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Lula é destaque em Nova York, Flavio é ignorado, No Brasil, bolsonaristas tomam porre de detergente Ypê

Durante a Brazilian Week (semana de eventos com bancos, empresas e organizações brasileiras), em uma conferência fechada para investidores na sede da BlackRock em Nova York, o analista Aitor Jauregui — responsável pela América Latina da maior gestora de ativos do mundo — avaliou que o presidente Lula (PT) deve se reeleger em 2026.

Razões citadas: Otimismo com os dados econômicos do Brasil. Jauregui destacou que a economia ainda pesa na decisão do voto e que é “difícil tirar a vitória” do atual presidente.

Flávio Bolsonaro: Não foi mencionado nem por Jauregui, nem pelos outros participantes (incluindo Chis Garman, da consultoria Eurasia, que também traçou cenário positivo para Lula, inclusive na relação com Donald Trump).

A BlackRock administra trilhões de dólares em ativos e suas visões influenciam o mercado global, mas trata-se de uma análise interna em evento fechado, baseada em indicadores econômicos atuais — não de uma previsão infalível.

Isso reflete a visão de parte do mercado financeiro internacional: estabilidade macro, números recentes da economia e o encontro recente Lula-Trump ajudam a percepção do incumbente.


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Com ameaça e chantagem, EUA minam ação do Brasil em defesa da população negra

Proposta do Brasil de criar uma Declaração Interamericana é alvo de uma pressão diplomática de Trump

O governo de Donald Trump nos EUA não aceita a proposta do Brasil de criar uma Declaração Interamericana dos Direitos das Pessoas Afrodescendentes. O ICL Notícias apurou com exclusividade que a diplomacia do país está operando uma forte pressão sobre diversos países das Américas para impedir que o documento seja negociado.

O caso, porém, se transformou num espelho da capacidade dos EUA de ditar seus interesses na América Latina, orquestrando o apoio da extrema direita na região e combinando as alianças com ameaças e chantagem contra governos mais vulneráveis.

Desde o começo de 2025, Brasil e Colômbia vêm liderando a negociação de uma futura Declaração Interamericana, com o objetivo de adotá-la na Assembleia Geral da OEA no final de junho, no Panamá.

Segundo observadores que tiveram acesso ao documento, trata-se de uma declaração inovadora e que, em sua versão atual, conta com 28 artigos substantivos e disposições finais, organizados em torno de quatro eixos temáticos fundamentais: Reconhecimento, Justiça, Desenvolvimento, e Gênero e Interseccionalidade.

Na avaliação de seus proponentes, esses temas refletem as principais demandas históricas das pessoas e dos povos afrodescendentes na região.

Desde o ano passado, 14 reuniões de negociação permitiram que um acordo fosse obtido sobre mais da metade do texto. O governo dos EUA, ao longo de todo o ano de 2025, se recusou a participar do processo.

Mas, faltando um mês e meio para a Assembleia, a diplomacia de Trump resolveu agir para paralisar as negociações.

Para isso, buscou apoio em seu grupo de países mais alinhados, e muitos deles governados pela extrema-direita. Assim, o esforço de minar o processo passou a contar com o apoio de Argentina, El Salvador, Honduras, Paraguai, Peru, Equador e outros.

A operação por parte de Trump também passa pelo Caribe, região que possui grande população afrodescendente e vinha se engajando nas negociações em bloco. Segundo diplomatas, o grupo também sentiu a pressão norte-americana.

Os embaixadores do Haiti, Jamaica e Belize receberam ultimatos. Outros países menores da região também receberam recados de que a insistência em levar a Declaração para a Assembleia Geral seria encarada como afronta aos EUA.

Diante da debilidade de vários desses governos, a pressão surtiu efeito. Em reunião da Comissão encarregada do tema na OEA, diversos países pediram mais tempo para negociar, defendendo que não se envie o texto à próxima assembleia, mesmo tendo ainda seis semanas que poderiam ser usadas para fechar o texto.

O embaixador dos EUA, Leandro Rizzuto, na linha do voto contrário de seu país na ONU à resolução que definiu o tráfico transatlântico de escravizados como crime contra a humanidade, disse a interlocutores de diversos países que não admitirá que o tema dos direitos dos afrodescendentes conste da agenda da Assembleia Geral.

