Ministro do STF afirma que não houve agravamento da saúde e que tratamento pode ser feito na PF
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quinta-feira (1) negar o pedido de prisão domiciliar humanitária apresentado pela defesa de Jair Bolsonaro (PL), mantendo sua custódia na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. O pedido havia sido protocolado no STF na quarta-feira (31), com o argumento de que a prisão domiciliar deveria ser concedida antes da alta hospitalar do ex-mandatário, em razão de seu quadro de saúde no período pós-operatório. As informações são do 247 e CNN.
Defesa alegou risco à saúde no pós-operatório No requerimento, os advogados sustentaram que as condições clínicas de Bolsonaro poderiam ser agravadas com o cumprimento do regime fechado. A defesa também citou o caso do ex-presidente Fernando Collor, que obteve autorização para prisão domiciliar, e afirmou que o pós-operatório exigiria cuidados especiais.
Moraes aponta ausência de fatos novos Ao analisar o pedido, Alexandre de Moraes afirmou que a defesa não apresentou elementos novos que justificassem a mudança de entendimento em relação a solicitações anteriores já negadas pelo Supremo. “Não houve agravamento da situação de saúde de JAIR MESSIAS BOLSONARO, mas sim, quadro clínico de melhora dos desconfortos que estava sentido, após a realização das cirurgias eletivas, como apontado no laudo de seus próprios médicos”, escreveu o ministro na decisão.
STF afirma que estrutura da PF atende às prescrições médicas Na decisão, Moraes destacou que todas as recomendações médicas apresentadas pela defesa podem ser cumpridas nas dependências da Polícia Federal. Segundo ele, a Superintendência da PF garante acesso irrestrito aos profissionais de saúde responsáveis pelo acompanhamento do ex-presidente.
O ministro ressaltou ainda que há autorização para a presença de médicos 24 horas por dia no local, o que, de acordo com o entendimento do STF, assegura a continuidade do tratamento sem comprometer o estado de saúde de Bolsonaro.
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Revista Veja anuncia nesta segunda, uma direita de ponta a cabeça.
Sem rumo, sem nomes, sem qualquer estratégia para enfrentar Lula na eleição de 2026, a direita brasileira está restrita ao bolsonarismo, mais precisamente a Bolsonaro.
Isso, apesar de uma direita falida, é o melhor dos mundos para Bolsonaro que, mesmo condenado e encarcerado, segue sendo o líder da xepa que sobrou da direita radioativa para os objetivos do genocida golpista, está para lá de bom, porque ele se mantém vivo-morto na cabeça oca de parte da população, tanto que o PT goza do dobro de preferência do eleitorado em relação ao PL.
Ainda assim, Bolsonaro comemora.
Dane-se se a Veja acha um erro Bolsonaro indicar Flavio para a Presidência da Repúbllica, o clã não faz esse cálculo. Para os Bolsonaro, o que importa não é exatamente vencer a eleição, mas sim seus oponentes dentro da própria direita.
Para eles, o pior dos mundos seria Tarcísio assumir essa liderança, daí s irritação da Veja com a escolha calculada de Bolsonaro para não morrer à míngua.
Para o clã sobreivir dos restos mortais do bolsoarismo, ainda é a melhor opção, já que o restante da direita nem isso tem, principlamente pela sua desmoralização no Congresso Nacional.
Para Bolsonaro, pouco importa se o PT tem a esmagadora maioria de apoio da sociedade, o que interessa ao moribundo, é se manter moribuno, em decadência, mas ainda sendo líder dos reacionários paratatás.
Seja como for, essa conta bizarra, além de mostrar as cenas de guerra dentro da própria direita e a consequente atmosfera de terra arrasada, Bolsonaro, produto genuino da cloaca do baixo clero, sabe que não voltará ao poder, mas ainda terá mobilidade no lixão de uma direita que já não tinha mais o PSDB e, agora, não tem o MDB, boa parte centrão e o PL, que respira por aparelhos, mesmo de forma ofegante e sofrida.
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O ex-deputado federal Alexandre Frota publicou um vídeo nas redes sociais em que ironiza a relação de Jair Bolsonaro (PL) com líderes evangélicos e questiona os chamados “milagres” exibidos em programas religiosos de televisão. Na gravação, ele afirma que respeita todas as religiões, inclusive a evangélica, e diz que acompanha há anos os relatos apresentados por pastores que aparecem próximos do ex-presidente.
Frota cita que Bolsonaro convive com “bispos e pastores considerados entre os mais influentes do país” e menciona que, em programas religiosos na TV, são exibidos testemunhos de pessoas que dizem ter se recuperado de vícios em jogos e drogas, além de relatos de melhora de saúde. Ele também cita casos narrados nesses programas envolvendo mudanças de comportamento de casais e reconciliações familiares.
No vídeo, o ex-deputado relata que acompanha ainda depoimentos que apontam supostos avanços financeiros após a entrada de fiéis em determinadas igrejas. Segundo ele, essas narrativas descrevem pessoas endividadas que, depois de um período na igreja, afirmam ter adquirido imóveis, carros, aumentado a renda e aberto empresas.
Alexandre Frota afirma que esses relatos aparecem com frequência na televisão e nas redes sociais de pastores e de igrejas. Ele diz que os líderes religiosos citados se apresentam como responsáveis por curas físicas, superação de vícios e prosperidade financeira de seus seguidores, sempre por meio de testemunhos exibidos em cultos e programas.
Ao longo do vídeo, Frota cita pastores que aparecem ao lado de Bolsonaro em agendas públicas e eventos religiosos, entre eles Silas Malafaia e Marco Feliciano. Ele menciona que esses nomes também participam de mobilizações políticas e de manifestações em apoio ao ex-presidente, além de atuarem em grandes denominações evangélicas.
