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Cotidiano

Morre Gloria Menezes aos 91 anos

Glória Menezes, uma vida dedicada à arte e um legado que atravessa gerações

A dramaturgia brasileira perde, nesta terça-feira (18), uma de suas maiores referências. Glória Menezes morreu aos 91 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro, encerrando uma trajetória artística de mais de seis décadas no teatro, no cinema e na televisão. A morte foi confirmada pela família e pela assessoria da atriz.

Nascida em Pelotas (RS), em 1934, Glória Menezes começou sua trajetória artística ainda nos anos 1950 e rapidamente se tornou uma das protagonistas da transformação da dramaturgia brasileira. Na televisão, foi pioneira ao protagonizar, ao lado de Tarcísio Meira, a primeira novela diária brasileira, “2-5499 Ocupado”, em 1963.

Sua carreira foi marcada por uma impressionante versatilidade. Glória transitou do drama à comédia, da mocinha à vilã, construindo personagens que permanecem na memória afetiva do público. Em mais de 40 novelas, participou de produções que se tornaram clássicos, como “Irmãos Coragem”, “Pai Herói”, “Guerra dos Sexos”, “Rainha da Sucata”, “A Próxima Vítima”, “Torre de Babel”, “Senhora do Destino” e “A Favorita”.

Entre seus trabalhos mais emblemáticos está Laurinha Figueroa, de “Rainha da Sucata”, personagem que mostrou sua extraordinária capacidade para a comédia e para a composição de tipos populares. Também brilhou em papéis dramáticos, revelando uma atriz capaz de reinventar-se continuamente sem jamais perder sua identidade artística.

No cinema, sua importância não foi menor. Glória participou de “O Pagador de Promessas”, filme dirigido por Anselmo Duarte que conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes, em 1962.

Ao lado de Tarcísio Meira, com quem foi casada por 59 anos, Glória também protagonizou uma das mais conhecidas histórias de amor da televisão brasileira. Os dois formaram uma parceria artística e afetiva que atravessou décadas e se tornou parte da própria memória da televisão nacional.

Mais do que a quantidade de trabalhos, porém, o tamanho de seu legado está na influência que exerceu sobre a dramaturgia. Glória ajudou a consolidar uma forma mais naturalista de interpretação na televisão brasileira, afastando-se de uma atuação excessivamente teatralizada e contribuindo para aproximar personagens e público.

Seu último trabalho em novelas foi “Totalmente Demais”, em 2015. Depois, manteve uma vida mais reservada, embora continuasse sendo lembrada e homenageada por colegas e admiradores. Em 2025, foi celebrada no programa “Tributo”, reafirmando a dimensão de uma carreira que já havia ultrapassado gerações.

A partida de Glória Menezes deixa um vazio impossível de preencher. Mas também deixa algo maior: personagens inesquecíveis, interpretações que resistiram ao tempo e uma contribuição definitiva para a cultura brasileira.

Glória não foi apenas uma atriz de televisão. Foi parte da história da dramaturgia brasileira. Sua voz, seus gestos, suas personagens e sua maneira singular de interpretar permanecerão vivos enquanto o público continuar revisitando as histórias que ela ajudou a transformar em memória.

A televisão perde uma de suas grandes damas. O Brasil, porém, ganha a permanência de uma obra que não termina com a morte de sua intérprete. Glória Menezes deixa a cena, mas permanece no imaginário de gerações.


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Política

O maior cabo eleitoral de Flávio Bolsonaro depois do pai é o ministro “terrivelmente evangélico”

Se Jair Bolsonaro continua sendo o principal fiador político de Flávio Bolsonaro, há um personagem que, pelo peso institucional de suas decisões e pela visibilidade que ganhou no cenário eleitoral, passou a ocupar um espaço cada vez mais incômodo nessa equação: o ministro André Mendonça, o magistrado que chegou ao Supremo indicado por Bolsonaro sob a célebre promessa de ser “terrivelmente evangélico”.