Para além da pauta de defesa do movimento negro, o episódio demonstra a subordinação de diversos países aos desígnios dos EUA, mesmo em assuntos que deveriam ser consensuais e constituem prioridade retórica dos respectivos governos.

Segundo diplomata brasileiro familiarizado com as negociações, “o cenário não apenas revela a debilidade de alguns países para defender seus próprios interesses e valores diante do unilateralismo do país hegemônico na região, mas também confirma a adesão automática de grupo de países ao ideário anti-direitos, que tende a naturalizar a discriminação e a exclusão de grupos vulneráveis”.

*Jamil Chade;ICL


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Brasil supera EUA e lidera ranking global dos investimentos chineses

Em 2025, os chinenses aplicaram no país US$ 6,1 bilhões distribuídos em 52 projetos

O Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) divulgou que o Brasil assumiu a primeira colocação do ranking global de investimentos da China no exterior. Em 2025, os chinenses aplicaram no país US$ 6,1 bilhões distribuídos em 52 projetos.

Desse modo, houve um crescimento de 45% em valor e 33% em número de empreendimentos em relação ao ano anterior.

“Esse desempenho colocou o Brasil como principal destino global dos investimentos chineses naquele ano, respondendo por cerca de 11% do total aplicado pela China no exterior, um resultado expressivo”, diz nota do CEBC.

O Brasil superou os Estados Unidos, que detêm 6,8% dos aportes globais feitos pelos chinenses, seguido da Guiana com 5,7%, Indonésia com 5,4% e Cazaquistão com 4,4%.

Do ponto de vista setorial, houve uma mudança relevante na composição dos aportes. Segundo a CEBC, o setor de eletricidade manteve a liderança em termos de valor, com forte concentração em projetos de energia renovável e transmissão, mas os investimentos em mineração mais que triplicaram, atingindo sua maior participação histórica.

“Esse movimento reflete o interesse estratégico da China por minerais críticos como cobre, níquel, ouro, grafite e terras raras. A crescente presença de empresas chinesas na mineração dialoga diretamente com o avanço de investimentos na indústria de veículos eletrificados, outro destaque de 2025”, diz o Conselho.

O balanço da entidade aponta que, a despeito desses grandes aportes em energia, mineração e setor automotivo, destaca-se a diversificação crescente dos investimentos chineses, segundo o Vermelho.

Por exemplo, houve expansão para áreas como Tecnologia da Informação, logística, manufaturas de eletroeletrônicos e serviços associados à economia digital.

O CEBC conclui que o Brasil se consolida como um destino estratégico prioritário para capital produtivo, combinando “uma janela macroeconômica favorável e vantagens estruturais como grande mercado consumidor, abundância de recursos minerais e energéticos e uma matriz elétrica limpa, ao mesmo tempo em que se beneficia do redirecionamento do investimento chinês diante de restrições geopolíticas”.

Confira os investimentos por setor:

– O setor de eletricidade foi o que mais atraiu investimentos chineses no Brasil, com participação de 29,5% e aportes que somaram US$ 1,79 bilhão, um aumento de 25% em relação a 2024 e o maior valor desde 2020.

– A área de mineração recebeu investimentos de US$ 1,76 bilhão – mais que o triplo do valor registrado em 2024 e o maior valor desde 2011.

– O setor automotivo ficou em terceiro lugar e respondeu por 15,8% do valor investido pelas empresas chinesas no Brasil em 2025, com aportes que somaram US$ 965 milhões — cifra 66% maior do que a registrada em 2024.

– Os investimentos chineses no setor de petróleo chegaram a US$ 804 milhões em 2025, 24% a menos do que no ano anterior.


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Das tarifas às terras raras, Lula reposiciona o Brasil após encontro com Trump

Reunião de três horas, na Casa Branca, terminou com os presidentes destacando avanços concretos. A relação saiu do limbo e voltou à mesa.

A quinta visita de Luiz Inácio Lula da Silva a Washington tinha tudo para ser uma agenda de alto risco – um teste de pressão – para um presidente que enfrenta uma eleição no horizonte. O cenário era agravado não apenas pela persistência parcial do “tarifaço” imposto em 2025. Ao lado disso, o Brasil e o mundo convivem com o “modo Donald Trump” – tensão comercial permanente, ameaças tarifárias e um ambiente internacional atravessado por guerras, disputas tecnológicas e reorganização das cadeias produtivas.

