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Pesquisa Atlas: Lula abre frente no 1º turno e Flávio Bolsonaro para de crescer

Novo levantamento mostra presidente ampliando vantagem na simulação principal por pequena margem. Disputa de 2º turno aponta empate técnico

nova pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada nesta terça-feira (28), traz uma interrupção na tendência de aproximação que vinha sendo registrada nos meses anteriores do levantamento em relação à disputa no primeiro turno.

Enquanto o presidente Lula voltou a oscilar positivamente no principal cenário estimulado, passando de 45,9% para 46,6% em comparação com a pesquisa do instituto divulgada em março, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) parece ter batido no teto de seu eleitorado no momento, recuando de 40,1% para 39,7%.

Mais atrás, aparecem Renan Santos (Missão) com 5,3%, acima dos 4,4% de março, Ronaldo Caiado (PSD) com 3,3% e Romeu Zema (Novo) com 3,1%. Votos brancos, nulos e indecisos somam apenas 0,6%.

pesquisa Atlas

Em um segundo cenário de primeiro turno, com uma lista ampliada de candidatos, Lula mantém a liderança com 44,2%, seguido por Flávio Bolsonaro com 39,3%. Renan Santos marca 5,1%, Romeu Zema tem 3,5% e Ronaldo Caiado fica com 3,0%. Samara Martins (UP) e Ciro Gomes (PSDB) registram 2,0% e 1,3%, respectivamente.

pesquisa atlas 2

O instituto também testou um cenário de primeiro turno sem a presença de Lula, substituído pelo ministro Fernando Haddad (PT). Nessa simulação, há um empate técnico na liderança: Haddad marca 40,5% contra 39,2% de Flávio Bolsonaro. Renan Santos anota 5,8%, seguido por Zema (3,8%) e Caiado (3,6%). Neste quadro, brancos e nulos sobem para 4,8%.

pesquisa atals 3

Simulações de segundo turno na pesquisa Atlas
As projeções para um eventual segundo turno mostram uma disputa acirrada. No confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro, o senador do PL aparece numericamente à frente com 47,8%, contra 47,5% do atual presidente, configurando empate técnico.

Lula venceria em outros cenários testados. O presidente superaria Jair Bolsonaro (PL), inelegível e cumprindo pena em prisão domiciliar, por 48% a 46,8%, Romeu Zema por 47,4% a 46,5%, Ronaldo Caiado por 46,8% a 42,2% e Renan Santos por 47,1% a 23,5%.

Já nos cenários de segundo turno sem a participação de Lula, Flávio Bolsonaro venceria os eventuais adversários substitutos do presidente. O senador derrotaria Fernando Haddad por 48,1% a 44,3% e também superaria o vice-presidente Geraldo Alckmin por 47,5% a 45,9%.

Avaliação e aprovação do governo
Além dos cenários eleitorais, a pesquisa Atlas/Bloomberg mediu a percepção dos eleitores sobre a atual gestão. A avaliação do governo do presidente Lula manteve-se praticamente estável em relação ao mês de março. Atualmente, 42% dos entrevistados consideram o governo ótimo ou bom, mesmo patamar do levantamento anterior. Já a parcela que avalia a gestão como ruim ou péssima oscilou ligeiramente de 51% para 51,3%, enquanto 6,8% a consideram regular.

Quando questionados especificamente sobre o desempenho pessoal do presidente Lula, os números mostram um cenário dividido. Segundo o levantamento de abril, 52,5% dos eleitores desaprovam seu desempenho (eram 54% em março), contra 46,8% que o aprovam (eram 46% no mês anterior). Apenas 0,7% não souberam responder.

A pesquisa Atlas/Bloomberg ouviu 5.008 eleitores da população adulta brasileira entre os dias 22 e 27 de abril de 2026. O levantamento utilizou a metodologia de recrutamento digital aleatório (Atlas RDR) e a margem de erro é de um ponto percentual para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07992/2026. Forum.


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Política

Flávio Bolsonaro nega que escalaria irmãos como ministros e abre nova crise

Rumores na base bolsonarista colocam Carlos e Eduardo no centro e pressionam campanha

A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou uma nota à imprensa para desmentir rumores que circulavam entre apoiadores e em redes sociais sobre a possível nomeação de seus irmãos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), como ministros em um eventual governo.

