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Tony Garcia prevê prisão de Sergio Moro até junho por esquema de arapogagem

Segundo Tony Garcia, empresário e delator do ex-juiz da Lava Jato e atual senador Sergio Moro, o ex-magistrado pode ser preso até junho de 2026. Segundo ele, documentos e materiais apreendidos pela Polícia Federal nos arquivos do tribunal reforçam denúncias antigas sobre a existência de um esquema de escutas e gravações clandestinas envolvendo autoridades com prerrogativa de foro.

Garcia disse que o caso não atinge apenas Moro, mas um grupo mais amplo ligado à chamada “República de Curitiba”, culminando na Lava Jato e nas perseguições políticas conduzidas de forma sistemática por Moro.

“Não vai só ele preso. Vai ele e a República de Curitiba inteira”, previu Tony Garcia, ao afirmar que o material revelado pela chamada “caixa amarela”, encontrada agora pela PF, seria apenas o início de uma trajetória que se resume a “alpinismo funcional, social e enriquecimento”.

“O que apareceu é só a ponta do novelo. Agora vem o resto”, afirmou Garcia.

Segundo Tony Garcia, Moro e integrantes do Ministério Público, em conluio com autoridades de inteligência estrangeiras, criaram uma “indústria de arapongagem” como estratégia de poder, de acordo com o 247.

Gravações como a da festa da cueca, por exemplo, não teriam sido feitas para investigar crimes, mas para acumular material capaz de pressionar adversários e autoridades, segundo Tony Garcia: “Não era para ‘passar o país a limpo’. Era para guardar e ter poder — poder para chantagear”.


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Política

Vídeos: Glauber Braga esculacha Eduardo Bolsonaro sobre prisão do seu pai

No momento em que o deputado cassado tentou defender tratamento mais duro pra bandidos, ouviu o que quis e o que não quis.

Opodcast 3 Irmãos promoveu um debate neste sábado (21), entre o deputado cassado e foragido nos EUA, Eduardo Bolsonaro (PL) e o deputado federal Paulo Bilynskyj (PL), os dois de extrema direita, contra os deputados federais Glauber Braga e Sâmia Bomfim, os dois do PSOL.

Durante os debates, Eduardo Bolsonaro tentou defender tratamento mais duro para bandidos.

“Eu não quero saber se bandido levado pra delegacia de polícia, se ele foi bem tratado, se ele teve cafezinho e água fresca não. É por isso que os números de homicídios no Brasil são altos. Porque existe uma impunidade. O cara faz e acontece e não vai preso. A gente tá aqui defendendo o óbvio”, afirmou.

Cafuné
Glauber Braga, então, respondeu: “eu não estou preocupado se o seu pai vai receber cafezinho ou cafuné na unidade prisional em que se encontra. Eu tô preocupado sim, se uma audiência de custódia serve para que prisões ilegais sejam revistas. Porque tem gente como você que não prima por fazer aquilo que seja correto”, afirmou. Forum.

Veja outro trecho da fala de Glauber Braga, postado por ele próprio:


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Política

Relação com locadoras, por si só, não explica dinheiro suspeito de deputados do PL

Indícios de enriquecimento ilícito juntados à investigação e as evidências de lavagem denotam a existência de crime. Mas de onde vem o dinheiro?

A Polícia Federal encontrou R$ 430 mil “esquecidos” no armário de um flat do deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL, um homem pobre de marré, a julgar pela declaração de bens que entregou à Justiça Eleitoral três anos atrás.

Os funcionários dos gabinetes, mesmo os de salário mais modesto, movimentaram uma montanha de dinheiro – R$ 28 milhões, segundo a Polícia Federal.

Há diálogos, captados não se sabe de que forma, em que o parlamentar diz que vai “pagar por fora” despesas que não são completamente descritas. Repare: “pagar por fora”.

Carlos Jordy, segundo o próprio irmão, é um homem de vida complicada, com um passado comprometedor. Entre tantas coisas pesadas, há a acusação de ter se valido da assinatura de um morto para liberar emendas no valor de quase R$ 5 milhões para uma ONG fluminense para lá de suspeita chamada Instituto Realizando o Futuro.

Tudo muito, muito suspeito mesmo – ainda mais porque o assunto diz respeito a parlamentares moralistas que usam a corrupção dos outros como arma retórica – a da esquerda –, mas fazem vistas grossas para o roubo de joias, raspadinhas e o suborno na compra de vacinas.

Quando a Polícia Federal bateu na porta da casa de ambos, buscava elementos para provar que os deputados do PL tinham negócios com uma pequena locadora de fachada, a Harue Locação de Veículos Ltda, que supostamente lavava dinheiro de corrupção emitindo notas fiscais sem prestar os serviços.

Os dados da relação entre Sóstenes, Jordy e a Harue são públicos e podem ser facilmente perscrutados nas páginas de transparência da Câmara Federal. E foi a partir dessa relação comercial que a operação Galho Fraco foi deflagrada.

Ocorre que, observados com lupa, os números registrados na contabilidade da Câmara não amparam nem minimamente as suspeitas que levaram o ministro Flávio Dino a autorizar a busca e apreensão – muito menos a pretendida prisão de Sóstenes Cavalcante, que foi negada pelo ministro.

Com o auxílio de alguns scripts python (uma linguagem de computador), levantei todos os dados das duas locações. Meu objetivo era entender como os espertalhões bolsonaristas enganaram os mecanismos de fiscalização da Câmara para se locupletar com verba de representação tomada de volta de falsos fornecedores.

Mas o que os números nas planilhas mostraram é que, pelo menos no que toca à regularidade das diversas transações visando a locação de veículos de representação, não parece haver absolutamente nada de anormal, salvo uma formalidade fiscal ou outra.

Foi o que disseram os dois deputados – e ninguém acreditou. Nem mesmo eu, que tratei de logo fazer um post irado reproduzindo o clamor e a indignação que tomaram conta do País.

