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Plano de Flávio Bolsonaro ameaça ajuda a gestantes, saúde mental e outros direitos

Programa promete “ampla revisão normativa infralegal”, sem detalhar quais regras pretende mudar; medida pode afetar direitos trabalhistas e previdenciários

O plano de governo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) abre caminho para uma ampla revisão de decretos, portarias e outras normas que hoje regulamentam direitos trabalhistas e previdenciários, mas não informa quais regras pretende alterar ou revogar caso ele seja eleito presidente.

A proposta aparece na página 69 do programa, em um capítulo dedicado à redução da estrutura do Estado. Flávio promete fazer uma “ampla revisão normativa infralegal” na gestão pública e nas áreas tributária, previdenciária e trabalhista para eliminar o que classifica como “excesso de regras que trava a economia e encarece a máquina”.

O alcance potencial da medida vai além da reorganização administrativa. Normas infralegais são atos como decretos, portarias, instruções normativas e regulamentos editados para detalhar e executar aquilo que está previsto em lei.

Isso significa que parte dessas regras pode ser modificada pelo próprio Poder Executivo, dentro dos limites estabelecidos pela legislação, sem a necessidade de aprovar uma nova lei no Congresso.

É nesse conjunto de normas que estão regulamentadas atualmente medidas relacionadas à saúde mental no ambiente de trabalho, proteção de jovens aprendizes e procedimentos para concessão de benefícios previdenciários, entre outras.

O plano de Flávio, no entanto, não apresenta uma relação dos atos considerados excessivos nem estabelece quais critérios seriam utilizados para decidir o que seria mantido, alterado ou revogado.

Saúde mental entrou nas regras em maio
Um dos exemplos está na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que estabelece regras gerais de saúde e segurança no trabalho.

Desde 26 de maio deste ano, o gerenciamento de riscos ocupacionais passou a incluir expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho. A mudança foi estabelecida pela Portaria 1.419, publicada pelo Ministério do Trabalho em 2024.

Entre os fatores que devem ser considerados estão sobrecarga de trabalho, assédio e falta de suporte aos trabalhadores.

A obrigação está inserida justamente em uma norma infralegal. A NR-1 já passou por sucessivas alterações por portarias do Ministério do Trabalho ao longo dos anos e sua redação atual regulamenta dispositivos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O plano de Flávio não informa se as mudanças recentes da NR-1 serão preservadas durante a revisão prometida.

© Arquivo/MDS

Gestantes de alto risco tiveram proteção ampliada neste ano
Na Previdência, uma mudança ainda mais recente mostra o alcance que atos administrativos podem ter sobre o acesso aos benefícios.

Em julho deste ano, uma portaria conjunta dos ministérios da Previdência e da Saúde incluiu a gestação de alto risco entre as situações que dispensam a carência mínima de 12 contribuições para a concessão de benefícios por incapacidade.

Com a mudança, uma trabalhadora que mantenha a qualidade de segurada do INSS e tenha a incapacidade reconhecida não precisa completar as 12 contribuições normalmente exigidas para ter acesso ao benefício nos casos de gestação de alto risco.

A alteração foi feita pela Portaria Interministerial MPS/MS nº 15, sem necessidade de aprovação de uma nova lei pelo Congresso.

A lista atualmente inclui outras condições graves, como câncer, Parkinson, esclerose múltipla, cardiopatia grave e acidente vascular encefálico agudo. O programa de Flávio também não esclarece se essa regulamentação está entre as normas que pretende revisar.

Bolsonaro fez revisão ampla de normas trabalhistas
A proposta de Flávio tem um precedente no governo de seu pai. Em novembro de 2021, Jair Bolsonaro editou o Decreto 10.854, que instituiu o Programa Permanente de Consolidação, Simplificação e Desburocratização de Normas Trabalhistas Infralegais.

O decreto reuniu em um único marco regras que alcançavam fiscalização trabalhista, saúde e segurança no trabalho, elaboração e revisão das Normas Regulamentadoras, equipamentos de proteção individual, registro eletrônico de jornada e outros temas.