A relação entre Mendonça e o universo bolsonarista não é uma invenção retórica. Ele foi indicado ao STF por Jair Bolsonaro em 2021 e mantém proximidade conhecida com Michelle Bolsonaro. Ao mesmo tempo, tornou-se relator de investigações envolvendo o caso Master e fatos relacionados a Flávio Bolsonaro. A própria imprensa tem destacado o peso político que suas decisões podem adquirir durante a campanha eleitoral.

É justamente aí que está o ponto central da questão: quando um ministro do Supremo passa a ocupar uma posição capaz de produzir decisões com impacto direto sobre a disputa eleitoral, cada despacho ganha uma dimensão que ultrapassa os autos.

Não se trata de afirmar que Mendonça esteja agindo para beneficiar Flávio. O próprio ministro afirma que suas decisões serão baseadas nas evidências apresentadas pela Polícia Federal e que não permitirá que preferências políticas interfiram em sua atuação.

Mas política também é percepção. E, numa eleição tão polarizada, a percepção de independência é tão importante quanto a independência propriamente dita.

O problema se torna ainda mais delicado porque Flávio enfrenta questionamentos relacionados à sua relação com Daniel Vorcaro e aos R$ 61 milhões destinados à produção do filme “Dark Horse”. Flávio nega irregularidades e afirma que sua relação com Vorcaro esteve ligada à busca de recursos para o projeto cinematográfico.

Nesse ambiente, qualquer decisão judicial envolvendo o candidato pode repercutir como um terremoto político.

Por isso, a cobrança precisa ser objetiva: Mendonça não tem que provar que é contra Flávio Bolsonaro. Tem que provar, a cada decisão, que não é a favor dele.

E essa diferença é fundamental.

A Justiça não pode ser percebida como instrumento de proteção de aliados, tampouco como arma contra adversários. Um ministro do STF não é cabo eleitoral de candidato algum. Sua única obrigação é com a Constituição, com as provas e com a imparcialidade.

Se Flávio Bolsonaro pretende disputar a Presidência apresentando-se como herdeiro político do pai, precisa responder politicamente pelos próprios atos. E se André Mendonça ocupa a cadeira que Bolsonaro lhe entregou, precisa demonstrar institucionalmente que a toga não veio acompanhada de compromisso político com a família que o indicou.

No fim das contas, a questão é simples e contundente: quanto maior o poder de uma decisão judicial sobre uma candidatura, maior precisa ser a transparência sobre os critérios que a fundamentam.

Porque, numa democracia, nenhum candidato pode ter como cabo eleitoral o poder da caneta de um ministro do Supremo.


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Política

As ruas estão refletindo algo bem diferente do que dizem as pesquisas sobre Flávio Bolsonaro

Há uma diferença cada vez mais evidente entre o que algumas pesquisas apontam sobre Flávio Bolsonaro e aquilo que se vê nas ruas. Enquanto os números tentam sustentar a ideia de uma candidatura competitiva, a realidade dos atos políticos parece revelar um cenário muito menos confortável — marcado por esvaziamento, baixa mobilização e dificuldade para transformar apoio virtual ou eleitoral em presença concreta.

Política se faz também com gente. E gente nas ruas. É justamente aí que a candidatura de Flávio Bolsonaro parece encontrar um de seus maiores problemas. Quando um candidato precisa recorrer a discursos inflamados, às redes sociais e à máquina bolsonarista para tentar produzir a sensação de força, mas não consegue levar multidões para seus atos, há algo que merece ser observado com atenção.

As ruas não fazem pesquisa eleitoral, mas podem oferecer um termômetro importante do grau de entusiasmo de uma candidatura. E o que esse termômetro vem mostrando não combina com a imagem de força que determinados levantamentos tentam projetar.

O bolsonarismo continua tendo um núcleo fiel e barulhento, ninguém ignora isso. O problema é outro: transformar esse núcleo em uma maioria capaz de sustentar uma candidatura presidencial. Entre a bolha digital e a realidade das ruas existe um abismo — e Flávio Bolsonaro parece estar descobrindo isso da maneira mais incômoda.

A pergunta, portanto, não é apenas quantos eleitores dizem preferir Flávio numa pesquisa. É quantos estão dispostos a sair de casa, ocupar as ruas, participar de atos e defender publicamente sua candidatura.

