Categorias
Política

Só num país controlado pela burguesia, Moro e Bolsonaro são candidatos à presidência

Se vale o que está escrito, o resultado da CPI da covid deveria imediatamente ser o impedimento para que um presidente, culpado por um verdadeiro massacre que já chega a 608 mil vidas, seja candidato à reeleição.

Isso porque a inacreditável justiça eleitoral não viu crime de fake news na chapa Bolsonaro-Mourão em 2018.

Assim, os dois são ficha limpa, da mesma forma que Aécio, Temer e Moro, o juiz que foi considerado parcial pelo STF.

Ora, se a Corte Suprema do país disse que um juiz foi parcial no caso de Lula, já é um fato muito grave, porque não é uma parcialidade qualquer, mas de alguém que tem poder de fazer o que ele fez com Lula, mantê-lo na cadeia por 580 dias, um sujeito desse ser candidato à presidência, é um tapa na cara dos brasileiros.

Para piorar, esse mesmo Moro, que prende Lula para tirá-lo da eleição, passa a ser ministro da Justiça do presidente que provocou essa tragédia por covid, numa das barganhas mais corruptas da história do Brasil.

Então, vem a pergunta, o que não pode pra essa turma que entrega a alma, os cofres públicos e a riqueza do país para a burguesia, para os banqueiros, para os latifundiários, os grileiros, enfim, para o centrão? Como disse o padrinho de casamento de Aécio Neves, o banqueiro André Esteves, o centrão é o caminho da razão. Nem cá, nem lá, nem a extrema direita e nem a extrema esquerda, seja lá o que isso for.

O que sabemos é que hoje eles não só apoiam, mas são parte de um governo genocida.

Na verdade, Esteves comemorava a força do centrão que é a própria força das classes economicamente dominantes, por neutralizarem o voto popular através de um sistema político podre que permite que uma escumalha tome posse no Congresso a ponto do presidente da Câmara trocar figurinhas com banqueiros, como citou o próprio André Esteves.

E se as coisas não saem como a burguesia quer, ela usa machado de cabo curto para atacar a democracia e interromper o mandato de um presidente da República legitimamente eleito pelo povo, como confessou o mesmo banqueiro tanto no caso de Jango em 1964, quanto de Dilma em 2016.

Logicamente é essa gente que produz a miséria, a fome e toda a desgraça que os pobres passam nesse país. Chamar essa corriola de centrão, é mero eufemismo, eles são donos do Estado brasileiro. É no centrão que estão os políticos mais ricos do país, é disparado o maior PIB do Congresso.

E essa gente, que é a própria alma do neoliberalismo no Brasil, tem uma ganância sem limites e age em bando.

Por isso é importante parar de chamar essa turma barra pesada de centrão, pois de centro não tem nada. Eles são a própria barbárie da extrema direita, aquela que, quando se vê contrariada, patrocina golpes de Estado e transforma a população brasileira em um mero curral dos poderosos do agronegócio e congêneres.

Caros Leitores, precisamos de um pouco mais de sua atenção

Nossos apoiadores estão sendo fundamentais para seguirmos nosso trabalho. Leitores, na medida de suas possibilidades, têm contribuído de forma decisiva para isso. Agradecemos aos que formam essa comunidade e convidamos todos que possam a fortalecer essa corrente progressista. Seu apoio é fundamental nesse momento crítico que o país atravessa para continuarmos nossa labuta diária para trazer informação de qualidade e independência.

Apoie o Antropofagista com qualquer valor acima de R$ 1,00

Caixa Econômica
Agência 0197
Operação 1288
Poupança: 772850953-6
Arlinda Celeste Alves da Silveira
CPF: 450. 139.937-68
PIX: 45013993768

Agradecemos imensamente a sua contribuição

Categorias
Política

Lula vai receber em Paris, o Prêmio Coragem Política 2021

O ex-presidente Lula receberá em Paris, na França, em 17 de novembro, o Prêmio Coragem Política 2021. O petista foi selecionado pela revista Politique Internationale para ser premiado.

De acordo com a publicação, Lula receberá o prêmio como reconhecimento por sua gestão na Presidência do Brasil entre 2003 e 2011, “marcada pelo desejo de promover a igualdade racial e social em seu país”. A revista ainda ressalta que durante os governos Lula, 30 milhões de brasileiros saíram da pobreza.

Outro motivo para a premiação é a perseguição política sofrida pelo ex-mandatário por meio da Lava Jato. A revista enfatiza “a tenacidade [resistência] exemplar que [Lula] demonstrou perante as perseguições políticas e judiciais de que foi alvo — esforços recompensados com a decisão do Supremo Tribunal Federal de anular as suas condenações”.

A Politique Internationale diz que Lula agora “volta a encarnar a esperança aos olhos de uma grande maioria dos seus compatriotas, decepcionados com a gestão de Bolsonaro”. O ex-presidente, de acordo com pesquisas, é o favorito para vencer as eleições de 2022.

O Prêmio Coragem Política é distribuído pela revista desde 1981, sempre que reconhecem em alguma personalidade as qualidades necessárias a uma liderança. A premiação já foi concedida ao papa João Paulo II e aos prêmio Nobel da Paz Anouar el Sadate, ex-presidente do Egito, e Frederik De Klerk, ex-presidente da África do Sul.

*Com informações do 247

Caros Leitores, precisamos de um pouco mais de sua atenção

Nossos apoiadores estão sendo fundamentais para seguirmos nosso trabalho. Leitores, na medida de suas possibilidades, têm contribuído de forma decisiva para isso. Agradecemos aos que formam essa comunidade e convidamos todos que possam a fortalecer essa corrente progressista. Seu apoio é fundamental nesse momento crítico que o país atravessa para continuarmos nossa labuta diária para trazer informação de qualidade e independência.