Mas a reunião de três horas entre Lula e Trump, nesta quinta-feira (7), na Casa Branca, terminou com os presidentes destacando avanços concretos. A relação saiu do limbo e voltou à mesa. Os dois lados concordaram que novas reuniões serão agendadas nos próximos meses, conforme necessário – e a ameaça de escalada de atritos foi contida. Lula volta ao Brasil com canal político aberto, reconhecimento de interlocução e disposição para continuidade das negociações.

A agenda da visita previa uma declaração conjunta à imprensa no Salão Oval, que não ocorreu. Mas Trump – que raramente distribui elogios gratuitos a líderes estrangeiros – foi à sua rede social, a Truth Social, e voltou a classificar o presidente brasileiro como “muito dinâmico”. Lula retribuiu elogios e, antes da coletiva do presidente na embaixada do Brasil em Washington, ministros já falavam em uma reunião “extraordinária”, “muito positiva” e “altiva”.

Tarifas, minerais críticos, segurança e cooperação econômica estiveram no centro das negociações. O tom adotado por Trump após o encontro sugere que Washington passou a enxergar Brasília menos como problema e mais como parceiro necessário. A Casa Branca não subestima o peso estratégico do Brasil em temas decisivos para a próxima década, como transição energética, terras raras, segurança alimentar e estabilidade regional.

Enfrentando o “tarifaço”

Quando Trump anunciou, em 2025, novas tarifas e mecanismos de proteção comercial para setores estratégicos da economia norte-americana, muita gente apostou que países periféricos acabariam entrando numa fila de concessões. Além de lançar um tarifaço de 50% sobre uma ampla gama de produtos do Brasil, Trump abriu investigação comercial contra o País e sancionou autoridades brasileiras no contexto das tensões políticas bilaterais.

Mas não houve capitulação. Em vez da submissão diplomática, Lula apostou numa combinação de firmeza política e pragmatismo econômico. Houve diversificação comercial e reforço do Mercosul, sem transformar o embate em guerra ideológica. Em compensação, Lula criticou o tarifaço publicamente, elevou o tom e manteve a linha de que o Brasil “não negocia de joelhos”, nem aceitaria medidas unilaterais que prejudicassem exportações nacionais.

A estratégia construiu uma posição, e o resultado apareceu nesta visita: Lula apresentou números e fatos que mostram como o protecionismo norte-americano fere os dois lados, especialmente em setores como aço, alumínio e etanol. Trump confirmou publicamente que o tema esteve na mesa e concordou em criar um grupo de trabalho bilateral para revisar tarifas setoriais nos próximos 90 dias.

A mudança é importante porque, até pouco tempo atrás, a política comercial dos EUA vinha operando sob um eixo quase exclusivamente defensivo: proteger a indústria doméstica a qualquer custo, mesmo em confrontos com parceiros históricos. Hoje, o encontro ajudou a desarmar a lógica de escalada tarifária.

Terras raras

Há dez anos, uma reunião Brasil-EUA giraria principalmente em torno de petróleo, etanol ou commodities agrícolas. Agora, o centro gravitacional mudou e deu ao Brasil uma vantagem estrutural. Os minerais críticos estiveram entre os assuntos prioritários da agenda – o que ajuda a entender por que Washington tratou a visita com tanta atenção.

O Brasil possui reservas importantes de terras raras – que são insumos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, carros elétricos e indústria militar. Quem controla essas cadeias controla parte relevante da economia do futuro. O desafio brasileiro é garantir a expansão produtiva do setor, abandonando a tradição de exportações primárias sem valor agregado.

Ao mesmo tempo, os EUA sabem que dependência excessiva da China nesse setor virou um problema estratégico. Lula percebeu essa janela. Ao inserir o Brasil como parceiro confiável na reorganização dessas cadeias globais, o governo tenta transformar riqueza mineral em instrumento de soberania, segundo o Vermelho.

“Nós não temos preferência”, afirmou Lula à imprensa. “Quem quiser participar conosco para ajudar a gente a fazer a mineração, a separação, e para produzir a riqueza que essas terras raras nos oferecem está sendo convidado para ir ao Brasil.”

Os dois países avançaram num memorando de entendimento para investimentos norte-americanos em refino e processamento local, com transferência de tecnologia. O Brasil sinalizou abertura à parceria, com a condição de que o valor agregado fique em território nacional. Segundo Lula, o Brasil – que já foi a “grande fazenda do mundo”, uma colônia extrativista – quer usar as terras raras para se transformar numa plataforma industrial verde.

