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Atlas/Intel: Lula 9 pontos à Frente de Flavio em Minas Gerais

Levantamento AtlasIntel ouviu 1.804 eleitores no Estado; margem de erro é de 2 pontos percentuais

1º TURNO

O levantamento também mediu as intenções de voto em um cenário de 1º turno da disputa presidencial.

Eis os resultados:

  • Lula (PT) – 44,3%;
  • Flávio Bolsonaro (PL) – 35,4%;
  • Augusto Cury (Avante) – 8,9%;
  • Renan Santos (Missão) – 6,2%;
  • Romeu Zema (Novo) – 1,9%;
  • Ronaldo Caiado (PSD) – 1,4%;
  • Samara (UP) – 0,6%;
  • Edmilson Costa (PCB) – 0,1%;
  • branco/nulo – 0,7%;
  • não sabe – 0,4%

No cenário de 2º turno, Lula também aparece à frente de Flávio, com 48,7% contra 42,1%, uma diferença de 6,6 pontos percentuais. Em votos válidos, o presidente teria 53,7%, contra 46,3% do senador. Lula também lidera os confrontos contra Ronaldo Caiado (PSD), por 48,4% a 41,5%, e Renan Santos, por 48,6% a 30,5%. O cenário mais equilibrado é contra Romeu Zema (Novo): 47,6% para Lula e 46,4% para o ex-governador, uma diferença de 1,2 ponto percentual.


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Política

Prego no caixão do clã: Sete pagamentos, US$ 12,3 milhões e a sombra que chega a Flavio e Eduardo Bolsonaro

A história do chamado Dark Horse acaba de ganhar uma peça que pode mudar radicalmente o peso das suspeitas que cercam o caso. Segundo o relato apresentado à Procuradoria-Geral da República, o empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, confirmou ter realizado sete transferências que totalizaram US$ 12,3 milhões — cerca de R$ 69 milhões na cotação da época — para um fundo nos Estados Unidos administrado pelo advogado Paulo Calixto, ligado a Eduardo Bolsonaro. Os pagamentos teriam sido realizados entre fevereiro e setembro de 2025, a pedido do banqueiro Daniel Vorcaro.

Não se trata, portanto, de uma transferência isolada, de uma operação perdida no emaranhado financeiro ou de uma movimentação cuja existência possa ser simplesmente tratada como detalhe burocrático. São sete pagamentos. São milhões de dólares. E existe um delator apontando a origem e a motivação das transferências.

É justamente essa sequência que torna o episódio politicamente explosivo.

Durante meses, o caso poderia ser apresentado como uma sucessão de coincidências, versões desencontradas e relações financeiras difíceis de rastrear. Agora, porém, surge o relato de alguém que afirma ter participado diretamente das operações. Se as informações forem confirmadas documentalmente pelas autoridades, a pergunta deixa de ser apenas “quem recebeu o dinheiro?” e passa a ser muito mais incômoda: por que um banqueiro como Daniel Vorcaro teria determinado o envio de US$ 12,3 milhões para um fundo ligado ao advogado de Eduardo Bolsonaro?

E há outra questão que não pode ser empurrada para debaixo do tapete: qual era exatamente a finalidade desses recursos?

As reportagens que divulgaram o depoimento relacionam os pagamentos ao financiamento do filme Dark Horse, produção associada à família Bolsonaro. Se essa conexão for comprovada, estaremos diante de uma operação financeira de proporções extraordinárias envolvendo um banqueiro investigado, recursos milionários enviados ao exterior e um fundo administrado por um advogado próximo a Eduardo Bolsonaro.

Isso exige muito mais do que explicações políticas de ocasião.

Exige documentos, contratos, comprovantes bancários, identificação dos beneficiários efetivos e a reconstrução completa do caminho percorrido por cada dólar.

Porque US$ 12,3 milhões não desaparecem em uma conta bancária por acaso.

E sete pagamentos também não são um detalhe.

O que está em jogo agora é uma engrenagem muito mais complexa — uma engrenagem na qual dinheiro, poder político, interesses privados e relações internacionais se encontram em uma mesma operação.

O depoimento do delator não é, por si só, prova definitiva de crime. Mas é uma peça de enorme relevância investigativa. E, justamente por isso, não pode ser tratado como mais uma notícia passageira do noticiário político.

A sociedade tem o direito de saber quem mandou, quem recebeu, para quê, por qual razão e o que foi feito com os recursos.

