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Vídeo: Paraguai manda retirar painéis após montagem com Bolsonaro causar confusão

Telões mostravam Bolsonaro agredindo o jogador Gustavo Gómez em meio a provocações contra o Paraguai

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, afirmou, na noite desta sexta-feira (29), que ordenou a retirada de painéis de LED em Ciudad del Este, na fronteira com o Brasil, após a exibição de uma montagem com o ex-presidente Jair Bolsonaro ao lado de provocações políticas e futebolísticas que provocou confusão.

As imagens incluíam uma cena em que Bolsonaro aparece agredindo o jogador Gustavo Gómez, convocado pela seleção paraguaia para a Copa do Mundo, com a frase “Paraguai derrotado”. O conteúdo foi exibido em pelo menos três painéis eletrônicos da cidade. Moradores destruíram um dos telões.

A montagem dizia que o “Brasil mandou e desmandou no campo e na política”. A imagem era acompanhada da imagem de Bolsonaro sentado nas costas do jogador, puxando-o pelos cabelos. No canto inferior da montagem, havia a provocação “o Hexa é nosso”.

Nas redes sociais, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, lamentou o episódio e anunciou a retirada de todos os painéis na cidade. “Ordenei ao Ministério de Obras Públicas e Comunicações a remoção de todas essas estruturas, bem como de quaisquer outras instalações não autorizadas que ocupem espaços públicos, dentro do âmbito das competências legais que a instituição vem exercendo em diversas partes do país”, publicou.

Empresas afimam que painéis foram alvo de invasão hacker
As empresas responsáveis pelos espaços publicitários, Fast Print e Publimix, afirmaram que os sistemas foram alvo de invasão hacker. As empresas afirmaram que o conteúdo foi divulgado por meio de “manipulação não autorizada” das telas publicitárias.

“As informações preliminares apontam para atos ilícitos de invasão hacker da estrutura publicitária”, informaram. As empresas disseram ainda que uma denúncia criminal está sendo formalizada junto à Promotoria de Crimes Cibernéticos no Paraguai.

As imagens também foram exibidas em um outdoor ligado à loja New Zone, que informou que não teve participação na divulgação do conteúdo e que solicitou esclarecimentos imediatos à empresa responsável pelos anúncios, além da retirada das imagens.

O Departamento de Segurança Turística do Paraguai afirmou que equipes policiais acompanharam a confusão para evitar confrontos e preservar a segurança no local.

A prefeitura de Cidade do Leste afirmou que abriu uma investigação administrativa para apurar o caso e identificar os responsáveis pela divulgação das imagens. A administração municipal repudiou os anúncios e informou que irá analisar possíveis sanções e multas contra as empresas responsáveis pelas estruturas publicitárias.

*ICL


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Política

O preço de Flávio 2026: Como os novos escândalos do senador assombram a direita

De repasses aos mandantes do caso Marielle a esquemas bilionários de sonegação, a avalanche de denúncias cria um oceano de lama que ameaça afundar o projeto nacional do clã.

“O Ministério Público tá com uma pica do tamanho de um cometa para enterrar na gente”, disse Fabrício Queiroz em um áudio de 2019, quando ele e Flávio Bolsonaro eram investigados por lavagem de dinheiro, peculato e organização criminosa. Mal sabia que essa seria a menor das “picas” a serem enfrentadas por Flávio Bolsonaro no decorrer da sua carreira política.

Sete anos depois, o senador é pré-candidato à presidência e está enfrentando uma série de graves acusações. Além das negociações milionárias suspeitíssimas com o maior ladrão do Brasil, Flávio terá que passar o ano eleitoral explicando os escândalos de corrupção em que está envolvido. Não estamos falando de um caso ou outro, mas de muitos. A relação obscura com Vorcaro é só uma gota no oceano de lama no qual o senador está atolado.

Flávio terá que explicar por que enviou uma emenda parlamentar de R$199 mil para uma ONG suspeita de integrar um esquema de desvio de verbas públicas, comandado pelos irmãos Brazão — os mandantes do assassinato de Marielle Franco. Segundo a Polícia Federal, o envio foi intermediado por um policial militar conhecido como “Peixe”, que também foi condenado pelo assassinato da vereadora. O senador terá que esclarecer os motivos que o levaram a manter negócios com a quadrilha que matou a vereadora do PSOL.

Operação ‘Sem Refino’
Há um outro caso que está prestes a explodir no colo de Flávio. A operação “Sem Refino” da Polícia Federal investiga um esquema bilionário de sonegação envolvendo a Refit, uma empresa do setor de combustíveis.

As investigações estão chegando cada vez mais perto de Flávio Bolsonaro, que viu seu aliado Cláudio Castro ser alvo de busca e apreensão na semana passada. O caso tem grande potencial para arrastar Flávio para o olho do furacão. Um relatório da PF enviado ao Supremo Tribunal Federal destaca que a “a leniência e a criação de um ambiente propício para a propagação da atividade espúria desenvolvida pela organização criminosa (…) retratam o amálgama do crime organizado com agentes públicos influentes na política fluminense, a começar pelo então chefe do Poder Executivo”.

