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Moraes manda prender Eduardo Bolsonaro e iniciar pena de 4 anos

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta (7) o início do cumprimento da pena de Eduardo Bolsonaro, condenado a 4 anos e 2 meses de prisão em regime inicial semiaberto por coação no curso do processo. Moraes também ordenou a expedição de um mandado de prisão contra o ex-deputado.

A decisão registra que a condenação transitou em julgado em 3 de outubro, encerrando as possibilidades de recurso e permitindo a execução da pena. A Secretaria Judiciária do STF certificou o trânsito em julgado em 5 de outubro.

A Primeira Turma do STF condenou Eduardo por unanimidade em junho. Os ministros concluíram que ele atuou para interferir no julgamento de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, na ação sobre a trama golpista.

Na condenação, o Supremo apontou que Eduardo usou o mandato de deputado federal para buscar sanções de um país estrangeiro contra autoridades brasileiras, entre elas ministros da Corte e o procurador-geral da República. Para os ministros, a iniciativa buscava constranger autoridades e dificultar o julgamento de Jair Bolsonaro.

Passaportes cancelados e comunicação à Polícia Federal
Moraes mandou encaminhar o mandado à Polícia Federal e incluí-lo no Banco Nacional de Monitoramento de Prisões. O ministro também determinou a expedição da guia de recolhimento, documento que formaliza a execução penal.

A decisão cancelou todos os passaportes brasileiros emitidos em nome de Eduardo Bolsonaro. Ele vive nos Estados Unidos desde 2025, e os documentos brasileiros passam a não ter validade.

O STF abriu o procedimento de execução penal e enviará à Procuradoria-Geral da República a documentação para cobrança da multa imposta na sentença: 50 dias-multa, cada um no valor de dois salários mínimos.

De acordo com o DCM, Moraes ainda mandou comunicar o Tribunal Superior Eleitoral sobre a suspensão dos direitos políticos enquanto durarem os efeitos da condenação.

O ministro também determinou que o diretor-geral da Polícia Federal adote providências sobre a perda do cargo de escrivão da corporação, efeito previsto na condenação. A Defensoria Pública da União, responsável pela defesa de Eduardo no processo, pediu absolvição e alegou proteção das manifestações pela liberdade de expressão; os embargos apresentados após a sentença foram rejeitados por unanimidade pela Primeira Turma em setembro.


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Brasil Mundo

Documentos ligam lobby de Eduardo Bolsonaro a fundo secreto de Trump contra o STF

Programa de US$ 1 milhão foi criado pelo Departamento de Estado norte-americano para financiar ações no Brasil contra Corte Suprema

Documentos do governo de Donald Trump e do Congresso norte-americano revelam a existência de um fundo secreto de US$ 1 milhão liberado pelo Departamento de Estado para financiar ações contra o Supremo Tribunal Federal (STF). O programa, batizado de Countering Lawfare and Censorship in Brazil, teve os recursos liberados em 30 de outubro, cinco dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras. As informações são do UOL.

Os mesmos documentos registram o lobby do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) junto a autoridades americanas pela aplicação de sanções ao ministro Alexandre de Moraes, com o objetivo declarado de forçar uma anistia ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Fundo secreto dos EUA contra o STF
Segundo documentos obtidos pelo UOL, o Departamento de Estado dos EUA patrocinou o programa Countering Lawfare and Censorship in Brazil, algo como “Enfrentando o lawfare e a censura no Brasil”, com dotação de US$ 1 milhão, equivalente a R$ 5 milhões.

Os recursos foram liberados em 30 de outubro, cinco dias antes do primeiro turno da eleição presidencial no Brasil, em um momento de intensa polarização política no país.

Os documentos descrevem o fundo como uma ferramenta para “apoiar a sociedade civil para combater o ativismo judicial excessivo e a censura no Brasil”.

Um dos textos é mais explícito e afirma que “o prêmio visa mirar o Supremo Tribunal Federal do Brasil (STF) e a percepção de que a Corte está atacando a liberdade de expressão nos EUA”.

O documento também menciona ordens para “remoção de uma publicação sobre Trump” nas redes sociais, em possível referência às decisões do inquérito das fake news, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, que atingiram residentes americanos.

O fundo havia sido revelado pelo jornal britânico The Guardian, que o identificou como parte de uma lista de 43 programas do Departamento de Estado.

O enquadramento adotado pelos documentos americanos, ao descrever decisões soberanas do STF como “censura” e “ativismo judicial excessivo”, reproduz a narrativa construída pela direita bolsonarista desde que Moraes passou a atuar nos inquéritos sobre desinformação e a tentativa de golpe de Estado.

A adoção dessa narrativa como justificativa oficial para um fundo governamental americano evidencia a aproximação entre o discurso defendido por aliados de Jair Bolsonaro e as ações adotadas pelo governo dos Estados Unidos em relação ao Brasil.

O lobby de Eduardo Bolsonaro
Os documentos vão além de descrever o fundo e registram nominalmente a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

“O deputado brasileiro Eduardo Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, está fazendo lobby junto ao governo dos EUA para que sanções sejam impostas ao ministro Moraes”, afirma um dos trechos, segundo a apuração do UOL.

Nos documentos acessados pela reportagem, não há confirmação de que Eduardo tenha recebido recursos do fundo. Procurado por mensagem e telefonema, ele não se manifestou até a publicação.

Eduardo se mudou para o Texas em fevereiro de 2025 e, desde então, conduziu uma campanha junto a autoridades americanas pela aplicação de punições a autoridades brasileiras, com foco em Alexandre de Moraes.

O objetivo declarado seria forçar algum tipo de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão no inquérito da trama golpista.

A campanha produziu resultados concretos. Moraes chegou a ser alvo de sanção pela “Lei Global Magnitsky”, enquanto outros ministros do STF foram incluídos em uma lista de restrição de vistos para os Estados Unidos pelo governo Trump.

A atuação também teve consequências para o próprio Eduardo Bolsonaro: ele foi condenado pelo STF a 4 anos e 2 meses de prisão por sua atuação no caso.