Porque quando a cifra chega a US$ 12,3 milhões, quando são sete pagamentos, quando o dinheiro atravessa fronteiras e quando aparece no caminho o círculo político ligado à família Bolsonaro, a pergunta deixa de ser apenas financeira.

Passa a ser uma pergunta de interesse público.


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Política

Reação: Diretores da PF entregam cargos em apoio a Andrei Rodrigues

Não foi uma simples nota de solidariedade. Foi um recado institucional. E daqueles que não podem ser ignorados.

Onze diretores da Polícia Federal colocaram seus cargos à disposição após o afastamento do diretor-geral Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, por determinação do ministro André Mendonça. Em manifestação conjunta, a cúpula da corporação declarou apoio aos dois e repudiou as acusações de uma suposta atuação não republicana da PF.

O significado político e institucional desse movimento é gigantesco.

Quando praticamente toda a cúpula de uma das instituições mais importantes da República decide colocar os próprios cargos à disposição, não estamos diante de uma divergência burocrática. Estamos diante de uma crise de confiança.

E a mensagem transmitida pelos diretores é cristalina: não aceitam que a Polícia Federal seja transformada em instrumento de disputas políticas, eleitorais ou de guerras internas entre autoridades da República.

A nota é especialmente contundente ao rejeitar as acusações contra Rodrigues e Almada e ao afirmar que narrativas influenciadas por interesses político-eleitorais não são capazes de apagar suas trajetórias profissionais. Os diretores também afirmam estar cumprindo o dever de defender a instituição contra ataques e tentativas de usurpação de funções.

É preciso prestar atenção a isso.

A Polícia Federal não pertence a ministro do STF, a partido político, a governo ou a grupo eleitoral. A PF pertence ao Estado brasileiro. Sua autonomia operacional e sua credibilidade são patrimônios institucionais que não podem ficar submetidos às conveniências de uma disputa de poder.

O afastamento de Andrei, portanto, deixa de ser apenas o afastamento de um delegado do cargo máximo da corporação. Ele passa a produzir um efeito muito mais grave: coloca em xeque a estabilidade da própria cadeia de comando da Polícia Federal.

E a reação da cúpula mostra que o problema não terminou com a assinatura de uma decisão judicial.

Pelo contrário.

A crise apenas começou.

O mais preocupante é que tudo isso ocorre em meio a uma escalada de conflitos dentro do próprio Supremo, envolvendo a Polícia Federal, Alexandre de Moraes, André Mendonça e as investigações relacionadas ao Banco Master. O julgamento do afastamento ainda está em curso, tendo sido suspenso por pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

Nesse cenário, a decisão dos diretores da PF funciona como um freio institucional.

Eles estão dizendo, em alto e bom som, que reputações construídas durante décadas não podem ser destruídas por acusações lançadas no calor de uma guerra política. E que a Polícia Federal não pode ser arrastada para dentro de uma disputa que ameaça contaminar as próprias instituições da República.

A questão central, portanto, já não é apenas saber quem ficará sentado na cadeira de diretor-geral.

A pergunta é muito maior:

Quem está tentando controlar a Polícia Federal — e por quê?

Porque, quando onze diretores colocam seus cargos à disposição para defender a independência da corporação, o episódio deixa de ser uma briga entre autoridades.

Passa a ser um teste para a própria democracia brasileira.


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Política

Freio: Gilmar Mendes pede vista e congela julgamento sobre o afastamento do diretor-geral da PF

O pedido de vista de Gilmar Mendes não é um detalhe burocrático. Ele interrompe um julgamento que já caminhava para confirmar uma das decisões mais explosivas tomadas recentemente dentro do Supremo Tribunal Federal: o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada, determinado por André Mendonça.

E há uma ironia difícil de ignorar: enquanto a crise entre ministros do STF se aprofunda, a Polícia Federal acaba colocada no centro de uma disputa institucional que envolve os próprios integrantes da Suprema Corte.

Mendonça justificou o afastamento com base em relatórios de inteligência que, segundo sua decisão, teriam ultrapassado os limites da atividade policial e produzido informações sobre autoridades, decisões judiciais e integrantes do próprio Estado. O ministro afirma ter sido alvo de monitoramento ilícito e determinou investigações para descobrir quem produziu, determinou e divulgou esses documentos.

Mas é justamente aí que a questão se torna muito maior do que a permanência ou não de um delegado no comando da PF.