Líder do PL pede para visitar Bolsonaro em casa, mas erra processo no STF |  Política | Valor Econômico

O que dizem os números
Embora a Polícia Federal considere apenas o período entre 2020 e 2024, minha prospecção abrangeu um período muito maior – os últimos dez anos. Sóstenes Cavalcante alugou carros da empresa entre dezembro de 2017 e abril de 2023. Nesse período, a Câmara pagou à locadora um total de R$ 337.613,00, valor maior do que o apontado pela PF em seu relatório por causa da extensão da análise no tempo.

Foram realizados 87 pagamentos, sendo o menor de R$ 2.213,00 e o maior, de R$ 4 mil. A média mensal foi de R$ 3.975,73. São valores compatíveis com o mercado de locação ou assinatura de veículos.

Carlos Jordy foi cliente da empresa entre março de 2019 e abril de 2023. Nesse período a Harue recebeu da Câmara R$ 281,4 mil em 68 pagamentos mensais. O valor médio foi de R$ 4,2 mil por mês – nada exorbitante se comparado com o que o mercado cobra de empresas e particulares para o mesmo tipo de serviço.

Isso me faz questionar: valeria mesmo a pena e o risco de reunir uma dúzia de cúmplices para dividir um bereré de quatro mil reais por mês?

A soma dos pagamentos reembolsados aos dois deputados alcança R$ 619.013,00. Anote esse número.

O que a PF disse a Flávio Dino
A Polícia Federal investigou a movimentação financeira dos funcionários dos dois parlamentares. Ao pedir autorização para a busca e apreensão da sexta-feira 19/12, informou que localizou um tráfico de dinheiro sem origem que chegava à casa de dezenas de milhões. E “mandou a brava” para Flávio Dino com os seguintes argumentos:

  • O assessor do PL Adailton Oliveira dos Santos teria, segundo o levantamento da PF, recebido em suas contas bancárias R$ 11.491.410,77 em créditos, dinheiro sem origem nem destinatários claros.
  • Uma parte desse dinheiro, R$ 2.789.526,93, foi remetida a “beneficiários não identificados, sob a rubrica “NOME NÃO IDENTIFICADO””.
  • Na conta de Florenice Santana entraram R$ 3.932.991,67. Uma parte desse dinheiro, R$ 599.379,90, foi transferida para “beneficiários não identificados, sob a rubrica “NOME NÃO IDENTIFICADO””.
  • Itamar de Souza Santana, assessor de Carlos Jordy, recebeu em sua conta-corrente R$ 5.907.578,17. Alguém que não foi identificado recebeu uma parte dessa bolada – R$ 640.020,00.

Segundo a Polícia Federal, “o volume e a natureza das transações revelam incompatibilidade com a capacidade econômica ostensiva de ITAMAR DE SOUZA SANTANA, impondo aprofundamento da análise”.

O sobrenome Santana aparece repetidas vezes na peça, o que fez com que as autoridades policiais passassem a suspeitar que essa família também tem as feições de uma organização criminosa.

Ressalte-se aqui que muitos nomes aparecem na investigação sem que seus papéis e funções no esquema sejam minimamente descritos. Ao final da leitura da peça, fica a sensação de que os nomes foram sendo jogados no balaio de imprecisões para impressionar – e impressionam mesmo.

Valdir Cesar Torres, por exemplo, teria sido o autor de ao menos duas transferências vultosas para os Santana, no valor de R$ 130 mil. A Polícia não sabe, ou ao menos não descreve, quem vem a ser e o que fazia Valdir no contexto da organização criminosa. E isso se repete com vários outros nomes que aparecem na petição ao STF.

Andrea de Figueiredo Desiderati, que também surge sem categorização, recebeu R$ 6.602.061,14 em créditos e debitou R$ 6.690.329,17 “com identificação de recursos oriundos da Câmara dos Deputados”. Mas a investigação não explica quem é nem o que fazia essa pessoa no contexto das transações suspeitas.

A petição encaminhada a Flávio Dino enumera três motivos para desconfiar dessa gente: “incompatibilidade dos valores movimentados com os rendimentos lícitos dos envolvidos; fracionamento de saques e depósitos em quantias não superiores ao valor de R$ 9.999,00; e identificação dos principais remetentes e destinatários dos recursos como sendo servidores comissionados da Câmara dos Deputados, vinculados aos gabinetes dos parlamentares federais SÓSTENES CAVALCANTE e CARLOS JORDY”.

Foi um achado grave e importante, provavelmente feito a partir de registros do COAF. O problema é que não existe um elo claro entre a dinheirama que irrigou as contas dos funcionários de Sóstenes e Jordy e os negócios da locadora Harue.

Contra a locadora, a PF argumenta que ela tentou dissimular os indícios de uma suposta atividade criminosa mudando seu nome de fantasia três vezes: passou de MOBILE RENT CAR para Alfa Auto Car Locação de Veículos Ltda, e posteriormente para Harue.

O relatório da PF não declara, mas o CNPJ da empresa permaneceu o mesmo – daí a possibilidade de rastrear com facilidade todas as transações entre ela e a Câmara Federal.

Outro argumento dos investigadores para apontar a empresa como uma espelunca de fachada foi a descoberta de que ela não funciona mais no local que aparece em seus registros cartoriais: “em diligência in loco, a equipe policial constatou que a empresa não funciona mais em seu domicílio, o que permite concluir a dissolução irregular da empresa (SIC)”, afirma a petição.

Lei Magnitsky: como decisão de Dino pode afetar sanções do governo Trump  contra Moraes - BBC News Brasil
Ministro Flávio Dino. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

Mas qual o link entre essa locadora e a lavagem de dinheiro?
Na petição ao Ministro Flávio Dino, a PF afirma, mas sem estabelecer uma conexão imediata, que “dissolvida irregularmente, a referida sociedade empresária continua a receber pagamentos feitos pelos parlamentares Deputado Federal CARLOS JORDY (licenciado) e Deputado Federal SÓSTENES CAVALCANTE (em exercício), os quais são reembolsados como despesas pagas com cota parlamentar, relativa a locação ou fretamento”

Ocorre que há uma disparidade enorme entre os valores efetivamente pagos à Locadora Harue e o volume de dinheiro que circulou pelas contas dos assessores dos dois parlamentares.

