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Após ameaça de morte, Ricardo Miranda, testemunha da CPI, deixa o país

Servidor do Ministério da Saúde, Ricardo Miranda entrou para o programa de proteção da Polícia Federal.

O ex-chefe de importação do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, Luís Ricardo Miranda, teve que recorrer ao programa de proteção à testemunha da Polícia Federal após sofrer ameaças de morte. O ex-servidor do Ministério da Saúde denunciou na CPI da Covid um suposto esquema de propina na compra da vacina Covaxin.

De acordo com o irmão dele, o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), ele e a família saíram do país nesta quinta-feira (28/10).

“O Brasil não é como nos quadrinhos, onde o bem sempre vence! Meu irmão continuou sendo atacado pelo governo, foi exonerado, por conta das ameaças teve que entrar para o programa de proteção à testemunha e sair do país! @jairbolsonaro cria vergonha na cara, você sabe a verdade!”, escreveu no Twitter.

*Com informações do Correio Braziliense

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Vídeo: Bolsonaro é hostilizado e chamado de genocida nas ruas de Roma e vê Vaticano só de fora

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a sair para caminhar pela cidade de Roma, neste sábado. Mas foi alvo de vaias e chamado de genocida. Diante da reação de populares, ele apertou o passo e voltou para a embaixada do Brasil, no centro da capital italiana.

Bolsonaro está em Roma neste fim de semana para a cúpula do G20. Mas, com poucas reuniões bilaterais, ele tem preferido sair para conhecer a cidade. Na sexta-feira, ele esteve na Fontana di Trevi e outros pontos turísticos. Neste sábado, aproveitou uma brecha na agenda para, uma vez mais, sair pela porta dos fundos da embaixada.

Num certo momento, porém, começou a ser alvo de críticas. “Genocida”, gritaram brasileiros. Um grupo ainda entoava, diante do presidente, um “Fora Bolsonaro”. Ao ser abordada por um segurança, uma mulher faz um alerta ao guarda costa: “não chega perto de mim. Vou te denunciar”. Alguns apoiadores também aplaudiram o presidente durante seu percurso.

O general Augusto Heleno, um dos ministros que acompanha Bolsonaro, revelou ainda que a delegação passou pelo Vaticano. Mas apenas conheceu a Santa Sé por fora. Ao contrário de Joe Biden e de outros líderes do G20, Bolsonaro não teve uma audiência com o papa Francisco. Isso apesar de o Brasil ser o país com o maior número de católicos do mundo.

Heleno explicou que a visita ao Vaticano ficou longe de ser um momento de um chefe de estado. “Não pode entrar. Só demos uma volta”, afirmou.

*Jamil Chade/Uol

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Moraes manda CPI da Covid explicar quebras de sigilo contra Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou à CPI da Covid que se manifeste em até 48 horas sobre medidas aprovadas pela comissão contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A AGU (Advocacia-Geral da União) pede ao Supremo a anulação das decisões, que incluem quebras de sigilo e suspensão das redes sociais de Bolsonaro.

As quebras de sigilo abrangem os dados relativos a Bolsonaro no Facebook, no Twitter e no Google, responsável pelo YouTube. As medidas foram definidas no último dia 26, mesma data em que o relatório final da CPI, que pede o indiciamento de Bolsonaro por 10 crimes, foi aprovado por 7 votos a 4.

Segundo o pedido, as plataformas devem enviar um conjunto de dados sobre os canais de Bolsonaro à PGR (Procuradoria-geral da República), responsável pelas investigações. Estas informações incluem os IPs (o número de registro dos aparelhos em que as contas foram acessadas), cópia integral do conteúdo no YouTube e dados cadastrais das páginas.

Além de requerer o envio dessas informações à PGR, os senadores pediram que Bolsonaro tenha suspenso o acesso a todas as suas contas. O advogado-geral da União, Bruno Bianco, afirmou que as medidas foram aprovadas “de maneira absolutamente ilegal e arbitrária” e recorreu ao STF no dia 27.