Não é possível falar em “agentes públicos influentes na política fluminense” sem falar na família Bolsonaro, especialmente Flávio. Até os paralelepípedos da Rua do Ouvidor conhecem a influência do senador na política fluminense. Um esquema dessa grandiosidade, considerado o maior caso de sonegação do país, dificilmente seria ignorado pelo filho mais velho de Jair Bolsonaro. Ainda mais um caso envolvendo dois parças tão próximos como Cláudio Castro, do PL do Rio de Janeiro, e o senador Ciro Nogueira, do Progressistas do Piauí, a quem foi entregue a “alma do governo” Bolsonaro. Aliados mais próximos a Flávio sabem disso e estão desesperados com a possibilidade real do caso respingar nele.

Ninguém confia no Flávio
Flávio Bolsonaro é um mentiroso contumaz, como ficou evidente depois das reportagens do Intercept. Não que isso seja novidade, mas descobrimos que ele mente até mesmo para seus aliados. No início da pré-campanha, os dirigentes do PL questionaram o senador sobre suas relações com Vorcaro. Ele negou. Meses depois, Flávio mudou a história, mas continuou mentindo. Disse que foi procurado pelo banqueiro, mas recusou o encontro. Hoje, sabe-se que ele não só o encontrou como pediu milhões para financiar o filme panfletário sobre seu pai. Ninguém confia em Flávio, nem mesmo os seus companheiros.

‘No fim das contas, a reunião com Trump é só um ato de desespero’.
O desespero para encontrar uma narrativa que salve o candidato é grande. Cavaram até um encontro com Trump nos EUA para tentar virar o jogo no noticiário. É uma tentativa de mostrar credibilidade junto ao presidente americano, já que aqui no Brasil nem a confiança de Valdemar da Costa Neto ele tem mais.

As chances do encontro ser um mico são grandes. Primeiro porque o presidente americano já não é mais visto como um bom cabo eleitoral. Uma fotinho ao lado dele não rende votos, apenas serve para deixar sua base eleitoral excitada. Segundo porque a imprevisibilidade de Trump pode até melar o encontro, ainda mais em meio a uma guerra. Viajar até os EUA e voltar sem o encontro seria vergonhoso e aumentaria as manchetes negativas. No fim das contas, a reunião com Trump é só um ato de desespero.

O plano secreto para levar Jair Bolsonaro na mansão de Vorcaro
São muitos os esqueletos no armário de Flávio mas, pelo menos por enquanto, nada indica que ele desistirá da candidatura. Em condições normais de pressão e temperatura, um candidato que não inspira confiança já teria sido rifado pelos aliados. Ocorre que toda a direita brasileira está sequestrada pelos Bolsonaros.

Afinal de contas, quem tem votos é a família e, para ela, não interessa vencer a eleição sem um parente à frente da candidatura. É melhor perder e manter a família com o controle político da direita do que ganhar e entregar todo o capital eleitoral de bandeja para alguém de fora do clã.

A direita hoje está refém de uma família cujo patriarca está preso, um dos filhos está foragido e o mais velho está escalado para a disputa presidencial mesmo atolado por escândalos de corrupção. Outros candidatos de direita, como Zema e Caiado, até tentam se diferenciar, mas não podem romper de uma vez com o bolsonarismo. Seria um suicídio eleitoral. Além disso, seria incoerente largar o osso depois de terem sido cúmplices dos maiores absurdos protagonizados pelo clã Bolsonaro, desde a roubalheira generalizada até a tentativa de golpe de estado. Vejam só onde a direita brasileira foi amarrar seu burro. Agora é tarde demais. Vão ter que segurar essa pica do tamanho de 10 cometas até o final da eleição.

*João Filho/Intercept Brasil


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Política

Vídeo: Lula diz que clã Bolsonaro ‘não tem vergonha de trair a própria pátria’

Lula criticou integrantes da família Bolsonaro após os EUA classificarem PCC e CV como terroristas e chamou a articulação de “traição à pátria”

Em discurso durante evento da Petrobras em Sergipe nesta sexta-feira (29), o presidente Lula (PT) criticou integrantes da família Bolsonaro após os Estados Unidos anunciarem a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O petista afirmou que aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro incentivam interferência estrangeira em assuntos internos do Brasil e classificou a articulação como “traição à pátria”.

“Nós não aceitamos ser tratados como moleques. Nós não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta”, afirmou Lula. O presidente também disse já ter tratado do combate ao crime organizado diretamente com Donald Trump em uma reunião anterior. “Eu tive três horas com o presidente Trump. Entreguei quatro documentos para ele. Um deles era o combate ao crime organizado”, declarou.

Lula também fez referência ao senador Flávio Bolsonaro (PL) ao afirmar que integrantes da família Bolsonaro atuam nos Estados Unidos em busca de pressão internacional sobre o Brasil. “Não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria e ir nos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil”, afirmou.

Durante o discurso, o presidente provocou aliados bolsonaristas que, segundo ele, estão se escondendo da Justiça brasileira nos Estados Unidos.

“Quer combater o crime organizado? Que entregue os nossos que estão lá nos Estados Unidos”, disse Lula, ao mencionar condenados como o ex-deputado federal do PL Alexandre Ramagem e Ricardo Magro, da Refit.

Em nota, o Palácio do Planalto reforçou o tom das críticas e classificou como “deplorável” a viagem de integrantes da família Bolsonaro aos Estados Unidos para tratar do tema.

