O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o governo do bolsonarista Cláudio Castro (PL), no Rio de Janeiro, entregue, em até 15 dias, todas as imagens capturadas durante a megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, em 28 de outubro do ano passado. A ação resultou na morte de 122 pessoas, entre elas cinco policiais.
A decisão foi proferida no âmbito da ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”, e atende a pedidos do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura e de diversas organizações de direitos humanos. De acordo com o DCM, Moraes determinou que o material audiovisual seja encaminhado à Polícia Federal.
No despacho, o ministro afirmou que ainda há lacunas a serem esclarecidas. Segundo ele, “o conjunto de manifestações nos autos, com requerimentos diversos e informações, por vezes contraditórios, deixa evidente que ainda são necessários esclarecimentos complementares para a análise da ‘Operação Contenção’ e do cumprimento da decisão proferida no âmbito desta ADPF”.
Além da entrega das imagens, Moraes determinou que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) informe ao STF “o estágio atual da análise do Plano Estratégico de Reocupação Territorial apresentado pelo Estado do Rio de Janeiro em 22/12/2025”. O ministro registrou que a Defensoria Pública do estado já manifestou concordância com o plano apresentado.
A decisão também impõe obrigações ao Ministério Público do Rio de Janeiro. Moraes ordenou que o órgão esclareça sua atuação em todas as fases da operação, “sobretudo, o atendimento da competência de controle externo pelo Gaeco e não pelo Gaesp”.
O Gaeco atua no combate ao crime organizado, enquanto o Gaesp atua na área de Segurança Pública. O ministro quer entender como se deu a fiscalização institucional da operação policial, diante da gravidade dos resultados registrados.
Até o momento, o governo do do Rio de Janeiro não se manifestou oficialmente sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal ou sobre o prazo estabelecido para a entrega das imagens.
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Deputado Rogério Correia acusa Flavio de tentar subornar testemunha
A sessão que marca a retomada da CPMI do INSS começou com tensão nesta quinta-feira (5). O deputado Rogério Correia (PT-MG) denunciou que Flávio Bolsonaro teria oferecido R$ 5 milhões para que Eli Cohen atuasse contra o governo e Lula, antecipando o clima eleitoral que deve marcar os trabalhos da comissão.
Na abertura da CPMI, Correia apresentou denúncia de que Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, teria oferecido R$ 5 milhões ao advogado Eli Cohen para que ele atacasse Lula e o governo durante seu depoimento sobre desvios no INSS. Em 24 de outubro de 2025, Rogério Gilio Gomes, ex-policial, registrou documento alegando esse suposto suborno.
Em depoimento anterior, Cohen havia relatado que José Ferreira da Silva, o Frei Chico, atuava como “laranja” em fraudes no Sindnapi. A tentativa de convocar Frei Chico não avançou, e a base governista pediu a quebra de sigilo bancário e fiscal de Cohen. Em dezembro, ele se retratou sob pressão de bolsonaristas, mas Correia indica ter novos elementos contra Flávio.
O deputado protocolou requerimento para convocar Flávio e Letícia Caetano dos Reis, administradora da Flavio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, e quebrar seus sigilos. Segundo o documento, Letícia é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, sócio de Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, acusado de desviar recursos de aposentados e pensionistas.
O requerimento detalha conexões financeiras suspeitas envolvendo Willer Tomaz de Souza, advogado próximo a Flávio Bolsonaro, que movimentou R$ 45,5 milhões entre maio e novembro de 2021 e manteve relação com operadores do esquema. A investigação busca identificar possíveis crimes de favorecimento, tráfico de influência e vínculos eleitorais envolvendo Flávio e Letícia. Com Forum.
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Na decisão, ministro diz que há um “fenômeno da multiplicação anômala”
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (5) a suspensão do pagamento dos chamados “penduricalhos”, benefícios que são concedidos a servidores públicos e que não cumprem o teto remuneratório constitucional, de R$ 46,3 mil. A suspensão vale para os Três Poderes.
