Mais de 3 mil manifestações estão previstas em todo o país em rechaço à política interna e externa de Washington; em Minneapolis, ato contará com presença de Bernie Sanders, Bruce Springsteen, Jane Fonda e Joan Baez
Mais de 3 mil protestos contra o governo do presidente norte-americano, Donald Trump, estão programados em várias regiões dos Estados Unidos, neste sábado (28/03). Sob o lema “No Kings”, os atos visam denunciar a concentração de poder no Executivo e a condução de medidas agressivas na política externa, comércio e imigração.
A iniciativa reúne uma ampla coalizão de grupos progressistas e movimentos sociais, que apontam o governo Trump como um risco às instituições democráticas e aos mecanismos de controle do poder. “Trump quer nos governar como um tirano. Mas estes são os Estados Unidos, e o poder pertence ao povo — não àqueles que aspiram a ser reis ou a seus aliados bilionários”, afirma a plataforma do movimento.
Minneapolis A organização dos atos deste sábado está a cargo de redes como MoveOn, Indivisible e 50501, que vêm estruturando a mobilização com foco em participação ampla e caráter pacífico. Um dos maiores protestos do movimento “No Kings” acontecerá em St. Paul, Minneapolis, nas proximidades onde agentes de imigração assassinaram os cidadãos estadunidenses Renee Good e Alex Pretti, em janeiro.
Entre os artistas e oradores que se apresentarão em St. Paul estarão o senador Bernie Sanders, Bruce Springsteen, Jane Fonda e Joan Baez. Atos também estão previstos em redutos republicanos, como Flórida e Texas, sinalizando uma capilaridade nacional do movimento.
A Casa Branca reagiu com desdém às mobilizações. Em comunicado, a porta-voz Abigail Jackson afirmou que “os únicos interessados nessas sessões de terapia de delírios de Trump são os jornalistas pagos para cobri-las”, minimizando a relevância política dos protestos.
Protestos Segundo Randi Wingarten, presidente da Federação Americana de Professores (AFT), com esses atos, os norte-americanos estão dizendo a Trump: “você foi eleito para nos ajudar e ajudar nossas famílias a termos uma vida melhor, não para ajudar os bilionários, não para criar robôs como professores, não para simplesmente criar maneiras de você e sua família ficarem ricos”.
“É por isso que cada vez mais pessoas o veem como um rei”, destacou Wingarten ao Democracy Now. “Precisamos encontrar uma maneira de nos sustentar. Não queremos uma guerra que custe bilhões de dólares. Não queremos uma guerra que aumente o preço da gasolina”, acrescentou.
Este é o terceiro grande ciclo de protestos do movimento “No Kings”. A primeira mobilização ocorreu em junho de 2025, coincidindo com um desfile militar organizado por Trump em Washington; outra grande jornada de protestos ocorreu, em outubro, reunindo milhões de pessoas em todos os 50 estados do país.
*Opera Mundi
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Eixo da Resistência realiza novas ondas de ataques com mísseis de precisão contra instalações militares em territórios ocupados e bases norte-americanas da região
As forças armadas da República Islâmica do Irã, em coordenação com o Eixo da Resistência, intensificaram suas operações de retaliação contra alvos estratégicos de Israel e das forças de ocupação norte-americanas. Nesse contexto, Teerã rejeitou uma proposta de cessar-fogo dos EUA, denunciando a tentativa de Washington de impor termos de rendição previamente descartados.
Desde o início das hostilidades, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) realizou 82 ondas de ataques utilizando armas guiadas de precisão. Essas operações atingiram instalações militares importantes nos territórios ocupados e bases de ocupação dos EUA na região, deixando claro que, apesar da retórica triunfalista e contraditória de Washington, a resistência mantém a iniciativa estratégica e operacional em toda a frente de batalha.
As defesas aéreas iranianas, como parte da Operação True Promise 4, marcaram um novo marco estratégico ao abater um quarto caça F-18 norte-americano sobre Chabahar. O ataque, realizado com sistemas de fabricação nacional, demonstra a vulnerabilidade da tecnologia do agressor às avançadas capacidades defensivas da República Islâmica.
O Hezbollah e a Resistência Iraquiana juntam-se à frente A frente de resistência expandiu-se com a participação ativa do Hezbollah no Líbano e da Resistência Islâmica no Iraque, que infligiram danos significativos às capacidades logísticas e militares do inimigo.
O Hezbollah tem concentrado seus ataques em instalações militares israelenses ao longo da fronteira norte dos territórios ocupados. Essas ações são uma resposta ao assassinato do Líder da Revolução Islâmica, o Aiatolá Seyyed Ali Khamenei, e um protesto contra as violações sistemáticas do cessar-fogo por Tel Aviv ao longo do último ano.
Entretanto, grupos de resistência iraquianos mantêm operações diárias, direcionando seus projéteis contra alvos militares dos EUA tanto em território iraquiano quanto em outros países árabes da região.
Ataques e defesas de precisão As ondas 80 e 81 da Operação True Promise 4 empregaram mísseis de precisão (Emad, Qiam, Khorramshahr 4) e drones para atingir mais de 70 pontos estratégicos nos territórios ocupados.
As forças iranianas lançaram ataques diretos contra locais estratégicos nos territórios ocupados, atingindo centros de comando em Safad, Tel Aviv, Haifa, Dimona e Kiryat Shmona. A ofensiva afetou infraestruturas críticas de defesa aérea, fábricas de drones pertencentes à Associação da Indústria Aeroespacial (IAI) e diversas bases logísticas ligadas ao Mossad.
Em paralelo, a operação estendeu-se a instalações militares norte-americanas na região, com impactos registados nas bases de Ali Al-Salem e Arifjan, no Kuwait, Al-Azraq, na Jordânia, e Sheikh Isa, no Bahrein. Além disso, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) confirmou o abate de um caça estratégico F-18 americano, após este ter sido interceptado sobre o espaço aéreo de Chabahar.
Na área de segurança interna, as autoridades iranianas desmantelaram uma rede terrorista em Semnan composta por sete mercenários com ligações diretas a serviços de inteligência estrangeiros . Segundo o relatório, o grupo contava com financiamento externo e treinamento especializado para realizar atos de sabotagem, fabricando dispositivos explosivos.
A Resistência Islâmica do Hezbollah intensificou sua defesa no sul do Líbano, conseguindo destruir oito tanques Merkava em Al-Qawzah e Taybeh , enquanto realizava ataques combinados com drones e artilharia contra tropas no norte da Palestina e nas Colinas de Golã ocupadas.
Por fim, a Resistência Islâmica no Iraque juntou-se à ofensiva, atacando a base norte-americana “Victoria” em Bagdá e os centros operacionais do Mossad em Erbil.
