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Desapropriação de terras destruídas por crimes ambientais é autorizada pelo STF

Assinada por Flávio Dino, decisão determina que União, Amazônia e Pantanal adotem ações efetivas para punir responsáveis por incêndios intencionais.

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a União desaproprie propriedades rurais onde forem comprovados incêndios criminosos ou desmatamento ilegal, desde que fique clara a responsabilidade do dono do imóvel.

A decisão foi tomada nesta segunda-feira (28), segundo a Forum, após um ano de recordes de queimadas que devastaram áreas importantes da Amazônia e do Pantanal. A medida faz parte de uma ação aberta em 2020 pelo partido Rede Sustentabilidade, com apoio de organizações como WWF, Greenpeace, Instituto Socioambiental e Observatório do Clima.

Além da desapropriação, Dino ordenou que a União, a Amazônia Legal e Pantanal adotem medidas para impedir a regularização fundiária de terras envolvidas em crimes ambientais. Também deverão ser movidas ações de indenização contra os responsáveis.

“Não é razoável gastar bilhões de dinheiro público todo ano para combater incêndios e desmatamentos ilegais”, escreveu Dino. Segundo ele, “com este ciclo perpétuo, pune-se duplamente a sociedade: pelos danos ambientais e pelo dispêndio evitável de recursos públicos”.

O ministro também reforçou a obrigatoriedade do uso do SINAFLOR — sistema que controla a origem de produtos florestais — para autorizações de supressão de vegetação. E cobrou que a União explique se houve subutilização dos recursos do Ibama e do ICMBio em 2024, além de pedir informações sobre a digitalização dos registros de imóveis rurais.

Com a decisão, União e estados terão que apresentar planos e relatórios sobre as ações adotadas para garantir o cumprimento das ordens judiciais.

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Mundo

Com aval global, Israel mantém estupro e tortura de palestinos em prisões: “matadouros humanos”

Israel faz das prisões verdadeiros cemitérios para vivos e segue praticando violações sem obstáculos, investigações, julgamentos ou mínima pressão internacional.

Não surpreende que o inferno na Terra tenha um rosto palestino, mas hoje ele assume uma forma ainda mais sombria e nítida nas prisões da ocupação israelense – instalações que ultrapassaram todos os limites da razão, transformando-se em matadouros humanos onde se infligem aos detentos palestinos, especialmente os da Faixa de Gaza, as formas mais brutais de humilhação e tortura.

Imagens vazadas do interior da prisão de Ketziot e do campo militar de “Ofer”, juntamente com os testemunhos dos detentos repassados pela Comissão de Assuntos dos Detentos e Ex-Detentos e pela Sociedade dos Prisioneiros Palestinos, não deixam margem para dúvidas: estamos diante de crimes plenamente caracterizados, que vão do estupro à tortura física e psicológica, passando pela fome e culminando em um genocídio em câmera lenta.

O abuso sexual sistemático revelado pelos detentos nos confronta com uma questão de humanidade antes mesmo de uma questão legal: como o mundo pode assistir impassível a atos que fazem reviver as épocas mais sangrentas da história humana? No campo de “Ofer”, o horror não termina no estupro – ele é praticado diante dos demais detentos, para degradar e quebrar a todos. Bastões são inseridos à força repetidamente no corpo do detento até que ele sufoque, e quando ele grita, sua dor se torna fonte de prazer para seu torturador.

Em Ketziot, a tragédia não é menos selvagem: os detentos usam baldes como sanitários, não têm acesso à água potável, sofrem de sarna, são privados de roupas limpas e dormem sobre colchões rasgados. É a experiência de ser enterrado vivo sem cova – sem remédios, sem higiene, sem dignidade, apenas um tormento contínuo.

O que torna o crime ainda mais doloroso é o fato de o mundo ver e ouvir – e ainda assim nada fazer. Não há comissões de investigação, não há julgamentos, nem sequer pressão real sobre as autoridades ocupantes. Já se passaram 19 meses desde os massacres abertos em Gaza, e nada mudou. Pior: o tempo tornou-se aliado do crime, e não seu inibidor.

Neste contexto, é vital repensar a eficácia do sistema internacional de direitos humanos, que se tornou não apenas impotente, mas cúmplice por seu silêncio. Quando o detento palestino se torna um alvo público de estupro, fome e tortura, sem sequer uma declaração séria de condenação, isso significa que a “exceção israelense” já não é mais uma exceção – ela se tornou a norma nesta era de colapso moral.

Talvez seja hora de fazer uma pergunta mais profunda: o que significa ser humano se tais crimes passam como boletins meteorológicos? Qual o propósito do direito internacional se ele não consegue impedir que um bastão seja enfiado no corpo de um jovem desarmado, apenas por ele ser palestino?

O silêncio do mundo já não é apenas negligência – é participação ativa no crime.

