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Gilmar Mendes diz que Fux e Mendonça fizeram “ajuste prévio” em sessão sobre a PF

A denúncia de Gilmar Mendes sobre um suposto “ajuste prévio” entre Luiz Fux e André Mendonça na sessão que confirmou o afastamento de dirigentes da Polícia Federal expõe uma crise que vai muito além de uma divergência entre ministros. O que está em jogo é a transparência dos procedimentos do Supremo e a confiança na imparcialidade de suas decisões.

Segundo Gilmar, a sessão extraordinária teria sido convocada sem comunicação prévia a parte dos integrantes da Segunda Turma. O ministro apontou uma sequência de acontecimentos que, em sua avaliação, indicaria entendimento direto entre Fux e Mendonça.

O detalhe que chama atenção é a velocidade da operação: Mendonça autorizou a medida cautelar às 8h43, o processo foi incluído na pauta às 9h29, e o gabinete de Gilmar recebeu a comunicação às 9h38, com a sessão marcada para as 10h. Na abertura, Gilmar pediu vista, mas Fux e Nunes Marques apresentaram votos favoráveis ao relator minutos depois.

A questão central é simples: decisões de tamanha repercussão institucional podem ser conduzidas com tamanha pressa e sem que todos os integrantes do colegiado tenham sido adequadamente informados?

O afastamento de dirigentes da PF não é uma medida trivial. Envolve a autonomia institucional da polícia, a separação de Poderes e o equilíbrio entre os diferentes órgãos do Estado. Por isso, qualquer suspeita de articulação prévia precisa ser esclarecida com documentos, transparência e respeito ao devido processo.

A crise também revela um Supremo atravessado por conflitos internos, no qual os próprios ministros questionam os procedimentos adotados por seus colegas. Não basta invocar a autoridade do cargo: quanto maior o poder de uma decisão, maior deve ser a transparência de sua construção.

Gilmar Mendes colocou o assunto sobre a mesa. Agora, cabe esclarecer se houve apenas uma coordenação regimental acelerada ou se, de fato, ocorreu uma articulação prévia que deixou parte do colegiado à margem. A resposta não pode ser escondida atrás de formalidades nem de disputas políticas.

O STF precisa explicar seus procedimentos. A sociedade brasileira tem o direito de saber como decisões que atingem a Polícia Federal são tomadas.

Tem maçãs podres no cesto e a sociedade sabe bem quais são.


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Política

PF investiga rede suspeita de vender influência em processos de Mendonça e Kassio Nunes no STF

Investigação encontrou conversas sobre pedidos a ministros e contratos milionários ligados ao resultado de ações na Corte

A Polícia Federal investiga uma rede suspeita de comercializar influência em processos no Supremo Tribunal Federal (STF) que envolviam atuação junto aos gabinetes dos ministros André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Gilmar Mendes. Mensagens obtidas pela PF mostram o deputado federal Cezinha de Madureira (PSD-SP) dizendo que faria um pedido diretamente a Kassio e que já havia conversado com interlocutores chamados “Andre e Antonio Carlos”, enquanto recebia memoriais destinados também a Mendonça e Gilmar.

A investigação levou o ministro Flávio Dino a autorizar buscas contra Cezinha e a sociedade de advocacia de sua mulher, Valéria Rodrigues Linhares. A PF apura suspeitas de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo a decisão, Cezinha, que não é advogado, seria responsável por fazer “despachos” em gabinetes do Judiciário.

A PF afirma ter identificado uma estrutura formada pelo deputado, sua mulher e a advogada Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”. Mariângela seria responsável por captar e formalizar causas e elaborar memoriais; Valéria cuidaria dos contratos de honorários e cessões de crédito; e a Cezinha caberia o suposto contato pessoal e direto com ministros de tribunais superiores.

Segundo a representação policial reproduzida por Dino, o padrão se repetiria nos episódios analisados: Mariângela encaminhava uma peça ou memorial ao parlamentar; Cezinha respondia que havia “falado”, “despachado” ou “pedido”, ou informava que seria atendido pelo ministro; a advogada cobrava notícias sobre o resultado; e, paralelamente, eram formalizados contratos com pagamentos vinculados ao êxito das ações.

“Vou pedir a ele”
Um dos principais episódios apontados pela PF ocorreu em 12 de junho de 2025 e envolveu a Reclamação 76.831, em tramitação no Supremo.

Naquele dia, Mariângela enviou a Cezinha um memorial e chamou a atenção para a necessidade de “pedir vista”. O deputado respondeu que seria atendido às 16h. A advogada então perguntou se ele estaria com Kassio Nunes Marques naquele horário.

Cezinha respondeu que já havia falado no dia anterior com “Andre e Antonio Carlos” sobre o assunto. Depois, explicou que Kassio havia marcado uma conversa por vídeo para as 16h:

“Ministro Kassio / Entendeu? / Ai vou pedi a ele”.
Na sequência, afirmou que já havia avisado “aquela pessoa” de que existia um tema a tratar e que enviaria o número do processo antes da conversa com Kassio. Cezinha disse ainda que o encontro serviria para verificar se precisava “pedir expressamente”.

