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De clã a clã

Aqui não se está falando de dois grupos laterais, mas de dois clãs políticos que se unem pela direita contra qualquer político progressista, contra Lula então!

Não há escultor possível que crie uma imagem dos Marinho como grupo democrático que, agora, junta-se à apoteose bolsonarista não como uma alegoria, mas como filhos e herdeiros da ditadura.

Enquanto o país luta por uma representação progressista, os dois clãs representantes da escravidão não cabem sequer em fantasias interpretativas. Por isso não há parênteses quando se fala do clã Marinho ou do clã Bolsonaro.

Pior é ver a reconstrução de alianças na hora em que a bola rola e, no centro do campo, um cavalo, um pangaré ou um potrinho miliciano. É dessa lógica na busca pela vitória do que é mais reacionário no Brasil, que as asneiras, ditas pelo bolsonarismo, ganham a ajuda estratégica das asneiras básicas do colunismo do Globo e, de gorjeta, da própria TV aberta dos Marinho.

Ou seja, tudo é comentado de acordo com as unhas da onça, na base da cavação para tentar destruir a imagem do oponente e, junto, destruir a vida de milhões de brasileiros das camadas mais pobres da população.

Isso nos cobre de vergonha, justamente porque o Jornal Nacional, durante ao menos uma década, vem mostrando uma fieira de crimes do clã Bolsoaro, seja com Jair, Flavio, Carluxo ou Eduardo que, de alguma forma, meteram as mãos nos bolsos dos brasileiros.

Contudo, os Marinho se esqueceram disso transcendendo a lógica da lógica e amontoa uma série de princípios antijornalísticos para defender o que eles próprios relataram sobre as ações criminosas dos Bolsonaro.

Isso é um monumento de falsidade jornalística para consagrar os próprios crimes que denunciaram. É uma esquizifrenia? Sim, totalmente nonsense vista por uma olhar minimamente decente sobre civilização.

Entre a barbárie e a democracia, os Marinho não falham, sempre optam pela barbárie. Não é de agora, mas desde o golpe de 1964 que Bolsonaro tanto exalta.

Por isso mesmo a afinidade entre os clãs naquilo que lhes é mais caro.

Mas essa faixa elástica também chega a outros jornalções, como o Estadão, Folha e revistonas, como a Veja, por exemplo.

Então, quanto mais próximo da eleição, mais fraternos se tornam os clãs entre si, sem qualquer pudor ou máscara, é osso no osso, pois, para os Marinho, contra Lula,  vale tudo; para os Bolsonaro, idem.

Até mesmo no ataque à N. Sra. Aparecida e na defesa das bets, lembrando também que os dois clãs apoiam vivamente o genocídio de crianças e mulheres, assim como a população civil como um todo em Gaza pelo exército terrorista de Israel.


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Se o “terrivelmente evangélico” já protagonizou uma batalha judicial envolvendo Nossa Senhora Aparecida, imagine o que o Zero Um do clã poderá fazer com a religião se chegar à Presidência

O episódio envolvendo Nossa Senhora Aparecida acendeu um alerta que vai muito além da disputa eleitoral. André Mendonça, ministro indicado por Jair Bolsonaro e apresentado pelo próprio ex-presidente como alguém “terrivelmente evangélico”, determinou, no TSE, a remoção de 1.125 publicações que associavam Flávio Bolsonaro à suposta retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. Flávio negou apoiar essa proposta, e Flávio Dino posteriormente derrubou a decisão, restabelecendo as publicações.

O episódio nos autoriza  a afirmar que Mendonça agiu eleitoralmente, revelando algo politicamente muito mais sério: até a devoção popular a Nossa Senhora Aparecida entrou no campo de batalha eleitoral e judicial.

E é justamente aí que a sociedade precisa prestar atenção.