Quem fiscaliza quem quando os próprios ministros do Supremo passam a ser personagens centrais da disputa?

O afastamento de um diretor-geral da Polícia Federal por decisão individual de um ministro do STF, em meio a uma crise que envolve outros ministros da Corte, exige muito mais do que decisões tomadas a portas fechadas e disputas de versões. Exige transparência, colegialidade e, sobretudo, limites institucionais claros.

A própria Advocacia-Geral da União anunciou que pretende contestar o afastamento e sustenta que a competência para nomear e retirar o diretor-geral da PF pertence ao presidente da República.

Por isso, o pedido de vista de Gilmar Mendes pode ter um efeito que ultrapassa o calendário do julgamento. Ele freia a confirmação de uma medida que já havia obtido maioria na Segunda Turma, mas não suspende, por enquanto, o afastamento: a decisão cautelar de Mendonça continua produzindo efeitos.

O problema central, portanto, permanece.

Não estamos diante de uma simples divergência jurídica. Estamos diante de uma escalada de conflitos entre ministros, Polícia Federal, AGU e personagens envolvidos nas investigações relacionadas ao Banco Master. E quando instituições que deveriam funcionar como freios e contrapesos passam a aparecer umas contra as outras, a sociedade tem o direito de perguntar quem está efetivamente garantindo o equilíbrio do sistema.

Gilmar Mendes ganhou tempo. Mas o STF não ganhou uma solução.

O julgamento foi interrompido, a crise permanece aberta e o comando da Polícia Federal continua submetido às consequências de uma decisão que já provocou forte reação institucional.

A questão agora é saber se o Supremo utilizará esse tempo para esclarecer os fatos e restabelecer critérios objetivos — ou se o pedido de vista será apenas mais um capítulo de uma crise, que tem como protagonista o ministro André Mendonça, em que cada decisão parece produzir uma nova crise.

Porque, quando a disputa pelo controle das instituições chega ao ponto de envolver o comando da Polícia Federal e os próprios ministros que deveriam arbitrar o conflito, já não basta perguntar quem ganhou uma votação. É preciso perguntar o que está acontecendo com as instituições brasileiras e, principalmente, por que André Mendonça tomou tal decisão e o que está por trás.


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Política

Golpe: Mendonça afasta Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8) o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. A decisão também atinge o delegado Leandro Almada, diretor de inteligência policial da corporação.

Segundo Mendonça, a medida busca impedir possíveis interferências nas investigações e garantir que ministros do STF, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e servidores da PF exerçam suas funções “sem constrangimentos ilegais”. O ministro também determinou a abertura de uma investigação na Corregedoria da Polícia Federal para apurar as circunstâncias da produção dos relatórios de inteligência.

Na decisão, Mendonça afirma que documentos produzidos pela inteligência da PF revelam a realização de “monitoramento e coleta dirigida” contra ele próprio e Jorge Messias. Segundo o ministro, os relatórios teriam sido elaborados entre 3 e 31 de agosto, indicando que a coleta de informações ocorria havia mais de um mês.

Mendonça também classifica os documentos como apócrifos e aponta que eles não apresentam timbre ou outros elementos capazes de comprovar autoria, procedência e data de elaboração. Em outro trecho, sustenta que os relatórios chegaram a analisar decisões judiciais, a atuação da Advocacia-Geral da União e o trabalho de policiais federais.

O ministro afirma ainda que a permanência de Andrei e Almada nos cargos poderia permitir acesso a sistemas, informações e estruturas capazes, em tese, de comprometer as apurações, inclusive com conhecimento antecipado de diligências, influência sobre pessoas ou dificuldades para obtenção e preservação de provas.

“A suspensão cautelar de função pública é constitucionalmente admissível quando fundada em elementos concretos, submetida à proporcionalidade e destinada a neutralizar risco efetivo à persecução penal ou de utilização indevida das prerrogativas funcionais”, escreveu Mendonça.

O isolamento do chefe da PF dentro do governo

A decisão foi tomada após pedidos apresentados pelo partido Novo. Inicialmente, a legenda solicitou medidas para preservar a independência das investigações depois que mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro mencionaram Andrei Rodrigues. Posteriormente, o partido pediu a prisão preventiva do diretor-geral da PF, mas Mendonça optou pelo afastamento cautelar.

