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Brasil ignora e não comparece à cúpula de Rubio contra ‘antifascistas’

Evento tem como meta criar aliança para combater ‘extrema esquerda’

O governo brasileiro decidiu não enviar ninguém para a cúpula que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, está organizando para criar uma aliança contra movimentos antifascistas e de esquerda considerados como “violentos”. Nos EUA, a Casa Branca passou a designar o grupo Antifa como parte do combate ao terrorismo e chegou a aplicar restrições de vistos contra ativistas estrangeiros que tenham relações com esse movimento.

Agora, sob a bandeira do combate ao terrorismo e a violência política, Donald Trump quer a criação de uma coalizão internacional e não descarta também designar o movimento Antifa como uma organização terrorista internacional. Para Rubio, os EUA irão desmontar “tijolo por tijolo” o movimento de esquerda.

Rubio indicou que 60 países foram convidados ao evento realizado nesta quinta-feira. Mas a comunicação ao Brasil só chegou na semana passada. O chanceler Mauro Vieira, com uma agenda em Brasília e recebendo autoridades estrangeiras, optou por não cancelar seus compromissos.

O Brasil, porém, avaliou as regras e metodologias de trabalho da cúpula para definir se iria designar algum representante para o evento. Mas a opção foi por não estar presente.

Nesta madrugada, Rubio ainda criticou o governo Lula e o “ego” do presidente.

O Palácio do Planalto considera que não deve participar de nada que tenha como alvo apenas uma parcela do que pode ser considerado como “terrorismo”.

Oficialmente, Washington fala em combater o “ressurgimento do terrorismo político” e os países convidados incluem o Hemisfério Ocidental, a Europa e a Ásia. Governos como o da Argentina e Índia foram convidados.

Mas, na abertura do evento, Rubio escancarou o motivo do evento. “Por tempo demais, nossa doutrina de contraterrorismo apresentou um ponto cego. Um ponto cego no que diz respeito à violência extremista proveniente da esquerda política”, disse.

Num dos trechos do discurso, o chefe da diplomacia dos EUA foi revelador sobre o que pensa da esquerda:

“Trata-se de um mal distinto e singular. Ele sempre foi impulsionado, acima de tudo, por um ódio à própria civilização. É uma revolta dos piores contra os melhores; dos fracos e covardes contra os fortes e bons. É perpetrado por aqueles que não sabem construir, criar ou realizar grandes feitos — e que se vingam do mundo por sua própria insuficiência ao tentar destruir aqueles que são capazes de fazê-lo. É isso que é a esquerda radical. Ela pode adotar diversos slogans e ideologias, dependendo do lugar e da época — anticapitalista, anti-imperialista, comunista, anarquista, marxista —, mas sua natureza fundamental permanece sempre a mesma. Trata-se de um ressentimento venenoso, disfarçado sob a linguagem da igualdade, da justiça e da libertação; uma necessidade avassaladora de derrubar o que homens grandiosos construíram, de arruinar o que é belo e correto, em nome de pessoas repletas apenas de feiura e que nada mais têm a oferecer ao mundo. Por meio da violência e do terror, buscam mais uma vez impor sua feiura a todos nós. O velho dogma estava errado. Nada disso é movido por “idealismo”. Não é algo “utópico” — muito pelo contrário, na verdade. Uma das críticas que se ouve ocasionalmente sobre o comunismo é: “Parece bom na teoria, mas nunca funciona na prática”. Mas isso não é verdade. Não parece bom nem na teoria. O mundo que ele idealiza para todos nós é pequeno, plano e cinzento — nivelado de modo a eliminar qualquer exceção, esvaziado de tudo o que há de bom e nobre na alma humana. É um mundo sem coragem, criatividade ou ambição; sem heróis, glória ou grandes causas pelas quais lutar. Sem milagres. Sem mitos. Sem homens que se elevam acima dos demais para realizar feitos incríveis e extraordinários. Sem Deus. Para esses arquitetos da violência revolucionária, as realizações monumentais de nossa civilização representam uma humilhação insuportável — um lembrete daquilo que eles são incapazes de fazer ou de ser.