O registro do lobby de Eduardo nos documentos do fundo americano indica que a campanha do ex-deputado passou a integrar a justificativa oficial de um programa governamental dos Estados Unidos.

Os documentos, dessa forma, revelam uma sobreposição entre a agenda política defendida pela família Bolsonaro e as ações adotadas pelo governo Trump em relação ao Brasil.

Controvérsias e sigilo
O programa passou por uma mudança relevante em seus termos. Inicialmente descrito como de “concorrência aberta”, com chamamento público a indivíduos ou entidades interessadas, o fundo foi posteriormente convertido para “concorrência restrita”, direcionada a poucos selecionados.

Um dos documentos justifica a mudança afirmando que “a divulgação pública do programa comprometeria sua eficácia, prejudicaria os interesses diplomáticos dos EUA no Brasil e exporia os executores ao risco de ações judiciais”.

A menção ao risco jurídico para os executores chama atenção por indicar que os responsáveis pelo programa consideraram a possibilidade de implicações legais decorrentes das atividades realizadas no Brasil.

O sigilo vai além da mudança de modalidade.

A identidade dos beneficiários dos recursos é mantida em segredo até mesmo de membros do Congresso americano e de servidores públicos que normalmente teriam acesso a esse tipo de informação.

O Departamento de Estado não respondeu à reportagem sobre quem são os destinatários finais dos valores.

Com recursos públicos, objetivos políticos declarados, beneficiários mantidos sob sigilo e uma justificativa baseada em interesses diplomáticos, o programa permanece distante do escrutínio de integrantes das próprias instituições americanas responsáveis por acompanhar esse tipo de iniciativa.

*Opera Mundi


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Política

Governo já monitorava risco apontado por Moraes enquanto extrema direita se mobiliza contra STF

Suspeita envolve manipulação de informações; Eduardo Bolsonaro busca novas sanções e Jason Miller pressiona STF

O governo brasileiro já monitorava o risco de grupos estrangeiros usarem a manipulação de dados, a produção de informes e estruturas públicas ou privadas para interferir no ambiente político do país antes de Alexandre de Moraes apontar a possível participação de agentes externos na produção de um relatório da Polícia Federal. A suspeita surge enquanto atores da extrema direita intensificam a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) no exterior, às vésperas da eleição.

Nas últimas semanas, a “produção de informes” e a manipulação de dados passaram a ser tratadas em setores do governo como potenciais áreas de atuação internacional. A preocupação é que eventuais operações sejam usadas para aprofundar a instabilidade política durante o processo eleitoral.

“A declaração do ministro não surpreendeu ninguém”, afirmou à reportagem um interlocutor em Brasília.

Na área de inteligência, a possibilidade de interferência externa também é considerada crível. A crise política envolvendo o STF é vista como uma vulnerabilidade que pode ser explorada por atores estrangeiros interessados em influenciar o ambiente brasileiro. A avaliação, porém, é de que a suspeita apresentada por Moraes precisa agora ser submetida a uma investigação técnica.

“Tudo é crível”, resumiu um integrante da área de inteligência ouvido pela reportagem.

Moraes fala em relatório produzido fora da PF
A acusação apareceu numa manifestação de 44 páginas enviada por Moraes no domingo (14) ao presidente do STF, Edson Fachin, no âmbito da Petição 16.704. O documento respondeu a um pedido de esclarecimentos da Presidência da Corte em meio à crise provocada pelas investigações do Banco Master.

Moraes questiona a origem de um relatório da Polícia Federal que reuniu informações contra ele e sustenta que os metadados do arquivo mostram que o documento não teria sido produzido integralmente dentro da corporação.

“O relatório não foi produzido integralmente na Polícia Federal, mas sim com auxílio de órgão externo, provavelmente órgão estrangeiro”, escreveu. Na mesma passagem, classificou o episódio como uma “clara tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026”.

Mais adiante, Moraes afirma que o tempo de elaboração seria incompatível com a complexidade do trabalho e diz que os metadados demonstrariam que o documento “não foi produzido efetivamente pela Polícia Federal, mas sim por agentes externos — pela forma de produção, provavelmente estrangeiros”.

Na versão apresentada pelo ministro, o relatório teria chegado pronto à PF e sido posteriormente inserido nos computadores da instituição. Em outro trecho, Moraes diz que o documento teria sido “‘plantado’ nos computadores da PF” e associa o episódio às pressões internacionais sofridas pelo STF, entre elas cancelamentos de vistos e sanções aplicadas pelos Estados Unidos.

A manifestação não identifica país, agência, organização ou pessoa estrangeira que teria produzido o material. É justamente esse o ponto que, na avaliação da inteligência, transforma a acusação numa questão que precisa ser investigada.

Inteligência vê vulnerabilidade a operações externas
O primeiro passo seria determinar se houve realmente a quebra da cadeia de custódia indicada por Moraes. Isso significa reconstruir por onde passaram os dados e o relatório, quem teve acesso a eles e se houve manipulação fora do ambiente autorizado.

“Houve o metadado? Houve. Houve a quebra de custódia? Essa é a primeira pergunta”, afirmou o integrante da área de inteligência.

Se o documento entrou pronto nos sistemas da PF, como sustenta Moraes, houve necessariamente uma ação humana para colocá-lo ali. A investigação teria então de determinar se isso ocorreu de maneira regular, por erro ou de forma deliberada.

“Se houve isso, houve um erro humano. Esse erro pode ter sido intencional ou não intencional”, afirmou. Se comprovada a quebra, a pergunta seguinte seria direta: “Tem que ver se essa quebra de custódia foi intencional ou não e, se intencional, quem influenciou.”

A suspeita ganha relevância, segundo a análise feita à reportagem, porque ocorre num momento de forte projeção política dos Estados Unidos sobre o Brasil e de confronto aberto de integrantes do governo americano com Moraes.

“Existe claramente uma tendência de projeção de poder dos Estados Unidos dentro da soberania brasileira”, afirmou. A avaliação é de existem elementos concretos no cenário político que tornam uma operação de influência possível, embora não comprovem a participação americana no relatório.