🚨 Alexandre Frota: “Jair Bolsonaro tem ao lado dele os 10 bispos mais poderosos do Brasil. Eu tenho visto na TV eles curando de tudo: viciados largando, pessoas doentes curadas, endividados que tornam milionários, prosperidade, cura… mas o soluço do Bolsonaro não conseguiram.” pic.twitter.com/Mlt0y1iZ4d
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Abin monitorou ações de lideranças indígenas, alertando para riscos para exportadores do agro brasileiro e ameaça de conflito
Líderes indígenas foram monitorados pela Agência Brasileira de Inteligência durante o governo de Jair Bolsonaro, enquanto o Palácio do Planalto desmontava a Funai, fustigava grupos autóctones e prometia que não iria demarcar novas terras. Uma das entidades acompanhadas de perto pela Abin era a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), liderada naquele momento por Sonia Guajajara, hoje a ministra dos Povos Indígenas do governo Lula.
A informação faz parte de documentos da agência e que foram obtidos após uma longa batalha judicial pela Fiquem Sabendo, organização sem fins lucrativos especializada em transparência pública. Desde meados de dezembro e pelas próximas semanas, o ICL Notícias traz com exclusividade dezenas de informes, relatórios e dados até hoje mantidos como confidenciais pela Abin.
Um dos focos do trabalho da agência ao longo dos anos de Bolsonaro foi a questão indígena e seu impacto doméstico e internacional. Num relatório de 11 abril de 2019, por exemplo, a Abin trazia um detalhado acompanhamento dos atos que estavam sendo organizados pelos indígenas brasileiros em protesto contra Bolsonaro. O foco era Acampamento Terra Livre (ATL). “A tendência é de que os militantes indígenas manifestem suas reivindicações de forma enérgica devido aos recentes posicionamentos do Governo Federal para as políticas indigenistas, com probabilidade de confronto entre os participantes da marcha e integrantes das forças de segurança pública”, disse o informe. “Também é alta a probabilidade de ocupação de prédios públicos na região da Esplanada dos Ministérios”, alertou.
O relatório trazia até mesmo um mapa e fotos do projeto de instalação do acampamento no perímetro da Esplanada dos Ministérios.
Outro destaque da Abin se referia aos trabalhos das lideranças indígenas para conseguir arrecadar recursos para o ato. “Dos RS 50 mil almejados pela APIB para auxiliar no custeio do acampamento, foram arrecadados R$ 12,3 mil- 24,5% do total”, apontou o informe.
O que ainda chamava a atenção da Abin era o fato de o convite para doações estar sendo realizado em diversos idiomas, como inglês, espanhol e francês, numa tentativa de atrair parceiros estrangeiros. “Em edições anteriores, a APIB conseguiu atingir a meta de arrecadação no ambiente virtual. Em 2017, coletou R$ 45 mil; já em 2018, a arrecadação virtual totalizou aproximadamente R$ 20 mil”, disse.
De acordo com o informe, a expectativa era de que o ato contasse com 6 mil participantes. Mas a Abin estimava que o número seria bem inferior.
O risco de um confronto era outro ponto do relatório de inteligência. “Nos últimos anos, foram registradas ocorrências de enfrentamento de militantes da marcha com integrantes dos órgãos de segurança pública, além de tentativa de depredação de patrimônio público e privado. Em 2014 e 2017, houve tentativas de invasão ao edificio-sede do Congresso Nacional. A tropa de choque da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) precisou ser acionada e indígenas atiraram flechas contra os militares. Em 2014, policiais militares ficaram feridos em decorrência de enfrentamentos”, disse.
“Apesar de não terem sido detectadas quaisquer incitações para atos de violência no ambiente virtual, os movimentos sociais indígenas estão articulados e insatisfeitos com a atual gestão do Govero Federal e a atuação do Poder Legislativo no encaminhamento de suas demandas”, admitiu.
A agência explicava que, desde a edição da Medida Provisória nº 870/2019, movimentos indigenistas alegavam ter havido um “esvaziamento das atribuições da Fundação Nacional do Indio (Funai) no processo de demarcação de territórios”. “Como forma de protesto, promoveram de 17 a 31 jan. 2019 ocupações de sedes de órgãos públicos e bloqueios de rodovias em localidades do País. No período de 25 a 29 mar. 2019, realizaram a “Semana de Mobilização Nacional em Defesa da Saúde Indígena”, em oposição à tentativa do Governo Federal de municipalizar o atendimento à saúde indígena”.
“Houve ocupações de prédios públicos – a exemplo de unidades do Ministério da Saúde – bem como interdições temporárias de vias públicas e rodovias em onze estados”, disse.
“Haja vista que os movimentos sociais indígenas estão articulados e mobilizados, os manifestantes presentes ao 15- ATL tendem a defender de forma enérgica suas reivindicações junto às autoridades constituídas, o que eleva a probabilidade de ocorrência, durante a marcha do evento na Esplanada dos Ministérios, de confrontos entre manifestantes e membros dos órgãos de segurança pública, bem como de tentativas de depredação de patrimônio”, alertou.
“Nesse caso, seriam alvos potenciais para ações dos manifestantes as sedes do Congresso Nacional, Palácio do Planalto, Ministério da Justiça, Ministério da Saúde e Advocacia-Geral da União”, previa.
Ministra denuncia tentativa de criminalizar lideranças indígenas Naquele ano, a diretora-executiva da Apib, Sonia Guajajara, alertou: “Estamos assistindo a um genocídio legislativo”.
Procurada nesta semana, a atual ministra afirmou ao ICL Notícias que, embora o monitoramento feito pela ABIN às lideranças indígena não fosse uma novidade, ele se intensificou entre 2019 a 2022, justamente com Bolsonaro no poder.
“Isso se intensificou muito para monitorar ações, protestos, manifestos e até nos acusar de lesa pátria”, disse a ministra.
Ao ficar sabendo do conteúdo dos relatórios publicados pelo ICL, a ministra ainda destacou como um dos resultados a “tentativa de criminalização individual de lideranças, incluindo eu mesma que estava à frente da APIB”. “Sempre achei inaceitável”, completou.
