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Com que moral a Globo vai cobrar explicações sobre Vorcaro?

Como Renata Lo Prete pretende questionar Flávio Bolsonaro sobre seu envolvimento com Daniel Vorcaro e tudo o que essa relação representa de nefasto para a política brasileira, se a própria Globo está às voltas com revelações que atingem dois de seus medalhões, também associados ao mesmo Vorcaro?

Eis a pergunta que não pode ser varrida para debaixo do tapete: com que autoridade moral a Globo pretende colocar Flávio Bolsonaro contra a parede se a própria casa tem explicações a dar sobre suas conexões com o personagem que está no centro dessa trama?

O problema não é apenas o que Renata Lo Prete vai perguntar. É, sobretudo, o que ela terá coragem de perguntar. Vai apertar Flávio sobre os vínculos com Vorcaro? Vai exigir respostas concretas, documentos e explicações sobre as suspeitas que cercam essa relação? Ou veremos mais um espetáculo de indignação seletiva, com perguntas duras para uns e luvas de pelica para outros?

Porque, quando o escândalo chega à porta do adversário, a velha mídia costuma vestir a toga de juíza. Mas, quando as conexões alcançam os seus próprios salões, o rigor pode desaparecer, o tom pode mudar e o silêncio pode se tornar uma conveniente estratégia de sobrevivência.

A credibilidade do jornalismo não se mede pela dureza das perguntas feitas aos adversários, mas pela disposição de fazer as mesmas perguntas aos aliados, aos poderosos e aos próprios donos da casa.

Se a Globo quer cobrar explicações de Flávio Bolsonaro, que cobre. E que cobre sem anestesia. Mas terá de aceitar que a mesma régua seja aplicada a todos os personagens dessa história, inclusive aos que circulam pelos corredores do próprio grupo de comunicação.

O que não dá é transformar o jornalismo em tribunal para os outros e em assessoria de contenção de danos para os seus.

Vorcaro não pode ser tratado como um problema apenas quando o seu nome compromete Flávio Bolsonaro. Se as conexões alcançam também figuras de peso da Globo, a pergunta deixa de ser somente o que Flávio tem a explicar. Passa a ser o que a própria Globo está disposta a esclarecer.

Afinal, o público não quer uma entrevista montada para produzir manchetes convenientes. Quer respostas. Quer coerência. Quer saber se existe, de fato, disposição para investigar todos os lados ou se a velha mídia continuará escolhendo a dedo quem merece ser encurralado e quem merece ser protegido.

A pergunta que paira sobre a entrevista é brutalmente simples: Renata Lo Prete vai fazer jornalismo ou vai administrar os constrangimentos da própria Globo?

Por isso não se espantem, se hoje na sabatina de Renata Lo Prete com Flavio Bolsonaro, assistir a um bem manejado festival de platitudes.


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Delator diz que aportes em fundo feitos para atender pedido de Flávio Bolsonaro viraram fraude

Empresário fez os aportes de U$ 12 mi no fundo para um investimento de Vorcaro. Meses depois, tentou resgatar os valores e não encontrou o dinheiro.

Em seu acordo de colaboração premiada, o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, relatou que fez os aportes de dinheiro no fundo Havengate acreditando que fazia um investimento a pedido de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O empresário diz que não sabia que os valores supostamente iriam financiar “Dark Horse”, a cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL). Meses depois, porém, quando a crise do banco se instalou, Freixo Junior tentou resgatar os valores investidos e não encontrou mais o dinheiro. Segundo o empresário, o aporte se revelou uma fraude. O fundo é administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.

Freixo Junior firmou acordo de colaboração premiada com a PGR, homologado pelo ministro André Mendonça, do STF, em setembro. O empresário era dono da Entre Investimentos e Participações, de onde partiram os valores enviados ao Havengate Development Fund, fundo sediado no Texas. Uma reportagem da revista piauí revelou que, originalmente, a minuta de suposto acordo de patrocínio previa que o dinheiro destinado ao filme iria para a produtora Go Up, no Brasil. Depois, no entanto, os repasses foram enviados ao Havengate, nos EUA.

O Havengate Development Fund LP aparece como sendo de propriedade de uma empresa do tipo LLC, a Havengate Development Fund GP LLC, registrada no mesmo endereço comercial em Dallas que o escritório de Calixto. Essa LLC tem como membros do quadro societário Paulo Calixto e o corretor de imóveis Altieris Santana.

Uma reportagem do Intercept mostrou que o Havengate havia sido criado originalmente para vender a investidores, inclusive brasileiros, participação em um projeto imobiliário no Texas chamado Havengate Community, empreendimento que não saiu do papel.