A disputa interna no Supremo aumenta essa vulnerabilidade. Na avaliação apresentada à reportagem, uma operação estrangeira não precisaria criar uma crise: poderia explorar uma divisão já existente.

“É sim possível uma influência, uma operação de inteligência que ajude quem procura influir num ponto que é vulnerável, que é a guerra política dentro do STF”. Segundo fontes na área de inteligência, a crise criada pelo caso master teria deixado a corte vulnerável a interferências externas por atores interessados em influir no processo eleitoral brasileiro.

A área de inteligência também trabalha com a possibilidade de uma interferência não partir diretamente de funcionários de um governo estrangeiro. Entidades privadas, grupos da sociedade civil ou especialistas com capacidade tecnológica podem funcionar como intermediários.

“Para não terem as digitais nesses processos, governos delegam esse trabalho a terceiros”, explicou outro interlocutor do governo que acompanha o mapeamento das ameaças à eleição.

Extrema direita amplia pressão sobre o STF
A suspeita aparece no momento em que integrantes da extrema direita brasileira e aliados nos Estados Unidos aumentam a pressão sobre o STF.

Eduardo Bolsonaro viajou para Washington com o objetivo de buscar uma nova rodada de sanções contra integrantes da Corte. O ex-deputado pretende usar episódios do julgamento como argumento junto a interlocutores americanos.

Jason Miller, ex-conselheiro de Donald Trump e apoiador de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também passou a direcionar publicações ao julgamento. Ele divulgou uma imagem produzida por inteligência artificial mostrando Moraes com uma tornozeleira eletrônica e, em outra postagem, publicou fotografias de Moraes e Daniel Vorcaro acompanhadas da expressão “tick-tock, Xandão”.

Não há elemento apresentado até agora que vincule esses movimentos à suposta participação estrangeira na produção do relatório. Eles compõem, porém, o ambiente de pressão internacional que já vinha sendo acompanhado em Brasília.

Para integrantes do governo, o período eleitoral tende a ampliar os riscos. Operações camufladas e o eventual uso de empresas ou estruturas privadas de tecnologia estão entre os cenários considerados, com atenção especial ao intervalo entre o primeiro e o segundo turno.

“Há uma movimentação real no submundo da tecnologia que não pode ser ignorada”, afirmou um experiente interlocutor do governo.

Uma das avaliações ouvidas pela reportagem dimensiona a preocupação de forma ainda mais contundente: a ingerência externa é considerada a maior ameaça desse tipo enfrentada pelo país desde o período que antecedeu o golpe de 1964.

A acusação de Moraes introduziu um caso concreto nesse cenário. Saber se ele corresponde ou não a uma operação externa depende agora de algo verificável: reconstruir a origem e o percurso do relatório atribuído à Polícia Federal.

*Cleeber Lourenço e Jamil Chade/Uol


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Política

Prego no caixão do clã: Sete pagamentos, US$ 12,3 milhões e a sombra que chega a Flavio e Eduardo Bolsonaro

A história do chamado Dark Horse acaba de ganhar uma peça que pode mudar radicalmente o peso das suspeitas que cercam o caso. Segundo o relato apresentado à Procuradoria-Geral da República, o empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, confirmou ter realizado sete transferências que totalizaram US$ 12,3 milhões — cerca de R$ 69 milhões na cotação da época — para um fundo nos Estados Unidos administrado pelo advogado Paulo Calixto, ligado a Eduardo Bolsonaro. Os pagamentos teriam sido realizados entre fevereiro e setembro de 2025, a pedido do banqueiro Daniel Vorcaro.

Não se trata, portanto, de uma transferência isolada, de uma operação perdida no emaranhado financeiro ou de uma movimentação cuja existência possa ser simplesmente tratada como detalhe burocrático. São sete pagamentos. São milhões de dólares. E existe um delator apontando a origem e a motivação das transferências.

É justamente essa sequência que torna o episódio politicamente explosivo.

Durante meses, o caso poderia ser apresentado como uma sucessão de coincidências, versões desencontradas e relações financeiras difíceis de rastrear. Agora, porém, surge o relato de alguém que afirma ter participado diretamente das operações. Se as informações forem confirmadas documentalmente pelas autoridades, a pergunta deixa de ser apenas “quem recebeu o dinheiro?” e passa a ser muito mais incômoda: por que um banqueiro como Daniel Vorcaro teria determinado o envio de US$ 12,3 milhões para um fundo ligado ao advogado de Eduardo Bolsonaro?

E há outra questão que não pode ser empurrada para debaixo do tapete: qual era exatamente a finalidade desses recursos?

As reportagens que divulgaram o depoimento relacionam os pagamentos ao financiamento do filme Dark Horse, produção associada à família Bolsonaro. Se essa conexão for comprovada, estaremos diante de uma operação financeira de proporções extraordinárias envolvendo um banqueiro investigado, recursos milionários enviados ao exterior e um fundo administrado por um advogado próximo a Eduardo Bolsonaro.

Isso exige muito mais do que explicações políticas de ocasião.

Exige documentos, contratos, comprovantes bancários, identificação dos beneficiários efetivos e a reconstrução completa do caminho percorrido por cada dólar.

Porque US$ 12,3 milhões não desaparecem em uma conta bancária por acaso.

E sete pagamentos também não são um detalhe.

O que está em jogo agora é uma engrenagem muito mais complexa — uma engrenagem na qual dinheiro, poder político, interesses privados e relações internacionais se encontram em uma mesma operação.

O depoimento do delator não é, por si só, prova definitiva de crime. Mas é uma peça de enorme relevância investigativa. E, justamente por isso, não pode ser tratado como mais uma notícia passageira do noticiário político.

A sociedade tem o direito de saber quem mandou, quem recebeu, para quê, por qual razão e o que foi feito com os recursos.

Porque quando a cifra chega a US$ 12,3 milhões, quando são sete pagamentos, quando o dinheiro atravessa fronteiras e quando aparece no caminho o círculo político ligado à família Bolsonaro, a pergunta deixa de ser apenas financeira.