Naquele processo, o governo trabalhou sobre um universo de mais de mil decretos, portarias e instruções normativas trabalhistas. O decreto estabeleceu entre as diretrizes para revisão das normas de saúde e segurança a “simplificação e desburocratização” e a intervenção “subsidiária e excepcional” do Estado sobre atividades econômicas.

O governo Bolsonaro também promoveu uma revisão das próprias Normas Regulamentadoras. A NR-1, por exemplo, passou por uma revisão iniciada em 2019. Outras normas foram alteradas ao longo do mandato. Em 2022, a NR-37, que disciplina segurança e saúde em plataformas de petróleo, teve exigências documentais retiradas e regras de treinamento flexibilizadas dentro do processo de simplificação.

A aprendizagem profissional foi outra área modificada por ato do Executivo. Em maio de 2022, Bolsonaro publicou o Decreto 11.061, que alterou a regulamentação da contratação de aprendizes.

Entre as mudanças, o decreto permitiu que determinados aprendizes fossem contabilizados em dobro para o cumprimento da cota e que jovens contratados por prazo indeterminado depois da aprendizagem continuassem sendo contabilizados por até 12 meses. Também excluiu trabalhadores intermitentes e empregados afastados por benefício previdenciário da base de cálculo da cota.

No ano seguinte, o governo Lula publicou o Decreto 11.479 e revogou esses dispositivos.

O episódio mostra o alcance de mudanças infralegais: embora a obrigação de contratação de aprendizes esteja prevista na CLT, regras que interferem na forma de calcular e cumprir essa cota foram modificadas pelo governo Bolsonaro e, posteriormente, novamente alteradas pelo governo seguinte, sem mudança da lei pelo Congresso.

Revisão não permite apagar direitos previstos em lei
A promessa feita no programa não significa que um eventual governo Flávio poderia eliminar, por decreto ou portaria, direitos assegurados diretamente pela Constituição ou por leis aprovadas pelo Congresso.

Atos infralegais precisam respeitar a legislação que regulamentam. Um presidente não poderia, por exemplo, extinguir por decreto um direito criado expressamente por lei.

A margem do Executivo está na regulamentação: critérios, procedimentos, fiscalização, enquadramentos e formas de execução de políticas podem estar estabelecidos em decretos, portarias, instruções normativas e Normas Regulamentadoras. É justamente esse conjunto que o programa coloca sob uma “ampla revisão”.

A dimensão da mudança dependeria, portanto, de quais normas seriam selecionadas e de quais dispositivos seriam modificados. Essa lista não aparece no plano de governo.

Campanha é questionada sobre alcance da revisão
O ICL Notícias procurou a campanha de Flávio Bolsonaro para saber quais normas, decretos e portarias pretende revisar ou revogar.

Também questionou se a revisão poderá atingir regras sobre saúde e segurança do trabalhador, riscos psicossociais, aprendizagem profissional e benefícios previdenciários, como a dispensa de carência para gestantes de alto risco.

A campanha foi perguntada ainda se assume o compromisso de preservar as atuais proteções e direitos trabalhistas e previdenciários.

*Cleber Lourenço/ICL


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Alerta: Especialista vê risco em plano de Flávio. ‘Pessoas não foram às urnas para mudar de Constituição’

Diego Arguelhes alerta para concentração de poder após candidato do PL afirmar que pretende usar maioria no Congresso para alterar a Carta e ‘redemocratizar’ o país

Advogado constitucionalista e diretor da Faculdade de Direito do Insper, Diego Werneck Arguelhes alerta, em entre para os riscos da proposta do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) de usar a maioria conquistada pela direita e extrema direita no Congresso Nacional para promover mudanças na Constituição.

Para o especialista, embora alterações por meio de Propostas de Emenda à Constituição (PECs) façam parte do funcionamento institucional do país, uma eventual tentativa de substituir a Carta de 1988 exigiria uma legitimidade popular que não foi concedida nas eleições de 2026.