O valor total pago pela Câmara, como vimos anteriormente, foi de pouco mais de R$ 619 mil (aquele número que eu pedi pra você lembrar), contra uma movimentação suspeita de R$ 28 milhões – quase 45 vezes maior. Nem mesmo contando em dobro entradas e saídas a contabilidade mágica da Harue consegue explicar a dinheirama que circulou pelos gabinetes – tampouco autoriza a suposição de que o esquema criminoso se baseava nessa relação.

Por outro lado, os indícios de enriquecimento ilícito juntados à investigação e as evidências de lavagem de dinheiro denotam a existência de fatos criminosos – ou avalizam a suspeita de que algo muito estranho está transformando modestos servidores em prósperos aristocratas.

De onde vem o dinheiro?
Eis aí uma pergunta que permanece sem resposta. Na cobertura feita pela imprensa, todos os caminhos levaram à suposição de que a locadora é a porta de entrada da lavanderia de Jordy e Sóstenes. Mas olhando com atenção os números, eles não nos dizem nada disso.

Alguns dos argumentos alinhavados pela PF não passam de ilações Por exemplo, a versão propalada de que o tamanho da empresa, pequeno diante da grandiosidade dos concorrentes, é mais um indício de que ela é parte de uma perigosa organização criminosa.

O relatório da PF afirma que, pelo tamanho da frota, “verifica-se uma discrepância, haja vista a Harue ter somente 5 veículos em sua frota,[quando] por outro lado, as empresas no Rio de Janeiro RJ têm sempre frota superior a 20 veículos”.

Ser pequeno, no entanto, não implica ser criminoso.

Os recibos dos pagamentos reembolsados pela Câmara demonstram que de fato essa locadora teve poucos clientes no período analisado – supostamente em função da frota diminuta. Ao contrário de empresas como a Pantanal Veículos Ltda, que aluga ou alugou carros para 277 deputados nos dez anos analisados por mim, a Harue atendeu apenas 10 parlamentares de sete partidos diferentes, do PL ao PT, com preços na mesma faixa.

Já foram clientes dela Danilo Forte, Dr Flávio, Marco Tebaldi, Max Beltrão, Omar Bertoldi, Vermelho, Waldenor Pereira e Wolney Queiroz. A PF não buscou elementos para incriminar nenhum deles por lavagem de dinheiro.

Outros indícios
A busca e apreensão autorizada pelo ministro Flávio Dino conseguiu recolher elementos que podem ajudar a entender de onde vem o dinheiro dos funcionários dos dois parlamentares.

Um dos mais importantes foi a descoberta de quase R$ 500 mil no armário do flat de Sóstenes Cavalcante. O achado trouxe imediatamente à memória a Operação Lunus, que em 2002 matou a candidatura de Roseana Sarney à presidência da República, e a Tesouro Perdido, que em 2017 botou na cadeia o então superpoderoso Geddel Vieira Lima, encerrando sua carreira política.

Dinheiro encontrado com Geddel Vieira Lima, em 2002

Sóstenes disse que vendeu um apartamento e esqueceu de depositar o dinheiro, como se fosse normal alguém ficar com essa quantidade de cédulas em casa sem se lembrar delas. Ainda mais um sujeito que deve ter alguma dificuldade para pagar os boletos, visto que na última eleição declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de menos de R$ 5 mil.

Diante da alegação, a pergunta é inevitável: como alguém que não tinha nada há 3 anos pode ter comprado um apartamento que revendeu agora por um valor quase 80 vezes maior?

Políticos gostam de dinheiro e costumam dar desculpas esfarrapadas para explicar o inexplicável quando são pegos com a boca na botija. Foi o caso de Sóstenes Cavalcante, que, ou mentiu ao declarar à Justiça Eleitoral que era pobre de marré, ou mente agora para dizer que não é tão rico quanto parece.

Encaminhei o texto desta matéria aos implicados e pedi para ouví-los e contestarem o que quiserem. Assim que eu tiver as respostas, o texto será editado para contemplá-las.

As planilhas podem ser consultadas na íntegra no nosso site. Para acessá-las, basta clicar aqui.

*Fabio Pannunzio/ICL


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Política

Lenio Streck: “O Congresso não sabe a caixa de Pandora que abriu com dosimetria”

A aprovação, pelo Senado, do projeto de lei (PL) da dosimetria, que reduz as condenações ligadas aos atos contra o Estado Democrático de Direito, foi criticada duramente pelo jurista Lenio StreckA aprovação, pelo Senado, do projeto de lei (PL) da dosimetria, que reduz as condenações ligadas aos atos contra o Estado Democrático de Direito, foi criticada duramente pelo jurista Lenio Streck.

Segundo ele, o PL é inconstitucional em uma série de aspectos, além de ter sido marcado por irregularidades ao longo da tramitação legislativa. O texto tende a produzir consequências que vão além do caso que impulsionou o projeto, os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, disse.

“O parlamento não sabe a caixa de Pandora que está abrindo”, afirmou Lenio, ao questionar o desenho material da proposta. Na avaliação do jurista, a mudança tende a estimular uma nova onda de pedidos defensivos, com argumento de tratamento igualitário entre réus em situações semelhantes.

“Toda vez que tem um réu que praticou dois crimes da mesma espécie, não tem mais concurso material, será tudo concurso formal. Sob pena de quebrarmos a isonomia”, explicou Streck.

De acordo com o jurista, “nenhuma lei pode ser feita do modo como foi feita para cuidar do passado e ainda por cima ter endereço certo”. “Uma lei tem o caráter de generalidade e regular coisas pro futuro”, afirmou, ao classificar o texto como “uma lei casuísta”.