Passa a ser uma pergunta de interesse público.


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Allan dos Santos detonou Nikolas Ferreira. E o mais interessante é que Allan raramente entra em campo sem o diapasão de Eduardo Bolsonaro

Allan dos Santos resolveu atacar Nikolas Ferreira — e o episódio merece ser observado com atenção, não apenas pelo que foi dito, mas pelo que revela sobre a guerra interna pelo comando político e discursivo da direita bolsonarista.

É evidente que não se pode afirmar, sem provas, que Allan esteja cumprindo uma orientação de Eduardo Bolsonaro. Mas também seria ingenuidade tratar como irrelevante a proximidade política entre os dois. Allan construiu sua atuação pública dentro do núcleo mais radical do bolsonarismo e Eduardo Bolsonaro é uma de suas principais referências políticas. Quando esse ambiente passa a mirar Nikolas, a pergunta que se impõe é inevitável: o que está em disputa?

E Nikolas Ferreira está longe de ser uma vítima inocente dessa disputa.

O deputado construiu sua carreira política explorando justamente a radicalização do discurso, a guerra cultural, a indignação permanente nas redes sociais e a transformação da política em espetáculo digital. Tornou-se uma máquina de comunicação e aprendeu rapidamente que, no ecossistema bolsonarista, visibilidade é poder.

Mas há uma diferença entre ser um grande fenômeno de redes sociais e apresentar-se como liderança política capaz de sustentar um projeto nacional.

Nikolas acumulou seguidores, audiência e capital eleitoral. O problema é que esse crescimento também alimenta uma característica recorrente de sua atuação: a política reduzida à provocação, ao confronto e ao cálculo de engajamento. É muito mais fácil incendiar uma rede social do que apresentar respostas consistentes para os problemas concretos do país.

E é justamente por isso que o ataque de Allan dos Santos ganha outra dimensão.

A disputa não parece ser apenas sobre Nikolas. É sobre quem terá o direito de ocupar o espaço deixado pela crise e pela fragmentação do bolsonarismo.

Nikolas quer esse espaço. Eduardo Bolsonaro também é um dos personagens que disputam influência sobre esse eleitorado. E Allan, ao atacar Nikolas, entra diretamente nesse ambiente de disputa.

O curioso é que Nikolas, que tantas vezes se apresenta como dono de uma espécie de autoridade moral sobre a direita, agora experimenta uma velha regra da política que parece ter aprendido apenas quando o alvo deixou de ser o adversário tradicional: quem constrói sua carreira na lógica do ataque também precisa estar preparado para ser atacado pelos seus próprios aliados.

E talvez essa seja a parte mais reveladora.

Quando o conflito era contra adversários externos, Nikolas desfrutava do conforto de falar para uma plateia praticamente homogênea. Agora, ao crescer dentro do próprio campo, passou a ocupar um território que já tem donos, pretendentes e herdeiros.

O ataque de Allan, portanto, expõe uma fragilidade que Nikolas não consegue resolver com vídeos, cortes ou frases de efeito: a direita radical também tem sua guerra de sucessão.

E nessa guerra ninguém é apenas vítima.

Nikolas ajudou a construir o ambiente político em que a agressividade, a desqualificação do adversário e a política transformada em espetáculo se tornaram ferramentas de ascensão. Agora, ao ser atingido pela mesma lógica, não pode fingir surpresa.

No final das contas, há uma ironia poderosa nesse episódio: os personagens que passaram anos dizendo que estavam unidos por princípios começam a revelar que, quando chega a hora de disputar poder, os princípios cedem rapidamente lugar à velha e conhecida briga pelo espólio.

E Nikolas Ferreira, que parecia tão confortável atacando os outros, começa a descobrir que crescer dentro desse universo tem um preço: quanto maior o espaço que ocupa, maior o número de aliados que passam a enxergá-lo como concorrente.

Lembrando que Nikolas Ferreira é mais um dos bolsonaristas que aparecem envolvidos com Daniel Vorcaro.


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Mansões, carros de luxo, viagens: a vida de Eduardo Bolsonaro e Figueiredo nos EUA

Por Alice Maciel (ICL Notícias) e Natalia Viana (Agência Pública)

Mansões, carros de luxo, viagens: a vida de Eduardo Bolsonaro e Figueiredo nos EUAEduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo foram centrais na articulação para impor tarifas contra o Brasil e retaliações contra ministros do Supremo. Desde 2025, eles participaram de dezenas de reuniões com deputados republicanos e membros do governo dos EUA pedindo intervenções em resposta à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023.

Em maio de 2025, três meses após se mudar para o Texas e anunciar que viveria uma espécie de “autoexílio”, Eduardo Bolsonaro comprou um carro novo. Não exatamente um modelo econômico para atravessar tempos difíceis. Ele adquiriu um GMC Acadia Elevation 2025 preto, um SUV de três fileiras de assentos, avaliado em cerca de 43,8 mil dólares nos EUA, o que equivale a aproximadamente R$ 226 mil.

Os registros de gastos associados à família Bolsonaro nos EUA mostram que, desde a mudança para o país, em fevereiro do ano passado, o padrão de vida não parece ter encolhido, nem mesmo após o STF determinar o bloqueio dos bens de Eduardo Bolsonaro e de sua esposa, Heloísa Bolsonaro, em julho de 2025. Eduardo ainda perdeu o salário que recebia como deputado federal em dezembro, quando seu mandato foi cassado por faltas, e, desde 2015, não recebe salário como escrivão da PF, de onde a corporação recomendou sua demissão por abandono do cargo.

Ao chegar aos EUA, o ex-deputado escolheu Arlington, no Texas, onde já havia mantido uma empresa entre 2023 e 2024. A residência alugada estava longe de ter as dimensões de um refúgio improvisado. Tinha pouco mais de 300 metros quadrados, quatro quartos e quatro banheiros, com valor de mercado estimado em 707,7 mil dólares (cerca de R$ 3,6 milhões). O valor da locação anunciado em sites imobiliários, quando eles alugaram a casa, era de 4,5 mil dólares, aproximadamente R$ 23,3 mil na cotação atual.