O caso amplia a crise no Supremo após Alexandre de Moraes divulgar relatórios atribuídos à Polícia Federal que levantam suspeitas sobre a atuação de Mendonça na condução de investigações. Na decisão desta terça, Mendonça sustenta que o material é tecnicamente irregular e afirma que sua produção e circulação podem ter comprometido investigações em andamento.

*ICL


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Política

Allan dos Santos detonou Nikolas Ferreira. E o mais interessante é que Allan raramente entra em campo sem o diapasão de Eduardo Bolsonaro

Allan dos Santos resolveu atacar Nikolas Ferreira — e o episódio merece ser observado com atenção, não apenas pelo que foi dito, mas pelo que revela sobre a guerra interna pelo comando político e discursivo da direita bolsonarista.

É evidente que não se pode afirmar, sem provas, que Allan esteja cumprindo uma orientação de Eduardo Bolsonaro. Mas também seria ingenuidade tratar como irrelevante a proximidade política entre os dois. Allan construiu sua atuação pública dentro do núcleo mais radical do bolsonarismo e Eduardo Bolsonaro é uma de suas principais referências políticas. Quando esse ambiente passa a mirar Nikolas, a pergunta que se impõe é inevitável: o que está em disputa?

E Nikolas Ferreira está longe de ser uma vítima inocente dessa disputa.

O deputado construiu sua carreira política explorando justamente a radicalização do discurso, a guerra cultural, a indignação permanente nas redes sociais e a transformação da política em espetáculo digital. Tornou-se uma máquina de comunicação e aprendeu rapidamente que, no ecossistema bolsonarista, visibilidade é poder.

Mas há uma diferença entre ser um grande fenômeno de redes sociais e apresentar-se como liderança política capaz de sustentar um projeto nacional.

Nikolas acumulou seguidores, audiência e capital eleitoral. O problema é que esse crescimento também alimenta uma característica recorrente de sua atuação: a política reduzida à provocação, ao confronto e ao cálculo de engajamento. É muito mais fácil incendiar uma rede social do que apresentar respostas consistentes para os problemas concretos do país.

E é justamente por isso que o ataque de Allan dos Santos ganha outra dimensão.

A disputa não parece ser apenas sobre Nikolas. É sobre quem terá o direito de ocupar o espaço deixado pela crise e pela fragmentação do bolsonarismo.

Nikolas quer esse espaço. Eduardo Bolsonaro também é um dos personagens que disputam influência sobre esse eleitorado. E Allan, ao atacar Nikolas, entra diretamente nesse ambiente de disputa.

O curioso é que Nikolas, que tantas vezes se apresenta como dono de uma espécie de autoridade moral sobre a direita, agora experimenta uma velha regra da política que parece ter aprendido apenas quando o alvo deixou de ser o adversário tradicional: quem constrói sua carreira na lógica do ataque também precisa estar preparado para ser atacado pelos seus próprios aliados.

E talvez essa seja a parte mais reveladora.

Quando o conflito era contra adversários externos, Nikolas desfrutava do conforto de falar para uma plateia praticamente homogênea. Agora, ao crescer dentro do próprio campo, passou a ocupar um território que já tem donos, pretendentes e herdeiros.

O ataque de Allan, portanto, expõe uma fragilidade que Nikolas não consegue resolver com vídeos, cortes ou frases de efeito: a direita radical também tem sua guerra de sucessão.

E nessa guerra ninguém é apenas vítima.

Nikolas ajudou a construir o ambiente político em que a agressividade, a desqualificação do adversário e a política transformada em espetáculo se tornaram ferramentas de ascensão. Agora, ao ser atingido pela mesma lógica, não pode fingir surpresa.

No final das contas, há uma ironia poderosa nesse episódio: os personagens que passaram anos dizendo que estavam unidos por princípios começam a revelar que, quando chega a hora de disputar poder, os princípios cedem rapidamente lugar à velha e conhecida briga pelo espólio.

E Nikolas Ferreira, que parecia tão confortável atacando os outros, começa a descobrir que crescer dentro desse universo tem um preço: quanto maior o espaço que ocupa, maior o número de aliados que passam a enxergá-lo como concorrente.

Lembrando que Nikolas Ferreira é mais um dos bolsonaristas que aparecem envolvidos com Daniel Vorcaro.