Pela decisão, os Três Poderes têm prazo de 60 dias para revisar e suspender pagamento das verbas indenizatórias sem base legal.
Na decisão, Flávio Dino afirmou que há um “fenômeno da multiplicação anômala” de verbas indenizatórias incompatíveis com a Constituição. Ele cita o pagamento de “auxílio-peru” e “auxílio-panetone” (benefícios extras de fim de ano) como exemplos de ilegalidade.
“Destaco que, seguramente, tal amplo rol de ‘indenizações’, gerando supersalários, não possui precedentes no direito brasileiro, tampouco no direito comparado, nem mesmo nos países mais ricos do planeta”, argumentou.
A suspensão deve ser cumprida em todo o país e vale para o Judiciário, Executivo e Legislativo federais e estaduais.
Império dos penduricalhos Flávio Dino também defendeu que o Congresso aprove uma lei para deixar claro quais as verbas indenizatórias podem ser admissíveis como exceção ao teto constitucional, que é equivalente ao salário dos ministros do Supremo.
“Por este caminho, certamente será mais eficaz e rápido o fim do império dos penduricalhos, com efetiva justiça remuneratória, tão necessária para a valorização dos servidores públicos e para a eficiência e dignidade do serviço público”, ressaltou.
A suspensão dos penduricalhos foi decidida em um processo no qual Dino negou o pagamento de auxílio-alimentação retroativo a um juiz de Minas Gerais.
*Agência Brasil
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Tanto Kim Kataguiri quanto Nikolas Ferreira dizem que se orgulham de terem vindo de regiões pobres do Brasil, o que, ao contrário de agregar valor às suas trajetórias, só piora a imagem de quem só vota contra os pobres e, em contrapartida, funcionam, no Congresso, como cães de guarda da oligarquia.
Aliás, para a elite, não importa quem consiga uma ascensão ao poder, desde que seja de direita, porque o padrão é sempre o mesmo. a busca por um Estado ausente para os pobres e presente no sentido de presentear a individualidade da papa fina do dinheiro grosso.
É aí que mora o fio da vida de quem tem a obra, na verdade, plena de apogeu, mantendo simples figuras do Congresso ou, dependendo de uma vitória da direita, aliados dentro do próprio governo.
Ou seja, nisso não há nenhuma história movediça e muito menos o cálculo político que vigaristas como esses dois fazem para figurar entre os políticos mais canalhas do Brasil não só porque votaram contra o programa do governo Lula, Gás do Povo, mas pelo simples prazer sádico de, em público, votarem contra quem eles dizem que já foram iguais.
Na realidade, esses dois inúteis, que recebem uma bolada milionária durante seus mandatos, não têm nenhum rabisco de projeto aprovado, pois são o retrato do encosto que suga o povo e valem tanto quanto a quantidade de projetos que aprovam, ou seja, zero.
Os dois deputados vivem do mesmo clube de interesses pessoais em que o estado de alma de ambos pinta na hora de votar o que está na cabeça de quem vive de uma conta simples, a de votar pelos interesses de quem manda por conta da força da grana.
Trocando miúdos, eles sempre votam a favor dos grandes. Essa é a obra prima dessas duas piranhas de um Congresso infestado delas, tendo como aliados, formais ou informais, do clã Bolsonaro que, no governo dele, devolveu 34 milhões de brasileiros ao mapa da fome que sequer tinham força para encarar as filas do osso.
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Presidente conclama os Três Poderes e os homens a aderir ao Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio e afirma: “Vamos desconstruir a cultura machista que nos envergonha”
Ao lado de autoridades dos Três Poderes da República, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou, nesta quarta-feira (4), no Palácio do Planalto, o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio. “Hoje, neste país, começamos uma nova era na relação entre homens e mulheres”, disse Lula, salientando que “precisamos ser muito duros” no combate à violência contra a mulher e que “o gesto de hoje ultrapassa as fronteiras do Brasil”.