Segurança e estabilidade regional

Um dos capítulos menos comentados da reunião, mas potencialmente dos mais duradouros, foi o de segurança. O governo Lula tentou ampliar acordos de inteligência e compartilhamento de dados com autoridades norte-americanas. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, os países já trabalham conjuntamente na troca de informações sobre cargas e contêineres suspeitos de transportar armas e drogas.

Na conversa entre os presidentes, a proposta brasileira foi de maior cooperação em segurança, o que envolve combate ao crime organizado transnacional (incluindo garimpo ilegal, tráfico de drogas e armas), estabilidade regional e coordenação em temas hemisféricos. A oferta foi aceita: os EUA terão acesso a informações e apoio logístico, mas sob coordenação brasileira.

A discussão ganhou força após o Departamento de Estado dos EUA classificar o PCC e o Comando Vermelho como ameaças significativas à segurança regional. O governo norte-americano avaliou enquadrá-las como organizações terroristas. Lula escolheu transformar o tema em agenda propositiva, expondo o que seu governo já faz e o que pretende fazer.

Nesse ponto, o Brasil voltou a ocupar posição de articulador regional. Durante anos – sob os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro –, o País abdicou voluntariamente desse papel. Agora, tenta retomá-lo. Lula compreende que liderança regional se exerce com capacidade de diálogo simultâneo com Washington, Pequim, Europa e Sul Global.

O encontro com Trump reforça exatamente essa política de autonomia sem isolamento. Lula foi aos EUA sem abandonar críticas ao protecionismo norte-americano – mas também sem transformar a reunião num espetáculo de confronto para consumo interno.

“Demos um passo importante na consolidação da relação democrática e histórica que o Brasil tem com os EUA. As duas maiores democracias do continente podem servir de exemplo para o mundo”, resumiu Lula. “Saio muito, muito satisfeito.”

Ao final, se Trump elogiava Lula, Lula exaltava o diálogo e ministros falavam em avanços objetivos, o Brasil saía reposicionado numa mesa que concentra parte das decisões mais importantes da economia mundial. Lula não resolveu tudo, mas saiu de Washington tendo feito o que mais importava: mostrou que o Brasil tem peso, oferta e paciência para negociar sem se humilhar.


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O antipetismo biliar está mudo com o encontro de Lula com Trump

O bolsonarismo cedeu ao apelo da biografia de estadista do presidente Lula e preferiu se ausentar de qualquer julgamento antecipado para não quebrar a cara. Todos olhando o encontro pela trinca da porta sem conseguir respirar tamanha a convulsão intestina que lhes acomete.

Essa gente é desprovida de referências e propósitos fora do círculo de ódio que não os de condenar e execrar Lula.

Longe de ser uma nova forma de lidar com a realidade, a “opinião pública” de bolsonaristas vale tanto quanto a tribuna de Bolsonaro na prisão.

Por isso a sofreguidão da direita não é pouca, mas não se declara incomodada com o encontro para náo entornar ainda mais o caldo.

Nunca a direita foi tão ofensiva para tntar subjugar Lula a seu juízo, mas neste caso. uma manifestação errática dos reacionários pode reforçar ainda mais a imagem de estadista de Lula.

Por ora, o melhor é não bancar o advogado geral de Bolsonaro e esperar no que de verdade dará esse encontro, torcendo que dê tudo errado para Lula, porque ninguém é de ferro no inferno bolsonarista.


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Em carta, democratas pedem que EUA não classifiquem facções como terroristas

Documento enviado ao governo cita risco de interferência nas eleições brasileiras e relembra apoio dos EUA à ditadura após o golpe de 1964

Parlamentares do Partido Democrata dos Estados Unidos enviaram uma carta ao secretário de Estado Marco Rubio pedindo que o governo de Donald Trump não classifique o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. O documento foi encaminhado na véspera da reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.

A carta foi liderada pelo deputado James P. McGovern, copresidente da Comissão Tom Lantos de Direitos Humanos da Câmara dos Representantes dos EUA, e assinada por outros seis parlamentares democratas: Greg Casar, Sydney Kamlager-Dove, Jan Schakowsky, Nydia Velázquez, Delia Ramirez e Rashida Tlaib.