No início de setembro, o blog da jornalista Andréia Sadi revelou que Mineiro relatou sete repasses ao fundo entre fevereiro e setembro de 2025. Os repasses foram feitos por meio de “subscrição de cotas” e somaram US$ 12,333 milhões. A piauí também apontou a possibilidade de mais dois repasses. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, nega irregularidades e diz que pediu o dinheiro para o filme. No entanto, prometeu uma prestação de contas dos valores em maio e nunca a apresentou. Além disso, não explica por que o dinheiro foi enviado a um fundo no Texas, e não diretamente à Go Up.

A coluna procurou o advogado Marco Petrelluzzi, que defende Freixo Junior, mas ele disse que não poderia se manifestar. A defesa de Daniel Vorcaro pediu acesso ao expediente e a anulação da homologação do acordo, mas ainda não obteve resposta do ministro André Mendonça, relator do caso no STF.

Na colaboração, Freixo Junior admitiu que sua função junto a Vorcaro era “gerar” dinheiro vivo. Segundo o delator, em cerca de dois anos e meio, ele conseguiu para o banqueiro R$ 1,3 bilhão em espécie, entregue a Vorcaro e à sua equipe em malas de R$ 1 milhão a R$ 1,5 milhão. O dinheiro, de acordo com o relato, servia para pagar pessoas indicadas por Vorcaro.

Como funcionava a “geração” de dinheiro
Os pedidos chegavam por WhatsApp, feitos primeiro por Vorcaro e depois por [Fabiano] Zettel, [cunhado do banqueiro], e por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. Mineiro então acionava operadores, também por WhatsApp, e fazia transferências bancárias para empresas indicadas por eles. Uma dessas empresas era uma distribuidora de combustíveis que, segundo o delator, já havia aparecido na Operação Carbono Oculto. Os operadores obtinham as cédulas com contatos no Brás, na região central de São Paulo, e no setor de combustíveis. Depois, levavam o dinheiro à sede da Entre, na rua Iguatemi, no Itaim Bibi.

As entregas eram combinadas para o mesmo dia com Vorcaro, ou com alguém indicado por ele, para evitar guardar o dinheiro. Segundo o relato, elas aconteciam no estacionamento subterrâneo do prédio da Entre ou na garagem do edifício onde Zettel morava, no mesmo bairro. Pelo serviço, os operadores ficavam com 4% dos valores, e Mineiro, com 1%.

*Juliana Dal Piva/ICL


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Flávio Bolsonaro, o Usuário Master

A Polícia Federal identificou documentos que expõem a relação entre Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, que o convidou para viajar em um jatinho ligado a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Segundo a reportagem de O Globo, Flávio figurava como “usuário master” de uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa de Willer que detinha um terço da companhia proprietária do avião.
Na época, outra cotista era a Prime You, empresa da qual Vorcaro foi sócio até setembro de 2025.

A investigação também identificou registros de viagens de Flávio e familiares com Willer, além de conversas entre os dois por um aplicativo que apaga o registro de todas as mensagens.

A PF considera que os documentos podem indicar uma participação econômica ou societária de fato na holding.

Tudo indica que Flávio não só pediu dinheiro “pro filme do pai”, mas tinha negócios conectados a Vorcaro. Essa história precisa ser tirada a limpo!

*Texto da deputada federal, Tabata Amaral


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Observadores demonstram ‘preocupação’ com atuação do TSE e influência das big techs na eleição

Atos de Nunes Marques e de big techs em favor de Flávio Bolsonaro têm sido denunciados durante a eleição

A missão de observação eleitoral coordenada pelo Núcleo de Estudos e Pesquisa em Direito Internacional da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (NEPEDI/UERJ) apontou “preocupação” com a atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a possibilidade de interferência estrangeira na disputa presidencial brasileira durante o segundo turno. O grupo de pesquisa, que atua como observador das eleições brasileiras com autorização do TSE, cobrou ainda “particular rigor na fundamentação das decisões e na aplicação uniforme da legislação eleitoral”. O documento foi obtido pelo ICL Notícias.

O comunicado extraordinário divulgado pelo Nepedi nesta quarta-feira (14) representa uma mudança de entendimento sobre os riscos de interferência estrangeira –notadamente do governo Donald Trump, que atua desde 2025 para beneficiar a candidatura de Flávio Bolsonaro– na eleição presidencial. Em comunicado divulgado após o fechamento das urnas no primeiro turno, o grupo afirmou não ter verificado “incidentes ou ocorrências que pudessem indicar interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro durante o período observado”.