Justificativa

O pedido de quebra dos sigilos foi apresentado pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e aprovado pela CPI. Em sua justificativa, o parlamentar citou uma live de Bolsonaro, transmitida no dia 21, em que o presidente associou a vacina contra a covid à Aids. Randolfe também afirmou que Bolsonaro “segue com sua política de desinformação e geração do pretendido caos social” em relação à pandemia.

“Não podemos mais tolerar esse tipo de comportamento, razão por que precisamos de medidas enérgicas e imediatas para viabilizar a investigação e a responsabilização do Presidente da República nos termos da Constituição por atos atentatórios às políticas públicas de enfrentamento à pandemia de Covid-19”, afirmou o senador na fundamentação.

Para a AGU, porém, a justificativa não basta para quebrar os sigilos do presidente. “Não se observa demonstração de eventual necessidade da prova a ser obtida a partir dos dados telemáticos do impetrante [Bolsonaro]. Não há, de igual forma, quaisquer argumentos no sentido da necessidade de aprofundamento das investigações para contribuir com os trabalhos da CPI”, escreveu Bianco.

*Com informações do Uol

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Em rodinha de líderes, no G20, Bolsonaro mente sobre economia e popularidade

O G20 (grupo das maiores economias do planeta) é uma rara oportunidade para que líderes busquem o contato pessoal para tratar problemas globais e resolver arestas entre países. Mas na cúpula do bloco neste sábado, em Roma, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tinha outra missão: mentir sobre a situação do Brasil e ainda criticar a Petrobras e a imprensa.

O UOL teve acesso exclusivo à antessala do local onde o G20 se reuniria e presenciou uma conversa entre Bolsonaro e o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, acusado de promover um desmonte da democracia em seu país.

Bolsonaro, que até então tinha trocado conversas apenas com os garçons do local, foi levado por seus assessores para falar com Erdogan. Ao se aproximar, o presidente pede ao tradutor: “Me ajuda aí”, sorrindo nervoso.

Na mesma rodinha de líderes estava Olaf Scholz, vencedor das eleições na Alemanha, um dos grandes parceiros comerciais do Brasil. Bolsonaro, porém, sequer olhou para o alemão e começou uma conversa com o turco.

Vendo que havia sido ignorado pelo brasileiro, o homem que provavelmente irá liderar a Alemanha virou as costas e foi falar com os primeiros-ministros Boris Johnson (Reino Unido), Justin Trudeau (Canadá) e Modi Narendra (Índia).

Ao lado dos ministros Paulo Guedes (Economia) e Carlos França (Itamaraty), Bolsonaro conta aos demais líderes que tem amplo apoio popular e que a economia brasileira está crescendo. Mas, sem ser perguntado, critica a imprensa local e ataca a Petrobras, alvo de constantes reclamações por causa do sucessivos aumentos no preços dos combustíveis.

Hoje, a retomada da economia brasileira é uma das piores entre o G20 e a popularidade atingiu seu nível mais baixo, em setembro. Segundo o Datafolha, a reprovação foi de 53%. O país ainda deve registrar o menor crescimento em 2022 entre os membros do G20, segundo o FMI (Fundo Monetário Internacional).

Bolsonaro não fez uma só pergunta aos líderes estrangeiros, não elogiou os demais países e nem trocou impressões pessoais. Ao contrário de outras rodinhas de líderes, o brasileiro não falou sobre a pandemia ou sobre as decisões do G20.

Eis a transcrição da conversa com um presidente turco impassível e que não se aventurou em fazer qualquer comentário de apoio às falas do brasileiro.

Erdogan – Como está a situação atual hoje no Brasil, senhor presidente?

Bolsonaro – Tudo bem. A economia voltando bem forte. A mídia como sempre atacando, estamos resistindo bem. Não é fácil ser chefe de Estado em qualquer lugar do mundo.

