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Bolsonaro, Cerimedo e Honduras: os elos de uma operação para desestabilizar a eleição

Planalto teme ofensiva internacional de desinformação para interferir na disputa presidencial

A existência de uma rede internacional de extrema direita com atuação em diferentes eleições acendeu um alerta no Palácio do Planalto sobre o risco de uma ofensiva de desinformação se tornar um dos principais instrumentos de ingerência externa na eleição brasileira de outubro.

Fernando Cerimedo, estrategista argentino que atuou para desacreditar as eleições brasileiras de 2022, trabalhou recentemente em Honduras com apoio de operadores ligados a Donald Trump e mantém relação próxima com Eduardo Bolsonaro.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro também foi escolhido pelo ministro de Assuntos da Diáspora de Israel, Amichai Chikli, como interlocutor para receber e divulgar no Brasil informações produzidas pelo governo israelense.

Para integrantes do alto escalão do governo brasileiro, as conexões entre esses atores e o papel das plataformas digitais estão hoje entre os principais riscos de uma eventual ação coordenada para favorecer Flávio Bolsonaro na eleição presidencial.

As relações colocam Eduardo no centro de articulações que atravessam Brasil, Argentina, Honduras, Estados Unidos e Israel. Parte desses mesmos países aparece no chamado Hondurasgate, caso baseado em 37 áudios atribuídos ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández sobre operações internacionais de influência política.

Fernando Cerimedo (segundo da esquerda) com Eduardo Bolsonaro, durante sua visita à Argentina em outubro de 2022

De Eduardo Bolsonaro à eleição de Honduras
Cerimedo ganhou projeção no Brasil depois da eleição presidencial de 2022, quando realizou a transmissão “Brasil fue robado”. Utilizando dados públicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), levantou suspeitas sobre diferentes modelos de urnas e questionou o resultado da disputa vencida por Luiz Inácio Lula da Silva.

A apresentação foi incorporada pelo bolsonarismo à ofensiva contra a confiabilidade do sistema eleitoral. A atuação do argentino acabou analisada nas investigações sobre a tentativa de golpe, embora a Procuradoria-Geral da República não tenha encontrado elementos suficientes para denunciá-lo por participação no plano de ruptura institucional.

Quatro anos depois, Cerimedo continua próximo da família Bolsonaro. Em evento realizado neste ano, Eduardo levou o argentino ao palco e defendeu sua atuação em 2022. Disse que Cerimedo teve “coragem” ao denunciar supostas irregularidades e afirmou que o trabalho havia sido produzido a partir de dados do próprio TSE.

Na mesma ocasião, Cerimedo contou detalhes de sua participação em outra campanha: a eleição de Honduras. O argentino afirmou ter trabalhado com Andy Rivas, apresentado como amigo e sócio, para o grupo político de Nasry “Tito” Asfura. Comemorou o resultado como uma vitória contra o grupo da família do ex-presidente Manuel Zelaya e relatou uma campanha marcada por forte tensão política.

Ao falar sobre sua atuação latino-americana, Cerimedo agradeceu a Brad Parscale, ex-chefe da campanha digital de Trump. Segundo o argentino, Parscale forneceu tecnologia e equipe para suas operações políticas na região.

Cerimedo também participou dos esforços de aproximação entre Asfura e Trump. Nessa articulação aparece Dick Morris, consultor político americano que ganhou projeção como estrategista de Bill Clinton nos anos 1990 e depois rompeu com o Partido Democrata, tornando-se aliado de Trump e uma voz influente da direita americana.

Morris atuou como intermediário entre a campanha de Asfura e o entorno de Trump. Sua participação ajudou a aproximar o candidato hondurenho de operadores trumpistas nos Estados Unidos e a apresentar sua candidatura como parte de uma disputa regional contra a esquerda latino-americana.

A presença do consultor ajuda a dimensionar a rede formada em torno da campanha hondurenha: um operador com experiência na Casa Branca e trânsito na política americana atuando na conexão entre Asfura e o trumpismo.

O percurso também mostra a dimensão adquirida pela atuação de Cerimedo. Depois de participar da ofensiva para colocar sob suspeita as eleições brasileiras, o argentino passou por outra disputa eleitoral latino-americana conectado a operadores da direita americana.

Expresidente hondureño Juan Orlando Hernández agradece el indulto a Trump

Presidente de Honduras Juan Orlando Hernández

Hondurasgate cita Argentina, EUA e Israel
É nesse cenário que aparece o chamado Hondurasgate. O caso envolve 37 gravações atribuídas ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández. Os áudios descrevem supostas operações de articulação política e comunicação envolvendo personagens de Honduras, Estados Unidos, Argentina e Israel.

