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A cruz decapitada – Como o exército de Israel transformou o sul do Líbano em campo de caça a símbolos sagrados

Por uma investigação de campo – visando compreender o comportamento real dos indivíduos, que o establishment israelense preferia enterrar junto com a estátua.

Debel, sul do Líbano, 19 de abril de 2026. Uma aldeia cristã pacata, ocupada militarmente por tropas israelenses há semanas. No meio de uma praça aberta, uma estátua de Jesus Cristo crucificado jazia tombada no chão, cabeça para baixo. Um soldado das Forças de Defesa de Israel (IDF), fardado, capacete e tudo, empunha um martelo gigante e desfere golpes precisos no rosto do Messias. O impacto ecoa. A cabeça da imagem sagrada racha, fragmenta-se. O ato é filmado, fotografado e viraliza em minutos. Não é um erro. É um espetáculo de ódio religioso em plena invasão.

O Exército israelense confirmou, em comunicado oficial emitido nesta segunda-feira, que a imagem é autêntica. O soldado “operava no sul do Líbano”. Uma investigação foi aberta. “Medidas apropriadas serão tomadas contra os envolvidos”. Tradução: alguém vai pagar. Mas não pelo crime de profanar um símbolo cristão. Pelo crime de ter deixado o celular ligado.

Benjamin Netanyahu, o mesmo premier que há meses justifica bombardeios sobre bairros densos, hospitais e escolas como “necessidade de segurança”, saiu às pressas para condenar o ato. “O soldado enfrentará ação disciplinar dura”, disse. Dura. Palavra forte para quem, até ontem, via os mesmos soldados como heróis por eliminar “ameaças” que incluíam mulheres, crianças e idosos em Gaza e agora no Líbano. O cálculo é matemático: decapitar Jesus rende manchetes ruins. Decapitar civis palestinos e libaneses rende medalhas.

Fontes internas da IDF revelam o que ninguém diz em voz alta: o vandalismo religioso não é novidade. Relatos de destruição de igrejas, mesquitas e cemitérios cristãos no sul do Líbano se acumulam desde o início da operação terrestre conjunta com os EUA contra o Irã. A estátua de Debel não foi o primeiro alvo. Foi apenas o primeiro flagrado com clareza cirúrgica. O soldado não agiu sozinho. Ele agiu dentro de uma cultura militar onde a impunidade é norma e a provocação religiosa, ferramenta de guerra psicológica.

Enquanto o mundo assiste ao vídeo em loop – mais de 5 milhões de visualizações só no X –, o governo israelense tenta conter o dano com a narrativa clássica: “caso isolado”, “inconsistente com os valores do IDF”. Valores. Os mesmos que, segundo dezenas de relatórios de organizações internacionais, permitiram o assassinato sistemático de civis desarmados, o uso de fome como arma e a destruição de infraestruturas religiosas inteiras. Matar mulheres e crianças? “Dano colateral inevitável”. Fotografar-se destruindo Cristo? Isso, sim, é imperdoável.

A hipocrisia é tão escancarada que chega a ser ofensiva. Netanyahu pune o soldado pela foto, não pelo martelo. Porque a imagem expõe o que a máquina de propaganda israelense esconde há meses: o desprezo institucional por qualquer símbolo que não seja o seu. Cristãos, muçulmanos, a humanidade inteira que ainda acredita em algo sagrado – todos viram o rosto de Jesus ser esmigalhado por um martelo israelense. E o mundo, mais uma vez, é convidado a escolher: condenar o ato ou ser acusado de antissemitismo.

Esta não é uma guerra contra o Hezbollah. É uma guerra contra a memória, contra a fé, contra a dignidade humana. E o soldado de Debel não é o vilão solitário. Ele é o rosto desmascarado de uma doutrina que transformou o sul do Líbano em território livre para profanação. Enquanto o martelo cai sobre a estátua, o silêncio cúmplice cai sobre os corpos. Netanyahu pode punir o fotógrafo. A história já condenou o regime.

A cruz de Debel está decapitada. A pergunta que resta é: quantas mais terão que cair para que o mundo pare de fingir que isso é “defesa”?