Apoie o Antropofagista com qualquer valor acima de R$ 1,00

Caixa Econômica
Agência 0197
Operação 1288
Poupança: 772850953-6
Arlinda Celeste Alves da Silveira
CPF: 450. 139.937-68
PIX: 45013993768

Agradecemos imensamente a sua contribuição

Categorias
Política

Vídeo: Jeca, Bolsonaro confunde John Kerry com Jim Carrey

O presidente Jair Bolsonaro confundiu ontem, em fala a jornalistas na Itália, o nome do enviado especial dos Estados Unidos para questões climáticas, John Kerry, com o ator e humorista Jim Carrey.

O presidente estava em Anguillara Veneta, no norte do país, e falava de encontros que teve com autoridades. “Sim, conversei com o Jim Carrey também, alguma coisa reservada. Desculpa, não posso falar com vocês”, disse. A gafe se espalhou pelas redes sociais na noite de ontem e ficou entre os trending topics do Twitter.

*Com informações do Uol

Caros Leitores, precisamos de um pouco mais de sua atenção

Nossos apoiadores estão sendo fundamentais para seguirmos nosso trabalho. Leitores, na medida de suas possibilidades, têm contribuído de forma decisiva para isso. Agradecemos aos que formam essa comunidade e convidamos todos que possam a fortalecer essa corrente progressista. Seu apoio é fundamental nesse momento crítico que o país atravessa para continuarmos nossa labuta diária para trazer informação de qualidade e independência.

Apoie o Antropofagista com qualquer valor acima de R$ 1,00

Caixa Econômica
Agência 0197
Operação 1288
Poupança: 772850953-6
Arlinda Celeste Alves da Silveira
CPF: 450. 139.937-68
PIX: 45013993768

Agradecemos imensamente a sua contribuição

Categorias
Política

Rejeitado: Protestos contra Bolsonaro aconteceram em sua visita a memorial de pracinhas mortos na Itália

Grupos ligados a partidos de esquerda planejam realizar uma cerimônia de comemoração separada para evitar ter que compartilhar o momento com o líder da extrema direita italiana, Matteo Salvini, e Jair Bolsonaro.

Reuters – O presidente Jair Bolsonaro foi recebido por manifestantes quando visitou a cidade italiana de Pistoia na terça-feira para homenagear um memorial de guerra dedicado aos soldados brasileiros mortos na Segunda Guerra Mundial.

O líder de direita, que participou da cúpula do G20 em Roma no último fim de semana, foi criticado pelo aumento do desmatamento na Amazônia sob seu governo e por sua gestão da pandemia Covid-19. Seus oponentes também o acusam de comportamento ditatorial.

Um pequeno grupo de simpatizantes deu as boas-vindas a Bolsonaro no monumento, enquanto cerca de 300 pessoas se reuniram no centro de Pistoia para protestar contra ele.

O líder direitista italiano Matteo Salvini disse lamentar as ações dos manifestantes.

“Honrar aqueles que morreram deveria estar fora do debate político”, disse Salvini.

A Força Expedicionária Brasileira lutou com as Forças Aliadas de 1944 a 1945, principalmente na Itália, único país sul-americano a participar da Segunda Guerra Mundial. Cerca de 950 militares brasileiros foram mortos.

Os confrontos entre a polícia e os manifestantes também ocorreram na segunda-feira na cidade de Pádua, pouco antes de Bolsonaro visitar a basílica da cidade, com canhões de água usados ​​para interromper a manifestação.

Anteriormente, Bolsonaro havia recebido a cidadania honorária na vizinha Anguillara Veneta, a cidade natal de alguns de seus ancestrais.

*Com informações do 247

Caros Leitores, precisamos de um pouco mais de sua atenção

Nossos apoiadores estão sendo fundamentais para seguirmos nosso trabalho. Leitores, na medida de suas possibilidades, têm contribuído de forma decisiva para isso. Agradecemos aos que formam essa comunidade e convidamos todos que possam a fortalecer essa corrente progressista. Seu apoio é fundamental nesse momento crítico que o país atravessa para continuarmos nossa labuta diária para trazer informação de qualidade e independência.

Apoie o Antropofagista com qualquer valor acima de R$ 1,00

Caixa Econômica
Agência 0197
Operação 1288
Poupança: 772850953-6
Arlinda Celeste Alves da Silveira
CPF: 450. 139.937-68
PIX: 45013993768

Agradecemos imensamente a sua contribuição

Categorias
Política

Cercado por uma crise econômica sem precedentes, Bolsonaro está mais sem rumo no Planalto do que no G20

A mídia pouco falou, mas além de totalmente isolado no encontro do G20, Bolsonaro estava completamente tomado por uma preocupação, que é a crise econômica inédita provocada por seu governo, que soma inflação com recessão, desemprego com miséria e as duas pontas que mais divergem, a riqueza dos banqueiros e a miséria de grande parcela da população. São essas as questões que estão puxando a corda de seu cadafalso político.

Se Bolsonaro ceder à pressão dos bancos e financistas que não querem sequer ouvir falar em mudança de regras na Petrobras e no teto de gastos estará morto, porque do outro lado há uma nação de mais de 20 milhões de famintos, um número sem fim de desempregados e um horizonte para economia, em pleno ano eleitoral, muito pior do que nos dias atuais.

Para um sujeito que tem um cérebro do tamanho de um caroço de mostarda, não há saída. Mas o nó tático que o próprio Paulo Guedes deu nele, somado à herança deixada por Temer, como o teto de gastos e a dolarização do preço dos combustíveis e, consequentemente, a dolarização de toda a economia, sobretudo dos alimentos, até o idiota do Bolsonaro sabe que, a cada aumento dos combustíveis, automaticamente a inflação dispara e, diga-se de passagem, uma inflação que está totalmente descontrolada. O que, além de afetar os miseráveis, produz ainda mais pobreza, miséria e, por consequência, fome.

Mas sem os votos das camadas mais pobres da população, justamente as mais afetadas por seu governo, nem para o segundo turno ele vai, sai do primeiro direto para a cadeia junto com uma rabiola de filhos bandidos, também conhecidos como clã Bolsonaro.