Porque eleição não se ganha apenas com números em tabelas ou hashtags nas redes sociais. Ganha-se com votos, mas também com capacidade de mobilização, presença política e conexão real com a sociedade.

E, se as ruas continuarem falando uma língua tão diferente daquela apresentada pelas pesquisas, talvez seja hora de perguntar se a candidatura de Flávio Bolsonaro é realmente tão forte quanto seus aliados querem fazer parecer — ou se estamos diante de mais uma bolha política prestes a perder altitude.


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Política

Vídeo – Flopou novamente: ato de Flávio Bolsonaro em Minas expõe fracasso da campanha

Se a estratégia de Flávio Bolsonaro era transformar Minas Gerais em uma demonstração de força eleitoral, o resultado passou longe disso. O ato realizado em Belo Horizonte, nesta segunda-feira (17), voltou a expor a dificuldade da candidatura em produzir mobilização popular compatível com a dimensão do projeto presidencial.

Depois de uma largada em Copacabana marcada por público muito inferior aos grandes atos que consagraram Jair Bolsonaro naquele mesmo território político, Flávio chegou a Minas precisando mostrar que não depende apenas do sobrenome. E encontrou, novamente, uma realidade incômoda: discurso inflamado, promessas radicais e referências permanentes ao pai não parecem suficientes para transformar a candidatura em fenômeno de massas.

O contraste é particularmente significativo porque Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país e historicamente ocupa posição estratégica nas eleições presidenciais. Ainda assim, o candidato precisou apostar no apoio de lideranças locais e até fazer acenos a Cleitinho, que lidera as pesquisas para o governo estadual.

O problema, portanto, não é apenas o tamanho de um ato. É o que ele simboliza. Uma campanha que pretende se apresentar como herdeira de uma força política capaz de mobilizar multidões começa encontrando dificuldades para reproduzir justamente aquilo que marcou o bolsonarismo: a capacidade de colocar grandes contingentes nas ruas.

Flávio tenta vestir a camisa do pai, repetir seus símbolos, seus discursos e até percorrer os mesmos lugares emblemáticos. Mas eleição não se ganha apenas por herança. É preciso demonstrar força própria.

E, até aqui, o que aparece nas ruas é justamente o contrário: muita propaganda, muita retórica e pouca gente.

Se em Copacabana o desempenho já havia acendido o sinal amarelo, o episódio de Minas reforça a impressão de que a candidatura de Flávio ainda não encontrou o caminho para transformar o capital político herdado da família Bolsonaro em mobilização eleitoral própria.

Flopou novamente. E, desta vez, no coração de um dos estados mais importantes para qualquer projeto presidencial.


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Política

Até quando André Mendonça fará ouvidos moucos para a relação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro?

Até quando o ministro André Mendonça pretende fazer ouvidos moucos diante das conexões que vêm sendo reveladas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master? A pergunta deixou de ser retórica. Ela se tornou uma questão de transparência, de isenção e, sobretudo, de respeito ao princípio de que a Justiça deve tratar todos os envolvidos sob os mesmos critérios.

Flávio Bolsonaro admitiu ter procurado Vorcaro em busca de recursos para financiar o filme Dark Horse, produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. A partir daí, a relação entre o senador e o banqueiro passou a integrar o radar das investigações. O próprio Mendonça já autorizou a abertura de inquérito para apurar os repasses relacionados ao filme.

Então, a pergunta inevitável é: se existem elementos suficientes para investigar o dinheiro que teria circulado nessa relação, por que não aprofundar todas as conexões entre Flávio, Vorcaro e o universo do Banco Master?

Não se trata de condenar ninguém antecipadamente. Trata-se exatamente do contrário: de investigar com rigor, sem blindagens, sem privilégios e sem dois pesos e duas medidas. Se a relação foi absolutamente regular, que as investigações demonstrem isso. Se houve irregularidade, que os responsáveis respondam por ela.