“É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país”, afirmou o governo.

O Planalto também alertou para possíveis impactos da medida anunciada pelos EUA no combate ao crime organizado e em setores estratégicos da economia brasileira. Segundo o governo, a classificação unilateral de facções como terroristas pode prejudicar o compartilhamento de informações entre forças de segurança e afetar o sistema financeiro nacional.

“Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o Pix, que incomodam interesses estrangeiros”, diz a nota.

Os Estados Unidos vêm investigando o Pix sob alegações de possível “concorrência desleal”, em um movimento visto pelo governo brasileiro como uma pressão de interesses financeiros internacionais.

Apesar das críticas, o governo reconheceu, no comunicado, a gravidade da atuação do PCC, do CV e de outras organizações criminosas no território nacional. O Planalto afirmou que as facções “praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias”, mas argumentou que há diferença entre a violência praticada pelo crime organizado para obtenção de lucro e o terrorismo internacional motivado por razões políticas, religiosas ou ideológicas.

“Aprovamos recentemente uma lei de combate às facções e milícias com penas que chegam a até 80 anos de prisão – a maior prevista em toda a legislação brasileira. O Governo do Brasil conduz o programa ‘Brasil contra o Crime Organizado’, que combate as facções e milícias desde o seu braço armado nas esquinas até o seu andar de cima”, concluiu o governo.

*ICL

Veja:


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Brasil

Brasil é quem define como combate e classifica o crime, diz Planalto

Governo critica família Bolsonaro por buscar “intervenção estrangeira”

O governo afirmou, nesta sexta-feira (29), que são os brasileiros que definem como o crime é classificado e combatido dentro do território do país, com suas instituições, leis e forças de segurança. O Palácio do Planalto afirmou também, em nota, que a família Bolsonaro tem buscado uma intervenção estrangeira no Brasil.

“O terror causado por essas organizações em comunidades busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional”, diz a nota do Palácio do Planalto.

O posicionamento é uma resposta à decisão dos Estados Unidos (EUA) de classificarem organizações narcotraficantes como terroristas. Para especialistas, a decisão pode servir como pretexto para intervenção no país.

Para o Planalto, a medida dos EUA pode prejudicar o combate ao crime, a economia e o sistema financeiro, além de sistemas inovadores como o Pix.

“Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o Pix, que incomodam interesses estrangeiros”, diz o comunicado.

Os EUA têm investigado o Pix do Brasil por suposta “concorrência desleal”. O mecanismo prejudica comercialmente empresas financeiras dos EUA.

Família Bolsonaro
Para o governo brasileiro, a família Bolsonaro tem buscado provocar o governo de Donald Trump para que intervenha no país.

“É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país”, acrescenta o comunicado.

O pré-candidato à presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), se encontrou com o presidente Donald Trump, nesta semana, tendo pedido ao chefe da Casa Branca para classificar grupos narcotraficantes no Brasil como terroristas.

Ainda segundo o Planalto, “traidores” tentam manipulada politicamente o debate sobre o tema.

“A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros”, disse o Palácio do Planalto.

Terrorismo
O governo ainda reconheceu, no comunicado, que o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias “praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias”.

Porém, argumenta que não se pode misturar esse terror, usado para obter lucro, com o terrorismo internacional com motivações políticas, religiosas ou ideológicas.

“Aprovamos recentemente uma lei de combate às facções e milícias com penas que chegam a até 80 anos de prisão – a maior prevista em toda a legislação brasileira. O Governo do Brasil conduz o programa ‘Brasil contra o Crime Organizado’, que combate as facções e milícias desde o seu braço armado nas esquinas até o seu andar de cima”, diz o governo.

*Agência Brasil


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Política

Como o bolsonarismo instrumentalizou a política externa de Trump contra a soberania brasileira

Para o Planalto, a manobra não é apenas um ato de política de segurança, mas uma interferência direta no processo eleitoral brasileiro, articulada pelo bolsonarismo.

Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou na quinta-feira (28) a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, decisão que ocorreu um dia após reunião do senador Flávio Bolsonaro com Donald Trump no Salão Oval e que pegou o governo brasileiro de surpresa, sem aviso prévio.

A medida entra em vigor de forma escalonada: a designação como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs) tem efeito imediato, enquanto a classificação como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) passa a valer em 5 de junho. Para o Planalto, a manobra não é apenas um ato de política de segurança, mas uma interferência direta no processo eleitoral brasileiro, articulada pelo bolsonarismo para criar um trunfo de campanha e, possivelmente, desviar o foco de investigações em curso da Polícia Federal.

O anúncio e o impacto imediato
O comunicado do secretário de Estado Marco Rubio descreveu PCC e CV como “duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil”, afirmando que seus membros “orquestraram ataques brutais contra policiais, funcionários públicos e civis brasileiros” e que sua influência se estende além das fronteiras do país.

A nota formalizou duas categorias distintas de designação com consequências jurídicas diferentes. A classificação como SDGT bloqueia automaticamente qualquer propriedade dos grupos localizada em território americano e proíbe cidadãos dos EUA de realizar transações com essas organizações. Já a designação como FTO, que entra em vigor em 5 de junho, torna ilegal fornecer qualquer apoio material ou recursos às facções, e obriga instituições financeiras americanas a reter fundos vinculados a elas e reportá-los ao Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro.

