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Justiça de Israel prorroga prisão de Thiago Ávila, capturado na flotilha rumo a Gaza

Um tribunal de Israel decidiu, neste domingo (3), prorrogar por dois dias a prisão preventiva de dois ativistas detidos durante uma operação contra uma flotilha com destino à Faixa de Gaza. Entre os detidos estão o brasileiro Thiago Ávila e o palestino-espanhol Saif Abu Keshek, que participaram da missão marítima. As informações são da Folha de S. Paulo.

A embarcação fazia parte de um grupo com mais de 50 barcos que saíram da França, Espanha e Itália com o objetivo de levar suprimentos ao território palestino. Segundo relatos, as forças israelenses interceptaram a flotilha em águas internacionais, na costa da Grécia, na madrugada de quinta-feira (30).

De acordo com a organização de direitos humanos Adalah, que acompanha o caso, “o tribunal prorrogou sua detenção por dois dias”. A entidade informou que as autoridades israelenses haviam solicitado a extensão da prisão por quatro dias.

O governo de Israel acusa os ativistas de manter ligação com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), organização sancionada pelos Estados Unidos. Segundo o Ministério das Relações Exteriores israelense, Abu Keshek é um membro da entidade, enquanto Ávila é “suspeito de atividades ilegais”.

Em nota conjunta, o Itamaraty e o governo da Espanha contestaram a detenção e classificaram a ação como ilegal. “Esta ação flagrantemente ilegal das autoridades de Israel, fora de sua jurisdição, é uma afronta ao direito internacional, acionável em cortes internacionais, e configura delito em nossas respectivas jurisdições”, afirmaram.

Os organizadores da flotilha alegam que a interceptação ocorreu a mais de mil quilômetros de Gaza e classificaram a operação como uma “armadilha mortal calculada no mar”. Ao todo, cerca de 175 ativistas foram detidos, sendo quatro brasileiros, segundo informações divulgadas pelas autoridades israelenses. DCM.

https://www.youtube.com/shorts/Mm15rKjDpOA?feature=share


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Partido de Trump envia missão para tratar de terras raras no Brasil

Assessores republicanos viajarão ao país com a questão do acesso aos minérios críticos como pauta central

O lobby do partido de Donald Trump pelas terras raras no Brasil avança. O ICL Notícias apurou que, na próxima semana, uma delegação de assessores parlamentares dos EUA desembarca em Brasília e em outras cidades do país. Na pauta: o acesso aos minerais críticos brasileiros.

A delegação conta com técnicos e assessores que operam para coletar informações e levar às reuniões com interlocutores brasileiros os interesses do partido republicano.

Farão parte da missão assessores sêniores da Comissão de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos.

Na terça-feira, 5 de maio, o encontro em Brasília com parlamentares terá minerais raros como foco principal. Na quarta-feira, 6 de maio, será a vez dos assessores ligados ao Partido Democrata, com foco no combate a facções criminosas.

A reportagem apurou que senadores e deputados brasileiros foram consultados sobre a possibilidade de receber a delegação. Um deles deve ser o senador Nelsinho Trad.

O interesse não ocorre por acaso. O governo Trump colocou o acesso aos minerais críticos como uma prioridade, principalmente diante do avanço da China. Nas últimas semanas, a Casa Branca tem assinado acordos com diversos países, entre eles a Bolívia.

O tema é ainda fruto de intenso debate dentro do governo Lula. O presidente brasileiro chegou a criticar publicamente a administração Trump pela cobiça pelos recursos naturais e alertou, em diversos, que existe um movimento similar ao “colonialismo”.

Um levamento do governo americano, porém, revela a dimensão da importância do Brasil. Hoje, o país detém 23% das reservas conhecidas de minérios raros. Mas menos de 0,1% da produção mundial.

A China, com metade das reservas do mundo, produz hoje 69% de todas as commodities desse setor.

Os EUA produzem 12% do mercado global atual. Mas contam com apenas 2,1% das reservas do planeta.

Por essa conta, portanto, o controle das reservas brasileiras é considerado como estratégico.

A missão dos EUA ainda ocorre poucas semanas depois de uma mineradora dos EUA ter comprado a única operação de exploração de minerais críticos no Brasil.

A USA Rare Earth anunciou que irá adquirir a mineradora brasileira de terras raras Serra Verde, em Goiás, por US$ 2,8 bilhões em dinheiro e ações.

O governo de Donald Trump chegou a convidar o Brasil a fazer parte de uma aliança anti-China no setor de terras raras, mas Brasília declinou. O acordo previa que os participantes teriam de fornecer, de forma preferencial, os minérios ao mercado dos EUA.

Com o acordo, a mineradora Serra Verde indicou ainda que firmou um acordo de 15 anos para fornecer 100% de sua produção durante a fase inicial da mina para uma Sociedade de Propósito Específico capitalizada pelo governo dos EUA e por fontes privadas.