*Wisam Zoghbour/Viomundo

*Wisam Zoghbour Jornalista, membro da Secretaria-Geral do Sindicato dos Jornalistas Palestinos e diretor da Rádio Voz da Pátria.

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Economia Mundo

BRICS preparam resposta ao pacote tarifário de Trump

Chanceleres negociam declaração conjunta contra restrições unilaterais ao comércio mundial.

Os chanceleres do BRICS se reunirão no Rio de Janeiro nos dias 28 e 29 para discutir uma resposta conjunta ao pacote tarifário dos EUA, implementado durante o governo de Donald Trump. Além da crise comercial, as discussões incluirão o financiamento para ações contra as mudanças climáticas.

O pacote tarifário, que havia sido suspenso temporariamente, impõe tarifas sobre produtos de quase todos os países, visando proteger a indústria norte-americana, causando quedas nas bolsas e aumentando o risco de recessão. A China, como maior economia do bloco, continua sujeita a essas tarifas.

O embaixador brasileiro, Mauricio Carvalho Lyrio, destacou que o grupo pretende reafirmar seu apoio ao comércio multilateral e criticar as medidas unilaterais. Ele também mencionou a necessidade de fortalecer a Organização Mundial do Comércio (OMC), cujas funções de mediação estão comprometidas desde as ações de Trump em 2019, segundo o Congresso em Foco..

Essa reunião serve como preparação para a cúpula de chefes de Estado do BRICS, agendada para julho no Rio, onde o ministro Mauro Vieira liderará os debates. A reunião busca transformar-se em uma plataforma contra práticas protecionistas, também abordando financiamento climático, o papel do Sul Global no comércio e a reforma da governança internacional, além de apoiar o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF).

 

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Política

Anistia, ou pode chamar de ‘deterioração de patrimônio tombado’

“Não só por experiência pessoal, mas porque tenho um gosto específico por esporte, sabe-se que nem num torneio de Mixed Martial Arts (MMA) se permite que uma pessoa apanhe durante 40 minutos porque uma surra de 40 minutos é conducente à morte. Só para termos uma ideia, esses lutadores bem preparados fisicamente lutam três rounds de cinco minutos por um de descanso”.

Foi assim que muitos anos atrás, em 2013, Luiz Fux votou por não tornar réu um deputado federal denunciado ao STF por aplicar uma surra de 40 minutos à ex-mulher. Segundo Fux, relator do caso, não havia elementos materiais para aceitar a denúncia de violência doméstica contra o obscuro deputado do Centrão Arthur Lira porque, afinal, no peito da mulher espancada seguia batendo um coração.

Tal e qual “debaixo da toga bate o coração de um homem”.

Lá atrás, em 2013, Fux foi voto vencido e Lira virou réu. Depois, porém, foi absolvido pela Segunda Turma do STF.

Na semana passada, a Primeira Turma do STF condenou a cabelereira Débora Rodrigues a 14 anos de prisão por sua participação no 8/1. Fux votou pela absolvição de Débora pelo crime de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Em seu voto, o ministro propôs a condenação da cabelereira apenas pelo crime de “deterioração de patrimônio tombado”, como se de fato ela estivesse em Brasília a passeio e resolvesse, sem mais nem menos, decorar a estátua de Justiça com batom.

Não por acaso, o voto de Fux recebeu elogio de Michelle Bolsonaro e, nesta segunda-feira, 28, no Globo, Bela Megale informa que o bolsogolpismo prepara para a semana que se inicia “um movimento de apoio e elogios a Luiz Fux”. Não será surpresa se pintar uma camiseta (quem sabe um capacete?) estampada com a frase: “debaixo da toga bate um coração”.

No caso de Débora Rodrigues, Luiz Fux foi voto vencido na queda de braço com o relator Alexandre de Moraes. “Queda de braço”, aliás, foi a expressão usada por Deltan Dallagnol em mensagem de Telegram enviada a Sergio Moro no dia 22 de abril de 2016 para se referir a uma suposta adesão de Luiz Fux ao morogolpismo (“Conversei com o Fux mais uma vez hoje. Reservado, é claro”), contra os freios que Teori Zavascki ensaiava, na época, impor à Lava Jato.

À mensagem sobre o apoio de Fux à República de Curitiba na “queda de braço” com Teori Zavascki, Moro respondeu com a famosa frase que arrisca virar camiseta também, agora, quase 10 anos depois: “in Fux we trust”.

É o que acontece quando a República Federativa do Brasil assobia e olha para cima, dá de ombros, diante de uma referência de tamanha gravidade feita por conspiradores a um ministro do Supremo Tribunal Federal: in Fux they still trust.

*Hugo Souza/Come Ananás

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Mundo

Apagão generalizado atinge Portugal e Espanha, causa paralisação e afeta outros países da Europa

Na Espanha, aeroportos e metrôs inteiros pararam nas principais cidades. Há registros de falta de luz também na França e na Itália.