Ele acrescentou: “o modo como foi desenhado esse projeto, ele é uma espécie de anistia 2.0″. “A lei nem se aplica automaticamente… eles têm que fazer os seus pedidos em revisão criminal que passarão pelo plenário do Supremo, que em cada caso dirá qual é a aplicação da nova lei”. 247.


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Política

Superior Tribunal Militar acata pedido de perda de patente de Bolsonaro

O STM recebeu a representação protocolada pela deputada federal Natália Bonavides (PT-RN). Relator apontou “interesse público relevante”

O Superior Tribunal Militar (STM) recebeu a representação para julgar a declaração de indignidade e consequente perda do oficialato do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros cinco militares. Em decisão divulgada na quinta-feira (18/12), o ministro relator do caso, José Barroso Filho, admitiu o pedido e determinou que a Procuradoria-Geral de Justiça Militar (MPM) seja oficiada e se manifeste sobre o assunto.

A representação foi protocolada pela deputada federal Natália Bonavides (PT-RN). No pedido, a parlamentar cita que Bolsonaro, Almir Garnier, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Souza Braga Netto foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.

Ela pede que seja aberta a Declaração de Indignidade na Corte e, consequentemente, julgada a perda do oficialato. Para iniciar o processo, é necessário aguardar a manifestação do MPM.

Ao analisar o pedido, o ministro do STM destacou que, geralmente, a representação é feita pela Procuradoria-Geral Militar, porém, entendeu que “o tema em questão se insere em matéria de interesse público relevante, motivo pelo qual constata-se a legitimidade da deputada federal em provocar as instâncias responsáveis, para dar início ao procedimento”.

“Ressalte-se que a natureza do julgamento não se destina a revisar a condenação penal que já transitou em julgado, mas tem por finalidade específica avaliar as consequências éticas e morais da conduta que determinou a condenação do oficial, à luz dos preceitos éticos e morais descritos no Estatuto dos Militares. O escopo é determinar se a natureza do crime cometido conduz ao reconhecimento da indignidade ou da incompatibilidade para com o Oficialato”, completou o ministro José Barroso.

STM recebe representação que pede perda de patente de Bolsonaro – destaque galeria

Em nota, o STM afirmou que cabe somente ao Ministério Público Militar (MPM) apresentar ao STM representação de indignidade contra oficiais militares condenados à pena privativa de liberdade superior a dois anos, diz o Metrópoles.

“Esta Corte recebeu no dia 9 de dezembro uma Representação Criminal/Notícia crime apresentada pela deputada federal Natália Bonavides (PT-RN) contendo informações sobre as citadas condenações e solicitando providências. Esta representação não deve ser confundida com Representação de Indignidade, pois constitui um mero pedido de encaminhamento. O ministro José Barroso Filho, sorteado relator do pedido da deputada, deferiu nesta quinta-feira (18) o encaminhamento dos autos ao MPM”, destacou.


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Brasil Mundo

The Economist destaca potencial da Margem Equatorial e cita previsões positivas para a economia brasileira

De acordo com a revista, “as reservas, que ainda estão sendo extraídas, impulsionaram o País no ranking dos produtores de petróleo”

Em reportagem publicada esta semana, a revista britânica The Economist destacou o potencial da Margem Equatorial para o crescimento econômico do Brasil. A região compreende a faixa litorânea dos seguintes estados: Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí, Maranhão, Pará e Amapá.

“As reservas, que ainda estão sendo extraídas, impulsionaram o País no ranking dos produtores de petróleo. Até 2030, os campos ‘pré-sal’ do Brasil o tornarão o quarto maior produtor mundial de petróleo. A agência nacional de petróleo e gás do Brasil estima que a parte do País na Margem Equatorial contenha mais de 30 bilhões de barris de petróleo, dos quais 10 bilhões podem ser recuperáveis”, continuou.

“Graças a essa região, a América do Sul se tornou a parte do mundo onde a produção de petróleo cresce mais rapidamente. A previsão é que sua produção aumente em um terço até 2030, em comparação com cerca de um quarto no Oriente Médio e um décimo na América do Norte”, acrescentou.

Segundo a publicação, “a maioria dos habitantes do Amapá, Estado onde fica Oiapoque, está entusiasmada com o petróleo”. “Ao longo da rodovia que liga a capital do Estado à cidade, barracas de comida e casas em ruínas estão cobertas com adesivos que dizem ‘Sim ao desenvolvimento! Sim ao petróleo!’”, continuou.

A revista mencionou algumas previsões. “O Ministério de Minas e Energia do Brasil estima que os investimentos na Margem Equatorial podem chegar a R$ 280 bilhões (US$ 52 bilhões) e criar 350 mil empregos. Essas expectativas provavelmente explicam por que os brasileiros apoiam cada vez mais a perfuração”.

Petrobras

De acordo com Leonardo Lucena , 247, a publicação da revista britânica, “o principal local que a Petrobras está de olho, conhecido como Bloco 59, tem uma profundidade de cerca de 3 km”.

“Fica quase duas vezes mais abaixo da superfície do que o poço Deepwater Horizon, no Golfo do México”, publicou. “A Petrobras é líder mundial em perfuração em águas profundas, já que os campos do pré-sal ficam a uma profundidade de cerca de 2 km”.


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Política

Como funciona e as principais provas do esquema de desvio de cota de parlamentares do PL, segundo a PF

A Polícia Federal (PF) investiga um esquema de desvio de recursos da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP), conhecida como cota parlamentar, envolvendo os deputados federais Sóstenes Cavalcante (líder do PL na Câmara) e Carlos Jordy (ambos do PL-RJ).

A operação mais recente, chamada Galho Fraco, deflagrada em 19 de dezembro de 2025, é um desdobramento da Operação Rent a Car (de dezembro de 2024), que inicialmente mirou assessores.

Como funciona o esquema, segundo a PF
Os deputados contratavam serviços de locação de veículos (como da empresa Harue Locação de Veículos, considerada de fachada, com frota mínima e dissolvida irregularmente, mas que continuou recebendo pagamentos).