A afirmação foi citada textualmente por Nunes Marques para minimizar a denúncias de interferência do governo Trump nas eleições, inclusive por meio dos algoritmos das redes sociais. No segundo turno, ganharam força denúncias de boicote na entrega de conteúdos favoráveis a Lula ou críticos a Flávio Bolsonaro, exclusão arbitrária de conteúdos e mesmo bloqueio de perfis que estivessem tratando de política por um viés progressista.

A manifestação ocorre em meio às críticas feitas por juristas e atores políticos à condução do processo eleitoral dada pelo ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE. Reportagens e levantamentos acadêmicos indicam que o ministro tem adotado prazos e critérios diferentes para decisões em pedidos formulados por Flávio Bolsonaro (PL) e pela campanha do presidente Lula (PT) –dando celeridade e tratamento favorável aos pleitos do bolsonarista, enquanto atrasa a análise e nega pedidos similares feitos pela campanha do PT.

Críticas à atuação do TSE
Embora não cite nominalmente o Tribunal Superior Eleitoral, o comunicado do grupo de observação destaca as denúncias de que a corte, sob o comando de Nunes Marques, tem agido sistematicamente de maneira parcial na disputa eleitoral. O caso de maior repercussão é a exclusão do canal “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) para distribuir conteúdo sobre a candidatura petista e articular a militância progressista nas redes sociais.

“A Missão acompanha com preocupação as recentes controvérsias institucionais relacionadas à atuação da Justiça Eleitoral, mantendo-se igualmente atenta a suas repercussões no debate público. Os questionamentos relacionados à coerência das decisões judiciais, à igualdade de tratamento entre as candidaturas, aos limites da intervenção judicial no processo eleitoral e ao pleno exercício de direitos civis e políticos possuem especial relevância para o trabalho de acompanhamento e observação em curso”, diz o comunicado.

Nunes Marques determinou a suspensão do canal “Exército do Lula” –que já conta com mais de 3 milhões de contas inscritas– sob a alegação genérica de que a lista administrada por Janones distribuiria desinformação.

Uma decisão do corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, manteve o funcionamento da lista de Janones. No entanto, Nunes Marques voltou a derrubar o canal, sob o argumento de que ele deveria ser registrado oficialmente pela campanha de Lula e cumpra as exigências estipuladas na primeira decisão de suspensão.

Primeiro indicado ao STF por Jair Bolsonaro, Nunes Marques deixou de tomar qualquer providência similar contra o canal “Tropa do Flávio”, mantido pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), mesmo diante de casos provados de distribuição de fake news –caso de um vídeo que circulou na Argentina meses atrás, manipulado para afirmar que uma suposta militante petista estaria usando drogas durante a manifestação na Avenida Paulista, no último domingo (11).

O documento divulgado pelo Nepedi ainda cobra “particular rigor na fundamentação de decisões e na aplicação uniforme da legislação eleitoral”.

“A Missão ressalta que a independência da Justiça Eleitoral constitui garantia fundamental da democracia e deve estar permanentemente fundada em imparcialidade, transparência, segurança jurídica e respeito ao devido processo legal. A proximidade do segundo turno exige particular rigor na fundamentação das decisões e na aplicação uniforme da legislação eleitoral, de modo a preservar a confiança da cidadania nas instituições brasileiras”, afirma o documento em outro trecho.

A manifestação do Nepedi tem peso dado o histórico do grupo de pesquisa: o chefe da missão de observação –o jurista Raphael Carvalho de Vasconcelos– participou da formulação da resolução do TSE que instituiu a observação eleitoral no Brasil, em 2021. Desde então, o Nepedi tem participado do acompanhamento de eleições no país, como já faz em toda a América Latina, sendo referência internacional no tema.

Risco de interferência estrangeira
O documento ainda cobra do TSE providências sobre denúncias de interferência estrangeira na disputa eleitoral, sobretudo quanto à atuação de big techs americanas aliadas ao governo Trump. A campanha de Lula, militantes políticos e atores da sociedade civil têm denunciado sistematicamente o tratamento diferenciado dado por empresas como a Meta (dona do WhatsApp, do Instagram e do Facebook) e X (dona do antigo Twitter) a publicações com teor político sobre a disputa presidencial, impulsionando posts pró-Bolsonaro, recomendando perfis de extrema direita e restringindo o alcance de contas e publicações progressistas.

A campanha de Lula denunciou ao TSE e à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) a desativação indevida da conta de anúncios da campanha de Lula e uma falha na exibição dos views de vídeos no Instagram. Para o PT, os dois fatos fazem parte de um favorecimento sistemático à Flávio Bolsonaro. Entre os argumentos utilizados pelo partido para sustentar a afirmação está um levantamento realizado pela Secretaria Nacional de Comunicação do PT, que encontrou um engajamento na página de Flávio 2,96 vezes superior ao de Lula, mesmo com o perfil do senador tendo 17% menos seguidores que o do presidente.

