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Vorcaro tenta aproximação com Mendonça enquanto investigação sobre Flávio Bolsonaro pode culminar em indiciamento

A movimentação de Daniel Vorcaro para tentar uma nova aproximação com o ministro André Mendonça ocorre justamente quando a investigação sobre os repasses ligados ao filme Dark Horse entra em uma fase decisiva. O caso ganhou dimensão ainda maior porque a Polícia Federal apura se os recursos destinados à produção da cinebiografia de Jair Bolsonaro foram utilizados de acordo com a finalidade apresentada e qual foi, efetivamente, o papel de Flávio Bolsonaro nessa operação.

Mendonça autorizou, em julho, a abertura do inquérito que investiga os repasses de Vorcaro para o filme, seguindo manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República. A investigação busca esclarecer a origem, o destino e a utilização dos recursos, além das circunstâncias que envolveram as tratativas entre o empresário e Flávio.

É nesse contexto que uma tentativa de aproximação entre Vorcaro e o ministro chama atenção. Não se trata de antecipar culpa ou afirmar um resultado que ainda não existe, mas de reconhecer que qualquer movimento de um dos principais personagens da investigação, justamente quando a apuração se aproxima de uma conclusão, merece escrutínio público.

O ponto central é que a investigação não pode ser conduzida sob a lógica de conveniências políticas. Se existem elementos que apontem para irregularidades, eles precisam ser analisados tecnicamente e encaminhados às autoridades competentes. Se não existem, a conclusão também deve ser apresentada com a mesma transparência.

A situação é especialmente delicada porque Flávio Bolsonaro é candidato à Presidência e o caso Dark Horse já se tornou um dos pontos mais sensíveis de sua trajetória eleitoral. Mensagens divulgadas anteriormente mostraram o senador solicitando recursos a Vorcaro para o projeto do filme, e a própria PF ainda não havia concluído que não houve crime — informação que chegou a circular falsamente nas redes sociais.

Por isso, a reta final da investigação exige algo elementar: independência, rigor e publicidade dos fatos que puderem ser divulgados legalmente. Nem Vorcaro, nem Flávio Bolsonaro, nem qualquer autoridade envolvida pode estar acima da apuração.

Se o inquérito encontrar elementos suficientes para responsabilização, que eles sejam apresentados e submetidos ao devido processo legal. Se não encontrar, que isso também seja demonstrado de maneira inequívoca.

O que não pode acontecer é a investigação terminar cercada por dúvidas, suspeitas de favorecimento ou movimentos de bastidor. Quando estão em jogo dinheiro, poder político, um candidato à Presidência e um dos maiores escândalos financeiros sob investigação no país, a sociedade tem o direito de saber exatamente o que foi apurado — e por quê.


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O maior cabo eleitoral de Flávio Bolsonaro depois do pai é o ministro “terrivelmente evangélico”

Se Jair Bolsonaro continua sendo o principal fiador político de Flávio Bolsonaro, há um personagem que, pelo peso institucional de suas decisões e pela visibilidade que ganhou no cenário eleitoral, passou a ocupar um espaço cada vez mais incômodo nessa equação: o ministro André Mendonça, o magistrado que chegou ao Supremo indicado por Bolsonaro sob a célebre promessa de ser “terrivelmente evangélico”.

A relação entre Mendonça e o universo bolsonarista não é uma invenção retórica. Ele foi indicado ao STF por Jair Bolsonaro em 2021 e mantém proximidade conhecida com Michelle Bolsonaro. Ao mesmo tempo, tornou-se relator de investigações envolvendo o caso Master e fatos relacionados a Flávio Bolsonaro. A própria imprensa tem destacado o peso político que suas decisões podem adquirir durante a campanha eleitoral.

É justamente aí que está o ponto central da questão: quando um ministro do Supremo passa a ocupar uma posição capaz de produzir decisões com impacto direto sobre a disputa eleitoral, cada despacho ganha uma dimensão que ultrapassa os autos.