Erdogan – O Brasil tem grandes recursos petrolíferos

Bolsonaro – Tem, tem

Erdogan – Petrobras

Bolsonaro – Petrobras é um problema. Mas estamos quebrando monopólios, com uma reação muito grande. Há pouco tempo era uma empresa de partido político. Mudamos isso.

Erdogan – E quando é a eleição?

Bolsonaro – Daqui a 11 meses

Erdogan – Significa que o senhor tem bastante coisa ainda para fazer

Bolsonaro – Eu estou bem. Também tenho um apoio popular muito grande. Temos uma boa equipe de ministros. Não aceitei indicação de ninguém. Foi eu que botei todo mundo. Prestigiei as Forças Armadas. Um terço dos ministros [é de] militares profissionais. Não é fácil. Fazer as coisas certas é mais difícil.

O turco encerrou a conversa, sem qualquer entusiasmo.

Ao final do rápido encontro entre os dois líderes, pessoas que acompanhavam o presidente chamaram a organização do G20 para se queixar da presença do UOL no local. A reportagem, após a queixa dos brasileiros, foi retirada da presença dos líderes.

Por mais duas vezes, o UOL tentou se aproximar de outras conversas mantidas por Bolsonaro com outros chefes de estado. Mas foi impedido. Na última, a reportagem foi alertada que poderia ter “problemas”.

*Jamil Chade/Uol

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Na Itália, Padres franciscanos batem a porta da igreja na cara de Bolsonaro pra ele não entrar

O presidente Jair Bolsonaro não será bem vindo na cidade de seus antepassados, Anguillera Veneta, na Itália. O prefeito, Sergio Giordani, informou que está fora por “compromissos assumidos” e que não poderá recebê-lo, o bispo também avisou que não participará e os franciscanos da basílica de Santo Antônio manterão a igreja fechada para que o presidente brasileiro não entre.

A Diocese de Pádua, que fica na cidade dos ancestrais de Bolsonaro, não concorda com a concessão do título de cidadão honorário ao ocupante do Palácio do Planalto.

Na cidade de Anguillara Veneta nasceu Vittorio Bolsonaro, em 1878, que aos dez anos emigrou para o Brasil. Ele é um dos dezesseis trisavôs do presidente, que tinha planos de, durante a viagem na Itália, visitar a basílica, já que se diz devoto de Santo Antônio.

A diocese divulgou um comunicado em relação a intenção de conceder o título de cidadão honorário a Bolsonaro: criou “forte constrangimento”, diz o texto.

“Os bispos do Brasil, justamente nestes dias, estão denunciando em alto e bom tom a violência, os abusos, a exploração da religião, devastações ambientais e o agravamento de uma grave crise sanitária, econômica, ética, social e política, intensificada pela pandemia”, diz a nota, que faz referência a COP26, que Bolsonaro não participará.

A diocese apela para que o presidente brasileiro “promova políticas que respeitem a Justiça, saúde e meio ambiente”. E ainda completa que a homenagem que se planeja gerou “um forte embaraço diante da voz de tantos que sofreram”.

*Com informações do DCM

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Com medo de ir para a cadeia, Bolsonaro imita Pinochet e articula com aliados para se tornar senador vitalício

Aquela história de Bolsonaro repetir cotidianamente o famoso versículo 32, “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”, esquece, pois está fora de moda no Palácio do Planalto.

Bolsonaro, agora, quer seguir a cartilha do seu principal ídolo, o criminoso chileno, Augusto Pinochet que, para não ir em cana no Chile, conseguiu uma similistronca política que deu a ele um cargo vitalício de senador para que o bandido sanguinário não fosse enjaulado.

Bom, se Bolsonaro quer copiar a solução de Pinochet, é porque está confessando seus crimes, que não são poucos.

Sendo nomeado senador, Bolsonaro não precisaria nem de um TSE para, segundo as bocas malditas nas redes e nas ruas, ser junto com Mourão, inocentado de seus crimes eleitorais por excesso de provas.

