PF fez trabalho de cooperação por meio de um oficial de ligação que acompanhou os dados de Ramagem nos EUA
A coluna de Juliana Dal Piva, no ICL, apurou que a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem nos Estados Unidos ocorreu após um trabalho de meses da Polícia Federal desde que Ramagem fugiu em setembro. Um dos pontos centrais para que a ação se desdobrasse nesta segunda-feira foi verificar quando vencia o período de permanência legal do ex-deputado nos EUA com o visto B1B2, o visto de turismo e negócios utilizado por ele para entrar na Flórida.
Além disso, a PF fez um trabalho de cooperação por meio de um oficial de ligação que estava atuando nos EUA e acompanhando os dados de Ramagem. Ele foi preso nesta segunda-feira (13) por agentes do ICE, o serviço de imigração dos Estados Unidos, na Flórida, onde permanecia desde que deixou o Brasil em 2025.
O ex-diretor-geral da Abin teve o mandato cassado pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados em dezembro do ano passado, após ser condenado no processo da trama golpista em 11 de setembro.
Após fugir do Brasil, o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) entrou nos EUA no dia 11 de setembro, o que demonstra que ele decidiu deixar o país antes mesmo de ser condenado. A PF já apura o caso desde o início de outubro.
Além disso, investigadores já identificaram que Ramagem iniciou sua fuga em Brasília a partir de um voo para Boa Vista, em Roraima, no dia 9 de setembro. O trajeto entre Boa Vista e a Guiana foi feito via terrestre. Nos dias seguintes, tanto ele como a mulher, Rebeca, passaram a postar imagens juntos para disfarçar o paradeiro do deputado. Por isso, antes dela viajar aos EUA, Rebeca foi alvo de busca pessoal e teve celulares apreendidos no aeroporto.
Em nota, a Câmara informou que não foi autorizada missão oficial no exterior para o deputado Ramagem, tampouco houve comunicação à presidência da Casa de afastamento do parlamentar do território nacional.
A Casa também declarou que o deputado apresentou atestados médicos nos períodos de 9 de setembro a 8 de outubro; e de 13 de outubro a 12 de dezembro. Ramagem integrava o chamado “núcleo crucial” da trama golpista, ao lado de outras sete pessoas, entre elas o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão e o ministro Alexandre de Moraes também determinou esta semana a perda de mandato parlamentar de Alexandre Ramagem.
A esposa do deputado, Rebeca Ramagem, chegou a publicar, no domingo (23), nas redes sociais, que a família viajou para Miami por “proteção”, alegando enfrentar “perseguição política desumana”.
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