Em maio de 2025, Jair Bolsonaro chegou a transferir R$ 2 milhões ao filho. “Botei dinheiro na mão dele, dinheiro limpo, legal, Pix”, afirmou o ex-presidente.

Dias dep

ois, Eduardo chegou a reclamar para o pai, em mensagens trocadas por Whatsapp, que estava “se fodendo” nos EUA. Ao reclamar de uma entrevista em que Jair dizia que o filho era imaturo, Eduardo reclamou que, ao jogar ele para baixo, o ex-presidente o estaria condenando a passar o “resto da vida nessa porra aqui”. “VTNC seu ingrato do caralho!”, escreveu.

A situação parece ter melhorado desde então. Pouco mais de um ano depois, em maio de 2026, a família trocou Arlington por um endereço ainda mais valorizado, em Southlake, uma das cidades mais ricas do Texas, onde a renda familiar média é de 250 mil dólares – três vezes maior do que em Arlington, por exemplo. Eduardo, a esposa e os dois filhos moram atualmente em uma casa que oferece “uma vida de resort”, conforme revelou o The Intercept Brasil.

Avaliada em 1,22 milhão de dólares, cerca de R$ 6 milhões, a mansão foi anunciada para aluguel por aproximadamente 5,9 mil dólares (em torno de R$ 30 mil mensais), segundo anúncios imobiliários que permaneceram ativos até fevereiro deste ano. O imóvel tem 424 metros quadrados de área construída, em um terreno de 1.366 metros quadrados, quatro quartos e piscina, além de acesso a um clube com quadras de tênis e a uma lagoa.

Fotos da casa de Eduardo Bolsonaro

A filha mais velha do casal Bolsonaro, de cinco anos, foi matriculada numa escola cristã a cerca de 15 minutos de casa, com custo anual de 18 mil dólares (R$ 93,4 mil), conforme divulgado no site da escola.

Eduardo nega ter usado parte da verba do filme Dark Horse para custear sua vida nos EUA. O filme foi financiado com cerca de R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, por meio do Fundo Havengate. O negócio veio à tona após reportagem do Intercept Brasil. Conforme revelou o portal, Flávio Bolsonaro chegou a pedir o dobro desse valor ao banqueiro, hoje preso por gestão fraudulenta e estelionato, lavagem de dinheiro, corrupção de servidores públicos, organização criminosa e obstrução da Justiça.

“A história de que recebi dinheiro do fundo de investimento não se sustenta e é tosca”, afirmou Eduardo em suas redes sociais. “No meu processo migratório, expliquei às autoridades americanas toda a origem dos meus recursos e não tive qualquer problema”, disse.

Procurado pela reportagem, Eduardo não respondeu como financia seu padrão de vida nos Estados Unidos.

Em outras ocasiões, ele afirmou que se mantém com “renda passiva” e já disse também que recebe dinheiro por meio de cursos que ministra – os cerca de 50 mil dólares que ele disse ter investido no filme Dark Horse, por exemplo, teriam esta origem.

20 viagens em 18 meses
Chama a atenção o volume de dinheiro que Eduardo Bolsonaro vem gastando com viagens dentro e fora dos EUA. Desde fevereiro do ano passado, o ex-deputado federal viajou ao menos 20 vezes, entre compromissos políticos e passeios turísticos.

Para comemorar o primeiro aniversário de Heloísa Bolsonaro após a mudança para os EUA, a família foi para a Disney em junho de 2025. Cinco meses depois, em dezembro, Eduardo Bolsonaro esteve na cidade de Park City, em Utah, destino nas montanhas conhecido internacionalmente por suas estações de esqui. A passagem ocorreu justamente no início da alta temporada de neve na região.

Já em fevereiro deste ano, Eduardo viajou para West Palm Beach, na Flórida, onde o custo diário de acomodação pode ser superior a R$ 1.000.

Durante a Copa do Mundo, ele foi a Miami assistir à partida entre Brasil e Escócia, que ocorreu no dia 24 de junho. Ficou hospedado em um hotel de luxo, que cobra diárias de R$ 16 mil e chega a oferecer pacotes de experiência avaliados em um milhão de dólares, conforme revelou a Revista Fórum.

Mas a maior parte dos deslocamentos do ex-deputado desde que se mudou para os EUA está ligada à sua atuação política. Ao lado de Paulo Figueiredo, Eduardo tem se mobilizado para pressionar o governo norte-americano a impor sanções ao Brasil e a ministros do STF. Juntos, os dois estiveram pelo menos sete vezes em Washington e fizeram outras três viagens a Mar-a-Lago, na Flórida. Paulo frequenta o resort desde 2019 e parece manter sua primeira impressão: “simplesmente lindo!”

Em meados de maio, Eduardo hospedou-se, junto com Paulo, no histórico hotel Willard Intercontinental Washington, quando se reuniram com Trump na Casa Branca. Eduardo e sua turma alugaram os quartos, que têm preço a partir de R$ 1,5 mil por noite, mas podem chegar a custar R$ 50 mil por diária. Eles chegaram a receber, no hotel, a visita de Darren Beattie, assessor sênior de política para o Brasil no Departamento de Estado.

Eduardo Bolsonaro no Willard Hotel, em maio de 2026. Foto: Ken Silverstein / Agência Pública

Eduardo Bolsonaro no Willard Hotel, em maio de 2026. Foto: Ken Silverstein / Agência Pública

A agenda de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo também cruzou as fronteiras norte-americanas, com pelo menos três viagens ao Oriente Médio.

“Pra quem surfa, sabe que isso aqui é o que há de melhor no mundo.” Com uma prancha debaixo do braço, Eduardo Bolsonaro aparece diante da maior piscina de ondas artificiais do mundo, em Abu Dhabi. No vídeo, publicado em 8 de fevereiro, ele também demonstra suas habilidades ao longo de uma sequência de manobras. As imagens foram gravadas no Surf Abu Dhabi, na ilha de Hudayriyat, onde uma sessão de 45 minutos para surfistas de nível intermediário e avançado custa 1,8 mil dirhams dos Emirados Árabes Unidos (AED) US$ 953 — cerca de R$ 2,5 milhões.