O comentário jocoso que se transformou em refrão na web só foi substituído, como é praxe do genocida, por um outro escândalo revelado por Natuza Nery, da GloboNews, que essa caricatura de Pinochet para livrar a cara do criminoso que ocupa o Palácio do Planalto, é criar uma espécie de pensionato vitalício no Senado e, assim, blindá-lo para o além-túmulo.

Dizem as más línguas que o principal varão dos tucanos, FHC, tentou uma jogada dessa em 2002, mas a campanha ficou empacada. FHC, segundo consta, tinha medo de ter que responder sobre tudo o que já se sabia sobre os caminhos trilhados por seu governo para produzir a privataria, numa guerra contra a sociedade brasileira em que o patrimônio do povo foi atacado por uma legião de espertos ligados ao tucanistão.

Seja como for, Bolsonaro pode ser um imbecil completo para governar, como foi quando parlamentar, mas para livrar a sua cara e a dos seus, ele não tem nada de ingênuo e sabe também quem é a flora e a fauna que vibram por ele dentro do Congresso.

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No Rio, Lula venceria no primeiro turno com mais que a soma dos adversários

Agenda do Poder – O ex-presidente Lula lidera com folga a disputa à sucessão presidencial no Estado do Rio. Segundo pesquisa Quaest, encomendada pelo jornal O Globo, Lula chega a 43% das intenções de voto, contra 29% de Jair Bolsonaro. Ciro Gomes (PDT) tem 8% e João Dória (PSDB),4%.

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No Rio, Lula ganharia no primeiro turno: o petista tem mais intenções de voto do que a soma dos demais candidatos: 51% dos votos válidos.

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Facebook: Brasil é um dos três países que mais precisam de moderação e exige “salas de guerra”

O Brasil é um dos três países que mais precisam de moderação de conteúdo do Facebook, ao lado de Índia e Estados Unidos, segundo demonstram documentos vazados por funcionários da empresa e pela ex-gerente e delatora Frances Haugen. O caso está sendo chamado de “Facebook Papers” (Documentos do Facebook, em tradução direta).

De acordo com os arquivos internos da empresa, desde o final de 2019, a plataforma mantém um ranking de nações que demandam atenção especial, principalmente em períodos delicados, como eleições, manifestações e instabilidade social. Brasil, EUA e Índia estão no topo, o “nível 0” (tier 0), de prioridade máxima.

Eles são os que recebem mais recursos e um trabalho proativo de moderação, incluindo equipes especializadas dedicadas 24 horas por dia, com auxílio de inteligência artificial. O Facebook estabeleceu verdadeiras “salas de guerra”, oficialmente chamadas de “centros de operações aprimoradas”, para monitorar a plataforma nestes três países constantemente.

De acordo com as investigações:

  • No “nível 1” (tier 1), estão Indonésia, Israel, Irã, Itália e Alemanha. Eles recebem menos recursos, com atenção especial apenas na época de eleições.
  • No “nível 2” (tier 2), há outros 22 países, sem “salas de guerra”.
  •  No “nível 3” (tier 3), está o resto do mundo que o Facebook funciona. Na categoria, existe mínima intervenção e a avaliação de conteúdo é quase inexistente: uma postagem indevida só é retirada do ar caso seja localizada manualmente por um moderador.

Apenas no caso de crises e eventos extraordinários, como golpes de Estado e violações aos direitos humanos, um desses países ou regiões do grupo três pode receber esforços mais ativos, temporariamente.

Ou seja, apenas as 30 nações com mais usuários e acessos à rede social contam de fato com revisão das postagens. De acordo com os documentos internos, o ranking —criado meses antes das últimas eleições presidenciais norte-americanas, em 2020— foi uma maneira de distribuir melhor o uso dos recursos de moderação pelo mundo.

Consequências da desigualdade

Com cerca de 3 bilhões de usuários, a empresa preferiu fazer escolhas e priorizar os locais em que é mais popular do que dividir os recursos igualmente. Essa desigualdade de moderação tem sido alvo de críticas nos últimos anos.