Várias localidades de Portugal, Espanha e Itália registraram um “apagão geral” no início desta segunda-feira (28/4), deixando moradores sem energia elétrica e sinal de celular, além de paralisar aeroportos e transportes viários.

apagão

Serviços críticos, como hospitais, tiveram que recorrer a geradores para manter suas operações. A falha elétrica também afetou o funcionamento de semáforos e sistemas de telefonia

Rádios de Portugal, um dos países mais afetados, informam “falhas na rede elétrica” na Europa. As emissoras de televisão falam em uma “falha generalizada” no continente europeu, mas ainda não há informações sobre as origens do problema.

Relatos nas redes sociais indicam falta de energia em diversas cidades portuguesas, entre elas Lisboa. Na Espanha, há registros de falta de luz em cidades como Madrid e Barcelona.

Apagão: ministro de Portugal não descarta ciberataque
Ainda em Portugal, o ministro Adjunto e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, afirmou à “RTP Notícias” que não está descartada a possibilidade de ciberataque e que o apagão afeta vários países europeus.

A “Red Electrica”, operadora da rede elétrica espanhola, disse que estava a trabalhando para restaurar a energia.

Na Espanha, aeroportos e metrôs inteiros pararam nas principais cidades. O Aeroporto de Barajas, em Madri, continua sem energia e o metrô de Valência anunciou a suspensão de todos os seus serviços.

Dados da rede elétrica espanhola, a Red Eléctrica, mostram uma queda enorme em questão de segundos. Cidades inteiras, incluindo Sevilha, Barcelona e Pamplona, ​​também continuam afetadas.

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Mundo

Sobe para 40 número de mortos em explosão no maior porto do Irã; causa ainda é desconhecida

Presidente iraniano Massoud Pezeshkian ordenou a abertura de uma investigação sobre tragédia, que também deixou mais de 1,2 mil feridos;

A explosão no maior porto comercial do Irã, ocorrida no sábado (26/04), deixou pelo menos 40 mortos e mais de 1,2 mil feridos, segundo um novo balanço divulgado neste domingo (27/04) pela televisão estatal, enquanto os esforços continuam para conter o incêndio. O incidente ocorreu enquanto Teerã realizava a terceira rodada de negociações nucleares com os Estados Unidos em Omã.

“Até o momento, 40 pessoas perderam a vida devido aos ferimentos causados pela explosão”, afirmou à televisão Mohammad Ashouri, responsável pela província de Hormozgan (sul), onde fica o porto Shahid Rajaei, perto da cidade costeira de Bandar Abbas.

De acordo com a mídia estatal, incêndios continuavam a ser combatidos neste domingo (27) em várias partes da área afetada, com helicópteros e bombeiros trabalhando para apagá-los.

Produtos químicos presentes no porto foram suspeitos de ter contribuído para a explosão, mas a causa exata ainda não foi determinada. O Ministério da Defesa iraniano negou relatos da mídia internacional que sugeriam que a explosão poderia estar relacionada a manuseio inadequado de combustível sólido utilizado em mísseis.

Um porta-voz do ministério afirmou à televisão estatal que a área afetada pela explosão não tinha nenhuma carga militar.

O presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, ordenou a abertura de uma investigação sobre a explosão. Mais cedo neste domingo, ele se dirigiu ao local para expressar sua “gratidão” aos socorristas, conforme mostram as imagens divulgadas pela televisão pública.

Um porta-voz da organização iraniana de gestão de crises indicou que a explosão teria sido causada pelo armazenamento inadequado de produtos químicos em contêineres no porto de Shahid Rajaei.

Fatemeh Mohajerani, porta-voz do governo, pediu cautela, afirmando que, embora produtos químicos provavelmente tenham causado a explosão, ainda não era possível determinar a causa exata do incidente.

*Opera Mundi

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Política

Dino dá 48 horas para Sóstenes Cavalcante, líder do PL, explicar ameaça de controlar emendas para forçar votação da anistia

Ministro do STF cobra explicações do líder do PL na Câmara por fala sobre manobra com verbas públicas.

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu 48 horas para que o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) esclareça declarações sobre um possível rompimento de acordos internos envolvendo o controle das emendas parlamentares de comissão.

A convocação foi feita neste domingo (27), após o líder do PL afirmar que poderia passar a gerenciar 100% das emendas dos colegiados presididos por seu partido, como forma de pressionar o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a acelerar a votação da urgência do projeto que anistia os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro.

Durante entrevista, Sóstenes sugeriu que, caso Motta não paute a urgência da proposta, o PL poderia romper o acordo informal sobre a divisão das emendas. Atualmente, 30% dos recursos ficam com o partido que preside a comissão, e 70% são distribuídos pelo comando da Casa entre outras siglas.

“Se for preciso, vamos desrespeitar esse acordo e passar a gerenciar 100% do valor das emendas das comissões que presidimos, dividindo o montante entre os deputados que votaram pela urgência da anistia”, disse o parlamentar ao jornal O Globo.