No comunicado enviado ao ICL Notícias, a equipe de pré-campanha do parlamentar foi direta ao classificar as informações como falsas e sem qualquer fundamento. “As informações divulgadas não são verdadeiras. Não procedem as afirmações de que Carlos ou Eduardo Bolsonaro serão nomeados ministros em eventual governo. Trata-se de conteúdo inverídico, sem qualquer confirmação ou fundamento”, diz a nota.

Questionada pela reportagem sobre a existência de qualquer possibilidade de os irmãos ocuparem cargos ministeriais, a equipe foi categórica: “nenhuma”.

A pré-campanha também acrescenta que mantém “compromisso com a transparência e a correta informação dos fatos”, em uma tentativa de conter a disseminação do boato.

A necessidade de uma resposta pública mostra o alcance que a narrativa ganhou dentro do próprio campo bolsonarista. As especulações passaram a circular em grupos de apoiadores e perfis alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, alimentando a ideia de que um eventual governo de Flávio já teria espaço reservado para integrantes da família.

Conflito de informações
Segundo membros do PL ouvidos pela reportagem, os boatos teriam partido dos próprios irmãos, Eduardo e Carlos Bolsonaro, em uma tentativa de viabilizar seus nomes em um eventual governo de Flávio, caso seja eleito. A avaliação entre aliados é que o movimento acabou gerando desgaste antecipado e obrigou a campanha a agir para conter a narrativa.

O episódio expõe um ruído interno na comunicação política do bolsonarismo. Enquanto a base antecipa cenários e projeta um governo com forte presença familiar, a campanha tenta conter esse tipo de narrativa, considerada prejudicial para a construção de alianças e para a ampliação do eleitorado.

A inclusão de Eduardo e Carlos Bolsonaro em possíveis ministérios, ainda que apenas no campo da especulação, carrega desgaste político imediato. A percepção de um governo concentrado na família tende a afastar setores mais moderados e reforçar críticas recorrentes da oposição sobre personalismo e falta de institucionalidade.

A campanha busca evitar que a imagem de um eventual governo seja associada a uma estrutura familiar antes mesmo de qualquer definição política mais ampla, como alianças partidárias, composição de base e construção de programa.

O episódio também ocorre em um momento em que o bolsonarismo ainda tenta consolidar um nome competitivo para a disputa presidencial, diante da inelegibilidade de Jair Bolsonaro. Flávio tem sido apontado como uma das alternativas dentro do grupo, mas ainda enfrenta desafios para ampliar sua projeção nacional e consolidar apoios fora do núcleo mais fiel.

Nos bastidores, a avaliação de integrantes do partido é que o principal desafio de Flávio, tanto durante a campanha quanto em um eventual governo, pode vir de dentro de casa. A interferência da própria família, especialmente dos irmãos, é vista como um fator de risco político que a campanha tenta, desde já, neutralizar.

Nesse contexto, a circulação de boatos e a necessidade de desmenti-los publicamente reforçam a percepção de desorganização e disputa de narrativa dentro do próprio campo político.

*ICL


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Política

A cinco meses da eleição, pesquisas, se sérias, trazem a luz do momento

O fato concreto é que, criar expectativas quando nem a organização das campanhas eleitorais está pronta, se muito, as pesquisas trazem uma fotografia precipitada, porque é apenas do momento. Ou seja, não há justeza de valores. Talvez a próxima resposta para quem tem obsessão por pesquisas eleitorais, é a que afere os votos já consagrados, que, por conta de uma escolha definitiva, as pessoas colocam seus votos como certos em determinado candidato.

Aí nessa questão, Lula nada de braçada em relação aos outros candidatos. No caso da próxima eleição, por exemplo, Lula, nas suas intenções de voto, tem 76% sacramentadas, deixando uma margem de 24% que ainda podem ou não declinar da escolha.

Flavio Bolsonaro, por exemplo, tem como votos garantidos de seus eleitores, infinitamente menos, 39% e 61% podem mudar a escolha.

Ainda assim, a validade técnica disso é fugaz. Todos sabem que um voto pode ser mudado no portão de uma zona eleitoral, dependendo de fatores que possam estimular tal comportamento.