Então, como resolver essa equação já que Bolsonaro não tem qualquer lastro no grosso da sociedade e que, se contrariar os interesses dos abutres, vira peru e morre de véspera antes mesmo do primeiro turno.

Daí, seu desespero.

 

Caros Leitores, precisamos de um pouco mais de sua atenção

Nossos apoiadores estão sendo fundamentais para seguirmos nosso trabalho. Leitores, na medida de suas possibilidades, têm contribuído de forma decisiva para isso. Agradecemos aos que formam essa comunidade e convidamos todos que possam a fortalecer essa corrente progressista. Seu apoio é fundamental nesse momento crítico que o país atravessa para continuarmos nossa labuta diária para trazer informação de qualidade e independência.

Apoie o Antropofagista com qualquer valor acima de R$ 1,00

Caixa Econômica
Agência 0197
Operação 1288
Poupança: 772850953-6
Arlinda Celeste Alves da Silveira
CPF: 450. 139.937-68
PIX: 45013993768

Agradecemos imensamente a sua contribuição

Categorias
Política

CPI diz ao STF que pediu suspensão de Bolsonaro das redes porque é o filho Carlos que comanda contas do pai

Comissão refuta ideia de que Jair Bolsonaro teria imunidade.

A CPI da Pandemia usou o argumento de que Carlos Bolsonaro é o responsável pelas redes sociais de Jair Bolsonaro ao defender a suspensão das redes do presidente em manifestação enviada nesta segunda-feira (1/11) ao STF. Para o comando do colegiado, isso derrubaria a tese do governo de que Jair Bolsonaro tem imunidade.

“É de conhecimento público, ademais, que o responsável pelas redes sociais do impetrado é seu filho Carlos Bolsonaro, o que afasta a alegada violação de imunidade do Presidente da República”, disse a comissão.

As declarações foram enviadas ao STF, após Alexandre de Moraes cobrar explicações da CPI pela ação que pede o banimento do presidente Bolsonaro das redes sociais.

Na manifestação, a CPI afirma que as investigações são sobre órgãos públicos informais, ou seja, as redes sociais de Bolsonaro.

Para a comissão, as redes do presidente são “alimentadas e geridas com recursos públicos federais, sendo certo que o Presidente da República, ele mesmo, sequer acessa as referidas plataformas, mas assessores do Poder Executivo”.

A CPI ainda diz que há uma confusão entre o público e o privado e menciona decisão do TSE que considerou comprovado o uso ilegal de mídias sociais pelo impetrante no contexto das eleições de 2018.

O maior temor de Jair Bolsonaro em relação a sua competitividade em 2022 é ser banido de alguma das principais redes sociais brasileiras, Facebook, Instagram e Twitter. Por isso, na semana passada, este foi o ponto do relatório da CPI que primeiro mobilizou sua equipe jurídica.

*Com informações do Metrópoles

Caros Leitores, precisamos de um pouco mais de sua atenção

Nossos apoiadores estão sendo fundamentais para seguirmos nosso trabalho. Leitores, na medida de suas possibilidades, têm contribuído de forma decisiva para isso. Agradecemos aos que formam essa comunidade e convidamos todos que possam a fortalecer essa corrente progressista. Seu apoio é fundamental nesse momento crítico que o país atravessa para continuarmos nossa labuta diária para trazer informação de qualidade e independência.

Apoie o Antropofagista com qualquer valor acima de R$ 1,00

Caixa Econômica
Agência 0197
Operação 1288
Poupança: 772850953-6
Arlinda Celeste Alves da Silveira
CPF: 450. 139.937-68
PIX: 45013993768

Agradecemos imensamente a sua contribuição

Categorias
Política

O papel da mídia na construção do “antipetismo”

Se pegarmos a declaração do banqueiro André Esteves comemorando que Dilma sofreu um golpe em 2016 como Jango em 1964, a única coisa que se pode discordar é que Dilma, já em 2014, no mesmo dia da vitória que lhe proporcionou a reeleição, começou a ser vítima da mais infame e cruel campanha contra uma mulher nesse país.

Mas não só isso. Havia, como há, muito de misoginia nos ataques à Dilma, mas sobretudo, como a própria disse, os ataques tinham o objetivo de atingir o projeto político e a intenção de jogar ao chão e, se possível, passar do chão, todos os avanços adquiridos pela sociedade durante os governos do PT.

Não foi sem motivos que a mídia, silenciosamente, comemorou o fim dos programas, Mais Médicos, Minha Casa Minha Vida e, agora, o Bolsa Família. Todas essas notícias foram dadas no rodapé em um canto qualquer dos jornalões.

Para entender melhor isso, é preciso restabelecer a verdade, e a verdade é que jamais o PSDB, que é, mesmo falido, o grande representante da direita mais agressiva do Brasil e, por isso, serrou fileiras com Bolsonaro na hora de decidir entre o fascismo e a democracia, expondo bem o seu caráter tão fascista quanto Bolsonaro, com um adendo, um caráter mais ardiloso, frio e calculista.

O PSDB criou no Brasil o fascismo cordial, o golpismo democrático, a bandalha de salão, o racismo chique e a ignorância culta.

Dito isso, vamos a um exemplo prático do começo dessa onda antipetista na mídia. Era o início do governo Lula e os tucanos estavam mais do que atônitos, afônicos, apopléticos, sem saber como fazer oposição ao governo Lula. Isso provocava baforadas de ódio na mídia, que todos sabem, é hegemonicamente tucana até hoje.

Pois bem, bastou uma entrevista de José Dirceu ao programa Canal Livre, na Band, expondo um projeto de país que o PT tentaria alcançar com metas extremamente ousadas do ponto de vista econômico e social, para o rebuliço e  gritaria se transformar na vedete em garrafais dos jornalões, “o PT tem um projeto de poder”.