Na prática, a mudança de enquadramento jurídico altera profundamente a arquitetura da cooperação policial entre os dois países. O promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo e uma das maiores referências no enfrentamento às facções desde 2005, classificou a decisão como “muito grave” e afirmou não ver “nenhum benefício prático” na medida.

Em entrevista ao podcast O Assunto, Gakiya explicou que, ao sair da esfera policial, as investigações deixam de ser conduzidas pelo FBI e pela DEA para passar à CIA e às forças militares americanas. “Quando passa a ser classificado e tratado pela CIA e pelos militares, há o sigilo dessas informações, que passam a ser classificadas como secretos e ultrassecretos ou confidenciais. Então, provavelmente nós vamos ter um decréscimo, um prejuízo na troca de informações”, afirmou.

O promotor também alertou para o risco de contaminação do sistema financeiro brasileiro. A Operação Carbono Oculto já havia revelado que o PCC utiliza postos de combustíveis e contas em fintechs para lavagem de dinheiro, em uma cadeia que alcança bancos regulares. “Se a gente for levar ao pé da letra essa classificação de terrorismo, você poderia sancionar bancos que não tiveram diretamente nenhum contato com nenhum integrante do PCC”, disse Gakiya, apontando que instituições financeiras sem qualquer envolvimento direto com as facções poderiam ser atingidas por vínculos indiretos na cadeia de recursos.

A articulação política
A sequência de eventos não deixa margem para dúvida sobre a cadeia de influência. A decisão do Departamento de Estado foi anunciada um dia após reunião de Flávio Bolsonaro com Donald Trump no Salão Oval, onde o senador apresentou a classificação das facções como prioridade do grupo político brasileiro. Segundo relatos do encontro, Trump perguntou a Flávio quais seriam as principais questões de interesse, e o senador respondeu elencando a designação terrorista como item central.

Na mesma semana, Flávio também se reuniu com Marco Rubio, que assinou o comunicado oficial. Ao voltar ao Brasil, o senador publicou vídeo nas redes sociais atribuindo a si a decisão e afirmando ter “trabalhado para que eles fossem tratados como terroristas”.

Durante a reunião na Casa Branca, os participantes apresentaram a Trump estimativas de que cerca de um quarto do território brasileiro estaria sob influência de organizações criminosas. O presidente americano teria reagido com surpresa, questionando se o Brasil ainda mantinha controle sobre seu próprio território, o que reforçou a narrativa, cultivada pelo bolsonarismo, de um suposto “Estado terrorista” em colapso sob o governo Lula. Flávio também alegou, segundo relatos do encontro, que o governo brasileiro seria conivente com o crime organizado e que as facções manteriam conexões com grupos terroristas internacionais.

A imprensa internacional tratou o episódio sem eufemismos. O New York Times afirmou que a decisão ocorreu “após nova pressão dos Bolsonaros” e citou um “lobby agressivo” dos filhos do ex-presidente. O Financial Times avaliou que “o momento da decisão deve fortalecer politicamente” a candidatura de Flávio à presidência.

A agência Associated Press, em publicação no Washington Post, lembrou que Lula havia afirmado repetidamente, em outras ocasiões, que interpretaria tal ação dos EUA como interferência eleitoral a seu favor. O que era leitura política do Planalto tornou-se, com o anúncio, fato consumado.

Risco à soberania e economia
O governo Lula não foi avisado previamente da decisão, segundo fonte ouvida pela GloboNews. A ausência de notificação diplomática prévia é, por si só, um indicador do nível de tensão na relação bilateral. O principal temor do Planalto é que a classificação sirva de pretexto jurídico para ações militares unilaterais dos EUA em território brasileiro, seguindo o padrão já adotado pela administração Trump em relação ao México e à Venezuela. O assessor presidencial Celso Amorim foi o primeiro a sinalizar publicamente o tom da resposta, afirmando que criar um “pretexto para intervenção é inaceitável”.

No campo econômico, o risco mais imediato envolve o sistema financeiro. O governo Trump já havia apontado o PIX, sistema de pagamento instantâneo do Banco Central, como potencial facilitador do fluxo de recursos ilícitos para as facções. Embora não haja, até o momento, documento oficial dos EUA que formalize sanções específicas ao PIX, o Planalto monitora a ameaça com atenção, sobretudo porque qualquer banco brasileiro com operações nos EUA pode ser afetado por vínculos indiretos com as facções, conforme o alerta do promotor Gakiya. A possibilidade de sanções a empresas e instituições financeiras brasileiras por conexões indiretas com o crime organizado é tratada internamente como cenário concreto, não hipotético.

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), foi um dos primeiros a se manifestar publicamente, criticando a medida como violação da soberania nacional. “Cooperação internacional no combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas sim, intervenção na política interna de outro país, não”, afirmou. Rodrigues também condenou o que chamou de “ato de traição” da família Bolsonaro e alertou para danos potenciais nas relações diplomáticas, na economia, no turismo e no comércio internacional. O governador reforçou o argumento técnico do governo federal de que as facções operam por motivação financeira, diferentemente de grupos terroristas com base ideológica ou política, o que torna a classificação juridicamente questionável à luz da legislação brasileira.