Países como Mianmar, Paquistão e Etiópia, apesar de constantemente atravessarem conflitos sectários, políticos e sociais, não contam com classificadores de conteúdo, o que contribui para o aumento da disseminação de violência e ódio na rede social.

Em Mianmar a situação é ainda pior, pois o Facebook é a principal maneira de navegação na Internet, devido aos constantes blecautes e à censura imposta pelo governo.

Uma das grandes barreiras é o idioma: a empresa não tem especialistas, como tradutores e moderadores, suficientes que falem a língua de boa parte dos países de nível 2 e 3. Só assim seria possível detectar discursos de ódio e fake news, além de treinar a inteligência artificial para fazer o mesmo.

“Temos equipes dedicadas que trabalham para impedir o abuso em nossa plataforma em países onde há alto risco de conflito e violência. Também temos equipes globais com falantes nativos que revisam o conteúdo em mais de 70 idiomas, juntamente com especialistas em questões humanitárias e de direitos humanos”, garantiu um porta-voz do Facebook ao site Insider.

“Fizemos progresso no enfrentamento de grandes desafios, como a evolução de termos de discurso de ódio, e construímos novas maneiras de responder rapidamente aos problemas quando eles surgirem. Sabemos que esses desafios são reais e estamos orgulhosos do trabalho que fizemos até agora.”

*Com informações do Uol

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TSE decide que nós não vimos o que vimos na campanha eleitoral de 2018

A maldição da escravidão parece perseguir o Brasil. Não são poucas as estátuas erguidas em memória de algum personagem que, quando não tem qualquer brio heroico, é vulgar ou um conspirador contra o próprio povo.

Nossos vultos, na verdade, são vultos da elite. Nossos patriarcas então, nem se fala. Na maioria das vezes são dignos de uma pichação lúcida, ou seja, num país em que a maioria das celebridades não consegue uma narrativa poética justo por não ter contribuído com nada de positivo para a nossa civilização, acaba por ter uma política de colônia e instituições enraizadas nela.

Basta andar um pouco no tempo para entender quem era a maior autoridade que concebia como legal um ser humano negro, homem ou mulher, preso ao tronco feroz da escravidão sofrendo a dor e a humilhação do açoite.

Em pleno século XXI seria normal sonhar com o novo conceito civilizatório, costumes novos e ambientes novos, isentos do hálito e da tradição envenenada do Brasil escravocrata. Mas parece que não.

Os conselhos e instruções que tornam um banqueiro um rei nesse país mostram que, ao contrário do que se sonha, o grande capital construiu apenas um novo império aonde as luzes da justiça só miram e focam aqueles amaldiçoados pelas classes dominantes.

Lógico, isso nos cobre de vergonha. No mundo, existem vários casos em que o judiciário merece louvores da sociedade pelos serviços prestados a ela, mas no Brasil, seguindo a velha tradição, esse sonho que se cristalizou em tantos países, nas terras cabrálias jamais foi realmente cogitado.

Não se tem a mais vaga ideia do que de fato é o conceito da palavra justiça.

Na verdade, quando não há ausência, a grosseria do meio é tanta que as Supremas cortes brasileiras são um acervo clássico de um bolor que ignora o próprio sentido de cidadania esculpindo em suas regras concretas, opondo-se frontalmente à consciência da coletividade.

Por isso não há o menor entusiasmo da população quando se fala das “glórias” do judiciário brasileiro aureolado de heroísmo pelos exercícios retóricos de nossa mídia que segue o mesmo senhor.

No futuro, quando for contado que tanto na farsa do mensalão que José Dirceu, José Genuíno, entre outros, foram encarcerados na base de uma suposta teoria do domínio do fato, por um personagem moldado pela mídia para compensar a viuvez de um partido, o PSDB, representante da oligarquia que mais à frente desceria ao inferno disfarçado de democrata para apoiar a eleição de um genocida, ninguém acreditará.