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Deputada do PT, Natália Bonavides, denuncia ameaça de estupro e esquartejamento

A deputada federal Natália Bonavides (PT-RN), candidata à reeleição, afirmou ter recebido uma mensagem com ameaças de estupro e esquartejamento. Segundo a parlamentar, o conteúdo descrevia como os crimes seriam cometidos e continha dados pessoais de familiares e pessoas próximas, incluindo CPFs, endereços e outras informações. Bonavides informou que as provas foram encaminhadas às autoridades para que os responsáveis sejam identificados e punidos.

“Receber uma ameaça de estupro e esquartejamento, com detalhes de como esses crimes seriam cometidos, já seria algo de extrema gravidade. Mas essa mensagem foi além, também trouxe CPFs, endereços e informações de pessoas próximas a mim e à minha família”, relatou a deputada em uma publicação nas redes sociais.

Bonavides afirmou que não se trata do primeiro episódio de ameaça ou intimidação que enfrenta. Segundo ela, em 2024 recebeu uma mensagem na qual o autor dizia que iria “dar cabo dela” em um canavial. A parlamentar também mencionou um episódio em que uma pessoa teria defendido publicamente que ela fosse “metralhada”. Mais recentemente, nesta semana, afirmou ter sido filmada e xingada durante uma abordagem feita por um candidato do PL.

“Esse é um método da extrema direita, ainda mais em período eleitoral, de intimidar, perseguir, ameaçar e tentar nos afastar da política. Nesta mesma semana, fui alvo da perseguição de um candidato do PL, que tentou me intimidar enquanto me filmava e fazia xingamentos. Eles querem que tenhamos medo e que deixemos de ocupar os espaços de decisão”, escreveu.

Para a deputada, os episódios configuram violência política de gênero e estão relacionados ao machismo e à disseminação de discursos de ódio contra mulheres que ocupam espaços de poder. Bonavides afirmou que pretende continuar exercendo sua atividade política apesar das ameaças.

“Não vou recuar. Tenho muito trabalho pela frente e muita coisa para fazer pelo povo do RN e do Brasil”, declarou.

A parlamentar afirmou que entregou às autoridades as evidências relacionadas às ameaças. A expectativa é de que os órgãos responsáveis investiguem a origem das mensagens, identifiquem os autores e avaliem a eventual responsabilização criminal.


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Política

DOC3 da PF: controle de dados imposto por Mendonça esconde autores de vazamentos criminosos

Relatório da PF aponta riscos no controle de dados das operações relatadas por Mendonça, analisa o colunista Jeferson Miola

A denúncia do ministro André Mendonça pelo colega Alexandre de Moraes se fundamentou em quatro relatórios de inteligência da Polícia Federal.

No primeiro relatório, denominado DOC1, a Inteligência da PF descreveu “possível avanço [de Mendonça] sobre competência do Plenário e sobre prerrogativas de membros do Ministério Público”.

No segundo documento, o DOC2, a PF discorreu sobre “a postura da Advocacia-Geral da União e o quadro de risco associado”. Nele, analisou hipóteses para a decisão do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, de não representar judicialmente contra Mendonça em relação aos atropelos e ilegalidades cometidos por ele para alcançar objetivos políticos.

Já o DOC3 analisou os riscos e problemas decorrentes da determinação do ministro André Mendonça de controlar de modo concentrado e exclusivo os dados das investigações.

O relatório registra que “o acesso aos acervos sensíveis da operação encontra-se concentrado em servidora determinada”, a agente da PF Letícia Magalhões Espósito, que mantém sob seu controle exclusivo os dados extraídos de aparelhos celulares, e o acesso à totalidade das informações do sistemas de investigações de movimentações bancárias.

Tal servidora era referida pela equipe como “CEO da operação”, tamanha a influência e o poder que Mendonça conferiu a ela.

A PF alerta que “o arranjo descrito é incompatível com o regime de tratamento de informação sigilosa da instituição”. Desrespeita os protocolos, instruções normativas e normas legais que permitem a identificação de destinatários, os termos de custódia do material, e, o “mais grave do ponto de vista operacional: elimina a auditabilidade”.

Este aspecto é crítico, pois “com o controle individual [dos dados], não há registro de quem acessou o quê e quando, tornando materialmente inviável qualquer rastreamento na hipótese de vazamento”.

O relatório reporta um episódio específico, de publicação na revista Piauí [8/8] de “imagem extraída do aparelho celular do Senador Weverton Rocha que não integrava os autos”, mas que “havia sido inserida [indevidamente] em minuta de informação de Polícia Judiciária pela servidora [da confiança de Mendonça] e posteriormente retirada, por orientação da autoridade, sob o fundamento de que produzia exposição desnecessária de pessoas politicamente expostas sem acrescer” nada à investigação.