Não se trata de afirmar que Mendonça esteja agindo para beneficiar Flávio. O próprio ministro afirma que suas decisões serão baseadas nas evidências apresentadas pela Polícia Federal e que não permitirá que preferências políticas interfiram em sua atuação.

Mas política também é percepção. E, numa eleição tão polarizada, a percepção de independência é tão importante quanto a independência propriamente dita.

O problema se torna ainda mais delicado porque Flávio enfrenta questionamentos relacionados à sua relação com Daniel Vorcaro e aos R$ 61 milhões destinados à produção do filme “Dark Horse”. Flávio nega irregularidades e afirma que sua relação com Vorcaro esteve ligada à busca de recursos para o projeto cinematográfico.

Nesse ambiente, qualquer decisão judicial envolvendo o candidato pode repercutir como um terremoto político.

Por isso, a cobrança precisa ser objetiva: Mendonça não tem que provar que é contra Flávio Bolsonaro. Tem que provar, a cada decisão, que não é a favor dele.

E essa diferença é fundamental.

A Justiça não pode ser percebida como instrumento de proteção de aliados, tampouco como arma contra adversários. Um ministro do STF não é cabo eleitoral de candidato algum. Sua única obrigação é com a Constituição, com as provas e com a imparcialidade.

Se Flávio Bolsonaro pretende disputar a Presidência apresentando-se como herdeiro político do pai, precisa responder politicamente pelos próprios atos. E se André Mendonça ocupa a cadeira que Bolsonaro lhe entregou, precisa demonstrar institucionalmente que a toga não veio acompanhada de compromisso político com a família que o indicou.

No fim das contas, a questão é simples e contundente: quanto maior o poder de uma decisão judicial sobre uma candidatura, maior precisa ser a transparência sobre os critérios que a fundamentam.

Porque, numa democracia, nenhum candidato pode ter como cabo eleitoral o poder da caneta de um ministro do Supremo.


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Vídeo: Flávio acusa cúpula do judiciário de “roubalheira” enquanto se beneficia da blindagem de Mendonça

Protegido por Mendonça, Flávio Bolsonaro transforma o Judiciário em alvo político

Há algo profundamente revelador na postura de Flávio Bolsonaro: enquanto se beneficia politicamente de um ambiente em que o ministro André Mendonça vem adotando uma atuação cada vez mais controversa em casos que atingem interesses do campo bolsonarista, o senador se sente à vontade para atacar a própria cúpula do Judiciário com acusações gravíssimas.

Chamar ministros dos tribunais superiores de envolvidos em “roubalheira” não é uma crítica política comum. É uma acusação de enorme gravidade. E justamente por isso deveria exigir provas, fatos concretos e responsabilidade. Quando uma autoridade pública lança uma acusação dessa natureza sem apresentar elementos capazes de sustentá-la, o que resta é a velha estratégia bolsonarista de transformar suspeitas e narrativas em sentença política.

O paradoxo é ainda maior quando se observa o silêncio — ou a complacência — diante de situações que envolvem o próprio campo político de Flávio Bolsonaro. O discurso contra a corrupção aparece com toda a força quando o alvo são adversários, ministros ou instituições que incomodam. Mas perde intensidade quando as suspeitas atingem aliados, familiares ou personagens próximos ao seu grupo político.

E é justamente nesse ambiente que a atuação de André Mendonça ganha relevância. O ministro, que deveria ser símbolo de equilíbrio, independência e respeito às instituições, vem sendo alvo de críticas por decisões e iniciativas que, aos olhos de seus críticos, parecem produzir efeitos políticos favoráveis ao bolsonarismo. Quando um integrante da Suprema Corte passa a ser percebido como alguém capaz de oferecer proteção institucional a determinado grupo político, a consequência inevitável é o desgaste da própria credibilidade do Judiciário.

Flávio Bolsonaro parece perceber esse cenário e explorar politicamente suas contradições. Ataca ministros, desqualifica instituições e tenta vender à opinião pública a imagem de um Judiciário tomado pela corrupção. Ao mesmo tempo, porém, encontra espaço institucional para aliados questionados e para operações jurídicas que podem beneficiar seu campo político.