O pano de fundo: investigações da PF
A decisão de Washington não ocorre no vácuo. Ela coincide com um momento de pressão crescente da Polícia Federal sobre o entorno bolsonarista. Em maio, a PF realizou duas operações, nos dias 15 e 26, que tiveram impacto direto sobre aliados próximos do grupo: o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) desistiu de sua candidatura ao Senado após ser atingido pelas investigações dos casos Refit e Banco Master. O caso Refit envolve Ricardo Magro, apontado como megasonegador e recém-incluído na lista vermelha da Interpol.

É nesse contexto que ganham relevância as informações levantadas sobre offshores em Delaware. Segundo o Fórum, Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro, e Altieris Santana abriram em 12 de fevereiro a empresa MCC-4 Equity Fund GP LLC, uma offshore no estado americano de Delaware, conhecido paraíso fiscal onde estão listadas ao menos 15 outras offshores pertencentes ao Grupo Refit, de Ricardo Magro. Calixto e Santana são também controladores do fundo Havengate, que teria recebido aportes estimados em US$ 24 milhões a título de “patrocínio” de Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse, de Flávio Bolsonaro, dos quais US$ 10 milhões teriam sido efetivamente pagos.

A conexão entre a decisão de Trump e as investigações em curso não passou despercebida. Segundo análise da reportagem que originou essas informações, a medida pode blindar o grupo político ao desviar o foco da cooperação internacional necessária para investigar os paraísos fiscais de Delaware: ao transferir as operações do FBI e da DEA para a CIA e os militares, a classificação terrorista reduz a transparência e dificulta exatamente o tipo de cooperação policial que a PF precisaria para avançar nas investigações sobre offshores e fluxos financeiros no exterior.

Reações e desdobramentos
O Planalto trabalhou ao longo da sexta-feira (29) para fechar uma nota oficial que equilibre dois objetivos difíceis de conciliar: defender a soberania nacional sem parecer condescendente com o crime organizado, e reagir à manobra bolsonarista sem provocar um confronto aberto com Trump que possa custar caro na arena econômica. A estratégia, segundo interlocutores do governo ouvidos pela BBC News Brasil, é modular a resposta para evitar desgaste junto ao público interno a poucos meses das eleições. A nota deve reforçar as medidas recentes do governo contra o crime organizado e afirmar a disposição do Brasil para cooperação internacional técnica no combate às facções.

O modelo adotado é o mesmo da crise do “tarifaço” de 2025, quando Trump impôs taxas de 50% sobre produtos brasileiros e o Planalto respondeu com diplomacia presidencial direta, culminando em um encontro entre Lula e Trump na Malásia e na posterior redução das tarifas. Desta vez, a aposta é evocar os riscos ao PIX e ao sistema financeiro para criar pressão sobre Washington e reposicionar Flávio Bolsonaro como responsável pelos eventuais danos econômicos. Lula avalia um contato direto com Trump e não quer, segundo seus auxiliares, um enfrentamento público com o presidente americano.

Do lado da oposição, a medida foi celebrada como vitória política. Flávio Bolsonaro atribuiu a si o resultado, atacou Lula e agradeceu publicamente a Trump e Rubio. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), também se manifestou nas redes sociais em apoio à classificação. O governo Lula, por sua vez, avalia internamente que a decisão configura interferência direta no processo eleitoral brasileiro, leitura que já havia sido antecipada por assessores do presidente antes mesmo do anúncio e que agora orienta a resposta diplomática em construção.

*Forum


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Brasil Mundo

Em pacto com bolsonarismo, Trump põe Brasil no foco de sua ‘guerra’ pela América Latina

Decisão de designar PCC e CV como terroristas é parte da estratégia da Casa Branca de controle militar na América Latina

Com Flávio Bolsonaro e a extrema direita brasileira, o governo de Donald Trump anuncia que designarão os grupos criminosos PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras, abrindo o caminho para adotar sanções e mesmo medidas militares contra os criminosos. Ao classificar os grupos como terroristas, o governo dos EUA também transforma suas bases e operações em alvos legítimos de um ataque militar, mesmo em território estrangeiro, e transforma o Brasil no foco de sua doutrina de controle da América Latina.

Nos últimos meses, documentos da Casa Branca explicitaram que havia uma intenção deliberada de militarizar a região e colocar os cartéis como foco do combate contra o terrorismo internacional. Combater o PCC e o CV, portanto, passou a ser apenas um argumento para chegar a esses objetivos.

Pela doutrina americana, o combate ao terrorismo internacional justifica ações em qualquer parte do mundo, inclusive violando a soberania de países.

Para representantes do alto escalão do Palácio do Planalto, a decisão de Trump agora coloca o Brasil como alvo de sua “guerra”.

Bomba atômica
A decisão une, no fundo, os interesses bolsonaristas à estratégia militar de Trump. O gesto foi interpretado pelo governo brasileiro como uma tentativa de Flávio Bolsonaro de usar uma ‘bomba atômica’ para salvar sua candidatura para presidente e tentar, assim, enterrar a crise envolvendo sua relação com Daniel Vorcaro.