Em janeiro, a empresa que adquiriu a mineradora brasileira recebeu uma injeção de US$ 1,6 bilhão do governo Trump, que passou a controlar 10% da companhia. Naquele momento, o Secretário de Comércio, Howard Lutnick, afirmou que o investimento “garante que nossas cadeias de suprimentos sejam resilientes e não dependam mais de países estrangeiros.”

Serra Verde, segundo fontes do mercado, sempre contou com investidores estrangeiros. Em 2010, foi o Fundo de Private Equity Denham Capital quem comprou o projeto. Anos depois, foi o fundo britânico Vision Blue que desembarcou.

Para aportar capital, os europeus solicitaram um contrato para assegurar o fluxo de caixa. A saída veio da China, com exclusividade de compra do fluxo até 2028. Já em 2025, a mineradora recebeu um apoio adicional do Departamento da Guerra dos EUA, de US$ 565 milhões, para aumentar a escala de produção.

*Jamil Chade/Uol


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Brasil exige soltura do ativista Thiago Avila, preso por Israel

Ativista fazia parte da flotilha que tentava chegar até Gaza com ajuda humanitária

O governo Lula exige que Israel solte o brasileiro Thiago Avila. O ativista fazia parte da flotilha que tentava chegar até Gaza, com ajuda humanitária e em barcos que estavam cruzando o mar Mediterrâneo.

“Os governos do Brasil e da Espanha condenam, nos termos mais enérgicos, o sequestro de dois de seus cidadãos em águas internacionais por parte do Governo de Israel”, afirmou uma nota conjunta dos dois países.

“Ambos encontravam-se em embarcações da flotilha Samud, abordadas por forças israelenses na altura da Grécia, e não foram liberados quando da interceptação dessas naves, e posterior desembarque dos passageiros e tripulantes na ilha de Creta”, afirmou.

“Esta ação flagrantemente ilegal das autoridades de Israel, fora de sua jurisdição, é uma afronta ao Direito Internacional, acionável em cortes internacionais, e configura delito em nossas respectivas jurisdições”, dizem as autoridades dos dois países.

“Os governos do Brasil e da Espanha exigem do governo de Israel o retorno imediato de seus cidadãos, com plenas garantias de segurança, e que se facilite o acesso consular imediato para sua assistência e proteção”, completa a nota.

De acordo com informações obtidas pelo ICL Notícias, 55 barcos navegavam em águas internacionais entre a Itália e a Grécia quando um ataque foi organizado contra a flotilha.

Lasers apontados para as pessoas e armas semiautomáticas foram usados e 21 pessoas foram sequestradas.

Pelo menos 34 pessoas sofreram ferimentos e foram transferidas para um hospital. Sem celulares, por conta do confisco por parte das autoridades, esses ativistas não conseguiram registrar os ferimentos.

Thiago, porém, não foi autorizado a desembarcar com o restante dos participantes e foi levado à força para Israel. Relatos apontam que qualquer um que tentasse evitar a operação eram alvo de violência.

*Jamil Chade/ICL

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O controle da opinião imposto pelas big techs no Brasil

As big techs se transformaram numa arma contra as sociedades parra atender interesses dos “donos da terra” e dos “donos do mundo”.

A mensagem que vem nesse jogo podre das gigantes americanas que controlam as redes sociais, é simples, ou está do nosso lado ou está contra nós. O jogo é simples e direto, sem qualqueer notificação ou resposta para determinada ação de censura das big techs.

O nome disso é guilhotina digital, ou seja, mão de ferro na boca e trava automática dos algoritmos se ele interpretar como violência gráfica ou escrita qualquer desenho ou texto que as big techs, ironicamnete julgam serem censuráveis, julgam importante serem guilhotinadas.

E um controle férreo. E se se referir a eles em um desenho com a mão na boca, as gigantes da tecnologia arrebentarão, na base do cipó, seu post até que vire passarinho que nem piar, pia.

É um tipo de violência sem corpo, zero violência, é só objeto quebrado com uma mordaça virtual para que tal fala não vire semente contra os donos da terra e os donos do planeta.

Há um manual de controle com dentes de chumbo e algoritmosal de seda no bolso. O nome disso é censura moderna ou degola contemporâneos, mas pode chamar de cadeado invisível, embalado numa bandeja de doces para virar uma decapitação soft pelos donos da praça virtual.

A isso, podemos também chamar de cordel do Vale do Silício. São as raposas de gravata que cercam as redes por código e chama isso de cloud.

Isso sifnifica que as big techs não proibem nada, só escondem numa estante da web.