A iniciativa do governo federal busca envolver Executivo, Legislativo, Judiciário e a sociedade, em especial os homens, na luta contra os assassinatos de mulheres por questão de gênero, que têm crescido assustadoramente no País.
Ao abrir seu discurso, após agradecer à primeira-dama Janja da Silva por seu empenho em alertá-lo para a gravidade do problema, o presidente salientou: “Isso só vai acabar com muita política, muita conscientização e é isso que esse movimento está dizendo”.
“Esta não é a primeira vez que se faz um ato em defesa das mulheres — porque vocês estão cansadas de fazer passeatas, de fazer reuniões e de reivindicar projeto de lei. A novidade deste ato é que, pela primeira vez, os homens estão assumindo a responsabilidade de que a luta em defesa da mulher não é só da mulher, é do agressor, que é o homem”.
Saiba mais: Feminicídios marcam início do ano e desafiam autoridades e sociedade
O presidente chamou atenção para o fato de que o combate ao machismo, à violência contra a mulher e ao feminicídio deve fazer parte da rotina da sociedade, das atividades em portas de fábrica chamadas pelo movimento sindical à educação, dos anos iniciais da educação até a formação universitária; da atuação parlamentar e governamental às empresas.
“Estamos falando aqui da possibilidade de criarmos uma nova civilização, uma civilização de iguais em que não é o sexo que faz a diferença, mas o comportamento, o respeito. Esta, portanto, talvez seja a primeira foto em que nós, homens, estamos aqui juntos com as nossas companheiras, dizendo: ‘a luta não é só de vocês’”, enfatizou o presidente.
Contexto aterrador
Ao contextualizar a gravidade do quadro de violência de gênero, Lula lembrou que “a cada dia, quatro mulheres são vítimas de feminicídio no Brasil”, o que significa que “a cada seis horas uma mulher é assassinada pelo simples fato de ser mulher”.
Neste exato momento, continuou o presidente, uma mulher está sendo agredida “com tapas, socos, chutes, sufocamento, golpes, puxões de cabelo, pontapés e ofensas. Arrastadas por carros, feridas no asfalto, desfiguradas sob o testemunho de câmeras de elevador. Tantas Tainaras, Fernandas, Catarinas, Ritas, Marias, Alanes, Laíses…”, disse, lembrando de algumas das milhares de brasileiras que perderam a vida nos últimos anos por esse tipo de crime.
Saiba mais: Dia Nacional de Luto marca compromisso contra feminicídio
Lula destacou que “o feminicídio afronta as estruturas de prevenção e combate e vem crescendo de forma assustadora no país. É inaceitável que mulheres continuem sendo espancadas e assassinadas todos os dias sob o olhar de uma sociedade que peca por omissão. Que se cala diante de cenas cotidianas de abuso e violência”. O presidente também salientou que “cada gesto de violência é um feminicídio anunciado”.
O pacto que assinamos hoje, prosseguiu, “deve ir além das instâncias do Executivo, Legislativo e Judiciário. Lutar contra o feminicídio, e todas as formas de violência contra as mulheres, deve ser responsabilidade de toda a sociedade. Mas, principalmente, e especialmente, dos homens. Não basta não ser um agressor. É também preciso lutar para que não haja mais agressões”.
Lula chamou os homens brasileiros a efetivamente participarem cotidianamente dessa luta: “Cada homem deste país tem uma missão a cumprir. Conversar com amigos, primos, tios, vizinhos, colegas de trabalho, companheiros de bar e parceiros de futebol. Não podemos nos omitir (…) Vamos desconstruir, tijolo por tijolo, essa cultura machista que nos envergonha a todos”.