A pergunta que fica é simples: se há “roubalheira” na cúpula do Judiciário, onde estão as provas? Quem praticou quais crimes? Qual foi o dinheiro desviado? Quem recebeu? Quem intermediou? Onde estão os documentos?

Acusar é fácil. Provar é outra história.

O problema é que esse tipo de retórica não busca necessariamente esclarecer fatos. Busca incendiar a opinião pública, destruir reputações e alimentar a velha narrativa de que todas as instituições são corruptas — exceto aquelas que, por alguma razão, acabam favorecendo o grupo político que faz a acusação.

É uma fórmula conhecida: quando a Justiça aperta, acusa-se a Justiça de perseguição; quando uma investigação avança, denuncia-se uma conspiração; quando uma decisão favorece, celebra-se a independência institucional. A régua muda conforme o resultado.

Flávio Bolsonaro, portanto, deveria explicar muito mais do que suas acusações contra ministros. Deveria explicar por que acredita ter autoridade moral para transformar acusações sem provas em instrumento político enquanto seu próprio grupo permanece cercado por controvérsias e questionamentos.

A democracia não sobrevive de gritos, slogans ou acusações lançadas ao vento. Sobrevive de instituições, provas e responsabilidade.

E se existe realmente “roubalheira” na cúpula do Judiciário, que Flávio Bolsonaro apresente as provas.

Do contrário, sua fala corre o risco de ser apenas mais um capítulo da política de destruição institucional que o bolsonarismo utiliza quando não consegue responder às perguntas que realmente importam.

Porque acusar todo mundo de corrupto pode ser uma excelente estratégia eleitoral.

Mas não substitui prova, não produz verdade e, muito menos, transforma acusado em inocente.


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O absurdo maior de Mendonça: usar Lulinha como escudo para blindar Flávio Bolsonaro no caso Master

O episódio envolvendo o Banco Master ganhou um contorno ainda mais preocupante diante da atuação de André Mendonça. Em vez de concentrar o foco nos fatos que precisam ser esclarecidos, o ministro passou a lançar suspeitas sobre terceiros, criando uma espécie de cortina de fumaça justamente quando as atenções recaem sobre as relações de Flávio Bolsonaro com o empresário Daniel Vorcaro e sobre os elementos que aparecem no caso Master.

O absurdo maior está em transformar Lulinha em uma espécie de escudo político. A lógica parece evidente: se existe qualquer suspeita envolvendo o filho do presidente Lula, ela precisa ocupar o centro do debate, ainda que isso não responda às perguntas fundamentais sobre Flávio Bolsonaro, Vorcaro e o banco.

Uma investigação séria não funciona por associação política. Se existem indícios contra quem quer que seja, que sejam apurados, com provas, documentos, depoimentos e transparência. O que não pode acontecer é utilizar uma acusação contra uma pessoa como instrumento para desviar a atenção de outra.

E é justamente aí que a atuação de Mendonça se torna politicamente explosiva. Ao colocar Lulinha no centro da narrativa, cria-se uma conveniente equivalência: de um lado, uma acusação que precisa ser comprovada; de outro, um conjunto de fatos e relações envolvendo figuras do campo bolsonarista que também exigem esclarecimentos.

O problema é que uma investigação não pode escolher previamente quem será protegido e quem será exposto. Tampouco pode funcionar como instrumento de disputa eleitoral.

Flávio Bolsonaro precisa responder pelas próprias relações, pelos próprios atos e pelas próprias circunstâncias que aparecem no caso Master. Não existe justificativa republicana para transferir o foco para Lulinha sempre que surgem perguntas incômodas sobre o senador.

A pergunta que permanece é simples: por que, diante das suspeitas que cercam o caso Master, a estratégia passou a ser apontar o dedo para Lulinha em vez de esclarecer integralmente o que envolve Flávio Bolsonaro?