Entre as alegações está a participação de atores ligados ao governo de Javier Milei. As gravações atribuem ao entorno argentino cerca de US$ 350 mil destinados a uma estrutura de comunicação instalada nos Estados Unidos, que teria entre seus alvos os governos de Claudia Sheinbaum, no México, e Gustavo Petro, na Colômbia.

Israel também aparece no material. Uma das alegações atribui ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu participação em articulações relacionadas ao benefício concedido por Trump a Juan Orlando Hernández.

Os áudios ainda dependem de autenticação independente, e Cerimedo não aparece comprovadamente como integrante da operação relatada nas gravações. O argentino rejeitou publicamente o Hondurasgate.

Sua presença na política hondurenha, porém, é conhecida, assim como suas relações com personagens da política argentina, com Eduardo Bolsonaro e com operadores americanos ligados a Trump.

Israel, por sua vez, também mantém uma conexão direta e documentada com o entorno bolsonarista no Brasil.

Ministro de Israel acionou Eduardo no Brasil
Em janeiro de 2025, o militar israelense Yuval Vagdani estava no Brasil quando a Fundação Hind Rajab (HRF) tentou responsabilizá-lo judicialmente por supostos crimes cometidos durante a ofensiva israelense na Faixa de Gaza.

O episódio provocou reação do governo de Israel. Vagdani deixou o Brasil e, em 5 de janeiro, Eduardo Bolsonaro tornou público que havia conversado com Amichai Chikli, ministro de Assuntos da Diáspora e Combate ao Antissemitismo.

Eduardo disse ter recebido informações sobre a Fundação Hind Rajab. Poucas semanas depois, o próprio Chikli confirmou como a articulação havia ocorrido.

O ministro afirmou que Israel trabalhou com “amigos na oposição brasileira” e entregou informações sobre a fundação a Eduardo para que ele ajudasse a expor a organização no Brasil. O ex-deputado divulgou o material.

O ministério israelense buscava associar integrantes da fundação ao Hezbollah e ao Hamas. Chikli também atacou diretamente Lula e classificou o presidente brasileiro como “apoiador do Hamas”.

A operação foi além da proximidade política mantida há anos pela família Bolsonaro com o governo de Benjamin Netanyahu. Um ministro israelense procurou diretamente um integrante da oposição brasileira, forneceu informações produzidas no interesse de seu governo e pediu ajuda para colocá-las no debate público brasileiro.

O episódio ocorreu antes de Eduardo voltar a aparecer publicamente ao lado de Cerimedo, desta vez exaltando justamente o argentino que havia atuado no Brasil, passado por Honduras e construído relações com operadores da direita americana.

As conexões não surgem de uma única organização nem precisam ser apresentadas dessa maneira. Elas revelam um movimento mais amplo: personagens do bolsonarismo passaram a atuar como interlocutores brasileiros de uma rede internacional da direita que circula entre campanhas eleitorais, governos e operações de comunicação.

Nesse circuito, Eduardo Bolsonaro deixou de ser apenas um aliado político. Tornou-se um dos pontos de contato no Brasil.

O Ministro de Assuntos da Diáspora de Israel, Amichai Chikli,

O Ministro de Assuntos da Diáspora de Israel, Amichai Chikli (Reprodução de vídeo)

Planalto teme ofensiva digital na reta final
Se o governo brasileiro considera que a ingerência internacional já é uma realidade na eleição desde 2025, integrantes do Planalto tentam agora antecipar por onde poderiam vir os próximos movimentos de uma eventual estratégia de desestabilização.

A principal preocupação é que o instrumento utilizado seja o impulsionamento de desinformação a partir do exterior, com a possibilidade de plataformas digitais atuarem de maneira pouco transparente para influenciar a opinião pública brasileira.

A operação poderia repetir elementos observados recentemente na eleição de Honduras, onde Cerimedo teve papel relevante. A avaliação no Palácio do Planalto é de que, apesar da liderança de Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas de opinião, o pleito continua acirrado e uma operação de manipulação digital poderia movimentar votos suficientes para transformar a reta final da eleição em um dos momentos de maior tensão política do país nas últimas décadas.

Integrantes do governo ainda pretendem estudar os casos das vitórias de aliados de Trump em Honduras e na Colômbia, marcadas, segundo essa avaliação, por intensa circulação de narrativas originadas fora desses países. Um dos fenômenos observados nesses pleitos foi a proliferação de conteúdos produzidos com inteligência artificial e deepfakes.

Uma das estratégias consideradas possíveis seria o impulsionamento de desinformação por meio de perfis falsos criados no exterior. A preocupação é que uma ofensiva concentrada nos últimos dias da campanha possa provocar mudanças abruptas na opinião pública quando já não houver tempo suficiente para identificar sua origem, investigar os responsáveis e neutralizar seus efeitos antes da votação.