Do ponto de vista do poder público, Lula destacou a necessidade de se aprimorar os instrumentos de proteção, prevenção e acolhimento, bem como a punição aos assassinos e agressores de forma exemplar. Ao mesmo tempo, sublinhou o papel da educação dos meninos e da conscientização dos jovens e adultos. “É preciso fazê-los entender a gravidade do crime que cometem. E que nada, absolutamente nada, justifica qualquer forma de violência contra meninas e mulheres – na vida real ou na vida digital”, ponderou.
Saiba mais: Lula põe combate à violência contra mulheres como prioridade do governo
O estímulo à misoginia e à violência de gênero através das redes sociais também foi criticado pelo presidente. “As redes digitais, algumas delas, ensinam crianças e adolescentes do sexo masculino a odiarem mulheres. As plataformas digitais não podem mais ser usadas por criminosos que aliciam meninas, cometem contra elas toda sorte de abusos, e as induzem à automutilação e muitas vezes ao suicídio. Cabe a cada homem transformar essa realidade”.
A segurança de meninas e mulheres, afirmou, “é condição necessária para a nossa evolução enquanto sociedade e para o exercício pleno da democracia”.
Objetivos do pacto
Conforme apontado pelo Palácio do Planalto, o pacto tem como objetivos “acelerar o cumprimento das medidas protetivas, fortalecer as redes de enfrentamento à violência em todo o território nacional, ampliar ações educativas e responsabilizar os agressores, combatendo a impunidade”.
O acordo também prevê compromissos voltados à transformação da cultura institucional dos Três Poderes, à promoção da igualdade de tratamento entre homens e mulheres, ao enfrentamento do machismo estrutural e à incorporação de respostas a novos desafios, como a violência digital contra as mulheres, segundo o Vermelho.
Para garantir a efetividade dessas ações, durante a cerimônia foi assinado o decreto que cria o Comitê Interinstitucional de Gestão, coordenado pela Presidência da República, que reunirá representantes dos três Poderes, com participação permanente de Ministérios Públicos e Defensorias Públicas. Pelo Executivo, integram o comitê a Casa Civil, a Secretaria de Relações Institucionais e os ministérios das Mulheres e da Justiça e Segurança Pública.
Ao unir os Três Poderes em uma ação coordenada e permanente, aponta o governo, “o pacto reforça a prioridade do tema na agenda nacional e convoca estados, municípios e a sociedade a atuarem de forma conjunta no enfrentamento à violência contra mulheres e meninas”.
Todos por todas
Na área da comunicação, as primeiras ações têm como foco chamar atenção da sociedade e envolver os homens na iniciativa. A peça central da campanha é um filme que ressignifica a canção “Maria da Vila Matilde”, de Douglas Germano, consagrada na interpretação de Elza Soares.
No vídeo, a letra ganha forma de fala masculina, com o objetivo de convocar os homens a assumirem um papel ativo na mudança de comportamentos e na defesa da vida e dos direitos das mulheres. A estratégia inclui, ainda, o site TodosPorTodas.br, que reunirá informações sobre o pacto, as ações previstas, os canais de denúncia e as políticas públicas de proteção às mulheres, além de estimular o engajamento de instituições públicas, empresas privadas e da sociedade civil.
A plataforma disponibilizará também um guia para download, com informações sobre os diferentes tipos de violência, políticas de enfrentamento e orientações práticas para uma comunicação responsável.
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A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou nesta quarta (4) uma mensagem de apoio à deputada federal Caroline de Toni, em meio ao impasse sobre a disputa ao Senado por Santa Catarina. A manifestação ocorreu após a parlamentar relatar que ouviu do presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, que não haveria espaço para sua candidatura pela legenda.
Nas redes sociais, Michelle compartilhou fotos ao lado de Caroline e também imagens da deputada com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao comentar as publicações, a presidente do PL Mulher indicou respaldo político: “Estaremos com você”.