A Inteligência da PF avalia “existir risco aumentado de vazamento” devido à “concentração de acesso não auditável” na única pessoa autorizada por Mendonça.

O relatório enfatiza que a determinação do ministro-relator de que o acervo bruto apreendido seja remetido antecipadamente a ele, portanto, com “cópias remetidas para fora do ambiente policial, multiplica os pontos de exposição e torna ainda mais improvável a identificação da origem de eventual vazamento”.

Esse procedimento que vulnerabiliza o controle e o sigilo de dados é ilegal, diz a PF: “a cadeia de custódia dos artigos 158-A a 158-F do Código de Processo Penal pressupõe rastreabilidade em todos os elos; o arranjo atual não a assegura no primeiro deles”.

É lógico se deduzir que este arranjo imposto pelo ministro Mendonça à PF favoreceu os vazamentos criminosos sobre Fábio Luís para a mídia lavajatista e antipetista. E é inferível, pelas mudanças de protocolo impostas pelo ministro Mendonça nas investigações, que os vazamentos tiveram como uma única origem o próprio gabinete dele.

Como anotado no artigo André Mendonça é o Sérgio Moro desta eleição, “se todas provas estão armazenadas no gabinete do Mendonça, e se somente pessoas autorizadas por ele podem acessar os documentos, qual seria o outro lugar que não o gabinete dele, e quem, se não alguém com acesso permitido ao gabinete dele, poderia estar abastecendo setores da imprensa com os vazamentos?”.

Outra inferência pode ser feita, porém de sentido contrário ao ocorrido com Fábio Luís: a de que a não-ocorrência de vazamentos sobre os depósitos milionários de Daniel Vorcaro a Flávio Bolsonaro em contas nos EUA também é decidido por quem controla os dados, ou seja, o próprio gabinete do ministro-relator.

Diante das evidências de que os vazamentos criminosos sobre Fábio Luís se originaram em âmbitos e contextos do conhecimento do ministro Mendonça, a ordem dele para a PF apurar os vazamentos soam como jogo de cena.

*Jeferson Miola/247


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Política

Mendonça vira cabo eleitoral de Flávio Bolsonaro e infla ato de 7 de Setembro

O que deveria ser uma data de celebração da Independência do Brasil está sendo transformado pelo bolsonarismo em palanque eleitoral. E, no centro dessa operação, surge uma figura que jamais deveria ocupar o papel de cabo eleitoral de candidato algum: o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça.

A crise instalada no STF, agravada pelo embate entre Mendonça e Alexandre de Moraes e pelas revelações envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro, passou a ser explorada politicamente pela campanha de Flávio Bolsonaro. O objetivo é evidente: transformar uma disputa institucional em combustível eleitoral e usar o 7 de Setembro como demonstração de força da candidatura do filho de Jair Bolsonaro.

Mendonça, indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro, tornou-se uma espécie de novo herói para a militância bolsonarista. Nos atos programados para o 7 de Setembro, aliados de Flávio pretendem apresentá-lo como contraponto a Moraes, enquanto os slogans “Fora, Moraes” e “Fora, Lula” ajudam a transformar a manifestação em um evento claramente político-eleitoral.

É aí que a história ganha contornos ainda mais preocupantes.

Quanto mais a crise no Supremo é alimentada, mais espaço se abre para Flávio Bolsonaro ocupar o centro do discurso da extrema direita. O conflito institucional passa a funcionar como palanque; a indignação política vira ferramenta de mobilização; e o ministro do STF acaba convertido em personagem de campanha.

Não por acaso, aliados do próprio candidato admitem que o 7 de Setembro estava com dificuldades de mobilização e que a crise envolvendo Mendonça e Moraes deu novo fôlego à manifestação. Ou seja: a temperatura institucional subiu justamente quando a candidatura precisava de uma pauta capaz de levar sua militância às ruas.

A operação é politicamente conveniente demais para ser ignorada.

Flávio precisa de multidões. Precisa de imagens. Precisa de um inimigo capaz de unificar sua base. Precisa, sobretudo, transformar a eleição presidencial em um plebiscito sobre o STF e sobre Alexandre de Moraes. E Mendonça, voluntariamente ou não, acabou fornecendo o combustível perfeito para essa estratégia.