O eventual envolvimento das plataformas também entra no cálculo do governo pelo impacto que uma reeleição de Lula poderia produzir sobre o setor. A avaliação no Planalto é de que as big techs estariam entre os atores mais afetados por um quarto mandato do petista, diante da possibilidade de o governo avançar na regulamentação das redes digitais.

Um possível retorno do ativismo político de Elon Musk também é monitorado, principalmente diante de seu histórico de intervenções no debate político de diferentes países às vésperas de eleições.

A preocupação central é justamente o tempo. Uma ofensiva realizada nos últimos dias antes da votação poderia alcançar milhões de eleitores e produzir efeitos políticos antes que autoridades brasileiras conseguissem determinar de onde partiu, quem a financiou e quais atores participaram de sua disseminação.

*Cleber Lourenço e Jamil Chade/ICL


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100 dias de um silêncio ensurdecedor de Mendonça e da mídia sobre o caso Flávio Bolsonaro e Vorcaro

Hoje se completam 100 dias desde que vieram a público as revelações sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, incluindo o áudio em que o senador aparece pedindo R$ 134 milhões para financiar o filme Dark Horse, produção sobre seu pai, Jair Bolsonaro. Parte dos valores teria sido efetivamente repassada, enquanto as explicações prometidas sobre a origem e a aplicação dos recursos continuam sem aparecer de forma transparente.

Cem dias. Cem dias sem uma prestação de contas completa. Cem dias de perguntas sem respostas convincentes. E, sobretudo, cem dias de um silêncio que se torna cada vez mais eloquente.

O mais impressionante, porém, não é apenas o silêncio de Flávio Bolsonaro. É o contraste entre a dimensão das revelações e a aparente falta de cobrança proporcional por parte de setores da mídia. Enquanto outros personagens são submetidos diariamente a manchetes, especulações, vazamentos e cobranças incessantes, o caso envolvendo Flávio e Vorcaro parece sobreviver em uma espécie de zona de conforto político.

A própria imprensa registrou que Flávio chegou a prometer transparência sobre os recursos do filme. Mais de 90 dias depois, a cobrança continuava de pé — e sem a documentação completa que ele havia prometido apresentar.

E há outro ponto que chama atenção: André Mendonça aparece no centro institucional das investigações relacionadas ao caso, mas o ritmo e a extensão das providências continuam sendo motivo de questionamento público. Ao mesmo tempo em que o ministro determinou recentemente a retirada de um vídeo produzido com inteligência artificial que associava Flávio a Vorcaro — decisão tomada no âmbito eleitoral por se tratar de conteúdo sintético apresentado como real —, permanece a expectativa por respostas mais substanciais sobre os fatos reais que deram origem ao escândalo.

Não se trata de pedir condenação antecipada de ninguém. Trata-se de pedir aquilo que deveria ser elementar em qualquer democracia: investigação séria, transparência e igualdade de tratamento.

Se há dinheiro, contratos, pedidos de financiamento, relações empresariais e investigações em andamento, o público tem o direito de saber o que aconteceu. E um candidato à Presidência, mais ainda, tem o dever político de explicar com clareza qualquer episódio que possa afetar sua credibilidade.

O contraste fica ainda mais gritante quando se observa o tratamento dado a outros casos. O episódio envolvendo Lulinha, por exemplo, vem recebendo enorme exposição e intensa disputa política e midiática, enquanto o caso Flávio-Vorcaro, apesar das revelações documentadas e das perguntas ainda abertas, não ocupa o mesmo espaço de cobrança.

É essa diferença de régua que precisa ser denunciada.

A imprensa não pode escolher quais escândalos merecem investigação jornalística incansável e quais podem ser deixados em segundo plano. Se existem suspeitas ou perguntas legítimas, elas precisam ser feitas independentemente do sobrenome, do partido ou do candidato beneficiado.

Porque 100 dias de silêncio não apagam um caso. Apenas aumentam a pergunta: por que ninguém está cobrando as respostas com a mesma intensidade?

Flávio Bolsonaro pode dizer que o caso Dark Horse é “página virada”. Mas jornalisticamente não existe página virada quando ainda há perguntas relevantes sem respostas e quando a própria investigação continua em curso.

Cem dias depois, a cobrança permanece: cadê a transparência? Cadê os documentos? Cadê as explicações? E por que a mídia que sabe ser tão estridente em determinados casos parece tão silenciosa neste?

A democracia não pode funcionar com dois pesos e duas medidas. Se a cobrança vale para um, precisa valer para todos.