Esses contratos eram pagos com a cota parlamentar (verba pública reembolsada pela Câmara para despesas do mandato, como aluguel de carros).

Os serviços seriam simulados ou inexistentes, permitindo o desvio de recursos para benefício próprio dos envolvidos.

Assessores comissionados (como Adailton Oliveira dos Santos e Itamar de Souza Santana) atuavam como intermediários, dando aparência de legalidade e facilitando a devolução ou redirecionamento do dinheiro.

Para ocultar o dinheiro desviado, usavam a técnica de “smurfing” (saques e depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil para evitar alertas do sistema financeiro) e lavagem via empresas de fachada.

Os crimes apurados incluem peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, com atuação coordenada entre parlamentares, servidores e particulares.

Principais provas apontadas pela PF

  • Mensagens de celulares apreendidos na Operação Rent a Car, indicando conluio entre assessores e possível envolvimento direto dos deputados.
  • Depoimentos de assessores e quebras de sigilo bancário/telemático, revelando transações suspeitas.
  • Movimentações financeiras incompatíveis: assessores e ligados movimentaram cerca de R$ 28,6 milhões (em alguns relatos até R$ 27-28 mi) em poucos anos, sem justificativa com suas rendas declaradas.
  • Pagamentos contínuos a empresas de fachada (ex.: Harue recebeu R$ 214 mil de Jordy e R$ 192 mil de Sóstenes entre 2020-2024 via cota).
  • Apreensão de R$ 430 mil em dinheiro vivo no apartamento de Sóstenes Cavalcante em Brasília (escondido em saco de lixo), durante buscas da Operação Galho Fraco.
  • Indícios de despesas “inexistentes ou irregulares” custeadas com a cota, confirmados por análise de documentos e fluxos financeiros.

Os deputados negam irregularidades: Sóstenes alega que o dinheiro apreendido vem de venda de imóvel e classifica a investigação como perseguição política; Jordy diz que os contratos eram legítimos para aluguel de veículos e que não fiscaliza frotas internas de empresas. A investigação continua, autorizada pelo STF (ministro Flávio Dino), com quebras de sigilo e compartilhamento de dados com a Receita Federal.


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Política

Lula sobre 2026: ‘Vamos dar uma surra em quem achar que a extrema direita vai voltar a governar este país’

Presidente lançou o desafio durante anúncios no encerramento da Expocatadores, em São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (19) que ainda não está pensando nas eleições presidenciais de 2026, mas que vai “dar uma surra em quem achar que a extrema direita vai voltar a governar este país”. Lula discursou no encerramento da 12ª Expocatadores 2025, onde anunciou investimentos de R$ 170 milhões em projetos para catadores de materiais recicláveis.

Nas últimas semanas, pesquisas indicam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP), autorizado pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, a ser candidato à Presidência da República, aparece como melhor nome da extrema direita. No entanto, Lula segue liderando as simulações.

“Eu sei que tem muita gente já pensando na eleição de 2026. Eu ainda não posso pensar, porque eu tenho que trabalhar. Deixa eles pensarem o quanto quiserem. Venham, porque a gente vai dar uma surra em quem se meter a achar que a extrema direita vai voltar a governar este país”, provocou Lula.

Lula também afirmou que quer disputar a presidência em torno de projetos e não de fake news ou ameaças. “A gente vai desafiar na palavra, não é com xingamento. Eu quero comparar o que eles fizeram neste país com o que nós fizemos. E queremos que o povo saiba para ele poder decidir”, continuou.

O petista também defendeu a democracia, lembrando que, nas três vezes em que fora derrotado nas eleições para à Presidência da República, jamais considerou uma tentativa de golpe, tomar o poder pela força ou a violência, como fizeram os bolsonaristas, em 8 de janeiro de 2023.

“Perdia e voltava para casa, me preparava e voltava para outra. Nunca tentamos dar golpe, tomar o poder de assalto. Eles têm que aprender que a democracia vence”, afirmou, reforçando que vai vetar o chamado PL da Dosimetria, que reduz a pena dos condenados por tentativa de golpe de Estado, inclusive de Bolsonaro.

O presidente ainda defendeu que está em um momento muito bom de seu terceiro mandato e tem compromisso com a democracia brasileira.

“Esse país não pode permitir que a extrema direita fascista, negacionista, responsável pela morte de mais de 700 mil pessoas, a maioria delas por falta de respeito por não comprar vacina, não comprar oxigênio, volte a governar o Brasil com mentiras pela internet. É nossa obrigação não permitir que a democracia dê um passo para trás”, completou.

*BdF


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EUA cercam Venezuela com maior poder militar já visto na América Latina

Escalada liderada por Donald Trump supera intervenções históricas e coloca a região diante do maior cerco militar norte-americano desde a Guerra Fria

O segundo semestre de 2025 entrou para a história como o período da maior mobilização militar dos Estados Unidos contra um país latino-americano – desde a crise dos mísseis de Cuba em 1962. Sob o comando do presidente Donald Trump, Washington concentrou no Caribe e no entorno da Venezuela um aparato bélico que supera, em poder de fogo e alcance estratégico, intervenções como as invasões de Granada e da Nicarágua nos anos 1980.

Porta-aviões, destróieres lançadores de mísseis, submarinos nucleares, caças de última geração e milhares de militares passaram a operar na região, em uma demonstração de força que rompe com o padrão histórico de pressões diplomáticas e sanções econômicas. Várias ilhas caribenhas hospedam esse aparato militar, que demonstra o tamanho do empenho e receio de Donald Trump em repetir os fracassos do Vietnã ou da invasão da Baía dos Porcos em Cuba.

Aumentando o risco de possíveis ataques contra a Venezuela, o presidente dos EUA declarou o espaço aéreo do país como “totalmente fechado”, sem dar maiores detalhes sobre o anúncio. Ao menos cinco aeronaves, incluindo caças Boeing EA-18G Growler e F/A-18E Super Hornet, sobrevoaram a região sem entrar no espaço aéreo de Caracas.