“As denúncias amplamente divulgadas sobre a atuação de grandes plataformas digitais no processo eleitoral, diante da ausência de respostas contundentes por parte do Tribunal Superior Eleitoral, suscitam preocupações que não podem ser minimizadas. A gravidade dos fatos noticiados exige esclarecimentos e providências concretas, sob pena de comprometer a confiança pública na integridade do processo eleitoral e na capacidade das instituições de protegê-lo”, afirma o comunicado da missão de observação eleitoral.

Por fim, o Nepedi destaca os riscos que o sistema eleitoral brasileiro corre diante da percepção de que a disputa presidencial está sendo conduzida de maneira parcial pelo TSE.

“A credibilidade das eleições depende não apenas da regularidade da votação e da apuração, mas também da confiança na atuação das autoridades responsáveis pela condução de todo o processo eleitoral. Eventuais dúvidas sobre essa atuação, independentemente de sua procedência, merecem atenção pelas consequências que podem produzir sobre a percepção pública da integridade do pleito”, alerta o grupo de pesquisa.

*Igor Mello?ICL

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O plano da extrema direita para desmontar 30 anos de avanços democráticos e sociais

Eventual vitória de Flávio Bolsonaro abriria as portas para a implementação de um projeto reacionário na sociedade brasileira

Mais armas, mais desmatamento, grilagem de terras, asfixia da sociedade civil, privatização de praias, fim de assistência para meninas e controle ideológico sobre as escolas. Numa eventual vitória de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial e diante de um Senado com maioria de extrema direita, este poderia ser o cenário para o Brasil nos primeiros meses de 2027.

Nos últimos anos, a bancada mais ideológica do PL apresentou dezenas de projetos de lei no Congresso que, se aprovados, representariam uma guinada autoritária no país, o desmantelamento de conquistas sociais dos últimos 30 anos e uma transformação do papel da sociedade civil.

Mas, pelo menos por enquanto, parte deles tem sido freado diante da existência de um Poder Executivo progressista e de decisões do Supremo Tribunal Federal.

O risco, porém, é de que essa blindagem acabe com uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro para a presidência e sua capacidade de escolher quatro ministros dos STF, nos próximos anos.

O candidato do PL já falou abertamente sobre seu projeto de promover uma mudança da Constituição e insinuou que seu grupo permanecerá por décadas no poder. Mas, para grupos que acompanham os debates legislativos, serão os cem primeiros dias que podem marcar uma guinada autoritária sem precedentes na história democrática do país.

Um risco real é de que comissões constituídas pela sociedade civil e governo sejam desmobilizadas ou que tenham recursos cortados, repetindo o que o Jair Bolsonaro implementou a partir de 2019. O projeto de lei 1659 de 2024, ainda busca restringir o financiamento de recursos estrangeiros para ONGs, num esforço para asfixiar a sociedade civil e repetir o modelo adotado pela Rússia de Vladimir Putin. No dia 25 de novembro de 2025, a iniciativa já foi aprovada pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional.

O PL também fala abertamente numa anistia para os envolvidos nos atos criminosos de 8 de janeiro de 2023 e mesmo um indulto para atores centrais da tentativa de golpe de estado, incluindo Jair Bolsonaro.

Desmatamento legalizado
O que os projetos indicam, porém, é que o desmonte poderia ser muito mais amplo, inclusive com ações para secar o financiamento da Funai e do Ibama, atendendo a uma reivindicação do agronegócio.

Não por acaso, um dos maiores abalos seria no setor ambiental, com a aprovação de projetos que teriam consequências devastadoras para os compromissos internacionais do país na redução do desmatamento.

Isso incluiria a aprovação do PL 2159/2021 (“PL da Devastação”), que propõe flexibilizar o licenciamento ambiental no Brasil, reduzindo exigências e controles para empreendimentos com potencial impacto ambiental.

Depois de o PL do Veneno já ter sido aprovado, alterando as regras sobre agrotóxicos, uma nova ofensiva tem como meta substituir o termo “agrotóxico” por “defensivo agrícola”.

Os projetos ainda facilitarão a mineração em terras indígenas e reservas ambientais, a regularização fundiária e estímulo à grilagem de terras públicas, como no caso do PL 510/2021.

Já a PEC 59 transfere do Poder Executivo para o Congresso Nacional a competência final sobre a demarcação de terras indígenas, deixando na mão da extrema direita um processo crítico para os grupos autóctones.

O financiamento climático também será abalado com uma eventual aprovação dos PL nº 5082/2025 e PL nº 5080/2025, que permitem o enfraquecimento da Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental e do financiamento da política ambiental.