Esse era o crime que os ouvidos do colunismo de banco que, consequentemente é o mesmo do PSDB, quis colocar na cruz e se aparvalhou com ar de quem estava protegendo a democracia contra o tal “projeto de poder”, segundo a mídia, criminoso que o PT pretendia manter para construir uma hegemonia de esquerda no Brasil.

O tempo que Dirceu havia se referido, era de 20 anos para zerar o deficit habitacional no país, erradicar a fome, a miséria e a evasão escolar, mas principalmente, com um projeto de soberania nacional que daria ao Brasil condições de concretizar o sonho de redução da desigualdade e, por consequência, a segregação social que o país vivia até então.

O frenesi na mídia foi instantâneo, quase automático. A cara dos entrevistadores denunciava isso, sobretudo a de Mitre.

No dia seguinte, começa uma campanha antipetista totalmente inócua a partir desse tal projeto de poder do PT.

Então, vem as perguntas, qual partido no planeta não tem um projeto de poder? Há quantas décadas os tucanos governam o estado de São Paulo produzindo a trágica marca de capital da América Latina com maior número de moradores de rua?

Alguém já viu ao menos um mísero comentário sapecado na mídia sobre o tucanistão eternizado na maior cidade do país e aonde se concentra o grosso do PIB nacional?

Se não tivéssemos uma mídia controlada por meia dúzia de famílias da oligarquia, a própria pluralidade das redações trataria essa tentativa de sentenciar um projeto de poder como criminoso, como uma comediazinha de algum chefe de redação que quis agradar o patrão.

E foi assim que, sorrateiramente, confabulando silenciosamente com os próprios políticos do PSDB, que a mídia iniciou, a partir dos descaminhos do que se espera de uma imprensa séria, a campanha mais sórdida de ódio não só contra o PT, mas contra os programas sociais, contra os pobres, contra as empregadas domésticas, contra os negros e, claro, contra o Bolsa Família que reduziu drasticamente a miséria e a fome no Brasil, erradicando a mortalidade infantil.

O fato é que a mídia tucana não se conforma de ver que o povo brasileiro fechou a porta na cara dos tucanos depois do desastre hecatômbico dos oito anos de governo FHC , porque a própria mídia vende o projeto tucano que hoje é seguido por Paulo Guedes e os tecnocratas neoliberais que colapsaram a economia brasileira e está custando caríssimo para a mesa dos brasileiros, sobretudo para os mais pobres, enquanto os banqueiros nunca viram tanto lucro e puderam roubar tanto os seus próprios correntistas com taxas de serviços pornográficos.

Mas não se enganem, a mídia apoiará em 2022 qualquer candidato contra Lula, inclusive Bolsonaro. Lula voltando ao poder, a mídia repetirá a mesma tática de ataques ao Partido dos Trabalhadores e seu projeto voltado para as camadas mais pobres da população.

Isso exigirá de todos os que têm um mínimo de decência uma tenacidade vigilante para que as respostas da sociedade contra esse jogo sórdido da mídia se transforme numa onda que sobreponha a dos barões da comunicação, carregada de falsidade e interesses não confessáveis.

Caros Leitores, precisamos de um pouco mais de sua atenção

Nossos apoiadores estão sendo fundamentais para seguirmos nosso trabalho. Leitores, na medida de suas possibilidades, têm contribuído de forma decisiva para isso. Agradecemos aos que formam essa comunidade e convidamos todos que possam a fortalecer essa corrente progressista. Seu apoio é fundamental nesse momento crítico que o país atravessa para continuarmos nossa labuta diária para trazer informação de qualidade e independência.

Apoie o Antropofagista com qualquer valor acima de R$ 1,00

Caixa Econômica
Agência 0197
Operação 1288
Poupança: 772850953-6
Arlinda Celeste Alves da Silveira
CPF: 450. 139.937-68
PIX: 45013993768

Agradecemos imensamente a sua contribuição

Categorias
Política

O que o nulo e isolado Bolsonaro arrumou no encontro do G20 na Itália?

Assinou um único acordo? Não!

De que reunião importante ele participou? Zero, nenhuma!

Soltou fakes em entrevistas? muitas!

Foi desprezado e isolado por todos os líderes relevantes do mundo? Sim, e como foi!

Trocando em miúdos, Bolsonaro foi ao G20 passar vergonha e gastar muita grana dos cofres públicos com uma penca de aspones que ainda agrediram repórteres brasileiros.

Pragmaticamente falando, foi isso. Não teve qualquer validade a viagem de Bolsonaro à Itália tanto na área política quanto na comercial, não houve êxito prático que fará filosófico.

Ninguém esperava um Bolsonaro no G20 agindo de forma objetiva com ações concretas e eficazes. Os chefes de Estado dos mais importantes países do mundo no G20 trataram Bolsonaro pelo seu real tamanho. Um nada.

Como definiu muitíssimo bem o jornalista Jamil Chade, do Uol: “Num canto daquela sala em Roma, não era um homem que parecia isolado. Mas um país que tinha perdido seu lugar no mundo”.

 

Caros Leitores, precisamos de um pouco mais de sua atenção

Nossos apoiadores estão sendo fundamentais para seguirmos nosso trabalho. Leitores, na medida de suas possibilidades, têm contribuído de forma decisiva para isso. Agradecemos aos que formam essa comunidade e convidamos todos que possam a fortalecer essa corrente progressista. Seu apoio é fundamental nesse momento crítico que o país atravessa para continuarmos nossa labuta diária para trazer informação de qualidade e independência.

Apoie o Antropofagista com qualquer valor acima de R$ 1,00

Caixa Econômica
Agência 0197
Operação 1288
Poupança: 772850953-6
Arlinda Celeste Alves da Silveira
CPF: 450. 139.937-68
PIX: 45013993768

Agradecemos imensamente a sua contribuição

Categorias
Política

Na comitiva presidencial de Bolsonaro foram encontrados 39kg de cocaína, e é Lula que teve ligação com o narcotráfico?