Para a investigação, essas expressões indicam, nesta fase preliminar, que o parlamentar não se limitaria ao encaminhamento de documentos, mas se comprometia a formular um pedido pessoal ao julgador em benefício de partes representadas por advogadas ligadas a ele.

A PF ainda tenta descobrir quem eram “Andre e Antonio Carlos” e quem era “aquela pessoa” mencionada pelo parlamentar. A decisão não identifica esses interlocutores.

Seis dias depois da conversa, Mariângela encaminhou a Cezinha três documentos: “Memorial Rcl 76831 – Min. Nunes Marques.pdf”, “Memorial Rcl 76831 – Min. André Mendonça.pdf” e “Memorial Rcl 76831 – Min. Gilmar Mendes.pdf”.

A investigação ressalta que Mariângela não era a advogada original da reclamação. Ela recebeu substabelecimento em 12 de junho, justamente a data em que os documentos começaram a ser enviados ao parlamentar.

Não há, porém, elemento na decisão que permita afirmar que o “Andre” mencionado por Cezinha seja André Mendonça.

PF busca o outro lado das conversas
A busca autorizada por Dino pretende justamente obter o outro lado dessas conversas. Até agora, a PF dispõe principalmente do conteúdo extraído do celular de Mariângela, apreendido em dezembro de 2025.

Os investigadores dizem ainda desconhecer o conteúdo dos contatos mantidos diretamente por Cezinha com ministros e terceiros. Entre os pontos que pretendem esclarecer estão o teor e o resultado das tratativas com “Andre e Antonio Carlos”, o conteúdo da conversa por vídeo marcada para as 16h e a identidade de “aquela pessoa” citada pelo deputado.

A polícia também quer saber com quem Cezinha teria realizado os contatos descritos nas mensagens pelas expressões “despachei sim”, “assunto reforçado agora”, “ligou e falou direto” e “deixa eu ir lá sentir”. Busca ainda identificar outros processos que possam ter sido objeto de intermediação, além dos fluxos financeiros e do destino dos honorários de êxito.

Em outro processo relatado por Nunes Marques, a Reclamação 79.545, a investigação encontrou um contrato de R$ 500 mil, com pagamento previsto depois do julgamento. Em uma conversa posterior, Mariângela perguntou a Cezinha se ele havia despachado no caso. O parlamentar respondeu:

“Despachei sim / Ontem”.

Também foi identificado um contrato relacionado à Reclamação 81.608 que previa a cessão de R$ 1 milhão em honorários para a sociedade de advocacia de Valéria. Um contrato relacionado ao mesmo caso previa outros R$ 2 milhões em caso de sucesso, definido como a concessão da liberdade ao cliente. Nunes Marques também era o relator desse processo.

Em agosto de 2025, Cezinha enviou uma imagem de visualização única e escreveu “Já falei”. Mais tarde, diante de uma resposta protocolar do gabinete de Nunes Marques a um pedido de audiência, Mariângela reclamou. Cezinha respondeu: “Calma” e “Deixa eu ir lá sentir”.

“Comercialização de influência”
Na representação, a PF afirma que a investigação busca esclarecer a existência, a extensão e a estabilidade de uma “estrutura destinada à comercialização de influência” junto a ministros do STF, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo os investigadores, essa suposta influência estaria associada a “remuneração vultosa”, ajustada por contratos de honorários e cessões de crédito celebrados por advogadas ligadas ao deputado — uma delas, sua própria mulher.

Dino considerou haver uma “densa plataforma indiciária” e afirmou existirem “razões de sobra” para autorizar as buscas. Para o ministro, os fatos podem envolver um deputado que, embora não seja advogado, aparentemente utilizava a condição parlamentar para transmitir a terceiros a percepção de que tinha influência sobre magistrados de tribunais superiores.

Dino acrescentou que a “elevada remuneração” encontrada na investigação parece afastar, nesta fase, a hipótese de mero ato político.

A PF ressalva expressamente que Mendonça, Nunes Marques, Gilmar ou qualquer outro magistrado não são investigados. Segundo a representação, não há nos elementos reunidos até agora indício de que ministros tenham solicitado, aceitado ou recebido vantagens indevidas, nem de que tenham proferido decisões contrárias ao direito.

Os magistrados aparecem na investigação, segundo a própria PF, apenas como possíveis destinatários da influência que os investigados alegariam possuir. A polícia resume o objeto da apuração como a possível “mercancia da influência por quem a ofereceu e a precificou”, e não a atuação dos ministros apresentados a terceiros como pessoas passíveis de influência.

Dino determinou que os aparelhos apreendidos sejam submetidos a perícia. Caso as novas diligências revelem algum elemento indicativo de conduta atribuível a magistrado, a PF deverá comunicar o ministro e a Procuradoria-Geral da República, sem adotar medidas por iniciativa própria.