Se há algo a investigar contra Lulinha, que se investigue. Mas isso não apaga Flávio Bolsonaro, não elimina Vorcaro, não responde às perguntas sobre o Banco Master e muito menos encerra as dúvidas que cercam o caso.

O Estado de Direito não pode operar com dois pesos e duas medidas. Investigação não é escudo político. E ministro de tribunal superior não pode transformar uma suspeita contra terceiros em salvo-conduto para quem está sob escrutínio.

No fim, a tentativa de mudar o assunto pode acabar produzindo exatamente o efeito contrário: quanto mais se tenta usar Lulinha como distração, mais evidente fica a necessidade de esclarecer, sem atalhos, o que Flávio Bolsonaro tem a explicar sobre o caso Master.


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Mendonça trava julgamento no STF contra Eduardo Bolsonaro

O ministro André Mendonça pediu vista e suspendeu, nesta quarta-feira (22), o julgamento no Supremo Tribunal Federal que analisa a condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro por difamação contra a deputada Tabata Amaral. O caso tramita no plenário virtual da Corte, ambiente em que os ministros depositam seus votos eletronicamente dentro de um prazo definido.

O julgamento havia sido iniciado na última sexta-feira (18). Até a interrupção, o placar estava em 4 votos a 0 pela condenação, acompanhando o voto do relator, Alexandre de Moraes. Também já haviam se manifestado os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e a ministra Cármen Lúcia, todos no mesmo sentido.

A ação teve origem em uma queixa-crime apresentada por Tabata em 2021. Na ocasião, Eduardo Bolsonaro afirmou, em uma rede social, que um projeto de lei de autoria da deputada, voltado à distribuição de absorventes íntimos, teria como finalidade atender a interesses de uma empresa fabricante de produtos de higiene.

Com o pedido de vista, o julgamento fica suspenso. Pelo regimento interno do STF, Mendonça pode manter o processo sob análise por até 90 dias antes de devolvê-lo ao plenário, quando a votação será retomada a partir do estágio em que foi interrompida, segundo o dcm.

Em seu voto , Moraes entendeu que a declaração atingiu a reputação da parlamentar e configurou o crime de difamação. O relator propôs a fixação da pena em um ano de detenção, em regime inicial aberto, além do pagamento de multa.


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Lindbergh Farias que decisão de Mendonça é “blindagem” a Flavio Bolsonaro e Campos Neto

Deputado afirma que restrição de acesso da CPMI do INSS ao celular de Vorcaro impede apuração e levanta suspeitas sobre nomes ligados ao Master

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou nesta terça-feira (17) que há uma tentativa de impedir o avanço das investigações relacionadas à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Segundo ele, a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu o acesso à chamada “sala-cofre” da comissão, levanta suspeitas de proteção a figuras políticas citadas no caso.

A declaração foi feita em publicação nas redes sociais e em vídeo divulgado pelo parlamentar. De acordo com Lindbergh, a medida ocorreu após a divulgação de informações pela jornalista Mônica Bergamo, indicando a presença do nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na lista de contatos de Daniel Bueno Vorcaro, investigado no caso.

Decisão do STF restringe acesso a dados da CPMI
A decisão de André Mendonça determinou o bloqueio imediato do acesso a todo o material armazenado na sala-cofre da CPMI do INSS relacionado a Vorcaro. De acordo com o 247, o ministro também ordenou que a Polícia Federal retire os equipamentos do local para uma nova análise. Segundo o despacho, a medida busca preservar informações de caráter privado. O ministro afirmou que a Polícia Federal deverá realizar uma triagem para separar conteúdos pessoais de dados relevantes à investigação.

Lindbergh aponta contradições e cobra investigação
Lindbergh criticou a decisão e sugeriu que ela impede o esclarecimento dos fatos. “Estão tentando esconder a verdade! Bastou o nome de Flávio Bolsonaro aparecer nos contatos de Daniel Vorcaro e pronto: proibiram o acesso à sala-cofre da CPMI do INSS. Coincidência? Difícil acreditar”, afirmou.