Foi assim que o Antropofagista foi devorado quando furou o bolt. Ou seja, somos devorados de fora do Brasil, da Califórnia e congêneres, mas não só nós, a grande maioria, quase a totalidade dos blogs, textos e opiniões voltados à esquerda têm denunciado tal fato, de forma mais ou menos ácida, direta ou indiretamente para não ser perseguido pela mão oculta dos sistemas,

Manda o comando. Se eles controlam o FED, o BC, controlamos a rua, mas o boca a boca que fura o bolo, ou seja, o bool, exige desenho próprio como vimos na reação do povo à PEC da Bandidagem por ícones da música brasileira.

Aqui mesmo insistimos na busca por apoio para sobrevivermos a esse processador, mas a resistência que fura a bolha na tentativa de não travar a própria existência desse espaço, é uma ação que cobra um alto preço físico e intelectual.

As big techs trancam dados em galpões refrigerados, o que tentamos é rachar essa estrutura para não sonhar com um pomar, mas com alguns frutos que possam ser plantados na terra em que pisamos.


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Descabelando o palhaço: Mídia brasileira quer para o Brasil a mileirização e a falência da Argentina

Desde a chegada de Javier Milei ao poder, o fanfarrônico narcocapitalista detonou 22 mil empresas argentinas, outras 15 mil deram linha na pipa portenha, porque a Argentina, comandada por Milei, o “mito” do neoliberalismo cucaracho tranformou o país numa malária (nome dado à economia quebrada daquele país) e carne de burro virou prato de luxo num país cuja era de ouro era considerado o império dos filés bovinos.

Outros dados mostram por que a esmagadora maioria do povo argentino quer a cabeça de Milei. O desemprego não para de crescer e, mesmo em dupla jornada de trabalho, o argentino não vê sinal de refresco numa vida esmagada ou decapitada pela motossera do descabelado.

Quanto mais o argentino reza, mais assombração aparece.

Já no Brasil, a mídia implora por um efeito orloff para que a terrinha aqui reproduza a política de terra arrasada de Milei.

Na omilia dominical do Estadão, o pool de banqueiros que regem, no tranco, com mãos nada hábeis as marionetes do Banco Central privatizado por Bolsonaro, agora, de posse do jornalão escravocrata, para o bem da agiotagem nacional, exige que cá, como lá, o brasileiro sofra um arroxo neoliberal com suas mandíbulas de aço.

É desse sangue que espirra do povo triturado que os vampiros da multiplicação dos juros fazem a nata da papa fina multiplicar seus ganhos, fazendo inveja nos que comandam o suco gástrico dos abutres que engolem o povo argentino numa velocidade impressionante.


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Brasil

Minerais críticos colocam o Brasil no centro da disputa global

País tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, mas segue sem marco legal e sob pressão de interesses estrangeiros sobre seu subsolo

O Brasil está sentado sobre uma das maiores riquezas minerais do planeta. Tem a segunda maior reserva mundial de terras raras, lidera o ranking global de nióbio e figura entre os primeiros em grafita e níquel. São recursos essenciais na fabricação de baterias, turbinas eólicas, carros elétricos, drones e sistemas de defesa — os insumos da transição energética que o mundo inteiro disputa. A questão que o país ainda não respondeu, e que está no centro de uma acalorada disputa política, é: dessa vez, o Brasil vai agregar valor à sua riqueza ou vai, mais uma vez, vender barato o que tem de mais precioso?

Entenda — Terras raras, minerais críticos e estratégicos: não são a mesma coisa

Antes de entrar na disputa política, vale entender o que está sendo disputado. Os três termos — terras raras, minerais críticos e minerais estratégicos — aparecem frequentemente como sinônimos, mas têm significados distintos.

Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), Elementos Terras Raras (ETR) são um grupo específico de 17 elementos químicos da tabela periódica: 15 lantanídeos — como lantânio, cério, neodímio e disprósio —, mais escândio e ítrio. O nome “raras” é um equívoco pois esses elementos não são necessariamente escassos na natureza, mas costumam estar dispersos no solo, o que torna sua extração economicamente difícil.

Já os minerais estratégicos são aqueles essenciais para o desenvolvimento econômico, com aplicação em produtos de alta tecnologia, defesa e transição energética. Os minerais críticos, por sua vez, são definidos pelo risco de desabastecimento: concentração geográfica da produção em poucos países, dependência externa, instabilidade geopolítica e dificuldade de substituição. A lista muda conforme o tempo, os avanços tecnológicos e as disputas geopolíticas. Exemplos comuns hoje são o lítio, cobalto, grafita, níquel e nióbio.

Uma terra rara pode ser, ao mesmo tempo, mineral crítico e estratégico — mas nem todo mineral estratégico é terra rara. O que une esses três conceitos é a centralidade que ganharam na economia global do século 21, especialmente porque a China domina amplamente o refino e a produção desses elementos, gerando enorme preocupação em países como Estados Unidos e União Europeia, que correm para diversificar fornecedores. É nesse cenário que o Brasil entra como ator de peso.