O problema é que, quanto mais surgem informações sobre o caso Master e sobre a proximidade entre personagens desse universo, maior fica a necessidade de esclarecimentos públicos. Vorcaro continua no centro de uma investigação de enorme gravidade e, segundo seu novo advogado, manifesta disposição para colaborar novamente com a Justiça.

E é justamente nesse cenário que o silêncio ou a demora em esclarecer determinadas conexões se torna politicamente incômodo. A Justiça não pode parecer seletiva. Muito menos quando o investigado ocupa posição de destaque na disputa presidencial e quando as relações financeiras em questão envolvem um dos maiores escândalos bancários sob investigação no país.

André Mendonça tem afirmado que o Judiciário deve exercer autocontenção e evitar a politização de investigações sensíveis, inclusive no caso Banco Master. Pois bem: nada seria mais coerente com esse discurso do que permitir que os fatos sejam apurados até o fim, doa a quem doer.

Não cabe ao STF proteger políticos. Cabe ao STF garantir que ninguém esteja acima da investigação.

Se Flávio Bolsonaro não tem nada a esconder, que apresente documentos, esclareça contratos, explique os recursos e deixe que a investigação siga seu curso. E se existem outras pontas dessa relação com Vorcaro, elas precisam ser examinadas.

Porque, em uma democracia, a pergunta que deve ser feita não é “quem está sendo investigado?”, mas sim “por que determinado vínculo ainda não foi completamente esclarecido?”

E essa pergunta, cada vez mais, chega à porta do ministro André Mendonça.


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Política

Lançamento da campanha de Lula: foi bonita aquela festa, pá

Foi bonita aquela festa, pá. E não apenas pela força das imagens, pela energia da militância ou pelo entusiasmo de quem compareceu ao lançamento da campanha de Lula. Foi bonita porque revelou, mais uma vez, a diferença entre um projeto político que pretende governar o Brasil e uma oposição que parece cada vez mais prisioneira de seus próprios fantasmas.

O lançamento da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva teve o simbolismo de quem entra em uma disputa eleitoral carregando não apenas uma candidatura, mas uma trajetória política. Lula chega ao palco com o peso de uma história conhecida pelos brasileiros, com realizações de seus governos e com a disposição de transformar a eleição em um debate sobre o futuro do país.

E há algo especialmente significativo nessa festa: a política voltou a ocupar o lugar da política. Em vez de transformar a eleição em um desfile de ressentimentos, ameaças, teorias conspiratórias e ataques permanentes às instituições, Lula aposta no discurso, na mobilização e na ideia de que governar exige apresentar caminhos concretos para o Brasil.

A diferença não poderia ser mais evidente.

De um lado, uma candidatura que procura falar de emprego, renda, desenvolvimento, soberania, democracia e melhoria das condições de vida da população. Do outro, uma direita que continua orbitando em torno do bolsonarismo, tentando transformar a eleição presidencial em uma espécie de plebiscito permanente sobre Jair Bolsonaro, Donald Trump, STF, guerra cultural e inimigos imaginários.

A festa de Lula incomoda justamente porque demonstra que existe vida política além do bolsonarismo.

E talvez seja esse o ponto que mais assuste seus adversários. O campo progressista não precisa importar um salvador estrangeiro, não precisa pedir autorização a Washington para defender seus interesses e não precisa transformar a política brasileira em uma guerra de símbolos. Precisa falar com o povo brasileiro.

O lançamento também deixa uma mensagem importante: eleição se ganha com voto, mas antes disso se ganha com capacidade de dialogar com a sociedade. Não basta produzir vídeos para redes sociais, fabricar inimigos ou repetir palavras de ordem. É preciso convencer milhões de brasileiros de que existe um projeto capaz de melhorar suas vidas.

Por isso, foi bonita aquela festa, pá.

Bonita porque havia gente celebrando a democracia. Bonita porque havia esperança. Bonita porque havia política sem precisar recorrer ao ódio como combustível. E bonita, sobretudo, porque mostrou que, quando o debate eleitoral começa de verdade, o Brasil pode escolher entre projetos — e não simplesmente entre gritos, ameaças e submissões.