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Tarcísio e aliados entram na mira da Justiça Eleitoral após ato em igreja. Risco de inelegibilidade

A campanha de Tarcísio de Freitas começa a enfrentar um problema que pode ultrapassar o terreno político e chegar ao coração da disputa eleitoral: o uso de um templo religioso em um ato realizado justamente no início da campanha.

A Associação Movimento Brasil Laico acionou o Ministério Público Eleitoral de São Paulo e pediu a investigação de Tarcísio, candidato à reeleição, e dos candidatos ao Senado Guilherme Derrite e André do Prado. A entidade pede a cassação dos registros e a inelegibilidade por oito anos dos envolvidos.

O episódio ocorreu em 17 de agosto, na Assembleia de Deus Ministério do Belém, na zona leste de São Paulo, diante de aproximadamente 2.500 pessoas. Tarcísio leu uma passagem bíblica, pediu orações para que “Deus abra os caminhos” e participou de uma reunião de obreiros ao lado dos candidatos ao Senado. Derrite também discursou no evento.

Para a associação, porém, não se trata simplesmente de um político participando de um culto. A representação sustenta que a estrutura e a visibilidade proporcionadas pelo templo teriam sido utilizadas em benefício eleitoral da chapa, configurando possível propaganda irregular em bem de uso comum, doação estimável em dinheiro e abuso de poder político e econômico.

E é justamente aí que a denúncia ganha peso. A questão não é impedir a liberdade religiosa nem proibir candidatos de professarem sua fé. O problema apontado pela entidade é a utilização da estrutura de uma igreja como ambiente de promoção política durante uma campanha eleitoral.

A legislação eleitoral estabelece restrições específicas à propaganda em templos religiosos. A própria Lei Complementar nº 64 prevê inelegibilidade de oito anos em determinadas hipóteses de abuso do poder econômico ou político quando reconhecidas pela Justiça Eleitoral.

Agora, caberá ao Ministério Público Eleitoral e, posteriormente, à Justiça Eleitoral avaliar se o episódio ultrapassou os limites de uma participação religiosa e se houve efetivamente vantagem eleitoral indevida.

O caso também expõe uma questão maior: até onde pode ir a mistura entre religião e campanha eleitoral sem comprometer a igualdade de condições entre os candidatos?

Se um templo, com milhares de fiéis e toda a sua estrutura de influência, passa a funcionar como palco de uma candidatura, o debate deixa de ser apenas religioso. Torna-se eleitoral, jurídico e democrático.

A representação não significa que Tarcísio ou os candidatos ao Senado já estejam inelegíveis. Trata-se, neste momento, de um pedido de investigação e de aplicação de sanções. Mas o episódio coloca a campanha governista diante de uma cobrança incômoda: a fé pode ser livre, mas a estrutura religiosa não pode se transformar em atalho para obter vantagem eleitoral.


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Velha mídia: Mas o Lulinha…

Quem é comprovadamente corrupto há anos e é candidato a presidente é Flávio — mas a velha mídia prefere especular contra Lulinha

Há uma inversão escandalosa de prioridades no debate político brasileiro. De um lado, está Flávio Bolsonaro, político profissional, com uma longa trajetória cercada por denúncias, suspeitas e investigações, agora apresentado como candidato à Presidência da República. Do outro, está Lulinha, que nunca exerceu mandato eletivo, nunca foi político e não é candidato a absolutamente nada.

Ainda assim, basta observar as manchetes para perceber onde parte da chamada velha mídia decidiu concentrar seus holofotes: em Lulinha.

A estratégia é conhecida. Transformar especulação em manchete, suspeita em sentença e vazamento em espetáculo, enquanto questões muito mais concretas envolvendo personagens da política são tratadas com uma cautela quase reverencial.

O problema não é investigar Lulinha — qualquer cidadão pode e deve ser investigado quando houver fatos concretos. O problema é a assimetria da cobertura. É exigir explicações de quem não disputa eleição, enquanto um candidato presidencial com um histórico político controverso recebe um tratamento incomparavelmente mais complacente.

A pergunta que precisa ser feita é simples: qual é o critério?

Se existem provas, que sejam apresentadas. Se existem documentos, que sejam publicados. Se existem fatos relevantes, que sejam investigados. Mas jornalismo sério não pode funcionar à base de insinuações, vazamentos seletivos e manchetes em letras garrafais destinadas a produzir uma condenação antecipada.

Enquanto isso, Flávio Bolsonaro está no centro da disputa eleitoral. Portanto, tudo o que envolve sua trajetória, suas relações políticas e empresariais, seu patrimônio e as acusações que recaem sobre ele deveria receber escrutínio máximo. Afinal, estamos falando de alguém que pretende comandar o país.