Eduardo Bolsonaro com prancha de surfe em Abu Dhabi

Eduardo no Surf Abu Dhabi, na ilha de Hudayriyat

Na ocasião, Eduardo viajava pelo Oriente Médio ao lado do irmão, o senador e então pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro, e de Paulo Figueiredo. O trio divulgou encontros com autoridades no Bahrein e nos Emirados Árabes Unidos como parte de sua agenda política na região. Mas, entre um compromisso e outro, as redes sociais também registraram momentos de lazer.Figueiredo, por exemplo, compartilhou avaliações de restaurantes em Dubai, como o CZN Burak Dubai, especializado em culinária turca, onde comeu um dos melhores kebabs da sua vida, além de um ensopado de camarão apimentado. “Divino”, “sobremesa perfeita” estão entre os elogios feitos à casa, cujo preço estimado por pessoa é de R$ 140 a R$ 210. Ele também visitou o Clay Dubai, na marina da cidade, onde se paga entre R$ 560 e R$ 630 por pessoa. “Este lugar não é apenas LINDO, mas tudo o que comemos estava delicioso”, escreveu . Em um restaurante de comida japonesa, reclamou de ter comido um sushi de abacate com salmão por 45 dólares. “ATENÇÃO! Este lugar é uma armadilha para turistas!”, escreveu .


Procurado pela reportagem, Paulo Figueiredo dirigiu ironias e agressões contra a Agência Pública antes de afirmar “Eu me financio através das minhas empresas e não devo satisfação a ninguém”.Em intervalo de 6 meses, Figueiredo comprou mansão de R$ 6,1 milhões e Cybertruck da TeslaOs registros levantados pela reportagem indicam que Paulo Figueiredo também elevou seu padrão de vida no último ano. Em novembro de 2025, conforme revelaram a Agência Pública e o ICL Notícias, o influenciador comprou por 1,2 milhão de dólares — cerca de R$ 6,1 milhões — uma mansão em Clermont, na Flórida. Para fechar o negócio, contratou um financiamento imobiliário de 1 milhão de dólares.

Fotos da casa de Paulo Figueiredo

A propriedade fica em um terreno de 17,5 mil metros quadrados, o equivalente a cerca de dois campos e meio de futebol, e tem 515 metros quadrados de área construída. São dois andares, seis quartos e cinco banheiros, além de salas de estar e de jantar, cozinha gourmet e sala de jogos. Do lado de fora, há piscina de água salgada, jacuzzi para 12 pessoas, varanda, lareira e até uma casa na árvore.

Seis meses depois, em maio de 2026, Figueiredo ampliou a garagem com um Cybertruck 2026, da Tesla, montadora de Elon Musk. O veículo tem valor de mercado estimado em 83 mil dólares, o que equivale a R$ 427,9 mil. O influenciador também possui, desde 2024, uma BMW Série 6 de 2004, hoje avaliada em cerca de 9 mil dólares (aproximadamente R$ 51 mil).

Tesla Cybertruck 2026

A compra da mansão ocorreu apenas um mês depois de Figueiredo informar à Justiça dos Estados Unidos que não tinha recursos para contratar um advogado para representar sua empresa, a International Treasure Group, condenada à revelia. A ação contra a companhia faz parte de um processo de falência que visa recuperar transferências supostamente vinculadas ao esquema de fraude atribuído ao magnata chinês Miles Guo.

A International Treasure Group entrou no processo após receber 140 mil dólares— cerca de R$ 670 mil — por serviços prestados à rede social Gettr entre agosto de 2021 e abril de 2022, segundo a defesa de Figueiredo. Fundada pelo ex-assessor de Donald Trump, Jason Miller, a plataforma tinha Guo como financiador oculto.

A mansão em Clermont não é o único imóvel de Figueiredo na Flórida. Ele também possui uma casa em Weston, colocada à venda em junho deste ano por 1,09 milhão de dólares — cerca de R$ 5,5 milhões —, segundo sites imobiliários americanos. Desde 2016, a propriedade estava registrada em nome da Olive-Fig Tree Real Properties LLC, empresa que também pertence ao influenciador.

Em outubro de 2025, porém, o imóvel de Weston foi transferido para o nome de Figueiredo, segundo documentos do estado da Flórida. No mês seguinte, ele adquiriu a mansão de Clermont.

As movimentações contrastam com declarações feitas pelo próprio Figueiredo sobre sua situação financeira. Em 2024, quando já articulava, nos Estados Unidos, possíveis retaliações contra autoridades brasileiras, ele fez deu seu testemunho em uma audiência no Congresso norte-americano afirmando ser vítima de perseguição do STF e que estava “desempregado, sem minhas redes sociais e suas respectivas monetizações, responsável por sustentar minhas duas filhas americanas de 7 e 8 anos”.

Paulo é cidadão americano, assim como suas filhas, e usa este fato para alardear que tem sido censurado pelo STF – o que embasou diversas ações de aliados no governo e no legislativo norte-americano, como a lei “No Censors in Our shores”, proposto pela deputada republicana Maria Elvira Salazar um mês depois dela ter recebido uma doação de campanha de Paulo no maior valor possível na época (R$ 57 mil), conforme revelou a Pública.

Na Flórida, Paulo frequenta restaurantes renomados e costuma ser bastante crítico quanto à gastronomia. Frequenta estabelecimentos com estrelas Michelin, mas nem sempre sai satisfeito. Por exemplo, em abril, ele foi ao restaurante de culinária asiática fusion Nami, no hotel Lake Nona Wave, em Orlando, onde também se paga, por pessoa, cerca de 500 reais por refeição. “Fiquei muito decepcionado, ainda mais por se tratar de um restaurante com estrela Michelin. As porções são ridiculamente pequenas, não condizendo com o preço cobrado. Pra ser sincero, este é o primeiro lugar com estrela Michelin onde definitivamente não pretendo voltar”.