A campanha apenas começou. Mas a festa já deixou um recado aos adversários: Lula entrou na disputa para disputar o Brasil, não para pedir licença a ninguém.


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Política

Antropofagista: um blog que transforma informação em resistência

Em um ambiente político e midiático cada vez mais marcado pela disputa de narrativas, o blog Antropofagista ocupa um espaço próprio no debate público brasileiro. Mais do que um veículo de notícias, o blog se consolidou como um espaço de opinião, análise e crítica política, especialmente dedicado a questionar versões apresentadas como verdades definitivas pelos setores mais poderosos da sociedade.

O nome Antropofagista remete à tradição modernista brasileira da antropofagia: a ideia de devorar referências externas, reelaborá-las e transformá-las a partir de uma perspectiva própria. No campo da comunicação política, essa proposta ganha um sentido particularmente interessante: receber a informação, confrontá-la, contextualizá-la e devolvê-la ao leitor sob o olhar crítico de quem não aceita a narrativa pronta.

Ao longo de sua trajetória, o blog tornou-se uma trincheira de resistência ao pensamento único. Seus textos frequentemente partem dos acontecimentos do cotidiano político para revelar contradições, interesses e disputas de poder que nem sempre aparecem no noticiário convencional. É justamente nessa capacidade de ir além da manchete que está uma de suas principais características.

Em tempos de redes sociais, algoritmos e plataformas digitais capazes de determinar quais informações chegam ao público, produzir jornalismo independente e opinião crítica tornou-se ainda mais importante. A democracia não depende apenas do direito de votar. Depende também da existência de espaços nos quais diferentes interpretações possam circular, governos possam ser questionados e grupos economicamente poderosos possam ser submetidos ao escrutínio público.

O Antropofagista se insere nesse cenário como uma voz assumidamente crítica. E essa característica, longe de ser um problema em um ambiente democrático, faz parte da própria pluralidade que sustenta a democracia. O jornalismo e a opinião pública não precisam ser neutros diante de todas as situações; precisam, sobretudo, ser capazes de apresentar argumentos, confrontar fatos e permitir que o leitor forme sua própria compreensão.

A importância de um blog político também está na possibilidade de disputar a agenda pública. Muitas vezes, aquilo que começa como uma denúncia, uma análise ou uma pergunta publicada em um veículo independente acaba repercutindo nas redes sociais e alcançando espaços muito maiores. A comunicação alternativa, portanto, deixou de ser apenas uma margem do sistema tradicional de mídia. Ela passou a participar diretamente da formação da opinião pública.

Nesse sentido, o Antropofagista representa também uma experiência de comunicação política que aposta na palavra como instrumento de enfrentamento. Em vez de aceitar passivamente a versão dos acontecimentos produzida pelos grandes centros de poder, procura provocar o leitor, levantar questões e expor aquilo que considera incoerente, injusto ou politicamente conveniente.

É evidente que nenhum veículo está acima de críticas. Todo espaço de opinião deve estar sujeito ao contraditório, à verificação dos fatos e à cobrança por responsabilidade. Mas isso não diminui a relevância de iniciativas independentes. Ao contrário: quanto mais concentrado estiver o poder de comunicação, maior será a necessidade de vozes capazes de contestá-lo.

O Antropofagista, portanto, não é apenas um blog sobre política. É parte de uma disputa maior: a disputa pelo direito de interpretar o Brasil. Em uma sociedade atravessada por interesses econômicos, conflitos políticos e uma batalha permanente pela construção das narrativas, disputar informação também é disputar democracia.

E talvez seja justamente essa a maior força de um veículo como o Antropofagista: lembrar que notícia não precisa ser o ponto final de uma discussão. Pode ser o começo de uma pergunta. Pode provocar indignação, reflexão e mobilização. Pode, sobretudo, lembrar ao leitor que, por trás de cada narrativa política, existem interesses, personagens e relações de poder que precisam ser examinados.

Em tempos de conformismo e desinformação, manter viva a crítica é uma forma de resistência. E é nesse território que o Antropofagista encontrou sua identidade.