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Política

Zanin ordena que PF entregue uma cópia do celular de Vorcaro após Mendonça se negar a entregar

O celular de Vorcaro virou o novo campo de batalha

A determinação de Cristiano Zanin para que a Polícia Federal entregue ao seu gabinete uma cópia do celular de Daniel Vorcaro, depois da oposição de André Mendonça à remessa do material, transforma o caso Master em algo ainda mais explosivo: a disputa deixou de ser apenas sobre documentos e passou a ser também sobre quem terá acesso às informações capazes de esclarecer as relações que orbitam o banqueiro.

E aqui está o ponto que não pode ser tratado como mero detalhe burocrático. Quando um ministro do STF se opõe ao envio de uma prova e outro determina que ela seja entregue diretamente ao seu gabinete, a pergunta inevitável é: o que há nesse celular que tornou sua posse e seu conteúdo tão sensíveis?

Celular de banqueiro investigado não é agenda telefônica. Pode conter mensagens, áudios, contatos, documentos, conversas e registros capazes de reconstruir uma teia de relações que, até agora, aparece cercada de zonas de sombra. Por isso, qualquer movimento para retardar, restringir ou controlar o acesso a esse material naturalmente desperta enorme interesse público.

A decisão de Zanin recoloca a prova no centro do processo. E, sobretudo, expõe uma situação politicamente incômoda para quem vinha tentando transformar o caso em uma sucessão de episódios isolados.

Não são episódios isolados. É um quebra-cabeça.

Vorcaro está no centro de uma investigação que já alcançou diferentes personagens e instituições. Quanto mais peças aparecem, mais difícil fica sustentar que determinadas conexões possam ser empurradas para debaixo do tapete.

A partir de agora, o conteúdo desse celular ganha peso ainda maior. Porque, se há alguma coisa que a experiência recente ensina, é que mensagens e registros eletrônicos frequentemente contam uma história muito diferente daquela apresentada nos discursos públicos.

E é justamente por isso que o celular de Vorcaro virou uma espécie de caixa-preta do caso Master.

Se existe alguma informação relevante ali, ela precisa ser examinada com rigor, transparência e dentro das regras processuais. Sem blindagem seletiva. Sem atalhos. Sem transformar prova em patrimônio de gabinete.

Porque, no fim das contas, não é o celular de Vorcaro que está em julgamento. São as relações que podem estar escondidas dentro dele.


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Fachin tira de Mendonça relatoria de caso Moraes e abre caminho para assumir inquéritos do Master e INSS

Presidente do STF também pediu o envio das íntegras dos processos das investigações do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e do Banco Master

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, determinou neste sábado (12) a troca da relatoria do relatório da PF que aponta Alexandre de Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Ele agora assume o comando do caso no lugar de André Mendonça.

Na mesma decisão, ele pediu o envio das íntegras dos processos das investigações do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e do Banco Master. Com isso, ele paralisa os andamentos dos dois casos.

Na decisão, ele afirma que a medida se dá diante da possibilidade de o julgamento do caso resultar em situação de impedimento do juiz, ou seja, quando um magistrado não tem condição de julgar um caso.

Nesta sexta (11), Fachin decidiu manter na pauta da sessão marcada para a próxima terça-feira (15) apenas o julgamento sobre o caso do relatório das mensagens de Vorcaro. Com isso, ele negou pedido do decano Gilmar Mendes para que fosse também colocada em discussão a investigação contra o colega André Mendonça, mas marcou a análise desse outro caso para a semana seguinte, no dia 23.

Segundo o presidente, a manutenção apenas do julgamento contra Moraes “assegura a precisa delimitação do objeto da deliberação deste tribunal, viabilizando a apreciação de matéria cujo contraditório e elucidação preliminar já se terá aperfeiçoado”.

Moraes e Mendonça são atualmente os pivôs da maior crise da história recente do Supremo.

Fachin chegou a avaliar tirar de Mendonça a relatoria dos casos Master e INSS para tentar conter a crise instalada na corte.

Fachin reuniu auxiliares na tarde de domingo (6) para tratar da disputa entre Mendonça e Alexandre de Moraes. O encontro com assessores mais próximos foi chamado para articular o caminho e a forma com a qual o presidente do Supremo deverá dirigir o momento inédito.

Essa discussão teve início antes da ordem de Mendonça desta terça-feira (8) de afastar Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal. A determinação foi a julgamento na Segunda Turma da corte e chegou a formar maioria, porém o julgamento foi suspenso após pedido de vista (mais tempo para analisar a matéria) de Gilmar Mendes.

Por fim, na quarta (9), o presidente tirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news, controlado por ele durante mais de sete anos, e suspendeu as decisões conflitantes de André Mendonça e Flávio Dino sobre o comando da Polícia Federal, mantendo Andrei Rodrigues no cargo de diretor-geral.