Ação no exterior: alerta para risco de prejuízo aos exportadores Aquele não seria o único ato de monitoramento da Abin em relação à entidade liderada pela atual ministra dos Povos Indígenas. Em 17 maio de 2019, num outro informe, a agência alertou para o fato de que ambientalistas europeus lançaram um manifesto defendendo regras mais rígidas a serem impostas pela União Europeia às agroexportações brasileiras. “A principal preocupação dos ambientalistas estrangeiros é o desmatamento para o cultivo de soja, criação de gado e exploração de minério de ferro, principalmente no bioma amazônico”, disse.
A questão, porém, é que a iniciativa contava como o apoio da Apib. “Em 26 abr. 2019, foi publicado na Revista Science manifesto assinado por mais de 600 pesquisadores e pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), que representa cerca de 300 comunidades indígenas brasileiras, defendendo que a União Europeia (UE) não compre bens agrícolas brasileiros que tenham sido produzidos em terras recém-desmatadas”, destacou.
“Exigem ainda a observância do direito de consulta prévia às populações indígenas afetadas por políticas públicas, o qual é garantido pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT)”, explicou.
O manifesto recebeu apoio de deputados e candidatos ao Parlamento Europeu, com destaque para o da vice-presidente daquela instituição, Heidi Hautala. Ela fazia parte dos Verdes, grupo político com pauta ambientalista, composto naquele momento por 52 eurodeputados (deputados do Parlamento Europeu) de 18 nacionalidades.
No manifesto, demanda-se à UE que, no acordo comercial com o Brasil, seja exigida a observância de três condições: a) o respeito à Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, b) o refinamento de mecanismos de certificação de origem para rastrear commodities associadas ao desmatamento e a violações dos direitos dos indígenas e c) consulta e consentimento prévio das populações indígenas para definir critérios sociais e ambientais para o comércio de commodities.
“A maior preocupação é o desmatamento para o cultivo de soja, criação de gado e exploração de minério de ferro, principalmente no bioma amazônico. Esses três produtos representaram cerca de 22% do valor exportado pelo Brasil para a UE entre janeiro e abril 2019”, explicou.
Para a Abin, a ofensiva contra as exportações brasileiras poderia ter um impacto negativo. A publicação do manifesto e outras iniciativas teria “o potencial de prejudicar as agroexportações brasileiras”.
Risco de conflito Na agência indígena, a Abin também alertou ao Palácio do Planalto em outro informe sobre o risco de violência no campo. E 4 de abril de 2019, a agência explicava o impacto de uma decisão da a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que, dias antes, havia negado mandados de segurança em que produtores rurais da Bahia demandavam a suspensão do processo administrativo de revisão da demarcação da Terra Indígena (TI) de Barra Velha. localizada no extremo sul do estado. “Com a decisão, o colegiado revogou liminares concedidas em 2013 pelo relator anterior das ações, que haviam suspendido o processo de reconhecimento da ampliação da área indígena”, explicou.
Para a agência, a decisão “contribui para o aumento da tensão existente entre a comunidade indígena e os produtores rurais da região, ainda que não tenha havido registro de violência nos últimos anos”.
“Observa-se, no momento, incremento nas iniciativas de articulação por parte de lideranças indígenas e rurais nos planos estadual e federal”, advertiu.
“Do ponto de vista da dinâmica do conflito, a relativa estabilidade observada desde 2013 decorreu, em larga medida, do congelamento do litígio no plano judicial. Com a perspectiva de retomada do processo, desdobramentos judiciais e administrativos subsequentes tendem a impactar significativamente a expectativa dos atores do contencioso, principalmente porque inexiste grupo de trabalho – ou estrutura politico-administrativa intersetorial equivalente – investido de capacidade política para mediar a construção de termos de acordo entre as partes”, completou.
Histórico de espionagem Para a Apib, o monitoramento da agência de inteligência não é uma novidade. Em 2020, noventa organizações da sociedade civil e 72 parlamentares enviaram uma carta à secretária-executiva da Convenção do Clima da ONU, Patricia Espinosa, cobrando providências sobre a presença de agentes da Abin espionando ambientalistas, diplomatas e congressistas na COP25, a conferência do clima de Madri.
A informação sobre a atuação da agência havia sido revelada, naquele ano, pelo jornal O Estado de S.Paulo, que destacou como quatro arapongas foram enviados para a COP para monitorar atividades de ambientalistas, em especial o chamado Brazil Climate Action Hub, organizado por ONGs brasileiras. Questionado, o general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, ao qual a Abin era subordinada, admitiu que mandou os agentes para espionar “maus brasileiros”.
Na carta enviada pela Apib e por dezenas de outras instituições em 29 de outubro de 2020, as lideranças afirmam terem ficado “indignadas ao descobrir por meio da imprensa que o governo do Brasil designou quatro agentes secretos para monitorar tanto as atividades da sociedade civil, quanto os próprios delegados do Brasil, durante a COP25 em Madri”.
“A decisão de uma Estado de espionar os delegados por qualquer motivo é extremamente preocupante. Viola a segurança dos delegados dentro das instalações da ONU, causando enorme constrangimento. Compromete a privacidade, o pensamento e o discurso da liberdade, e a imunidade consagrada na própria Carta das Nações Unidas”, alertaram.
Como foram obtidos os documentos O acesso aos documentos da Abin ocorreu depois de seis anos de batalha por parte da Fiquem Sabendo e é considerado como um divisor de águas para a transparência no Brasil.
A ação segue tramitando para garantir que todos os documentos sejam entregues, sem tarjas e n íntegra, como é o caso ainda de vários informes.
Documentos classificados são informações públicas que, por motivos de segurança da sociedade ou do Estado, são temporariamente mantidas em sigilo. Os documentos obtidos já foram desclassificados e, portanto, estão fora do prazo de sigilo. De fato, entre 2014 e 2020, mais de 400 mil documentos federais perderam o sigilo.
Mas o acesso nem sempre está garantido. Assim, o projeto Sem Sigilo começou em 2019, quando a entidade convocou voluntários para pedir documentos cujo prazo de sigilo expirou. A iniciativa coletou milhares de páginas de dezenas de órgãos, mas enfrentaram resistência de entidades como Abin, GSI, Ministério da Defesa, Forças Armadas, Polícia Federal e Itamaraty.
