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Em eleição presidencial, sobretudo com Lula, não vale a escrita

Em eleição, sobretudo quando Lula está no jogo, não existe “escrita” capaz de antecipar o resultado. Essa mistificação supersticiosa que circula na mídia — segundo a qual quem vence o primeiro turno inevitavelmente vencerá o segundo — não passa de uma construção simplista apresentada como se fosse uma lei da política.

A tese é ainda mais frágil quando se tenta transformá-la em argumento para afirmar que uma eventual vantagem de Flávio Bolsonaro no primeiro turno significaria uma espécie de sentença definitiva sobre o segundo. Não significa.

Há um detalhe histórico que costuma ser convenientemente esquecido nessa narrativa: até 2022, nenhum presidente brasileiro que disputara a reeleição havia sido derrotado na tentativa de permanecer no cargo. Jair Bolsonaro rompeu essa sequência ao perder a reeleição para Lula. No segundo turno de 2022, Lula recebeu 60.345.999 votos, contra 58.206.354 de Bolsonaro, segundo a totalização oficial do TSE.

Ou seja: a própria história recente mostrou que uma regularidade eleitoral pode ser quebrada.

Por isso, vender ao PT a ideia de “terra arrasada” simplesmente porque Flávio teria terminado o primeiro turno à frente, ainda que por uma margem estreita, é transformar estatística em superstição. Primeiro turno e segundo turno são momentos distintos da mesma eleição, mas não são a mesma eleição.

Entre uma votação e outra, mudam as alianças, mudam os discursos, mudam as estratégias, muda a distribuição dos votos dos candidatos eliminados, muda o comportamento do eleitor e podem mudar até as prioridades que orientam a escolha de milhões de pessoas.

Não existe piloto automático eleitoral.

O fato de determinada característica ter se repetido em dez eleições não concede a ela autorização para se repetir automaticamente na décima primeira. Eleição não é uma fórmula matemática em que se apertam os mesmos botões e se obtém necessariamente o mesmo resultado.

Cada eleição tem sua própria voltagem. Cada disputa é determinada pelas circunstâncias políticas, econômicas e sociais do seu tempo. O eleitor também não é uma peça imóvel de um tabuleiro: ele pode mudar de posição, rever sua escolha e redefinir suas prioridades entre um turno e outro.

Foi justamente 2022 que deixou isso ainda mais evidente no plano da reeleição: uma sequência histórica que parecia consolidada foi interrompida.

Portanto, transformar uma vantagem de primeiro turno em garantia de vitória no segundo é muito mais do que uma análise eleitoral simplificada: é confundir recorrência histórica com destino.

E eleição não é destino.

Nostalgia não ganha jogo. Estatística passada não vota. E uma eleição não é obrigada a repetir a anterior apenas porque alguém encontrou uma sequência que parece conveniente para sustentar sua narrativa.

O segundo turno começa quando o primeiro termina. E é ali, diante de novas circunstâncias e de um novo cálculo do eleitor, que a disputa efetivamente recomeça.


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Se Flávio Bolsonaro for ao debate com Lula, afunda. Se não for, afunda também

Flávio chegou ao segundo turno carregando um problema que nenhum treinamento de televisão consegue esconder: agora não haverá candidatos para dividir os ataques, nem espaço para discursos genéricos, nem a possibilidade de transformar adversários ausentes em espantalhos.

Será Lula contra Flávio. Um contra um.

Se Flávio for ao debate, terá de encarar Lula de frente, responder perguntas, sustentar suas propostas e explicar contradições, alianças e episódios que sua campanha preferiria manter longe dos holofotes. E, sobretudo, terá de demonstrar que existe por trás do sobrenome Bolsonaro alguma coisa além da herança política do pai.

Se fugir, o problema muda de forma, mas não desaparece. A ausência será interpretada como medo do confronto, incapacidade de sustentar suas próprias ideias e falta de preparo para ocupar a Presidência da República.

É o clássico dilema: se correr, o eleitor vê a fuga; se ficar, o eleitor vê o despreparo.

Flávio pode até escolher não comparecer. Pode tentar transformar a ausência em estratégia. Pode produzir lives, vídeos, discursos e acusações. Mas nada disso substitui o teste mais elementar de uma eleição presidencial: sentar diante do adversário e explicar, olho no olho, por que o país deveria entregar a ele o comando da República.

Por isso, o debate com Lula é uma armadilha política para Flávio.

Se for, corre o risco de afundar diante das câmeras.
Se não for, corre o risco de afundar pela covardia.