A cúpula faz parte ainda da estratégia anunciada por Trump para o combate ao terrorismo e que, em maio, atualizou a doutrina dos EUA.

Um dos pontos principais do foco das agências de Washington são os “grupos políticos seculares e violentos cuja ideologia é antiamericana, radicalmente transgênero ou anarquista, como o Antifa”.

Ainda no ano passado, num evento, Trump colocou a esquerda como um risco à segurança nacional. “Deve ficar claro para todos os americanos que temos uma ameaça terrorista de esquerda muito séria em nosso país: radicais associados ao grupo terrorista doméstico Antifa”, disse.

“Outros extremistas de extrema-esquerda vêm realizando uma campanha de violência contra agentes do ICE e outras autoridades encarregadas de aplicar a lei federal”, continuou o presidente.

Na semana passada, ao celebrar os 250 anos dos EUA, Trump colocou o combate ao comunismo como um dos centros de sua ação.

A base para o evento é o Memorando de Segurança Nacional, de 25 de setembro de 2025. Seu nome: o Combate ao Terrorismo Doméstico e à Violência Política Organizada.

O documento cria uma estratégia nacional para investigar e desmantelar redes e organizações que fomentam violência política, intimidação violenta, conspirações contra direitos e outras perturbações à democracia, antes que resultem em “terrorismo doméstico” e “violência política organizada”.

Mas a diretriz se concentra particularmente em movimentos “antifascistas”, que, segundo ela, ameaçam os “princípios, a democracia e os direitos americanos”. O documento cita o exemplo da Antifa, entidade designada como organização terrorista doméstica por uma Ordem Executiva Presidencial dos EUA de 22 de setembro de 2025.

Segundo a Casa Branca, os grupos que incentivam essa “conduta violenta incluem antiamericanismo, anticapitalismo e anticristianismo; apoio à derrubada do governo dos Estados Unidos; extremismo em relação à migração, raça e gênero; e hostilidade contra aqueles que defendem visões americanas tradicionais sobre família, religião e moralidade”.

Num outro trecho, a Casa Branca estabelece uma Força-Tarefa Nacional Conjunta de Combate ao Terrorismo, com escritórios locais para coordenar e supervisionar a estratégia nacional.
A Força-Tarefa tem a incumbência de investigar potenciais crimes relacionados a atos de recrutamento ou radicalização de pessoas com o propósito de “violência política, terrorismo ou conspiração contra direitos”.

Por isso, a entidade recebeu o mandato para investigar financiadores dessas entidades, organizações não governamentais “com laços estreitos com governos estrangeiros, agentes, cidadãos, fundações ou redes de influência” que poderiam estar apoiando o que a Casa Branca passou a denominar como “terrorismo doméstico”.

O Memorando ainda dá o direito ao Secretário do Tesouro de identificar e desmantelar as redes que financiam essas entidades.

Como resultado da ofensiva, a Procuradoria-Geral dos EUA instruiu autoridades policiais federais sobre as prioridades de investigação, concentrando-se no risco de terrorismo doméstico e violência política, particularmente por parte de movimentos antifascistas e da Antifa e seus financiadores.

O que chama a atenção é que os documentos oficiais da Casa Branca fornecem uma lista detalhada de crimes federais que os investigadores devem priorizar, a maioria dos quais não envolve violência contra a pessoa.

“Muitos desses crimes estão associados ao policiamento de protestos, incluindo obstrução, resistência à prisão, crimes contra o patrimônio e piquetes ou desfiles com a intenção de obstruir a administração da justiça e atividades online, bem como crimes financeiros (por exemplo, fraude fiscal, postal ou eletrônica), conspiração e cumplicidade para capturar atividades de grupos”, alertou a carta enviada para o governo Trump.

A ordem também instrui o FBI a “compilar uma lista de grupos ou entidades envolvidas em atos que possam constituir terrorismo doméstico” e a fornecê-la ao Procurador-Geral.