Em 2020, eles ajuizaram uma ação contra a Abin. A ideia era enfrentar o órgão mais resistente à transparência pública porque apostavam que, se ganhassem, outros cairiam por gravidade.
Em 2021, o MPF acolheu parcialmente os argumentos e sugeriu que a Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI), do Congresso, analisasse os documentos. Corretamente, o Congresso se recusou, afirmando não ser sua competência.
Em 2023, a ação sofreu uma derrota em primeira instância. A Justiça aceitou o argumento da União de que a Abin poderia decidir sozinha o que divulgar ou não — mesmo contrariando o texto da LAI.
*Jamil Chade/ICL
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Comecemos pelo começo. Esse catado de botequim não consegue formar um time que várzea, simplesmente porque não sabe quem é a bola.
O dono da birosca, no caso, Bolsonaro, entregou a camisa para uma penca de oportunistas que não tem qualquer ideologia, projeto político ou coisa que o valha.
Nem para tourada, esses chucros prestam, Novidade nenhuma, Bolsonaro foi durante três décadas, o representante mais legítimo do baixo clero no Congresso. Aquilo, que é considerado a xepa da xepa, o próprio confessa isso, tal a sua limitação moral e intelectual.
O esquema, sob o comando de alguém rico é aprontar gritaria contra a esquerda, sem a menor capacidade argumentativa. O negócio é chamar Lula de ladrão, o PT de comunista e cantar vitória eleitoral sem ao menos saber explicar o motivo.
Lembrem-se da quantidade de desconhecidos que chegou ao Congresso pelas mãos de Bolsonaro. Gente que foi divinizada por uma mídia comprada pela Secom de Bolsonaro que, nitidamente, sofre de um deficit cognitivo aquém de Bolsonaro, sendo obrigada a seguir, passo a passo, a caminhada fracassada do líder dos tolos.
O número de parlamentáres do qual Bolsonaro se cercou e que elegeu em 2018 e 2022 naquelas jogadas imundas de política feita em fundo de quintal, formou esse bloco de burrice histórica, gigante.
Por isso mesmo não há qualquer diálogo do Congresso com os demais poderes.
Essa direita, se é que se pode chamar de direita, foi vitaminada pelo poder, enquanto Bolsonaro tinha um, e criou um correio próprio e direto na base de estrume, um bando de canalhas que, a mando de Bolsonaro, sempre operou para obstruir qualquer diálogo político. Simplesmente porque nenhum deles tem qualquer neurônio para tanto.
Como chamar esse troço de direita?
Vale qualquer classificação, dessas comuns no mundo da vagabundagem, da indecência, do despudor, da ignorência continuada e da pasmaceira ideológica. Tudo arquitetado e regido pelo clã Bolsonaro, do contrário, não teriam apoio do todo poderoso. Deu no que deu.
Nem para carregadores de piano, eles serviram. é um bonde de nulos, ou Bolsonaro, mesmo com a máquina na mão e todas as sujeiras que utilizou, não teria perdido a eleição para Lula.
Bolsonaro é um fenõmeno às avessas que sempre operou em busca de poder, sem qualquer preocupação com ideologia, sempre foi o oportunismo barato em estado puro.
Então, fica a pergunta, como esses paspalhos farão diferença num debate nacional em 2026? Se ficarem quietos, serão devorados pela esquerda; se falarem alguma coisa, serão engolidos da mesma forma.
Simplesmente porque não têm a menor ideia para afirmar o que é direita e esquerda. Nesse nível.
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Ex-presidente foi alertado sobre avanço da destruição na Amazônia e sobre a ameaça que isso significava a interesses internacionais do país
Enquanto percorria o mundo mentindo sobre a situação na Amazônia, o ex-presidente Jair Bolsonaro era informado por sua agência de inteligência que o desmatamento na floresta tropical avançava de forma “significativa”, ameaçava a imagem internacional do Brasil e poderia prejudicar interesses econômicos do país.
A informação faz parte de documentos da agência e que foram obtidos após uma longa batalha judicial pela Fiquem Sabendo, organização sem fins lucrativos especializada em transparência pública. Ao longo dos próximos dias, o ICL Notícias trará com exclusividade dezenas de informes, relatórios e dados até hoje mantidos como confidenciais pela Abin.
No púlpito da ONU, em setembro de 2019, Bolsonaro saiu ao ataque da comunidade internacional, denunciando o que ele chamou de uma campanha contra o país. “Meu governo tem um compromisso solene com a preservação do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável em benefício do Brasil e do mundo”, disse.
“Nossa Amazônia é maior que toda a Europa Ocidental e permanece praticamente intocada”, insistiu. “Prova de que somos um dos países que mais protegem o meio ambiente”, disse.
Um ano depois, na mesma Assembleia Geral da ONU, ele afirmou que seu governo era “líder em conservação de florestas tropicais”. Bolsonaro ainda garantiu: “Nossa floresta é úmida e não permite a propagação do fogo em seu interior”.
Mas os discursos não passavam de uma manobra deliberada para tentar enganar a opinião pública mundial. Em abril de 2020, um informe da Abin enviado à presidência mostrava uma realidade radicalmente diferente.
“O desmatamento na Amazônia aumentou significativamente entre agosto de 2019 e abril de 2020 e atingiu uma área 50% maior que o verificado no mesmo período entre os anos de 2018 e 2019”, afirmou o relatório que foi entregue ao Palácio do Planalto naquele mês.
s dados ainda apontavam que, em 2020, 33% da derrubada de floresta foi realizada em terras públicas, que são, principalmente, alvo de grilagem.
Nem o argumento da “umidade” da floresta usado por Bolsonaro na ONU era sustentado pela Abin. “Em 2020, os órgãos de fiscalização ambiental receiam que haja aumento do volume de queimadas no período de seca. Segundo o Ipam [Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia], em razão da diminuição da umidade, o fogo seria maior em florestas próximas às áreas já desmatadas e recém exploradas. Este fato pode ocorrer mesmo vários metros adentro da mata, aumentando a possibilidade de uma queimada gerar incêndios florestais”, constatou.