“As pessoas não foram às urnas para mudar de Constituição. As pessoas foram às urnas para escolher representantes dentro das regras que existem na Constituição e que limitam esses representantes”, afirmou Arguelhes.

Nesta terça-feira (6), Flávio disse que pretende aproveitar a nova composição do Congresso para eleger os presidentes da Câmara e do Senado e alterar a Carta.

“Elegemos um Congresso muito mais à direita do que ele é hoje. Com maioria no Senado para fazer o presidente do Senado, com maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara, pra gente mudar a Constituição, pra gente redemocratizar esse país”, declarou.

Arguelhes ressalta que mudanças constitucionais foram realizadas por diferentes governos desde a década de 1990, mas a preocupação, segundo ele, está na concentração de força política conquistada pelo Partido Liberal (PL) e seus aliados.

“A gente está jogando um jogo novo. Estamos jogando um jogo que a gente não viu nesses termos desde a democratização, que é um único partido com tanta força na Câmara, no Congresso e na própria Presidência”, afirmou.

Segundo o especialista, uma maioria ampla reduz a necessidade de negociação e moderação para aprovar mudanças na Constituição. “Em termos de emendar a Constituição, isso cria menos necessidade para esse partido de ter que moderar suas visões para conquistar apoio, de negociar mais para chegar em um texto de uma emenda que seja mais palatável para vários setores da sociedade”, explicou.

‘Redemocratizar’ acende alerta
Arguelhes também chamou atenção para o uso da expressão “redemocratizar esse país” por Flávio. Segundo ele, a própria Constituição de 1988 é resultado do processo de redemocratização após a ditadura militar. “Quando ele fala ‘mudar a Constituição para redemocratizar o país’, será que ele está falando algo além? Mudar de Constituição?”, questionou.

O professor diferencia mudanças feitas por PECs, previstas na própria Carta, de uma eventual tentativa de substituir a Constituição ou ultrapassar as cláusulas pétreas. “A Constituição brasileira não prevê mecanismos para sua substituição. O que ela prevê é um mecanismo de emenda, sujeito, inclusive, a cláusulas pétreas”, explicou.

Para Arguelhes, a maioria conquistada nas eleições não representa autorização para elaborar uma nova Constituição. “Eles podem ter propostas de fazer uma nova Constituição, mas, em termos de mobilização política necessária para ter essa conversa, para legitimar essa mudança, não é a maioria que o PL conquistou nas eleições que os legitima para isso.”

O especialista lembra que, no processo que resultou na Constituição de 1988, os brasileiros foram às urnas sabendo que deputados e senadores eleitos também teriam a missão de elaborar uma nova Carta. Para ele, esse tipo de participação popular é o que diferencia um processo constituinte legítimo de uma tentativa de simplesmente “mudar as regras do jogo no meio do jogo”.

“A gente não teve essa conversa. Não era isso que estava em discussão nas eleições”, afirmou. “Essa pergunta não foi feita. Ela pode até ser feita no futuro, mas não tenho a menor dúvida de que ela não foi feita agora.”

*Chico Alves e Gabriel Gomes/ICL


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A engrenagem de que se cercou Flavio Bolsonaro

A fusão que se formou em torno da campanha de Flávio Bolsonaro — entre interesses políticos, setores do sistema financeiro, alto empresariado, grande mídia, grupos religiosos e personagens associados ao universo das milícias e das organizações criminosas — não pode ser tratada como uma simples coincidência de interesses. Ela revela uma engrenagem de poder. E essa engrenagem ajuda a entender como Daniel Vorcaro e o Banco Master conseguiram chegar tão longe.

O caso Master deixou de ser apenas a história de um banqueiro cercado por suspeitas e passou a expor algo muito mais profundo: as relações entre dinheiro, política, influência institucional e proteção de interesses privados.