Por isso, vendo alguns chiliques, absolutamente precipitados, na eleição que ainda está na superfície com uma longa estrada de ferro pela frente, qualquer avaliação, agora, é especulação.


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Política

Submissão saudável: O clã Bolsonaro engole a pílula vermelha e quer as mulheres de joelhos no século XXI

“A Bíblia fala da submissão da esposa ao marido, mas é a submissão saudável” — Michelle Bolsonaro, novembro de 2025.

Em um país que registra mais de 1,5 mil assassinatos de mulheres por questões de gênero apenas em 2025, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o clã Bolsonaro continua a defender, com orgulho e em alto e bom som, a ideologia da “pílula vermelha” — aquela que, inspirada no filme Matrix, promete “acordar” os homens para a suposta opressão feminina e restaurar o domínio masculino absoluto. Misoginia disfarçada de tradição cristã. Machismo tóxico embalado em Bíblia. E o pior: pregado não só pelos homens da família, mas pelas próprias mulheres bolsonaristas, que transformam a submissão em bandeira política.

Heloísa Bolsonaro, esposa de Eduardo, já havia deixado claro o recado em 2022, mas o veneno continua circulando: “Não há mulher insubmissa e livre”. Para ela, casamento é submissão pura e simples. “Casamento é submissão. E é por isso que escolhi com quem eu me casei”, declarou em evento político, criticando o feminismo por “desvalorizar o lar” e exigindo “homem com testosterona, um homem masculino”. A mensagem é cristalina: mulher livre é ilusão. A verdadeira liberdade, segundo o evangelho bolsonarista, é abaixar a cabeça.

Damares Alves, ex-ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos — sim, a ironia é brutal —, repetiu a doutrina em audiência pública na Câmara: na concepção cristã, “o homem é o líder do casamento” e a mulher deve ser submissa. Não era opinião isolada. Era política de Estado.

E o retrocesso não parou. Em novembro de 2025, Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama e atual voz ativa do PL Mulher, subiu ao palco em evento em Londrina (PR) para defender abertamente a “submissão saudável” da mulher ao marido. “A Bíblia fala da submissão da esposa ao marido, mas é a submissão saudável”, disse ela, acrescentando que mulheres na política devem fazer “política colaborativa” e não competir com os homens. Colaborativa. Ou seja: auxiliar, nunca protagonista. Exatamente o que o movimento redpill prega mundo afora: o homem no topo, a mulher no suporte. Em pleno 2026.

Enquanto influenciadores da “machosfera” e canais redpill explodem nas redes, disseminando ódio contra o empoderamento feminino e associando-o ao “caos da sociedade moderna”, o clã Bolsonaro incorpora o discurso sem disfarce. O mais grave é que a grande mídia brasileira, tão rápida em pautar qualquer escândalo envolvendo a esquerda, tratou essas declarações com discrição cirúrgica — poucas manchetes de capa, pouca repercussão nacional, quase nenhum debate profundo sobre o significado real desse retrocesso misógino.

Mulheres bolsonaristas — esposas, ex-ministras, ex-primeiras-damas — vendem a submissão como virtude familiar e cristã. E o mais chocante: milhões de mulheres brasileiras continuam votando nessa corja maldita, entregando o próprio futuro a quem as quer de joelhos.

Não é conservadorismo. É regressão. Não é fé. É controle. No século XXI, com direitos conquistados a duras penas, o bolsonarismo oferece às mulheres a “pílula vermelha” da servidão voluntária — e chama isso de salvação. O Brasil que avança, o Brasil das mulheres que lutam, das mães que criam sozinhas, das trabalhadoras que sustentam lares, merece mais do que esse culto ao machismo travestido de família tradicional.

A submissão que eles vendem não é paz. É prisão. E enquanto o clã Bolsonaro a celebra, a violência contra a mulher sangra o país. Acordem — da pílula vermelha, dessa vez de verdade.


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Atlas: Crescem a aprovação e a avaliação positiva do governo Lula

Ao mesmo tempo em que cresce nas intenções de voto para a presidência, Lula recupera popularidade, mostra levantamento; confira

A nova pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta terça-feira (28) mostra uma melhora na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tanto na aprovação pessoal quanto na avaliação do governo, em comparação com a rodada anterior.