No documento, os parlamentares afirmam que as facções brasileiras representam ameaça regional, possuem atuação transnacional e estão envolvidas em crimes ambientais, violência e expansão de atividades ilícitas em países da América do Sul. Apesar disso, argumentam que a classificação como organizações terroristas poderia gerar efeitos políticos e diplomáticos graves.

“Estamos preocupados com o uso excessivo e a instrumentalização das classificações de organizações terroristas estrangeiras sem que seja atendido o limite legal claro para atividades terroristas”, afirmam os deputados.

De acordo com Cleber Lourenço e Jamil Chade, ICL, a carta também cita preocupação com o uso político da medida durante o período eleitoral brasileiro. Segundo os parlamentares, existe temor de que a classificação das facções seja utilizada “para influenciar inadequadamente as eleições” no Brasil.

Os deputados relacionam essa preocupação ao histórico de intervenção dos Estados Unidos no país e mencionam explicitamente o apoio americano à ditadura militar instaurada após o golpe de 1964.

“Essa preocupação é ampliada pela longa e preocupante história de intervenção dos EUA no Brasil, incluindo o apoio documentado dos EUA à ditadura militar após o golpe de 1964”, diz o documento.

O texto também faz referência às sanções aplicadas anteriormente contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pela tentativa de golpe relacionada às eleições de 2022.

Segundo os parlamentares democratas, o governo Trump já teria utilizado mecanismos de sanção para interferir em assuntos internos brasileiros. A carta afirma que, embora as sanções contra Moraes tenham sido revertidas após mediação diplomática, ainda há preocupação com a postura do governo americano em relação ao Brasil.

O principal articulador da carta, James McGovern, é um dos parlamentares mais ligados às pautas de direitos humanos dentro do Partido Democrata e copresidente da Comissão Tom Lantos de Direitos Humanos da Câmara dos Representantes dos EUA. McGovern atua há décadas em temas ligados à política externa americana, direitos humanos e sanções internacionais.

O deputado também esteve entre os parlamentares democratas que criticaram o uso político da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras. Em outra ofensiva recente, McGovern questionou a utilização de mecanismos internacionais de sanção contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, classificando a medida como uma forma de pressão política sobre instituições brasileiras.

A Lei Magnitsky é uma legislação americana utilizada para impor sanções internacionais contra pessoas acusadas de corrupção ou violações graves de direitos humanos. Embora McGovern não seja autor formal da lei, ele é historicamente ligado às articulações do Congresso americano em temas relacionados a sanções internacionais e responsabilização por violações de direitos humanos.

No documento, os parlamentares defendem que o combate ao crime organizado seja realizado por meio de cooperação diplomática, integração entre forças policiais, investigações financeiras e acordos multilaterais internacionais.

A carta também pede que os Estados Unidos ampliem ações de combate ao tráfico internacional de armas, lavagem de dinheiro, tráfico humano e narcotráfico, além de reforçar investimentos em fortalecimento institucional e combate à corrupção.

Os parlamentares ainda solicitam que o Departamento de Estado apresente ao Congresso americano todas as evidências que eventualmente justificariam uma classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas antes de qualquer decisão formal.

A eventual classificação das facções brasileiras como organizações terroristas estrangeiras ampliaria significativamente o alcance de medidas internacionais contra integrantes, financiadores e estruturas ligadas aos grupos, permitindo aplicação de sanções financeiras, restrições internacionais e ampliação da cooperação operacional entre agências de segurança.

O envio da carta ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas envolvendo o governo Trump, o STF e setores do governo brasileiro, além da aproximação do calendário eleitoral de 2026.

A carta enviada por congressistas de peso da ala democrata foi comemorada no Palácio do Planalto. Para membros do governo, ela “desmascara” as reais intenções tanto de Donald Trump como dos bolsonaristas em qualificar os grupos criminosos como entidades terroristas: um eventual envolvimento e abalo nas eleições de 2026.

Parte central da visita de Lula nesta quinta-feira é a de estabelecer uma linha vermelha sobre o que é aceitável e o que o Brasil não irá tolerar no que se refere à inferência em assuntos domésticos.

Durante a reunião, o governo irá declarar abertamente que não existem terroristas no país e convidar Trump a colaborar na luta contra o “andar de cima” do crime organizado no Brasil. De fato, uma proposta foi apresentada no final de abril nesse sentido.