Não demorou muito para que os deuses absolutos de nossa suprema toga emudecessem diante de um golpe de Estado na primeira presidenta da história do Brasil, Dilma Rousseff, uma mulher de honestidade e honradez absolutamente ímpares que foi violentamente arrancada do poder junto com mais de 54 milhões de votos com a anedótica acusação de pedalada fiscal.

Com um detalhe, a tríade que comandou esse verdadeiro estupro na constituição diante dos olhos vendados do judiciário, é formada pelos três maiores corruptos da história da República, Aécio, Cunha e Temer.

Pergunta-se, como a história contará isso? E a pergunta será feita com exclamação, alguém minimamente decente das próximas gerações acreditará numa história dessa? Não, dirá que é lenda, que é apenas um ornamento retórico para dar orelha aos lobos, porque isso não é coisa de uma sociedade civilizada, mas sim de um sentido mais bárbaro de tribo em que os senhores da lei não andam com cabelos nas ventas se colocando acima dos deuses como se fossem a própria imagem do tigre da legalidade, quando, na verdade, sempre tiveram um convívio amável, diria mais, galantíssimo com os deuses do grande capital.

Poderia ainda citar o pântano ético em que o judiciário se enfiou para abonar certamente a mais corrupta operação policial da história, a Lava Jato, que teve como principal objetivo, conseguido com sucesso e comemorado com todos os foguetes pela grande mídia, que foi a prisão do ex-presidente da República com a maior aprovação da história.

A prova do seu crime? Não apareceu. Então, Moro utilizou uma variação sobre o mesmo tema de Joaquim Barbosa com a sua funesta teoria do domínio do fato, sapecando como justificativa da prisão de Lula o “ato de ofício indeterminado”.

E o que isso quer dizer além de nada? Nada e meio.

Agora, sabe-se que, ao contrário desses fatos aqui narrados, a justiça eleitoral já formou maioria para inocentar a chapa Bolsonaro-Mourão por acusação de uso indiscriminado de mentiras e incitação ao ódio, através de disparos de fake news em redes sociais, sobretudo o Whatsapp durante a campanha de 2018.

Trocando em miúdos, ficou decidido que nós não vimos o que vimos e o “mal-entendido” foi desfeito com o arquivamento do processo.

 

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Justiça dá razão ao Facebook em punição ao perfil de Eduardo Bolsonaro

A Justiça do Distrito Federal rejeitou pedido de indenização feito pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) contra o Facebook.

Eduardo processou o Facebook dizendo que, em junho, a rede social cometeu um ato ilícito ao suspender sua conta por sete dias. A medida, de acordo com o deputado, foi tomada após ele compartilhar um vídeo de Jair Bolsonaro.

No vídeo, o presidente citava um suposto relatório do Tribunal de Contas da União com dados não comprovados sobre as mortes por covid-19, no intuito de defender a tese de que em torno de 50% dos óbitos atribuídos à pandemia em 2020 não ocorreram pela doença. O TCU disse que essa afirmação era falsa.

Eduardo Bolsonaro afirmou à Justiça que a punição era um ato de censura. “Não há que se falar em ‘desinformação’ quando o vídeo postado concerne a um comunicado público realizado pelo Presidente da República.”, afirmou à Justiça.

Além da indenização de R$ 5.000, o deputado federal queria que a Justiça proibisse o Facebook de aplicar outras punições sem que ele pudesse se defender previamente.

Na defesa apresentada à Justiça, o Facebook disse que o post foi removido por diminuir a gravidade da pandemia. “O conteúdo possuía a potencialidade de causar danos físicos aos demais usuários”, afirmou. Declarou também que não suspendeu a conta de Eduardo por sete dias, e, sim, que houve uma falha técnica, logo sanada.

Na sentença em que deu razão ao Facebook, o juiz Caio Brucoli Sembongi, da 17ª Vara Cível de Brasília, afirmou que devem prevalecer os direitos à vida e à saúde. “O Facebook não cometeu ato ilícito. Ao contrário, agiu em conformidade com a legislação e com os termos de uso da plataforma.”

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