De acordo com o levantamento, a aprovação de Lula chegou a 46,8%, um avanço em relação aos 46% registrados na pesquisa anterior. Já a desaprovação recuou, saindo de aproximadamente 54% para 52,5%.

Veja a série histórica:

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A avaliação do governo segue a mesma trajetória. O percentual de brasileiros que consideram a gestão positiva atingiu 42%, acima dos 41% da rodada anterior, indicando crescimento gradual e sustentado na percepção favorável. Outros 6,8% avaliam como regular ou não opinaram.

Crescimento simultâneo reforça recuperação
A comparação direta entre as duas rodadas evidencia um dado politicamente relevante: tanto a figura do presidente quanto a avaliação do governo avançaram ao mesmo tempo — um sinal mais robusto de recuperação de imagem.

Lula cresce na corrida à presidência
As projeções para um eventual segundo turno mostram uma disputa acirrada. No confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro, o senador do PL aparece numericamente à frente com 47,8%, contra 47,5% do atual presidente, configurando empate técnico.

Lula venceria em outros cenários testados. O presidente superaria Jair Bolsonaro (PL), inelegível e cumprindo pena em prisão domiciliar, por 48% a 46,8%, Romeu Zema por 47,4% a 46,5%, Ronaldo Caiado por 46,8% a 42,2% e Renan Santos por 47,1% a 23,5%.

Já nos cenários de segundo turno sem a participação de Lula, Flávio Bolsonaro venceria os eventuais adversários substitutos do presidente. O senador derrotaria Fernando Haddad por 48,1% a 44,3% e também superaria o vice-presidente Geraldo Alckmin por 47,5% a 45,9%.

A pesquisa foi realizada entre 22 e 27 de abril de 2026, com 5.008 entrevistados, margem de erro de ±1 ponto percentual e nível de confiança de 95%. Forum.


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Política

Lula anuncia R$ 909 milhões para reforma agrária e agricultura familiar

Pacote inclui crédito para produção de leite, desapropriações, assistência técnica e primeira agroindústria de leite em pó em cooperativa de assentados em SP

O governo Lula anunciou nesta segunda-feira (27), em Andradina (SP), um pacote superior a R$ 909 milhões em medidas estruturantes para a reforma agrária e a agricultura familiar. Com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e da ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, as ações integram crédito rural subsidiado, desapropriações de terras, assistência técnica, agroindustrialização e segurança alimentar. É o maior conjunto de investimentos no campo popular anunciado pelo governo em 2026.

A reforma agrária do século 21

As medidas anunciadas fazem parte do Programa Terra da Gente, criado em 2024 com o objetivo de ampliar o acesso à terra e estruturar uma reforma agrária produtiva e sustentável. Em três anos de governo, o programa já incluiu cerca de 230 mil famílias na reforma agrária, com a destinação de 27 mil lotes e a criação ou reconhecimento de 144 assentamentos em todo o país. Para garantir que essas famílias tenham condições reais de produzir, foram pagos mais de R$ 1,7 bilhão em crédito de instalação para aproximadamente 78 mil famílias assentadas — assegurando moradia, infraestrutura e início da atividade produtiva.

Nesta segunda, foram assinados dois novos decretos de desapropriação por interesse social. O primeiro abrange a Fazenda Sítio Boa Vista, em Americana (SP), com 103,45 hectares destinados a cerca de 70 famílias, onde será criado o Projeto de Desenvolvimento Sustentável Milton Santos. O segundo contempla a Fazenda Caraúbas, em Santa Quitéria (CE), com expressivos 3.130,91 hectares e potencial para beneficiar 48 famílias. Ambas as áreas serão incorporadas ao sistema nacional de assentamentos voltados à produção sustentável.

A ministra Fernanda Machiaveli traduziu em palavras o modelo de reforma agrária que o governo defende: “É uma reforma agrária que gera renda, que tem acesso a maquinários e implementos agrícolas, que produz bioinsumos, que faz restauro ambiental, que produz agrofloresta, que trabalha com a agroecologia, que estimula a transição agroecológica, que cuida dos nossos recursos naturais. Essa reforma agrária traz bem viver para o rural brasileiro, para o povo do campo, para os homens e mulheres que acordam debaixo de sol, debaixo de chuva e trabalham para produzir o alimento saudável que chega nas mesas do povo brasileiro.”