E talvez seja justamente essa a maior fragilidade de sua candidatura: Flávio precisa desesperadamente do debate para provar que está preparado, mas o próprio debate pode provar o contrário.


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A entrega das chaves do Estado e da rampa do Palácio do Planalto ao Escritório do Crime

📝 ENSAIO CONSOLIDADO: A FÁBULA DOS CPFs E O CREPÚSCULO DOS MARCOS CIVILIZATÓRIOS

O debate político brasileiro foi deliberadamente anestesiado por um estamento burocrático e midiático que reduziu a crise do país a uma discussão de superfície sobre quem é ou não corrupto. Nós não estamos discutindo no Brasil quem é corrupto e quem não é corrupto; nós estamos discutindo marcos civilizatórios. A exaustão que sufoca a inteligência crítica nacional brota da percepção de uma dismetria histórica escandalosa, onde pequenos deslizes de imagem do campo progressista provocam linchamentos reputacionais e quedas de ministros — como a célebre tapioca de R$ 8,30 no cartão corporativo —, enquanto a extrema-direita normaliza a barbárie estrutural em troca de votos e status nos salões de Brasília.

Essa engenharia de normalização foi gestada a partir de laboratórios de blindagem retórica que hoje cobram o seu preço mais alto. Recordar o arsenal de frases clássicas durante as campanhas e governo bolsonarista anterior — como “o CPF de um não se confunde com o do outro”, “eu voto no pai, não nos filhos” ou o dissimulado “se o filho errou, que ele pague” — é compreender como o sistema foi progressivamente treinado para aceitar o inaceitável. Essa separação artificial de responsabilidades familiares serviu como biombo para acobertar interferências explícitas em órgãos de controle, como as trocas de comando na Polícia Federal, garantindo que a imagem de Jair Bolsonaro – enquanto chefe do Executivo, permanecesse blindada pelas torcidas digitais enquanto os seus herdeiros políticos pavimentavam alianças com o crime organizado e o extrativismo financeiro de figuras como Daniel Vorcaro e o Banco Master.

O resultado dessa cumplicidade discursiva e do apagamento da régua moral foi desnudado pelo próprio ecossistema da imprensa tradicional, que finalmente foi forçada a abandonar a complacência. No histórico e demolidor editorial “Flávio e a sombra dos milicianos”, o jornal O Estado de S. Paulo elevou o alarme a um nível existencial ao cravar que os vínculos históricos e nunca esclarecidos do senador Flávio Bolsonaro com operadores de organizações criminosas de sangue — como Robson Calixto, o “Peixe”, intermediário de emendas de seu gabinete e ligado aos mandantes do assassinato de Marielle Franco — não representam um problema paroquial. A candidatura de Flávio Bolsonaro embute o risco real e iminente da ascensão das milícias ao topo do poder da República. O artifício dos CPFs separados ruiu: o que está em jogo não é um erro isolado de um filho de presidente, mas a entrega das chaves do Estado e da rampa do Palácio do Planalto ao Escritório do Crime.

Diante de uma sociedade estruturalmente fraturada, onde um general subserviente que sabotou o oxigênio e as vacinas na pandemia é consagrado nas urnas e um ministro que operou para “passar a boiada” contra o meio ambiente obtém mais votos do que os defensores da floresta, o ato de votar deixa de ser uma escolha meramente partidária.

Escolher candidatos visceralmente comprometidos com as causas populares, com a justiça social real e com a preservação urgente da Amazônia e das instituições é a única salvaguarda civilizatória restante.

A fotografia oficial do governo federal assinando a Medida Provisória que bane as bets do território nacional é o retrato de uma burocracia que tenta conter, tardiamente, o colapso financeiro doméstico provocado por essa mesma hipocrisia e o mesmo cinismo sistêmico. Se a população não recuperar a sua soberania de pensamento para rasgar a cartilha da mentira performática e enxergar que os CPFs do crime operam sob o mesmo CNPJ político, o Brasil marchará definitivamente para o crepúsculo de sua dignidade, governado pelo terror das armas e pelo silêncio dos que escolheram fechar os olhos.

BASTIDORES DO CRIME

O levantamento de bastidores sobre a reação da campanha do senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), diante do avanço das investigações da Polícia Federal (PF) revela um cenário de alerta máximo e contenção de danos cirúrgica. O estopim da crise ocorreu com o vazamento de mensagens obtidas pela PF revelando que a sua secretária parlamentar no Senado, Maria de Fátima Bezerra Castro, intermediou o repasse de emendas de quase R$ 200 mil a pedido do miliciano Robson Calixto, o “Peixe”. Peixe foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 9 anos de prisão por atuar como o braço direito e elo de ligação dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão no assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.