Segundo o Estadão, Valdemar, Jorginho Mello (governador de Santa Catarina), e Caroline devem se reunir às 15h desta quarta, em Brasília, para tratar do impasse. A direção do PL pretende cumprir um acordo que prevê o lançamento do ex-vereador Carlos Bolsonaro ao Senado e o apoio à reeleição do senador Esperidião Amin.
Nos bastidores, Valdemar diz que precisa respeitar um compromisso firmado com o presidente do PP, Ciro Nogueira, para apoiar Amin. De acordo com o DCM, aliados afirmam ainda que o PL não pretende contrariar Jair Bolsonaro, o que reforça a pressão para lançar Carlos ao Senado em Santa Catarina.
Post de Michelle:
Apesar disso, Caroline afirmou que manterá sua pré-candidatura e admite mudar de partido caso o cenário não se altere. Segundo a deputada, seis legendas já fizeram convites: Avante, Podemos, PRD, Novo, MDB e PSD.
“Vou, porque eu estou bem nas pesquisas. Eu me comprometi com deputados, com prefeitos, com todo mundo. Eu não tenho como voltar atrás, mesmo que eu perca”, disse ela a jornalistas em Brasília.
No mesmo evento, Jorginho Mello declarou que pretende apoiar Carlos e Carol, defendendo uma “chapa pura” em Santa Catarina, com candidatos do PL ao governo estadual e às duas vagas do Senado. Nos bastidores, porém, aliados do governador admitem que a chance de reverter a situação interna em favor de Caroline é pequena.
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Representação ao STM detalha como ex-presidente violou princípios centrais da ética militar e usou a estrutura do Estado para fins inconstitucionais
O Ministério Público Militar (MPM) apontou, na representação de 19 páginas apresentada nesta terça-feira (3) ao Superior Tribunal Militar (STM), que o capitão do Exército e ex-presidente Jair Bolsonaro, demonstrou “descaso” pelos preceitos éticos mais básicos das Forças Armadas, entre eles o respeito à dignidade da pessoa humana. A avaliação consta da representação apresentada ao Superior Tribunal Militar (STM) que pede a declaração de indignidade do ex-presidente para o oficialato e a consequente perda do posto e da patente.
A peça organiza sua argumentação em três eixos centrais. O primeiro diz respeito à violação direta dos preceitos éticos previstos no artigo 28 do Estatuto dos Militares. O segundo trata da ruptura institucional promovida por Bolsonaro, descrita pelo MPM como incompatível com a dignidade da pessoa humana e com a submissão do poder militar ao poder civil. O terceiro eixo resgata antecedentes históricos do próprio ex-presidente ainda na ativa, utilizados para demonstrar a recorrência de condutas consideradas incompatíveis com a ética militar.
Logo no início, o MPM delimita o alcance do julgamento a ser realizado pelo STM. O órgão ressalta que a análise não envolve a revisão da condenação criminal imposta pelo Supremo Tribunal Federal, já transitada em julgado. O que está em discussão é exclusivamente o plano ético-institucional: cabe ao Tribunal avaliar se a conduta do representado, à luz do Estatuto dos Militares, é compatível com a condição de oficial das Forças Armadas, ainda que na inatividade.
No primeiro eixo, a representação sustenta que Bolsonaro afrontou de forma direta o artigo 28 do Estatuto dos Militares (Lei nº 6.880/1980), dispositivo que reúne os fundamentos morais e éticos que devem nortear a atuação de integrantes da caserna. Segundo o documento, “sem muito esforço”, é possível constatar o desrespeito do representado a praticamente todos esses preceitos.
De acordo com Cleber Lourenço, ICL, entre as violações apontadas estão o dever de probidade e a obrigação de proceder de maneira ilibada na vida pública. Para o Ministério Público Militar, Bolsonaro constituiu e chefiou uma organização formada por autoridades do Estado brasileiro e valeu-se da estrutura pública para alcançar objetivos inconstitucionais, comprometendo de forma grave a ética militar e a lealdade institucional exigida de oficiais.