O que o Brasil tem — e o que ainda falta

O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas, representando cerca de 23% das reservas globais, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). A maior parte está concentrada em Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe.

Entre os minerais considerados críticos ou estratégicos na maior parte dos países, o Brasil se destaca por ter as maiores reservas de nióbio do mundo (94%), com 16 milhões de toneladas. Também é o segundo no ranking global de reservas de grafita (26%), com 74 milhões de toneladas, e o terceiro em reservas de níquel (12%), com 16 milhões de toneladas.

Mas ter a reserva não significa dominar a cadeia. O professor de Geografia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Luiz Jardim Wanderley, especialista na interseção entre política, economia e mineração, é direto ao apontar o padrão histórico que se repete: “O Brasil mantém o mesmo padrão de dependência que teve ao longo de sua história. Foi assim com o ouro colonial, passando pelo ferro e até o petróleo. Servindo para o mundo como um país primário-exportador. A gente exporta muitos minerais e os consome muito pouco no mercado nacional”, disse em entrevista à Agência Brasil.

Sem avançar nas etapas de beneficiamento e refino — ainda pouco desenvolvidas no país —, o Brasil tende a continuar importando produtos de maior valor agregado, mesmo sendo dono da matéria-prima bruta.

Um caso emblemático dessa lacuna é a mineradora Serra Verde, que opera em Minaçu, em Goiás. A empresa é a única produtora, fora da Ásia, de quatro elementos críticos e valiosos: o disprósio, o térbio, o neodímio e o ítrio, fundamentais para a fabricação de ímãs permanentes usados em veículos elétricos, turbinas eólicas, robôs, drones e aparelhos de ar-condicionado de alta eficiência, como nas áreas de semicondutores, defesa, nuclear e aeroespacial. Ou seja, o Brasil tem — e está deixando esse ativo estratégico escorrer pelos dedos.

O que está em jogo — Acordos, venda polêmica e disputa por regulação

Foi justamente a venda da Serra Verde que acendeu o debate político nas últimas semanas. A declaração foi feita no contexto da compra da mineradora Serra Verde pela norte-americana USA Rare Earth, por cerca de US$ 2,8 bilhões. A negociação foi festejada pelo governo de Goiás, cujo ex-governador Ronaldo Caiado assinou com o governo dos Estados Unidos, em março deste ano, um memorando de entendimento para fortalecer a cooperação bilateral entre o estado e os EUA, autorizando a realização de pesquisa e desenvolvimento tecnológico em parceria e também a facilitação de investimentos para a exploração de minerais críticos.

O movimento foi duramente criticado pelo governo federal. Para o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, a iniciativa do ex-governador avança sobre temas de competência exclusiva da União. Em entrevista ao ‘Bom dia, Ministro’ desta sexta-feira (24), o ministro enfatizou que “o subsolo brasileiro pertence à União. A competência para regulamentar [a exploração de recursos naturais] é da União. E quem estabelece relações com outros países é a União.”

Sobre a validade jurídica do memorando, Márcio Elias foi igualmente enfático: “É possível que haja boa intenção e um pressuposto legítimo de levar o desenvolvimento para o estado motivando alguém a fazer uma negociação desse tipo, mas do ponto de vista jurídico, ela não se sustenta.” Na prática, o acordo não produz nenhuma obrigação legal e não há risco de o país sofrer qualquer sanção se o descumprir.

Aliados de Lula, os deputados federais Orlando Silva (PCdoB-SP) e Talíria Petrone (Psol-RJ) pediram à Procuradoria-Geral da República (PRG) que investigue a venda e a regularidade da atuação da Agência Nacional de Mineração (ANM) ao dar aval à transferência de controle da Serra Verde. O episódio escancarou a ausência de um marco regulatório claro para o setor — e a velocidade com que interesses estrangeiros se movem sobre as riquezas brasileiras.

No plano internacional, o governo federal tenta construir uma alternativa diferente. Brasil e Alemanha assinaram, na última semana em Hannover, uma declaração conjunta de intenções para ampliar a cooperação científica e tecnológica na área de minerais críticos e estratégicos, considerados essenciais para a transição energética e o desenvolvimento de tecnologias emergentes. O ato foi firmado durante visita oficial do presidente Lula, que se reuniu com o chanceler Friedrich Merz.

Uma semana antes, em Barcelona, depois de assinar acordos que também envolvem a cadeia de minerais estratégicos com o presidente da Espanha, Pedro Sánchez, o presidente foi enfático ao dizer que “nós iremos construir parceria com quem quiser construir, quem quiser compartilhar tecnologia conosco, e o processo de transformação se dará dentro do Brasil. Ninguém, a não ser o Brasil, será dono da nossa riqueza mineral.”