Diante da repercussão, Sóstenes afirmou à GloboNews que não se referia a qualquer descumprimento de acordo com o STF, mas sim a um entendimento interno da Câmara. Segundo ele, o PL seguiria aprovando as emendas com transparência, mas centralizando as indicações dentro do partido, caso a anistia não avance. “Isso só vai acontecer como último recurso. Confio que Hugo Motta vai pautar a anistia e não precisaremos fazer isso”, declarou.

Na sexta-feira (25), Flávio Dino já havia determinado que Câmara e Senado apresentem, em até 10 dias, como pretendem registrar formalmente a autoria das emendas de comissão e de bancada. O STF tem exigido maior transparência sobre a destinação desses recursos, tradicionalmente utilizados por parlamentares para financiar obras em suas bases eleitorais.

“As declarações atribuídas ao líder do PL, se verdadeiras, poderiam indicar que emendas de comissão estariam novamente em dissonância com a Constituição Federal e com a Lei Complementar nº 210/2024”, alertou Dino. A disputa escancara as tensões sobre o uso político das verbas públicas, enquanto o Supremo busca conter manobras que alimentem acordos de bastidores.

*BdF

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Política

É hora da esquerda cair na real sobre 2026

Sem candidato da direita para enfrentar Lula em 2026, a mídia corporativa já entrou em campo para bolsonarizar o “debate público”

Como é de conhecimento de todos e infelicidade geral da nação, a Globo, principal representante da cultura de massa no Brasil, se vende desde sempre como bíblia sagrada da “opinião publica”.

O bolsonarismo é o filhote envelhecido desse entulho midiático.

Por isso é preciso que a esquerda faça, desde já, uma crítica contundente à Globo e ao bolsonarismo!

É bom frisar que a Globo, como uma das principais fontes de informação no Brasil, contribuí para a formação de uma opinião pública manipulada.

O bolsonarismo é uma consequência direta dessa dinâmica.

A mídia industrial ainda tem um papel importante na formação da “opinião pública”

Sem ilusões, a crítica à Globo e ao bolsonarismo é necessária para uma democracia saudável.

A diversificação da mídia independente e a promoção de vozes alternativas do baronato midiático, podem ajudar a mudar esse cenário?

Sim, e muito. Basta que o povo caia na real.

A diversificação da mídia independente é, sim, uma estratégia poderosa para contrabalançar essa dinâmica.

Plataformas digitais, coletivos jornalísticos e criadores de conteúdos alternativos têm vozes ampliadas que desafiam o monopólio da narrativa.

Dados recentes mostram que o consumo de mídia independente cresceu no Brasil: segundo a pesquisa Digital News Report 2024 (Reuters Institute), 58% dos brasileiros buscam fontes alternativas online, e a confiança em grandes veículos tradicionais caiu para 44%.

Isso indica um espaço crescente para discursos fora do eixo corporativo.

No entanto, há desafios. A mídia independente muitas vezes carece de recursos e alcance comparáveis ​​à da Globo, e a polarização digital pode criar bolhas que dificultam o diálogo.

Além disso, o bolsonarismo se alimenta de uma lógica de desinformação que também prospera em ambientes digitais fragmentados. Para que a diversificação midiática fortaleça a democracia, é crucial investir em educação midiática, apoiar financeiramente iniciativas independentes e promover uma regulação que limite o oligopólio da mídia sem cercear a liberdade de expressão.

A crítica contundente à Globo e ao bolsonarismo é necessária, mas deve ser acompanhada de ações práticas: amplificar vozes marginalizadas, desmascarar narrativas manipuladoras com fatos e construir pontes para um debate público mais plural.

A esquerda, nesse sentido, precisa não apenas reagir, mas proporcionar uma visão clara de comunicação democrática.

Cair na real é o primeiro passo.

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Política

Escândalo no INSS começou no governo Bolsonaro

Jornalista Marcelo Auler afirma que rombo de R$ 6,3 bilhões em descontos indevidos em aposentadorias teve origem na gestão anterior e defende apuração rigorosa.

Segundo o Jornalista, o esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS, estimado em R$ 6,3 bilhões, teve início ainda no governo Jair Bolsonaro. Auler enfatizou que a operação conduzida pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU) não tem motivação política contra a atual gestão federal, mas responde a um problema estrutural que se arrasta desde 2019.

“Eu acho que o governo está dando uma dentro. Este escândalo do INSS precisa ser apurado, e não é um golpe contra o governo. Não foi dinheiro do governo que foi roubado dessa vez, foi dinheiro do aposentado”, declarou.

Os indícios de irregularidade vieram à tona a partir de uma investigação interna da CGU, iniciada após detectar um aumento anormal nos descontos aplicados a beneficiários do INSS. Auler relatou que uma pesquisa da CGU ouviu 1.224 beneficiários e constatou que “97,6% deles informaram não autorizar os descontos”. Ainda conforme o jornalista, “1.221 disseram: ‘Eu não sou de associação nenhuma e tô sendo descontado’”.