*Luis Celso Ferreira dos Santos, nascido na cidade do Rio de Janeiro-RJ. Formado em Ciências Contábeis pela UFRJ, Aposentado pelo INSS, tendo trabalhado como Supervisor no Banco da Amazônia e também como Diretor Regional do SESC e do SENAC nos Estados do Acre e de Rondônia.


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Mundo

Irã promete atacar 4 alvos e causar depressão mundial

Em meio a colapso de Trump nas pesquisas

Sob pressão dos Estados Unidos, que seguem reforçando sua presença militar na região, o Irã nomeou através de porta-vozes quatro alvos que poderiam mergulhar o mundo em uma depressão econômica.

Se Israel e os EUA retomarem o conflito, o principal objetivo de Teerã será fechar o estreito de Bab al-Mandeb, através dos houthis do Iêmen, negando acesso ao mar Vermelho e passagem pelo canal de Suez.

Hoje, 30% dos contêineres utilizados pela navegação comercial do planeta passam por Suez.

Teerã também incluiu na lista a Aramco, a estatal saudita que é a maior empresa de petróleo e gás do planeta.

Hoje, ela segue exportando petróleo através de um oleoduto que liga suas refinarias ao porto industrial de Yanbu, no mar Vermelho, que o Irã também incluiu na lista de alvos.

Finalmente, o Irã afirmou que pretende atacar o segundo maior porto de combustíveis do mundo, o de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, localizado estrategicamente no golfo de Omã.

Êxodo do Golfo Pérsico
Se cumpridas as promessas, as monarquias do Golfo Pérsico aliadas dos Estados Unidos poderiam entrar em colapso econômico, com possível êxodo populacional para a Jordânia e o Iraque.

É que a primavera está acabando no Golfo Pérsico. Os termômetros começam a subir em maio. Em 2025, Dubai registrou oficialmente 51,6 graus centígrados no dia 25 de maio.

A interrupção no fornecimento de energia ou o ataque a plantas de dessalinização podem afetar gravemente a população civil.

Arábia Saudita, Catar, Emirados, Kuwait, Bahrein e Omã se abastecem através de 400 usinas que processam água do mar.

Todas estão ao alcance de drones e mísseis do Irã.

Sob bloqueio naval e com a possível tomada militar de algumas ilhas pelos Estados Unidos, Teerã tem bons motivos para negociar, mas pode causar imensos danos.

O país demonstrou resiliência às duas ofensivas conjuntas de Israel e Estados Unidos.

Trump vai mal das pernas
O calcanhar de Aquiles de Donald Trump é o impacto de um conflito prolongado na economia.

Nesta segunda-feira, 20, o preço médio da gasolina nos EUA está no equivalente a R$ 5 reais o litro, podendo chegar a R$ 7,25 na Califórnia, segundo a Forum.

Isso pesa no bolso do consumidor. Os estadunidenses dirigem em média mais de 20 mil quilômetros por pessoa/ano.

Há previsão de que em algumas semanas haja falta de querosene de aviação, da qual os Estados Unidos dependem fortemente — cerca de 30% de todo o tráfego aéreo global.

Além disso, agricultores de todo o planeta estão pagando mais caro pelos fertilizantes, com impacto no preço da cesta básica.

A inflação nos EUA bateu em 0,9% em março, com uma taxa anualizada de 3,3%, a maior até agora do governo Trump. Com a criação de apenas 116 mil empregos em 2025, é possível que a economia dos EUA entre em recessão antes do final do ano.

Em outubro, Trump enfrenta eleições de meio de mandato em que corre o risco de perder controle da Câmara e até mesmo do Senado.

No domingo, 19, a rede estadunidense NBC divulgou pesquisa mostrando que Trump tem apenas 37% de aprovação, com dois terços dos entrevistados condenando o descontrole da inflação e a guerra contra o Irã.


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“Não deixaremos impunes”: É esta a resposta do Irã após a ataque dos EUA a navio no Golfo

Frágil cessar-fogo fica por um fio após ofensiva dos EUA; Irã ensaia abandono das mesas de negociação

Na noite deste domingo (19), a Marinha dos Estados Unidos atacou e assumiu o controle do navio cargueiro iraniano Touska na noite de domingo no Golfo de Omã, enquanto a embarcação navegava da China em direção ao porto iraniano de Bandar Abbas.