Os bastidores do comitê político do PL expõem a engenharia de defesa desenhada para isolar o candidato a menos de dez dias do primeiro turno das eleições presidenciais:

1. O “Isolamento Técnico” e a Blindagem do Candidato

A ordem expressa da coordenação jurídica da campanha é desidratar o componente político do caso e tratá-lo sob um viés estritamente institucional. Em nota oficial emitida pelo gabinete, a defesa alega que a emenda de R$ 199.999,79 enviada ao Instituto IFOP para o projeto “Jogadores do Futuro” seguiu “critérios técnicos e a legislação vigente” do Ministério do Esporte. A estratégia nos bastidores é transferir o ônus da execução e prestação de contas integralmente para a ONG beneficiada, sob o argumento legal de que o parlamentar apenas indica o recurso, não gerenciando a aplicação final do dinheiro público (mesmo com auditorias do TCU apontando indícios de desvios desse montante).

2. A Ambiência do Silêncio sobre a Milícia

Diferente das reações intempestivas do passado, o QG de Flávio Bolsonaro adotou o silêncio obsequioso sobre o crime organizado. Em nenhuma das manifestações oficiais ou inserções digitais o senador pronuncia os nomes de “Peixe”, dos irmãos Brazão ou faz menção à estrutura das milícias do Rio de Janeiro. Nos bastidores, cientistas políticos e marqueteiros da campanha admitem que responder diretamente ao conteúdo das mensagens de WhatsApp — onde o miliciano se refere ao presidenciável como “nosso senador” — traria o assassinato de Marielle para o centro do debate nacional, o que validaria o duro editorial do Estadão que alertou para o risco da “ascensão das milícias ao topo do poder”.

3. A Contraofensiva nas Redes: “Cortina de Fumaça”

Para conter o avanço do desgaste junto ao eleitorado de classe média e das torcidas organizadas, a campanha de Flávio Bolsonaro acionou a máquina de desvios temáticos. A ordem nas redes é abafar o caso da assessora com duas pautas de forte apelo emocional:
• A exploração agressiva da recente Medida Provisória de Lula que baniu as bets, rotulando o atual presidente como “o pai do Tigrinho” para inflar o eleitorado conservador;
• O resgate das acusações contra o PT no caso do Banco Master, tentando equiparar as crises para diluir o impacto ético na cabeça do eleitor tribal.

O clima interno na campanha é de forte tensão geopolítica e institucional. Sabendo que as mensagens estavam no celular de Peixe desde a sua prisão, o comitê bolsonarista teme que novos trechos de conversas envolvendo o direcionamento de emendas para redutos milicianos da Zona Oeste do Rio vazem nos dias imediatamente anteriores ao pleito, quebrando de vez a narrativa de que o “CPF de um não se confunde com o do outro”.


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Site mostra onde é possível buscar votos para Lula virar contra Flávio no segundo turno

Plataforma independente cruza dados públicos do TSE, permite pesquisar endereços e aponta locais de votação com maior concentração de abstenções, brancos, nulos e votos em candidatos que ficaram fora da disputa

Em uma eleição decidida por uma diferença de pouco mais de dois milhões de votos no primeiro turno, uma iniciativa independente resolveu transformar os dados públicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em um mapa para mostrar onde ainda há eleitores em disputa no segundo turno entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

O site “Onde dá pra conversar” permite que o usuário informe onde mora, trabalha ou estuda, ou escolha diretamente um ponto no mapa, para identificar locais de votação próximos em que há maior número de votos potencialmente disponíveis para Lula.

A ferramenta não pertence à campanha do presidente, ao PT ou à coligação. Segundo a própria plataforma, trata-se de uma iniciativa independente e voluntária, feita pela MACAPE Pesquisas e Consultoria em Tecnologia Ltda., com conteúdo sob responsabilidade de Matheus C. Pestana.

Na página inicial, o projeto resume sua proposta: “Tem gente perto de você que pode fazer esse resultado virar”.

Como funciona o mapa
O sistema cruza os resultados do primeiro turno, seção por seção, com o cadastro dos locais de votação do TSE.

Entram no cálculo eleitores que não compareceram às urnas, votaram em branco ou nulo e aqueles que escolheram candidatos eliminados no primeiro turno, além da distribuição geográfica dessas votações.