Quando um projeto político começa a misturar de maneira cada vez mais agressiva fé, Estado e poder, prática comum ao clã Bolsonaro, a pergunta deixa de ser sobre esta ou aquela religião. Passa a ser sobre o princípio constitucional de que o Estado brasileiro é laico e deve garantir liberdade religiosa para todos.

O próprio Bolsonaro anunciou sua intenção de colocar no Supremo ministros “terrivelmente evangélicos”. Agora, diante do episódio envolvendo Mendonça e Nossa Senhora Aparecida, é legítimo discutir qual será o limite entre convicção religiosa pessoal e exercício do poder de Estado.

E se isso já produz tamanho conflito durante uma campanha eleitoral, a pergunta política é inevitável: o que aconteceria se Flávio Bolsonaro, o Zero Um do clã, tivesse nas mãos a Presidência da República e o poder de indicar ministros para o Supremo? É hora de pensar muito sério sobre seu voto e escolher entre soberania e democracia ou o caos.

Não se trata de atacar evangélicos, católicos ou qualquer outra religião. Trata-se exatamente do contrário: de defender o direito de todos a professarem sua fé sem que uma religião seja transformada em instrumento de poder político.

Nossa Senhora Aparecida pertence à fé de milhões de brasileiros. O Estado, porém, pertence a todos.

E essa fronteira — entre a crença de cada cidadão e o poder de quem governa — não pode ser tratada como detalhe eleitoral.


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Bolsonaro abriu a porta para o Master e para as bets. Lula fechou as duas portas. Ponto final

Há uma gigantesca diferença política que merece ser lembrada sem maquiagem, mas a grande mídia faz questão de não ver e reportar, mesmo que tenha diferença cristalina entre o governo do clã Bolsonaro, do qual Flavio é um dos componentes centrais, já Lula, um velho alvo dos ataques mais vis da mídia, por representar os trabalhadores e as camadas mais pobres da população. Fato reconhecido pelos principais jornais estrangeiros, como ressaltou neste sábado (26), o Financial Times.

Enquanto o governo Bolsonaro convivia harmonicamente com o banditismo e expansão do Banco Master de Vorcaro, irmãozão de Flavio, que até agora não explicou os R$ 134 milhões que recebeu do banqueiro, Lula triturou a máquina que produziu o maior roubo do sistema financeiro brasileiro, que deveria ter um busto na Faria Lila, se o sistema financeiro fosse sério, mas não é. Por isso segue apoiando Flavio Bolsonaro.

O mesmo precisa ser dito sobre a abertura do mercado das apostas de quota fixa, das bets,  por Bolsonaro. Lula foi enfático, certeiro e recebeu o apoio de quase 80% da sociedade nas redes sociais, até porque 75% da população clamava por essa decisão.

No caso do Master, a transferência do controle do então Banco Máxima para Daniel Vorcaro foi autorizada pelo Banco Central em outubro de 2019, durante o governo Bolsonaro e sob a presidência de Roberto Campos Neto. Em 2021, a instituição passou a se chamar Banco Master. Em novembro de 2025, já no governo Lula, o Banco Central decretou sua liquidação extrajudicial, citando grave crise de liquidez e graves violações das normas do sistema financeiro.

Nas bets, a cronologia também é eloquente: a legislação de 2018, sancionada por Bolsonaro, criou a modalidade de apostas, as bets. Lula, por sua vez, em 25 de setembro de 2026, assinou uma medida provisória proibindo a oferta, a intermediação e a publicidade das bets em todo o território nacional.

Ou seja: de um lado, a expansão de um sistema que posteriormente entrou em profunda crise e um mercado de apostas que se espalhou pelo país desttroçando a vida de milhões de brasileiros e suas famílias, como revelam incontáveis histórias. De outro, medidas de contenção, fiscalização e, agora, a proibição das bets.

A comparação é direta, um governo abriu espaço; o outro decidiu fechar.

Com um detalhe: Flavio já anunciou que, se eleito, reabrirá as bets. Alguém tem dúvida de que ele fará o mesmo para reabrir o Banco Master do comparsa, Danie Vorcaro?