A água também está no foco. O PL nº 3686/2023 permitirá o represamento de cursos d’água para uso agropecuário, enquanto a PEC nº 03/2022 fala na privatização de praias. Existem ainda projetos de redução de Unidades de Conservação marinhas e a autorização para a mineração marinha.

A lista de projetos conduzidos pela extrema direita no Congresso ainda inclui o PL nº 2374/2020, que prevê anistia a desmatamento em reserva legal, além de mais de uma dezena de outros que falam na flexibilizam o Código Florestal, anistia para desmatamento, grilagem ou o enfraquecimento da fiscalização e dos embargos ambientais.

Estão ainda previstos cortes em prevenção de desastres, nos sistemas de alerta e infraestrutura, assim como o enfraquecimento da fiscalização ambiental.

Não faltam nem mesmo projetos que, sob o argumento de promover uma “transição energética justa”, recolocam o o carvão mineral como opção.

Mais armas
Com o modelo de Nayib Bukele, de El Salvador, com inspiração, uma das bandeiras ainda da extrema direita é a transformação das leis nacionais no que se refere à segurança pública. Nesse aspecto, projetos de lei visam ampliar o acesso às armas. Num deles, por exemplo, cria-se o “Programa Nacional de Proteção ao Agronegócio e Comunidades Rurais (PNPACR)”, com diretrizes de segurança rural, flexibilização de porte de armas para populações rurais e endurecimento penal contra crimes em áreas rurais.

No setor de segurança pública, alguns sinais já apontam para o caminho que deve ser adotado por Flávio Bolsonaro. O Projeto Anti-Facção (Projeto de Lei 5582/25), já aprovado, equipara facções a organizações terroristas, abrindo a possibilidade para que táticas de guerra e mesmo os militares sejam usados em territórios densamente urbanizados.

Risco contra populações de periferias e eventualmente contra atores da sociedade civil. Nos EUA, isso já acontece.

Mas isso seria apenas o início de um processo mais profundo que incluiria a aprovação da PEC 32, que propõe a redução da maioridade penal, o aumento do tempo de internação, a revogação do instituto da audiência de custódia ou propostas que vedam a liberdade provisória.

Um pacote ainda de projetos fala abertamente na garantia de ampliar as autorizações para o porte de armas no Brasil, inclusive para agentes socioeducativos e oficiais de Justiça. O PL 302/2026 também prevê a ampliação do porte para várias categorias, incluindo guardas, vigilantes e até agentes de trânsito.

Controle dos corpos…femininos
O avanço da extrema direita também pode ser crítico para a aprovação de dezenas de projetos que restringem as liberdades, principalmente para mulheres e meninas.

Tramita no Congresso, por exemplo, o PL 4844/2023, que proíbe o debate sobre educação sexual nas escolas. Já o PL 5069 pretende criminalizar a “indução ao aborto” e a divulgação de meios abortivos. O PL 6335 ainda cria a chamada “objeção de consciência”, permitindo que profissionais se recusem a cumprir normas legais por motivos morais, éticos ou religiosos.

A ofensiva contra o aborto é ainda um carro chefe da extrema direita, mesmo diante da Constituição autorizar o procedimento em casos muito limitados no Brasil, como em um estupro.

O PL 1515, por exemplo, busca proibir os procedimentos abortivos realizados por telemedicina, enquanto outras iniciativas já derrubaram decisão do Conanda que facilitava o acesso de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual ao aborto.

Se aprovados, os projetos de lei da extrema direita tornarão o aborto legal no Brasil em um trâmite impossível de ser realizado. Algumas iniciativas, por exemplo, vedariam o aborto após 22 semanas, equiparando o ato a um homicídio. O PL 1125, se aprovado, exigiria que a vítima apresente um Boletim de Ocorrência e exame de corpo de delito para realização do aborto legal.

Medidas que tramitam no Congresso desde 2012 ainda sugerem alterar a Constituição para estabelecer o direito à vida como inviolável desde a concepção.

Controle do currículo escolar
Não faltam ainda projetos que visam transformar as escolas públicas no Brasil. O Projeto de Lei de Homeschooling (PL 1338/2022) abriria a possibilidade de oferta domiciliar da educação básica, enquanto o PL 2.154/2023 criaria o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares, ampliando a todo território nacional experiências que já vêm sendo adotadas em alguns estados.

Em 2026, o PL 1.765 propôs a criação do Programa Nacional de Consentimento Parental na Educação (PNCE), permitindo que pais possam autorizar ou vedar participação dos filhos em atividades sobre “ideologias de gênero”.