O deputado também mencionou outros nomes que, segundo ele, aparecem nos registros analisados. “Roberto Campos Neto, peça central desse esquema, também surge na lista”, declarou.

No vídeo divulgado, Lindbergh reforçou as críticas à restrição de acesso e detalhou o conteúdo armazenado. “A sala-cofre é uma sala onde ficam documentos ligados à CPMI do INSS. E lá está o telefone, a nuvem do Daniel Vorcaro”, disse.

Ele também questionou declarações do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), citando supostas inconsistências. “O jornalista pegou ele e disse: ‘e aí? Você falou com o Vorcaro? Já falou alguma vez com o Vorcaro?’. Ele disse: ‘não, nunca falei com o Vorcaro’. Aí muda de opinião: ‘mas eu posso ter falado, porque temos um amigo em comum, o André Valadão’”, relatou.

Medida envolve retirada de equipamentos pela Polícia Federal
A decisão do STF prevê que a Polícia Federal recolha os dispositivos armazenados na sala-cofre em cooperação com a presidência da CPMI. O objetivo é realizar uma nova análise dos dados, com foco na separação de informações pessoais.

Segundo Mendonça, a iniciativa busca garantir que conteúdos “exclusivamente à vida privada do citado investigado não sejam compartilhados com a referida Comissão Parlamentar”.

Lindbergh, por sua vez, classificou a situação como uma tentativa de obstrução. “Eles estão atrás de uma ‘operação abafa’, e nós queremos uma apuração de tudo, porque a gente sabe onde é que isso vai cair”, afirmou.

O parlamentar também rebateu críticas sobre a atuação do PT na criação da comissão. “O PT assinou, sim, pedido de investigação. O que não assinamos foi a CPMI do PL feita para confundir e proteger”, declarou.


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André Mendonça e o delegado Marcantonio montaram a lista de funcionários públicos antifascistas

Marcantonio atuou em cargos ligados à inteligência e ao MJ, na gestão Mendonça. Tornou-se diretor de inteligência da SEOPI.

Quem acompanha de perto as movimentações internas da Polícia Federal tem pouca esperança de uma mudança de rumo na partidarização que voltou a dominar a organização.

As investigações do Banco Master estão nas mãos da Superintendência Regional da Polícia Federal do Distrito Federal, que abriga a maior parcela dos delegados bolsonaristas — entre eles, Thiago Marcantonio Ferreira, responsável direto pelo caso Master.

Antes, Marcantonio atuou em cargos ligados à inteligência e ao Ministério da Justiça, na gestão André Mendonça. De assessor especial, tornou-se diretor de inteligência da SEOPI (Secretaria de Operações Integradas) do Ministério da Justiça, sendo responsável pelo dossiê que delatava 579 servidores públicos participantes de grupos antifascistas nas redes sociais. Depois, tornou-se assessor de Mendonça no Supremo Tribunal Federal.M

A própria existência da SEOPI — criada para integrar a inteligência policial — acabou sendo questionada após o episódio, e a secretaria passou por mudanças estruturais posteriormente.

Essa dupla — Mendonça e Marcantonio — é responsável pelas investigações sobre o caso Master e pelos vazamentos de informações descontextualizadas sobre adversários.

Os vazamentos são tão indecentes que, recentemente, repórteres do Metrópoles foram perguntar aos advogados de Lulinha o que seria um pagamento mensal feito a uma mulher. Não conseguiram o escândalo sexual que buscavam — a mulher era a babá dos filhos de Fábio —, mas demonstraram o grau de abertura proporcionado pela Polícia Federal.

O diretor-geral da PF, Andrei Meirelles, é considerado um policial probo, mas com pouca experiência em matéria investigativa. Cometeu um erro básico ao tentar conciliar todos os setores da PF: manteve no cargo delegados bolsonaristas — e, o que é pior, concentrados na Regional do Distrito Federal. Não há sinais de que consiga agir sem sofrer a pressão da Associação dos Delegados da Polícia Federal.