E é justamente essa cronologia que precisa ser colocada sobre a mesa quando se discute quem criou as condições para determinados problemas e quem tomou medidas drásticas para enfrentá-los, em favor do povo brasileiro.

Diferente disso, qualquer análise ou é de bolsonarismo malandro ou descarado, com as falas do grande mentiroso, Flavio Bolsonaro. Que fique claro, que votar nele, votará pela volta das bets e do Banco Master de Vorcaro.


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Política

Flávio já sabe que a casa vai cair e anuncia que “balas de prata” virão à tona contra sua campanha

Em antecipação aos fatos, Flávio admite que esta semana poderá vir à tona não uma, mas várias “balas de prata” contra sua candidatura. Mas Flávio acha que engana quem?

Abre parêntese em entrevista para se vender como vítima de uma suposta perseguição judicial, certo de que não há muito mais a produzir além do seu já enfadonho cinismo, atitude que se tornou uma espécie de método diante dos escândalos que pipocam como milho de pipoca em panela quente.

O sujeito que só sabe negar, sem explicar satisfatoriamente as acusações que o cercam, tenta transformar tudo em perseguição: corrupção, relações suspeitas, denúncias envolvendo seu entorno e até a polêmica em torno de Nossa Senhora Aparecida. Fixa o olhar numa direção qualquer, como quem perdeu completamente o rumo, e apresenta a fuga como se fosse a única saída possível diante da sucessão de denúncias que atingem seu nome e o de seus aliados.

O fato é que essa fantasia interpretativa já não engana mais ninguém. Não cola nem com durepoxi.

E o problema de Flávio não está apenas na falta de projetos para o país ou na pobreza de seu discurso político. O que está em discussão são fatos, documentos, relações e acusações que, segundo as denúncias divulgadas, lançam luz sobre uma rede de interesses envolvendo dinheiro, poder, negócios e personagens associados a diferentes investigações.

Perguntado sobre suas viagens em avião ligado a Daniel Vorcaro, Flávio procura contestar a relação e atribuir a aeronave a terceiros. Quando questionado sobre as acusações envolvendo pessoas de seu entorno, responde recorrendo à velha fórmula da “perseguição”. É sempre a mesma saída: não explica, não apresenta documentos, não esclarece; acusa quem pergunta.

E é justamente aí que mora o problema.

Flávio parece ter se cercado de personagens sobre os quais recaem graves questionamentos e, agora, encontra-se politicamente dependente das explicações que esses vínculos exigem. A cada nova denúncia, sua margem de manobra diminui. A cada nova pergunta, o discurso da perseguição fica mais parecido com uma cortina de fumaça para evitar respostas objetivas.

O episódio dos supostos R$ 70 milhões relacionados a Vorcaro e ao projeto cinematográfico sobre Jair Bolsonaro tornou-se emblemático. Flávio prometeu apresentar uma planilha e documentos para esclarecer a questão. O tempo passa, a campanha avança e a cobrança permanece: onde estão os documentos que ele próprio prometeu apresentar?

E, quando se olha para as notícias que dominaram a última semana, surgem sucessivamente denúncias e questionamentos envolvendo dinheiro, emendas, relações políticas, milícias e personagens ligados a investigações criminais. É uma sucessão de episódios que exige explicações, não slogans.

Como se tudo isso não bastasse, há ainda a questão das bets. Pressionado pelo debate sobre o financiamento desse mercado e pela própria posição assumida durante a campanha, Flávio promete que, se eleito, poderá reabrir espaço para a jogatina no Brasil. Uma promessa que coloca em choque seu discurso dirigido ao eleitorado religioso com uma política que pode ter consequências econômicas e sociais profundas para famílias endividadas.

É como se, a cada dia, acendesse uma vela para um lado diferente em nome de uma fé política de conveniência.