O agro é pop? O relatório ainda desmentia a narrativa de Bolsonaro de que a agricultura nacional não era a culpada pelo desmatamento.
“Nosso agronegócio continua pujante e, acima de tudo, possuindo e respeitando a melhor legislação ambiental do planeta”, disse o ex-presidente na ONU em setembro de 2020. “Mesmo assim, somos vítimas de uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal”, justificou.
Mas o informe da Abin, entregue cinco meses antes, apontava para outra realidade. “No Amazonas, a principal área de extração ilegal de madeira está localizada no sul do estado, coincidindo com a área de expansão da fronteira agrícola”, disse. “O desflorestamento no estado está predominantemente associado à implantação de pastos para rebanhos bovinos”, alertou.
“No Pará, o fenômeno do desmatamento desdobra-se em duas vertentes principais, a do desmatamento estruturado, realizado por grandes fazendeiros que fraudam os processos de concessão de exploração por meio de mecanismos de corrupção presentes nas secretarias ambientais estaduais e a do desmatamento artesanal, realizado em regiões remotas do estado”, disse o informe da Abin.
A agência ainda apontava que o desflorestamento no estado do Amazonas estava “predominantemente associado à implantação de pastos para rebanhos bovinos”. “Encerrado o ciclo da extração de madeira, agentes especializados atuam na preparação do terreno para a atividade pecuária. A área desmatada é queimada e transformada em pasto”, afirmou. “O terreno é cercado e, em alguns casos, esses mesmos agentes são responsáveis pelo transporte do rebanho para a região. O fazendeiro paga pelo serviço e trata da produção”, disse.
O informe ainda aponta para o Pará como um dos estados com maior área agregada a receber avisos de desmatamento em março de 2020. Mais uma vez, o foco era o agronegócio.
“A devastação na região está associada, principalmente, à expansão da agropecuária e da atividade de grilagem”, disse. “Essas atividades estão correlacionadas a crimes como corrupção e emissões falsificadas de licenças e interferem em distintos aspectos socioeconômicos do estado, como proteção ambiental e ocupação imobiliária”, alertou.
Impacto internacional No informe da Abin, os agentes apontaram ainda para o risco que o desmatamento poderia gerar para a reputação internacional do Brasil e a violação de acordos assinados pelo país.
“A imprensa internacional e nacional já tem divulgado notícias sobre o aumento do desmatamento na Floresta Amazônica em 2020. Esse aumento recente, somado a uma perspectiva de maiores incêndios e queimadas na região durante na época de seca, tende a prejudicar a imagem do pais no exterior, gerando impactos no setor econômico”, alertou a Abin.
“O Brasil é signatário do Acordo de Paris, no qual se compromete a implementar medidas efetivas para atingir metas climáticas, como a diminuição do desmatamento. Além disso, o tratado comercial entre Mercosul e União Europeia reitera expressamente essas obrigações e países europeus ameaçam não ratificar o acordo em caso de descumprimento dessas metas”, advertiu.
“O recente aumento da área desmatada tende a prejudicar a imagem do País, gerando impactos negativos nas negociações internacionais e multilaterais”, completou a agência.
Bolsonaro, porém, preferiu acusar a comunidade internacional de estar divulgando mentiras sobre o país. Cinco meses depois, na ONU, ele insistiu que o Brasil despontava “como o maior produtor mundial de alimentos. E, por isso, há tanto interesse em propagar desinformações sobre o nosso meio ambiente”.
“Rechaçamos as tentativas de instrumentalizar a questão ambiental ou a política indigenista, em prol de interesses políticos e econômicos externos, em especial os disfarçados de boas intenções”, disse.
Um ano antes, em setembro de 2019, ele chamou as críticas ao Brasil por desmatamento como “ataques sensacionalistas por grande parte da mídia internacional”.
Os documentos, porém, revelam que ele sabia tanto do desmatamento como do impacto que isso geraria ao país.
Como foram obtidos os documentos O acesso aos documentos da Abin ocorreu depois de seis anos de batalha por parte da Fiquem Sabendo e é considerado como um divisor de águas para a transparência no Brasil.
A ação segue tramitando para garantir que todos os documentos sejam entregues, sem tarjas e n íntegra, como é o caso ainda de vários informes.
Documentos classificados são informações públicas que, por motivos de segurança da sociedade ou do Estado, são temporariamente mantidas em sigilo. Os documentos obtidos já foram desclassificados e, portanto, estão fora do prazo de sigilo. De fato, entre 2014 e 2020, mais de 400 mil documentos federais perderam o sigilo.
Mas o acesso nem sempre está garantido. Assim, o projeto Sem Sigilo começou em 2019, quando a entidade convocou voluntários para pedir documentos cujo prazo de sigilo expirou. A iniciativa coletou milhares de páginas de dezenas de órgãos, mas enfrentaram resistência de entidades como Abin, GSI, Ministério da Defesa, Forças Armadas, Polícia Federal e Itamaraty.
Em 2020, eles ajuizaram uma ação contra a Abin. A ideia era enfrentar o órgão mais resistente à transparência pública porque apostavam que, se ganhassem, outros cairiam por gravidade.
Em 2021, o MPF acolheu parcialmente os argumentos e sugeriu que a Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI), do Congresso, analisasse os documentos. Corretamente, o Congresso se recusou, afirmando não ser sua competência.
Em 2023, a ação sofreu uma derrota em primeira instância. A Justiça aceitou o argumento da União de que a Abin poderia decidir sozinha o que divulgar ou não — mesmo contrariando o texto da LAI.
Mas, em maio de 2025, a 6ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) acatou o pedido e condenou, por unanimidade, a União e a Abin a entregar um conjunto de documentos mantidos ilegalmente sob sigilo.
*Jamil Chade/ICL
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A direita tenta convencer as pessoas que não tem candidato porque Bolsonaro está preso,
O fato é que isso pouco importa. Nna verdade, vender Bolsonaro ainda é mais caro do que vender todos os pangarés juntos, Tarcísio, Zema, Caiado e Ratinho.