Um episódio até hoje não explicado que, aliás, não foi sequer comentado por Bolsonaro ou por qualquer um do clã. É como se a polícia espanhola não tivesse encontrado os 39 kg de pasta de cocaína no avião da FAB, na comitiva presidencial de Bolsonaro a caminho do Japão.

Ninguém do governo Bolsonaro deu um pio sobre o fato. É um daqueles grandes mistérios do tipo de Ronnie Lessa, o assassino de Marielle e vizinho de Bolsonaro. O sujeito morava na mesma rua, a 50 metros da casa dele e era um dos maiores traficantes de fuzis do país, além de ser amigo de Adriano da Nóbrega, do escritório do crime, aquele que foi morto na Bahia porque supostamente teria reagido. Mas Bolsonaro disse que nunca ouviu falar de Ronnie Lessa, mesmo que ele tenha mandado Flávio condecorar o seu amigo Adriano da Nóbrega dentro da cadeia, que era chamado de patrãozão em Rio das Pedras.

Sem falar da história do porteiro do Vivendas da Barra que, em depoimento à Polícia Civil e Ministério Público do Rio, disse que a ordem dada para a entrada de Élcio de Queiroz, comparsa de Lessa, no dia do crime de Marielle, partiu do Seu Jair da famosa casa 58, e mais à frente, o então ministro Sergio Moro foi lá e arrancou outro depoimento do porteiro contradizendo o primeiro.

Dá até vontade de gargalhar quando Bolsonaro acusa Lula de envolvimento com o narcotráfico. Não demora, vai dizer que Lula forjou uma facada para vencer a eleição de 2002.

Caros Leitores, precisamos de um pouco mais de sua atenção

Nossos apoiadores estão sendo fundamentais para seguirmos nosso trabalho. Leitores, na medida de suas possibilidades, têm contribuído de forma decisiva para isso. Agradecemos aos que formam essa comunidade e convidamos todos que possam a fortalecer essa corrente progressista. Seu apoio é fundamental nesse momento crítico que o país atravessa para continuarmos nossa labuta diária para trazer informação de qualidade e independência.

Apoie o Antropofagista com qualquer valor acima de R$ 1,00

Caixa Econômica
Agência 0197
Operação 1288
Poupança: 772850953-6
Arlinda Celeste Alves da Silveira
CPF: 450. 139.937-68
PIX: 45013993768

Agradecemos imensamente a sua contribuição

Categorias
Política

Dilma: Minha calculadora não inclui o lucro de curto prazo de banqueiros como André Esteves

“Finório”. É este adjetivo, da época da República Velha e que também significa ladino, espertalhão, malandro, que a ex-presidente Dilma Rousseff utiliza para se referir ao banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual, que, num áudio vazado pela TV 247 no último domingo, revelou, com a mais absoluta naturalidade, como influi na Câmara dos Deputados, como “educa” ministros do Supremo Tribunal Federal e como recebe informações privilegiadas do Banco Central, na mais absoluta certeza da impunidade, diante de uma plateia de “futuros líderes empresariais”. Neste áudio, Esteves se referiu de forma jocosa à ex-presidente, dizendo que “Dilma perdeu a calculadora”. Em resposta, Dilma, que fez com que o Brasil alcançasse a menor taxa de desemprego da história recente do País, rebateu dizendo que sua calculadora não inclui os lucros de curto prazo de banqueiros como André Esteves, nem a fome e nem a miséria. De fato, desde o golpe de 2016, apoiado por empresários como o dono do BTG Pactual, o Brasil vem tendo suas riquezas saqueadas, num processo de rapinagem sem precedentes, e praticamente todos indicadores econômicos e sociais têm piorado, neste período em que o País vem sendo governado pelas calculadoras da Faria Lima. Confira, abaixo, a íntegra da entrevista de Dilma ao 247:

247 – Na semana passada, o Brasil 247 publicou um áudio que vazou de uma reunião feita por um empresário bastante influente no Brasil, um banqueiro chamado André Esteves. Ele faz quase que um striptease, com muita sinceridade, e compara 2016 com 1964. Este foi um elemento que chamou muito minha atenção, quase como uma confissão de que a sra sofreu um golpe de estado, financiado pela chamada Faria Lima. Queria pedir uma reflexão sobre isto. O que significa esta comparação entre 1964 e 2016?