Para o governo Lula, a carta dos democratas é ainda uma tentativa de criar um curto-circuito na influência de bolsonaristas no governo americano. Ao receber de parlamentares americanos o alerta — e não de um governo estrangeiro — a esperança é de que a administração Trump possa dar outro peso para os argumentos.

Por fim, membros no Planalto estimam que a carta é uma sinalização também para a elite política americana e opinião pública sobre o caráter autoritário de Trump, ao citar o golpe de estado de 1964 no Brasil.


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Encontro de Lula com Trump é uma calça arriada no clã Bolsonaro

As reações de Flavio e Eduardo Bolsonaro com o encontro de Lula e Trump nos EUA, não mentem, sentiram.

Lula, numa só tacada, anula o sonhado peso político do clã na Casa Branca.

Eduardo, que vinha cantando e contando prosas sobre sua reaproximação com aquelas figuras desconhecidas do entorno de Trump, como se tivesse uma grande importância, caiu no folclore outra vez.

Lula utilizará esse encontro para estabelecer um patamar de intercâmbio dos dois países, com interesses mútuos, o que não tem nada a ver com sabukice da família Bolsonaro.

Trump e Lula, com certeza, buscarão uma harmonização de interesses de lá e de cá e não oferecer o Brasil para ser instrumentalizado como anunciou Flavio Bolsonaro, praticamente oferecendo o Brasil para ser puxadinho dos interesses norte-americanos. Isso é tradição na família Bolsonaro.

Quem se esquece daquela cena em que Bolsonaro, isolado, no encontro de chefes de Estados quando o idiota oferece a Al Gore a exploração da Amazônia pelos EUA.

Tal bossalidade, de tão grande, causou perplexidade no figurão norte-americano.

Lula estará com Trump focado na soberania nacional se alinhamentos excessivos com aquele país e muito menos atender apenas aos interesses dos EUA, como sempre fez o clã Bolsonaro.

Como não sobrou nada, sobretudo porque foram pegos de surpresa, Eduardo, paspalhão, não poderia deixar de fazer comentários patéticos sem sequer saber o contexto da visita de Lula a Trump.

Uma coisa é certa, a reação dos milicianos do clã com essa viagem de Lula foi a de quem tomou uma bola nas costas e tenta achar Lula sem saber em que parte do campo o presidente da República está  jogando.

Ou seja, Eduardo dá uma de Zema, que só abre a boca para dizer besteiras e cair ainda mais nas pesquisas.

O fato é que o clã está perdido em campo alheio.


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Mãe de Thiago Ávila morre enquanto ativista segue preso em Israel

A mãe do ativista brasiliense Thiago Ávila, Teresa Regina de Ávila e Silva, morreu nesta terça-feira (5/5). A informação foi divulgada pelo Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal, onde sua filha, Luana de Ávila, atua como vice-presidente da entidade.

Em nota, o sindicato lamentou a morte e destacou que Teresa Regina enfrentava problemas de saúde nos últimos meses. Segundo o comunicado, ela manteve uma postura de serenidade durante o período. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre velório e sepultamento.

A morte ocorre enquanto Thiago Ávila permanece detido em Israel. O ativista foi interceptado em águas internacionais nas proximidades da Grécia, na última semana, ao participar de uma missão da flotilha Global Sumud, que tinha como destino a Faixa de Gaza.

De acordo com a organização Adalah, o brasiliense relatou ter sido mantido em isolamento e com os olhos vendados após a detenção. Segundo os advogados, ele também afirmou ter sofrido agressões durante a abordagem.

Brasileiro detido a caminho de Gaza será interrogado em IsraelThiago Ávila sendo preso em Israel. Foto: Divulgação

O caso gerou repercussão no Brasil. O presidente Lula criticou a prisão e classificou a medida como “injustificável”. Em publicação nas redes sociais, o presidente afirmou que a situação deve ser “condenada por todos”.

“Manter a prisão do cidadão brasileiro Thiago Ávila, integrante da flotilha Global Sumud, é uma ação injustificável do governo de Israel, e causa grande preocupação e deve ser condenada por todos“, escreveu.

O ativista integrava uma iniciativa internacional voltada ao envio de ajuda humanitária à população palestina. A ação buscava romper o bloqueio à Faixa de Gaza, o que motivou a interceptação por forças israelenses.