Mas a velha mídia parece operar com uma régua curiosamente diferente: para uns, investigação permanente; para outros, blindagem permanente.

Lulinha não precisa ser candidato para ter seus direitos respeitados. E Flávio não pode ser tratado como candidato acima das perguntas que sua própria trajetória política impõe.

O eleitor tem direito à informação, não a uma campanha midiática disfarçada de jornalismo.

Se a imprensa quer realmente cumprir seu papel, deveria parar de transformar especulações contra Lulinha em manchetes e começar a aplicar a mesma intensidade investigativa a Flávio Bolsonaro. Porque, no fim das contas, a questão central é muito simples: quem pretende ocupar a Presidência precisa ser cobrado por seus atos, por sua trajetória e pelos fatos concretos que o cercam.

O que não pode existir é uma imprensa que grita diante de uma suspeita contra um não candidato e sussurra diante de fatos envolvendo quem quer chegar ao Palácio do Planalto.


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Quem a mídia está protegendo mais: Flávio Bolsonaro, André Mendonça ou Nunes Marques?

Há momentos em que o silêncio da imprensa se torna uma notícia por si só. E a pergunta que começa a incomodar é inevitável: quem, afinal, está recebendo mais proteção da mídia — Flávio Bolsonaro, André Mendonça ou Nunes Marques?

A questão ganha força diante da sucessão de episódios envolvendo o candidato do PL, o caso Dark Horse, sua relação com Daniel Vorcaro e a atuação de ministros indicados por Jair Bolsonaro em processos que alcançam direta ou indiretamente o universo político bolsonarista.

No caso de Flávio Bolsonaro, por exemplo, há investigações que continuam produzindo fatos novos. A imprensa noticiou que o caso Dark Horse permanece em investigação e que André Mendonça é o relator das apurações relacionadas aos repasses de Vorcaro. Também foram divulgadas informações sobre mensagens e áudios que colocaram sob questionamento versões anteriormente apresentadas pelo senador.

Mas a pergunta que precisa ser feita é: a mesma disposição jornalística utilizada para explorar suspeitas contra adversários políticos é aplicada quando o personagem investigado está no campo bolsonarista?

André Mendonça também passou a ocupar o centro desse debate. O ministro é responsável por decisões relevantes em processos que envolvem o entorno de Flávio Bolsonaro e, ao mesmo tempo, aparece em outras disputas eleitorais de grande repercussão. Recentemente, por exemplo, determinou a retirada de um vídeo produzido por inteligência artificial que associava Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, por entender que o material criava situações inexistentes com aparência de realidade.

Isso, evidentemente, não permite concluir que exista proteção indevida. Decisões judiciais precisam ser examinadas pelo conteúdo e pela fundamentação, não por simpatias políticas. Mas justamente por isso deveriam receber escrutínio jornalístico rigoroso, transparente e proporcional.

E Nunes Marques?

O ministro também entrou no centro das atenções eleitorais. Foi ele quem determinou o restabelecimento da filiação de Flávio Bolsonaro ao PL depois do episódio envolvendo o registro de filiação ao partido Missão, além de determinar investigação sobre o caso.

Dias depois, Nunes Marques teve papel decisivo em outro processo eleitoral ao desempatar, no TSE, o julgamento que permitiu a candidatura de Marcelo Crivella ao Senado. A decisão ocorreu após liminar anteriormente concedida por André Mendonça.

São fatos públicos. E fatos públicos deveriam ser tratados como fatos públicos — sem blindagem, sem demonização e sem dois pesos e duas medidas.

É aí que a pergunta ganha força política e jornalística: por que determinados personagens são submetidos diariamente a manchetes, especulações, editoriais e vazamentos, enquanto outros parecem ser tratados com uma cautela quase reverencial?

Se a imprensa pretende fiscalizar o poder, precisa fiscalizar todo o poder. Se pretende investigar relações políticas, jurídicas e empresariais, precisa fazê-lo independentemente de quem esteja no centro da história.

Porque o verdadeiro problema não é perguntar se a mídia está protegendo Flávio Bolsonaro, André Mendonça ou Nunes Marques. O problema é quando o leitor começa a ter a impressão de que há personagens para os quais qualquer suspeita vira manchete e personagens para os quais até fatos relevantes são tratados como nota de rodapé.

E essa é uma questão que a própria imprensa deveria responder.

Quem está sendo protegido? Quem está sendo poupado? E, principalmente, por quê?

Enquanto essas perguntas permanecerem sem respostas convincentes, a suspeita de seletividade continuará rondando a cobertura política brasileira — e não será resolvida simplesmente aumentando o volume das manchetes contra os adversários de sempre.