Bolsonaro não poderia prometer que faria um governo igual ao aonterior, porque matou por covid 700 mil pessoas, colocou 33 milhões de brasileiros na mais absoluta miséria, devolveu o Brasil ao mapa da fome, desemprego nas alturas e preços, sobretudo dos alimentos, não tem graça comentar.
Na realidade, se Bolsonaro fosse candidato, faria de tudo para se afastar daquele Bolsonaro que arrasou com o Brasil, na economia, na saúde, na ciência, na educação, enquanto fazia lobby pesado pela bilionaríssima indústria intrnacional de armas.
Um sujeito desse já entraria na disputa eleitoral escondendo-se de si próprio, a não ser que quisesse dizer que, se vencesse, faria um governo ainda pior do que fez.
Esse é somente mais um problema da direita e, Bolsonaro como candidato, só dobrar a aposta daquela tragédia de quatro anos que nós brasileiros vivemos.
Dessa gente, não sai nada que não seja o desmonte do país.
No campo das ideias, a ideia inexiste, da moral, não tem graça comentar. Basta pegar a folha corrida dessa turma que está sendo caçada como ratos pela Polícia Federal, para confirmar o desastre. Até 2026, 80% do bolsonarismo oficial estará na cadeia em solidariedade ao chefe.
Essa é a vida real da direita brasileira, não a direita vendida como fábula por supostas pesquisas que ainda dão algum caldo para a fantasia dos caçadores de ETs e devotos de pneu.
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Alguma dúvida de que Sergio Moro fará companhia a Bolsonaro na Papuda?
Justo os dois que, em 2018, armaram a maior fraude eleitoral da história Brasil, têm a mesma ganância e o mesmo QI negativo.
O problema tanto de Moro quanto de Bolsonaro, é imaginar que todos têm a limitação cognitiva dos dois e, nesse ponto, a conja tem toda razão, “Bolsonaro e Moro, vejo uma coisa só”.
Na verdade, a frase está mal formulada, deveria ser, vejo um neurônio só, ambos, o que têm de ganância, têm de burrice, tanto que montaram seus castelos de poder deixando muito mais do que rastros de suas ligações com crimes, mas também produzindo provas irrefutáveis.
Não há como tirar o cheiro de bosta das próprias cuecas.
Bolsonaro já foi condenado, Moro está na última etapa para ser eleito o segundo maior vigarista desse país. É o famoso “agente secreto” com a bunda de fora, com seus bailes da cueca para chantagear gente graúda do judiciário paranaense.
Isso deixa claro que Sergio Moro tinha um projeto de poder fétido, sem limites, ignorando que toda a sua pilantragem lhe custaria muito caro. É nítido que ele não fez qualquer previsão de que sua intuição lhe daria um golpe fatal, dormindo o sono dos justos, acreditando que a parada estava ganha.
Mas o que assistimos agora é que a realidade de Moro se transformou numa grande madastra e Toni Garcia virou o nome de seu carrasco.
O influncer da Lava Jato morrerá pela própria esperteza, já que não faltam informações e provas de esquemas de escutas como se comandasse uma Abin curitibana que lhe desse todas as armas para, quando necessitasse, chantagear quem quisesse pelos motivos que lhe conviessem.
Fora a Globo que, por moivos óbvios, fecha-se em copas sobre os tais bailes da cueca, ainda tenta ridiculamente manter sob seu guarda-chuva um sujeito que , hoje, tem uma das imagens públicas mais embostecidas e que, certamente, colherá a tempestade que plantou.
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A Polícia Federal solicitou autorização ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para interrogar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre o conteúdo de dois cofres encontrados no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República.
O pedido integra uma apuração aberta após a localização de documentos pessoais do ex-mandatário e outros bens guardados nos compartimentos, descobertos mais de dois anos depois de Bolsonaro ter deixado o imóvel.
Segundo a PF, os cofres foram localizados e abertos em junho deste ano, durante diligência realizada após a corporação ser acionada pela Presidência da República.
No interior dos cofres, os agentes encontraram “documentos pessoais” de Jair Bolsonaro “junto a outros bens”, cujo conteúdo detalhado não foi divulgado até o momento. Diante disso, a PF considerou necessária a oitiva do ex-presidente para esclarecer a quem pertencem os itens e qual a origem do material armazenado.
“Tendo em vista terem sido encontrados documentos pessoais do ex-Presidente Jair Messias Bolsonaro, junto a outros bens, faz-se necessária a realização de oitiva do mesmo, para que se manifeste sobre a propriedade e origem de tais bens”, diz o ofício encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes.
A solicitação prevê que o interrogatório ocorra na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Segundo o DCM, o local é o mesmo onde Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão, determinada pelo STF após a condenação do ex-presidente por participação na tentativa de golpe de Estado.
A PF destacou que a oitiva é necessária exclusivamente para esclarecimentos sobre os cofres e não detalhou se os itens encontrados têm relação com outros inquéritos em curso.
No documento enviado ao Supremo, a corporação relata que foi acionada para investigar a existência dos cofres no Palácio da Alvorada, mas não informa a data exata em que o pedido partiu da Presidência.
A investigação foi aberta após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinar que a PF verificasse a presença de bens e documentos deixados pelo antecessor na residência oficial.
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Documentos até hoje mantidos em sigilo revelam que Abin recomendou que governo brasileiro “reavaliasse risco” da covid-19 e alertou sobre desabastecimento
O governo de Jair Bolsonaro sempre soube dos riscos que a covid-19 representava e foi alertado sobre a ameaça de desabastecimento de equipamentos de proteção para médicos, enfermeiras e pacientes.
Desde os primeiros dias da descoberta de um vírus na China, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) alertou ao Palácio do Planalto sobre o risco da crise sanitária e sugeriu medidas.
A informação faz parte de documentos da agência e que foram obtidos após uma longa batalha judicial pela Fiquem Sabendo, organização sem fins lucrativos especializada em transparência pública.
Em 2023 e depois de os documentos terem sido vetados pelo governo Bolsonaro, a imprensa brasileira publicou informes da Abin que faziam o alerta a partir de março de 2020.