O Irã rejeita as exigências de Trump para o fim da guerra A República Islâmica do Irã rejeitou a proposta de cessar-fogo de 15 pontos do governo Trump, classificando-a como uma tentativa de rendição dissociada da realidade militar. Um porta-voz oficial declarou à Press TV que “o Irã não permitirá que Donald Trump dite quando a guerra termina; o Irã a encerrará quando decidir e quando suas próprias condições forem atendidas “, descartando quaisquer negociações que possam prejudicar seu programa de defesa soberana.
Como condições inegociáveis para a paz, Teerã exige a cessação completa das hostilidades, o pagamento de reparações de guerra e o fechamento permanente das bases militares americanas na região. Além disso, reafirmou seu controle legal sobre o Estreito de Ormuz e denunciou as alegações da Casa Branca sobre negociações diretas como uma manobra de propaganda para mascarar o fracasso da Operação Epic Fury no campo de batalha.
Trump envolto em contradições O governo Trump mantém uma postura contraditória, alegando que sua Operação Epic Fury está perto de atingir seus objetivos, enquanto simultaneamente reconhece sua incapacidade de restabelecer o trânsito pelo Estreito de Ormuz. Embora a Casa Branca afirme ter enfraquecido Teerã, a secretária de imprensa Karoline Leavitt admitiu que o governo dos EUA não tem uma data prevista para garantir o transporte de petróleo , demonstrando que o controle dessa via navegável estratégica permanece sob a soberania iraniana.
A tentativa de Washington de fabricar um cenário diplomático favorável esbarrou na realidade depois que o Ministério das Relações Exteriores iraniano refutou as alegações de Trump sobre conversas positivas durante o fim de semana. Teerã esclareceu que recebeu apenas mensagens unilaterais dos EUA expressando o desejo de diálogo, caracterizando a narrativa da Casa Branca como uma manobra midiática para obscurecer a resistência do Irã à agressão estrangeira.
A retórica imperialista oscila entre uma suposta preferência pela paz e ameaças de ataques “mais fortes do que nunca” caso o Irã não aceite uma rendição disfarçada de acordo. Essa postura ignora o fato de que a escalada foi iniciada pelos EUA e por Israel com bombardeios que resultaram em vítimas civis em Teerã; agressões que provocaram uma forte resposta defensiva da Resistência contra instalações militares americanas em toda a região do Oriente Médio.
Por fim, o fracasso estratégico da intervenção fica evidente na esfera econômica global com a alta dos preços da energia devido ao fechamento do Estreito de Ormuz. Apesar do triunfalismo americano, a realidade no terreno demonstra que a soberania do Irã sobre suas águas territoriais permanece intacta, deixando o governo Trump preso a uma narrativa de força que não se traduz em vitórias tangíveis.
Defesas iranianas abatem o quarto caça F-18 dos EUA A Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) alcançou um novo marco defensivo na quarta-feira ao abater um caça estratégico F-18 das Forças Armadas dos EUA. A aeronave invasora foi interceptada com precisão sobre Chabahar, no sul do Irã, e posteriormente caiu no Oceano Índico, demonstrando a alta capacidade de resposta da rede integrada de defesa aérea iraniana.
Esta operação marca o quarto abate bem-sucedido de caças estratégicos pertencentes às forças hostis de Washington e Tel Aviv no contexto do conflito atual. A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) enfatizou que o ataque foi realizado utilizando um novo e avançado sistema de defesa aérea de fabricação inteiramente nacional, reafirmando a independência tecnológica da República Islâmica diante da agressão imperialista.
Com essa ação, as defesas aéreas do Irã consolidam um histórico de resistência que já resultou na derrubada de quase 140 drones americanos e israelenses até o momento. Teerã descreveu a operação como motivo de orgulho, pois demonstra a vulnerabilidade dos sistemas de guerra ocidentais à determinação soberana dos povos que defendem seu território.
É crucial enfatizar que a atual demonstração de determinação e as operações retaliatórias da República Islâmica são motivadas pela necessidade de defender sua soberania após as agressões ilegais perpetradas pelos Estados Unidos e por Israel em 28 de fevereiro.
Esses ataques, que violaram flagrantemente o direito internacional, resultaram em um trágico número de mortes de aproximadamente 1.300 até o momento, incluindo civis e militares. Diante desse cenário de cerco criminoso, Teerã reafirma que suas ações não são meramente uma resposta militar, mas um ato de justiça e resistência contra uma coalizão que busca desestabilizar a região ao custo de vidas humanas.
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Em entrevista exclusiva, oficial da organização xiita iraquiana Badr revela o papel do Iraque na guerra do Irã e aponta para risco de expansão do conflito
requentemente ignorado, o Iraque é um dos pontos fundamentais de tensão na atual guerra entre EUA, Israel e Irã. O país e a República Islâmica não estão só entrelaçados pela fronteira terrestre de 1,5 mil quilômetros que compartilham. Carbala, no centro do Iraque, é a cidade onde Hussein ibn Ali, neto do profeta Maomé, considerado pelos xiitas como o terceiro imã, foi martirizado em 680 d.C pelas forças do califa omíada Yazid I. A morte de Hussein na Batalha de Carbala é o principal dia santo do xiismo: durante a Ashura, data que marca o martírio do imã, milhões de xiitas pelo mundo participam de grandes procissões e homenagens, durante as quais os homens batem violentamente contra os próprios peitos para relembrar a dor de Hussein. A data também é considerada pelos xiitas como um símbolo da luta contra a opressão, princípio fundamental para a identidade do próprio xiismo.
Para além dos locais religiosos, também foi do Iraque que veio a principal ameaça à República Islâmica do Irã logo após a Revolução Islâmica de 1979. Em setembro de 1980, um ano após o triunfo da revolução iraniana, o líder iraquiano Saddam Hussein, incentivado pelo Ocidente, invadiu o Irã, temeroso de que os princípios da revolução iraniana se espalhassem para um Iraque que, embora então liderado por um sunita, tinha maioria xiita. Ávido por conquistar zonas ricas em petróleo, como o Cuzistão, e estabelecer domínio completo sobre o rio Chatt al-Arab, Saddam deu início a uma guerra que, ao longo de oito anos, levaria a ao menos 500 mil mortos, pelo menos 200 mil deles iranianos. Para além das ondas sucessivas de jovens iranianos que se lançavam contra os inimigos iraquianos e da enorme engenhosidade iraniana em readaptar equipamentos militares de segunda mão, no que foi fundamentalmente uma guerra de improviso, um dos elementos estratégicos mais importantes com os quais o Irã pôde contar foram as organizações xiitas que, dentro do Iraque, combatiam contra Saddam.