Júlia Neiva, representante da Conectas, afirma que como projetos como os apontados acima demonstram como a ascensão de governos autoritários alteram estruturas tidas como inabaláveis, demonstrando como proteções de direitos e da democracia que pareciam invioláveis são destruídas de forma orquestrada.

*Jamil Chade/ICL


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FMI joga a toalha com a política econômica de Milei, ídolo de Flavio Bolsonaro

O recuo do FMI diante da economia argentina é um golpe político para Javier Milei, o presidente ultraliberal que Flávio Bolsonaro transformou em ídolo e modelo para o Brasil. Ou seja, caos.

Segundo as novas projeções divulgadas em 13 de outubro, o Fundo Monetário Internacional reduziu de 3,5% para 2,1% a previsão de crescimento do PIB argentino em 2026. Ao mesmo tempo, elevou a estimativa de inflação média anual de 30,4% para 32,5%. Para 2027, a projeção de crescimento também caiu, de 4% para 3,5%. Está aí o modelo de economia que Flavio Bolsonaro quer para o Brasil.

O que o FMI fez foi reconhecer, por meio de suas projeções, que a economia argentina vai de mal a pior.

E é justamente aí que a propaganda da extrema direita começa a desmoronar. Milei foi vendido como o grande exemplo de que basta cortar gastos, atacar o Estado e entregar a economia à lógica do mercado para fazer um país prosperar. Mas, quando as previsões de crescimento encolhem e a inflação volta a pressionar, a realidade cobra seu preço.

Para Flávio Bolsonaro, que exalta Milei como referência política, o problema é ainda maior. Quem pretende importar o modelo argentino precisa explicar o que pretende importar junto com ele: o ajuste econômico, a perda de dinamismo ou a promessa de prosperidade que vive sendo adiada?

O Brasil não precisa de um presidente disposto a transformar o país em laboratório de experiências ultraliberais. Precisa de um projeto que combine responsabilidade econômica com emprego, renda, investimento e proteção social.

Afinal, governar não é produzir vídeos de motosserra, posar de rebelde contra o Estado ou repetir slogans de campanha. Governar é melhorar a vida da população.

Milei é o ídolo de Flávio Bolsonaro. Mas, quando o ídolo tropeça, o candidato que o usa como exemplo também precisa prestar contas. O Brasil não pode ser empurrado para uma aventura econômica apenas porque a extrema direita decidiu transformar o presidente argentino em garoto-propaganda.


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Flávio e Michelle se aproximam de pastor que quer retirar Nossa Senhora Aparecida do posto de Padroeira do Brasil

A reunião de Flávio Bolsonaro e Michelle com um bispo que defendeu retirar Nossa Senhora Aparecida do posto de Padroeira do Brasil abre uma discussão que vai além da política eleitoral: a relação entre religião, poder e respeito à tradição religiosa brasileira.

O episódio levanta uma questão importante: como conciliar o discurso de defesa da fé cristã com a aproximação a uma liderança religiosa que questiona um dos símbolos mais tradicionais do catolicismo brasileiro?

O caso envolve o bispo JB Carvalho, da Comunidade das Nações. Reportagens registram declarações dele contrárias à devoção a Nossa Senhora Aparecida e sua proximidade com Flávio Bolsonaro.

A aproximação com os Bolsonaro ocorreu antes mesmo das eleições de 2018, através de Michelle Bolsonaro. Ainda antes da posse, Jair Bolsonaro visitou a igreja Comunidade das Nações em dezembro de 2018, e lá recebeu orações de Carvalho e de outros líderes evangélicos. Em 2019, Bolsonaro retornou à igreja com Michelle e Damares Alves, durante a Conferência Global da Comunidade das Nações.

Em setembro de 2021, Carvalho foi um dos líderes religiosos que articulou a indicação de André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal.

Em 2022, durante a campanha de reeleição de Bolsonaro, Carvalho comparou Jair Bolsonaro a Donald Trump, afirmando:

“ Eu espero que, antes que seja tarde, nós saibamos que Jair Bolsonaro é a resposta às orações da igreja.”

Mesmo após a derrota de Bolsonaro em 2022, os laços com a família continuaram estreitos, particularmente com Michelle Bolsonaro. Em junho de 2026, Carvalho a apresentou à pregadora nigeriana Obii Pax-Harry, que também integra a ICAL.

Vínculos com Flávio Bolsonaro
O senador do PL Flávio Bolsonaro, e sua esposa Fernanda Bolsonaro, foram batizados num templo da Comunidade das Nações em 2024. Em fins de 2025, já na qualidade de pré-candidato presidencial, Flávio retornou à igreja em sua primeira aparição pública após confirmar a candidatura.