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Em uníssono inédito, mídia canoniza Flávio, sataniza Lulinha e mergulha na campanha pró-fascista

Há algo de profundamente revelador no comportamento de parte da mídia brasileira nesta largada da eleição de 2026: enquanto Flávio Bolsonaro é tratado como candidato presidencial plenamente reabilitado, o noticiário sobre Lulinha ganha uma dimensão que ultrapassa a própria investigação e passa a funcionar como munição eleitoral contra Lula.

Não se trata de defender qualquer pessoa de investigação. Se existem suspeitas, que sejam apuradas até o fim, com transparência, direito de defesa e sem interferência política. O problema é outro: a régua parece não ser a mesma para todos.

Flávio Bolsonaro passou a ser apresentado como uma espécie de alternativa política viável, enquanto questões que envolvem diretamente sua campanha são empurradas para o rodapé. O caso do filme Dark Horse é o exemplo mais gritante. O candidato afirmou que o episódio é uma “página virada” e que já teria prestado contas, embora a imprensa registre que ele ainda não apresentou os documentos prometidos e que a origem e a destinação dos recursos continuam sob investigação.

Ao mesmo tempo, qualquer informação relacionada a Lulinha recebe enorme repercussão e rapidamente é transformada em argumento político contra Lula. Há, de fato, três inquéritos envolvendo Fábio Luís da Silva, e sua defesa nega irregularidades. Mas investigação não é condenação — e suspeita não pode ser apresentada como sentença.

O mais impressionante é a assimetria.

Quando Flávio é questionado sobre Vorcaro, Dark Horse e os milhões destinados à produção de um filme sobre Jair Bolsonaro, a resposta vira notícia, mas a cobrança parece desaparecer rapidamente. Quando o assunto é Lulinha, entretanto, a investigação se transforma em manchete, comentário, análise eleitoral e combustível permanente para a campanha bolsonarista.

O próprio Flávio percebeu a oportunidade e passou a explorar sistematicamente o caso Lulinha para desgastar Lula. Não por acaso, seu discurso eleitoral passou a girar em torno de corrupção, INSS e ataques ao presidente, enquanto a campanha tenta deslocar o centro do debate para os adversários.

É justamente aí que mora o perigo.

A imprensa não pode se transformar em cabo eleitoral involuntário de um projeto político autoritário.

Quando determinados candidatos são submetidos a uma investigação permanente, enquanto outros recebem tratamento de presidenciáveis “moderados”, cria-se uma espécie de lavagem política da imagem pública. O passado desaparece, as controvérsias são relativizadas e o candidato passa a ser apresentado apenas pelo personagem que sua campanha deseja vender.

É a fabricação do “Flávio moderado”.

Mas a embalagem não apaga a história. Tampouco transforma automaticamente um representante do bolsonarismo em democrata, conciliador ou institucionalista.

Flávio iniciou sua campanha reproduzindo discurso do pai, atacando o STF e utilizando símbolos políticos associados ao bolsonarismo. Ao lado de Guilherme Derrite, também elogiou o modelo de Nayib Bukele em El Salvador e defendeu endurecimento de penas e redução da maioridade penal em determinados casos.

Nada disso significa que o eleitor não possa escolher Flávio. Significa apenas que a sociedade tem o direito de conhecer o candidato inteiro — e não a versão higienizada construída para consumo eleitoral.

E existe uma ironia ainda maior: enquanto a mídia ajuda a transformar Lulinha em personagem central da eleição, o próprio Flávio tenta escapar das perguntas que lhe são feitas sobre seu relacionamento com Vorcaro. Quando questionado sobre Dark Horse, responde que o assunto está encerrado e imediatamente aponta o dedo para Lula e Lulinha.

Essa é a velha técnica política: quando a pergunta aperta, troque o acusado pelo acusador.

E quando a imprensa embarca nessa troca sem manter a mesma intensidade de cobrança, deixa de ser apenas observadora do processo eleitoral e passa a interferir na própria disputa.

Não é necessário absolver Lulinha para denunciar essa assimetria. Não é necessário defender Lula para exigir jornalismo sério. E não é necessário ser petista para perceber que democracia exige a mesma régua para todos.

Se há documentos a apresentar, que sejam apresentados. Se há suspeitas, que sejam investigadas. Se há crimes, que sejam responsabilizados os culpados.

Mas que isso valha para Flávio Bolsonaro também.

Porque uma eleição não pode ser vencida pela quantidade de manchetes produzidas contra um adversário. E uma democracia não pode ser reduzida a uma operação de marketing destinada a transformar um candidato do campo radical em uma figura palatável enquanto seus adversários são submetidos diariamente ao tribunal midiático.