As autoridades de Israel acusam o brasileiro de envolvimento com organização considerada hostil, enquanto a defesa sustenta que a missão tinha caráter civil e humanitário. DCM,


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PF e Itamaraty são acionados após suposta ameaça de Israel contra esposa e filha de Thiago Ávila, preso em Israel

Relato sobre uso de fotos da rotina familiar durante interrogatório de Thiago Ávila, sequestrado e preso por Israel, mobiliza autoridades brasileiras

eputados federais acionaram a Polícia Federal (PF), o Itamaraty, o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério dos Direitos Humanos após denúncia de que a esposa e a filha do ativista brasileiro Thiago Ávila, sequestrado em águas internacionais e preso em Israel, estariam sendo alvo de monitoramento e ameaças. A ação é liderada por João Daniel (PT-SE) e também assinada por parlamentares como Luizianne Lins (Rede-CE) e Luiz Couto (PT-PB).

Ávila foi detido na última semana por forças israelenses após a interceptação, em águas internacionais próximas à Grécia, da flotilha internacional que buscava romper o cerco e levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Desde então, permanece preso em Israel, sem acusações formais plenamente esclarecidas, em meio a denúncias tortura e isolamento.

Suposto monitoramento e ameaças à família de Thiago Ávila
O novo elemento que fez o caso escalar no Brasil foi o relato de sua esposa, a psicóloga Lara Souza, divulgado pela Fórum e citado nos próprios ofícios enviados às autoridades. Segundo ela, investigadores israelenses exibiram imagens da rotina da família durante interrogatório de Thiago Ávila.

“Recebi agora há pouco notícias da embaixada. Thiago pediu que eu tome cuidado porque os investigadores israelenses mostraram fotos da nossa família no cotidiano e ele se sentiu ameaçado”, afirmou.

A partir dessa declaração, os parlamentares apontam a possibilidade de uso da família como instrumento de pressão psicológica contra o ativista. Nos documentos encaminhados ao Itamaraty, o episódio é descrito como de “extrema gravidade” e pode indicar “pressão psicológica, intimidação ou ameaça indireta”

O texto também ressalta que a situação envolve uma criança de apenas 2 anos, Teresa, filha do casal, o que amplia a preocupação com a integridade da família. Em outro trecho, os deputados afirmam que o Estado brasileiro não pode permanecer inerte diante da possibilidade de que familiares de um cidadão preso estejam sendo utilizados como forma de coação.

PF acionada para investigar possível monitoramento
Além da atuação diplomática, a Polícia Federal (PF) foi acionada para investigar se houve monitoramento da família em território brasileiro. A notícia de fato encaminhada ao órgão pede apuração sobre eventual coleta de imagens, vigilância da rotina familiar e possível atuação de agentes ou intermediários ligados a interesses estrangeiros. O documento menciona a necessidade de esclarecer se houve “monitoramento, coleta, armazenamento ou transmissão indevida de imagens e dados pessoais”

O Ministério Público Federal (MPF) também foi acionado para acompanhar o caso e garantir a atuação coordenada entre os órgãos federais, diante da possibilidade de uma ameaça com dimensão transnacional.

No plano diplomático, o Itamaraty foi instado a pedir explicações formais ao governo de Israel, incluindo a origem das imagens exibidas durante o interrogatório, a eventual existência de dossiês sobre a família e garantias de que não haverá qualquer forma de retaliação. Os parlamentares pedem ainda que o governo brasileiro exija que familiares, especialmente a criança, não sejam utilizados como instrumento de pressão.

Denúncias de violência e condições de prisão de Thiago Ávila
Segundo Lara Souza, Ávila segue em greve de fome e em condições degradantes de detenção. “Estou bastante preocupada com a situação dele. A incerteza sobre o tempo de prisão é muito grande”, afirmou.

Ela também criticou a ausência de acusações formais e o prolongamento dos interrogatórios. “O fato de não terem apresentado queixas formais e estarem mantendo ele para interrogatórios sem apresentarem nenhuma prova das acusações feitas é muito grave.”

Relatos obtidos por advogados e divulgados pela Fórum indicam que o ativista foi submetido a violência física durante a abordagem das forças israelenses e, posteriormente, mantido em isolamento, frequentemente vendado. A ONG israelense Adalah denunciou “maus-tratos”, incluindo interrogatórios prolongados, privação sensorial, ameaças e tortura.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Lara também afirmou que o marido sofreu espancamentos e ameaças durante a detenção. “Ele sofreu espancamentos, ameaças, violência psicológica, como ameaçar que o jogariam do barco ou ameaçar a nossa família aqui no Brasil.”