*Jamil Chade/ICL


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Mundo

Vídeo: Trump tenta roubar a cena na comemoração da Espanha e causa vexame na entrega da taça

A conquista da Copa do Mundo pela Espanha acabou dividindo os holofotes com uma atitude inesperada do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Após participar da cerimônia de entrega das medalhas e do troféu aos campeões, Trump se recusou a deixar o palco principal e permaneceu ao lado dos jogadores espanhóis durante parte da comemoração, contrariando o protocolo tradicional adotado pela FIFA.

O episódio ocorreu logo após o capitão da seleção espanhola erguer a taça diante de milhares de torcedores presentes no estádio e de milhões de espectadores ao redor do mundo. Enquanto dirigentes e autoridades normalmente se retiram para permitir que os atletas celebrem sozinhos o momento histórico, Trump continuou no centro da festa, aparecendo em diversas imagens da comemoração oficial.

A situação gerou desconforto visível entre alguns participantes da cerimônia. Registros da transmissão mostraram o presidente da FIFA, Gianni Infantino, tentando conduzir as autoridades para fora do palco, mas Trump permaneceu no local por mais tempo do que o previsto. Nas redes sociais, o comportamento rapidamente se tornou assunto global, com usuários acusando o presidente norte-americano de tentar transformar a celebração esportiva em um ato de promoção pessoal.

Críticos afirmaram que a atitude acabou desviando parte da atenção que deveria estar concentrada exclusivamente nos jogadores espanhóis, responsáveis pela conquista do título mundial. Comentários publicados por jornalistas e torcedores classificaram a cena como inadequada e incompatível com o protocolo de grandes eventos esportivos internacionais.

Aliados de Trump, por outro lado, minimizaram a repercussão e afirmaram que sua permanência no palco ocorreu de forma espontânea, em meio à euforia da comemoração. Mesmo assim, as imagens do momento dominaram o noticiário esportivo e político nas horas seguintes à final.

A Espanha, que conquistou o título após uma campanha consistente ao longo do torneio, esperava encerrar a competição com os holofotes voltados exclusivamente para seus atletas. No entanto, a atitude do presidente norte-americano acabou se transformando em um dos episódios mais comentados da cerimônia de encerramento da Copa do Mundo.

https://twitter.com/i/status/2078999586966761490


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Política

Estou me deliciando

Outro dia me perguntaram o que eu achava da situação atual da família Bolsonaro. A pergunta veio com aquele tom de quem já antecipa a resposta e espera uma indignação previsível. Respondi sem hesitar:

— Estou me deliciando.

Eles não entenderam de imediato. Mas a imagem que me veio à mente foi cristalina: Flávio Bolsonaro sem camisa, ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, apontado pela Polícia Federal como chefe de milícia privada e operador de esquemas de intimidação ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro. Os dois, em um deck de piscina do Hotel Fasano, em Ipanema. A foto foi submetida a verificações técnicas e não apresentou sinais de fraude ou manipulação por IA.

Esse episódio não está isolado. As investigações da Polícia Federal e do Ministério Público têm revelado, com insistência incômoda, as conexões entre aliados políticos e financiadores do clã Bolsonaro com o crime organizado. Contatos com o Comando Vermelho, repasses milionários de uma produtora do filme biográfico para empresas sob suspeita de lavagem de dinheiro do PCC, agendas compartilhadas, material de campanha…

O ex-secretário Gutemberg Fonseca, indicado político de Flávio, aparece em gravações e áudios citado em reuniões com membros da facção. O ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva (TH Joias), que dividia agendas e estrutura de campanha com Flávio, foi preso na Operação Zargun por tráfico de armas e lavagem de dinheiro para organizações criminosas. Tudo isso vem à tona agora, como contas que chegam com juros.

E ainda há o vídeo recente em que o próprio Flávio declara em termos de faccionado, com todas as letras, que se Michelle não fosse sua madrasta, ele já teria “estancado” a crise. Um deslize que expõe rachaduras familiares e o tamanho do desconforto interno.

Não pensei, naquele momento, no tarifaço imposto ao Brasil por Trump, Rubio e companhia. Nem no Pix, no SUS ou na CLT. Não foi necessário. Os fatos recentes já falavam por si.