Dilma Rousseff – Pelo que eu vi, ele faz a comparação dizendo que nos dois casos foi golpe. Esta é a primeira constatação. Mas o segundo passo no raciocínio é dizer que nos dois casos não houve grandes consequências. “As crianças foram para a escola no dia seguinte”, diz ele. É uma visão bastante restrita dos dois acontecimentos. No golpe de 64 houve uma ruptura das instituições. Fecharam o Congresso Nacional, os militares cassaram, inclusive ministros do poder judiciário, houve invasão de residências… No desdobramento, houve tortura, exílios e mortes de opositores ao regime. Foram 21 anos desse regime de exceção. Para o golpe, a oligarquia brasileira se uniu aos Estados Unidos, que agiu por meio da Operação Brother Sam, para destituir um governo legitimamente eleito, o de João Goulart, que propunha algumas reformas fundamentais para que este país não fosse tão desigual. Este é o quadro geral do golpe de 64. Em 2016 houve um outro golpe. E este golpe também tem suas vítimas. Hoje, são 20 milhões de brasileiros passando fome no Brasil, um dos países com maior potencial na área de produção de alimentos e proteínas. Tínhamos saído em 2014 do mapa da fome da ONU, agora essa volta vergonhosa à fome e à miséria. Além disso, temos um nível de desemprego nunca antes visto. E a prática deliberada de uma política de preços abusivos com o objetivo de criar um clima que levaria a privatizar a Petrobrás. O absurdo é atrelar o preço dos combustíveis nacionais ao mercado internacional, atrelar os preços internos às variações do especulativo mercado de ativos financeiros de petróleo. Está criada uma situação dramática para as pessoas, que na sua quase totalidade dependem do gás de cozinha para cozinhar no dia a dia. O gás de cozinha que já passou de R$ 110 o botijão, e aqui no Sul já chegou a R$ 120. Durante meu governo, a gasolina custava R$ 2,48 a R$ 2,50, algo assim. E houve protestos nos postos, dizendo que aquele preço era um absurdo. Hoje, a gasolina já passou de R$ 7,77 e está chegando a R$ 8 o litro. É um descalabro com as vítimas de sempre: a esmagadora maioria da população. As vítimas são os trabalhadores, os pobres, os pretos, as mulheres, as crianças… Embora reconheça que 1964 e 2016 foram golpes, o representante da Faria Lima comete um equívoco absoluto: ele não fala das vítimas. Para ele, as vítimas não são importantes. A maioria do povo brasileiro não é importante. Nisto, mostra algo gravíssimo: a rigorosa falta de sensibilidade da elite. Uma visão de distribuir apenas as migalhas. Segundo eles, não precisa reduzir a desigualdade, basta dar um auxílio, de R$ 400, e isso está muito bom. Com isto eles acham que evitam a revolta e o clamor popular. É uma visão estereotipada. É a visão restrita do financista. Isto está claro em todos os momentos daquela fala a que você se refere. É a visão de que “a única coisa que importa é o lucro”. E quanto mais este lucro for obtido num horizonte de curto prazo, melhor. Esta visão mostra a apropriação do público pelo privado. Segundo ela, o estado tem de ser utilizado em benefício dessa elite insensível e ignorante.

247 – Este é um dos pontos mais importantes da fala, e toca numa questão central, que é a independência do Banco Central…

Dilma Rousseff – E o ‘centrão’? Você esqueceu. São duas coisas que mostram a apropriação do público pelo privado.

247 – Exatamente. A gente destaca nesta fala a relação com o Arthur Lira, em que ele pretende de alguma maneira aconselhar o presidente da Câmara dos Deputados. Sugere que, de alguma forma, influi na agenda econômica do Congresso Nacional, e ao mesmo tempo revela que o presidente do Banco Central se aconselha com o financista sobre a taxa de juro. Qual é o significado destas duas revelações feitas pelo banqueiro?

Dilma Rousseff – Em todos os lugares do mundo em que há independência do Banco Central, o Banco Central depende do setor financeiro privado, em maior ou menor grau. Aqui no Brasil, não apenas em ‘algum’ grau. Aqui no Brasil, a independência do Banco Central significa que ele abre mão do controle público e social e passa a ser controlado pelo mercado. Isto está claramente evidenciado, quando se descobre que um presidente do Banco Central do Brasil telefona para uma pessoa que vive da especulação e da aposta no lucro fácil e pergunta a ele qual deve ser a taxa mínima de juros. A informação é pedida a quem pode influir sobre esta decisão para auferir ganhos. É certamente uma distorção que alguém que tem interesse privado preste um conselho privado a um funcionário público que sabe que o informante privado pode e quer obter lucro com ela. E este diálogo foi restrito, fora da agenda, sem transparência e controle social. No escurinho. Se uma fala dessas vazasse nos Estados Unidos, na Alemanha, no Reino Unido ou no Japão, ainda que sejam países com BC independente, qual você acha que seria a consequência para a autoridade que teve este tipo de conversa restrita, não transparente, com um operador de mercado interessado? Não é possível que um presidente do Banco Central telefone pra alguém privadamente e pergunte qual deve ser a taxa básica de juros. Como vamos saber se ele telefonou para alguém mais? Como vamos saber se essa conversa foi tão republicana a ponto de não ter exercido influência sobre o aumento da Selic? Está claro que o objetivo desta conversa, pelo desdobrar das afirmações feitas na palestra, é que queriam e querem aumentar a Selic. E quem sabe pra onde a Selic vai, pode fazer as devidas apostas escusas, porque tem informações privilegiadas.

247 – Não só a taxa de juros, mas a taxa de câmbio, vários ativos…

Dilma Rousseff – Qualquer ativo. Mas tem outra coisa gravíssima, que é o envolvimento com o Supremo. É a história de “educar” o Supremo. A história de que “ninguém nasce sabendo”, exceto os banqueiros, na provável opinião do palestrante. “Educar” o Supremo é algo de uma pretensão absurda. Eu não acredito que qualquer país democrático aceite esse tipo de relação entre um representante do mercado e a Corte Suprema. E se ele alegou aos ministros que a independência do Banco Central se justifica porque na Venezuela e na Argentina o Banco Central é dependente, ele esqueceu de lembrar aos ministros um país em que o Banco Central também é dependente: a China. O Banco Central da China não é de maneira alguma independente do governo chinês. Quer dizer: a segunda economia do mundo, que virará a primeira economia do mundo, antes de 2030, como ele mesmo reconhece, e que construiu um desenvolvimento que lhe deu autonomia e independência e fortaleceu a sua soberania, saindo da condição de um país agrário para uma das maiores potências na área de ciência e tecnologia, controlando inteligência artificial, internet das coisas, rede 5G, este país não tem Banco Central independente. Não se pode reduzir esta questão, muito menos numa conversa com o STF. Se foi isso que convenceu algum dos oito votos a favor da independência do BC brasileiro, é lamentável. É algo tristíssimo.

247 – Ele quis se mostrar como um espertalhão.

Dilma Rousseff – Na verdade, um finório, sinônimo antigo de espertalhão, que se usava no segundo Império e na República Velha, para definir um espertalhão banal, da elite escravista.

247 – E ele atuou como um agente interessado na captura do Banco Central.