O que muda — Ou o que o governo quer que mude

O discurso oficial é claro. Em Hannover, Lula foi direto ao afirmar que o Brasil não pretende ser coadjuvante nessa disputa global: “Nossas reservas também nos tornam atores incontornáveis no debate sobre minerais críticos. Queremos atrair cadeias de processamento para o território brasileiro, sem fazer exportações excludentes. A colaboração em setores intensivos em tecnologia é uma prioridade para um país que não quer se limitar a ser um mero exportador de commodities.”

O ministro Márcio Elias reforçou a posição ao defender a urgência de uma legislação específica para o setor: “Não queremos ser um exportador de matéria-prima. Não vamos cometer o equívoco de imaginar que minerais críticos ou terras raras sejam objeto de exportação. Têm que ser de industrialização.”

Para avançar nessa direção, o governo federal pediu ao presidente da Câmara, Hugo Motta, que retirasse de pauta o Projeto de Lei 2780/24, que trata da criação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A justificativa foi a necessidade de aprimorar o texto antes de submetê-lo aos parlamentares. O ministro foi preciso sobre o que falta no projeto: “O governo federal quer apresentar propostas e sugestões que, sobretudo, aperfeiçoem o dever de industrialização dos minerais críticos.”

A regulação, segundo Elias, precisa cobrir todo o espectro. “Precisamos legislar e regular logo esse tema, porque ele suscita não apenas dúvidas, mas, sobretudo, insegurança [jurídica] sobre quem pode explorar, as mudanças, as fusões e as transformações dessas empresas, quem pode acessar o alvará para explorar e minerar. Tudo tem que estar regulado.”

O ministro rejeita a criação de uma estatal para o setor, argumentando que já existem instrumentos legais que permitem subvenções e associações com o setor privado, e que uma estatal não seria sinônimo de melhor aproveitamento dos ativos.

A crítica que ninguém quer ouvir

Por trás dos acordos diplomáticos e dos discursos de soberania, há uma contradição histórica que especialistas se recusam a ignorar. Para o professor Wanderley, da UFF, sem avançar nas etapas de industrialização, o Brasil vai continuar preso à mesma armadilha de sempre. E o peso disso não será apenas econômico.

O geógrafo é contundente ao tratar dos impactos socioambientais da mineração: “Não existe mineração sustentável. Toda mineração causa impactos ambientais pesados, como o comprometimento de recursos hídricos. Também causa pressão econômica nos municípios em que ocorre: aumento da pobreza, desigualdade e violência urbana. O que temos hoje é um modelo completamente insustentável de mineração.”

Mesmo um modelo menos agressivo, avalia o especialista, não seria isento de danos: ainda seriam feitos grandes buracos para extrair os minérios, montanhas seriam desmontadas e cursos d’água afetados. Para Wanderley, é preciso pensar com calma se realmente vale a pena, considerando a magnitude dos efeitos socioambientais envolvidos.

O debate, portanto, vai muito além de quem assina o acordo ou quem compra a mineradora. Envolve decidir para quem essa riqueza vai servir, quem vai pagar o custo ambiental e quem vai ficar com o valor agregado quando o minério virar bateria, turbina ou chip.

*Vermelho


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STF mantém restrições à compra de terras por empresas controladas por capital estrangeiro

Voto unânime justificou as regras como essenciais à soberania e independência do país

OSupremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (23) manter as regras que limitaram a compra de imóveis rurais por empresas com capital estrangeiro no país.ebcebc

A Corte validou a Lei 5.709 de 1971, norma que regulou a matéria e definiu que o estrangeiro residente no país e as empresas estrangeiras autorizadas a operar no Brasil devem seguir regras para aquisições de terras.

A norma impôs diversas restrições, como compra máxima de 50 módulos de exploração, autorização prévia para aquisições em áreas de segurança nacional e registro no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

A constitucionalidade foi questionada na Corte por entidades ligadas ao agronegócio. De acordo com a Forum, as alegações, protocoladas em 2015, a lei prejudica empresas nacionais de capital estrangeiro ao limitar a compra de terras no país.

O julgamento começou em 2021 e foi finalizado na sessão desta quinta-feira.

Por unanimidade, o plenário seguiu voto proferido pelo relator do caso, ex-ministro Marco Aurélio (aposentado), que votou pela constitucionalidade da lei.

O relator citou que as restrições são necessárias para manter a soberania nacional e a independência do país. Os argumentos foram validados pelos demais ministros.

AGU
A Advocacia-Geral da União (AGU) atuou no caso como representante do governo federal.

O órgão sustentou que a lei tem a função de proteger a soberania nacional e evitar a especulação fundiária no país.