Dentre estas, uma das mais relevantes é a Organização Badr. Nascida entre 1982 e 1983, durante a Guerra Irã-Iraque, com o nome de Brigadas Badr, a organização era o braço militar do Conselho Supremo da Revolução Islâmica no Iraque (SCIRI), liderado pelo clérigo xiita Mohammad Baqir al-Hakim. Formada por generais iranianos e clérigos iraquianos, a organização cresceu a partir de exilados iraquianos no Irã, refugiados de guerra e desertores do exército iraquiano, e chegou a milhares de membros durante a guerra Irã-Iraque, na qual combateu ao lado dos iranianos.
Em 1991, durante os levantes contra Saddam, as Brigadas Badr foram fundamentais nos campos de batalha de Najaf e Carbala, e ao menos 5 mil homens da organização combateram, em 1995, durante a Guerra Civil Curda.
A partir de 2003, com a invasão americana do Iraque, as Brigadas tomam parte na luta contra Saddam e mudam seu nome para Organização Badr, passando a operar de fato como um partido político, agora liderado por Hadi al-Amiri. Ao lado de seu braço paramilitar, a organização amplifica seu trabalho político e de caridade, estabelece bases políticas ao longo de toda a comunidade xiita do Iraque e fortifica sua presença dentro do Estado iraquiano, chegando a controlar postos como o Ministério do Interior.
Em 2014, a organização combate contra o Estado Islâmico (DAESH) no país e se incorpora às Forças de Mobilização Popular (FMP), uma organização guarda-chuva composta por cerca de 40 grupos paramilitares, formada pelo Estado iraquiano para o combate ao DAESH e formalmente submetida ao Ministério do Interior, às Forças Armadas e ao primeiro-ministro do Iraque. Estima-se que a Organização Badr atualmente tenha entre 10 e 15 mil membros ativos e controle de 10 a 17 brigadas das Forças de Mobilização Popular. Conta com um canal de TV, um jornal online, um centro cultural, uma organização de juventude e escritórios por todo o Iraque. Atualmente, tem 21 dos 329 assentos do parlamento iraquiano.
Jovens carregam bandeiras da Organização Badr durante procissão em fevereiro de 2025. (Foto: @badraljamahiri / Reprodução Instagram)
A Organização Badr é ainda, ao lado de muitas facções e grupos paramilitares no Iraque, parte do chamado Eixo de Resistência, a aliança regional coordenada pelo Irã que inclui grupos como o Hezbollah, no Líbano, o Ansar Allah (houthis), no Iêmen, e o Hamas, na Palestina.
Por isso, quando as explosões fizeram-se ouvir em Teerã, no dia 28 de fevereiro, e a morte do líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, foi confirmada, a Revista Opera entrou em contato com Muomel Alsaady, oficial da Organização Badr em Bagdá, responsável político por um importante distrito do leste da cidade, para organizar a entrevista que segue, no qual tratamos dos impactos da morte de Khamenei entre o povo iraquiano – particularmente dentre os 60% a 69% de xiitas que conformam sua população –, da participação de grupos armados na política oficial do país e dos planos e ações da Organização Badr e outros grupos paramilitares frente à guerra entre EUA, Israel e Irã.
Muomel Alsaady, oficial da Organização Badr, ao lado do líder da organização Hadi al-Amiri. (Foto: Arquivo pessoal)
Como os ataques ao Irã e a morte do Líder Supremo Ali Khamenei foram recebidos pelo povo iraquiano? E que impacto isso teve nas Forças de Mobilização Popular (FMP), e particularmente na Organização Badr?
O povo iraquiano, em todas as suas diferentes correntes ideológicas — grupos religiosos, esquerdistas, comunistas e outros —, tem se sentido profundamente entristecido e intensamente indignado com o assassinato de Sayyid Ali Khamenei e de outros líderes iranianos que foram martirizados de forma tão traiçoeira.
Como você sabe, a comunidade xiita no Iraque é frequentemente descrita como tendo duas correntes religiosas principais: aqueles que seguem a linha associada a Muqtada al-Sadr e aqueles que seguem a autoridade religiosa do Grande Aiatolá Ali al-Sistani. Nesta questão, no entretanto, ambas compartilham a mesma posição e estão agindo em total harmonia.
Membros da Organização Badr durante operação para libertar a cidade de Tal Afar, durante a guerra contra o Estado Islâmico em julho de 2014. (Foto: Mohammad Hossein Velayati / FARS / Wikimedia Commons)
As Forças de Mobilização Popular (FMP) são uma instituição oficial do Estado iraquiano sob a autoridade do primeiro-ministro. No entanto, as facções da resistência [que compõem as FMP] são movimentos revolucionários cujas decisões decorrem do dever moral e religioso de defender a verdade e os oprimidos — mulheres, homens e crianças na Palestina e em todo o mundo. No que tange à justiça, humanidade e Islã, as fronteiras administrativas traçadas pela Grã-Bretanha não definem nossas responsabilidades.
Quanto à Organização Badr, nossa posição é clara e consistente: estamos ao lado da República Islâmica do Irã e de nossa sábia autoridade religiosa, representada por Sayyid Ali al-Husseini al-Sistani, que repetidamente exortou todas as pessoas honradas em todos os lugares a defender a República Islâmica em todas as plataformas e em todas as frentes.
Durante a Guerra dos Doze Dias contra o Irã no ano passado, as milícias iraquianas e as PMF não agiram. Isso agora mudou. Por quê?
Desta vez, o inimigo americano-sionista ultrapassou um limite grave ao assassinar aquele que consideramos a mais alta autoridade espiritual e religiosa para os muçulmanos no mundo, o Imã Khamenei. Este foi um ato chocante e devastador.
Homens e mulheres no Iraque sentem que mesmo sacrificar suas vidas e seu sangue por ele não seria suficiente. Naturalmente, tal evento produziu uma reação muito diferente em comparação com confrontos anteriores.
A resistência possui muitas opções e medidas dentro de seu quadro estratégico. Algumas dessas medidas agradarão nossos amigos e irritarão nossos inimigos, e elas serão implementadas no momento e da maneira apropriados.
Membros da Organização Badr durante operação para libertar a cidade de Tal Afar, durante a guerra contra o Estado Islâmico em julho de 2014. (Foto: Mohammad Hossein Velayati / FARS / Wikimedia Commons) Já há relatos de facções do Eixo da Resistência lançando operações militares contra Israel e os Estados Unidos em vários países, em resposta aos ataques ao Irã. No Iraque, desde o 28 de fevereiro, milícias xiitas já realizaram várias ações, como um ataque no norte do país que resultou na morte de um soldado francês e vários ataques a instalações americanas, particularmente em Erbil. Os EUA e Israel, por sua vez, também atacaram posições das PMF no Iraque e declararam que intensificarão seus ataques contra elas. Se a guerra contra o Irã continuar, qual será o papel do Iraque? É possível que ele seja arrastado para o conflito ou que venha a passar por algum tipo de guerra civil? E qual seria a posição da Organização Badr nesse cenário?