O episódio acirrou a tensão no Estreito de Ormuz, deteriorou o cessar-fogo anunciado em 8 de abril e levou o Irã a ameaçar represálias e a suspender a participação em nova rodada de negociações com Washington.

O ataque ao Touska
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que o Touska foi abordado por um destroyer de mísseis guiados da Marinha americana no Golfo de Omã. Segundo a Forum, Trump disse que a tripulação foi alertada para desocupar a sala de máquinas, mas “se recusou a ouvir”. A Marinha então “abriu um buraco na sala de máquinas”, imobilizando a embarcação. Fuzileiros navais assumiram a custódia do navio para inspecionar a carga.


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O alerta da FAB para aproximação de porta-aviões dos EUA ao Brasil

O porta-aviões USS Nimitz, o mais antigo navio nuclear desse tipo ainda em atividade no mundo, tem visita confirmada ao Rio de Janeiro, e a presença do gigante da Marinha dos Estados Unidos já levou a Força Aérea Brasileira a emitir um alerta aos aviadores. O navio, que participa da Operação Southern Seas 2026, deverá passar pela Baía de Guanabara entre 7 e 12 de maio, período em que sua altura e posição exigirão atenção especial de aeronaves em operação no entorno do Aeroporto Santos Dumont.

Lançado ao mar em 1972 e incorporado à Marinha dos Estados Unidos em 1975, o USS Nimitz virou um dos símbolos militares mais conhecidos da frota estadunidense.

Ao longo de décadas, participou de episódios centrais da história militar recente, como a tentativa frustrada de resgate de reféns na embaixada estadunidense em Teerã e a Operação Tempestade no Deserto, durante a Guerra do Golfo. O navio também ganhou fama fora do ambiente militar ao inspirar o filme “Nimitz de Volta ao Inferno”, lançado em 1980.

Antes de seguir para o Brasil, o Nimitz fez escala em Valparaíso, no Chile, onde chegou em 17 de abril acompanhado do destróier USS Gridley e do navio-tanque USNS Patuxent. A parada faz parte da Southern Seas 2026, operação conduzida pelo Comando Sul e pela 4ª Frota dos Estados Unidos.

A missão prevê exercícios navais, operações de passagem e atividades com marinhas parceiras da América Latina, com o objetivo de ampliar interoperabilidade, capacidade conjunta e cooperação marítima na região, segundo o DCM.

O trajeto do navio até o Brasil inclui a descida pelo sul do continente, passagem pelo Estreito de Magalhães e depois a subida pela costa atlântica da América do Sul.

A viagem faz parte da última grande operação do USS Nimitz antes de sua desativação definitiva, o que transforma a escala brasileira em um momento simbólico para a carreira de um dos navios mais emblemáticos da frota estadunidense.

No caso do Rio de Janeiro, o ponto mais sensível envolve a segurança do tráfego aéreo. Segundo o aviso emitido aos aeronavegantes, as antenas localizadas na ponte de comando do navio ultrapassam 70 metros de altura, o que representa um obstáculo relevante para pilotos, sobretudo helicópteros e aeronaves que operam em baixa altura na região da Baía de Guanabara.

Esse tipo de notificação já é comum quando embarcações de grande porte ficam próximas ao Santos Dumont, mas o porte do Nimitz elevou o nível de atenção.


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EUA manda aviso ao Brasil sobre ofensiva que fará contra CV e PCC

O governo dos Estados Unidos enviou recado ao presidente do Banco Central do Brasil sobre ofensiva que pretende fazer contra as facções

O governo dos Estados Unidos (EUA) enviou recado ao presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, sobre ofensiva que pretende fazer contra as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC).

Em reunião com Galípolo, autoridades norte-americanas avisaram que Washington caminha para classificar CV e PCC como organizações terroristas, a despeito da resistência da administração Lula. O Departamento de Estado argumenta que esses grupos movimentam grandes quantias por meio de lavagem de dinheiro e que o aumento do rigor, por meio da nova classificação, facilitará a asfixia financeira.

Somente o Brasil foi avisado com antecedência, tendo em vista que há países que não foram informados previamente sobre a medida. O México, por exemplo, não recebeu tal comunicado antes de a Casa Branca classificar seis grandes cartéis como terroristas.