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O que EUA fizerem conosco, vamos fazer com eles, diz Lula sobre credencial de americano

Presidente diz esperar que estejam dispostos a voltar a conversar para coisas voltarem à normalidade

O presidente Lula (PT) elogiou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, pelo bloqueio das credenciais de um agente de imigração americano após o governo de Donald Trump ordenar a retirada de um delegado brasileiro dos Estados Unidos.

“Parabéns pela sua posição com relação ao delegado americano, colocando a reciprocidade. Ou seja, o que eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles, esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade”, disse Lula nesta quarta-feira (22).

A fala foi feita durante encontro entre Lula, Andrei e o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, no Palácio da Alvorada. Os três participavam da assinatura da contratação de mil novos policiais federais.

O governo Trump informou na manhã desta quarta que o policial, que trabalhava no setor de imigração dos EUA, teria atuado para manipular o sistema de imigração e “contornar tanto pedidos formais de extradição quanto prolongar caças às bruxas políticas em território” americano.

Mais cedo, Andrei afirmou em entrevista à Globonews que o bloqueio ao sistema de dados da PF contra o servidor americano vai durar até que seja esclarecido o motivo que levou os EUA a tomarem as atitudes contra o agente brasileiro.

Como mostrou a Folha, o policial em questão seria o delegado da PF Marcelo Ivo de Carvalho, que atua em Miami. Ele é adido da PF na cidade e teve participação no caso que levou à prisão do ex-delegado federal e ex-deputado Alexandre Ramagem, na semana passada pelo ICE, a agência de imigração dos EUA. Ramagem, que é considerado foragido no Brasil, foi solto dois dias depois, na quarta (15).

Durante passagem por Hannover (Alemanha) na terça (21), Lula já havia afirmado a jornalistas que, se fosse identificado abuso por parte das autoridades americanas com o policial, o Brasil tomaria medidas de reciprocidade contra os EUA.

“Queremos fazer as coisas da maneira mais correta possível, mas não podemos aceitar esse tipo de ingerência que alguns personagens querem ter em relação ao Brasil”, disse o presidente, antes de seguir para a última etapa de sua viagem à Europa, Portugal.

*ICL


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PF retira credencial de americano que estava no Brasil

Decisão foi apresentada pela PF como um “ato de reciprocidade” depois da expulsão de um delegado brasileiro nos EUA, no início da semana

Num ato de reciprocidade diante da expulsão de um delegado da Polícia Federal que estava nos EUA, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que está retirando a credencial de um servidor americano que está no Brasil e que atua no setor de imigração.

O gesto foi tomado pelo chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que explicou à reportagem a lógica que deu base para sua ação.

Segundo ele, o servidor americano ficará sem acesso a certas informações e aos sistemas informáticos. Ele também terá seu crachá retirado e não poderá ter acesso ao prédio da PF.

Andrei Rodrigues explicou que não expulsou o americano por conta de não ter, até agora, recebido uma comunicação oficial por parte dos EUA de que seu delegado também teria sido expulso. O que existe, segundo ele, é apenas uma declaração por redes sociais.

“Por esse motivo, o que eu posso fazer até aqui é uma suspensão do servidor americano, até que haja algo oficial”, explicou.

Para o chefe da PF, seu papel é o de tomar uma medida de “reciprocidade policial”. O restante terá de ser decidido pelo Itamaraty.

Itamaraty explica
Num comunicado, o Ministério das Relações Exteriores explicou a medida adotada pelo Brasil.

Diante da confirmação da informação de que oficial de ligação da Policia Federal brasileira junto ao Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), em Miami, foi comunicado verbalmente pelo governo dos Estados Unidos sobre a interrupção imediata do exercício de suas funções oficiais em território norte-americano, representante da embaixada daquele pais foi convocada ao Ministério das Relações Exteriores no final da tarde de ontem (21).

O agente brasileiro atuava com base em memorando de entendimento firmado entre os dois governos sobre a facilitação do intercâmbio de oficiais de ligação na área de segurança.

A representante da embaixada norte-americana foi informada, também verbalmente, que o governo brasileiro aplicará o principio da reciprocidade diante da decisão sumária contra o agente da Polícia Federal, que não foi precedida de qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo sobre o caso, como prevê o parágrafo 7.3 do memorando de entendimento bilateral que regula essa modalidade de cooperação policial.

A medida tampouco observa a boa prática diplomática de diálogo entre nações amigas, como o Brasil e os Estados Unidos, ao longo de mais de 200 anos de relação. Os termos da aplicação da reciprocidade foram também transmitidos verbalmente à representante da embaixada, e envolvem a interrupção imediata do exercício de funções oficiais de representante norte-americano de area homologa em território brasileiro.

A crise, ainda assim, aprofunda o mal-estar entre os dois países. Mas o gesto era considerado como inevitável, já que deixar a atitude da Casa Branca sem resposta poderia sinalizar uma fraqueza por parte de Brasília quanto a defesa da soberania.