O que está em jogo não é apenas a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro. É a disputa pelo direito do eleitor de receber informação completa, proporcional e honesta.

Quando parte da mídia escolhe um lado da balança, suaviza um candidato e amplifica incessantemente os problemas do outro, o jornalismo deixa de iluminar a eleição e passa a participar dela.

E é justamente nesse ambiente que o discurso autoritário encontra terreno fértil.

Não é jornalismo quando a pergunta para um lado é “prove que é inocente” e para o outro é “por que você está sendo atacado?”.

A democracia brasileira merece mais do que isso.


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90 dias depois, Flávio Bolsonaro não entrega documentos prometidos sobre filme Dark Horse, e O Globo prefere atacar Lulinha

Ontem fez 90 dias. Noventa dias desde que Flávio Bolsonaro prometeu que, em no máximo 30 dias, entregaria os documentos, recibos e demais comprovantes relacionados ao filme patrocinado por Daniel Vorcaro.

O prazo venceu. E venceu há dois meses.

Até agora, não apareceu documento, recibo, contrato ou qualquer esclarecimento capaz de sustentar a promessa feita pelo senador. O que era para ser entregue em 30 dias transformou-se em 90 dias de silêncio. E a pergunta inevitável é: se os documentos existem e não há nada a esconder, por que não foram apresentados?

A resposta política parece cada vez mais desconfortável: Flávio prometeu entregar aquilo que até agora não entregou.

E há um segundo aspecto ainda mais revelador: o comportamento de parte da imprensa diante desse silêncio. Enquanto os documentos prometidos por Flávio continuam desaparecidos, O Globo passou o dia explorando manchetes e especulações envolvendo Lulinha. A régua jornalística, nesse caso, parece ter dois tamanhos: para um lado, cobrança incessante; para o outro, uma paciência quase infinita.

Não se trata de pedir tratamento privilegiado para ninguém. Trata-se de exigir o mesmo jornalismo para todos. Se há suspeitas ou perguntas envolvendo Lulinha, que sejam investigadas. Mas, exatamente pela mesma razão, devem ser cobradas explicações de Flávio Bolsonaro sobre aquilo que ele próprio prometeu esclarecer.

A diferença é brutal: de um lado, manchetes construídas sobre suspeitas e especulações; de outro, uma promessa objetiva, com prazo definido, que simplesmente não foi cumprida.

E isso não pode ser tratado como detalhe.

Flávio Bolsonaro estabeleceu o prazo. Flávio Bolsonaro prometeu os documentos. Flávio Bolsonaro não os apresentou. O mínimo que se espera agora é que a imprensa cobre a promessa que ficou pelo caminho, em vez de simplesmente mudar o foco para outro personagem.

Porque, quando um político diz que vai apresentar documentos em 30 dias e 90 dias depois não apresenta absolutamente nada, a pergunta jornalística não deveria desaparecer.

Deveria ficar ainda mais forte:

Onde estão os documentos, Flávio?

E por que aqueles que deveriam cobrar essa resposta preferem fazer barulho em outra direção?

Para quem se apresenta como fiscal da moralidade pública, o silêncio diante de uma promessa não cumprida é, no mínimo, uma contradição difícil de esconder. E quando a imprensa abandona uma cobrança concreta para transformar especulações contra adversários políticos em manchetes do dia, a sociedade tem todo o direito de perguntar a quem esse jornalismo está servindo.

Noventa dias depois, a história continua simples: prometeu em 30. Não entregou em 90.

Agora, mais do que a promessa, o que está em jogo é a credibilidade de quem prometeu — e a responsabilidade de quem deveria cobrar.


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Deputada bolsonarista é processada por Chico Buarque, Gil e Djavan

A deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PL-SC), conhecida por sua atuação alinhada ao bolsonarismo, volta ao centro de uma disputa judicial envolvendo alguns dos maiores nomes da música popular brasileira: Chico Buarque, Gilberto Gil e Djavan. Os artistas movem uma ação contra a parlamentar e a Livraria Campagnolo por causa do uso de músicas em uma aula do chamado “Clube Antifeminista”, conteúdo comercial divulgado nas redes sociais.

O ponto central da ação não é uma simples divergência política ou ideológica. Os artistas sustentam que suas obras foram utilizadas para uma finalidade diferente daquela apresentada quando a autorização para o uso das músicas foi solicitada. Segundo o processo, as canções acabaram inseridas em uma atividade paga, com conteúdo e propósito ideológico distintos dos informados inicialmente às editoras.