Isso permite o congelamento imediato de ativos em solo americano e proíbe qualquer entidade ou indivíduo sob jurisdição dos EUA de fornecer suporte material, o que cria barreira para a utilização do sistema bancário global por essas facções.

O Palácio do Planalto e o Ministério da Justiça e Segurança Pública tradicionalmente defendem que o enfrentamento ao crime organizado deve ser tratado sob a ótica da cooperação policial, a abordagem de Washington eleva a questão ao nível de ameaça à segurança nacional.

A resistência do governo Lula consiste na preocupação de que tal classificação possa abrir precedentes para intervenções externas ou sanções indiretas que afetem a soberania nacional, a economia doméstica e o setor de turismo.


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PF monitorou fim da data de permanência legal de Ramagem nos EUA para ação de prisão

PF fez trabalho de cooperação por meio de um oficial de ligação que acompanhou os dados de Ramagem nos EUA

A coluna de Juliana Dal Piva, no ICL, apurou que a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem nos Estados Unidos ocorreu após um trabalho de meses da Polícia Federal desde que Ramagem fugiu em setembro. Um dos pontos centrais para que a ação se desdobrasse nesta segunda-feira foi verificar quando vencia o período de permanência legal do ex-deputado nos EUA com o visto B1B2, o visto de turismo e negócios utilizado por ele para entrar na Flórida.

Além disso, a PF fez um trabalho de cooperação por meio de um oficial de ligação que estava atuando nos EUA e acompanhando os dados de Ramagem. Ele foi preso nesta segunda-feira (13) por agentes do ICE, o serviço de imigração dos Estados Unidos, na Flórida, onde permanecia desde que deixou o Brasil em 2025.

O ex-diretor-geral da Abin teve o mandato cassado pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados em dezembro do ano passado, após ser condenado no processo da trama golpista em 11 de setembro.

Após fugir do Brasil, o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) entrou nos EUA no dia 11 de setembro, o que demonstra que ele decidiu deixar o país antes mesmo de ser condenado. A PF já apura o caso desde o início de outubro.

Além disso, investigadores já identificaram que Ramagem iniciou sua fuga em Brasília a partir de um voo para Boa Vista, em Roraima, no dia 9 de setembro. O trajeto entre Boa Vista e a Guiana foi feito via terrestre. Nos dias seguintes, tanto ele como a mulher, Rebeca, passaram a postar imagens juntos para disfarçar o paradeiro do deputado. Por isso, antes dela viajar aos EUA, Rebeca foi alvo de busca pessoal e teve celulares apreendidos no aeroporto.

Em nota, a Câmara informou que não foi autorizada missão oficial no exterior para o deputado Ramagem, tampouco houve comunicação à presidência da Casa de afastamento do parlamentar do território nacional.

A Casa também declarou que o deputado apresentou atestados médicos nos períodos de 9 de setembro a 8 de outubro; e de 13 de outubro a 12 de dezembro. Ramagem integrava o chamado “núcleo crucial” da trama golpista, ao lado de outras sete pessoas, entre elas o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão e o ministro Alexandre de Moraes também determinou esta semana a perda de mandato parlamentar de Alexandre Ramagem.

A esposa do deputado, Rebeca Ramagem, chegou a publicar, no domingo (23), nas redes sociais, que a família viajou para Miami por “proteção”, alegando enfrentar “perseguição política desumana”.


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O ex-deputado bolsonarista, Alexandre Ramagem, tomou um peguei do ICE de Trump nos EUA

Alexandre Ramagem, preso pelo ICE, como é sabido, entrou nos EUA com documentos falsos e com a ajuda de garimpeiro.

Uma família ligada ao garimpo, certamente, ilegal, armou a fuga do bolsonarista que permanecia em Miami.

Na verdade, esse é o segundo bolsonarista laçado e encarcerado pela polícia em quatro dias.

Bastou o sujeito entrar na lista da Interpol, que o serviço de imigração de Trump o abocanhou.

Ramagem, bolsonarista de carteirinha, foi condenado a 16 anos pelo STF por tentativa de golpe e abolição violenta do Estado democrático de direito, trama golpista e organzação criminosa.

Ou seja, aquele todo poderoso ex-delegado da PF, ex-diretor da Abin e ex-deputado do PL, foi preso neste 13 de abril, nos EUA, terra sagrada para os bolsonaristas raiz.