O caso ainda se transforma no pior momento na cooperação entre as polícias do Brasil e dos EUA em anos. Os dois países têm um acordo para a atuação conjunta de suas forças policiais e, no caso de uma crise, os mecanismos previam já a possibilidade da suspensão da troca de informações ou mesmo a expulsão de um adido.

Na segunda-feira, o governo Trump anunciou que solicitou a expulsão de um “funcionário brasileiro” nos EUA. Tratava-se de Marcelo Ivo, delegado da Polícia Federal em Miami e que teve uma atuação na operação que prendeu Alexandre Ramagem, ex-chefe da Abin e que está foragido nos EUA.

A alegação foi de que Ivo tentou convencer as autoridades americanas que o caso de Ramagem era de deportação por conta de um visto vencido, e não de extradição – o que envolveria uma consideração do processo legal contra ele pelo STF.

No momento da prisão de Ramagem, a atitude da PF de dizer que o ato foi resultado de uma cooperação entre os dois países irritou a ala mais radical da Casa Branca.

O fato gerou uma mobilização de bolsonaristas que, com contatos nos EUA, conseguiram convencer a Casa Branca a liberar o ex-diretor da Abin.

Teria sido Darren Beattie – enviado de Trump ao Brasil e que foi impedido de entrar no país no mês passado depois de mentir sobre os objetivos de sua visita – quem liderou a pressão para que Ramagem fosse solto e para que o delegado da PF tivesse seu visto revogado. Foi sua revanche.

*Jamil Chade;ICL


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Ala radical nos EUA ganha espaço e inaugura ingerência em eleição no Brasil

Ultraconservadores na Casa Branca intensificam ações contra o Brasil e aliança com bolsonarismo; estratégia é não repetir tarifaço para não dar palco para Lula

A crise no Irã tem causado um dano importante para o Brasil. O problema, porém, não é o Estreito de Ormuz. Fontes diplomáticas em Washington revelaram ao ICL Notícias que o foco de Donald Trump na guerra e seu medo de uma derrota abriram o caminho para que outros temas da agenda de política externa deixassem de receber a mesma atenção da cúpula da Casa Branca.

Como resultado, alas mais radicais passaram a dar as cartas no que se refere à situação com o Brasil. Para membros do governo Lula, a nova realidade e os atos adotados pela administração Trump nas últimas semanas sinaliza que a ingerência na eleição do país já começou na prática.

Em meados de 2025, Trump abriu uma crise inédita com o Brasil, adotando sanções e tarifas. Observadores na capital americana confirmaram que o pacote de medidas contra o país havia sido articulado em parte por Eduardo Bolsonaro, Paulo Figueiredo e uma base mais radical do governo Trump, principalmente no Departamento de Estado. A estrutura ainda ganhou o apoio de republicanos, principalmente na Flórida, e personagens conhecidos por suas campanhas contra as “esquerdas”.

Foi necessário uma operação sigilosa, repleta de canais extra-oficiais e empresários para convencer Trump de que abrir uma guerra comercial e uma crise política com o Brasil seria prejudicial para os interesses americanos. Lula tirou proveito e a crise o levou a ter sua melhor taxa de popularidade em todo seu governo.

A partir de setembro de 2025, um período de distensão foi inaugurado, com Trump chegando a dizer que havia uma “química” entre ele e Lula. Telefonemas e reuniões acabaram ocorrendo entre os dois líderes, seguida pela retirada de algumas das sanções e de tarifas.

Mas a aproximação nunca foi aplaudida pelo Departamento de Estado e nem pela base mais radical dos republicanos. Marco Rubio, o chefe da diplomacia americana, havia sido contrariado e seu semblante em cada um dos encontros era revelador do mal-estar.

Mesmo assim, foi estabelecido que Lula viajaria para Washington para um encontro na Casa Branca. O governo brasileiro, porém, condicionava a reunião a passos concretos por parte dos EUA. Ela apenas deveria ocorrer se houvesse algum anúncio a ser feito. Negociações foram iniciadas em temas como comércio, a luta contra o crime organizado e terras raras. Mas impasses impediram que o processo fosse acelerado e diferenças fundamentais levaram o diálogo a um congelamento.

Com o início da guerra no Irã, no final de fevereiro, os interlocutores que defendiam uma relação “madura” com o Brasil acabaram sendo sugados para a crise no Oriente Médio.

E, segundo negociadores em Washington, o espaço voltou a ser ocupado por uma ala que lutou contra qualquer aproximação com Lula ou uma normalização da relação com o Brasil.

Agenda positiva ‘congelada’
Aos poucos, a agenda positiva entre Brasil e EUA começou a ser congelada, enquanto atritos surgiram. Segundo negociadores, o Departamento de Estado passou a apresentar propostas vagas ao Brasil, sem uma sinalização de compromissos.