A ferramenta exibe os pontos em um mapa do Brasil e permite pesquisar por bairro, cidade ou rua. A partir daí, mostra a dimensão do eleitorado que, segundo sua metodologia, ainda poderia ser disputado naquela região.

Na atualização exibida pelo site, baseada em 496.784 boletins de urna, a plataforma calculava 47.913.428 votos que poderiam ser disputados em todo o país e apontava 26.857 locais de votação nos quais apenas a soma de abstenções, votos brancos e nulos seria suficiente, segundo seus cálculos, para alterar o resultado local considerado pela ferramenta.

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O próprio projeto ressalta que os números vêm dos boletins de urna publicados pelo TSE e do cadastro oficial dos locais de votação.

Para calcular as abstenções, compara quantas pessoas estavam aptas a votar em cada urna com o número de eleitores que efetivamente compareceram.

Dados agregados e voto continuam secretos
Apesar do grau de detalhamento geográfico, a ferramenta não identifica eleitores individualmente nem revela em quem uma pessoa votou.

Os dados eleitorais utilizados são agregados por seção.

Segundo a Forum, é possível saber, por exemplo, quantos votos Lula, Flávio Bolsonaro ou outro candidato recebeu em determinada urna, assim como o número de abstenções, brancos e nulos, mas não quem deu cada voto.

O site informa também que não solicita nome, e-mail ou telefone de quem sinaliza que pretende realizar uma conversa em determinada região.

Ao clicar em “Vou conversar por aqui”, o mapa apenas registra mais uma pessoa naquela área, numa tentativa de distribuir os voluntários por diferentes locais.

A iniciativa foi inspirada no projeto “Como meus vizinhos votam”, que também utiliza dados eleitorais para mostrar a distribuição dos votos por local de votação.

Ferramenta também compara propostas
O projeto não se limita ao mapa.

Há uma seção dedicada a orientar conversas com diferentes segmentos do eleitorado, incluindo quem não foi votar, votou em branco, anulou o voto ou escolheu Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado ou Romeu Zema no primeiro turno.

No caso dos candidatos eliminados, o site coloca lado a lado trechos de seus programas de governo e do programa de Lula registrado no TSE, destacando pontos que considera semelhantes.

Entre os temas comparados estão educação integral, saúde mental, segurança pública, digitalização da saúde, prontuário eletrônico, filas do SUS e saneamento.

A plataforma disponibiliza as referências dos programas e as páginas de onde foram retirados os trechos apresentados.

“Olho no olho e nas redes”
O “Onde dá pra conversar” também apresenta uma espécie de roteiro de organização para quem pretende participar da mobilização eleitoral.

A orientação é consultar o mapa, formar grupos voluntários, dividir tarefas, conversar pessoalmente e atuar nas redes sociais.

Ao mesmo tempo, a página chama a atenção para limites da legislação eleitoral.

Orienta, por exemplo, a não adicionar pessoas sem consentimento a grupos de WhatsApp, não realizar disparos em massa e não pagar pelo impulsionamento de publicações.

A plataforma informa ainda que a mobilização de rua deve se encerrar às 22h de 24 de outubro, véspera do segundo turno.

No domingo (25), dia da votação, a orientação é não realizar campanha ou abordagem de eleitores.

A aposta do projeto é transformar a enorme quantidade de dados produzidos pelas urnas em uma pergunta mais concreta para a militância de Lula nesta reta final: não apenas quantos votos são necessários para virar a eleição, mas onde eles podem estar.


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Preocupante: PL rejeita acordo com STF e já mira impeachment de Moraes e Dino

O PL decidiu rejeitar qualquer acordo político com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e passou a discutir a apresentação de um pedido de impeachment contra ele no Senado em 2027. A sigla também coloca o ministro Flávio Dino entre os possíveis alvos da ofensiva.

Integrantes do partido avaliam que sinais atribuídos a ministros vistos como próximos ao governo poderiam abrir uma negociação envolvendo a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro e a anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro. A direção partidária, porém, não pretende vincular essas questões a uma trégua com Moraes.

O movimento ocorre após a defesa de Bolsonaro protocolar um novo pedido de revisão criminal. O relator do caso, ministro Kassio Nunes Marques, indicou que pretende levar o processo a julgamento depois do segundo turno.

O ex-presidente Michel Temer também entrou nas conversas políticas por ter manifestado apoio a Flávio Bolsonaro antes de outros candidatos derrotados e partidos. Temer indicou Moraes ao STF em 2017 e mantém interlocução com o ministro e com a família Bolsonaro.