Ao invés de se entregar, o sujeito fugiu do Brasil à francesa pela fronteira de Roraima com a Guiana, usando passaporte diplomático e foi parar nos EUA. Ele já estava com mandado de prisão no Brasil.

O ICE o prendeu por questão de imigração, por irregularidade. Agora, ele deve estar em algum centro de detenção do ICE, e a justiça brasileira tentará acelerar sua extradição.

Os bolsonaristas estão p… da vida com mais essa prisão de golpista que, segundo eles, Ramagem havia pedido asilo e dará ruim para os EUA se o país entregá-lo para a justiça brasileira.

Os petistas estão se refestelando nos memes, mostrando Ramagem como um vira-lata sendo chutado por Trump.

Seja como for, a maré anda tosca para a direita brasileira. Se antes, andava de lado como caranguejo, esse episódio com Ramagem, que simboliza a própria imagem do pai de Flavio Bolsonaro, somado à derrota de Trump para o Irã e da extrema direita com Órban na Hungria, a extrema direita brejeira vai pe4rdendo o chão aqui na terrinha.

É muito ídolo indo para o saco ao mesmo tempo. Não há fanatismo possível´para tamanho revés.


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Trump disse que outros países o ajudariam a bloquear o Irã, até agora ninguém se manifestou

No domingo (12 de abril de 2026), após o fracasso das negociações de paz com o Irã em Islamabad, Trump anunciou que a Marinha dos EUA iniciaria um bloqueio naval no Estreito de Ormuz (e em portos iranianos). Ele afirmou que outros países ajudariam os EUA nessa operação, dizendo coisas como “numerosos países vão nos ajudar” e mencionando que o Reino Unido e “alguns outros” enviariam navios varredores de minas.

Até agora, a resposta dos aliados tem sido fria ou negativa: Reino Unido (primeiro-ministro Keir Starmer): Declarou explicitamente que não apoia o bloqueio dos portos iranianos.

Vários aliados da OTAN e outros (como Alemanha, Espanha, Itália, Austrália, Coreia do Sul e Japão) já haviam recusado pedidos anteriores de Trump para enviar navios de guerra ou ajudar a “policiar” o estreito, citando que “não é nossa guerra” ou falta de objetivos claros.
aljazeera.com

Até o momento (13 de abril), não há confirmações públicas de países se juntando ao bloqueio anunciado por Trump. Muitos estão cautelosos com o risco de escalada, impacto nos preços do petróleo e possível confronto direto.

Trump tem pressionado aliados há semanas para formar uma coalizão no Estreito de Ormuz (que transporta cerca de 20% do petróleo mundial), mas a resposta tem sido morna. Ele já criticou a OTAN por isso e chegou a sugerir punições para quem não ajudar.

O Irã fechou ou dificultou o estreito em resposta a ataques anteriores dos EUA e Israel. Trump agora quer impedir que o Irã lucre com “pedágios” ou óleo, mas o bloqueio unilateral dos EUA pode aumentar ainda mais os preços globais de energia e criar tensões diplomáticas (inclusive com China, grande compradora de petróleo iraniano).

Resumindo, Trump disse que teria ajuda, mas até agora ninguém se manifestou publicamente a favor do novo bloqueio. Os aliados parecem preferir evitar se envolver diretamente nessa escalada.

A conferir os próximos capítulos.


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Chineses sobre Trump: ‘Cães ladram por medo’

Pequim vê agressividade do governo americano no mundo como sinal de decadência, mas enfrenta seus próprios dilemas estruturais e sabe que EUA não cederá lugar sem disputa

O Vento e Sol disputavam quem era o mais poderoso e um eterno debate precisa acabar. Foi estabelecido, assim, que uma competição seria oficialmente realizada para colocar fim ao impasse. O critério era simples: quem conseguisse retirar a roupas dos seres humanos seria declarado como o mais forte.

O Vento foi o primeiro. Soprou de forma violenta, causando caos e destruição. Soprou e soprou. Apesar da agressividade e de seu impacto indiscutível, apenas conseguiu arrancar partes das roupas das pessoas.

Chegou a vez do Sol, que teve apenas de existir para iniciar sua participação na competição. Naquele dia, seu calor irradiado foi suficiente para que todos optassem por se despir. Estava decretado o vencedor.