Ainda nesse eixo, o MPM aponta o reiterado descumprimento das leis e das ordens de autoridades competentes. Segundo a peça, Bolsonaro atuou de forma consciente e articulada para desrespeitar a Constituição e decisões do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral, instituições que jurou respeitar ao assumir a Presidência da República.
O segundo eixo da representação trata da violação do princípio da dignidade da pessoa humana e da tentativa de ruptura institucional. De acordo com o MPM, ao buscar conduzir o país a um novo período de exceção democrática, o ex-presidente atentou contra um dos fundamentos da República, afastando-se de qualquer compromisso com a proteção de direitos e garantias fundamentais.
Nesse contexto, o órgão afirma que Bolsonaro tentou inverter a lógica constitucional da submissão do poder militar ao poder civil, pilar do regime democrático. A peça também atribui ao ex-presidente a corrosão de valores estruturantes das Forças Armadas, como a camaradagem e o espírito de cooperação, ao estimular ataques a militares que se recusaram a aderir ao movimento golpista, rotulando-os como “traidores da pátria” e expondo-os a riscos.
A linguagem adotada por Bolsonaro em ataques a outros Poderes é tratada como violação ética autônoma. O MPM menciona episódios em que o então presidente chamou membros do Judiciário de “canalhas”, proferiu ameaças públicas e insinuou práticas de corrupção sem apresentar indícios, comportamento que afronta os deveres de discrição, decoro e urbanidade exigidos de oficiais militares.
Ao tratar do dever de zelo pelo preparo moral, o Ministério Público Militar afirma que a conduta de Bolsonaro “espelha um estado de imoralidade”, incompatível com a condição de oficial das Forças Armadas, ainda que na reserva.
O terceiro eixo da representação resgata um precedente histórico envolvendo o próprio Bolsonaro ainda na ativa. O documento menciona o Conselho de Justificação nº 129-9 (DF), julgado em 16 de junho de 1988, no qual o então capitão foi acusado de participar da elaboração de um plano que envolvia a tentativa de explodir bombas em quartéis.
Naquele julgamento, ainda que em voto vencido, o ministro general-de-Exército Haroldo Erichsen da Fonseca registrou que “a mentira é, realmente, a primeira das transgressões disciplinares”. O voto recorda que o primeiro preceito do Estatuto dos Militares impõe ao oficial o dever de “amar a verdade e a responsabilidade como fundamento da dignidade pessoal”. Para o MPM, a retomada desse episódio evidencia a recorrência de condutas incompatíveis com a ética militar ao longo da trajetória do representado.
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Vai nessa equação uma mistura de vingança contra o povo pobre, por ser pobre e pela grande maioria votar em Lula. Portanto, é guerra.
Essa é a glória da direita, o orgulho de se vingar do povo e as delícias de produzir maldades, o que, certamente, deixa cada vez mais frágil e nu o político mais canalha do Congresso. E olha que estamos falando da ala podre, que é a de Nikolas, onde tem deputados comprovadamente corruptos, até acusados de assassinato e, lógico, aqueles que não têm a menor dificuldade de votar contra o povo, quem, no final das contas, paga as contas.
O interssante é que o mesmo Nikolas, assim como os bolsonaristas do Congresso que votaram contra o Gás do Povo e perderam, são os mesmos que atacam o STF, sobretudo Moraes, segundo eles, por prender pessoas pobres, desvalidas de qualquer garantia como camelôs, manicures e, na hora de votar um projeto social, levam a cabo a prática de segregar os já segregados.
É exatamente assim que agem os ratos como ele, mas o que é dele está guardado. E não demora para cair em desgraça pública como um Pablo Marçal da vida, que se vendia como a grandiloquente novidade política no Brasil. A diferença é que Nikolas está vivendo essa derrocada de uma maneira muito mais rápida que, com certeza, o jogará no chão.
A conferir.