Há poucas esperanças de reversão. Advogados que acompanham o processo confirmaram ao GGN a existência do pedido de prisão de Lulinha e disseram acreditar no legalismo e na boa-fé de Mendonça.

Que não se iludam:

  1. Alguns setores do meio jurídico têm André Mendonça em boa conta, devido ao seu estilo amável. É um engano. Da parceria com Marcantonio — na lista antifascistas – à quebra do sigilo bancário de Fábio Luiz, demonstram o contrário.
  2. As notas em que declara preocupação com os vazamentos são exemplos de cinismo institucional, pois são divulgadas no mesmo momento em que a PF escancara seus arquivos para jornalistas lavajatistas.

*Luis Nassif/GGN


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O veto terrivelmente sujo de Mendonça ao diretor da PF no caso Master

Decisão do ministro bolsonarista é uma mescla vergonhosa de politicagem porca com impunidade previsível. Entenda a decisão do novo relator do escândalo

O Brasil assiste, em tempo real e sob as luzes da “Justiça” de gabinete, a montagem de um dos cenários mais escandalosos da nossa história política recente. A decisão do ministro André Mendonça, o “terrivelmente evangélico” de Jair Bolsonaro (PL), de vetar o acesso do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ao inquérito do Banco Master, não é apenas um movimento processual. É, na verdade, uma manobra de politicagem porca desenhada para garantir uma impunidade previsível àqueles que financiaram e sustentaram o projeto de poder bolsonarista, e que possivelmente segue nessa tarefa.

Para entender a gravidade do que Mendonça está fazendo é preciso seguir o rastro do dinheiro e dos nomes. O Caso Master não é um simples imbróglio financeiro, ele é o coração pulsante de um ecossistema que liga o mercado financeiro de risco, trambiques, igrejas evangélicas e a cúpula do governo anterior de extrema direita.

O principal operador do dono do Master, de propriedade de Daniel Vorcaro, é Fabiano Zettel. Este senhor não é um estranho no ninho: Zettel foi simplesmente o maior doador individual da campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2022, a quem entregou dois milhões de reais. De acordo com Henrique Rodrigues, Forum, ele também despejou três milhões na tentativa frustrada de reeleição de Bolsonaro. Mas as conexões não param no bolso. Zettel é pastor e dirigente da Igreja Lagoinha, da conservadoríssima família Valadão, um reduto que serve de base ideológica e política para figuras extremistas como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o próprio clã Bolsonaro.

Quando Mendonça assume a relatoria do caso, em substituição ao ministro Dias Toffoli, num gesto de autoritarismo travestido de zelo, isola então o comando da PF das investigações. Neste movimento, ele está, na prática, colocando um cadeado na porta de um cofre onde as digitais de seus aliados estão por toda parte. É a blindagem perfeita: o relator escolhe quem pode ver o quê, neutralizando qualquer chance de uma investigação republicana e transparente atingir o topo da pirâmide. De quebra, o “terrivelmente evangélico” ainda lança sombras absolutamente injustificadas sobre o delegado mais alto da hierarquia da PF, despejando assim desconfianças e pechas nada honrosas no governo Lula (PT), que foi quem o nomeou.

O escândalo se torna ainda mais ácido quando olhamos para o Banco Pleno. Nascido de uma cisão do Master e fundado por um ex-sócio de Vorcaro, Augusto Lima, em um modelo de negócio que o mercado financeiro sempre apontou como inviável, o Pleno acabou liquidado pelo Banco Central por insolvência nos últimos dias.

Agora pasme: a direção desta instituição “fantasmagórica” abrigava nada menos que três ex-ministros do governo Bolsonaro em sua direção e conselho administrativoa: João Roma e Ronaldo Vieira Bento, que ocuparam de forma sucessiva a pasta da Cidadania, e Flávia Peres (ex-Flávia Arruda), que foi ministra da Secretaria de Governo (SEGOV) também na gestão Bolsonaro, e que é esposa de Augusto Lima. Todos geriram os bilhões do Auxílio Brasil e, após deixarem o governo, encontraram abrigo no “ecossistema Master”. É uma porta giratória que cheira a compadrio e que agora encontra em André Mendonça o seu guardião jurídico no Supremo Tribunal Federal.