Sim, grupos de resistência iraquianos já realizaram inúmeras operações visando interesses e bases americanas no Iraque. No entanto, essas bases também abrigam soldados de outros países aliados aos Estados Unidos sob a bandeira da chamada coalizão internacional.
A presença deles nessas bases os torna parte da equação, e eles devem arcar com as consequências dessa escolha, sejam eles franceses ou de qualquer outro país. Os povos dessas nações devem pressionar seus governos a adotarem uma posição de neutralidade; caso contrário, correm o risco de serem tratados como forças hostis.
Quanto à Organização Badr, nossa posição é de conhecimento público. As medidas específicas que podemos tomar não são algo que discutimos antecipadamente. Somente Deus sabe o que acontecerá a seguir, e em breve o inimigo também ficará sabendo.
Que papel a Organização Badr desempenhou durante os últimos dois anos do genocídio contra o povo palestino?
Nos últimos dois anos, a organização desempenhou um papel humanitário no apoio ao povo palestino. Isso incluiu a prestação de assistência financeira, o envio de alimentos e suprimentos médicos, tendas e equipamentos essenciais, além de facilitar os canais logísticos para a entrega dessa ajuda.
Além disso, oferecemos forte apoio moral e político por meio de nossa base popular e das plataformas de mídia da organização.
A própria Organização Badr não realizou operações militares durante esse período. Se o fizéssemos, todos saberiam, pois nossas ações teriam um impacto significativo.
O Iraque atualmente encontra-se governado por um primeiro-ministro interino, tendo em vista que não formou um novo governo após as eleições de novembro de 2025. Qual é a posição da Organização Badr em relação ao governo do atual primeiro-ministro interino, Mohammed Shia al-Sudani, e à formação de um novo governo?
A Organização Badr detém atualmente 21 assentos no parlamento iraquiano, enquanto os partidos da Estrutura de Coordenação [aliança de partidos e facções xiitas pró-iranianas no Iraque] detêm, coletivamente, mais de 90 assentos.
A posição oficial da organização em relação ao governo do primeiro-ministro Mohammed Shia al-Sudani foi articulada pelo secretário-geral da Organização Badr, Hadi al-Amiri.
No momento, a organização apoia a indicação de Nouri al-Maliki para formar o próximo governo. Caso ele se retire dessa tarefa, é provável que a organização apoie o candidato alternativo que ele propor.
Como nosso Secretário-Geral costuma dizer, a relação entre a Organização Badr e o Partido Dawa Islâmico — do qual Maliki é membro — é como um “casamento católico”, ou seja, uma parceria política profundamente enraizada e duradoura.
Diferentes facções dentro das Forças de Mobilização Popular (PMF) assumiram posições divergentes quanto à escalada na região. Existem divergências significativas entre os grupos de resistência iraquianos sobre até que ponto o Iraque deve ir no confronto com Israel e os Estados Unidos?
Antes de responder à sua pergunta, é importante que todos compreendam um ponto fundamental. As Forças de Mobilização Popular (PMF) foram formadas a partir dos combatentes de facções armadas iraquianas que se levantaram para enfrentar o terrorismo do ISIS em 2014. Hoje, porém, a PMF é uma instituição oficial do Estado iraquiano. Ela opera sob a autoridade do governo iraquiano e possui uma estrutura militar organizada que, em muitos aspectos, se assemelha à de um exército regular.
As facções da resistência, no entanto, representam algo diferente. Elas representam o próprio povo. Suas decisões, reações e movimentos emergem da vontade popular. Não podem ser reduzidas à decisão de um único indivíduo, por mais elevada que seja sua posição. No Iraque, qualquer um que tente agir contra a vontade do povo rapidamente verá o chão ser retirado de debaixo de seus pés.
Quanto à sua pergunta sobre divisões entre as facções, não há nenhuma.
A frente de resistência no Iraque é composta por várias facções, cada uma com sua própria liderança e estrutura de comando. Cada facção adota as táticas que considera mais adequadas às tarefas e circunstâncias que enfrenta. Na verdade, essa diversidade de táticas fortalece a resistência. Ela complica o campo de batalha para os americanos e os fará experimentar a mesma sensação de impotência que sentiram outrora no Vietnã, no Afeganistão e até mesmo em Cuba durante a Baía dos Porcos.
Forças de Mobilização Popular levantam sua bandeira ao lado da bandeira iraquiana após derrotarem o Estado Islâmico em Fallujah, em junho de 2016. (Foto: Mahmoud Hosseini / TASNIM / Wikimedia Commons) O senhor acredita que a atual guerra regional fortalecerá a influência política das facções da resistência dentro do Iraque, ou ela poderia gerar pressão para limitar o papel dos grupos armados no país, como pretende os EUA?
Os Estados Unidos sempre tentaram pressionar os governos do Líbano e do Iraque a desarmar a resistência e a enfrentá-la. Mas essa exigência é simplesmente impossível na prática. A resistência não é uma milícia que possa ser dissolvida por decreto — é uma expressão viva do próprio povo. A resistência é o povo, e o povo é a resistência. Alguém poderia tirar o fuzil das mãos de Ernesto Che Guevara? Alguém poderia tirar o violão das mãos de Víctor Jara? Alguém poderia impedir Mahatma Gandhi de praticar a desobediência civil?
Quanto à influência política, o Iraque possui um processo político democrático, e é o povo quem decide em última instância. O povo iraquiano já se pronunciou nas urnas ao eleger muitos representantes provenientes das fileiras da resistência. Os Estados Unidos não serão capazes de quebrar a vontade do povo iraquiano.
Forças de Mobilização Popular levantam sua bandeira ao lado da bandeira iraquiana após derrotarem o Estado Islâmico em Fallujah, em junho de 2016. (Foto: Mahmoud Hosseini / TASNIM / Wikimedia Commons)
*Pedro Marin/Revista Ópera
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Teerã apresentou cinco condições para negociar, entre elas o fim dos assassinatos de seus líderes
O governo iraniano rejeitou as condições impostas pelos EUA para estabelecer um cessar-fogo na região e chamou os critérios apresentados pelos americanos como “excessivos”. A informação foi divulgada pela emissora estatal de televisão no Irã, a Press TV.
Mais cedo, as autoridades em Teerã ironizaram as declarações do presidente Donald Trump de que estariam desesperadas para fechar um acordo para encerrar a guerra. Nesta quarta-feira, diplomatas, a imprensa americana e israelense confirmaram que a Casa Branca enviou uma proposta de plano de cessar-fogo aos iranianos, por meio de negociadores do Paquistão.
O pacto prevê o fim de todas as atividades nucleares do país. Mas não fala em mudança de regime e nem em denúncias de violações de direitos humanos, argumentos que Trump sempre usou para justificar a guerra.