E é justamente aí que a história ganha contornos ainda mais emblemáticos. A deputada, que construiu parte de sua atuação política em torno do discurso antifeminista e de uma agenda de confronto com setores progressistas, teria utilizado obras de artistas que representam uma tradição cultural frequentemente atacada pelo campo político ao qual pertence.

Entre as músicas mencionadas na disputa estão “Mulheres de Atenas”, de Chico Buarque e Augusto Boal; “Ai Que Saudades da Amélia”, de Mário Lago e Ataulfo Alves; “Super-homem – A Canção”, de Gilberto Gil; e “Flor de Lis”, de Djavan. Também integram a ação os herdeiros de Mário Lago e Augusto Boal.

Os autores pedem R$ 50 mil de indenização por danos morais para cada um, além de reparação por danos materiais, cujo valor deverá ser apurado no decorrer do processo. A Justiça também já determinou a retirada do material das plataformas digitais, segundo as informações mais recentes sobre o caso.

O episódio expõe uma contradição difícil de ignorar: recorrer à obra de artistas para sustentar uma determinada narrativa política é uma coisa; utilizar essas obras em um produto comercial sem respeitar as condições de autorização é outra, e é justamente essa questão que está sendo discutida judicialmente.

Mais do que uma briga entre artistas e uma deputada, o processo recoloca em debate um princípio básico: obra artística tem autor, tem direitos e não pode ser tratada como propriedade ideológica de quem decide utilizá-la.

No caso de Chico Buarque, Gilberto Gil e Djavan, a mensagem parece ser direta: discordâncias políticas não dão a ninguém licença para usar a produção cultural alheia como bem entender. A disputa agora está nas mãos da Justiça, que deverá avaliar as responsabilidades e os pedidos apresentados no processo.


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Política

Mendonça deve ignorar PGR e manter inquéritos contra Lulinha no STF

A decisão do ministro André Mendonça sobre o destino dos inquéritos que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, promete colocar novamente o Supremo Tribunal Federal no centro de uma disputa política e jurídica. A Procuradoria-Geral da República pediu que as investigações sejam remetidas à primeira instância, sob o argumento de que não há investigados com foro privilegiado que justifique a permanência dos casos no STF. A palavra final, porém, caberá a Mendonça.

A expectativa, segundo informações divulgadas nesta quinta-feira, é que o ministro não siga a manifestação da PGR e mantenha no Supremo os dois inquéritos que estão sob sua relatoria. Mendonça considera que há elementos que justificariam a permanência dos casos na Corte, inclusive referências a autoridades detentoras de foro.

É justamente aí que a questão ganha dimensão política. Se a própria PGR entende que não há razão jurídica para que os inquéritos continuem no STF, a permanência deles na Corte exigirá uma justificativa especialmente sólida. Não basta a impressão de que um caso ganhou importância política: competência judicial precisa ser sustentada por fundamentos jurídicos claros e verificáveis.

O episódio também expõe uma contradição que merece atenção. De um lado, a PGR defende que os casos desçam para a primeira instância. De outro, Mendonça pode optar por mantê-los no tribunal. Se isso acontecer, a sociedade terá o direito de perguntar quais são exatamente os fundamentos que tornam o STF indispensável para conduzir essas investigações.

Os inquéritos apuram suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha, a lobista Roberta Luchsinger e negociações relacionadas a um projeto de medicamentos à base de canabidiol junto ao governo federal. Lulinha não foi indiciado e sua defesa nega irregularidades, além de questionar os vazamentos das investigações.

Portanto, é preciso separar investigação de condenação. Ser investigado não significa ser culpado. Mas, justamente por isso, o caminho mais importante é garantir uma apuração tecnicamente rigorosa, transparente e submetida ao juiz competente — sem privilégios, mas também sem perseguição.

Se Mendonça decidir manter os inquéritos no STF contra a posição da PGR, a decisão inevitavelmente será escrutinada. E quanto mais politicamente sensível for o caso, maior deve ser a transparência sobre os fundamentos jurídicos utilizados.

O Supremo não pode se transformar em palco de disputas políticas. Tampouco pode parecer que processos permanecem em determinada instância simplesmente porque isso interessa a algum lado. A Justiça precisa demonstrar, acima de tudo, que não escolhe seus caminhos de acordo com o personagem investigado.

No caso de Lulinha, portanto, a pergunta central não deveria ser se Mendonça está contra ou a favor de Lula. A pergunta é outra, muito mais simples e muito mais séria: qual é a razão jurídica para esses inquéritos permanecerem no STF se a PGR afirma que não existe foro privilegiado que justifique isso?

É essa resposta que Mendonça terá de apresentar. E quanto mais contundente for sua decisão de contrariar a PGR, mais contundente também precisará ser sua fundamentação.


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