Mas não sejamos ingênuos, a coisa não fica só por aí. Estamos em um ano de eleição acirradíssima e o tabuleiro está sendo montado com peças viciadas. Para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, ter André Mendonça no STF e no TSE (onde fará dobradinha com Kássio Nunes Marques) é ter o “seguro total” contra qualquer sobressalto judicial. Pois é, o seguro morreu de velho.

Mas se engana quem acha que as ações de Mendonça alcançaram o seu limite. Ao atacar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e lançar insinuações sobre a lisura da corporação, sem qualquer razão ou justificativa, Mendonça cumpre dois objetivos perversos. O primeiro é suja o governo Lula. Ele tenta pintar a atual gestão como não republicana e intervencionista, criando uma crise institucional artificial entre o Judiciário e o Executivo.

O outro objetivo é a proteção e blindagem total do “01”. O magistrado do Supremo almeja criar uma névoa de desconfiança sobre as provas relacionadas ao caso coletadas até aqui, permitindo que, lá na frente, qualquer documento que complique a vida de Flávio Bolsonaro seja anulado ou “esquecido” sob a desculpa de proteção contra um suposto aparelhamento do governo Lula na PF. É aquela história: “Não aconteceu absolutamente nada até agora, mas se pintar uma acusação, já temos a defesa”.

Por fim, urge dizer que o que Mendonça opera a partir de agora é uma das formas mais vis de uso do poder Judiciário. Ao isolar o comando da PF de um inquérito que envolve doadores de campanha, ex-ministros e aliados religiosos, ele deixa claro que sua toga tem lado, tem cor e tem interesses eleitorais. E não se engane ao acreditar que ele terá algum pudor de agir ao arrepio da lei e da Constituição Federal.

O “veto terrivelmente sujo” de Mendonça é a trombeta de aviso de que a impunidade para o bolsonarismo é o projeto prioritário dentro de sua sala do STF. Ele nunca escondeu sua subserviência e submissão ao presidente golpista e extremista. Resta saber se as demais instituições e a sociedade permitirão que esse teatro de sombras patético e óbvio continue a ditar os rumos da democracia brasileira em 2026.


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Deus acima de todos, Mendonça acima do STF: como a mídia fabrica um novo Sergio Moro

A mídia está tentando transformar André Mendonça no novo Joaquim Barbosa ou no novo Sergio Moro.

Ele já está na capa da Veja, como seus antecessores.

Na CNN, cujo dono tem negócios com Daniel Vorcaro, do Banco Master, conforme revelado por Vinícius Segalla no DCM, a bajulação do ministro terrivelmente evangélico tomou conta de uma conversa mole.

Thaís Herédia se embrenhou pela “psicologia” do Supremo Tribunal Federal, dando o costumeiro cacete nos demônios Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

“Nós tratamos aqui da soberba do Toffoli e do Alexandre de Moraes… O André Mendonça tem uma personalidade diferente, até em função da religião, tem outro comportamento”, disse.

“Ele pede para as pessoas saírem da sala porque ele quer se dedicar a orações”, completou William Waack, citando sua própria coluna no Estadão. “Mas ele não é arrogante”, afirmou Caio Junqueira.

Sim, de acordo com Waack, aconteceu o seguinte: “Homem de profunda convicção religiosa, o ministro Andre Mendonça teria imediatamente se recolhido em orações ao saber que fora sorteado como novo relator do caso Master”.

“Notícia suplementar alvissareira, o ministro teria dito a interlocutores que o caso Master é definidor de como ele será considerado pela posteridade, e é salutar que alguém no Brasil ainda se preocupe com o que pensam os pósteros”, escreveu Mario Sabino no Metrópoles.