Mirando novamente o setor petrolífero da Venezuela, país detentor das maiores reservas do combustível fóssil ao redor do mundo, Trump anunciou nesta terça (16), um novo bloqueio marítimo, que busca impedir a entrada ou saída de navios sancionados pelos EUA na Venezuela. Segundo o Vermelho, um dia depois (17), um novo ataque “cinético letal” contra uma embarcação acrescentou mais vítimas às quase 100 pessoas já mortas desde setembro.

De sanções a ameaça militar aberta

A ofensiva ganhou intensidade após a posse de Nicolás Maduro para um novo mandato, em janeiro, contestado por Washington, apesar de todo o protocolo característico de uma democracia eleitoral. Trump classificou o presidente venezuelano como chefe de um suposto cartel de drogas e, na sequência, ampliou para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levassem à sua captura.

Na prática, a mudança criou precedentes para operações militares dos EUA em outros países, sob a justificativa de combater o terrorismo — como já aconteceu em países como o Afeganistão, Síria e Líbia, países que continuam desgovernados sob controle de facções em conflito, um risco calculado para a Venezuela.

O discurso rapidamente se traduziu em ações concretas. Desde agosto, os EUA iniciaram ataques a embarcações no Caribe e no Pacífico sob a alegação de combate ao narcotráfico, sem apresentação pública de provas. Em paralelo, retomaram sanções duras contra o setor petrolífero venezuelano, principal fonte de receitas do país.

A lógica do “narcoterrorismo”

O ponto de inflexão foi a adoção oficial, pelo governo Trump, de uma doutrina que classifica organizações ligadas ao tráfico de drogas como “terroristas internacionais”. A mudança abriu brechas legais para o uso direto da força militar fora do território norte-americano, replicando métodos aplicados anteriormente nos países do Oriente Médio mencionados.

Ao associar o governo Maduro ao chamado “narcoterrorismo”, Washington passou a justificar bloqueios navais, apreensão de petroleiros e bombardeios seletivos como parte de uma suposta guerra global ao terrorismo.

Bloqueio naval e cerco ao petróleo

Em dezembro, Trump anunciou um bloqueio marítimo contra petroleiros sancionados que entram ou saem da Venezuela, além de declarar o país “completamente cercado pela maior armada já reunida na história da América do Sul”. A medida elevou drasticamente o risco de confronto direto entre forças norte-americanas e venezuelanas.

Como resposta, Caracas passou a escoltar seus navios com a Marinha nacional e denunciou os EUA no Conselho de Segurança da ONU por violação do direito internacional e prática de “pirataria naval”. Enquanto Caracas chegou a arrecadar mais de 100 bilhões de dólares (R$ 552 bilhões) por ano com petróleo, hoje o valor fica em cerca de 20 bilhões de dólares (R$110 bilhões). Embora tenha a maior reserva do combustível, a produção venezuelana represente cerca de 1% da produção global.

Segundo o presidente republicano, a Venezuela está atualmente “cercada pela maior armada já reunida na história da América do Sul”. Por isso, o cerco contra o país só deve ser encerrado quando o “petróleo, terra ou quaisquer outros ativos” norte-americanos forem devolvidos. Até o momento, contudo, a administração Trump ainda não deixou claro sobre bens dos EUA que teriam sido apropriados pelo governo Maduro.

Reações internacionais e risco regional

A mobilização norte-americana provocou reações imediatas. Rússia e China declararam apoio à Venezuela e alertaram para consequências imprevisíveis. Além dos aliados, a ONU e os governos do México e da Alemanha também se pronunciaram na quarta-feira. A ONU pediu desescalada, enquanto países do Caribe demonstraram preocupação com a transformação da região, historicamente declarada “zona de paz”, em um novo palco de confrontação militar.

Especialistas alertam que a presença simultânea de grandes frotas navais em águas estreitas aumenta o risco de incidentes que podem servir de estopim para um conflito aberto.

Autoridades do Caribe, que dependem de parcerias de segurança com os EUA para combater o tráfico de armas e drogas, expressaram preocupação de que os ataques possam prejudicar suas economias e o turismo, embora admitam nos bastidores que pouco podem fazer para impedi-los.

O ponto mais próximo de Trinidad Tobago fica a apenas 11 km da costa da Venezuela, e seu governo está hospedando fuzileiros navais dos EUA, permitindo a instalação de um sistema de radar em um de seus aeroportos e participando de exercícios militares conjuntos com forças americanas. O primeiro ataque relatado em setembro deixou 11 mortos na costa de Trinidad. “As Forças Armadas dos EUA deveriam matá-los a todos violentamente,” diz a primeira-ministra de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissessar, embora a violência em seu país seja alimentada por armas contrabandeadas dos EUA, segundo o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

O presidente dominicano Luis Abinader também autorizou as Forças Armadas dos EUA a operarem em áreas restritas de seu país. Aeronaves militares dos EUA podem reabastecer e transportar equipamentos e pessoal técnico, disse ele em uma coletiva de imprensa conjunta com o secretário de Defesa, Pete Hegseth, na capital dominicana no mês passado. “Dominicanos, nosso país enfrenta uma ameaça real, uma ameaça que não reconhece fronteiras, que não distingue bandeiras, que destrói famílias e que vem tentando usar nosso território como rota há décadas”, declarou.

Porto Rico é um território ocupado pelos EUA, não uma nação independente. Foi usado durante toda a Guerra Fria para apoiar ações militares dos EUA na América Central e do Sul, e voltou à ativa nas últimas semanas com intensa movimentação militar.

Washington abordou Granada para solicitar a instalação temporária de equipamentos de radar e pessoal técnico associado em um aeroporto internacional. O pedido causa polêmica no país que já foi invadido pelos EUA em outubro de 1983, após o assassinato do primeiro-ministro Maurice Bishop, um revolucionário socialista. O aeroporto batizado com o nome do líder assassinado, seria o local da instalação do radar dos EUA.