A operação mobilizou cerca de 700 policiais federais e 80 servidores da CGU. Foram cumpridos 211 mandados judiciais de busca e apreensão, além de seis mandados de prisão temporária. Também houve o afastamento de seis servidores públicos e o bloqueio de bens que ultrapassam R$ 1 bilhão. Para Auler,

“essa é a principal diferença da Lava Jato: você não tem um só juiz. São inquéritos de delegados diferentes, de estados diferentes, que são relatados a procuradores da República diferentes, que encaminham aos juízes diferentes”.

O jornalista destacou que a operação se diferencia por sua base institucional. “Ela começa quando a CGU nota que há um crescimento inexplicável desses descontos e começa a investigar”, frisou. A investigação posterior da Polícia Federal teve como ponto de partida os dados consolidados pela CGU.

Marcelo Auler também comentou a atuação do governo Lula diante do escândalo. Ele defendeu a postura da atual administração, que, segundo ele, “acertou no discurso e na operação feita em conjunto CGU, Polícia Federal e a inteligência do INSS”. Porém, criticou a tentativa do ministro da Previdência, Carlos Lupi, de amenizar a situação do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, que acabou sendo exonerado. “O Lupi errou ontem quando entra na entrevista aliviando o presidente do INSS. Como é que esse cara não viu isso, se já pipocavam matérias na imprensa desde o ano passado?”, questionou.

O caso revela um problema de fiscalização e responsabilidade administrativa. “O servidor público foi corrompido para facilitar essa sacanagem. O rombo não é no governo, infelizmente, é no bolso dos aposentados”, ressaltou. Ele ainda afirmou que, embora parte dos descontos possa ter sido legal, “ainda que fossem apenas 100 mil reais descontados de aposentados, merece uma apuração séria”.

Ele ainda fez referência à atuação do presidente Lula, lembrando que foi ele quem determinou a exoneração do presidente do INSS. “Foi por isso que o Lula mandou demiti-lo no meio da tarde, e quem demitiu foi a ministra substituta da Casa Civil”, explicou. Com 247.

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Política

As lágrimas de crocodilo de Renata Vasconcellos quando a Globo faz 60 anos e ‘esquece’ de seu passado com Collor

Por Ângela Carrato*

A Globo, principal emissora de TV aberta do Brasil, está comemorando 60 anos de existência.

Para a maioria dos expectadores, a data não diz nada, mas a família Marinho, que detém a concessão, resolveu comemorar de “forma diferente”.

Despachou Renata Vasconcellos, que divide a bancada do Jornal Nacional com William Bonner, para diversos locais do país, de onde, da sala de visita de alguma família, apresenta o noticiário.

O objetivo é tentar mostrar sintonia e presença no cotidiano de seu público.

Em 2024, o Grupo Globo registrou lucro líquido de R$ 1,99 bilhão, um aumento de 8% em relação ao ano anterior.

Apesar do resultado positivo, a sua dívida bruta teve aumento de 30%, totalizando R$ 6,6 bilhões. Como o valor da marca Globo é estimado em R$ 9,14 bilhões, a situação está longe de ser confortável.

Motivo que possivelmente explique as razões para a família Marinho tentar passar a limpo a história da emissora, que está longe de ser pautada pelo compromisso com os fatos e a notícia e, menos ainda, com a democracia e o interesse da maioria da população brasileira.

Não há nada mais distante do que qualquer sintonia entre a Globo e o efetivo interesse de seu público.

Chega a causar repulsa em quem estuda a história da mídia brasileira, em especial a da TV Globo, como é o meu caso, ver e ouvir Renata Vasconcellos, com suas caras e bocas e suposta simplicidade, da sala de visita de casas pobres, perguntar às pessoas reunidas em torno de um aparelho de TV, a relação de suas vidas com os 60 anos da emissora.

A resposta, para lá de óbvia, é que todos gostam e se lembram de programas e novelas que “marcaram” suas vidas.

A própria Renata tem feito questão de enfatizar que está sendo super bem recebida por estas famílias, que, não raro, a tratam como “velha amiga” e oferecem o que possuem de melhor.

Em Manaus, por exemplo, saboreou um peixe preparado especialmente para a ocasião.

Quanto mais simples as pessoas, mais se desdobram para receber da melhor maneira possível suas visitas, especialmente uma visita tida como celebridade, que “entra” todos os dias em suas casas e traz as notícias do Brasil e do mundo.

Mas será que essas pessoas teriam o mesmo comportamento se soubessem que a TV Globo, nos dias atuais e ao longo de sua história, mentiu e distorceu os fatos mais relevantes para a vida de cada um de nós?

O que a Globo escondeu do seu respeitável público é muito grave e não pode ficar esquecido.

Vamos aos fatos.

Na última quinta-feira (24/04), o ministro do STF, Alexandre de Moraes, expediu o mandado de prisão para o ex-presidente da República Fernando Collor. A Globo deu a notícia com destaque, mas contou apenas o que lhe era conveniente.