Percorrendo a China nos últimos dias, foi assim que observadores me explicaram o cenário quando questionei como viam a disputa entre eles e os EUA pela hegemonia no século 21. A ordem entre os chineses é a de buscar ter influência sem repetir a atitude de violência dos “ventos americanos”.

Oficialmente, o governo em Pequim insiste que não quer imitar o modelo de europeus e americanos dos últimos 300 anos, como hegemonias globais. Seja por meio de colônias ou por uma ingerência constante em assuntos domésticos de países, incluindo o assassinato de líderes estrangeiros e golpes de estado.

Mas, fora das conversas oficiais, a constatação é de que todos sabem que o eixo do poder no mundo está rapidamente migrando para a Ásia e que, no novo modelo de influência internacional, a longevidade do poder chinês pelo mundo vai depender da capacidade de construi-la por vias mais sofisticadas que a das invasões e pilhagens.

Também admitem que, cada vez mais, a diplomacia chinesa está adotando uma nova postura, mais ousada e subindo a voz, sempre que for necessário. Por enquanto, pelo menos de forma pública, os ataques públicos por parte de Pequim tem se limitado às potências Ocidentais, com denúncias por parte dos chineses de violações de direitos humanos nos EUA, Canadá e Europa.

Mas mesmo essa atitude apenas passou a ser tomada quando Pequim se deu conta que está, finalmente, em condições de exigir um lugar de absoluto destaque na mesa das potências que definirão as regras do século 21.

Os EUA também sabem disso. Ao assumir o Departamento de Estado, Marco Rubio disse que a China é o maior desafio existencial dos norte-americanos em sua história. Nem a URSS representou tal desafio, mesmo no auge da Guerra Fria. Para Washington, em dez anos, Pequim terá as condições econômicas, políticas e de infraestrutura para decidir o que os EUA podem ou não podem ter acesso no mundo.

A China, de fato, deu uma demonstração dessa ameaça que podem representar quando, em resposta às tarifas dos EUA, Xi Jinping anunciou a proibição de exportação de minérios críticos, um abalo para a indústria de ponta e de defesa americana.

De fato, o próprio Departamento de Estado considera que Pequim poderá ter a capacidade de gerar um desabastecimento global em poucos anos se decidir vetar as vendas de insumos no setor farmacêutico ou de tecnologia.

Parar a China, antes que seja tarde demais
No governo Trump, a ordem é a de criar um cenário internacional no qual seria colocado fim à ideia de uma decadência inevitável dos EUA e uma ascensão imparável da China. Para a Casa Branca, isso precisa ser feito “imediatamente”, antes que seja tarde demais.

Para isso, a escolha foi por gerar uma profunda ruptura na ordem internacional e, portanto, nessa lógica. A estratégia é a de garantir que os EUA reduzam ao máximo sua dependência em relação ao abastecimento chinês, criar acordos para garantir acesso a recursos naturais fundamentais para tecnologia e ao setor militar.

Outro pilar da contra-ofensiva é a de impedir a instalação da China como ator estratégico no que Washington considera como “suas fronteiras”. Ou seja, em todo o continente latino-americano.

Cortar o abastecimento de petróleo para a China também é outra dimensão fundamental da reposta dos EUA à ascensão chinesa. É nesse contexto que Pequim considera que Trump agiu na Venezuela e no Irã.

Um quarto pilar seria ainda estabelecer um arco de aliados que possam “cercar” a China. Isso inclui parcerias com Índia e o Sudeste Asiático.

O problema, segundo os chineses, é que a estratégia usada pelos EUA significará, de forma imediata, a introdução do caos no cenário internacional.

Para Pequim, o governo norte-americano dificilmente atingirá seus objetivos por esse caminho. O primeiro motivo seria o impacto que tal ruptura teria para a própria economia dos EUA, debilitando o dólar e a credibilidade americana como parceiro confiável.

A avaliação é ainda de que, apenas com chantagens, bombas e ameaças, alianças estabelecidas serão frágeis. “São acordos feitos com armas na cabeça. Não planos de mútuo desenvolvimento. Não são alianças, são capitulações”, avaliou uma observadora na China.