A proximidade entre o bispo e a família Bolsonaro foi evidenciada pelo fato de Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro terem levado livros de JB Carvalho para Jair Bolsonaro, então preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília: Metanoia: A chave está em sua mente foi levado por Flávio em novembro de 2025 e Michelle levou A jornada de meninos a homens em janeiro de 2026.


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Bolsonaristas ameaçam invasão a terra indígena no Pará se Flávio Bolsonaro for eleito, diz site

Mensagens obtidas pela Folha de S. Paulo mostram fazendeiros planejando ofensiva na TI Apyterewa após o segundo turno

Pecuaristas e fazendeiros do sudeste do Pará articulam a invasão da Terra Indígena (TI) Apyterewa caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) vença o segundo turno das Eleições 2026 contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A articulação foi revelada por reportagem do jornal Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (12), com base em um conjunto de oito áudios enviados por aplicativo de mensagens e relatos de moradores dos arredores da reserva protegida.

As gravações obtidas pelo jornal paulista indicam que invasores planejam ingressar na área demarcada a partir de 25 de outubro, data da votação do segundo turno, para reabrir fazendas e pastagens ilegais.

As mensagens expressam a expectativa dos pecuaristas de que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro na Presidência da República e a posse do governador eleito do Pará, Dr. Daniel (Podemos), resultem na desregulamentação da área e na retirada da posse permanente dos indígenas da etnia Parakanã.

Homologada em 2007, a TI Apyterewa está localizada no município de São Félix do Xingu (PA), possui 773 mil hectares e abriga mais de mil indígenas parakanãs. Por se tratar de um povo de recente contato com a sociedade não-indígena, a comunidade possui alta vulnerabilidade sociocultural e epidemiológica frente a invasões predatórias de seu território.

Segundo as lideranças locais, os recados recomendam que os indígenas abandonem o território ou evitem transitar em setores onde pecuaristas já preparam o solo para plantio e pastagem. Relatos colhidos na região também apontam movimentação atípica de motocicletas e caminhonetes e a aquisição de lonas e ferramentas agrícolas por invasores para dar início à ocupação territorial logo após as eleições.

Governo federal monitora ameaças
O teor das mensagens e o risco de novas invasões chegaram aos órgãos de inteligência do governo federal e integraram a pauta da reunião do Comitê de Desintrusão na última quinta-feira (8).

Em nota à Folha de S.Paulo, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) informou que acompanha o aumento da pressão para a ocupação ilegal e deliberou pelo envio de reforço policial.

“Durante a reunião, o Comitê deliberou pelo reforço das ações de segurança, incluindo o aumento do efetivo mobilizado, a fim de intensificar a manutenção da desintrusão e prevenir novas ocupações ilegais”, disse a pasta à reportagem, acrescentando que a investigação sobre os áudios que citam as eleições cabe às autoridades policiais.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) confirmou que acompanha o cenário e alertou para mobilizações semelhantes no restante da Amazônia.

Autoridades federais também investigam se a explosão recente de queimadas na reserva foi provocada de forma deliberada por grileiros. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) compilados pelo Programa Xingu mostram que os focos de calor na Apyterewa saltaram de 41 em julho para 626 em agosto e alcançaram 1.007 em setembro.

Histórico de destruição
A TI Apyterewa sofreu intenso avanço da grilagem e do garimpo durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL), período em que se consolidou como uma das terras indígenas mais desmatadas do país.

Números do Inpe mostram que o desmatamento no território saltou de 18,9 quilômetros quadrados em 2018 para 85,3 quilômetros quadrados em 2019, atingindo o pico histórico de 102,2 quilômetros quadrados devastados em 2022. Na época, invasores chegaram a erguer uma vila clandestina dentro da área demarcada, denominada Vila Renascer.

Em 2020, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 709 que o governo federal expulsasse os invasores do território, ordem que não foi cumprida na administração bolsonarista.

A operação integrada de desintrusão teve início no final de 2023, sob a gestão Lula, reduzindo a taxa anual de desmatamento para 20,6 quilômetros quadrados. O processo de retomada foi marcado por forte resistência armada de pecuaristas, que executaram emboscadas contra agentes de fiscalização e destruíram pontes de acesso.

No histórico recente de confrontos, um servidor da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) foi baleado no final de 2023 e um colaborador terceirizado do Ibama foi assassinado em emboscada em 2025.

O Brasil de Fato entrou em contato com a campanha de Flávio Bolsonaro e com o Governo do Estado do Pará para solicitar posicionamento sobre os áudios e as ameaças de invasão da Terra Indígena Apyterewa. Até a publicação desta reportagem, nenhuma das partes havia se manifestado.