As investigações da Polícia Federal revelaram que Vorcaro transitava com desenvoltura por diferentes ambientes de poder. Há registros de proximidade com políticos de alto escalão, interlocuções com integrantes de instituições públicas e relações que estão sendo examinadas pelos investigadores. Também surgiram suspeitas sobre a atuação de servidores do Banco Central que, segundo a PF, teriam repassado informações privilegiadas e atendido a interesses do banqueiro enquanto o próprio Master estava sob fiscalização.

E há um ponto politicamente explosivo: Flávio Bolsonaro aparece nas investigações como interlocutor direto de Vorcaro nas negociações envolvendo o filme Dark Horse. Segundo a PF, houve mensagens, reuniões presenciais, cobranças de pagamentos e acompanhamento da produção. A investigação apura a origem, o trânsito e a destinação dos recursos envolvidos.

Isso não significa, por si só, que toda pessoa que manteve contato com Vorcaro tenha cometido crime. Mas significa algo que a política brasileira deveria levar muito a sério: Vorcaro não operava no vazio.

Ele circulava.

Ele negociava.

Ele construía pontes.

Ele estabelecia relações.

E, segundo as investigações, buscava influência justamente onde decisões capazes de afetar seus negócios eram tomadas.

É nesse ponto que a história do Banco Master deixa de ser apenas financeira e passa a ser essencialmente política.

Porque um esquema de tamanha dimensão não depende apenas de um banqueiro. Depende de portas abertas, interlocutores disponíveis, relações privilegiadas, silêncio conveniente e uma rede de proteção capaz de retardar ou dificultar a reação das instituições.

As próprias investigações indicam uma impressionante amplitude dessa rede. Mensagens obtidas pela PF mostram relações próximas de Vorcaro com figuras do Congresso, enquanto outras apurações examinam sua influência sobre órgãos reguladores e sua proximidade com agentes públicos.

E é justamente por isso que a pergunta central não deveria ser apenas:

“O que Daniel Vorcaro fez?”

A pergunta mais importante é:

“Quem permitiu que Daniel Vorcaro chegasse tão longe?”

Porque banqueiro nenhum constrói sozinho uma rede dessa magnitude.

Nenhum banco opera durante anos sem passar por órgãos de fiscalização.

Nenhuma operação financeira de grande porte acontece sem deixar rastros.

E nenhuma estrutura de poder se sustenta apenas pela vontade de um indivíduo.

É preciso haver conexões.

É preciso haver acesso.

É preciso haver gente disposta a abrir portas.

É preciso haver uma atmosfera política em que determinadas relações sejam naturalizadas enquanto outras sejam imediatamente transformadas em escândalo.

É aí que a fusão em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro ganha um significado que ultrapassa a eleição.

Ela revela a tentativa de juntar, sob uma mesma estrutura de poder, interesses que normalmente aparecem separados: o dinheiro do grande capital, a influência política, a força eleitoral do chamado evangelistão, a máquina de comunicação da grande mídia e setores historicamente associados à política subterrânea do Rio de Janeiro.

Não é necessário afirmar que todos esses grupos formem uma organização criminosa — isso seria uma conclusão que cabe às investigações e à Justiça.

Mas é perfeitamente legítimo perguntar que projeto de poder emerge quando tantos interesses diferentes encontram um mesmo candidato como ponto de convergência.

E talvez seja justamente essa pergunta que incomode tanto.

Porque, quando se olha apenas para cada escândalo isoladamente, tudo parece fragmentado.

Um episódio no Banco Master. Outro envolvendo Vorcaro. Outro no sistema financeiro. Outro no Congresso. Outro envolvendo agentes públicos. Outro envolvendo o Dark Horse. Outro relacionado à campanha.

Mas, quando se coloca tudo sobre a mesma mesa, aparece uma paisagem muito mais perturbadora:

dinheiro, influência, política e poder circulando pelos mesmos corredores.

É por isso que o caso Master precisa ser investigado até o fim, sem blindagens políticas, sem seletividade e sem transformar nenhum personagem em intocável.