PL calcula votos para processo contra Moraes no Senado
De acorco com o DCM, dentro do PL, há preferência por uma apuração no próprio STF sobre a relação de Moraes com o empresário Daniel Vorcaro, com eventual afastamento do ministro durante as investigações. Caso essa alternativa não avance, a legenda pretende concentrar esforços no Senado a partir de 2027.

Nos cálculos do partido, 49 senadores apoiariam o impeachment de Moraes. Para alcançar os 54 votos necessários à condenação e à perda do cargo, o grupo afirma que precisaria conquistar mais cinco votos.

Flávio Dino poderá entrar na mesma estratégia, a depender da atuação que o PL espera do ministro diante de uma eventual vitória eleitoral de Flávio Bolsonaro. A legenda considera que Dino pode se tornar alvo de pedido de impeachment caso avance em apurações que, na visão do partido, questionem o resultado das urnas.

Entre as preocupações citadas por dirigentes estão investigações sobre possível interferência estrangeira nas eleições brasileiras e procedimentos sigilosos relacionados ao uso de emendas parlamentares. O PL avalia incluir Dino na ofensiva caso essas frentes tenham novos desdobramentos.


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Grupo de Flávio Bolsonaro quer impedir discussão de hoje sobre o fim da 6×1 no Senado

O movimento é revelador: quando a pauta é melhorar a vida de milhões de trabalhadores, o bolsonarismo aparece para colocar obstáculos. A PEC que extingue a escala 6×1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas começa a ser discutida nesta terça-feira (6) no Senado.

E não é a primeira vez. Em setembro, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, afirmou que uma articulação de Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho, coordenador de sua campanha presidencial, havia contribuído para impedir o avanço da proposta no plenário.

Agora, às vésperas do segundo turno, a tentativa de retardar a discussão ganha um significado ainda maior. Marinho invoca as cinco sessões de discussão previstas para PECs, enquanto evita responder diretamente se houve tentativa de convencer Davi Alcolumbre a não pautar a matéria.

A questão é simples: quem trabalha seis dias para descansar um está pedindo mais do que discurso — está pedindo tempo para viver. A proposta prevê duas folgas semanais e manutenção do salário. Para ser aprovada, precisará de pelo menos 49 votos no Senado em cada turno.

O problema, para o grupo de Flávio, é que o fim da 6×1 transforma uma promessa eleitoral em uma conquista concreta. E é justamente aí que a máscara cai: enquanto tenta se apresentar como defensor do trabalhador, o bolsonarismo se movimenta no Congresso para dificultar uma mudança que pode significar mais descanso, mais convivência familiar e mais qualidade de vida.

Não é apenas uma disputa sobre calendário legislativo. É uma escolha política: acelerar uma conquista histórica dos trabalhadores ou empurrá-la para depois da eleição.


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Kassio Nunes quer julgar soltura de Bolsonaro após 2º turno e avalia libertar ex-presidente com liminar

Senador Flávio Bolsonaro (PL) prometeu indulto ao ex-presidente caso vença o segundo turno contra Lula (PT)

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Kassio Nunes Marques quer julgar logo após o segundo turno da eleição a ação que pede a soltura do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), independentemente de quem for o vencedor da disputa presidencial.

O magistrado avalia libertar Bolsonaro por meio de uma decisão liminar, mas o cenário mais provável é de que o caso (um pedido de revisão criminal feito pela defesa do ex-presidente) seja levado ao plenário da corte.

Kassio tem dito a auxiliares que vê uma série de “exageros” na ação da trama golpista conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, pela qual Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão. Bolsonaro cumpre a sentença em regime domiciliar.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) prometeu indulto ao ex-presidente caso vença o segundo turno contra Lula (PT). Porém, como só terá essa prerrogativa depois de eventualmente empossado, ele conta com uma decisão do ministro para subir a rampa do Palácio do Planalto acompanhado do pai.

Em maio, durante um evento da pré-campanha no Paraná, Flávio disse querer “fazer justiça” com o ex-presidente. “Ele vai subir aquela rampa junto com a gente em 2027”, projetou. O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, defendeu o mesmo durante uma live feita com o senador em setembro.

A interlocutores Kassio afirma que o pedido de revisão criminal feito pela defesa de Bolsonaro já está pronto para ser julgado, mas que ainda não liberou o processo para não ser acusado de interferir nas eleições -o ministro é o atual presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Kassio afirmou a um auxiliar que já refletiu sobre sua posição e concluiu que houve excessos no julgamento de Bolsonaro -por exemplo, em relação ao amplo direito de defesa e ao rigor da pena aplicada.