Tudo isso me remeteu a 2018. Eu conversava com quem quisesse ouvir, compartilhava documentos, dados, alertas. Tentava mostrar quem eram os Bolsonaro. Paguei um preço alto por isso. Fui chamado de “negro imundo”, “safado”, “coitado abandonado”, “desprezado”, “sem ninguém”. Sugeriram que eu me recolhesse à minha insignificância, pois nem Lula nem Bolsonaro sabiam da minha existência. Quase fui linchado virtualmente. Faltou pouco para o linchamento físico em praça pública.

Só eu sei o que passei.

Hoje não guardo raiva nem mágoa. Guardo, sim, o direito de sentir um prazer profundo, um regozijo intenso e quase visceral com o que está acontecendo. Não é alegria com o sofrimento alheio. É o sabor amargo-doce da consequência. É ver a história, que muitos quiseram calar, finalmente cobrar sua conta — com juros e correção.

Estou me deliciando. E não peço desculpas por isso.


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Política

Campanha de Flávio Bolsonaro quer abastecer Ciro com ataques contra Lula

Em meio à disputa presidencial e à crescente dificuldade de ampliar sua própria base eleitoral, setores da campanha de Flávio Bolsonaro passaram a enxergar em Ciro Gomes uma peça estratégica para desgastar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação de aliados do senador é que qualquer enfraquecimento da imagem de Lula pode abrir espaço para uma reorganização do campo oposicionista e reduzir a vantagem do petista em segmentos do eleitorado que hoje permanecem fiéis ao governo.

Nos bastidores, a aposta seria estimular temas e narrativas capazes de alimentar críticas de Ciro ao Palácio do Planalto. O ex-ministro e ex-governador tem mantido uma postura dura em relação ao governo Lula, especialmente em áreas como política econômica, articulação política e promessas de campanha. Para estrategistas ligados ao bolsonarismo, esse posicionamento poderia funcionar como uma espécie de “oposição pela esquerda”, produzindo desgastes que a direita teria mais dificuldade em provocar sozinha.

A movimentação ocorre em um momento delicado para a campanha de Flávio Bolsonaro. Pesquisas, divergências internas e uma sucessão de controvérsias envolvendo aliados têm alimentado preocupações sobre a capacidade do grupo de consolidar uma candidatura competitiva. Nesse cenário, enfraquecer Lula passou a ser visto como uma prioridade tão importante quanto fortalecer a própria imagem do candidato.

Analistas políticos observam que a estratégia não é inédita. Em diferentes eleições, adversários de um candidato líder buscaram amplificar críticas vindas de setores ideologicamente distintos, justamente porque essas críticas costumam alcançar públicos que normalmente não seriam receptivos ao discurso da oposição tradicional. A intenção é criar um ambiente de maior desgaste político e aumentar a sensação de insatisfação entre eleitores moderados.

Apesar disso, a aproximação indireta apresenta riscos. Ciro Gomes tem histórico de independência política e frequentemente rejeita tentativas de alinhamento tanto com a direita quanto com a esquerda governista. Além disso, ataques excessivos podem acabar fortalecendo a narrativa de polarização que beneficia Lula junto a parcelas do eleitorado que veem o presidente como um anteparo ao avanço do bolsonarismo.

Enquanto a corrida eleitoral avança, a tentativa de utilizar o discurso crítico de Ciro como instrumento de desgaste contra Lula revela a busca da campanha de Flávio Bolsonaro por novas frentes de combate político. Mais do que uma disputa entre adversários diretos, a estratégia evidencia como a eleição tem levado diferentes grupos a explorar alianças circunstanciais e convergências táticas na tentativa de alterar o equilíbrio de forças da sucessão presidencial.


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Mundo

Após novos ataques, Irã desafia poder dos EUA e diz que país deixou de ser uma superpotência

Ministro iraniano afirma que novos ataques expuseram fragilidade dos Estados Unidos

A escalada do conflito no Oriente Médio ganhou um novo capítulo após a retomada dos ataques entre Irã e forças apoiadas pelos Estados Unidos. Em meio ao aumento das tensões, um ministro iraniano afirmou que a capacidade de resposta de Teerã demonstrou que os Estados Unidos “não são uma superpotência”, em uma declaração que reforça o discurso de resistência adotado pelo governo iraniano.