Crise diplomática e pressão internacional
A interceptação da flotilha já havia provocado reação internacional. Em nota conjunta, Brasil e Espanha classificaram a ação de Israel como “flagrantemente ilegal” e uma afronta ao Direito Internacional, exigindo a liberação dos cidadãos detidos, segundo a Forum.

Por decisão da Justiça israelense, a detenção de Thiago Ávila e do ativista Saif Abu Keshek foi prorrogada por mais dois dias após audiência realizada no domingo (3). Segundo a ONG Adalah, que acompanha o caso, ainda não há definição sobre os próximos passos, e as autoridades podem solicitar nova extensão do prazo. A expectativa é de que uma nova audiência ocorra nos próximos dias, enquanto os dois seguem em greve de fome e aguardam eventual apresentação formal de acusações.


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Brasil

BBC: Brasil vive “momento de ouro” para investidores estrangeiros

Alta do petróleo, valorização do real, juros elevados e entrada recorde de capital externo colocam o país no centro das apostas globais

O Brasil voltou ao radar dos investidores estrangeiros e passou a ser tratado por analistas internacionais como um dos destinos mais atraentes entre os mercados emergentes.

A avaliação foi publicada pela BBC News Brasil, com base em relatórios do Bank of America, Goldman Sachs, Instituto de Finanças Internacionais e entrevistas com especialistas ouvidos pela emissora.

O interesse externo é explicado por uma combinação de fatores: disparada dos preços do petróleo, valorização do real, juros ainda elevados, fluxo expressivo de capital estrangeiro para a Bolsa brasileira e percepção de que o país está relativamente protegido de alguns choques globais.

“O Brasil tem sido apontado como um dos locais mais atraentes do mundo emergente”, afirmou Martín Castellano, chefe de pesquisa para a América Latina do Instituto de Finanças Internacionais.

Segundo ele, no entanto, há atenção crescente sobre o cenário eleitoral e seus possíveis impactos na política econômica.

Commodities impulsionam o Brasil
A guerra no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, provocou forte alta nos preços do petróleo e aumentou a atratividade de países exportadores de energia e commodities.

De acordo com a BBC, os preços do combustível subiram mais de 30% desde o fim de fevereiro. Para economias importadoras, isso significa inflação, pressão cambial e perda de renda. Para exportadores líquidos, como o Brasil, o efeito pode ser positivo.

O FMI considera o Brasil um exportador líquido de energia. Isso significa que o país vende mais petróleo e derivados ao exterior do que compra.

Petya Koeva Brooks, vice-diretora do Departamento de Pesquisa do FMI, destacou ainda outro diferencial brasileiro: “É importante destacar também que o Brasil é um dos países com altíssima participação de energias renováveis, o que representa outro fator atenuante”.

Real se valoriza e Bolsa recebe capital estrangeiro
O real foi a moeda que mais se valorizou frente ao dólar em 2026 até meados de abril, com alta de 10,4%, segundo levantamento citado pela BBC.

Para Robin Brooks, pesquisador sênior da Brookings Institution e ex-estrategista-chefe de câmbio do Goldman Sachs, a crise no Oriente Médio criou uma espécie de “tempestade perfeita” para a moeda brasileira. Ele projetou que o dólar poderia cair abaixo de R$ 4,50.

O fluxo estrangeiro também cresceu na B3. Até 22 de abril, o capital externo na Bolsa somou R$ 64,42 bilhões em 2026, mais que o dobro de todo o volume registrado em 2025, diz o 247.

Segundo dados da consultoria Elos Ayta, 61,2% de tudo que entrou na Bolsa brasileira neste ano veio do exterior.

Bancos veem Brasil como aposta relevante
O Bank of America afirmou que investidores seguem confortáveis em manter exposição ao real e às ações brasileiras.

O Goldman Sachs também apontou o Brasil como beneficiário da alta do petróleo e avaliou que as ações brasileiras podem ter desempenho superior, especialmente diante da expectativa de cortes na taxa Selic.

A percepção é que, mesmo com turbulências recentes no Ibovespa, o movimento parece mais ligado a ajustes de fluxo após forte alta do que a uma deterioração dos fundamentos econômicos.

O momento de ouro do Brasil

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