Porque a questão já não é apenas descobrir o tamanho do buraco financeiro.

É descobrir o tamanho da rede de relações que permitiu que esse buraco existisse.

E, sobretudo, quem estava ao redor dele quando tudo acontecia.

Vorcaro pode ser apenas o nome mais visível de uma engrenagem muito maior.

E quanto mais essa engrenagem aparece, mais difícil fica sustentar a narrativa de que o Banco Master foi apenas a aventura de um banqueiro que perdeu o controle.

Talvez o verdadeiro escândalo seja justamente este:

não é apenas saber até onde Vorcaro chegou. É descobrir quantas portas precisaram ser abertas para que ele chegasse lá, e quem as abriu.

A mídia protege André Mendonça para que este proteja Flavio Bolsonaro.


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Não, as inúmeras mentiras de Flávio Bolsonaro não colaram. Elas foram estrategicamente retiradas de circulação pela grande mídia

Essa é a diferença que precisa ser explicitada. Não houve uma súbita descoberta da verdade por parte do eleitorado, nem um esclarecimento exemplar promovido pelos grandes veículos de comunicação. O que houve foi algo muito mais conveniente: as mentiras foram perdendo espaço à medida que deixavam de servir à narrativa construída para favorecer Flávio Bolsonaro.

O que ontem ocupava manchetes, chamadas, comentaristas e horas de televisão simplesmente desapareceu. Perguntas incômodas foram substituídas por outras. Contradições foram empurradas para o rodapé. Declarações falsas deixaram de ser confrontadas. E aquilo que deveria permanecer no centro do debate eleitoral foi convenientemente soterrado pelo próximo assunto fabricado pela agenda da mídia.

É assim que funciona a blindagem sofisticada: não é preciso provar que o candidato disse a verdade; basta impedir que o público continue lembrando que ele mentiu.

Flávio Bolsonaro não precisou necessariamente vencer a batalha da narrativa. Em muitos momentos, bastou que seus adversários midiáticos parassem de cobrar explicações. A memória do eleitor foi sendo disputada pela própria avalanche de notícias produzida pelos mesmos veículos que, anteriormente, davam enorme destaque às declarações do candidato.

Mas há um problema nessa estratégia: o eleitor pode até esquecer uma manchete, mas não necessariamente esquece a sensação de que alguma coisa não fecha.

As mentiras não colaram porque eram frágeis. E desapareceram da grande mídia porque continuar insistindo nelas poderia produzir justamente o efeito contrário ao pretendido: transformar contradições em perguntas permanentes, perguntas em desconfiança e desconfiança em rejeição.

Portanto, não confundam silêncio editorial com absolvição eleitoral.

As mentiras de Flávio Bolsonaro não foram desmentidas pela grande mídia; foram simplesmente retiradas de cena. E esse silêncio, por si só, diz muito mais sobre a imprensa que as apagou do que sobre a credibilidade de quem as contou.


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Na tentativa de derrubar Lula, mídia apodrecida dá cobertura ao fascismo

A velha e apodrecida mídia não precisa declarar apoio explícito à extrema direita, ao fascismo para cumprir esse papel. Basta tratá-los como uma força política “normal”, apresentar seus representantes como candidatos comuns e fabricar uma falsa equivalência entre quem defende a democracia e quem ameaça as instituições e quer transformar o Brasil num caos.

É assim que o extremismo deixa de ser apresentado como extremismo. O discurso autoritário vira “opinião”; o golpismo vira “polarização”; a ameaça à democracia vira apenas mais uma “posição política”.

Na reta final da eleição, o que está em jogo não é simplesmente a preferência editorial de três grandes veículos, O Globo, Folha e Estadão, é algo muito maior: a tentativa de moldar o eleitorado para transformar a extrema direita em alternativa legítima e, ao mesmo tempo, desgastar Lula a qualquer custo.

Quando a imprensa naturaliza o fascismo, o banditismo para derrotar Lula, ela deixa de ser apenas espectadora da disputa política e passa a fazer parte dela.