Segundo a autoridade, os ataques iranianos evidenciaram que Washington não conseguiu impedir ações militares do país nem garantir proteção absoluta aos seus aliados na região. O ministro argumentou que a reação do Irã alterou o equilíbrio estratégico do conflito e enfraqueceu a imagem de superioridade militar dos Estados Unidos.

As declarações ocorrem em um momento de elevada instabilidade, marcado por novos bombardeios, ameaças de retaliação e crescente preocupação da comunidade internacional com o risco de uma ampliação do confronto. Especialistas alertam que uma escalada envolvendo diretamente Estados Unidos, Irã e aliados regionais pode provocar impactos globais, afetando mercados, rotas comerciais e a segurança internacional.

Até o momento, autoridades americanas mantêm o discurso de que continuarão respondendo a qualquer ameaça contra seus interesses e aliados, enquanto o governo iraniano insiste que está preparado para ampliar sua reação caso novos ataques sejam realizados contra seu território. O cenário permanece volátil, com a diplomacia enfrentando dificuldades para conter o avanço das hostilidades.

Irã afirma que “vários” militares americanos morreram no Kuwait e no Bahrein, porém não se sabe o número.

Desde o início da guerra, 16 militares dos EUA foram mortos e mais de 430 ficaram feridos. Bombardeio ocorre após naufrágio do acordo de cessar-fogo, em momento no qual Washington e Teerã vivem escalada militar.


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Política

Lula supera em seis vezes perdas com tarifas dos Estados Unidos com abertura de mercados e exportações brasileiras

A abertura de novos mercados internacionais pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem contribuído para fortalecer o comércio exterior brasileiro e reduzir a dependência de destinos tradicionais, como os Estados Unidos. Nos últimos meses, a ampliação das relações comerciais com países da Ásia, Oriente Médio, África e América Latina tem garantido novas oportunidades para produtos brasileiros, especialmente do agronegócio, da indústria de alimentos e do setor mineral.

Os resultados dessa estratégia já aparecem nos números do comércio exterior. De acordo com dados divulgados por órgãos do governo, o crescimento das exportações para novos mercados superou em mais de seis vezes as perdas registradas nas vendas para os Estados Unidos. O desempenho demonstra a capacidade do Brasil de diversificar seus parceiros comerciais e compensar oscilações ou barreiras impostas por mercados específicos.

A política de ampliação de acordos comerciais e missões diplomáticas tem sido uma das prioridades da atual gestão. Desde o início do mandato, Lula realizou viagens e encontros com líderes de diferentes regiões do mundo, buscando ampliar a presença dos produtos brasileiros e atrair investimentos. O esforço contou também com a atuação do Itamaraty e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços na negociação de novos protocolos sanitários e comerciais.

Especialistas avaliam que a diversificação dos destinos de exportação aumenta a segurança econômica do país, reduzindo riscos associados a disputas comerciais ou mudanças de política em parceiros específicos. Além disso, a expansão da pauta exportadora fortalece a balança comercial e contribui para a geração de emprego e renda em diversos setores da economia.

O avanço das exportações para novos mercados ocorre em um contexto de tensões comerciais internacionais e de debates sobre tarifas e barreiras impostas por algumas economias. Nesse cenário, o Brasil tem buscado ampliar sua inserção global e consolidar uma posição mais independente no comércio internacional, apostando na abertura de novas frentes de negócios e na valorização de sua produção no exterior.


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Política

Michelle reforça segurança após fala de Flávio Bolsonaro sobre ‘estancamento’

A equipe responsável pela segurança de Michelle Bolsonaro reforçou o esquema de proteção da ex-primeira-dama após identificar um aumento das hostilidades contra ela nas redes sociais. As mudanças atingem deslocamentos, compromissos públicos e eventos políticos.

O efetivo foi ampliado, e os protocolos operacionais e as estratégias de deslocamento passaram por revisão. Os responsáveis evitam revelar detalhes das alterações para não comprometer a eficácia das medidas adotadas.