De fato, pesquisas mostram uma profunda queda de popularidade internacional dos EUA e da crença do mundo sobre a legitimidade da liderança americana. Segundo um levantamento realizado pela Gallup em 130 países, apenas 31% dos entrevistados ainda considera os EUA como capaz de agir como líder mundial. A China, pela primeira vez, aparece com uma certa distância nesse retrato global. Mas, ainda assim, com apenas 36% de popularidade. Usando a analogia da lenda que me foi contada, o Sol também pode queimar.

Os limites e vulnerabilidades da China
Para os autores do levantamento, isso revela que nem americanos e nem chineses conseguem hoje romper um cenário de desconfiança. De fato, a China tem seus limites. Seu crescimento continua dependente das exportações, por mais que a taxa do mercado internacional tenha sido reduzida no peso da atividade industrial do país.

Ela também continua dependente do consumo de petróleo, ainda que busque alternativas tecnológicas. Basta uma visita à China National Petroleum Company, com seus milhares de funcionários e sua sede imponente, para entender que a história do desenvolvimento chinês está profundamente ligado ao seu abastecimento de energia.

Os profundos problemas de violações de direitos humanos também ainda são passivos que podem ser instrumentalizados pelo Ocidente para fustigar a China no palco global.

A escolha da China, na esperança de dar uma resposta, é se apressa para se apresentar como o vetor de estabilidade global e o parceiro confiável, que aposta no direito internacional.

Por enquanto, porém, a realidade é que o mundo vive um furacão, convencido de que sua violência será capaz de garantir sua influência. “Serão anos de turbulência”, constata um observador em Pequim. Após uma pousa, ele emendou. “Mas não podemos nos esquecer que cães ladram por medo”, completou, entre a fumaça de sua sopa e sua paciência milenar.

*Jamil Chade/Uol


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EUA escalam tensão no Golfo e ampliam risco de guerra regional

Ameaça de bloquear o Estreito de Ormuz expõe contradições de Donald Trump e reforça a desconfiança do Irã diante de uma estratégia considerada agressiva e unilateral

Após o fracasso das negociações de cessar-fogo realizadas em Islamabad, no Paquistão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que a Marinha americana iniciará o bloqueio de todos os navios que tentarem entrar ou sair do Estreito de Ormuz. A declaração foi feita em publicação nas redes sociais, na qual Trump afirmou que a medida entra em vigor “com efeito imediato”.

A declaração de Donald Trump sobre um possível bloqueio do Estreito de Ormuz representa um salto qualitativo na crise. Trata-se de uma medida que, além de carecer de respaldo no direito internacional, implicaria na interrupção de uma das rotas energéticas mais importantes do planeta — por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial.

Ao propor impedir a circulação de navios, Washington assume uma postura de coerção global, afetando não apenas o Irã, mas toda a economia internacional. A medida, na prática, configura uma forma de bloqueio econômico com potencial de desencadear confronto direto.

Contradições na narrativa dos EUA

O discurso norte-americano revela inconsistências evidentes. Ao mesmo tempo em que afirma buscar a “liberdade de navegação”, o governo dos EUA propõe justamente restringi-la. A retórica de combate a uma suposta “extorsão iraniana” contrasta com a própria iniciativa de controle militar de uma via internacional.

Além disso, a insistência no tema nuclear aparece dissociada das negociações concretas. Embora Washington aponte o programa iraniano como foco central, suas ações recentes priorizam pressão militar e econômica, deslocando o eixo diplomático.

China, Rússia e a disputa pela multipolaridade

A ameaça de bloquear o Estreito de Ormuz não é uma medida isolada, mas parte de uma ofensiva para reconfigurar o mapa de poder no Golfo Pérsico. Ao tentar impedir que o Irã “pedagie” ou condicione o trânsito de embarcações, os EUA buscam, na verdade, garantir que nenhuma potência rival — especialmente China e Rússia — possa usar a rota como instrumento de influência geopolítica.

A presença da China e da Rússia no Oriente Médio tem crescido de forma consistente. Pequim é o maior comprador de petróleo iraniano e firmou acordos de cooperação de 25 anos com Teerã, incluindo investimentos em infraestrutura e energia. Segundo o Vermelho, Moscou, por sua vez, mantém parcerias militares e tecnológicas com o Irã, além de coordenar posições em fóruns como os BRICS e a Organização de Cooperação de Xangai.