A democracia não pode ser defendida colocando fascistas e democratas no mesmo plano.


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Vídeos: Em votação, Flavio Bolsonaro é hostilizado, chamado de miliciano, vaiado e ouve gritos de “Lula!”

Senador foi hostilizado por opositores em escola particular na Tijuca ao lado de sua esposa Fernanda Bolsonaro; veja vídeos

Osenador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência da República, foi vaiado e recebeu gritos de “Lula”, “fascista” e “miliciano” neste domingo (4) ao acompanhar sua esposa, Fernanda Bolsonaro (PL), durante a votação em uma escola particular na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro. A hostilização ocorreu na saída do local, com opositores puxando coros de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), principal adversário de Flávio na disputa presidencial.

Flávio Bolsonaro é vaiado em zona eleitoral no Rio
Ao deixar a escola particular na Tijuca onde Fernanda Bolsonaro votou, Flávio foi recebido por manifestações de repúdio de eleitores presentes no local. Os gritos de “fascista” e “miliciano” se misturaram a coros em apoio a Lula, numa demonstração pública de rejeição ao candidato do PL dentro do próprio espaço eleitoral. A cena ocorreu na manhã deste domingo e reuniu tanto opositores quanto apoiadores do senador, que deixou o local sob vaias.

Funcionários da zona eleitoral intervieram para tentar conter as manifestações verbais. Uma funcionária alertou que apenas manifestações silenciosas eram permitidas no local, invocando as regras eleitorais para tentar pacificar o ambiente. O apelo ao protocolo, no entanto, não impediu que a polarização se manifestasse de forma audível e visível.

Após cumprir a agenda no Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro seguiu para Brasília, onde acompanhará a apuração dos votos. A assessoria do candidato não se pronunciou publicamente sobre o incidente na Tijuca até o fechamento desta nota.

Michelle discute com eleitora no DF
Michelle Bolsonaro, candidata ao Senado pelo Distrito Federal, também protagonizou um momento de tensão durante a votação deste domingo.

Imagens divulgadas nas redes sociais mostram a ex-primeira-dama discutindo com uma eleitora da oposição que teria gritado a frase “o inferno te espera”.

Durante a troca, a mulher repete para Michelle a frase “a sua mão é suja” e “eu te odeio”. A candidata responde diversas vezes: “Te amo em Cristo Jesus”, e ao fundo é possível ouvir outra apoiadora dizendo “a cultura tem que ser valorizada”.

As duas continuam discutindo por alguns instantes enquanto outras pessoas acompanham a cena.

 

 


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CNT/MDA: Lula tem 47,8% dos votos válidos e Flávio Bolsonaro 42,1% no primeiro turno

Em pesquisa divulgada neste sábado (3) pela CNT/MDA, o presidente Lula tem 47,8% do total de votos válidos (desconsiderando brancos e nulos) da preferência no cenário de primeiro turno da disputa à Presidência. O senador e candidato Flávio Bolsonaro (PL) registra 42,1%.

Na sequência, o candidato Augusto Cury (Avante) pontua 3,6%, seguido de Ronaldo Caiado (PSD) com 3,4%, Renan Santos (Missão) com 1,7% e Romeu Zema (Novo) com 0,9%.

No cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 43,1% das intenções de voto, seguido pelo candidato do PL Flávio Bolsonaro, com 38,0%. Em seguida, aparecem Augusto Cury, com 3,2%; Ronaldo Caiado, com 3,0%; Renan Santos, com 1,5%; e Romeu Zema, com 0,8%. Outros candidatos somam 0,5%, enquanto 4,0% dos entrevistados declararam voto em branco ou nulo e 4,7% permanecem indecisos.

Em cenário de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, 47,3% dos entrevistados dizem que votariam em Lula, enquanto 43,1% escolheriam Flávio Bolsonaro. Brancos e nulos somam 7,6%, e 1,9% não souberam ou não responderam.