Na semana decisiva da eleição, Flávio não pode simplesmente fugir dos microfones. Precisa responder às perguntas. E, quando responde, precisa apresentar provas capazes de sustentar aquilo que afirma.

Não basta repetir que tudo é mentira. Não basta chamar tudo de perseguição. Não basta atribuir cada denúncia à disputa eleitoral.

Para onde se olha, sobretudo nas mais recentes notícias, depara-se com algum tipo de corrupção, de assoiação com milícia, com dinheiro de emendas para quem forneceu a arma a Ronnie Lessa para matar Marielle Franco.

Não basta insinuar que qualquer investigação, reportagem ou denúncia contra ele seria fruto de uma conspiração.

Quem diz a verdade precisa ter documentos, testemunhas e fatos para sustentá-la.

Por isso, quando o próprio Flávio antecipa que novas denúncias poderão surgir nesta semana, sua reação já parece estar preparada: será mentira, perseguição, armação, disputa eleitoral.

Se tudo é mentira, onde estão as provas capazes de demonstrar que ele está dizendo a verdade?

O fato é que Flavio está encurralado pelas próprias armações.


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Política

Depois de incontáveis mentiras sobre seus crimes, como Flávio Bolsonaro continua candidato à Presidência da República diante de um TSE omisso?

Perdeu-se a conta das mentiras graves ditas por Flávio Bolsonaro nesta campanha. E, ainda assim, ele chega à reta final como candidato à Presidência da República, a poucos dias do primeiro turno, sem que isso tenha produzido, até aqui, uma consequência eleitoral capaz de interromper sua candidatura. A pergunta, portanto, é inevitável: para que serve o Tribunal Superior Eleitoral?

Não se trata de exigir que o TSE escolha candidatos, muito menos de substituir a vontade soberana do eleitor. Trata-se de perguntar qual é o limite institucional quando um candidato utiliza a campanha para disseminar afirmações falsas ou enganosas. O próprio TSE estabeleceu regras para combater a desinformação e afirma que a propaganda eleitoral deve respeitar normas destinadas a garantir um processo equilibrado.

E há uma diferença fundamental entre crítica política, exagero retórico e mentira factual. A democracia suporta — e precisa suportar — opiniões duras, acusações e divergências. O que não pode ser naturalizado é a ideia de que uma campanha eleitoral seja um território sem consequências para quem apresenta como fato aquilo que não consegue sustentar.

O próprio tribunal já demonstrou que pode agir. Em junho, por exemplo, determinou a remoção de conteúdos publicados contra Flávio Bolsonaro que o associavam a facções criminosas. Em setembro, também confirmou punição por propaganda eleitoral negativa impulsionada irregularmente na internet. Portanto, a Justiça Eleitoral não é uma instituição sem instrumentos.

É justamente por isso que a cobrança precisa ser feita com mais força: se existem regras, critérios e mecanismos para preservar a integridade do processo eleitoral, por que a sensação de impunidade permanece quando se acumulam mentiras graves atribuídas a um candidato presidencial?

O problema não é o TSE impedir alguém de disputar uma eleição por discordância política. O problema seria permitir que a mentira eleitoral se transforme em método, enquanto a Justiça chega sempre depois que o dano já foi produzido.

Uma eleição presidencial não pode ser uma competição em que a velocidade da mentira seja maior que a velocidade da Justiça. Quando a decisão chega depois de milhões de votos terem sido influenciados, a pergunta sobre a efetividade da fiscalização deixa de ser retórica e passa a ser institucional.

O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. E, a esta altura, a sociedade tem todo o direito de perguntar: qual é o limite para a desinformação numa eleição presidencial? Quem fiscaliza esse limite? E, sobretudo, quais são as consequências quando ele é ultrapassado?

Porque democracia não é apenas colocar uma urna eletrônica à disposição do eleitor. É garantir que o eleitor chegue à urna tendo recebido informação submetida às mesmas regras que valem para todos.

Se a Justiça Eleitoral não consegue responder a isso antes que o voto seja depositado, para que momento exatamente ela está guardando sua autoridade?