Até a sessão de terça já ficaria suspenso o trâmite da investigação conduzida por Mendonça envolvendo Moraes. O presidente do STF também proibiu qualquer procedimento que trate de potencial apuração contra integrantes da corte e determinou que qualquer medida nesse sentido seja submetida a ele antes.

Ana Pompeu/ICL


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Política

Fachin tira as fake news de Moraes, mas mantém o Master com Mendonça

A decisão de Edson Fachin de retirar das mãos de Alexandre de Moraes o inquérito das fake news produz uma pergunta inevitável: se a preocupação é preservar a imparcialidade, a segurança jurídica e a credibilidade do Supremo, por que o mesmo rigor não aparece quando o assunto é a relatoria do caso Banco Master nas mãos de André Mendonça?

Fachin assumiu a relatoria do inquérito das fake news e retirou do processo as acusações que Moraes havia apresentado contra Mendonça. A medida ocorre justamente no momento em que os dois ministros estão em rota de colisão por causa do caso Master e das revelações envolvendo Daniel Vorcaro.

O problema político, portanto, está no contraste.

De um lado, Moraes é afastado de um inquérito que conduziu por anos. De outro, Mendonça permanece à frente de uma investigação de enorme repercussão política, financeira e eleitoral, na qual aparecem personagens diretamente relacionados ao campo bolsonarista — inclusive Flávio Bolsonaro. A própria imprensa internacional já registra que o caso Master tem implicações sobre a disputa presidencial de 2026 e que Flávio está entre os políticos atingidos pelas suspeitas relacionadas ao escândalo.

É justamente aí que nasce a suspeita política de seletividade.

Se o argumento é impedir que ministros investiguem uns aos outros em meio a uma guerra interna no Supremo, então a lógica deveria valer para todos. Não basta tirar uma investigação das mãos de Moraes e deixar intacto o poder de Mendonça sobre o processo que pode atingir adversários e aliados políticos em plena campanha eleitoral.

E há um agravante, Mendonça foi indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro e se tornou uma figura central do campo conservador na atual crise da Corte. Reuters observa que suas decisões passaram a ter peso direto no cenário eleitoral e que ele é visto por setores da direita como uma espécie de referência dentro da disputa ideológica do Supremo.

Não é preciso afirmar que Fachin esteja deliberadamente protegendo Flávio Bolsonaro para enxergar o problema. Basta olhar para a arquitetura das decisões.

Moraes perde o controle do inquérito das fake news. Mendonça continua com o Master. E o principal beneficiário político desse rearranjo, aos olhos da oposição, é justamente o candidato bolsonarista que aparece no entorno do escândalo.

É uma equação que precisa ser explicada.

Porque, quando um caso envolve Moraes, a palavra de ordem é afastamento, redistribuição e controle institucional. Quando envolve Mendonça e uma investigação que alcança figuras do bolsonarismo, a régua parece ser outra.

E é justamente essa diferença de tratamento que alimenta a percepção de que o Supremo está diante de algo maior do que uma simples disputa entre ministros.

O Banco Master não é uma briga particular entre Moraes e Mendonça. É uma investigação com ramificações financeiras, políticas e eleitorais. Vorcaro está no centro do escândalo; mensagens e relações com autoridades provocaram uma crise inédita no STF; e a disputa entre os ministros passou a interferir diretamente na condução das investigações.

Por isso, retirar Moraes do inquérito das fake news sem resolver de maneira igualmente transparente a questão da relatoria do Master, não encerra a crise.

Apenas muda o eixo da crise.

E deixa no ar uma pergunta incômoda:

Fachin está realmente colocando ordem na casa ou apenas redistribuindo o poder dentro dela — com Mendonça preservado justamente onde isso pode produzir consequências eleitorais favoráveis a Flávio Bolsonaro?

Enquanto essa pergunta não tiver uma resposta convincente, qualquer discurso sobre neutralidade institucional continuará esbarrando na realidade.

Porque não basta parecer imparcial.

O Supremo precisa ser imparcial — e, sobretudo, precisa parecer imparcial para todos.


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Vídeos: Na GloboNews, Malu Gaspar dá chilique e ataca Dino por decisão que contraria Mendonça

Malu Gaspar deu um chilique com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino na manhã desta quarta-feira (9). A comentarista da GloboNews não se conforma com o fato de que a realidade teima em não se ajustar ao universo paralelo construída pelo lavajatismo, seita política e midiática que durante anos distribuiu seus próprios “feijões mágicos”, como os do pastor Valdemiro Santiago.

O motivo da indignação foi a decisão de Dino que reintegrou Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal. O diretor-geral havia sido afastado por determinação do ministro André Mendonça. Andrei é justamente o chefe da PF que comandou a operação que levou à prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e está à frente das investigações que alcançaram o filme “Dark Horse”.

“O STF virou uma várzea. Entra o ministro Dino no meio do caminho, atravessando o campo de jogo. Isso é mais um capítulo de um bangue-bangue judicial que tem muito pouco a ver com a Constituição. E ninguém explica as mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro”, disse.