O recurso à designação do crime organizado como grupos terroristas ainda é a esperança do bolsonarismo para obrigar o país inteiro a debater a nova realidade no cenário político nacional, deixando suas polêmicas em segundo plano.

O trunfo de Flávio foi ainda visto como uma manobra para se apresentar como a suposta liderança para tratar de crime organizado e ainda sufoca outros nomes da direita que, diante de sua crise com Vorcaro, esperavam que ele abandonasse a corrida.

Para o governo brasileiro, porém, o gesto é tanto uma ingerência na eleição brasileira como uma violação da soberania.

Flávio Bolsonaro não tinha viagem planejada para os EUA. Mas, diante dos questionamentos até mesmo por aliados sobre a viabilidade de sua candidatura, o filho do ex-presidente tentou um “tudo ou nada” em Washington.

Com o anúncio, o PCC e o CV entraram numa lista que já inclui mais de uma dezena de outras organizações criminosas da região. São elas:

México: Cartel de Sinaloa, Cartel Jalisco Nova Geração , Cartel do Golfo, Los Zetas;
Colômbia: Clã do Golfo;
Haiti: G9 e Família;
Equador: Los Choneros.

A decisão ainda corre o risco de abalar a suposta “boa química” que existiria entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. O combate ao crime organizado foi um dos principais pontos da reunião entre os dois líderes, há duas semanas.

Mas uma decisão dessa natureza ameaça descarrilhar o trabalho diplomático de aproximação. O governo brasileiro acreditava que havia neutralizado o risco ao propor um programa conjunto para lidar com o crime organizado.

A pauta não se limita ao combate ao crime. Entre diplomatas, o tema é também um instrumento político de pressão. A classificação como terroristas era uma reivindicação de bolsonaristas que, ao colocar o tema como centro da relação com o Brasil, buscam o envolvimento direto do governo Trump na agenda doméstica do país.

Flávio Bolsonaro chegou a sugerir a necessidade de uma ação americana em território brasileiro. Ele recebeu uma delegação americana ainda em 2025 para debater o tema e deu seu sinal favorável à medida. Um suposto dossiê ainda foi preparado pelo governo de Cláudio Castro, no Rio de Janeiro, e mandado para a Casa Branca, com detalhes sobre os grupos criminosos.

Dentro do governo, existe ainda a suspeita de que informações possam ter sido passadas pelo ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência, Alexandre Ramagem, e que hoje vive nos EUA.

Ao ICL Notícias, a chefia da Polícia Federal confirmou que sequer aceitou receber essa delegação do Departamento de Estado norte-americano, em 2025, que queria convencer o Brasil a também classificar os grupos como terroristas. A delegação acabou sendo recebida pelo Ministério da Justiça e pelo Itamaraty e, em ambos, ouviu que o Brasil não seguiria na mesma linha.

Em 2025, um informe do Departamento de Estado norte-americano obtido pela reportagem indicou que “a organização criminosa brasileira Primeiro Comando da Capital (PCC) e cartéis do México e da Colômbia intensificaram suas atividades na Bolívia”. “Esses atores representam novos e significativos desafios para o controle do narcotráfico na Bolívia”, disse.

Num outro trecho, o informa aponta que “as organizações transnacionais de narcotráfico, especialmente o Primeiro Comando da Capital (PCC), representam a principal ameaça à segurança nacional do Brasil”. “Segundo a Polícia Federal (PF), o PCC opera em 22 dos 27 estados brasileiros e atua em pelo menos 16 países ao redor do mundo, incluindo os Estados Unidos”, apontou.

Alvo militar e sanções
Um dos temores das autoridades brasileiras é de que, com a designação, as operações do PCC e do CV se transformem em alvos legítimos de ataques militares dos EUA.

Semanas depois de designar grupos colombianos como terroristas, o governo Trump intensificou os ataques contra barcos na costa do país sul-americano.

Nas últimas semanas, o governo Trump lançou ofensivas contra o narcotráfico no México e no Equador. Em ambos, o discurso foi de que se tratou de uma operação conjunta. Mas, entre latino-americanos, a “cooperação” é apenas uma forma de os governos locais se justificarem diante de suas populações.

Trump ainda sinalizou seu interesse em transformar o tema do narcotráfico num instrumento de controle da região. O americano, ao lado de uma dezena de países latino-americanos em março, anunciou a criação de uma “aliança” militar contra os grupos criminosos.

Seu discurso foi revelador. Num certo momento, ele explicou que fará com o narcotráfico o mesmo que os EUA fizeram com o Estado Islâmico. Ou seja, bombardear em territórios estrangeiros.

Em um tom de brincadeira, ele ainda avisou aos demais presidentes da região: “vocês querem mísseis? Posso também bombardear. Esses mísseis são precisos”.

*Jamil Chade/ICL

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Brasil Mundo

Crime organizado, carimbo de terrorista

Casa Branca classifica o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações que propagam o terror, e abre caminho para ações unilaterais de forças de segurança dos EUA. Para Celso Amorim, ato é “pretexto para intervenção”

Em nota oficial, Marco Rubio afirma que os EUA vão usar “todas as ferramentas disponíveis para garantir a segurança do povo americano”

O governo dos Estados Unidos (EUA) decidiu denominar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como “organizações terroristas estrangeiras”. O ato é similar ao adotado pela Casa Branca para classificar quadrilhas ligadas ao narcotráfico no México e na Venezuela como grupos que praticam o terror a nível internacional. A decisão foi emitida por meio de um comunicado assinado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, um dos principais nomes do governo do presidente Donald Trump.