*BdF


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TSE não encontra no canal Exército de Janones conteúdo denunciado por Flávio Bolsonaro

A área técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou nesta segunda-feira (12) que não encontrou no canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), o conteúdo citado pela campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) em denúncia contra o grupo. A conclusão contraria o argumento apresentado para pedir medidas contra a página. Com informações de Folha de S.Paulo.

Em relatório enviado ao presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, a Assessoria de Enfrentamento à Desinformação declarou: “Quanto à circulação de conteúdos idênticos ou substancialmente equivalentes, não foram localizadas, entre as publicações do canal no período de 2 a 11 de outubro de 2026, reproduções das afirmações examinadas nos autos”.

Kassio solicitou a análise da área técnica após receber o pedido da campanha de Flávio, que acusa Janones de usar o canal para disseminar informações falsas e coordenar ataques contra a candidatura do senador. A manifestação técnica examinou as publicações feitas durante o período indicado no processo, segundo o DCM.

Antes do relatório, Kassio havia determinado a suspensão do canal, medida que provocou críticas dentro do tribunal. O “Exército do Lula” reúne mais de 3 milhões de usuários e integra a estratégia digital da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Corregedor derrubou suspensão e pediu julgamento urgente

O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva – Foto: Reprodução
O corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, derrubou a decisão que bloqueava o canal e ordenou o restabelecimento de seu funcionamento. Ele também pediu que o caso entre na primeira sessão virtual regimentalmente disponível.

Cueva solicitou apreciação urgente, de preferência em até 24 horas. A decisão mantém o canal ativo enquanto o TSE analisa a controvérsia apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro.

O corregedor também determinou apuração sobre eventual circulação, em outras plataformas digitais, de conteúdo distribuído pelo canal. A solicitação incluiu a verificação de providências adotadas para avaliar riscos à integridade do processo eleitoral.

A disputa chegou ao debate entre os candidatos. Nesta segunda-feira (12), Lula cobrou uma postura imparcial de Kassio Nunes Marques e afirmou que o presidente do TSE “não pode ter lado”.


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Flavio Bolsonaro e a imagem de Mussolini

A foto de Flávio Bolsonaro que remete à propaganda de Benito Mussolini tem um significado político muito forte: ela aproxima visualmente a campanha de Flávio da estética de propaganda do fascismo italiano. Não é apenas uma questão de aparência; é também uma questão de símbolos, memória histórica e mensagem política.

Segundo reportagem publicada pelo UOL em 10 de outubro de 2026, o canal oficial do Partido Liberal (PL) no WhatsApp divulgou uma montagem com o rosto de Flávio em preto e branco, ao fundo da expressão “Tropa do Flávio”. A composição lembrava uma propaganda de Mussolini instalada em Roma, em 1934. O partido retirou a imagem do ar e afirmou que não pretendia fazer essa associação.

O que essa imagem significa politicamente?

Culto à figura do líder
A propaganda fascista transformava o chefe político em símbolo absoluto do movimento. A repetição de sua imagem e de palavras de ordem buscava transmitir força, autoridade e unidade em torno de um homem.

A estética da mobilização autoritária
O preto e branco, a repetição de palavras e a centralidade do rosto do candidato evocam uma linguagem visual associada à propaganda política de massa. Nesse caso, a semelhança com uma peça histórica do regime fascista é o ponto central da controvérsia.

A normalização de referências extremistas
Quando símbolos associados a regimes autoritários aparecem em materiais de campanha, surge uma questão importante: até que ponto a comunicação política está normalizando referências históricas ligadas à supressão do pluralismo e das liberdades democráticas?

Por que a referência a Mussolini é tão grave?
Benito Mussolini foi o ditador que liderou o regime fascista italiano. Seu governo concentrou o poder, perseguiu opositores, reprimiu a imprensa livre e destruiu instituições democráticas.

A imagem histórica evocada pela montagem de Flávio foi utilizada em 1934, num plebiscito organizado sob o regime fascista, em que a escolha dos candidatos era controlada pelo próprio sistema.

Politicamente, a repercussão é significativa. A pergunta que fica é por que um partido que disputa a Presidência da República divulgou uma peça com uma referência visual tão carregada de significado histórico.

Em síntese, a fotografia coloca em discussão a relação entre o bolsonarismo, a exaltação de lideranças fortes e os símbolos históricos do autoritarismo. Não é preciso afirmar que Flávio seja Mussolini para reconhecer que a associação é politicamente explosiva.

E há uma contradição que merece ser explorada, quem pede o voto dos brasileiros em nome da democracia precisa explicar por que sua própria estrutura partidária divulga uma imagem que remete à propaganda de uma ditadura fascista.

O recado de Flavio Bolsonaro está dado, caso vença a eleição. Depois não diga que não foi avisado.


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