Irã reforça soberania e desconfiança

Do lado iraniano, a resposta é marcada pela reafirmação da soberania e pela rejeição a qualquer ingerência externa. Autoridades como Mohammad Bagher Ghalibaf destacaram que a confiança nos Estados Unidos foi definitivamente rompida após sucessivas tentativas frustradas de negociação, segu ndo o Vermelho.

Teerã sustenta que o controle do estreito é uma questão estratégica nacional e rejeita propostas de administração conjunta com potências estrangeiras. A posição iraniana se ancora no argumento de defesa territorial e no histórico de intervenções externas na região.

Apoio internacional e rearranjo geopolítico

A crise também acelera movimentos no tabuleiro internacional. O contato entre Vladimir Putin e o presidente iraniano sinaliza um estreitamento de relações, com Moscou defendendo um cessar-fogo sob termos mais próximos aos interesses de Teerã.

A alegação de que o Irã não teria legitimidade para controlar ou condicionar o fluxo de navios no Estreito de Ormuz ignora elementos fundamentais do direito internacional:

Esse alinhamento indica que a escalada promovida pelos EUA pode fortalecer blocos alternativos, aprofundando divisões geopolíticas e reduzindo o espaço para soluções multilaterais.

Legitimidade do Irã: soberania, defesa e direito internacional

  • Soberania territorial: O Estreito de Ormuz é formado por águas territoriais e zonas econômicas exclusivas do Irã e de Omã.
  • Segundo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), Estados costeiros exercem soberania sobre suas águas territoriais, podendo regular a passagem de embarcações, desde que respeitado o direito de passagem inocente.
  • Medida defensiva legítima: O fechamento do estreito pelo Irã foi uma resposta a mais de 40 dias de ataques militares dos EUA e Israel, que incluíram bombardeios a infraestrutura civil, assassinato de autoridades e tentativa de desestabilização do regime. Trata-se, portanto, de medida de autodefesa perante agressão armada, amparada pelo Artigo 51 da Carta da ONU.
  • Ilegalidade do bloqueio estadunidense: Ao contrário da ação iraniana, o bloqueio econômico e energético imposto pelos EUA ao Irã viola frontalmente o direito internacional. Sanções unilaterais com efeito extraterritorial, ameaças de uso da força e interceptação de navios em águas internacionais configuram atos de agressão, não de legítima defesa.
  • Proporcionalidade e seletividade: O Irã não interditou indiscriminadamente o estreito, mas condicionou a passagem ao pagamento de “pedágios” ou ao respeito a regras de segurança — prática comum em rotas marítimas sob jurisdição nacional. Já os EUA anunciam interceptar “todas as embarcações que tenham pago pedágio ao Irã”, criminalizando atos legítimos de comércio e navegação.

Resistência soberana contra cerco imperialista

A disputa pelo Estreito de Ormuz não é, portanto, uma questão técnica de liberdade de navegação, mas um capítulo central da luta pela reconfiguração da ordem mundial. De um lado, o imperialismo estadunidense, em declínio relativo, recorre à força militar e ao controle de rotas energéticas para conter rivais e manter hegemonia. De outro, o Irã — aliado estratégico de China e Rússia — exerce seu direito soberano de defender seu território e seus interesses nacionais.

A legitimidade da ação iraniana reside precisamente nisso: não se trata de “extorsão”, como alega Trump, mas de resistência legítima a um cerco ilegal. Enquanto os EUA ameaçam bloquear uma rota vital para o comércio global, o Irã reafirma que a soberania sobre suas águas não é negociável sob coerção.

Risco de guerra ampliada

A ameaça de bloqueio do Estreito de Ormuz não apenas intensifica a crise atual, mas eleva o risco de um conflito de maiores proporções. Ao optar por medidas de força em detrimento da diplomacia, Washington contribui para um cenário de instabilidade prolongada.

Nesse contexto, a postura iraniana — centrada na defesa de sua autonomia e na resistência à pressão externa — ganha respaldo entre países que veem na ação dos EUA uma repetição de padrões intervencionistas. O impasse, longe de se resolver, aponta para uma escalada cujas consequências podem ultrapassar a região do Golfo.


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