Segundo integrantes da equipe, não existe informação concreta sobre uma ameaça específica contra Michelle Bolsonaro. O reforço tem caráter preventivo e foi decidido após meses de monitoramento de publicações ofensivas e da possibilidade de que a violência virtual estimule agressões fora das redes.

Os ataques teriam se intensificado após o rompimento público entre Michelle e Flávio Bolsonaro. A ex-primeira-dama publicou dois vídeos nos quais afirmou ter sido humilhada pelo enteado, enquanto o senador declarou que não mantém mais uma relação com ela.

Uma declaração recente de Flávio também passou a integrar a análise de risco. Ao comentar o conflito, o pré-candidato afirmou que, se Michelle não fosse mulher de seu pai, a situação teria sido “estancada antes”. De acordo com o DCM, a equipe não trata a fala como ameaça nem atribui intenção violenta ao senador, mas avalia que a expressão pode ser apropriada por pessoas radicalizadas.

O receio envolve o chamado efeito de imitação, no qual mensagens repetidas ou difundidas por perfis de grande alcance incentivam novas manifestações de hostilidade. Procurada, Michelle Bolsonaro não comentou o reforço de sua segurança.


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Irã ameaça ampliar conflito e fala em “ofensiva total” contra os EUA

Irã lança forte alerta aos Estados Unidos e ameaça partir para uma “ofensiva total”

O Irã elevou o tom contra os Estados Unidos ao afirmar que poderá iniciar uma “fase ofensiva total” caso Washington mantenha os bombardeios contra alvos iranianos pelos próximos dias. A declaração foi feita pelo general Mohsen Rezai, assessor militar da liderança iraniana e ex-comandante da Guarda Revolucionária Islâmica.

Segundo Rezai, a estratégia iraniana poderá mudar de uma postura predominantemente defensiva para uma ofensiva em larga escala caso os ataques americanos continuem. A advertência ocorre em meio à intensificação da campanha militar dos EUA, que, segundo autoridades iranianas, já dura sete dias consecutivos.

Nos últimos dias, Teerã também ampliou suas ações militares, incluindo ataques contra interesses e bases ligadas aos Estados Unidos no Oriente Médio, elevando o risco de uma escalada regional. Autoridades americanas ainda não indicaram qualquer intenção de interromper as operações militares.

A escalada preocupa a comunidade internacional porque um confronto direto e prolongado entre Irã e Estados Unidos pode afetar a segurança no Oriente Médio, comprometer rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz e provocar impactos nos mercados globais de energia.


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Política

O silêncio estratégico: Lula blinda agenda social contra Trump

Ao se recusar a responder sobre o tarifaço norte-americano no Rio, presidente prioriza a narrativa do SUS e calibra o tempo da reação diplomática oficial

Nas duas últimas agendas presidenciais cumpridas no Rio de Janeiro nesta sexta-feira (17) — as vistorias à Carreta de Saúde da Mulher, na Fiocruz, e ao Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO) —, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou uma postura que chamou a atenção de analistas políticos e correspondentes internacionais. Diante da forte expectativa da imprensa por uma reação contundente à confirmação de que os Estados Unidos aplicarão uma sobretaxa de 25% sobre os produtos brasileiros, Lula optou por um silêncio cirúrgico e deliberado.

Mais do que uma simples esquiva, a recusa em comentar o “tarifaço” de Donald Trump revelou uma calculada estratégia de comunicação e preservação da soberania nacional.

A recusa explícita: “Quando o Trump falar, eu falarei”

Tanto no palanque da Fiocruz quanto no auditório do INTO, Lula foi explícito ao ditar as regras do que deveria ser manchete no país. Na Fiocruz, o presidente declarou abertamente que “a notícia tem que ser o SUS, o tratamento das mulheres”, sinalizando que não permitiria que a agenda externa ofuscasse as entregas sociais de seu governo.

No INTO, o mandatário subiu o tom da assertividade e detalhou a hierarquia institucional de sua resposta. Lula pontuou que o anúncio das tarifas havia sido feito, até então, por funcionários do “segundo escalão” do governo americano. Para ele, uma resposta do chefe de Estado brasileiro exige reciprocidade de nível. “Quando o Trump falar, eu vou falar, de presidente para presidente”, disparou Lula. Com essa linha de corte, o presidente brasileiro buscou rebaixar o peso político das provocações que vinham de Washington, desinflacionando a urgência cobrada pelos repórteres.