O levantamento também mostra avaliação do governo do presidente Lula: 35,3% dos entrevistados consideram o desempenho do governo como positivo, enquanto 22,7% avaliam como regular e 41,1%, como negativo. Já em relação ao desempenho pessoal do presidente, 47,4% aprovam e 49,2% desaprovam sua atuação.

Em relação à decisão de voto, pesquisa mostra que 87,6% dos eleitores afirmam que sua decisão de voto é definitiva, enquanto 12,4% ainda podem mudar de opinião até o dia da eleição.

A pesquisa CNT/MDA ouviu 2.002 eleitores, entre os dias 29 de setembro e 02 de outubro, por meio de entrevistas presenciais. A margem de erro do levantamento é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.


*ICL

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Pesquisa CNT/MDA mostra que Lula segue vencendo Flavio Bolsonaro

Correção

Lula aparece com 43,1% das intenções de voto estimuladas no primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro, com 38,0%. Já no segundo turno, Lula tem 47,3% e Flávio, 43,1%

Na véspera do primeiro turno das eleições, a Pesquisa CNT de Opinião atualiza o cenário da disputa presidencial e apresenta um retrato do eleitor na reta final da campanha. A 171ª rodada, divulgada neste sábado (3) pela CNT, em parceria com o Instituto MDA Pesquisa, também aborda a percepção do eleitor em relação ao desempenho do governo.

Nos cenários analisados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se mantém à frente no primeiro e no segundo turnos. No levantamento estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 43,1% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 38,0%. Na sequência, aparecem Augusto Cury, com 3,2%; Ronaldo Caiado, com 3,0%; Renan Santos, com 1,5%; e Romeu Zema, com 0,8%. Outros candidatos somam 0,5%, enquanto 4,0% dos entrevistados declararam voto em branco ou nulo e 4,7% permanecem indecisos.

Em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, 47,3% dos entrevistados dizem que votariam em Lula, enquanto 43,1% escolheriam Flávio Bolsonaro. Brancos e nulos somam 7,6%, e 1,9% não souberam ou não responderam. A Pesquisa também testou cenários de segundo turno entre Lula e outros candidatos. O atual presidente aparece com 46,8%, frente a 37,9% de Augusto Cury; 47,0% para 37,3% de Ronaldo Caiado; 48,1% versus 34,3% de Renan Santos; e 49,2% ante 34,2% de Zema.

A 171ª rodada também traz a avaliação do governo do presidente Lula: 35,3% dos entrevistados consideram o desempenho do governo como positivo, enquanto 22,7% avaliam como regular e 41,1%, como negativo. Já em relação ao desempenho pessoal do presidente, 47,4% aprovam e 49,2% desaprovam sua atuação.

A Pesquisa também mostra que 87,6% dos eleitores afirmam que sua decisão de voto é definitiva, enquanto 12,4% ainda podem mudar de opinião até o dia da eleição.

Pesquisa CNT acompanha cenário eleitoral de 2026
A Pesquisa CNT de Opinião foi realizada entre 30 de setembro e 2 de outubro de 2026, com 2.007 entrevistas, margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A coleta ocorreu de forma presencial, em domicílios e pontos de fluxo, e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04756/2026.


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Datafolha: católicos, mulheres e idosos reforçam vantagem de Lula na reta final

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega à reta final do primeiro turno com vantagem sobre Flávio Bolsonaro (PL) entre católicos, mulheres e eleitores de 60 anos ou mais, segundo o Datafolha. Lula registra 50%, 45% e 49% nesses segmentos, respectivamente. Os números aparecem em uma campanha atravessada pela controvérsia sobre Nossa Senhora Aparecida, pelo reajuste do Bolsa Família e pela proibição das bets.

Entre católicos, o presidente passou de 45% para 50%, enquanto Flávio Bolsonaro oscilou de 33% para 32%. A distância nominal aumentou de 12 para 18 pontos. O movimento ocorreu durante a repercussão das publicações que associavam o senador à retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. Flávio Bolsonaro nega essa intenção, e a controvérsia levou a disputas judiciais sobre a remoção das postagens.