Pronaf Mais Leite: tecnologia para quem mais precisa

O maior investimento do pacote é o Pronaf Mais Leite: R$ 450 milhões em crédito rural subsidiado estruturados a partir do Programa Nacional de Transferência de Embriões da Agricultura Familiar, lançado no último Plano Safra. A iniciativa democratiza o acesso a uma tecnologia de melhoramento genético dos rebanhos que, até então, era um privilégio do agronegócio. Nesse sentido, a produção por animal pode saltar de uma média de 3 a 8 litros de leite por dia para patamares entre 15 e 30 litros — multiplicando a renda do pequeno produtor sem necessidade de expandir áreas de pasto.

O contexto justifica o investimento. O Brasil é um dos maiores produtores de leite do mundo, com cerca de 1,17 milhão de propriedades rurais dedicadas à atividade. Dessas, aproximadamente 950 mil pertencem à agricultura familiar, responsável por mais da metade da produção nacional. Como afirmou a ministra Machiaveli, “o leite é uma cadeia produtiva constituída majoritariamente nas pequenas propriedades dos assentamentos da reforma agrária e nas propriedades da agricultura familiar.”

Para acessar o crédito, o produtor deve procurar sua cooperativa ou uma instituição financeira e elaborar o projeto de financiamento. As principais linhas disponíveis são o Pronaf Mais Alimentos, com juros de 3% ao ano e limite de até R$ 250 mil por produtor; o Pronaf A, voltado a assentados da reforma agrária, com juros de 0,5% ao ano e teto de R$ 50 mil; e o Pronaf B, direcionado a pequenos produtores de baixa renda, também com 0,5% ao ano e limite de R$ 12 mil. Para cooperativas, destacam-se o Pronaf Mais Alimentos — com até R$ 8 milhões a 3% — o InvestAgro–Renovagro, com até R$ 5 milhões a 8,5% ao ano, e uma nova linha de crédito do Pronaf voltada exclusivamente a cooperativas de leite, com R$ 150 milhões em recursos disponíveis.

A Coapar e o poder da luta coletiva

Um dos momentos mais carregados de significado político foi a assinatura do contrato de R$ 15 milhões entre o governo federal, o Banco do Brasil e a Coapar — Cooperativa de Produção, Industrialização e Comercialização Agropecuária dos Assentados e Agricultores Familiares da Região Noroeste do Estado de São Paulo. O investimento viabilizará a construção da primeira fábrica de leite em pó do estado, com capacidade para processar 25 mil litros de leite fluído por dia, substituindo a produção hoje terceirizada e agregando valor diretamente na cooperativa.

Alckmin celebrou o feito com entusiasmo: “Eu estive aqui há quatro anos e vi o quanto a Coapar cresceu, fabricando queijo, iogurte, manteiga e agora será a primeira fábrica a produzir leite em pó no nosso estado. A Coapar é um exemplo de sucesso. Aqui ficam duas lições: a do associativismo e a do cooperativismo.”

O vice-presidente da Coapar, Lourival Placido de Paula, lembrou as origens humildes e a força da resistência coletiva: “A Coapar é a resistência dos pequenos, daqueles que não têm nada. Todos em assentamento, para resistir contra os grandes e mostrar que unidos, juntos, podemos muito mais.”

O representante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Gilmar Mauro, foi direto ao situar historicamente aquele momento: “Se hoje estamos produzindo comida para o povo brasileiro, é sempre bom lembrar: tudo isso começou com a ocupação do latifúndio.”

Assistência técnica, leite solidário e crédito para assentados

O pacote vai além do crédito produtivo. O Ministério do Desenvolvimento Agrário, por meio da Anater, lançou um edital de R$ 28,5 milhões para Assistência Técnica e Extensão Rural voltada ao setor leiteiro, beneficiando diretamente 4.050 famílias em todo o território nacional. O programa está dividido em 27 lotes, cobrindo todos os estados e o Distrito Federal, com prazo de execução de 18 meses e prioridade para assentados da reforma agrária, comunidades tradicionais e pescadores artesanais.

Também foi anunciada a destinação de R$ 100 milhões em leite em pó adquirido via Programa de Aquisição de Alimentos para as Cozinhas Solidárias — conectando diretamente a produção da agricultura familiar às políticas de segurança alimentar nas periferias do país.