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Ministros do Supremo Tribunal Federal têm demonstrado resistência em conceder prisão domiciliar a Jair Bolsonaro após a condenação do ex-presidente. Segundo relatos feitos sob reserva, o principal motivo é o receio de que ele volte a descumprir medidas judiciais, especialmente o uso da tornozeleira eletrônica.
De acordo com integrantes da Corte, havia inicialmente a avaliação de que Bolsonaro poderia receber o mesmo tratamento dado a Fernando Collor, condenado a regime fechado e autorizado a cumprir a pena em casa por razões de saúde. A comparação, porém, perdeu força durante as discussões internas no tribunal.
Um ministro ouvido pela coluna afirmou que o histórico pesa contra o ex-presidente. “Bolsonaro estava em prisão domiciliar quando violou a tornozeleira eletrônica. O que garante que não tentará novamente? Collor nunca violou a tornozeleira”, disse o magistrado.
O caso citado ocorreu quando Bolsonaro utilizou uma solda para tentar romper o equipamento de monitoramento. Apontado por ministros como fator central para a cautela em relação a uma eventual concessão de domiciliar.
A defesa do ex-presidente, por sua vez, sustenta que o comportamento não foi intencional. Segundo Guilherme Amado, advogados alegam que Bolsonaro apresentava um quadro de desorientação mental no momento do episódio, em razão do uso simultâneo dos medicamentos pregabalina e sertralina.
Segundo os defensores, a combinação dos remédios pode provocar efeitos colaterais relevantes. A bula indica que, em casos raros, pacientes podem apresentar confusão mental e até alucinações.
Mesmo com esse argumento, ministros do STF avaliam que o risco de novo descumprimento permanece. A Corte considera que a credibilidade do monitoramento eletrônico é um elemento essencial para qualquer medida alternativa à prisão.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado após a eleição do presidente Lula. Já Fernando Collor recebeu pena de 8 anos e 10 meses por corrupção. Até o momento, não há decisão definitiva sobre eventual prisão domiciliar.
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Essa é uma questão que funciona como um tripé, até porque envolve a subserviência da Juíza Gabriela Hardt que, em determinado momento no depoimento de delação de Tony Garcia, irritou-se com o excesso de detalhes que Garcia revelou que complicou ainda mais a vida do cupincha da Juíza, Sergio Moro.
A matéria de Daniela Lilma, hoje 03, no Uol, viralizou porque traz provas vivas que conduzem o inquérito contra Sergio Moro no STF, em algo extremamente feroz contra o ex-juiz que, segundo a Globo, fazia diferença.
Notem o desequilíbrio da balança. O prodigioso juiz, que se transformou no xerife do Brasil, não só permitiu, como obrigou Tony Garcia a usar a 13ª Vara como lugar ideal para produzir intercâmbios e grampear clandestinamente, a mando do ex-juiz, as vítimas que seriam chantageadas depois que seus sigilos fossem furados pela prática criminosa do atual senador.
Ou seja, o carrasco que usou das formas mais imundas de soluções práticas para, nas sombras, conduzir seu jogo de xadrez que Vera Magalhães tanto amava, passa agora a ser confrontado com a arte do jornalismo investigativo de Daniela Lima.
Vale muito a pena assistir e compartilhar o vídeo abaixo e os vídeos contidos nele para entender de uma vez por todas o sentido e a altura das folhas que Moro utilizou para encobrir seus crimes, dando status de relíquia à reportagem de uma jornalista atenta a detalhes indispensáveis para que se possa entender como Moro agia para assassinar reputações de quem pudesse frustrar sua conduta delinquente.
O mago do xadrez, agora, enfrenta os espinhos que as flores da fama havam ocultado.
Sob muitas luzes, Daniela Lima vem aperntando, capítulo a capítulo, as práticas criminosas de Sergio Moro, sem recorrer à pirotecnias conceituais. Ela literalmente mata a cobra e mostra o pau.
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