Dilma Rousseff – Não só interessado, mas operando de todas as formas para fazer esta captura. Estão privatizando o estado brasileiro. E ao falar disso, quero entrar na questão do ‘centrão’. Estão esquartejando a Petrobras, liquidando a Eletrobras, tentando privatizar os Correios. Isto é muito grave, mas eles querem ainda mais. Estão privatizando o orçamento público. Isto se percebe nas loas que o palestrante finório tece ao centrão. O fato é que o chamado centrão capturou o orçamento público. O orçamento público brasileiro não é mais gerido e controlado pelo poder público. O presidencialismo no Brasil está incapacitado, pois perdeu suas duas pernas, que estão relacionadas ao controle do dinheiro público. O centrão, a partir das emendas de relator, do orçamento secreto e de outros mecanismos disponibiliza bilhões de reais para controle de indivíduos. Deve ficar claro que o parlamentarismo não funciona ou opera assim. No parlamentarismo, não se transfere para deputados individualmente a gestão orçamentária. Há um gabinete que faz a gestão orçamentária. No parlamentarismo europeu também não é assim. Não são os deputados, individualmente, que fazem a gestão do Orçamento, de forma fisiológica, particularista e individualizada. Mas aqui no Brasil chegamos a uma forma de privatização do estado em que a característica principal é o velho clientelismo, a velha política fisiológica. O centrão está praticando a forma predatória da visão financeira de extração de vantagens, de ganhos e por isso é elogiado por financistas e especuladores que compartilham a mesma visão sobre o Estado. O público passou a ser privado no pior sentido da palavra.

247 – O centrão representaria uma espécie de mercantilização da política?

Dilma Rousseff – Orçamento capturado, Banco Central capturado, e a receita é sempre a mesma: privatizar os recursos e as finanças públicas. Para tanto, maior presença do centrão. Fica claro porque o palestrante considera uma garantia a presença no BC, por 2 anos, do próximo mandato do presidente Lula e também de alguém do centrão na vice-presidência, para o caso de impeachment. Operam na mesma sintonia. A mercantilização da política pelo centrão, como você chamou, é a forma de interação com o BC. Se há corrupção no Brasil, esta é uma das maiores. É a corrupção aberta e autorizada. Um país em que o orçamento e a política econômica está nas mãos privadas, de indivíduos com interesses escusos e não republicanos, não tem futuro porque não tem governabilidade.

247 – Lula seria um presidente decorativo, quase.

Dilma Rousseff – Eu não acredito que nenhum presidente, neste quadro, consiga governar efetivamente o país, por melhor que ele seja. O Lula é de fato um grande presidente, mas isto é uma situação inaceitável.

247 – Ele praticamente reconheceu o golpe de 2016. Como quem diz assim: era necessário, fomos lá, fizemos, as crianças foram para a escola…

247 – Ele praticamente reconheceu o golpe de 2016. Como quem diz assim: era necessário, fomos lá, fizemos, as crianças foram para a escola…

Dilma Rousseff – Isto foi um fugaz momento de lucidez. Nos dois casos há uma ruptura. Foram dois momentos de ruptura do desenvolvimentismo e da democracia. Tanto em 1964 quanto em 2016 romperam-se a democracia e o desenvolvimento do país. Rompeu-se a redução da desigualdade. Rompeu-se uma política externa independente. Rompeu-se a produção de ciência, tecnologia e inovação. E é aí que entra aquela história da calculadora, que ele diz que eu perdi. Não perdi. É que a minha calculadora e diferente. É óbvio que a minha calculadora não tem o foco no lucro de curto prazo que beneficie os banqueiros, mesmo os pequenos, como ele.

247 – Ele fala, em outras palavras que, como a Dilma perdeu a calculadora, tivemos que dar o golpe de estado.

Dilma Rousseff – Na visão desse pessoal, eu perdi a calculadora quando ampliei o Bolsa Família, ampliei o Minha Casa Minha Vida, criei o Mais Médicos, investi em infraestrutura, tanto em aeroportos como portos, ferrovias e rodovias. Eu perdi a calculadora quando não vi razão para a taxa de juros exorbitante que era praticada no Brasil. É ali que começa o golpe, quando, como ele diz, ‘endoideci’, porque o que fiz foi ousar perguntar porque a taxa de juros no Brasil tinha um patamar tão elevado. Era o momento em que o mundo, diante da crise, estava praticando taxas próximas de zero, até para poder facilitar a rolagem das dívidas que foram produzidas pela quebra do Lehman Brothers e a disrupção financeira que ocorreu. O que eles não gostavam na minha calculadora é o que não gostavam na calculadora do Lula: o compromisso social, o compromisso com 80% da população brasileira. Este compromisso não é aceitável para eles. Este número não pode entrar no cálculo. Nós somos 220 milhões, e eles querem que só 1% entre no cálculo. O resto, fora da calculadora!

247 – Queria avançar num ponto. Estes economistas que falam como porta-vozes da razão econômica, a calculadora deles têm gasolina a R$ 7, inflação no dobro da meta, dívida explodindo…

Dilma Rousseff – Você esqueceu o gás a R$ 120…

247 – Que calculadora é esta que é tão boa, só Bovespa?

Dilma Rousseff – Lembremos dos 20 milhões de pessoas passando fome, 114 milhões com algum nível de insegurança alimentar, incluindo os 20 milhões que não têm nada para comer. Lembremos também da forma como a pandemia foi tratada. A pandemia só teve um nível contenção no país por causa do Sistema Único de Saúde, que eles queriam privatizar. O SUS estava sendo sucateado, porque nós temos um presidente negacionista. Poderíamos ter tido muito menos mortes. Os mais de 600 mil mortos são produto da calculadora deles. A visão de que a economia importa e a saúde não importa é a visão da calculadora deles.

247 – Qual é a responsabilidade do Bolsonaro e qual é a responsabilidade dos seus patrocinadores, como esse jovem banqueiro?