Em outros restaurantes, ele reclama dos valores pagos por porções pequenas, o que ele diz ser regra em Miami, “restaurantes muito caros com comida mediana”.

Não que ele não tope pagar caro. Há cerca de um ano ele foi com a esposa ao Restaurante MAASS, em Fort Lauderdale, onde pagou “quase 400 dólares” – R$ 2 mil reais – em um menu degustação para duas pessoas. “Mesmo experimentando o menu degustação, nada do que comi foi memorável e me fez querer voltar”, escreveu.


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Vídeo: Eduardo Bolsonaro quer liberdade para não vacinar a própria filha e transforma saúde infantil em arma política

Eduardo Bolsonaro conseguiu aquilo que parece considerar uma grande vitória política: no Texas, onde vive, assinou uma declaração que lhe permite assumir a responsabilidade pela dispensa de determinadas exigências de vacinação da própria filha. O procedimento teria custado apenas US$ 10. Em seguida, encontrou a oportunidade perfeita para fazer aquilo que o clã Bolsonaro sabe fazer como poucos: transformar uma questão de saúde pública em munição contra o governo Lula.

O problema é que existe uma diferença monumental entre exercer uma escolha pessoal e tentar transformar essa escolha em bandeira política. Quando o assunto é vacinação infantil, não se está discutindo apenas a preferência de um pai. Está-se falando de prevenção, saúde coletiva e proteção de crianças que não têm condições de decidir por si mesmas.

Eduardo, porém, prefere apresentar a questão como uma suposta batalha pela “liberdade individual”. Ao defender que os pais tenham o direito de recusar vacinas e sugerir que o Brasil siga o modelo adotado no Texas, ele convenientemente ignora que a legislação brasileira trata a vacinação recomendada pelas autoridades sanitárias como uma questão de proteção da criança. A vacinação infantil está prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente quando recomendada pelas autoridades competentes.

Mais curioso ainda é o método: ele utiliza uma decisão tomada para a própria filha como argumento para atacar Lula. Ou seja, a experiência particular de um integrante da família Bolsonaro passa a ser apresentada como se fosse uma espécie de prova de que a política brasileira de imunização estaria errada.

Não é.

É apenas mais uma tentativa de transformar uma pauta técnica em guerra ideológica.

Eduardo questiona quem seria responsabilizado por eventuais efeitos adversos das vacinas e levanta suspeitas sobre autoridades e fabricantes. Mas essa retórica já é velha conhecida. Durante a pandemia, Jair Bolsonaro também atacou a vacinação infantil e chegou a afirmar que sua própria filha não seria vacinada contra a Covid-19, apesar da autorização da Anvisa e das recomendações das autoridades sanitárias.

A diferença é que agora o discurso reaparece pelas mãos da geração seguinte do bolsonarismo.

É difícil não enxergar a contradição: quando interessa, Eduardo Bolsonaro invoca a autonomia individual; quando quer fazer oposição, transforma a política pública de imunização em suposto instrumento de controle estatal. No meio disso tudo, ficam as crianças — justamente aquelas que deveriam estar protegidas da disputa política.

A vacinação não pode ser tratada como torcida organizada. Não é assunto para “Lula contra Bolsonaro”, direita contra esquerda ou Brasil contra Texas. É uma questão de saúde pública baseada em evidências, recomendações técnicas e responsabilidade coletiva.

O mais preocupante é transformar a recusa de uma vacina em símbolo de resistência política. A mensagem que chega às famílias é perigosa: a de que desconfiar das autoridades sanitárias seria sinal de coragem e que seguir recomendações de imunização seria submissão ao governo.

Eduardo Bolsonaro parece querer transformar o próprio ato de não vacinar a filha em manifesto político. Mas uma criança não deveria ser instrumento de propaganda ideológica.

E saúde pública não pode ser submetida à lógica eleitoral do clã Bolsonaro.

Se Eduardo quer assumir pessoalmente as consequências de suas escolhas familiares, isso é uma questão privada. O que não pode fazer é transformar uma decisão particular em argumento para desacreditar políticas públicas de vacinação e atacar o governo Lula.

No fundo, o episódio revela algo ainda mais grave: para o bolsonarismo, aparentemente qualquer assunto pode virar palanque — até mesmo a proteção da saúde das crianças.

A vacina protege a criança, mas Eduardo prefere usar a criança para proteger uma narrativa política.


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Eduardo Bolsonaro, o socialista de Taubaté

Vivi para ver Eduardo Bolsonaro com um novo visual “global”, tentando vender seu irmão, Flavio, com o mesmo sabor de Lula. Tudo se dá pela dependência, agora negada, por grande parte da Faria Lima.

A estratégia não é nova, ainda está na nossa memória o sofrimento de Bolsonaro em ter que se curvar ao Bolsa Família para tentar fazer frente com Lula, em 2022, e toda uma teia de programas sociais que representam, pela lei natural das coisas, o próprio presidente Lula.

O ataque de Eduardo à ex-apoiadora, Faria Lima, dizendo que ela não passava de uma rede de especulação, vivendo somente de rentismo e agiotagem, é um sinal claro de que a serpente bolsonarista está mordida por não contar com os ratos do dinheiro grosso para alimentar a campanha e o bolso do clã.

Então, travestido numa folhagem verborrágica de um discurso social, Eduardo diz que lucro não é importante, mas sim, a sociedade brasileira, dando um chute no tronco escravocrata que sempre foi símbolo do bolsonarismo por seu histórico racista, exploração da mão de obra dos trabalhadores, em nome das burras dos patrões.

Claro, os próprios párias vegetais do clã sempre foram incoerentes, já que arrotavam diminuição do Estado na busca por redução dos custos da máquina e a manutenção dos impostos, mas os próprios filhos do maior sanguessuga desse país, chamado Jair Bolsonaro, seguiram a mesma boca do pai de se nutrir magistralmente nas tetas mais gordas do Estado, transformando-se em bandidos vegetais.