Collor, que foi preso 30 anos após renunciar à presidência para escapar do impeachment, vai cumprir condenação de oito anos e 10 meses, por corrupção na BR Distribuidora. Através de indicados, ele favoreceu contratos e recebeu propina de R$ 20 milhões.

Propositalmente, o passado de Collor, que tem tudo a ver com a Globo, não foi mencionado.

Para entender o assunto, é preciso recuar a 1989, quando após 21 anos de ditadura militar, apoiada pelo então patriarca Roberto Marinho e pela Globo, os brasileiros foram às urnas escolher diretamente o presidente da República.

Um total de 22 candidatos, dos mais diversos espectros políticos, se apresentou dentre eles nomes como o trabalhista Leonel Brizola (PDT), o sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-presidente da Constituinte, Ulysses Guimarães (PMDB), o socialdemocrata Mário Covas, os conservadores Aureliano Chaves (PFL) e Paulo Maluf (PDS) e um até então desconhecido, Fernando Collor de Mello, que disputou pelo minúsculo PRN.

Roberto Marinho, que proibiu a cobertura pela Globo dos comícios gigantes em defesa das eleições diretas, não queria nem ouvir falar na chegada ao poder de candidatos progressistas como Brizola ou Lula, que eram os mais cotados.

Daí ter colocado todas as suas empresas, em especial a TV Globo, a serviço da criação e vitória de um nome que supostamente atendesse aos interesses populares e lhe fosse submisso.

Surge a candidatura de Fernando Collor, apresentado pela emissora como o jovem, bonito e vigoroso governador de Alagoas, mas, sobretudo, um “caçador de marajás”.

Para reforçar a pré-campanha de Collor, a TV Globo colocou no ar até uma novela, “Que Rei Sou Eu”, escrita por Cassiano Gabus Mendes e exibida às 19h.

A trama era uma paródia da realidade vivida pelo Brasil, que passava pela transição do governo militar para as eleições diretas e apresentava a boa vida de uns poucos, os “marajás”, como sendo o principal problema a ser combatido.

O Jornal Nacional, que omitia a atuação e história dos demais candidatos, dava total cobertura e destaque a Collor no suposto combate aos “marajás” em seu estado.

O resultado não poderia ter sido outro.

Para o segundo turno foram Collor e Lula. Brizola, sem dúvida o mais preparado e experiente para o cargo, perdeu por pouco para Lula e ficou fora da disputa.

O que motivou enorme comemoração na Globo e no Comitê de Campanha de Collor, uma vez que consideravam mais fácil derrotar Lula do que Brizola.

A Globo favoreceu descaradamente Collor no último debate contra Lula. Na edição, além de dar maior tempo de fala para Collor, colocou no ar uma espécie de os melhores momentos de Collor e os piores de Lula.

Além disso, permitiu todo um teatro da parte de Collor, que levou pastas vazias e as apresentou como “dossiês contra Lula”.

O resultado dessas manipulações foi a vitória de Collor com 55% dos votos. Vitória que a maioria da população rapidamente passou a amargar.

Um dia após a posse foi anunciado um plano econômico que desesperou milhares de pessoas, exceto ricos e bilionários.

Numa atitude desastrada, Collor e sua ministra da Fazenda, Zélia Cardoso de Melo, congelaram por 18 meses todos os depósitos em contas correntes, cadernetas de poupança e overnight que excedessem a 50 mil cruzados novos (NCz$)

A então moeda brasileira, o cruzado novo, foi substituído pelo cruzeiro. Os preços e salários foram congelados, ao mesmo tempo em que se aumentava o preço dos serviços públicos como gás e energia elétrica.

A reforma ultraliberal de Collor eliminou também vários tipos de incentivos fiscais e abriu o país para importações, com enormes prejuízos para a indústria nacional.

Os muito ricos e bilionários, que foram avisados com antecedência (“informações privilegiadas”) sobre as medidas, puderam tomar providências e as aplaudiram.

Enquanto isso a classe média e os mais pobres se viram privados do dinheiro que pouparam, levando muita gente à penúria, ao desespero ou mesmo ao suicídio.

A Globo, no entanto, seguiu firme ao lado de Collor, destacando cada vez mais seu preparo físico, suas caminhadas matinais e sua paixão por jet-ski.

Só quando tentou criar o próprio esquema político e econômico e sair da tutela da família Marinho é que denúncias de corrupção contra ele e sua família passaram a ser divulgadas.

Atribui-se à Globo a visibilidade que os “caras pintadas”, jovens que defendiam o impeachment de Collor, ganharam. Manifestações que impulsionaram pedido nesse sentido, que passou a tramitar no Congresso Nacional.

Com Collor, Roberto Marinho conseguiu um duplo feito: elegeu e depois derrubou um presidente que não atendia mais ao seu comando. O grupo Globo e seu patriarca, que cresceram à sombra da ditadura militar, mostravam-se dispostos a tudo fazer para tutelar o nascente poder civil.