A fala é reveladora menos pelo que diz sobre Dino do que pelo papel que Malu Gaspar escolheu desempenhar. A jornalista se notabiliza cada vez mais por um tipo de udenismo canhestro, herdeiro da tradição inaugurada por Carlos Lacerda: indignação permanente, linguagem de escândalo e a pretensão de falar em nome de uma classe média que precisa estar sempre revoltada com alguma coisa.

É um personagem conhecido da história política brasileira. Os mesmos personagens de sempre, em busca de encontrar uma crise institucional a cada esquina e apresentá-la como prova de que o país está à beira do abismo. O resultado é Flávio Bolsonaro.

O lavajatismo prosperou exatamente nesse ambiente. Durante anos, procedimentos excepcionais foram apresentados como necessários em nome de uma causa maior. Garantias legais tornaram-se detalhes incômodos. Vazamentos ilegais, que serviram para a extrema-direita reagir, são normalizados. E dane-se o país.

Malu não tem nem o talento de Lacerda. Sua presença entre os colegas é sempre condescendente. Ela sabe mais que todo mundo. Num determinado momento, vai ter de sair de cena, em nome da sobrevivência da própria Globo no teatro trágico que ela oferece aos brasileiros.

*DCM


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Política

Mendonça desungido: Ministro Flávio Dino reintegra o chefe da PF, Andrei Rodrigues

O chefe da PF tinha sido afastado por decisão do ministro André Mendonça

O ministro Flávio Dino decidiu nesta quarta-feira, 9, reintegrar o chefe da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, e o chefe da diretoria de inteligência, Leandro Almada. A decisão do ministro se deu dentro do caso em que se apura o uso de emendas parlamentares para a realização do filme Dark Horse. Para ele, o Partido Novo não tinha legitimidade para fazer o pedido. Dino é o relator desse caso no STF. O pedido examinado por Dino foi formulado pelo diretor da PF. Após a decisão, Dino submeteu a decisão ao plenário do STF.

Ao decidir, o ministro disse: “não se afirma o caráter doloso da conduta de qualquer agente público, mas é evidente que, objetivamente, a interrupção dos trabalhos de direção de investigações policiais interessa, sobretudo, aos investigados. Do mesmo modo, a semeadura de nulidades processuais, decorrentes do descumprimento de formalidades legais essenciais, embaraça a adequada conclusão dos processos penais, com julgamentos tempestivos e amparados em provas, proferidos com a ponderação e a sobriedade que devem caracterizar a atividade judicante.”

Dino afirmou também que “o digno Ministro André Mendonça tenha suas divergências funcionais ou pessoais com a Polícia Federal e possa defender os seus direitos perante a instância própria. Mas tais direitos — inerentes a qualquer parte que se sinta prejudicada — não podem converter-se em fundamento para a prolação de decisão em causa própria, com o efeito de paralisar investigações e os trabalhos policiais”.

Dino escreveu “ao Exmo. Presidente da República, autoridade competente para a nomeação do Diretor-Geral da Polícia Federal (art. 2º-C da Lei nº. 9.266/1996 c/c art. 1º, parágrafo único, do Decreto nº. 9.794/2019), que assegure a imediata reintegração de ANDREI AUGUSTO PASSOS RODRIGUES aos cargos de Delegado e de Diretor-Geral da Polícia Federal e de LEANDRO ALMADA DA COSTA aos cargos de Delegado e Diretor de Inteligência Policial da Polícia Federal, com o restabelecimento integral de suas respectivas atribuições funcionais. Esta determinação ficará vigente até o integral cumprimento, pela Polícia Federal, das medidas determinadas por esta Relatoria, em autos a mim distribuídos, sem interrupção decorrente de interferência externa;”

O ministro afirmou que não devem ser colocadas novas medidas cautelares “de natureza pessoal fundadas exclusivamente em atos praticados no regular exercício de suas atribuições funcionais, em cumprimento a determinações judiciais. Ficam ressalvadas eventuais apurações disciplinares, de competência dos respectivos superiores hierárquicos, se for o caso, observados, em qualquer hipótese, o devido processo legal, as regras de competência e a legitimidade para a formulação do correspondente requerimento”.

Além disso, o Dino determinou o restabelecimento “do regular funcionamento da Diretoria de Inteligência Policial da Polícia Federal, com o pleno exercício de suas atribuições legais e administrativas, nos termos das normas vigentes, inclusive para o cumprimento das decisões judiciais que lhe sejam dirigidas, observadas as competências e os procedimentos legalmente estabelecidos”.

*Juliana Dal Piva/ICL


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Política

A velha mídia, a blindagem de Mendonça e o silêncio das redações sobre os escândalos de corrupção de Flávio Bolsonaro

Não é preciso ser jornalista investigativo, muito menos possuir qualquer acesso privilegiado aos bastidores do poder, para perceber o tamanho do silêncio que se formou em torno de André Mendonça. Basta comparar o peso dos fatos com o espaço que eles ocupam no debate público.