Para os assentados, foram liberados mais de R$ 155 milhões em créditos para mais de 9 mil beneficiários em todo o Brasil. Somente em São Paulo, R$ 24,5 milhões em créditos de fomento e habitação atenderão 794 famílias assentadas.

Oito décadas de crédito em três anos

Os números acumulados desde 2023 revelam a dimensão da transformação em curso. O Pronaf disponibilizou R$ 33,9 bilhões em financiamentos para a cadeia produtiva do leite, distribuídos em cerca de 777,7 mil operações — sendo R$ 20,2 bilhões para custeio da produção, R$ 12,6 bilhões para investimentos produtivos e cerca de R$ 1 bilhão para industrialização. Em relação ao período anterior, o volume de crédito para a atividade cresceu 81%.

Os anúncios desta segunda reafirmam, com números concretos, a aposta do governo Lula na integração entre acesso à terra, produção cooperativa, agroindustrialização e assistência técnica como pilares de soberania alimentar e desenvolvimento territorial. É a demonstração de que a reforma agrária do século 21 não se faz apenas com a distribuição de lotes — mas com tecnologia, crédito, cooperativismo e o compromisso de que o campo que alimenta o Brasil seja também o campo que prospera.

*com informações do Governo Federal/Vermelho


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Cultura Política

Batuque na cozinha, Sinhá não quer

É na batucada da vida que mora a alma profunda do Brasil, seja no samba, seja no choro.

Sob qualquer ângulo que se fale de Brasil, desde sua invenção colonial até os dias atuais, essa genial frase merece acato da história do Brasil real, não o oficial, como bem salientou Machado de Assis, definindo o Brasil oficial, institucional como caricato e burlesco.

Para ser mais preciso, o Brasil de cabeça colonizada, eurocêntrica e totalmente surdo para o clamor do próprio povo.

O que se observa é uma realidade nada discutida nas normas institucionais de cultura do Brasil, que é cópia da classe economicamente dominante desde sempre.

A profunda omissão desse filão de aspectos culturais, mas sobretudo políticos, já está familiarizado no cerne da nação. O brasileiro real jamais foi hesitante na hora de apresentar sua identidade política e cultural. Já para os dizedores dos conselhos nativos, os senhores doutores em cultura e política, a batucada é, por si, algo menor, que não deve frequentar os salões da casa grande em pleno 2026.

E não pensem que os senhores das cenzalas cafeeiras que ainda rondam o universo institucional no Brasil acham isso algo banal, não. Esse espírito escravocrata está aí pairando na nossa frente contra o fim da escala 6 x 1, mostrando a diferença profunda entre os que sempre exploraram, extorquiram, escravizaram e os brasileiros escravizados, tendo, lógico, a escravidão dos negros propriamente dita, a mais profunda indecência humana.

Por isso. até hoje, as cabeças colonizadas brasileiras, para se manterem sempre no topo da pirâmide social, não aceitam qualquer política de inclusão ou reparação num país de pouco mais de cinco séculos em que quatro deles viveu uma feroz escravidão dos negros.

As instituições brasileiras, políticas e culturais seguem à risca a cartilha das sinhás no que se refere aos baloartes da santíssima trindade da música popular brasileira, João da Baiana, Donga e Pixinguinha, formados na mais profunda e pura organização política e cultural do povo brasileiro.

Os três batutas eram tão batutas no samba quanto no choro, mostrando a precisa ligação orgânica entre esses dois grandes faróis da cultura brasileira, até porque, como disse o grande Mário de Andrade, em sua obra fundamental, o livro Ensaios sobre a Música Brasileira, Mario afirma “A música popular brasileira é a mais completa, mais totalmente naciona, mais forte criação da nossa raça até agora”.

Esse, que é um dos principais pontos de visão do grande guru sobre a formação política e cultural do Brasil real, parece que não foi lido ou totalmente esquecido pelo oficialato cultural, mas também político desse país.

A expressão o choro no mundo é tão forte e soberana, palavra muito em voga, acertadamente, pelo presidente Lula, nas duas linguagens que correm, por motivos fundamentais, encontra-se de corpo e alma em incontáveis clubes de choro, sobretudo na Europa e Ásia. Todos inspirados no Clube do Choro de Brasilia, presidido por um baloarte incansável da cultura brasileira, Henrique Lima Santos Filho (Reco do Bandolim) que, além de músico, compositor e arranjador de excelência, é um incansável guerreiro em defesa da soberania cultural.