No eleitorado feminino, Lula foi de 42% para 45%, contra uma passagem de 33% para 35% do adversário. O período foi marcado por iniciativas que atingem o orçamento das famílias, como o reajuste do Bolsa Família, com piso de R$ 691, previsto para começar a ser pago em outubro, e pela proibição das apostas online.

A maior variação de Lula nesses três grupos ocorreu entre os eleitores de 60 anos ou mais: de 42% para 49%. Flávio Bolsonaro passou de 37% para 36%, deixando uma diferença nominal de 13 pontos. Na reta final, o presidente intensificou os acenos à participação dos idosos, enquanto o INSS reforçou que o comparecimento às urnas vale como prova de vida automática. Quem não votar pode ter a comprovação realizada por outros registros consultados pelo instituto.

Nos três segmentos, Lula alcança seus maiores percentuais na série recente da campanha. As vantagens nesses públicos contrastam com a disputa mais apertada no conjunto do eleitorado: nacionalmente, o presidente tem 42% dos votos totais, contra 38% de Flávio Bolsonaro, em empate técnico no limite da margem de erro de dois pontos.

Datafolha

As margens específicas da rodada atual são de três pontos entre católicos e mulheres e de quatro pontos entre eleitores de 60 anos ou mais. Os movimentos entre pesquisas são variações numéricas e não demonstram, por si só, que um episódio ou uma medida do governo tenha causado a mudança de preferência.

Contratado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo, o levantamento realizou 2.506 entrevistas presenciais em pontos de fluxo populacional, em 152 municípios, entre 29 de setembro e 1º de outubro. Foram ouvidos eleitores de 16 anos ou mais. A margem nacional é de dois pontos, para mais ou para menos, com confiança de 95%. O relatório do Datafolha informa o registro BR-08039/2026 no Tribunal Superior Eleitoral.

*DCM


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A hipocrisia da mídia, que já espancou a democracia, tenta acabar com ela por asfixia

Há momentos em que a hipocrisia deixa de ser apenas um vício editorial e passa a representar um risco concreto para a própria democracia. Quando veículos que deveriam exercer o papel de fiscalizar o poder escolhem seletivamente o que denunciar, o que esconder e contra quem direcionar seus holofotes, a imprensa deixa de cumprir sua função pública e passa a interferir no debate político.

O problema não está em criticar governos, partidos ou candidatos. Isso faz parte da democracia. O problema começa quando a régua muda conforme o personagem. Um fato grave que seria manchete contra um adversário desaparece quando envolve um aliado; uma denúncia recebe tratamento explosivo de um lado e silêncio constrangedor do outro; uma polêmica é transformada em escândalo quando interessa e em nota de rodapé quando incomoda.

Essa seletividade corrói a confiança pública. E uma democracia não sobrevive apenas de eleições, ela precisa de informação confiável, pluralidade, transparência e imprensa disposta a confrontar todos os poderes — inclusive aqueles que lhe são próximos.

Mas no Brasil, a grande mídia tem seu lado, sempre o mesmo, contra os pobres, contra os desvalidos. Com isso, manipula as eleições.

A mídia brasileira já cometeu erros históricos que tiveram consequências políticas profundas. Repetir a mesma lógica, agora sob novas embalagens e com novos personagens, significa brincar perigosamente com uma instituição que pertence à sociedade, não aos seus donos, acionistas ou interesses circunstanciais.

Quando a imprensa abandona a coerência para escolher quem merece ser investigado, quem merece ser protegido e quem deve ser destruído, ela não está apenas narrando a disputa política. Está ajudando a moldá-la.

Pior, compara o incomparável. Entre Lula e Flavio Bolsonaro, não há termo de comparação.

E é justamente aí que mora o perigo, uma mídia que já espancou a democracia pode, pela omissão, pela seletividade e pelo duplo padrão, contribuir para algo ainda mais grave — a sua morte por asfixia.


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