Todos tinham o mesmo sonho desde criança, crescer e alcançar as copas mais ricas da República, enquanto isso, garganteavam um estadinho para os brasileiros.

A galhaça olímpica do bolsonaro sempre quis distância da plebe raquítica. Daí a fila do osso e a devolução do Brasil ao mapa da fome durante o governo do genocida corrupto.

Seria trágico se não fosse cômico ver o belo trecho de um dos vídeos de Eduardo chamando a Faria Lima de imoral, de antinacional, de egoísta e voraz quando, na verdade, seu pai, com um agiota na pasta da economia, Paulo Guedes, devolveu à miséria absoluta 33 milhões de brasileiros, em nome da transfusão de riqueza para as veias bilionárias do 1% mais rico do Brasil.

Mas sabe como é, sentindo que a essa altura do campeonato, Lula sobe cada vez mais e Flavio segue no sentido oposto, Eduardo resolveu interpretar o socialista de Taubaté, erguendo a divisão de riquezas ao invés do lucro obsessivo dos carrascos da Faria Lima.

Tudo isso para tentar materializar um Flavio achocolatado sabor Lula.


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Eduardo Bolsonaro antecipa derrota de Flavio a 72 dias da eleição

Uma declaração do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) acabou provocando forte repercussão política ao ser interpretada como um reconhecimento antecipado das dificuldades enfrentadas pela campanha presidencial de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ao afirmar que “não haverá eleição em 2030” caso Flávio seja derrotado em 2026, Eduardo vinculou o futuro do sistema político brasileiro diretamente ao resultado da disputa presidencial, em uma fala que chamou atenção tanto pelo tom quanto pelo momento em que foi feita.

A declaração ocorreu 72 dias antes do primeiro turno das eleições e foi publicada nas redes sociais após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu por 90 dias as visitas de Flávio Bolsonaro ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida foi tomada depois que o senador leu, durante uma transmissão ao vivo, uma carta atribuída ao pai, o que, segundo o ministro, poderia representar descumprimento das restrições impostas ao ex-presidente.

Ao afirmar que apenas uma vitória de Flávio garantiria a realização de eleições futuras, Eduardo acabou alimentando interpretações de que o próprio núcleo bolsonarista reconhece o cenário eleitoral adverso. Para analistas políticos, a necessidade de apresentar uma eventual derrota como uma ameaça ao futuro institucional do país pode indicar preocupação crescente com o desempenho da candidatura e com a dificuldade de ampliar seu eleitorado para além da base mais fiel do bolsonarismo.

A fala também reforçou a estratégia adotada por integrantes da família Bolsonaro de transformar decisões judiciais e embates com o STF em elementos centrais da narrativa eleitoral. Em vez de concentrar o debate em propostas de governo, o discurso mantém o foco na polarização institucional e na mobilização do eleitorado mais alinhado ao ex-presidente.

Nos bastidores, a declaração repercutiu como mais um episódio de tensão em uma campanha que já enfrenta desafios políticos e jurídicos. Com pouco mais de dois meses até a votação, o episódio amplia o debate sobre a estratégia do PL e evidencia a aposta da campanha em manter a narrativa de confronto como principal instrumento de mobilização eleitoral.

Soma-se a isso, o fato de Flavio Bolsonaro se ver isolado dentro do próprio campo da direita, porque não está conseguindo palanque em vários estados, enquanto Lula já tem palanque em todos os estados.

Para piorar, Eduardo Bolsonaro comemora a conquista do Green Card para viver para sempre nos EUA, confirmando que não tem a menor esperança da vitória de Flavio.


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Patrimônio de Flávio chega a R$ 600 milhões, diz ex-líder de Bolsonaro

Coordenador da campanha de Bolsonaro em 2018 diz que Flávio enriqueceu no governo do pai; equipe do presidenciável diz que não irá comentar

O ex-deputado Julian Lemos disse, em entrevista a um podcast, que o patrimônio do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) hoje é de R$ 600 milhões, e o do irmão Eduardo Bolsonaro chegaria a R$ 150 milhões. A campanha do senador diz que ele não irá comentar o assunto. Lemos foi procurado, mas não prestou esclarecimentos até o fechamento da reportagem.

Na última eleição que disputou, em 2018, Flávio declarou à Justiça possuir R$ 1,7 milhão em bens. No terceiro ano de mandato, comprou mansão em Brasília, praticamente à vista, por R$ 5,97 milhões. Eduardo Bolsonaro declarou oficialmente à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 1,76 milhão nas eleições de 2022. Segundo o Intercept Brasil, o ex-deputado mora no Texas (EUA), em casa avaliada em R$ 6 milhões.

De acordo com Andreza Matais e Eduardo Militão, Metrópoles, Julian Lemos foi um dos principais aliados de Bolsonaro em 2018, coordenou sua campanha no Nordeste e foi eleito deputado federal pela Paraíba, com forte associação ao então candidato.

No entanto, o rompimento ocorreu ainda na transição entre o governo eleito e a posse, no fim de 2018 e início de 2019, em meio a conflitos com Carlos Bolsonaro e o então ministro Gustavo Bebianno.

Julian Lemos aposta que Flávio desistirá da disputa presidencial e tentará vaga ao Senado pelo Rio de Janeiro para não perder a prerrogativa de foro, mas duvida que a família apoie Michelle Bolsonaro. O senador está na mira da Polícia Federal por suas ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro.

No seu diagnóstico, a lógica familiar é que quatro anos de Lula passam rapidamente. Se reeleito, Lula encontrará um governo endividado pelas medidas eleitoreiras que adotou para tentar se perpetuar no poder, o que abrirá caminho para a direita voltar ao Planalto em 2030.

Como todo bolsonarista que pula a cerca, Julian Lemos virou persona non grata. Ele não apresentou, no vídeo, provas de que o patrimônio do 01 cresceu 353 vezes em comparação com 2018.

No dia 15 de agosto, Flávio terá de apresentar ao TSE sua declaração de bens, oito anos depois da última eleição que disputou.


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