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Política

Fracasso do ato de Flávio Bolsonaro no Rio expõe fragilidade e provoca revolta entre aliados

O primeiro grande ato de campanha de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro, realizado em Copacabana, terminou muito longe da demonstração de força que o bolsonarismo esperava. A mobilização reuniu cerca de 8,9 mil pessoas, se muito, segundo estimativa do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap, e provocou críticas dentro do próprio campo político do candidato.

O problema não foi apenas o número de participantes, mas a imagem produzida pelo evento. A escolha de uma área ampla da orla acabou evidenciando espaços vazios e alimentando a percepção de que a capacidade de mobilização do herdeiro político de Jair Bolsonaro está muito aquém daquela exibida pelo pai em seus grandes atos. Aliados chegaram a questionar o formato da mobilização e a estratégia adotada pela campanha.

E há uma ironia política difícil de esconder: o evento foi cuidadosamente montado para apresentar Flávio como sucessor de Jair Bolsonaro, reproduzindo símbolos, slogans, discursos e até a voz do ex-presidente. Mas, quando se esperava uma demonstração de força capaz de provar que o bolsonarismo poderia sobreviver ao seu principal líder, o resultado acabou revelando justamente o contrário: a dificuldade de transferir automaticamente a popularidade e a capacidade de mobilização do pai para o filho.

A reação dos aliados revela que a preocupação vai além de uma fotografia desfavorável. Em uma campanha presidencial, cada ato funciona também como demonstração de musculatura política. Um palanque esvaziado, especialmente no Rio de Janeiro — território historicamente associado à família Bolsonaro — pode transmitir a mensagem de isolamento justamente quando Flávio precisa convencer partidos, lideranças e eleitores de que sua candidatura tem viabilidade nacional.

O cenário fica ainda mais delicado diante das dificuldades para construir alianças estaduais. O Centrão vem mantendo distância da candidatura, enquanto movimentos políticos no Rio e em Minas Gerais indicam que parte das forças que tradicionalmente orbitavam o bolsonarismo prefere preservar seus próprios interesses eleitorais.

Flávio pode até tentar minimizar o episódio, mas política também se faz de imagens. E a imagem de Copacabana não foi a de uma direita em expansão: foi a de um grupo tentando provar que ainda possui a força de outrora.

Se o primeiro grande ato de campanha pretendia apresentar Flávio como o novo líder da direita brasileira, acabou produzindo uma pergunta incômoda para seus próprios aliados.


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Pesquisa

BTG/Nexus: Lula beira 50% dos válidos na espontânea e vence em todos os cenários

Lula tem vantagem de 14 pontos sobre Flávio Bolsonaro entre as mulheres. Pesquisa BTG/Nexus traz alerta sobre os que se classificam como “não polarizados”.

Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (17), um dia após o início oficial da campanha, mostra que Lula com metade dos votos válidos na pesquisa espontânea, quando não são revelados os nomes dos candidatos. O presidente vence também todas as simulações de segundo turno contra os candidatos da direita e Flávio Bolsonaro (PL), seu principal oponente na ultradireita.

Na pesquisa espontânea, Lula é citado por 38%, 9 pontos a mais que Flávio Bolsonaro, lembrado por 29%. Renan Santos (Missão) tem 3%; Ronaldo Caiado (Missão) 2%; e Romeu Zema 1%. Todos os outros somados têm 3%.

Excluindo os 6% que declaram voto nulo ou branco e 17% que não sabem ou não responderam à pesquisa, Lula chega a 49,35% dos votos válidos.

No segundo turno, Lula segue vencendo todos os adversários: 47% a 44% contra Flávio Bolsonaro; 45% a 42% contra Caiado; 46% a 41% contra Zema; e 47% a 36% contra Renan Santos.

Mulheres e não polarizados
Na pesquisa estimulada, quando são mostrados os nomes dos candidatos, Lula têm 41% das intenções de votos e Flávio 36%. Em seguida aparecem: Ronaldo Caiado (PSD) com 5% e Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) com 4% cada. Augusto Cury (Avante) e Samara Martins (UP) marcam 1%. Os demais não chegam a 1%. Brancos e nulos são 5% e 2% não responderam.