A frieza entre os dois governos foi interpretada como um sinal de que a “química” entre Lula e Trump poderia estar sendo sabotada dentro do próprio governo americano.

A primeira crise veio com Darren Beattie, o novo enviado de Trump ao Brasil e um dos porta-vozes do segmento mais ideológico dentro do governo.

Ao solicitar um visto ao país, ele mentiu sobre a intenção de sua viagem. O enviado acabou tendo seu visto negado. Para Brasília, houve “má-fé” por parte do representante americano ao solicitar a autorização e não revelar, nos documentos, que o objetivo era o de visitar Jair Bolsonaro na prisão.

A crise foi aprofundada com o alerta passado pelo governo Trump a interlocutores brasileiros de que a ideia de declarar o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas estava avançando rápido. A pauta é vista como uma ameaça à soberania brasileira, já que a medida permitiria que, para defender a segurança dos EUA, ataques militares ou sanções financeiras sejam adotadas contra o Brasil.

O caráter eleitoral é também um fator, já que Flávio Bolsonaro chegou a declarar que havia passado informações aos americanos sobre o crime organizado e sugeriu ataques contra esses grupos criminosos, inclusive na baía de Guanabara.

Uma outra frente de atrito foi estabelecida depois que o Brasil se recusou a fazer parte de uma aliança para garantir o abastecimento de terras raras aos EUA. Semanas depois, o governo estadual de Goiás assinou um acordo com o Departamento de Estado norte-americano, fechando uma parceria até mesmo para mapear as reservas na região.

Dias depois, a única mineradora de terras raras no Brasil foi comprada por uma empresa americana que acabara de receber uma injeção de recursos por parte do governo Trump.

O abalo ganhou mais um capítulo nesta semana. Na segunda-feira, o governo Trump anunciou que solicitou a expulsão de um “funcionário brasileiro” nos EUA. Trata-se de Marcelo Ivo, delegado da Polícia Federal em Miami e que teve uma atuação na operação que prendeu Alexandre Ramagem, ex-chefe da Abin e que está foragido nos EUA.

A alegação foi de que Ivo tentou convencer as autoridades americanas que o caso de Ramagem era de deportação por conta de um visto vencido, e não de extradição – o que envolveria uma consideração do processo legal contra ele pelo STF.

No momento da prisão de Ramagem, a atitude da PF de dizer que o ato foi resultado de uma cooperação entre os dois países irritou a ala mais radical da Casa Branca.

O fato gerou uma mobilização de bolsonaristas que, com contatos nos EUA, conseguiram convencer a Casa Branca a liberar o ex-diretor da Abin.

Teria sido Beattie – que foi impedido de entrar no Brasil – quem liderou a pressão para que Ramagem fosse solto e para que o delegado da PF tivesse seu visto revogado. Foi sua revanche.

Agora, o governo Lula cobra explicações aos EUA para entender por qual motivo a expulsão foi realizada. Na terça-feira, uma reunião foi realizada em Brasília entre o Itamaraty e a embaixada dos EUA. Mas o governo Lula já considera expulsar do país um funcionário americano, como ato de reciprocidade.

O ICL Notícias apurou que o tema está sendo tratado internamente e que diplomatas apontam que é “bem provável” que a decisão de uma expulsão seja tomada.

Enquanto os desentendimentos se acumulam, parece ficar cada vez mais distante a chance de uma viagem do brasileiro à Casa Branca.

Flávio empolga radicais nos EUA, mas sintonia com Trump é calculada
As pesquisas de opinião sobre a eleição no Brasil têm empolgado a Casa Branca, que considera o destino político do país como “fundamental” em sua estratégia de hegemonia na América Latina. Flávio Bolsonaro seria o “parceiro ideal” na visão de Washington.

Mas, entre bolsonaristas e a ala mais radical do trumpismo, a ordem é a de adotar uma postura diferente daquela de meados de 2025. Quando o presidente americano atacou o Brasil publicamente e adotou tarifas, o resultado foi um salto na popularidade de Lula.

Nos últimos meses, o envolvimento direto de Trump em eleições na Hungria e outros países revelou que o americano é um péssimo cabo-eleitoral.

A ordem, portanto, é a de promover uma ingerência “mais sofisticada”, sem a presença do presidente ou de um tarifaço. Washington descobriu que Lula poderia justamente se beneficiar de uma ofensiva explícita e que irá usar cada gesto de Trump para ganhar votos.

No próprio Palácio do Planalto, a visão também é de que Trump dificilmente se envolverá diretamente na eleição neste momento. Mas isso não significará que não haja uma ofensiva da extrema direita americana no processo eleitoral no Brasil.

“De muitas formas, a realidade é que essa ingerência já começou”, completou um experiente embaixador brasileiro.

*Jamil Chade/ICL


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