De acordo com as emissoras estatais, o Irã exige que os seguintes pontos sejam atendidos pelos EUA para que a negociação possa existir:
Cessação total das agressões e assassinatos por parte dos EUA e Israel.
Criar mecanismos para garantir que a guerra não seja reiniciada contra o Irã.
Pagamento de indenizações e reparações de guerra.
A conclusão da guerra em todas as frentes e para todos os grupos de resistência envolvidos em toda a região, incluindo Hezbollah.
Reconhecimento e garantias internacionais quanto ao direito soberano do Irã de exercer autoridade sobre o Estreito de Ormuz.
Não chamem sua derrota de acordo
Num vídeo publicado nas redes sociais, o porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya do Irã, Ebrahim Zolfaghari, atacou a “autoproclamada superpotência global” e alertou: “não chamem sua derrota de acordo”.
“O nível do seu conflito interno chegou ao ponto em que vocês estão negociando entre si?”, questionou.
“Vocês não verão seus investimentos na região nem os preços anteriores da energia e do petróleo novamente, até que entendam que a estabilidade na região é garantida pela mão poderosa de nossas forças armadas. A estabilidade vem da força”, disse Zolfaghari, fazendo referência a um dos lemas de Trump, que insiste em falar da “paz pela força”.
“Alguém como nós jamais chegará a um acordo com alguém como vocês. Nem agora, nem nunca”, completou.
Horas depois, numa entrevista ao jornal India Today, o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, admitiu que muitos países entraram em contato com o Irã, oferecendo-se para mediar o conflito. “Há mensagens circulando há alguns dias… Respondemos a essas mensagens. Nossa mensagem é muito clara. Continuamos a nos defender”, afirmou.
Para Baghaei, não se pode confiar na intenção de Trump de negociar a paz. “Vejam os fatos. O Irã está sob bombardeio constante e ataques de mísseis dos EUA e de Israel. Portanto, a alegação deles de diplomacia e mediação não é crível. Porque eles iniciaram esta guerra e continuam a atacar o Irã. Então, alguém pode acreditar que a alegação deles de mediação seja crível?”, questionou.
Baghaei, ainda assim, admitiu contatos entre o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, que tem mantido contato com seu homólogo paquistanês.
“Portanto, esse tipo de conversa está acontecendo entre o Irã e seus vizinhos e outros países amigos. Entendemos que os países da região, os países vizinhos, estão preocupados com as consequências e todos estão tentando, de alguma forma, ajudar a situação a se acalmar”, disse ele.
O que diz o plano Enquanto as diferentes versões disputam espaço sobre a existência ou não de um processo negociador, a imprensa israelense e americana publicou o que seria o rascunho do plano de paz.
Eles são:
As instalações nucleares de Natanz, Isfahan e Fordow serão desativadas e destruídas.
Transparência e supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre as atividades no Irã.
O Irã abandonará o uso de grupos armados na região e cessará o financiamento e o armamento de seus afiliados regionais.
Desmantelamento das capacidades nucleares existentes já acumuladas.
Compromisso de nunca buscar o desenvolvimento de armas nucleares.
Nenhum material nuclear será enriquecido em solo iraniano, e todo o material enriquecido será entregue à AIEA.
O Estreito de Ormuz permanecerá aberto e constituirá uma “zona marítima livre”.
Os mísseis do Irã estarão sujeitos a uma decisão futura, mas serão limitados em quantidade e alcance, e destinados apenas à autodefesa.
Em troca, o Irã receberia:
Assistência americana no desenvolvimento de um projeto nuclear civil em Bushehr para a produção de eletricidade.
Remoção de todas as sanções.
Remoção da ameaça de renovação das sanções.
ONU: “Flerte com catástrofe sem precedentes”
Numa reunião de emergência do Conselho de Direitos Humanos da ONU, o alto comissário do órgão internacional, Volker Turk, fez um apelo pela paz.
“A situação é extremamente perigosa e imprevisível, e gerou caos em toda a região, afetando Bahrein, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Jordânia e outros países”, disse.
“Os recentes ataques com mísseis perto de instalações nucleares em Israel e no Irã ressaltam o imenso perigo de uma escalada ainda maior. Os Estados estão flertando com uma catástrofe sem precedentes”, insistiu.
Turk denunciou violações das leis internacionais por todos os lados. Ele acusou Teerã de estar atacando locais sem fins militares. Mas também indicou que ,“dentro do Irã, civis buscam abrigo dos ataques aéreos em todas as 31 províncias do país”. Segundo dados do governo iraniano, cerca de 1.400 civis foram mortos e mais de 20.000 ficaram feridos.
“Há um padrão crescente de ataques que afetam áreas residenciais, infraestrutura civil e outros locais protegidos pelo direito internacional. Casas, hospitais, escolas, sítios culturais, redes de transporte e infraestrutura energética foram atingidos”, afirmou.
Turk também denunciou a repressão no país. “Enquanto os iranianos se abrigam desses ataques, também enfrentam outra onda de cruel repressão estatal, incluindo prisões arbitrárias, execuções, intimidação e censura. A internet está fora do ar há mais de três semanas”, disse.
De acordo com ele, o conflito já causou perdas econômicas de cerca de 63 bilhões de dólares em toda a região árabe. Mas é sua repercussão global que preocupa.
“Este conflito tem um poder sem precedentes para envolver países além-fronteiras e em todo o mundo. A dinâmica complexa pode desencadear novas crises nacionais, regionais ou globais a qualquer momento, com um impacto terrível sobre civis e pessoas em todo o mundo”, disse.
Turk saiu em defesa de um cessar-fogo. “Não podemos voltar à guerra como instrumento das relações internacionais”, disse.
“Quando alguns Estados poderosos tentam enfraquecer o sistema multilateral, precisamos que o restante — a grande maioria — o defenda”, completou.
*Jamil Chade/ICL
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O jornal Financial Times diz que vê estado mental de Trump como risco global.
Trump, de joelhos, correu para avisar ao mundo que está em negociação com o Irã, dizendo que suspendeu ataques contra alvos estratégicos.
Irã dá de ombros e diz que não existe qualquer negociação e que Trump apenas recuou, peidou, deu de fasto, como quelquer pangaré diante de uma cobra no caminho da roça.
Trump passou os últimos dias ameaçando os iranianos, espinafrando aliados, colocando a economia mundial em absoluto colapso e, agora, o pedófilo anuncia, a modo e gosto, uma suposta negociação com o Irã, afirmando ter ordenado aos militares que não disparem nem estilingue contra infraestruturas energécas daquele pais.
A verdade é que deu ruim e o cagão, depois da lambança que arrumou contra o próprio pé, agora tenta arrumar uma saída honrosa e vira piada no país persa.