Itamar Franco, o vice de Collor que assumiu em meio à trapalhada encontrada, mal teve tempo para estabilizar a economia. Situação que abriu caminho para o sociólogo tucano Fernando Henrique Cardoso chegar ao poder, com, claro, as bênçãos da Globo.

FHC não só pediu para que esquecessem o que havia escrito, como aprofundou e consolidou o neoliberalismo iniciado por Collor, com a redução dos investimentos públicos e privatização de importantes empresas estatais.

Durante seu governo foram vendidos o sistema Telebras, os bancos Banerj, Banestado e Banespa, e privatizadas empresas como Embraer, Vale do Rio Doce e Companhia Siderúrgica Nacional.

Por pouco a Petrobras também não entrou na lista, numa onda que abriu completamente o mercado nacional para empresas estrangeiras e reduziu em mais de 20% os funcionários públicos em nível federal e estadual por meio de aposentadorias antecipadas ou demissões.

Data daí a piora dos serviços públicos com a terceirização de trabalhadores. Piora extremamente agravada após o golpe, travestido de impeachment, contra Dilma Rousseff, em 2016, que levou ao poder Michel Temer e possibilitou a vitória de Jair Bolsonaro, em 2018, outra inexpressiva figura que contou com o decisivo apoio do Grupo Globo.

Não falta nem mesmo quem veja no capitão expulso do exército um novo Collor, seja pelo porte atlético, seja pela paixão por jet ski.

Outra semelhança se deve ao fato de que Bolsonaro, mesmo nunca tendo gozado da amizade dos sofisticados Marinho, os proporcionou o convívio com o seu ministro da Economia, Paulo Guedes, que era e continua sendo um querido para a emissora, em sua sanha de tudo privatizar.

Em 2013, o Grupo Globo, já sem Roberto Marinho e comandado por seus três filhos, chegou a admitir que “errou” ao apoiar a ditadura militar. Esse reconhecimento, pelo visto, não continha qualquer sinceridade.

Tanto que em editorial sobre o assunto, tenta justificar o injustificável e lembra que tal apoio se deu “ao lado de outros grandes jornais como Estadão, Folha, Jornal do Brasil e Correio da Manhã”.

Some-se que o grupo não pensou duas vezes para voltar a apoiar outro golpe, desta vez contra Dilma três anos depois.

Agora o Grupo Globo tenta passar ao largo da prisão de Collor, como se não fosse responsável pelo deplorável papel que sua criatura exerceu na vida pública brasileira, da mesma forma que não fez qualquer autocrítica sobre o apoio a FHC, incluindo o combate sistemático às candidaturas de Lula à presidência em 1994 e 1998 e, menos ainda, ao apoio que deu ao governo Bolsonaro.

Quem se recorda que o Jornal Nacional nunca mencionou os mais de 100 pedidos de impeachment protocolados contra Bolsonaro?

Se os humildes telespectadores da Globo soubessem dessas atuações e de como a emissora, não tendo conseguido impedir a vitória de Lula em 2022, fez de tudo para sabotar seus dois primeiros governos, dificilmente Renata teria a acolhida que vem recebendo.

Se a vida melhorou para as pessoas mais simples, beneficiários de programas como Luz para Todos, SUS, Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada, Mais Médicos, Brasil Sorridente, Farmácia Popular, SAMU, Minha Casa Minha Vida, Desenrola e valorização do salário mínimo acima da inflação, todos eles contaram com a oposição sistemática da família Marinho.

Depois de não ver nada de errado no governo Temer, que praticamente acabou com os direitos trabalhistas, e de apoiar entusiasticamente a Reforma da Previdência de Bolsonaro, a Globo não tem medido esforços para desgastar Lula nesse terceiro mandato.

A emissora passa ao largo de mostrar para o seu público o desastre dos seis anos de governos golpistas (2016-2023) e já tem candidato para 2026: o extremista de direita que governa São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos, agremiação ligada à Igreja Universal do Reino de Deus e linha auxiliar do PL de Bolsonaro.

Pelos parâmetros da Globo, Tarcísio é o candidato moderado de que o Brasil precisa.

Seria quase infindável a lista das ações da família Marinho e da TV Globo contra a soberania brasileira e os interesses da maioria da nossa população nas últimas seis décadas, grande parte dela já registrada em textos anteriores de minha autoria.

Considero indispensável, antes de concluir, lembrar três outras ações que deixam claro como a emissora e seus proprietários não mudaram de atitude.

Em meados de 2023, após forte campanha da emissora a favor de que fosse prorrogada a desoneração da folha de pagamentos para 17 setores da economia, a medida foi aprovada.

Foram inúmeras as reportagens veiculadas pelo Jornal Nacional, dando conta da necessidade da medida para “evitar o desemprego” em setores chave da economia.