“O Comando Vermelho e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntos, eles comandam milhares de integrantes e orquestraram ataques brutais contra policiais brasileiros, autoridades públicas e civis. Sua influência e redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, alcançando toda a nossa região e, também, o nosso país”, sustenta Rubio, na nota.

O instrumento utilizado pelo governo norte-americano para definir os grupos como terroristas é a Ordem Executiva 13.224 — editada pelo presidente George W. Bush logo após o ataque ao World Trade Center, em setembro de 2001. O objetivo da norma é facilitar a ação dos Estados Unidos para desmantelar grupos terroristas fora das fronteiras do país, mas que geram uma “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia” dos EUA.

Ainda de acordo com a nota publicada ontem, o Departamento de Estado informou que o governo Trump seguirá utilizando “todas as ferramentas disponíveis” para proteger a nação e os interesses de segurança nacional do país, “mantendo drogas ilícitas fora de nossas ruas e interrompendo as fontes de receita que financiam narcoterroristas violentos”. A medida entra em vigor, oficialmente, em 5 de junho.

Amorim responde
No Brasil, não houve resposta oficial do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva até o fechamento desta edição. Mesmo assim, o assessor-chefe da Assessoria Especial do presidente, Celso Amorim, comentou sobre a medida no Fórum Internacional de Segurança, em Moscou, na Rússia. Segundo ele, a iniciativa norte-americana pode servir de “pretexto para intervenção” no Brasil, reforçando a preocupação já manifestada pelo próprio Lula e outros membros do governo.

“Segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento socioeconômico. Crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção é inaceitável”, afirmou o secretário.

*Correio Braziliense

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Política

“Dark Horse”: PF pede quebra de sigilo de produtora responsável por filme sobre Bolsonaro

Polícia Federal investiga suspeitas de superfaturamento e desvio de recursos públicos em contrato firmado com a Prefeitura de São Paulo

Polícia Civil de São Paulo pediu à Justiça acesso a dados financeiros sigilosos de Karina Ferreira da Gama, responsável pela produtora do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. O pedido também atinge o Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina. As informações são da Folha de S. Paulo.

A solicitação faz parte de uma investigação sobre suspeitas de superfaturamento e desvio de recursos públicos em um contrato de R$ 108 milhões firmado entre o Instituto Conhecer Brasil e a Prefeitura de São Paulo para fornecimento de internet wi-fi na capital paulista.

Polícia mira dados financeiros
O delegado Antonio Carlos Manuera Silveira requisitou à Justiça relatórios de inteligência financeira produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). De acordo com a Forum, o objetivo é identificar eventuais “movimentações atípicas e comunicações de operações suspeitas” relacionadas ao CPF de Karina e ao CNPJ do Instituto Conhecer Brasil.

O pedido também inclui a decretação de sigilo sobre essa fase da apuração. A investigação busca rastrear o caminho do dinheiro público repassado ao instituto no âmbito do programa WiFi Livre SP, da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Suspeita de desvio para financiar “Dark Horse”
De acordo com o ofício encaminhado à Justiça, os investigadores suspeitam que recursos públicos do programa WiFi Livre SP tenham sido desviados para custear a produção de “Dark Horse”.

No documento, a Polícia Civil aponta “consistentes suspeitas de confusão patrimonial” entre o Instituto Conhecer Brasil e a produtora cinematográfica responsável pelo longa sobre Bolsonaro.

“Há consistentes suspeitas de confusão patrimonial [entre o instituto e a produtora] e de que os recursos públicos do programa ‘WiFi Livre SP’ tenham sido desviados para custear as atividades de produção do referido filme”, afirma o delegado no pedido enviado ao Tribunal de Justiça de São Paulo.

Contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura
A apuração envolve um contrato de R$ 108 milhões firmado pelo Instituto Conhecer Brasil com a Prefeitura de São Paulo para a prestação de serviços de internet wi-fi em pontos da capital.

Segundo os investigadores, empresas subcontratadas e organizações sociais administradas por Karina teriam sido usadas para movimentar parte dos recursos. A Polícia Civil também afirma haver “indícios materiais contundentes” de irregularidades na execução do contrato.

Outro ponto apontado no pedido é a suposta falta de capacidade técnica do Instituto Conhecer Brasil para operar o serviço contratado pela prefeitura. O delegado afirma que o valor cobrado pelo instituto, de R$ 1.800 por ponto de conexão, estaria acima do praticado no mercado.

Pagamento antecipado de R$ 26 milhões
A investigação também considera suspeito o pagamento antecipado de R$ 26 milhões por serviços que ainda não haviam sido executados. Para a Polícia Civil, a antecipação “pode evidenciar o desvio de finalidade na aplicação do dinheiro público municipal”.

Diante dessas suspeitas, os investigadores defendem que a quebra de sigilo financeiro é necessária para rastrear a destinação final dos recursos recebidos pelo Instituto Conhecer Brasil.