O que está diante de todos não é uma questão abstrata. André Mendonça é ministro do Supremo Tribunal Federal e assumiu a relatoria do caso Banco Master. Antes disso, havia sido ministro da Justiça de Jair Bolsonaro — o mesmo Bolsonaro que o indicou para o STF.

E Daniel Vorcaro, personagem central do escândalo do Banco Master, esteve com Mendonça em março de 2025, na sede de um instituto fundado pelo próprio ministro. O encontro foi confirmado pelo gabinete de Mendonça. Mensagens e áudios extraídos do celular de Vorcaro mostram, ainda, a articulação prévia para aproximar o banqueiro do ministro e levantam questionamentos sobre o que efetivamente estava na pauta daquela conversa.

Mendonça afirma que o encontro foi único e que se limitou a ouvir Vorcaro. A questão, entretanto, não desaparece porque existe uma explicação oficial. Ao contrário: quando um ministro do STF se torna relator de um caso envolvendo justamente um personagem com quem havia mantido contato anteriormente, a obrigação de transparência deveria ser redobrada.

E é justamente aí que começa o problema da cobertura jornalística.

Porque o caso não envolve apenas um encontro entre um ministro e um banqueiro. Envolve uma teia de relações políticas, financeiras e institucionais que alcança personagens do entorno do bolsonarismo — entre eles Flávio Bolsonaro.

É impossível ignorar, portanto, a pergunta que deveria estar no centro do debate público: por que determinados nomes recebem uma avalanche de manchetes, análises, editoriais e comentários, enquanto outros parecem escapar sistematicamente do mesmo escrutínio?

O contraste é gritante.

Quando o assunto é Alexandre de Moraes, a máquina midiática consegue transformar cada detalhe em manchete, editorial, análise de conjuntura e debate interminável. Quando surgem fatos envolvendo Mendonça, Vorcaro, Banco Master e Flávio Bolsonaro, entretanto, a intensidade parece frequentemente mudar de escala.

Isso não significa que a imprensa não tenha publicado nada sobre o assunto — publicou, e há reportagens importantes. O problema é outro: o tamanho do escândalo e o tamanho da repercussão não parecem caminhar juntos.

E essa diferença precisa ser questionada.

Porque, quando a imprensa deixa de transformar determinado conjunto de fatos em assunto nacional, ela também está fazendo política — ainda que silenciosamente. A seleção do que merece indignação, o tempo dedicado a cada personagem, a quantidade de chamadas, análises e entrevistas e até o que desaparece rapidamente da pauta também moldam a percepção pública.

É aí que a chamada blindagem se torna perceptível.

Veja-se o caso do Instituto Iter. Reportagem da Folha apontou que a instituição fundada por Mendonça firmou 68 contratos sem licitação com órgãos públicos de 15 estados desde 2024, totalizando R$ 11,5 milhões. O próprio ministro anunciou que deixaria o quadro societário da instituição após os questionamentos.

R$ 11,5 milhões em contratos públicos não são uma nota de rodapé.

O encontro com Vorcaro também não é uma nota de rodapé.

A relação política de Mendonça com o governo Bolsonaro não é uma nota de rodapé.

A condição de Mendonça como relator do caso Master não é uma nota de rodapé.

E a presença de Flávio Bolsonaro no universo de relações que envolvem Vorcaro também não deveria ser tratada como nota de rodapé.

Mas existe algo ainda mais revelador.

Quando Michelle Bolsonaro vem a público para chamar André Mendonça de “ungido do Senhor”, em meio justamente à crise envolvendo o ministro e o caso Master, isso deveria provocar uma discussão jornalística sobre a relação política entre o magistrado e o núcleo bolsonarista. Michelle não fez uma manifestação protocolar: ela publicou uma defesa explícita do ministro, exaltando sua fé, sua coragem e sua fidelidade aos princípios cristãos.

É difícil imaginar demonstração mais clara de alinhamento político.

E, ainda assim, a pergunta permanece: onde está a mesma indignação jornalística que costuma acompanhar qualquer movimento envolvendo ministros do STF?

A situação fica ainda mais incômoda quando entra em cena Nikolas Ferreira.

O deputado do PL, uma das figuras mais populares da direita brasileira nas redes sociais, também apareceu nas revelações relacionadas a Vorcaro. Segundo a Agência Brasil, áudios revelados pela jornalista Juliana Dal Piva mostram Nikolas pedindo ajuda ao banqueiro para liberar um ativo de minério para um ex-assessor.

Ora, estamos falando de um dos políticos mais influentes do campo bolsonarista.

Não seria justamente esse o tipo de revelação que deveria receber cobertura exaustiva?

A pergunta não é se a imprensa pode criticar Alexandre de Moraes. Evidentemente pode — e deve.

A pergunta é outra: por que o mesmo rigor não é aplicado a todos?