A embaixada do Irã no Afeganistão afirmou que a declaração de Trump é resultado de uma estratégia que produziu um mata-leão no fanfarrão, obrigando o bufão a bater três e com vontade a palma da mão na lona. Isso acontece depois de, por vários dias, arrotar que havia vencido a guerra e anunciar a tal operação Fúria Épica.
O porcalhão agora diz que tem o prazer de, na cara dura, informar que EUA e Irã tiveram conversas produtivas a respeito de uma resolução das hostilidades dos EUA e Israel no Oriente Médio, O imperador dos tolos mandou essa sem ruborizar.
Trump, com a bunda de fora, depois de rasgar a calça no traseiro, acabou criando um impacto imediato no mercado mundial, O preço do barril de petróleo no Brasil, por exemplo, caiu 13% para tristeza dos sabotadores. O troço foi anunciado tão de estalão que o Irã retrucou e repudiou, desmentindo Trump, afirmando que não abrirá o Estreito de Ormuz em 48 horas coisa nenhuma, como anunciado pela Casa Branca.
Na verdade, quem deu o ultimato em Trump, foram os próprios cidadãos americanos, que vêm nessa guerra com o Irã uma lambança generalizada de Trump, transformando o sujeito no cidadão mais malquisto dentro dos EUA.
Irã contesta o palavrório do boquirroto, dizendo que não tem qualquer conversa com o ronca e fuça e que, na realidade, não passa de conversa fiada de derrotado como forma de declarar recuo para não ter uma derrota e sair de cena de forma ainda mais humilhante.
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Presidente citou agressões do governo Trump contra Venezuela, Cuba e Irã, além de denunciar hipocrisia do Conselho da ONU: ‘são eles que travam guerras’
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva participou neste sábado (21/03) da reunião da Comunidade de Estados Latino-americanos (Celac) com a África, na capital colombiana Bogotá, onde fez duras críticas ao governo dos Estados Unidos, sem mencionar nominalmente Donald Trump.
A autoridade denunciou que o corpo do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), em vez de solucionar conflitos globais, incluindo o genocídio na Palestina e a guerra em curso contra o Irã, tem fomentado mais guerras por meio do poderio militar, além de rechaçar categoricamente o bloqueio energético aplicado por Washington a Cuba e a invasão norte-americana à Venezuela, que culminou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores.
“Nós não somos mais países colonizados. Nós conquistamos soberania com a nossa independência. Nós não podemos permitir que alguém possa se intrometer e ferir a integridade territorial de cada país”, declarou Lula sobre as agressões cometidas pelo republicano a nações sul-americanas. “Não é possível alguém achar que é dono dos outros países. O que estão fazendo com Cuba agora? O que fizeram com a Venezuela? Isso é democrático?”
O mandatário brasileiro destinou parte de seu discurso para o Irã, país contra o qual Washington e Tel Aviv promoveram uma guerra em 28 de fevereiro, em meio a negociações nucleares até então em curso. A agressão levou a uma escalada regional e a um consequente fechamento parcial do Estreito de Ormuz, importante rota marítima por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
“E agora se invadiu o Irã a pretexto de que o Irã estava construindo bomba nuclear. Cadê as armas químicas do Saddam Hussein? Onde elas estão? Quem achou? Nós não podemos viver mais num mundo de mentiras, em que as pessoas constroem inimigos, constroem uma imagem negativa do inimigo para justificar a destruição”, denunciou.
Aos líderes da cúpula, Lula lembrou que depois que foi eleito presidente pela primeira vez, em dezembro de 2002, mesmo antes de ser empossado, o ex-presidente norte-americano George W. Bush entrou em contato para convidá-lo a participar da Guerra do Iraque. O convite foi recusado pelo brasileiro.
“Eu disse para ele: ‘Mas, presidente, eu não conheço Saddam Hussein. O Iraque fica a 14 mil quilômetros do meu país. Eu nunca fui ao Iraque. Por que fazer guerra com ele? Por que destruir para reconstruir?’”, contou. O petista revelou que Washington havia argumentado que se participasse da guerra, as empresas brasileiras iriam “ajudar a reconstruir o Iraque”. “Por que eu vou destruir para reconstruir? Se está construído, deixa que está construído”, questionou.
“A minha guerra é contra a fome de 54 milhões de brasileiros que não têm o que comer. E essa guerra eu vou vencer. E venci a guerra. Em 2014, acabamos com a fome no Brasil”, declarou.
Críticas ao Conselho da ONU O presidente brasileiro voltou a criticar o funcionamento das Nações Unidas (ONU) e a “passividade” dos membros do Conselho de Segurança da ONU diante da concentração de conflitos no mundo. Lula expôs a hipocrisia dos países que nele integram, e que minam os fundamentos do multilateralismo.
“O que vemos no mundo é uma total falta de funcionamento das Nações Unidas, do Conselho Nacional da ONU e de seus membros permanentes que foram criados para manter a paz, e são eles que estão travando guerras”, denunciou.
Ele também voltou a defender a integração de mais países representando o órgão e o multilateralismo, ao criticar a prioridade ao militarismo e a incapacidade de seus integrantes resolverem conflitos mundiais, incluindo o genocídio na Palestina.
“Por que não se renova? Por que não se colocam mais países representando o Conselho de Segurança da ONU?”, questionou. “Ou seja, tudo se resolve por guerra? Ou seja, quem tem mais canhão, quem tem mais navio, quem tem mais avião, quem tem mais dinheiro, se acha dono do mundo?”
Como exemplo, o líder brasileiro disse que, em 2025, 2 trilhões e 700 bilhões de dólares foram gastos em armas para uso em guerras. “Ainda há 630 milhões de pessoas famintas, milhões de seres humanos que não têm acesso à educação, e milhões de mulheres e crianças que são resultado dessas guerras, que são abandonadas sem documentos, sem moradia ou uma pátria para viver”, criticou.
Erradicação da fome e transição climática Referente ao potencial de colaboração com o continente africano, Lula destacou as riquezas naturais dos países que foram historicamente saqueados pelo sistema colonial europeu e pelas grandes corporações transnacionais que operam em seu território. No entanto, apontou positivamente para a capacidade de explorar terras agrícolas visando garantir a produção de alimentos e mitigar a fome.
“A África reúne enorme potencial agrícola e pode se tornar um grande produtor mundial de alimentos. O Brasil está comprometido em contribuir para esse esforço. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) retornou ao continente africano com o Escritório de Cooperação em Adis Abeba”, afirmou.
Sobre as questões climáticas, o presidente Lula destacou que a importância da transição para economias de baixo carbono para evitar a crise climática. O mandatário lembrou o potencial brasileiro para produção de energia limpa de fontes solar, eólica e hídrica, e que a formação de um mercado internacional de biocombustíveis eventualmente poderá abrir caminho para viabilizar a descarbonização da economia.