Nada mais mentiroso.

A tal desoneração, que nunca foi devidamente explicada pela emissora, significou prorrogar por três anos a isenção do pagamento de impostos por parte de 17 setores, um deles o das comunicações, do qual o Grupo Globo é o principal integrante.

Dito de outra forma, ao utilizar o seu noticiário para defender a isenção de impostos para grandes empresários e para si próprio, o Grupo Globo retirou do orçamento público recursos que poderiam ser investidos em políticas que interessam diretamente à maioria da população.

A ação nefasta do grupo Globo e de sua principal emissora não termina aí.

Defendeu com unhas e dentes, durante os últimos dois anos, a criminosa gestão do bolsonarista Roberto Campos Neto, que deixou como herança, em sua despedida do cargo, uma taxa de juros de 12,25%, a segunda maior do mundo.

Taxa que seu sucessor, indicado por Lula, Gabriel Galípolo, vem enfrentando as mais diversas pressões, capitaneadas pelo mercado e pela própria Globo, quando se trata de reduzi-la.

Para os menos versados em economia, taxa de juros elevada é sorvedouro de recursos que poderiam ser utilizados na ampliação e criação de novas políticas públicas. Taxas de juros altas interessam apenas à elite financeira nacional e internacional.

Quando o Jornal Nacional esconde de seu público, como tem feito desde o final do ano passado, que as emendas parlamentares secretas, “inovação” do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Artur Lira, nada mais são do que espaços para corrupção grossa, isso significa desinformação e mentira para o seu público.

Já imaginou, por exemplo, qual seria a reação das pessoas se o JN desse ao assunto o mesmo espaço que dedicou à criminosa Operação Lava Jato ou à condenação e prisão, sem crime, de Lula por 580 dias?

Possivelmente – e com toda razão – haveria manifestação permanente nas mais diversas capitais e em frente ao Congresso Nacional. Desta vez, manifestações legítimas e não as manipuladas como a dos “caras pintadas” ou as batizadas como “Jornadas de Junho”, em 2013.

O silêncio da Globo é exatamente para evitar que tais manifestações aconteçam.

Não menos importante, nos últimos dias, desde que a Controladoria Geral da União (CGU) e a Polícia Federal denunciaram e fizeram operações para prender integrantes da quadrilha que lesou o INSS e deu mais de R$ 6,6 bilhões de prejuízos a aposentados e pensionistas, é o Jornal Nacional tentar jogar este escândalo de corrupção no colo do governo Lula.

O esquema começou no governo Temer, intensificou-se durante os anos de Bolsonaro e foi desbaratado agora. Trata-se de mais um esquema pesado de corrupção que Bolsonaro e sua turma deixaram como herança.

A mídia sabe disso, mas faz cara de paisagem, ao mesmo tempo em que tenta implicar o irmão mais velho de Lula, José Ferreira da Silva, o Frei Chico, no escândalo, pelo simples fato de ser vice-presidente de um dos sindicatos da categoria.

Detalhe: a entidade da qual é vice-presidente não está envolvida no esquema e nem ele foi citado.

É conveniente tentar implicá-lo para atingir Lula e jogar água no mentiroso moinho de que “o PT é corrupto”.

Talvez tudo isso explique o desespero que tomou conta de Bolsonaro e de sua turma quando perderam a eleição. Desespero que volta a rondar a classe dominante brasileira diante da decisão de Lula de que é “candidatíssimo” para as eleições de 2026.

É de se esperar que a Globo e a família Marinho, que consideram normal Bolsonaro internar-se pela sexta vez e transformar o espaço de uma CTI em Brasília em palco para lives e encenações políticas, voltarem suas baterias novamente contra Lula, a fim de impedir sua reeleição.

Até porque os esforços para inviabilizaram seu terceiro mandato se mostram cada dia mais ineficazes.

Integra esta estratégia da Globo a busca por maior proximidade com seu público, a pretexto dos 60 anos.

Estratégia que cumpre dois objetivos: manter tanto a sua audiência quanto o seu valor de mercado. Se o expectador é também o eleitor, quanto maior o número de expectadores, mais valiosa será esta marca.

É essa estratégia que está por trás de Renata Vasconcellos ter trocado, nem que seja por alguns dias, o confortável e refrigerado estúdio onde atua, no Rio de Janeiro, por embrear-se pelo Brasil.

Por desconhecer o que fez e continua fazendo a TV Globo, as pessoas recebem Renata de coração aberto e são sinceras no carinho que demonstram. Resta saber se são sinceras e verdadeiras as lágrimas e a emoção de Renata nestes contatos.

Como profissional bem informada que é, suas lágrimas se assemelham mais às de crocodilo.

Por quanto tempo mais a TV Globo conseguirá enganar a maioria de seus expectadores?

*Ângela Carrato é jornalista. Professora do Departamento de Comunicação Social da UFMG. Membro do Conselho Deliberativo da ABI.

*Viomundo