Por que o holofote é tão poderoso quando ilumina determinados personagens e tão fraco quando chega perto de outros?

Por que a lupa jornalística parece aumentar diante de Moraes e diminuir diante de Mendonça?

Por que a trajetória que conecta Bolsonaro, Mendonça, Vorcaro, Banco Master e Flávio Bolsonaro não recebe uma investigação pública proporcional à gravidade das conexões reveladas?

É nesse ponto que a velha mídia precisa responder — não ao governo, não ao STF, não à oposição, mas aos próprios leitores.

Porque jornalismo não é escolher previamente quem será vilão e quem será personagem protegido.

Jornalismo é seguir os fatos até onde eles levarem.

E os fatos, neste caso, levam a uma constatação incômoda: André Mendonça está no centro de uma história que envolve o Banco Master, Daniel Vorcaro e uma crise institucional dentro do próprio STF; Flávio Bolsonaro aparece no universo de relações envolvendo Vorcaro; Nikolas Ferreira também surgiu nas revelações sobre o banqueiro; e, apesar disso, a repercussão pública desses nomes não parece guardar proporcionalidade com o tamanho das revelações.

Se isso não é motivo para investigação jornalística permanente, então é preciso perguntar:

o que exatamente precisa acontecer para que a blindagem deixe de funcionar?

Porque óleo de peroba em spray talvez não seja suficiente para explicar tamanho silêncio.

E quando a imprensa decide quem deve ocupar o centro do escândalo e quem deve permanecer nas margens, ela deixa de ser apenas espectadora da disputa política.

Ela passa a fazer parte dela.


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A velha mídia contra o Brasil: Mendonça é apenas mais uma peça do tabuleiro

Não é Mendonça ajoelhado, fazendo pose de homem de fé, que vai conseguir adesão da choldra bolsonarista. Não é um ato de 7 de Setembro, uma manifestação qualquer ou uma oração cuidadosamente exibida para as câmeras. Reduzir o que está acontecendo a esses episódios é enxergar apenas a espuma de uma disputa muito mais profunda.

O jogo que assistimos hoje é, em muitos aspectos, o mesmo jogo que Getúlio Vargas denunciou em sua Carta-Testamento: de um lado, os interesses populares, a soberania nacional e a defesa dos trabalhadores; de outro, as forças econômicas e políticas que jamais aceitaram perder o controle sobre o Estado e sobre os rumos do país.

O que mudou foi a embalagem. Os mecanismos continuam assustadoramente familiares.

A imprensa corporativa, concentrada nas mãos de grandes grupos econômicos, historicamente ocupou um papel central nessa engrenagem. Quando os interesses dos trabalhadores, dos pobres e das populações negras entram em choque com os interesses das elites econômicas, não é raro que a narrativa jornalística seja construída para apresentar a defesa dos interesses populares como ameaça, desordem ou radicalismo.

E é impossível falar dessa história sem lembrar de O Globo.

O jornal já estava em campo quando a disputa pelo projeto de país se intensificou no Brasil do século XX. Sua trajetória esteve associada a momentos decisivos da vida política nacional e à defesa de interesses das elites econômicas. Hoje, diante de um novo ciclo de disputa, a velha fórmula reaparece com roupagem contemporânea: selecionar personagens, fabricar escândalos, estabelecer vilões e heróis, amplificar determinadas agendas e silenciar outras.

Não se trata de dizer que toda crítica publicada pela imprensa seja ilegítima. Trata-se de perguntar quem pauta, quem se beneficia e quais interesses econômicos e geopolíticos são preservados quando determinadas narrativas dominam o debate público.

Porque existe uma dimensão ainda maior nessa história: a questão nacional.

Ao longo da história brasileira, interesses de grupos econômicos internos frequentemente encontraram convergência com interesses estrangeiros. E, nesse terreno, os Estados Unidos sempre ocuparam posição privilegiada na estratégia de poder sobre a América Latina. A defesa de uma agenda econômica subordinada ao capital internacional, a pressão sobre governos populares e a tentativa de limitar projetos de soberania nacional não são invenções recentes.

É justamente por isso que a Carta-Testamento de Getúlio continua sendo lembrada. Independentemente das controvérsias sobre seu governo, há naquela denúncia uma percepção política que permanece atual: o conflito brasileiro nunca foi apenas entre indivíduos ou partidos; é também uma disputa entre projetos de sociedade e projetos de poder.

Por isso, não é a oração de Mendonça que explica a força do bolsonarismo. A oração é apenas o cenário.

O que está em disputa é muito maior: é o controle da narrativa, da política, das instituições e, sobretudo, do projeto de país.

Enquanto a velha mídia tenta transformar cada episódio em espetáculo isolado, é preciso olhar para a engrenagem inteira. Porque, quando os mesmos interesses econômicos aparecem repetidamente protegidos, quando os pobres são tratados como problema e os interesses dos ricos como sinônimo de responsabilidade, quando a soberania nacional é colocada em segundo plano diante de interesses externos, não estamos diante de coincidências.