O detalhamento mostra o presidente 14 pontos à frente do filho “01” de Jair Bolsonaro (PL), com Lula com 46% das intenções de votos femininos e Flávio com 32%. Entre os homens, o senador lidera por 41% a 36% no primeiro turno.

No recorte religioso, Lula segue com 12 pontos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro, liderando por 46% a 34%. Flávio está à frente entre os evangélicos, superando o presidente por 49% a 34%.

A BTG/Nexus, no entanto, traz um alerta para a campanha petista entre os eleitores que se classificam como “não polarizados”, que dizem não se alinhar a Lula ou ao bolsonarismo.

Nesse nicho eleitoral há uma situação de empate técnico, com Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula por 32% a 31%. O dado reflete, em parte, a tentativa de Flávio Bolsonaro se desvincular das crises, como o envolvimento com Daniel Vorcaro no escândalo do Master, e o adesão da mídia liberal, que tem promovido ataques contra o presidente.

A Nexus ouviu 2.003 eleitores por telefone entre os dias 14 e 16 de agosto de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.

Leia a íntegra da pesquisa BTG/Nexus de 17 de agosto de 2026

*Forum


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Política

Trump considera novas sanções contra Moraes, diz Financial Times

Medida é vista como um sinal de que ingerência dos EUA na eleição irá escalar

O jornal britânico Financial Times revelou, neste domingo, que o governo Donald Trump está considerando aplicar novas sanções contra o juiz Alexandre de Moraes. O ministro já havia sido alvo de medidas por parte da Casa Branca, em 2025. Naquele momento, a alegação eram as supostas violações do brasileiro em relação à liberdade de expressão e o que foi chamado de “caça às bruxas” contra bolsonaristas.

A Lei Magnitsky foi aplicada, com sanções financeira contra o ministro. Mas o gesto foi duramente criticado pelos autores da lei nos EUA e pelos democratas. No final de 2025, diante de uma aproximação comercial entre Lula e Trump, elas foram retiradas.

Mas, em meio a uma nova onda de crises e ataques, Washington estaria revendo sua posição e poderia anunciar as medidas nos próximos dias. Mais uma vez, o argumento central seria seu ataque contra a liberdade imprensa e de expressão.

Se aplicadas, as sanções representariam mais um teste para a já tensa relação entre os dois governos, Ainda que seja contra um ministro do STF, o governo Lula passou a adotar a postura de que uma sanção seria contra as instituições do país.

Ingerência na eleição
O gesto é ainda visto como um sinal de que, em um momento chave da eleição, Trump avalia escalar a ingerência no processo de escolha do próximo presidente.

Tanto o Palácio do Planalto quanto o Itamaraty consideram que a intromissão da Casa Branca para favorecer Flávio Bolsonaro já é uma realidade. O governo estima que, nas próximas semanas, as ações por parte de Washington vão ser multiplicadas.

Jornalista no Maranhão
Desta vez, um dos motivos seria a decisão de Moraes de agir contra um jornalista no Maranhão. O ministro autorizou a quebra de sigilo das comunicações do jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, de 40 anos.

O caso seria usado na Casa Branca como “prova” de que o ministro seria um “inimigo” da liberdade de expressão.

Citando pessoas próximas ao poder nos EUA, o jornal destaca que a figura de Moraes é alvo de duras críticas em Washington.

“Ele está perseguindo os apoiadores do presidente. Não apenas Elon Musk, mas também os apoiadores do MAGA no Brasil”, acrescentou uma pessoa familiarizada com o pensamento do governo americano.

“Mesmo que queiramos um bom relacionamento com o Brasil, obviamente esse cara é um inimigo.” A reimposição das medidas Magnitsky estava “sob consideração”, disse outra pessoa.

Mas o caso do Maranhão não é o único. “Havia muitos fatores [e] um padrão consistente de abuso. Este é apenas o mais recente”, acrescentou, referindo-se ao caso do jornalista. “As preocupações nunca desapareceram.”

*Jamil Chade/ICL

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