Agora, os relatórios que começam a ser publicados pelo ICL Notícias revelam que a preocupação existia desde os primeiros dias do surto, ainda na China. Brasília foi alertada quase imediatamente sobre a crise.
Ao longo dos próximos dias, o ICL Notícias irá divulgar dezenas de documentos até então mantidos em sigilo.
A ação tardia do governo de Jair Bolsonaro, a recusa em seguir as recomendações internacionais e o negacionismo científico conduziram o país a ter um dos piores índices de contaminações pela covid-19 no mundo. Com mais de 700 mil mortos, o Brasil ainda esteve entre os países com maior número de vítimas fatais.
No Supremo Tribunal Federal, o comportamento do governo de Jair Bolsonaro diante da pandemia passou a ser alvo de um exame aberto por parte do ministro Flávio Dino.
Não foi, porém, por falta de alertas que o Brasil acumulou um dos resultados mais dramáticos na covid-19. No relatório de inteligência N° 0011, de 8 de janeiro de 2020, os agentes da Abin já informavam sobre o surto. “Em 3 jan. 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) foi notificada por autoridades chinesas sobre 44 pacientes com pneumonia de etiologia desconhecida na cidade de Wuhan, na província de Hubei”, indicou.
“Entre os pacientes, 11 estavam em estado grave é os demais encontravam-se clinicamente estáveis. Alguns pacientes trabalhavam em um mercado atacadista de frutos do mar”, apontou.
“O mercado possui 600 estabelecimentos, cerca de 1.500 trabalhadores e encontra-se fechado desde 1 jan. 2020, para ações de saneamento e desinfecção ambiental”, disse.
O documento destacava que existiam 59 casos confirmados em Wuhan, dos quais oito já receberam alta hospitalar em 8 de janeiro de 2020. “Há, também, 21 casos suspeitos em Hong Kong, todos com histórico de deslocamento e moradia em Wuhan. Desses, sete já foram descartados por identificação do agente etiológico (outros tipos virais). Ainda entre os casos suspeitos de pneumonia indeterminada, foram relatados oito casos em Macau, dois casos em Taiwan e um na Coréia do Sul”, disse.
“Os sintomas relatados são comuns a várias doenças respiratórias, no entanto, a gravidade apresentada em alguns casos requer prudência, principalmente pelo fato de o agente etiológico ainda não ter sido identificado”, alertou.
Brasil precisa reavaliar riscos A situação mudaria dramaticamente doze dias depois. Num informe de 20 de janeiro de 2020, a Abin alertava que “autoridades de Wuhan/China emitiram comunicado aumentando para 198 o número de infectados pela pneumonia viral causada por uma nova cepa de coronavírus”.
“Estima-se, no entanto, que o número de pessoas contaminadas seja maior”, apontou. “Os casos confirmados em outros países (Japão e Tailândia) reforçam a ideia de que existiria algum tipo de transmissão entre humanos, ainda que limitada”, insistiu.
Para a Abin, “o potencial de propagação da doença e o aumento do fluxo de chineses, em razão do feriado do Ano Novo Chinês, fez com que alguns países, como os Estados Unidos da América (EUA), reavaliassem os riscos e adotassem medidas de controle em alguns de seus aeroportos”.
“A falta de transparência e a demora no repasse de informações pelo governo chinês compromete a reavaliação do risco de propagação internacional do vírus, afetando inclusive a adoção de medidas preventivas pelas autoridades brasileiras”, advertiu.
O documento aponta que o cenário mais conservador da modelagem estimou que 996 pessoas já estivessem contaminadas na data da publicação da pesquisa. O pior cenário estimou 2.298 pessoas contaminadas. A média dos quatro cenários calculados pelo estudo indica que existam, ao menos, 1.723 casos. “O estudo afirma que a transmissão da doença de pessoa para pessoa não pode ser descartada”, disse.
Num outro trecho, a Abin é taxativa: “Necessidade de reavaliação do risco para o Brasil”.
“A probabilidade de que exista algum tipo de transmissão entre humanos (ainda que limitada) e o potencial de propagação da doença fez com que alguns países, como os BUA, reavaliassem o risco e adotassem medidas de controle em alguns de seus aeroportos”, disse.
“No Brasil, a comunidade chinesa (incluindo os sino-brasileiros) somam aproximadamente 250 mil pessoas. Os estados de São Paulo e Rio de Janeiro são relevantes pontos de trânsito no fluxo migratório de chineses para outras unidades federativas do Brasil”, afirmou.
“Além disso, o estado do Mato Grosso do Sul é ponto de entrada e trânsito de imigrantes chineses que ingressam no Brasil a partir da fronteira com Bolívia. As províncias de Guandong, Fujian e Zhejiang, na China, são as principais origens dos chineses que migraram para o Brasil na última década”, alertou.
Até aquele momento, a Organização Mundial da Saúde (OMS) desaconselhava a aplicação de quaisquer restrições de viagens ou comércio com os países com casos registrados do novo coronavírus.
“A falta de transparência e a demora no repasse de informações pelo governo chinês compromete a reavaliação do risco de propagação internacional do vírus, afetando igualmente a adoção de medidas preventivas pelas autoridades brasileiras”, completou.
Alerta sobre desabastecimento A situação ficaria ainda mais tensa dois meses depois. No dia 6 de março, o Relatório de Inteligência nº 0091/92200/ABIN/GSIPR alertaria sobre o risco de um desabastecimento no setor hospitalar.
“Devido à epidemia do novo coronavírus na China e à perspectiva de disseminação global da doença, alguns países fecharam suas fronteiras terrestres e outros se recusaram a receber passageiros provenientes das regiões mais afetadas pela doença. Na China, diversas empresas paralisaram as atividades, e a cidade de Wuhan, epicentro da epidemia, continua em quarentena”, apontou.
“Tal paralisação, ocorrida durante o mês de fevereiro, impactou negativamente o setor produtivo chinês, que apresentou queda de 14,3% na produção industrial. A tendência é de que os efeitos da epidemia ainda afetem o índice de março, uma vez que a produção ainda não está normalizada no país”, disse o documento.