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São Paulo diante de um divisor de águas

A eleição para o governo de São Paulo coloca diante do eleitorado uma discussão que vai muito além da disputa entre dois nomes. Ela coloca em debate que tipo de Estado se quer construir e qual lugar a educação, a ciência e o conhecimento devem ocupar nesse projeto.

De um lado está Fernando Haddad, professor da Universidade de São Paulo, com formação acadêmica em Direito, Economia e Filosofia, e que comandou o Ministério da Educação por sete anos. Nesse período, foram criadas ou ampliadas políticas que marcaram a educação brasileira, como Prouni, Sisu, Ideb, Institutos Federais, Universidade Aberta do Brasil e Pibid.

Do outro está Tarcísio de Freitas, atual governador, cuja declaração de que “o diploma universitário não é mais importante” abriu um debate inevitável sobre a valorização da formação acadêmica.

É impossível ignorar o simbolismo desse contraste.

Enquanto uma trajetória política está associada à universidade, à formação acadêmica e à expansão de políticas de acesso ao ensino superior, a outra apresenta uma visão segundo a qual o diploma universitário teria perdido importância.

E isso ganha ainda mais peso quando se olha para os indicadores educacionais de São Paulo. Segundo checagem da Lupa, a rede estadual de ensino médio passou da terceira posição nacional no Ideb, em 2021, para a décima em 2025. A nota caiu de 4,4 para 4,3 no período.

Não se trata, portanto, de uma discussão abstrata sobre diplomas. Trata-se de decidir qual valor São Paulo atribui ao professor, à escola pública, à universidade, à pesquisa e à formação profissional de sua juventude.

São Paulo é o estado mais rico e mais populoso do país. Não pode tratar educação como detalhe administrativo nem transformar conhecimento em algo descartável. Uma sociedade que pretende disputar inovação, produtividade, tecnologia e desenvolvimento precisa de escolas funcionando, professores valorizados, universidades fortes e jovens com acesso à formação de qualidade.

A eleição, nesse sentido, pode ser lida como um confronto entre projetos e concepções distintas de futuro. De um lado, Haddad, a defesa da formação e do conhecimento como instrumentos de transformação social; de outro, Tarcícios, uma concepção que relativiza a importância do diploma universitário.

O eleitor paulista terá diante de si essa diferença — e caberá a ele avaliar, à luz das propostas, dos resultados e das trajetórias apresentadas na campanha, qual visão de educação e de Estado considera adequada para São Paulo.


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Quando o escândalo chega ao quintal da velha mídia, o silêncio começa

Foi um verdadeiro festival.

Durante semanas, a velha mídia transformou o STF em uma espécie de vilão nacional de plantão. Cada decisão, cada ministro, cada conflito institucional servia de matéria-prima para manchetes alarmistas, colunas indignadas e intermináveis discussões destinadas a produzir uma conclusão política muito conveniente: era preciso desgastar o Supremo e, por tabela, criar desgaste para Lula.

O problema é que a realidade, essa inconveniente senhora que insiste em aparecer quando menos se espera, resolveu mudar o roteiro.

O espetáculo montado para atingir o STF acabou produzindo um efeito político que seus autores talvez não tivessem previsto: o desgaste passou a respingar muito mais no campo bolsonarista, especialmente em Flávio Bolsonaro.

E então veio o caso Banco Master, com as mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro e as revelações sobre relações envolvendo personagens do Judiciário e pessoas próximas ao ministro Kassio Nunes Marques.

Entre os elementos divulgados está um contrato que poderia alcançar R$ 427 milhões em honorários de êxito, relacionado a ações envolvendo precatórios e interesses do Banco Master. Kassio Nunes Marques nega ter participado do contrato ou atuado em favor de Vorcaro ou do banco.