Mais grave que Granada e Nicarágua

Mesmo nos momentos mais tensos da Guerra Fria, como a invasão de Granada ou o apoio armado dos EUA contra a Nicarágua sandinista, Washington não concentrou tamanho poder de fogo de forma tão explícita e prolongada no entorno de um único país latino-americano.

Agora, com ataques letais, bloqueios navais e ameaças públicas de guerra, a ofensiva contra a Venezuela marca um novo patamar de intervenção, recolocando a América Latina no centro da estratégia militar global dos Estados Unidos — e reacendendo memórias históricas de um continente repetidamente tratado como zona de influência e não como região soberana.


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Aliado de Trump, governo Bolsonaro monitorou apoio militar de Putin para Maduro

Abin mapeou fornecimento de Kalashnikov, caças e mísseis russos para os venezuelanos e alertou para estratégia do Kremlin de “retaliar” os EUA

Sob o governo de Jair Bolsonaro, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) monitorou, mapeou e alertou para o apoio militar que Vladimir Putin estava costurando ao governo de Nicolás Maduro. Num relatório de 2019, o serviço secreto nacional apontava como o Kremlin havia construído uma aliança militar com Caracas.

A informação faz parte de documentos da agência e que foram obtidos após uma longa batalha judicial pela Fiquem Sabendo, organização sem fins lucrativos especializada em transparência pública. Ao longo dos próximos dias, o ICL Notícias trará com exclusividade dezenas de informes, relatórios e dados até hoje mantidos como confidenciais pela Abin.

Em 2019, Bolsonaro havia estabelecido uma guinada na política externa brasileira, alinhando-se ao governo de Donald Trump. Naquele momento, em Washington e Brasília proliferaram reuniões para definir estratégias de pressão sobre Maduro, inclusive com o reconhecimento de Juan Guaidó como presidente da Venezuela.

Mas os documentos, agora, revelam que uma das preocupações brasileiras se referia à presença militar russa na região. Num relatório de Inteligência N° 0154/92130, de 2 de maio de 2019, a Abin destacava como a defesa da Venezuela por parte da Rússia possui “motivações econômicas e geopolíticas”.

“A posição russa integra estratégia para aumentar sua influência em área tradicionalmente prioritária na política externa dos EUA”, indicou. “A aliança com a Venezuela também representaria retaliação à interferência estadunidense em questões ocorridas na esfera de influência da Rússia, como na Crimeia”, constatou.

Segundo a Abin, a aproximação entre os dois países foi “liderada pelo setor de Defesa, cuja parceria ocorre no comércio de armas; na instalação de fábricas, de centros de treinamento e de manutenção de material bélico russo; e em exercícios militares conjuntos”.

A agência aponta como a cooperação militar abriu possibilidades de negócios também em outras esferas. A atuação russa na área econômica, além do setor de Defesa, ocorre principalmente nos campos energético e financeiro.

A avaliação da Abin foi, naquele momento, que as relações entre Rússia e Venezuela ganharam impulso com a tentativa venezuelana de se afastar da influência estadunidense. “A Rússia se mostrou um dos poucos países com desenvolvimento tecnológico de ponta na área militar disposto a resistir às pressões e ao embargo estadunidenses, embora o material vendido à Venezuela não seja o mais moderno do arsenal de guerra russo. Atualmente, há cooperação nas áreas militar, econômica e política”, destacou.

Vladimir Putin e Nicolas Maduro. AFP

Os dados levantados pela agência de espionagem brasileira concluíram que:

Entre 2000 e 2017, a Venezuela foi o país que mais importou armamentos russos na América Latina, concentrando cerca de 80% dos US$ 4,7 bilhões exportados para a região.

No mesmo período, a Rússia também se posicionou como o maior fornecedor de armamentos para o governo venezuelano, respondendo por cerca de 70% do total de US$ 5,5 bilhões gastos, seguida pela China, com 11%. Comparando os períodos de 2009-2013 e 2014-2018, no entanto,
verifica-se uma retração de 83% nas importações de armas por parte da Venezuela.

A empresa estatal russa Rosoboronexport, exportadora de armas e equipamentos militares, é a principal exportadora desses artigos para a Venezuela. Desde o acordo assinado em 2001, a Rússia forneceu armamentos e equipamentos como rifles de assalto Kalashnikov (AK-
103), caças Sukhoi, sistemas de mísseis antiaéreos Tor-M1 e helicópteros Mi.

Naquele ano de 2019, a Rosoboronexport estava finalizando a construção de fábrica de munições e fuzis Kalashnikov AK-103 na Venezuela. Embora o acordo para a construção da fábrica tenha sido assinado em 2006, sua construção foi interrompida em diversas ocasiões, tendo sido retomada em 2016.

No período de 2004 a 2016, estima-se entre US$ 11 e 14 bilhões o montante de capital investido pela Rússia na Venezuela na área militar.

Presença de militares russos
Outro aspecto mapeado pela Abin foi a presença de militares russos na região. De acordo com os documentos, em 29 de março de 2019, a Rosoboronexport anunciou a inauguração do Centro de Instrução e Treinamento Simulado Conjunto General de Brigada Oscar José Martínez Mora, nas instalações do Batalhão de Helicópteros General de Brigada Florencio Jiménez, na cidade de San Felipe, a 230 km de Caracas. “O centro tem por objetivo fornecer treinamento e aperfeiçoamento para pilotos e engenheiros de voo de aeronaves russas modelos MI-17V5, MI-35M e MI-267”, disse.

A realização de exercícios militares conjuntos ganhou força a partir de 2008, quando a Rússia anunciou o envio de navios de guerra para realização de exercícios militares conjuntos com a marinha venezuelana.

“O intercâmbio militar e os exercícios conjuntos entre as duas nações foram intensificados recentemente”, destacou. “Em 10 de dezembro de 2018, uma aeronave de transporte militar An-124, um avião comercial da Força Aeroespacial russa e dois bombardeiros estratégicos TU-160 pousaram no Aeroporto Internacional de Maiquetía, na Venezuela. Em 2008 e 2013, bombardeiros similares também estiveram presentes no país”, constatou.