“Nossos países também possuem importantes reservas de minerais críticos, que desempenham um papel estratégico na transição para economias de baixo carbono. A cooperação entre os países detentores desses recursos minerais será vital para conseguir agregar valor em nossos próprios territórios e evitar investidas neoextrativistas”, explicou.
Lula também lembrou que Egito e Brasil recentemente sediaram as duas últimas Conferências das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP) e que em breve será a vez da Etiópia. “Compartilhamos a responsabilidade de cuidar das duas maiores florestas tropicais do mundo: a Amazônia e a Floresta Tropical do Congo. Trabalhamos juntos”, garantiu.
*Opera Mundi
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EUA deixam de ser democracia liberal, pela primeira vez em 50 anos
No principal informe publicado sobre a saúde da democracia no mundo, Brasil e EUA vão em sentidos contrários no fortalecimento do estado de direito. Se o país lidera no processo de democratização, os americanos perdem, pela primeira vez em 50 anos, seu status de democracia liberal.
Segundo o relatório sobre Democracia do Instituto V-Dem, da Universidade de Gotemburgo, o retrocesso está acontecendo agora em democracias consolidadas e a democracia nos EUA está se deteriorando a uma “velocidade sem precedentes”.
Mas, no caso do Brasil, o país segue numa tendência oposta e, hoje, está classificado como mais democrático que os EUA.
Em sua edição de 2026, o ranking apresenta o Brasil na 28ª posição no mundo. Já os EUA caíram da 20ª posição para o 51º lugar. O país que sempre exportou a democracia ainda deixou de ser classificado como uma democracia liberal e é apenas uma democracia eleitoral, hoje.
De acordo com o informe, quase um quarto das nações do mundo está passando por um retrocesso democrático, ou autocratização, em 2025, e seis dos dez novos países em processo de autocratização identificados no Relatório sobre Democracia de 2026 estão na Europa e na América do Norte.
Entre eles estão países grandes e influentes como Itália, Reino Unido e EUA. “O fato de muitos países populosos e economicamente poderosos estarem se autocratizando é especialmente preocupante. Vários desses países têm o peso econômico e político para remodelar organizações internacionais, normas e comércio, efetivamente remodelando a ordem global. Acho que já estamos vendo o efeito disso”, diz Staffan Lindberg, líder do estudo.
Uma das constatações é de que a democracia dos EUA está atualmente em um processo de deterioração muito mais rápido do que qualquer outra democracia nos tempos modernos.
“Em apenas um ano, a pontuação dos EUA no índice V-Dem de Democracia Liberal caiu 24%, enquanto sua classificação mundial caiu do 20º para o 51º lugar entre 179 nações”, disse.
Os aspectos liberais da democracia mostram o maior declínio nos EUA. O segundo mandato do presidente Donald Trump pode ser resumido como uma rápida concentração de poderes na presidência, de acordo com o relatório.
“O atual governo dos EUA tem minado os mecanismos institucionais de controle e equilíbrio, politizado o funcionalismo público e os órgãos de fiscalização, e intimidado o judiciário, além de atacar a imprensa, a academia, as liberdades civis e as vozes dissidentes”, afirmou Lindberg.
“As eleições de meio de mandato americanas de 2026 serão um teste crucial para a qualidade das eleições e da democracia nos Estados Unidos. Se os indicadores eleitorais também piorarem, os EUA irão piorar ainda mais”, diz Lindberg.
Brasil é destaque positivo: reverteu autocratização Se Trump conduz os EUA para uma situação alarmante, o Brasil lidera o grupo que atravessa um processo de democratização.
“Entre os países em processo de democratização, o Brasil é de longe o maior em termos de população, seguido pela Tailândia e Polônia. Os três representam uma reviravolta, ou seja, estão se recuperando da autocratização da última década e restaurando seus níveis iniciais de democracia”, destaca.
Na avaliação dos especialistas, a autocratização no Brasil “foi revertida antes de um colapso democrático”.
“A autocratização do Brasil começou com o impeachment da presidente Dilma Rousseff e acelerou após a eleição do populista de direita Jair Bolsonaro em 2018. Ataques à mídia, tentativas de minar as eleições, o legislativo e o judiciário se seguiram. A reviravolta ocorreu quando Luís Inácio Lula da Silva, apoiado por uma coalizão de nove partidos, venceu as eleições de 2022”, destacou.
No entanto, a sociedade brasileira permanece profundamente polarizada, e as eleições de 2026 serão decisivas para o futuro. Bolsonaro, porém, está impedido de exercer o cargo após ser condenado por abuso de poder e tentativa de golpe.
Raio-X da democracia no mundo
A democracia retornou aos níveis de 1978 para o cidadão médio global. Os ganhos da “terceira onda de democratização”, iniciada em 1974 em Portugal, foram quase erradicados.
O nível de democracia para o cidadão médio na Europa Ocidental e na América do Norte está no seu nível mais baixo em mais de 50 anos, principalmente devido à autocratização em curso nos EUA.
Os EUA perdem seu status de democracia liberal de longa data — pela primeira vez em mais de 50 anos.
O mundo tem 92 autocracias e 87 democracias no final de 2025. 74% da população mundial (6 bilhões) agora vive em autocracias. Apenas 7% da população mundial (600 milhões) vive em democracias liberais.
Eis os países que lideram o ranking da democracia global
Dinamarca
Suécia
Noruega
Suíça
Estônia
Irlanda
Costa Ric
Finlândia
França
Bélgica
República Tcheca
Austrália
Uruguai
Nova Zelândia
Alemanha
Chile
Luxemburgo
Países Baixos
Áustria
Letônia
Jamil Chade/ICL
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Presidente Donald Trump convoca China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido para uma força-tarefa no estreito
O chefe da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), Alireza Tangsiri, respondeu às alegações de Donald Trump de que “muitos países” enviarão navios de guerra para manter o Estreito de Ormuz aberto, afirmando que a rota “ainda não foi fechada militarmente e está apenas sob controle”.
Em uma postagem no X, ele rebateu os comentários do líder da Casa Branca, dizendo: “Os norte-americanos alegaram falsamente a destruição da marinha do Irã. Depois, alegaram falsamente a escolta de petroleiros. Agora, estão até pedindo reforços a outros países.”
O presidente dos Estados Unidos afirmou neste sábado (14/03), em uma publicação na Truth Social, que “especialmente aqueles afetados pela tentativa do Irã de fechar” o estreito enviariam navios de guerra “em conjunto com os Estados Unidos da América para manter o Estreito aberto e seguro”. Ele citou China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido entre os países que esperava que contribuíssem.
Trump ainda disse que os EUA já haviam “destruído 100% da capacidade militar do Irã”, ao mesmo tempo em que admitia que Teerã ainda poderia “enviar um ou dois drones, lançar uma mina ou disparar um míssil de curto alcance” ao longo do canal.