Por isso, transformou-se numa inspiração mundo afora por sua absoluta dedicação e competência à frente da, hoje. maior representação institucional da música brasileira.

Então, fica difícil entender por que o choro, que trafega desde o universo erudito aos bucólicos rincões do Brasil, ter um tratamento tão morno para não dizer quase nulo de uma de suas maiores expressões musicais.

Uma arte tipicamente brasileira ser tratada de forma tão banal, quando não barrada nas instituições de cultura desse país, só revela que o Brasil de alma profunda, que criou uma música da mistura de três raças, ameríndia, lusitana e, sobretudo, africana, receba tal tratamento do mundo oficial.

E não é por falta de obras contemporâneas, nem o samba, nem o choro, desde suas codificações como estilos no seculo XIX, deixaram uma única lacuna geracional por falta de novas criações espetaculares e genuínas.

Fica difícil entender tal comportamento institucional, já que, no dia 23 de abril se comemora o Dia Nacional do Choro em homenagem ao nosso mestre maior, Alfredo da Rocha Vianna Filho (Pixinguinha).


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Roberto Justus: Lula é um líder genuíno, Bolsonaro é um lambão

Na realidade, Justus deixou claro que, mesmo com reticências ideológicas, as ações do governo Lula são republicanas, por ser Lula um grande líder.

Já Bolsonaro, guiado por seu temperamento bruto e golpista, recebeu de Justus a pecha de mau perdedor e de um lambão que fez uma série de bobagens durante seus quatro anos de mandato.

Não! Roberto Justus não mudou de bandeira, segue acreditando piamente no anacronismo neoliberal, mas enxerga em Lula alguém extremamente confiável no sentido literal, republicano, democrata.

Para quem acha que Bolsonaro nem besteira fez, porque, como um vagabundo que é que jamais trabalhou na vida e é um agitador barato, o que lhe custou a cassação no Exército, por ameaça de terrorismo dentro da própria instituição, as palavras de Justus podem soar lógicas, na medida em que a falta de caráter de Bolsonaro é algo indelével.

No entanto, essa realidade dita por um declarado opositor ideológico da esquerda, acaba por colocar luz de farol dentro do próprio campo liberal, sobretudo quando afirma que jamais votaria novamente em Bolsonaro.

Esse é um ponto perceptível até na Faria Lima contra Flavio, que tem como único projeto para o Brasil, livrar o pai da cadeia. Aliás, é essa receita de país que foi aprendida por Flavio com seu pai, de cor e salteado.


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Descabelando o palhaço: Mídia brasileira quer para o Brasil a mileirização e a falência da Argentina

Desde a chegada de Javier Milei ao poder, o fanfarrônico narcocapitalista detonou 22 mil empresas argentinas, outras 15 mil deram linha na pipa portenha, porque a Argentina, comandada por Milei, o “mito” do neoliberalismo cucaracho tranformou o país numa malária (nome dado à economia quebrada daquele país) e carne de burro virou prato de luxo num país cuja era de ouro era considerado o império dos filés bovinos.

Outros dados mostram por que a esmagadora maioria do povo argentino quer a cabeça de Milei. O desemprego não para de crescer e, mesmo em dupla jornada de trabalho, o argentino não vê sinal de refresco numa vida esmagada ou decapitada pela motossera do descabelado.

Quanto mais o argentino reza, mais assombração aparece.

Já no Brasil, a mídia implora por um efeito orloff para que a terrinha aqui reproduza a política de terra arrasada de Milei.

Na omilia dominical do Estadão, o pool de banqueiros que regem, no tranco, com mãos nada hábeis as marionetes do Banco Central privatizado por Bolsonaro, agora, de posse do jornalão escravocrata, para o bem da agiotagem nacional, exige que cá, como lá, o brasileiro sofra um arroxo neoliberal com suas mandíbulas de aço.

É desse sangue que espirra do povo triturado que os vampiros da multiplicação dos juros fazem a nata da papa fina multiplicar seus ganhos, fazendo inveja nos que comandam o suco gástrico dos abutres que engolem o povo argentino numa velocidade impressionante.


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