Vigilância de Israel
A Abin ainda informou que, em 23 de março de 2019, dois aviões russos pousaram na Venezuela com cerca de 100 militares e aproximadamente 35 toneladas de equipamentos bélicos.

“Oficialmente, o governo russo declarou que a visita decorria da cooperação técnico-militar vigente desde 2001. O envio do contingente russo à Venezuela em março teria sido motivado por questões militares e técnicas. De acordo com imagens do sistema de vigilância satelital israelita iSi captadas em 07 de abril, na semana de 17 a 24 de mar. 2019 a Venezuela teria retirado o sistema antiaéreo russo S- 300 de armazém, na base Capitán Manuel Ríos, no estado de Guarico. As imagens identificaram lançador ereto, pronto para ser acionado, pertencente ao S-300”, disse.

Além do contingente encaminhado para a base Capitán Manuel Ríos, o governo russo está cooperando com a Venezuela na instalação de equipamentos de comunicação e radares de alerta para defesa antiaérea em Puerto Ordaz, no estado de Bolívar. Em 29 mar. 2019, 28 militares russos teriam se deslocado para o sul do país e se encontrado com a vice-presidente, Delcy Rodríguez, para tratar sobre a situação da hidrelétrica de Guri.

Ao menos 14 militares russos, do contingente de aproximadamente 100, encontram-se na cidade de Guayana/Venezuela. Os russos estariam trabalhando em cooperação com cubanos para a construção do projeto Escudo Guayanês. O projeto consiste na elaboração e construção de centro de resistência militar, que deverá ser dotado de equipamentos de comunicação satelital, para a hipótese de invasão estrangeira.

A Abin ainda apontou que também haveria especialistas em guerra cibernética, os quais estariam atuando no treinamento das contrapartes venezuelanas para a proteção das infraestruturas críticas do país.

“Ademais, existiriam civis e militares russos no Exército venezuelano que auxiliariam em treinamentos de espionagem e na segurança de altos funcionários do governo venezuelano e prestariam assessoria à Direção Geral de Contrainteligência Militar (DCIM) e ao Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin)”, concluiu.

Investimentos russos
Outro destaque da Abin foi o volume de apoio econômico recebido pela Venezuela. “Entre investimentos e empréstimos, estima-se que a Rússia teria dado suporte financeiro de aproximadamente US$ 17 bilhões à Venezuela”, apontou.

Segundo a agência, o governo russo intensificou investimentos no setor energético venezuelano, principalmente por meio da atuação da empresa estatal russa Rosneft.

O governo russo ainda possui 49,9% das ações da empresa Citgo, subsidiária da petrolifera estatal venezuelana Petróleos de Venezuela (PDVSA), situada nos Estados Unidos e alvo de sanções. Justamente por temer sanções econômicas impostas por países europeus, o governo venezuelano ainda planejava mudança da filial europeia da PDVSA de Portugal para Moscou.

Em 5 abr. 2019, os dois países estabeleceram parcerias comerciais para enfrentar as sanções econômicas da UE e dos EUA, bem como acordos na área energética. O país sul-americano também pediu auxílio na reposição de peças do seu sistema elétrico.

Desde então, o governo Maduro vem utilizando o Evrofinance Mosnarbank, instituição financeira russa, como alternativa para o manejo dos pagamentos a seus fornecedores.

“O banco é usado em transações que envolvem o financiamento de projetos petrolíferos e na compra de títulos da Venezuela e da PDVSA”, explicou a Abin.

Como foram obtidos os documentos
O acesso aos documentos da Abin ocorreu depois de seis anos de batalha por parte da Fiquem Sabendo e é considerado como um divisor de águas para a transparência no Brasil.

A ação segue tramitando para garantir que todos os documentos sejam entregues, sem tarjas e n íntegra, como é o caso ainda de vários informes.

Documentos classificados são informações públicas que, por motivos de segurança da sociedade ou do Estado, são temporariamente mantidas em sigilo. Os documentos obtidos já foram desclassificados e, portanto, estão fora do prazo de sigilo. De fato, entre 2014 e 2020, mais de 400 mil documentos federais perderam o sigilo.

Mas o acesso nem sempre está garantido. Assim, o projeto Sem Sigilo começou em 2019, quando a entidade convocou voluntários para pedir documentos cujo prazo de sigilo expirou. A iniciativa coletou milhares de páginas de dezenas de órgãos, mas enfrentaram resistência de entidades como Abin, GSI, Ministério da Defesa, Forças Armadas, Polícia Federal e Itamaraty.

Em 2020, eles ajuizaram uma ação contra a Abin. A ideia era enfrentar o órgão mais resistente à transparência pública porque apostavam que, se ganhassem, outros cairiam por gravidade.

Em 2021, o MPF acolheu parcialmente os argumentos e sugeriu que a Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI), do Congresso, analisasse os documentos. Corretamente, o Congresso se recusou, afirmando não ser sua competência.

Em 2023, a ação sofreu uma derrota em primeira instância. A Justiça aceitou o argumento da União de que a Abin poderia decidir sozinha o que divulgar ou não — mesmo contrariando o texto da LAI.

Mas, em maio de 2025, a 6ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) acatou o pedido e condenou, por unanimidade, a União e a Abin a entregar um conjunto de documentos mantidos ilegalmente sob sigilo.

A decisão tem um impacto profundo, já que:

  • Estabelece jurisprudência: é a primeira decisão em nível federal que reafirma que nenhum órgão está acima da LAI — e que seus prazos não são opcionais.
  • Cria precedente: o entendimento agora pode ser replicado para cobrar outros órgãos que seguem descumprindo a Lei, como o Itamaraty e as Forças Armadas.
  • Desmonta o sigilo eterno: reafirma que a transparência é a regra, e o sigilo, a exceção — com prazo.

*Jamil Chade/Uol


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