Dilma Rousseff – O golpe de 2016 abre caminho para um neoliberalismo dos mais radicais. O neoliberalismo começa lá no Temer. Não começa no Bolsonaro. Vamos lembrar: teto dos gastos, reforma trabalhista, todo esse projeto começa no Temer. Além disso, nos últimos anos estamos vivendo uma situação dramática também porque a direita – o que ele chama de centro na verdade é a direita – cometeu um equívoco, e a centro-direita também: eles deram um tiro no pé, se inviabilizaram politicamente e não tiveram condições de construir uma oposição democrática ao PT. Infelizmente, em 2018 o candidato deles teve 4% dos votos. Eu falo infelizmente porque era bom que a gente tivesse uma oposição mais qualificada. Mas como ela se bandeou pro neoliberalismo golpista, eles deixaram o campo aberto para a extrema direita. E aí surge o Bolsonaro, que é quem dá substrato de massas para a elite neoliberal. Por isso, o centro desapareceu. Desapareceu porque virou golpista. Deixou de existir um centro democrático, como tivemos no passado, com Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Franco Montoro, Mário Covas. Diante disso, a interconexão entre os neoliberais e o neofascismo é responsável pelo que estamos passando. Quem dá substrato ao neofascismo é o neoliberalismo. E o setor financeiro não tem projeto nenhum para o Brasil. Nem projeto, nem futuro, nem esperança. Na fala deles só tem o “eu gosto de levar vantagem em tudo”. Esta frase é a síntese do que eles são.

247 – Quando a sra fala em 4% na eleição está falando do PSDB. Ele, quando fala do Eduardo Leite e do Dória, sinaliza suposta preferência pelo PSDB, mas diz o seguinte: se o Bolsonaro ficar calado, ele ganha. E objetivamente, o Bolsonaro começou a se calar depois do 7 de setembro. Na sua opinião, o Bolsonaro é o Plano C ou o Plano B deste capital financeiro, que está disfarçando com este papinho de terceira via?

Dilma Rousseff – Lula para mim é o plano A do Brasil. Acho que Bolsonaro ainda é o Plano B, e eles anseiam por um Plano C. Mas eles não tiram a sustentação do Plano B. Eles anseiam por uma terceira via, mas ninguém é ingênuo de achar que no Brasil, hoje, um cara com traço nas pesquisas vai virar segundo colocado. É muito pouco provável. Não acho que nem o Dória nem o Leite são páreos para o Bolsonaro, ainda. Porque a base do Bolsonaro, os seus 25%, tem que migrar para eles, e para migrar tem que querer migrar.

247 – A opção Lula, digamos assim, domesticado pelo centrão, é uma opção viável para esta elite, ou ela vai fazer de tudo para evitar Lula, imaginando que Lula não seja domesticável?

Dilma Rousseff – Toda a estratégia pós-golpe de 2016 é construir as instituições e tomar medidas para que, se nós voltarmos, estaremos manietados. A primeira medida é o teto de gastos, a constitucionalização da austeridade fiscal no orçamento, que é um produto tupiniquim, e não me refiro aos índios, mas a uma elite branca que é herdeira da escravidão. É a constitucionalização do teto dos gastos que torna viável privatizar o orçamento. No outro lado, abre-se a brecha das emendas parlamentares e mecanismos congressuais que permitem fazer uso privado do dinheiro público. Não é possível achar que um parlamentar que recebe R$ 500 milhões do Governo aplique adequadamente. Ou o Estado tem suas instituições e elas são fortes a ponto de permitir que os governos governem, ou você tem uma captura do Estado. O teto dos gastos captura uma parte do estado, a independência do Banco Central captura outra parte. As emendas e o orçamento secreto capturam outra. O presidente fica, então, com as mãos amarradas. Isto significa que vai ser fundamental uma reforma institucional neste país. E pode começar pela reafirmação da constituição de 88, pois a barbárie é tanta que parece que até essa conquista de 23 anos atrás, se tornou revolucionaria.

247 – Uma última pergunta. O Brasil só piorou de cinco anos pra cá, vem afundando e a gente vai tendo gerações sem esperança. Se esses banqueiros da Faria Lima se depararem com a fome e com a miséria nas ruas, será que pode acontecer na vida deles um momento raro de consciência, um lampejo de sensibilidade…

Dilma Rousseff – Me desculpa, mas isto não é novo. O Brasil vem sendo desigual desde antes da escravidão. Eles são os herdeiros da escravidão. O povo ainda é visto como mercadoria, como coisa. Que lampejo de sensibilidade seria este? A sensibilidade real e efetiva nós percebemos logo de cara no governo Lula e desenvolvemos sempre: são projetos para o Brasil de 211 milhões, não podem ser projetos-piloto característicos dos governos neoliberais, para 10 mil pessoas, para 15 mil pessoas e com migalhas. Reitero: o projeto de desenvolvimento econômico e social do Brasil é para 211 milhões. Não funciona com lampejo. Só funciona se tiver projeto de desenvolvimento para o País.

247 – Eu imaginei do ponto de vista individual, se esses banqueiros um dia vão botar a mão na consciência…

Dilma Rousseff – A história do mundo não autoriza a gente a achar que isso é possível. Até hoje não foi assim que as coisas mudaram no mundo.

*Leonardo Attuch

Caros Leitores, precisamos de um pouco mais de sua atenção

Nossos apoiadores estão sendo fundamentais para seguirmos nosso trabalho. Leitores, na medida de suas possibilidades, têm contribuído de forma decisiva para isso. Agradecemos aos que formam essa comunidade e convidamos todos que possam a fortalecer essa corrente progressista. Seu apoio é fundamental nesse momento crítico que o país atravessa para continuarmos nossa labuta diária para trazer informação de qualidade e independência.

Apoie o Antropofagista com qualquer valor acima de R$ 1,00

Caixa Econômica
Agência 0197
Operação 1288
Poupança: 772850953-6
Arlinda Celeste Alves da Silveira
CPF: 450. 139.937-68
PIX: 45013993768

Agradecemos imensamente a sua contribuição