O ministro disse a essa pessoa próxima que sanções políticas não existem no Código Penal e que seu voto ou sua liminar serão capazes de causar uma “comoção nacional”, pois há muitos elementos sobre a tramitação da ação a serem contestados.

A decisão pode desencadear uma nova crise interna no Supremo, que já vem dividido desde o início do ano na esteira das investigações sobre o Banco Master, com ministros se acusando mutuamente de atuação com viés político.

Embora Kassio tenda a dar razão aos advogados, há uma ala no Supremo que discorda da revisão criminal: os ministros que já votaram pela condenação: Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. Eles ainda têm o apoio de Gilmar Mendes.

A avaliação é a de que esse tipo de pedido só pode ser admitido em casos excepcionais -por exemplo, quando surge um fato novo que comprove a inocência do réu ou quando há evidências de que a condenação ocorreu com base em depoimentos ou documentos falsos, o que não se aplicaria ao caso.

Já André Mendonça e Luiz Fux, que votou pela absolvição de Bolsonaro no julgamento, devem acompanhar o relator para rever a pena do ex-presidente. A dúvida recai sobre a posição do ministro Dias Toffoli e a do presidente do STF, Edson Fachin.

Em junho, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a rejeição do pedido de revisão criminal. De acordo com o PGR, a condenação definida pela Primeira Turma do Supremo foi baseada em um “vigoroso conjunto probatório”.

Gonet afirmou que o ex-presidente não teve uma postura passiva, mas se envolveu em uma articulação concreta para gerar um ambiente propício à violência e ao golpe de Estado, culminando nos atos antidemocráticos de 8 de Janeiro.

“O controle da maquina publica, a instrumentalização de recursos do Estado e a manipulação de suas funções foram usados para fomentar a radicalização e a ruptura da ordem democrática”, disse o procurador-geral.

Os advogados de Bolsonaro pedem a anulação da sentença e dizem ser necessária “a reparação do erro judiciário”. Eles alegam falta de individualização das condutas (identificação de quem fez o quê) e prejuízo à defesa, além de defenderem que o julgamento deveria ter ocorrido no plenário, e não na turma.

*ICL


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Não, as inúmeras mentiras de Flávio Bolsonaro não colaram. Elas foram estrategicamente retiradas de circulação pela grande mídia

Essa é a diferença que precisa ser explicitada. Não houve uma súbita descoberta da verdade por parte do eleitorado, nem um esclarecimento exemplar promovido pelos grandes veículos de comunicação. O que houve foi algo muito mais conveniente: as mentiras foram perdendo espaço à medida que deixavam de servir à narrativa construída para favorecer Flávio Bolsonaro.

O que ontem ocupava manchetes, chamadas, comentaristas e horas de televisão simplesmente desapareceu. Perguntas incômodas foram substituídas por outras. Contradições foram empurradas para o rodapé. Declarações falsas deixaram de ser confrontadas. E aquilo que deveria permanecer no centro do debate eleitoral foi convenientemente soterrado pelo próximo assunto fabricado pela agenda da mídia.

É assim que funciona a blindagem sofisticada: não é preciso provar que o candidato disse a verdade; basta impedir que o público continue lembrando que ele mentiu.

Flávio Bolsonaro não precisou necessariamente vencer a batalha da narrativa. Em muitos momentos, bastou que seus adversários midiáticos parassem de cobrar explicações. A memória do eleitor foi sendo disputada pela própria avalanche de notícias produzida pelos mesmos veículos que, anteriormente, davam enorme destaque às declarações do candidato.

Mas há um problema nessa estratégia: o eleitor pode até esquecer uma manchete, mas não necessariamente esquece a sensação de que alguma coisa não fecha.

As mentiras não colaram porque eram frágeis. E desapareceram da grande mídia porque continuar insistindo nelas poderia produzir justamente o efeito contrário ao pretendido: transformar contradições em perguntas permanentes, perguntas em desconfiança e desconfiança em rejeição.

Portanto, não confundam silêncio editorial com absolvição eleitoral.

As mentiras de Flávio Bolsonaro não foram desmentidas pela grande mídia; foram simplesmente retiradas de cena. E esse silêncio, por si só, diz muito mais sobre a imprensa que as apagou do que sobre a credibilidade de quem as contou.


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