Ele prometeu que, enquanto isso, Washington “bombardearia impiedosamente a costa e afundariam continuamente barcos e navios iranianos”, prometendo deixar o estreito “ABERTO, SEGURO e LIVRE”.
Vale ressaltar que na semana passada, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse ao canal de notícias estadunidense CNBC que os EUA não estavam preparados para escoltar navios através do estreito.
Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, também esclareceu que o estreito estava fechado apenas para “petroleiros e navios inimigos e seus aliados”, e não para toda a navegação. Já Mohsen Rezaee, membro do Conselho de Discernimento do Interesse do Irã — um órgão influente próximo ao líder supremo —, afirmou: “Nenhum navio americano tem o direito de entrar no Golfo”.
*Opera Mundi
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O governo brasileiro não irá receber deportados estrangeiros que tenham sido capturados nos EUA. A proposta fazia parte de um documento enviado pela Casa Branca ao Brasil, como parte de um futuro acordo para a aproximação entre os dois países.
Depois de uma crise profunda na relação bilateral, em 2025, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump costuraram uma aproximação. Mas a viagem do brasileiro para a Casa Branca, inicialmente marcada para ocorrer em março, não tem mais data para ser realizada. O evento seria a ocasião esperada para que um acordo fosse anunciado para a retirada de tarifas e para o lançamento de uma parceria em setores como terras raras e o combate ao crime organizado.
Mas, segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, o governo dos EUA pediu que o Brasil receba em suas prisões imigrantes presos, tal como faz El Salvador em sua penitenciária de alta segurança.
O Brasil não vê chances de tal projeto prosperar, ainda que a ideia esteja sendo também costurada com a Argentina e outros países da região. Ao longo dos últimos meses, Trump negociou para que estrangeiros presos nos EUA possam cumprir pena e ser enviados para prisões fora do território norte-americano.
A rejeição ao plano já foi comunicada pelo Itamaraty aos EUA e, dentro do governo, o tom é o de deixar claro que o “Brasil não vai virar El Salvador”.
O governo Trump ainda quer que o Brasil apresente um plano para acabar com o PCC, o CV, o Hezbollah e as organizações criminosas chinesas.
Cooperação contra o crime, mas com limites Nesse caso, o governo Lula não descarta uma cooperação, desde que não haja uma condição de que esses grupos sejam considerados como organizações terroristas. O governo destaca que foi Lula quem apresentou ao presidente dos EUA, em dezembro, a ideia de incluir o tema do combate ao crime organizado.
Em janeiro, o Brasil enviou ao governo Trump uma oferta oficial sobre o tema, defendendo que ainda se defenda a inclusão da luta contra a lavagem de dinheiro e o combate ao tráfico de armas na agenda entre os dois países.
Em resposta, o governo dos EUA, então, fez uma contraproposta, com os itens revelados pela Folha.
Para o governo Lula, há um interesse comum entre Brasil e EUA na luta contra o crime organizado. A divergência, porém, é no método.
O governo brasileiro teme que, ao ser declarado como terroristas, os criminosos passem a ser alvos de ataques de militares dos EUA, inclusive em território nacional. Nos últimos meses, os bombardeios americanos contra barcos na costa da Venezuela ou da Colômbia seriam indicativos do procedimento que Trump estaria disposto a usar em toda a região.
*Jamil Chade/ICL
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Transferência de presos seguiria modelo de El Salvador; demanda faz parte de proposta de cooperação em segurança a ser anunciada em visita de Lula à Casa Branca
O governo Trump propôs que o Brasil receba em prisões brasileiras os estrangeiros capturados nos EUA, tal como faz El Salvador em sua penitenciária de alta segurança Cecot. A demanda faz parte da proposta americana de cooperação em combate a organizações criminosas transnacionais em negociação entre os dois governos. A cooperação seria o grande anúncio da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o americano Donald Trump. A visita estava programada para março, mas só deve sair em abril.
Os EUA também querem que o Brasil apresente ao governo americano um plano para acabar com o PCC, o CV, o Hezbollah e as organizações criminosas chinesas em solo brasileiro, segundo um alto funcionário americano informou à reportagem. O governo Trump pede também que o Brasil compartilhe com autoridades americanas informações, incluindo dados biométricos, de estrangeiros buscando refúgio e refugiados no país. Isso seria parte de medidas para combater a criminalidade transnacional e bloquear a imigração em massa passando por portos e fronteiras brasileiros.
As demandas fazem parte da contraproposta enviada pelos americanos em resposta ao plano de cooperação apresentado pelo governo brasileiro. A cooperação foi sugerida pelo presidente Lula a Trump durante telefonema no ano passado que selou a trégua das tensões entre os dois países em decorrência do tarifaço.
Plano proposto O Brasil havia proposto um plano de combate ao crime transnacional com quatro pontos principais. Um deles era cooperação para combater a lavagem de dinheiro, mirando criminosos brasileiros que transferem recursos para empresas de fachada no estado de Delaware, espécie de paraíso fiscal nos EUA. Outro era bloqueio de ativos nos EUA provenientes de recursos ilícitos de brasileiros que cometeram crimes no Brasil, com aumento de cooperação entre a Receita Federal e o Internal Revenue Service. Também aumentar a colaboração entre autoridades alfandegárias e apertar a fiscalização no tráfico de armas que abastecem facções como CV e PCC e intensificar o intercâmbio de informações sobre transações em criptoativos.
As demandas americanas foram feitas em resposta à proposta brasileira e não foram aceitas pelo Brasil, que está em processo de negociação com as autoridades dos EUA. Os funcionários dos dois governos correm contra o tempo para fechar uma proposta aceitável para os dois países para ser apresentada pelos dois presidentes na visita a Washington.
De acordo com Patrícia Campos Mello, ICL, o governo brasileiro tenta evitar que os EUA anunciem a designação do CV e do PCC como organizações terroristas. De acordo com reportagem do UOL, Washington já decidiu classificar as facções como terroristas.
Visão de Lula e futuro Na visão do governo Lula, a designação abriria brecha legal para intervenções dos EUA em território brasileiro. O governo teme ainda a exploração política do tema pelos bolsonaristas durante a campanha eleitoral.
Desde segunda-feira (9), o presidente se dedica a reuniões em busca de uma alternativa à proposta americana, que, segundo aliados do petista, abriria brecha legal para intervenções dos EUA em território brasileiro. O governo teme ainda a exploração política dos bolsonaristas e tenta traçar uma estratégia de comunicação para explicar por que resiste à ideia.
Como a Folha de S.Paulo mostrou em uma série de reportagens, o CV e o PCC já estão presentes em todos os estados brasileiros e exercem hegemonia em ao menos 13 deles. As facções também expandiram sua atuação para além das fronteiras: o CV mantém negócios com ao menos oito países da América Latina, enquanto o PCC tem presença em ao menos 16 nações.
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