“Diante disso, o rastreamento do fluxo financeiro é o único meio capaz de descortinar a destinação final das verbas recebidas pelo Instituto Conhecer Brasil e repassadas de forma suspeita a empresas subcontratadas e às contas pessoais da investigada Karina Ferreira da Gama”, diz outro trecho do documento policial.


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Pesquisa

Avaliação positiva do governo Lula dispara e aprovação chega a 46,6%, aponta pesquisa Meio/Ideia

Novo levantamento aponta crescimento de aprovação de Lula em todas as regiões e faixas etárias, com destaque para jovens, independentes e classe média

Opresidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou um crescimento significativo em sua aprovação e na avaliação de seu governo, segundo a pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quinta-feira (28). O levantamento, realizado entre 23 e 27 de maio de 2026, ouviu 1.500 eleitores e aponta que a aprovação do governo chegou a 46,6%, um aumento de 2,6 pontos percentuais em relação à rodada anterior.

Além da aprovação geral, o índice de avaliação do governo como ótimo ou bom subiu para 35,6%, um avanço de 4,1 pontos percentuais. O percentual de entrevistados que julgam a gestão como regular ficou em 21,7% (+0,7 ponto), enquanto aqueles que a consideram ruim/péssimo caíram para 40,7% (-5,6 pontos). O levantamento tem margem de erro de 2,5 pontos e nível de confiança de 95%.

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Crescimento entre jovens, independentes e classe média
Entre os jovens de 16 a 24 anos, Lula passou de 30% para 48,6% de avaliação positiva, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) caiu de 55,2% para 39,5%. Eleitores independentes, sem posição política definida, aumentaram o apoio a Lula de 40,7% para 45,3%. Na classe média alta, com renda superior a cinco salários mínimos, o presidente também virou o jogo, alcançando 48,6% contra 41,5% do adversário, evidenciando a expansão do apoio em segmentos estratégicos.

A percepção positiva do governo se mantém em áreas críticas: economia, saúde, educação e segurança pública. O levantamento mostra que os avanços nos índices de avaliação se distribuíram de maneira homogênea em todas as regiões do país e em diferentes faixas etárias, reforçando a confiabilidade e a consistência do crescimento da aprovação presidencial.

A pesquisa confirma que Lula mantém não apenas aprovação elevada, mas também apresenta crescimento consistente na avaliação do governo, consolidando sua posição como líder político confiável em todas as regiões e segmentos do eleitorado.

Lula lidera em todos os cenários eleitorais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno das eleições presidenciais, segundo pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quinta-feira (28). O petista soma 46,5% das intenções de voto, enquanto o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) registra 41,4%.

De acordo com o levantamento, a diferença entre os dois pode variar entre 0,1 e 10,1 pontos percentuais, considerando a margem de erro de 2,5 pontos para mais ou para menos. Na rodada anterior, divulgada em 5 de maio, os dois apareciam em empate técnico: Flávio tinha 45,3% contra 44,7% de Lula.

A nova pesquisa mostra uma queda de 3,9 pontos percentuais nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro em menos de um mês. O desgaste ocorreu após a divulgação de um áudio em que o senador pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Forum.


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Política

Flávio e Trump – A autópsia de uma humilhação

Flávio Bolsonaro precisava de uma foto ao lado de Donald Trump para tentar virar a página na crise com seu envolvimento no escândalo do Banco Master. Conseguiu. Mas a imagem é o espelho de uma humilhação.

O chefe, sentado. Aquele que suplica um favor, ao seu lado, quase pedindo desculpas por estar presente. Sequer no mesmo nível ou de mãos dadas.

O encontro não estava na agenda oficial da Casa Branca e nunca foi colocado, mesmo depois de realizado. Um contraste com outros líderes que foram recebidos com tapete vermelho.

Ajude o Barão de Itararé
Flávio entrou no Salão Oval, entregou documentos sobre um apelo para que o PCC seja considerado como um grupo terroristas e fez uma foto.

Trump arranhou um sorriso. Tenso, Flávio nem isso conseguiu.

Uma segunda foto ainda contou com Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro, os articuladores de medidas contra o Brasil.

E o encontro terminou, em poucos minutos.

Nas redes sociais, o presidente americano alertou sobre as condições meteorológicas, deu seu apoio a candidatos para as eleições legislativas e distribuiu memes. Mas não fez referências aos brasileiros que foram ao seu gabinete.

No Palácio do Planalto, a viagem era vista como uma “boia de salvação” para a candidatura de Flávio. Inclusive para alertar aos demais rivais de direita que ele não irá desistir de sua campanha eleitoral.

Como no restante da América Latina que optou por sucumbir ao trumpismo para chegar ou se manter no poder, o bolsonarismo já tem sua foto ao lado daquele que, de fato, dará as cartas se a extrema direita voltar ao poder no Brasil.

A imagem é a autópsia de uma humilhação de um movimento político que joga contra a soberania do país.

Flávio prometeu uma entrevista coletiva após o encontro. Mas já avisou: não responderia sobre nada além da visita aos EUA. A tal da liberdade de expressão que tanto é promovida pelo bolsonarismo parece ter se perdido pelos corredores da Casa Branca. Assim como a dignidade do candidato.

*Jamil Chade/ICL


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