Estamos diante de um método de poder.

E talvez seja exatamente isso que incomode tanto: perceber que, por trás dos discursos religiosos, das manifestações, das manchetes e das guerras culturais, continua existindo a velha disputa denunciada há décadas — quem controla o Estado, quem controla a riqueza e quem tem o poder de dizer ao povo brasileiro qual história ele deve acreditar.


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Política

DOC3 da PF: controle de dados imposto por Mendonça esconde autores de vazamentos criminosos

Relatório da PF aponta riscos no controle de dados das operações relatadas por Mendonça, analisa o colunista Jeferson Miola

A denúncia do ministro André Mendonça pelo colega Alexandre de Moraes se fundamentou em quatro relatórios de inteligência da Polícia Federal.

No primeiro relatório, denominado DOC1, a Inteligência da PF descreveu “possível avanço [de Mendonça] sobre competência do Plenário e sobre prerrogativas de membros do Ministério Público”.

No segundo documento, o DOC2, a PF discorreu sobre “a postura da Advocacia-Geral da União e o quadro de risco associado”. Nele, analisou hipóteses para a decisão do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, de não representar judicialmente contra Mendonça em relação aos atropelos e ilegalidades cometidos por ele para alcançar objetivos políticos.

Já o DOC3 analisou os riscos e problemas decorrentes da determinação do ministro André Mendonça de controlar de modo concentrado e exclusivo os dados das investigações.

O relatório registra que “o acesso aos acervos sensíveis da operação encontra-se concentrado em servidora determinada”, a agente da PF Letícia Magalhões Espósito, que mantém sob seu controle exclusivo os dados extraídos de aparelhos celulares, e o acesso à totalidade das informações do sistemas de investigações de movimentações bancárias.

Tal servidora era referida pela equipe como “CEO da operação”, tamanha a influência e o poder que Mendonça conferiu a ela.

A PF alerta que “o arranjo descrito é incompatível com o regime de tratamento de informação sigilosa da instituição”. Desrespeita os protocolos, instruções normativas e normas legais que permitem a identificação de destinatários, os termos de custódia do material, e, o “mais grave do ponto de vista operacional: elimina a auditabilidade”.

Este aspecto é crítico, pois “com o controle individual [dos dados], não há registro de quem acessou o quê e quando, tornando materialmente inviável qualquer rastreamento na hipótese de vazamento”.

O relatório reporta um episódio específico, de publicação na revista Piauí [8/8] de “imagem extraída do aparelho celular do Senador Weverton Rocha que não integrava os autos”, mas que “havia sido inserida [indevidamente] em minuta de informação de Polícia Judiciária pela servidora [da confiança de Mendonça] e posteriormente retirada, por orientação da autoridade, sob o fundamento de que produzia exposição desnecessária de pessoas politicamente expostas sem acrescer” nada à investigação.

A Inteligência da PF avalia “existir risco aumentado de vazamento” devido à “concentração de acesso não auditável” na única pessoa autorizada por Mendonça.

O relatório enfatiza que a determinação do ministro-relator de que o acervo bruto apreendido seja remetido antecipadamente a ele, portanto, com “cópias remetidas para fora do ambiente policial, multiplica os pontos de exposição e torna ainda mais improvável a identificação da origem de eventual vazamento”.

Esse procedimento que vulnerabiliza o controle e o sigilo de dados é ilegal, diz a PF: “a cadeia de custódia dos artigos 158-A a 158-F do Código de Processo Penal pressupõe rastreabilidade em todos os elos; o arranjo atual não a assegura no primeiro deles”.

É lógico se deduzir que este arranjo imposto pelo ministro Mendonça à PF favoreceu os vazamentos criminosos sobre Fábio Luís para a mídia lavajatista e antipetista. E é inferível, pelas mudanças de protocolo impostas pelo ministro Mendonça nas investigações, que os vazamentos tiveram como uma única origem o próprio gabinete dele.

Como anotado no artigo André Mendonça é o Sérgio Moro desta eleição, “se todas provas estão armazenadas no gabinete do Mendonça, e se somente pessoas autorizadas por ele podem acessar os documentos, qual seria o outro lugar que não o gabinete dele, e quem, se não alguém com acesso permitido ao gabinete dele, poderia estar abastecendo setores da imprensa com os vazamentos?”.

Outra inferência pode ser feita, porém de sentido contrário ao ocorrido com Fábio Luís: a de que a não-ocorrência de vazamentos sobre os depósitos milionários de Daniel Vorcaro a Flávio Bolsonaro em contas nos EUA também é decidido por quem controla os dados, ou seja, o próprio gabinete do ministro-relator.

Diante das evidências de que os vazamentos criminosos sobre Fábio Luís se originaram em âmbitos e contextos do conhecimento do ministro Mendonça, a ordem dele para a PF apurar os vazamentos soam como jogo de cena.

*Jeferson Miola/247


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