Ora, se o argumento era que o STF precisava ser vasculhado até a última vírgula quando as suspeitas serviam para atingir Lula, por que a mesma lupa não deveria permanecer sobre a mesa quando surgem fatos que envolvem personagens ligados ao universo bolsonarista?

Aí acontece o milagre editorial: o STF desaparece das manchetes.

O tribunal que ocupava horas de televisão, páginas de jornais e quilômetros de comentários passa, de repente, a parecer uma instituição quase invisível.

Convenientemente invisível.

É como se o botão de emergência da velha mídia tivesse duas posições: “escândalo quando interessa” e “silêncio quando incomoda”.

Mas jornalismo não deveria funcionar assim.

Se há suspeitas, que sejam investigadas. Se não há provas, que isso seja claramente informado. Se existem documentos, que sejam publicados e contextualizados. Se existem negativas, que sejam igualmente registradas.

O que não pode existir é uma imprensa que exige transparência absoluta dos adversários e subitamente descobre a delicadeza, a cautela e o silêncio quando a investigação começa a alcançar seus aliados políticos.

E talvez seja justamente por isso que todo aquele festival contra o STF tenha produzido um resultado tão diferente do esperado.

Tentaram transformar o Supremo em problema eleitoral para Lula. No caminho, acabaram abrindo uma janela para que o eleitor enxergasse as conexões políticas e financeiras que cercam o universo bolsonarista.

Agora, o que se espera é simples: menos teatro, menos manchete seletiva e mais jornalismo.

Porque, quando a imprensa decide quem merece holofote e quem merece silêncio, o problema deixa de ser apenas aquilo que está sendo investigado.

Passa a ser também aquilo que deliberadamente deixa de ser investigado com a mesma intensidade.


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Caso Marielle: Peixe, Flávio Bolsonaro e os Brazão, coincidência demais para ser apenas coincidência

Peixe, o miliciano que circulava entre os Brazão e o caso Marielle, recebeu uma porta aberta no gabinete de Flávio Bolsonaro para a liberação de R$ 200 mil em emenda parlamentar. E não estamos falando de qualquer personagem. Robson Calixto, o “Peixe”, foi condenado pelo STF por integrar a organização criminosa ligada aos irmãos Brazão e aparece no relatório da Polícia Federal como responsável por intermediar a entrega da arma utilizada no assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.

E a história fica ainda mais incômoda quando se olha para a sequência dos fatos. A PF encontrou mensagens nas quais Peixe tratava diretamente com uma assessora de Flávio Bolsonaro sobre a liberação dos recursos. A verba, de R$ 199.999,79, acabou destinada a um instituto localizado justamente em território de forte influência política dos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, condenados pelo STF como mandantes do assassinato.

Não é necessário inventar conexões para perceber que há uma cadeia de relações que precisa ser rigorosamente explicada: um miliciano condenado no caso Marielle, os irmãos Brazão apontados pela Justiça como mandantes, um pedido de recursos públicos e o gabinete de um candidato à Presidência no centro da negociação.

Flávio Bolsonaro afirma que a destinação da emenda seguiu a legislação e critérios técnicos. Mas isso não encerra as perguntas levantadas pela investigação sobre a intermediação do dinheiro, os interlocutores e o destino efetivo dos recursos.

E é justamente aí que entra a ironia: diante de uma sucessão tão extraordinária de personagens, encontros, relações e dinheiro público, talvez alguém ainda queira nos convencer de que tudo isso aconteceu por acaso.

Peixe no caso Marielle. Brazão no comando político da região. Emenda de R$ 200 mil articulada com o miliciano. E Flávio Bolsonaro no outro extremo da linha.

Mas claro: tudo não passa de mera coincidência.


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Política

Se R$ 427 milhões estavam em jogo no entorno de Kassio, quanto o clã Bolsonaro teria recebido para viabilizar o Banco Master?