Essa exigência de paridade serve a dois propósitos: primeiro, evita que o Brasil legitime ameaças feitas por assessores ou por meio de redes sociais, que muitas vezes são usadas como tática de pressão psicológica. Segundo, eleva o nível do debate, forçando o governo dos EUA a assumir oficialmente a responsabilidade pela medida, o que facilitará a montagem de uma resposta multilateral ou de retaliação baseada na Lei de Reciprocidade, caso a medida seja formalizada.

A guerra da verdade contra a farsa protecionista

A principal motivação analítica por trás do silêncio de Lula reside no controle da narrativa. O presidente afirmou textualmente que a sua intenção é traçar uma “guerra da verdade”. Ao não responder de imediato e com fígado, Lula evita o desgaste de uma retórica de confrontação vazia e dá espaço para que seus canais técnicos — como o Itamaraty e o Ministério das Relações Exteriores — apresentem as defesas comerciais de forma institucional.

Lula declarou que “contra o Brasil ninguém ganha mentindo” e que pretende provar ao mundo a falta de racionalidade econômica das acusações americanas (que miram o Pix e as políticas ambientais brasileiras). Para o presidente, responder ao segundo escalão de Trump em meio a inaugurações de saúde seria validar a tentativa americana de pautar a política doméstica e desviar o foco das conquistas estruturais do SUS, como a expansão das carretas de exames e a implementação de cirurgias robóticas na rede pública.

Lula enfatizou que o Brasil é um país da paz, mas que, se provocado, estará pronto para travar uma “guerra da narrativa” e uma “guerra da verdade”. Segundo ele, o adversário “vai ter que aprender a fazer guerra com outra arma, que é a arma da palavra”, sinalizando que a resposta brasileira será técnica, factual e calculada, e não uma reação emocional ou precipitada.

Blindagem da agenda interna e recado ao tabuleiro eleitoral

Segundo o Vermelho, outro fator crucial para a estratégia de Lula é o isolamento da crise diplomática em relação ao ambiente político interno. As duas agendas no Rio de Janeiro estavam carregadas de simbolismo eleitoral e de coordenação com as lideranças locais, como o prefeito Eduardo Cavaliere e o governador em exercício Ricardo Couto. Lula focou seus discursos na moralização do estado, no combate às milícias e na comparação do seu modelo de investimentos com o desmonte promovido pela gestão anterior.

A estratégia demonstra que o governo não permitirá que uma ameaça externa sequestre a agenda nacional. Ao insistir em pautar a visita com temas como a expansão da saúde da mulher, a cirurgia robótica no SUS e a “ressuscitação” dos hospitais federais, Lula busca blindar sua base de apoio e evitar o pânico nos mercados. Ao projetar calma e focar em entregas concretas (como a compra massiva de implantes contraceptivos e a reabertura de leitos), o presidente envia uma mensagem de resiliência: a economia e o bem-estar do povo brasileiro não podem ser reféns de chantagens comerciais.

Se cedesse à pressão e transformasse o palanque da saúde em um ringue de boxe contra Donald Trump, Lula daria munição à oposição bolsonarista — que, como denunciado pelo próprio Itamaraty, atuou como linha de frente do lobby protecionista em Washington. Ao silenciar sobre Trump e falar para o trabalhador da Baixada Fluminense e de Manguinhos, Lula esvaziou o palanque da extrema direita e mandou um recado claro ao mercado e à geopolítica: o Brasil não se curvará a pretensões desmedidas, mas escolherá as armas, o momento e o nível institucional exatos para travar suas batalhas soberanas.

Em suma, o silêncio de Lula não é omissão, mas uma tática de espera ativa. Ao recusar-se a dançar conforme a música de Washington, o presidente busca esvaziar o impacto midiático da ameaça, fortalecendo a narrativa de que o Brasil, com suas instituições sólidas e seu mercado interno robusto, está preparado para defender seus interesses com a “arma da palavra” e, se necessário, com medidas econômicas recíprocas.


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