A Abin constata que “o fato de a China ter ampliado, nos últimos anos, sua importância como fornecedora de produtos médico-hospitalares no mercado global faz com que haja preocupação com o desabastecimento desses artigos”.
“Em 2018, a China foi o segundo maior exportador de medicamentos e produtos hospitalares para os Estados Unidos da América (EUA), o que indica a magnitude que a queda na produção em meio ao cenário de aumento na demanda poderia ter”, alertou.
O documento não deixa dúvidas do impacto sobre o país. “No Brasil, há crescente dependência de importações de produtos médico-hospitalares, sobretudo de alta tecnologia, o que representa vulnerabilidade da política nacional de saúde. Ademais, nos últimos anos, o Brasil vem perdendo competitividade no nicho de mercado em que se especializou ao longo das últimas décadas – produtos de baixo valor tecnológico, produzidos em larga escala e com baixas margens de lucro – para países como China e Singapura. Ambos os países são focos da COVID-19 e podem ter suas cadeias produtivas afetadas”, disse.
O documento revela que, em 28 de janeiro de 2020, representantes da embaixada chinesa solicitaram EPIs (equipamentos de proteção individual), em caráter de doação, ao Ministério da Saúde do Brasil. “Inicialmente, os principais produtos em falta na China eram máscaras N95 e óculos de proteção. Com a evolução da epidemia, suprimentos como gorros, luvas e botas também se tornaram escassos. Para suprir a demanda por esses produtos, a China reduziu a tarifa sobre alguns produtos importados dos EUA. A tarifa original, que era de 10% em 2019, foi ajustada para 2,5% em alguns produtos”, explicou.
“Além dos EPIs, há temor que faltem insumos farmacêuticos para produção de medicamentos e correlatos. Os medicamentos de ação ampla mais recomendados como tratamento offlabel (indicação medicamentosa não padronizada) da COVID-19 são: Ribavirina, que é um agente antiviral usado no tratamento da hepatite C; Lopinavir/Ritonavir, usados no tratamento do HIV; Oseltamivir, utilizado no tratamento da influenza; e Interferon beta-1b recombinante, que possui atividade antiviral e imunomoduladora”, disse.
A Abin apontou que, de fato, no Brasil, o Ministério da Saúde planejava a compra do triplo da média de consumo de EPIs para noventa dias, como medida de prevenção a eventual pandemia de COVID-19. “Parte da compra, no entanto, não pôde ser concretizada, por falta da oferta de máscaras de proteção no mercado”, disse.
O documento revelou que estava prevista uma reunião entre o Ministério da Saúde e representantes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) para verificar se o Brasil pode fabricar equipamentos de proteção individual (EPIs) e diminuir a dependência de importação.
O informe servia de alerta. “A perspectiva de disseminação global da COVID-19 e sua conversão em pandemia deve ampliar as restrições de viagens e interferir o fluxo comercial entre os países. Além disso, há perspectiva de escassez de produtos médico-hospitalares em decorrência do aumento da demanda. Os setores de fabricação e consumo de produtos médico-hospitalares e de insumos farmacêuticos no Brasil podem sofrer impactos negativos caso não haja ajuste na produção interna para atendimento da demanda e na busca por fornecedores alternativos” completa.
Alguns meses depois, porém, a situação interna da Abin seria profundamente modificada. Os agentes foram orientados a produzir informes “positivos” sobre a cloroquina, sob o governo de Jair Bolsonaro, e uma decisão de não seguir as orientações resultou na supressão dos informes. A agência ainda elaborou relatórios de inteligência alertando ao Palácio do Planalto de que a aposta do então governo pelo remédio não funcionava. Mas jamais foram ouvidos.
Esses últimos dados fazem parte de um documento reunido pela agência e que, sem alarde, foi publicado oficialmente pela Abin. Em sua introdução, a constatação: houve uma tentativa deliberada do governo de suprimir os alertas feitos pela agência diante de uma doença que, ao longo dos meses, deixou 700 mil mortos.
Naquele momento, a agência era comandada por Alexandre Ramagem Rodrigues, que liderou a Abin entre 2019 e 2022. Em 21 de novembro de 2024, ele foi indiciado por abolição violenta do estado democrático de direito, golpe de estado e organização criminosa. Hoje, vive nos EUA.
Como foram obtidos os documentos O acesso aos documentos da Abin ocorreu depois de seis anos de batalha por parte da Fiquem Sabendo e é considerado como um divisor de águas para a transparência no Brasil.
A ação segue tramitando para garantir que todos os documentos sejam entregues, sem tarjas e na íntegra, como é o caso ainda de vários informes.
Documentos classificados são informações públicas que, por motivos de segurança da sociedade ou do Estado, são temporariamente mantidas em sigilo. Os documentos obtidos já foram desclassificados e, portanto, estão fora do prazo de sigilo. De fato, entre 2014 e 2020, mais de 400 mil documentos federais perderam o sigilo.
Mas o acesso nem sempre está garantido. Assim, o projeto Sem Sigilo começou em 2019, quando a entidade convocou voluntários para pedir documentos cujo prazo de sigilo expirou. A iniciativa coletou milhares de páginas de dezenas de órgãos, mas enfrentaram resistência de entidades como Abin, GSI, Ministério da Defesa, Forças Armadas, Polícia Federal e Itamaraty.
Em 2020, eles ajuizaram uma ação contra a Abin. A ideia era enfrentar o órgão mais resistente à transparência pública porque apostavam que, se ganhassem, outros cairiam por gravidade.
Em 2021, o MPF acolheu parcialmente os argumentos e sugeriu que a Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI), do Congresso, analisasse os documentos. Corretamente, o Congresso se recusou, afirmando não ser sua competência.
Em 2023, a ação sofreu uma derrota em primeira instância. A Justiça aceitou o argumento da União de que a Abin poderia decidir sozinha o que divulgar ou não — mesmo contrariando o texto da LAI.
Mas, em maio de 2025, a 6ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) acatou o pedido e condenou, por unanimidade, a União e a Abin a entregar um conjunto de documentos mantidos ilegalmente sob sigilo.
*Jamil Chade/ICL
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