O caso Banco Master expõe uma teia de relações que exige investigação rigorosa, transparência e respostas públicas. Segundo reportagens publicadas em 21 de setembro de 2026, a Polícia Federal identificou um contrato de honorários de até R$ 427 milhões, associado ao escritório da advogada Camilla Ramos, para ações judiciais que poderiam destravar R$ 8,5 bilhões em precatórios de interesse de Daniel Vorcaro. Mensagens encontradas no material apreendido fizeram investigadores relacionarem a chamada “Turma do KN” ao ministro Kassio Nunes Marques, que nega ter favorecido o banqueiro ou o Banco Master.

Diante de revelações dessa dimensão, uma pergunta política inevitavelmente se impõe: se havia uma estrutura capaz de movimentar centenas de milhões de reais em honorários ligados a interesses do banqueiro, quais foram as relações financeiras e políticas que permitiram a criação e a expansão do Banco Master durante o governo Bolsonaro, já que havia sido negada durante o governo Temer?

O banco, anteriormente chamado Banco Máxima, recebeu autorização para operar como Banco Master em 2021, durante o governo Jair Bolsonaro. Esse fato, por si só, não comprova pagamento ilícito ao clã Bolsonaro, mas justifica que as circunstâncias da autorização, as relações empresariais e eventuais repasses financeiros sejam examinados pelas autoridades competentes.

A sociedade brasileira não pode aceitar que suspeitas envolvendo cifras bilionárias sejam tratadas com seletividade. Se existem documentos, mensagens e movimentações financeiras relevantes, que sejam investigados, confrontados e esclarecidos. A transparência precisa valer para todos: banqueiros, empresários, ministros do Judiciário e grupos políticos, sem proteção partidária ou blindagem institucional.

A pergunta não é uma prova de culpa. É uma cobrança por investigação: quem se beneficiou, quem abriu portas e quais interesses estiveram por trás da trajetória do Banco Master?


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O porquê da reação agressiva de Flavio Bolsonaro e mídia contra o aumento de R$ 90 que Lula deu ao Bolsa Família

Existem apenas duas classes sociais, a dos que não comem e a dos que não dormem com medo da revolução dos que não comem. (Milton Santos.

Abra um parêntese para lembrar que os maiores beneficiários do Bolsa Família são crianças e suas mães.

Dito isso, a histórica desigualdade brasileira, através da direita, sempre produziu a fome e a miséria das camadas mais pobres da população.

É aí que reside a gigantesca diferença entre a esquerda e a direita no Brasil, entre Lula e Flavio Bolsonaro. Por isso tanto Flavio quanto a mídia reagiram tão mal ao aumento de R$ 90 dado por Lula ao programa Bolsa Família.

É um ataque que expõe, sem maquiagem, a brutalidade da desigualdade social. De um lado, milhões de pessoas lutando diariamente pelo básico: comida na mesa, moradia, trabalho e dignidade. Do outro, uma minoria que acumula riquezas, patrimônio e privilégios e que, diante de qualquer avanço social, enxerga não uma conquista coletiva, mas uma ameaça aos próprios privilégios.

O problema nunca foi a existência de pobres que reivindicam direitos. O problema, para quem concentra riqueza, é quando os pobres deixam de aceitar a pobreza como destino.

É por isso que a desigualdade não se sustenta apenas pela concentração de renda. Ela também precisa do medo, da desinformação e da tentativa permanente de convencer os de baixo de que seus adversários estão entre os próprios pobres.

Quando a maioria percebe que riqueza e dignidade não precisam ser privilégios de poucos, o discurso muda. A pergunta deixa de ser “por que alguns têm tanto?” e passa a ser “por que tantos têm tão pouco?”

E é justamente essa pergunta que as sociedades profundamente desiguais mais temem.

Em última análise, essa é a linha divisória que define campos tão antagônicos. De um lado, Lula com autoridade de quem viveue sofreu coma fome e a miséria, do outro, Flavio Bolsonaro e mídia defendendo as camadas privilegiadas do Brasil. Daí a histeria dessa gente contra o aumento do Bolsa Família.


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