Na inacreditável Gazeta do Povo, Deltan Dallagnol não se conteve em seu júbilo. “Mendonça derrubou todas as decisões de Toffoli que amarravam a Polícia Federal (PF) e a CPMI do INSS, a qual também havia se debruçado sobre o Master. Moraes e Toffoli, que até poucos dias atrás comandavam o alcance e o fluxo das investigações, perderam o sono com o seu pior pesadelo se concretizando”, escreveu.

Exaltou a “retidão” de Mendonça e referenciou Waack e a cena da oração. “É esse o perfil do magistrado que agora conduz a investigação mais importante da história recente do STF: humilde, temente a Deus, técnico, sério, sem blindagens, sem protecionismos”, declarou.

É daí para baixo. Daqui a pouco Mendonça estará recebendo algum prêmio das mãos dos Marinhos e sendo convidado para chá com bolacha vencida na ABL com Merval Pereira e quejandos. Já virou santo.

Se Deus quiser, vai lembrar do que está em Provérbios 26,28 a respeito dos puxa-sacos: “A língua falsa odeia os que ela aflige, e a boca lisonjeira provoca a ruína”.

*Kiko Nogueira/DCM


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Política

Relatoria do caso Master vai para as mãos de Bolsonaro via Mendonça, mas a mídia segue, obsessivamente, falando de Toffoli

O campo mental onde a grande mídia assombra a população com a agudeza de um engenho pró-Bolsonaro, é tão descarada que as sucessivas manchetes que enfeitam de louros a cabeça de Mendonça, não questionando sua obediência a Bolsonaro, segue para a glória maior do golpista preso na Papuda.

Aparentemente, é uma pintura fora do quadro, mas sugere escancaradamente que Flavio já foi abraçado pela besta da oligarquia, consequentemente, a boa vontade da mídia com o rachadinha, o mesmo que transforma chocolate em ouro em pó com mansões compradas com dinheiro vivo, é a própria feição de Bolsonaro, de dentro da Papuda, manipulando o sistema de justiça via Globo e congêneres.

Como Bolsonaro não conseguiu produzir uma convulsão bélica na sua campanha crispada de energia pesada, a feição pacata de Flavio acaba por traduzir um Bolsonaro virgem e heróico, eivado de sobrecarga de poder. Sim, porque Mendonça não tem apenas o título de novo relator do caso Master, a pintura filosófica estará sob reflexos diretos da lua do próprio Bolsonaro, enquanto a grande mídia segue insuflando a sociedade contra o STF na figura de Toffoli.

Nenhuyma vírgula sequer sobre a total falta de isenção de Mendonça para julgar o caso Master, banco que patrocinou a campanha de Bolsonaro e de Tarcísio, em 2022, com R$ 5 milhões que seria suficiente para que tal fato merecesse dos escribas da grande mídia, um cadico de atenção. Sem falar no número sem fim de prefeitos e governadores bolsonaristas que colocaram bilhões de recursos públicos num banco sabidamente falido, como é o caso de Ibaneis Rocha, Claudio Castro, entre tantos outros partidários do golpista.

A verdade é que não há título de matéria na grande mídia, salvo o heróico Bernardo de Mello Franco, de O Globo, que questiona se o evangélico Mendonça tem distanciamento e autoridade suficientes para relatar um caso como o do Banco Master, coroado de bandidos evangélicos, envolvidos até a medula com Vorcaro, também evangélico, de significativo histórico com André Valadão, da Igreja Lagoinha, e sua rede templos que arrecadam bilhões anualmente e que foram o próprio pedal que ipulsionou o dono do Master no submundo do mercado financeiro.

Ou seja, a grande mídia fecha os olhos para tudo isso e tenta fazer o mesmo com seus leitores enquanto utiliza o gênio do diversionismo, colcoando Toffoli na cruz numa falsificadora e arcaica narrativa de histerias movediças, justamente para o público esquecer que, na prática, André Mendonça não existe, o que existe é Bolsonaro que, mesmo preso na Papuda por crime de tentativa de golpe de Estado, segue soprando o apito de cachorro para os burros de carroça e regendo sua orquestração em benefício próprio.


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