e deixe que a investigação siga seu curso. E se existem outras pontas dessa relação com Vorcaro, elas precisam ser examinadas.

Porque, em uma democracia, a pergunta que deve ser feita não é “quem está sendo investigado?”, mas sim “por que determinado vínculo ainda não foi completamente esclarecido?”

E essa pergunta, cada vez mais, chega à porta do ministro André Mendonça.


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Política

Lançamento da campanha de Lula: foi bonita aquela festa, pá

Foi bonita aquela festa, pá. E não apenas pela força das imagens, pela energia da militância ou pelo entusiasmo de quem compareceu ao lançamento da campanha de Lula. Foi bonita porque revelou, mais uma vez, a diferença entre um projeto político que pretende governar o Brasil e uma oposição que parece cada vez mais prisioneira de seus próprios fantasmas.

O lançamento da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva teve o simbolismo de quem entra em uma disputa eleitoral carregando não apenas uma candidatura, mas uma trajetória política. Lula chega ao palco com o peso de uma história conhecida pelos brasileiros, com realizações de seus governos e com a disposição de transformar a eleição em um debate sobre o futuro do país.

E há algo especialmente significativo nessa festa: a política voltou a ocupar o lugar da política. Em vez de transformar a eleição em um desfile de ressentimentos, ameaças, teorias conspiratórias e ataques permanentes às instituições, Lula aposta no discurso, na mobilização e na ideia de que governar exige apresentar caminhos concretos para o Brasil.

A diferença não poderia ser mais evidente.

De um lado, uma candidatura que procura falar de emprego, renda, desenvolvimento, soberania, democracia e melhoria das condições de vida da população. Do outro, uma direita que continua orbitando em torno do bolsonarismo, tentando transformar a eleição presidencial em uma espécie de plebiscito permanente sobre Jair Bolsonaro, Donald Trump, STF, guerra cultural e inimigos imaginários.

A festa de Lula incomoda justamente porque demonstra que existe vida política além do bolsonarismo.

E talvez seja esse o ponto que mais assuste seus adversários. O campo progressista não precisa importar um salvador estrangeiro, não precisa pedir autorização a Washington para defender seus interesses e não precisa transformar a política brasileira em uma guerra de símbolos. Precisa falar com o povo brasileiro.

O lançamento também deixa uma mensagem importante: eleição se ganha com voto, mas antes disso se ganha com capacidade de dialogar com a sociedade. Não basta produzir vídeos para redes sociais, fabricar inimigos ou repetir palavras de ordem. É preciso convencer milhões de brasileiros de que existe um projeto capaz de melhorar suas vidas.

Por isso, foi bonita aquela festa, pá.

Bonita porque havia gente celebrando a democracia. Bonita porque havia esperança. Bonita porque havia política sem precisar recorrer ao ódio como combustível. E bonita, sobretudo, porque mostrou que, quando o debate eleitoral começa de verdade, o Brasil pode escolher entre projetos — e não simplesmente entre gritos, ameaças e submissões.

A campanha apenas começou. Mas a festa já deixou um recado aos adversários: Lula entrou na disputa para disputar o Brasil, não para pedir licença a ninguém.


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