O problema é que instituições da República não podem ser utilizadas como extensão de campanhas eleitorais.

Um ministro do Supremo não deveria ser transformado em ídolo de manifestação partidária. Muito menos em símbolo de uma candidatura presidencial. Quando isso acontece, a fronteira entre a atuação institucional e a disputa política começa a desaparecer — justamente quando deveria ser mais nítida.

O 7 de Setembro pertence ao Brasil, não a Flávio Bolsonaro. A Independência pertence aos brasileiros, não a um partido, a um grupo político ou a uma candidatura.

Transformar a data em palanque eleitoral e usar uma crise no STF para inflar manifestações pode até produzir imagens fortes e gerar manchetes. Mas também revela o tamanho da instrumentalização política das instituições e dos símbolos nacionais.

No fim, Mendonça pode até não ter pedido o papel de cabo eleitoral. Mas é exatamente esse papel que a máquina bolsonarista está lhe atribuindo: o de protagonista de uma crise institucional que Flávio Bolsonaro pretende transformar em votos.

E quanto maior a crise, maior o palanque.


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Política

PF aponta possível atuação de Mendonça para favorecer anistia dos criminosos do 8 de Janeiro

Relatório levantado por Alexandre de Moraes aponta possível estratégia para mudar forças no STF e favorecer anistia

O que parecia ser apenas mais um capítulo da guerra interna do Supremo Tribunal Federal ganhou uma dimensão ainda mais grave. Relatórios de inteligência da Polícia Federal levantaram a hipótese de que o ministro André Mendonça teria atuado para alterar a correlação de forças dentro da Corte e, com isso, criar condições políticas e jurídicas mais favoráveis a uma eventual anistia dos envolvidos na tentativa de golpe de Estado e nos crimes de 8 de Janeiro.

Segundo o material da PF, a chamada “recomposição de forças” no STF poderia produzir um novo equilíbrio capaz de facilitar a aprovação de uma anistia ampla. O documento chega a estabelecer, em sua linha de raciocínio, que essa recomposição poderia “viabilizar anistia” para os crimes cometidos durante a tentativa de ruptura democrática.

É uma acusação politicamente explosiva. Afinal, o 8 de Janeiro não foi uma manifestação política qualquer: tratou-se de uma ofensiva contra as instituições democráticas, com invasão e depredação das sedes dos Três Poderes. Qualquer tentativa de modificar artificialmente a composição de uma Corte para produzir um resultado favorável aos responsáveis por aqueles atos levantaria uma questão fundamental: estaria o poder judicial sendo utilizado para construir uma saída política para os derrotados da tentativa de golpe?

O relatório, porém, faz uma ressalva essencial: a conclusão sobre a intenção estratégica de Mendonça é descrita pela própria PF como “integralmente inferencial”. Além disso, o documento é classificado como material de inteligência, sem valor probatório formal. Portanto, as suspeitas precisam ser investigadas e submetidas ao contraditório antes que se possa falar em responsabilidade comprovada.

Ainda assim, a gravidade do conteúdo não pode ser minimizada. A PF também apontou diferenças de tratamento na condução de investigações e questionou a atuação de Mendonça em casos envolvendo ministros do próprio STF. Alexandre de Moraes, diante do conjunto de informações, pediu que Mendonça fosse investigado por possíveis crimes como abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

O episódio coloca o Supremo diante de uma situação institucional extraordinariamente delicada. Se a hipótese da PF estiver errada, ela precisa ser desmontada com fatos, documentos e transparência. Se houver fundamento, é indispensável descobrir até onde teria ido uma eventual articulação para mudar o equilíbrio da Corte e favorecer os responsáveis pelo 8 de Janeiro.

E há uma pergunta que não pode ser evitada: quem ganha quando a responsabilização dos golpistas é substituída pela tentativa de reescrever o resultado dos julgamentos?

A democracia não pode ser tratada como uma disputa de bastidores em que a composição de uma Corte seja manipulada para produzir previamente o resultado desejado. O 8 de Janeiro exige investigação rigorosa, julgamento com devido processo legal e responsabilização individual — não atalhos políticos para apagar os crimes cometidos contra a democracia.

Por isso, o relatório da PF precisa ser examinado com a máxima seriedade. Não para condenar antecipadamente André Mendonça, mas para impedir que uma suspeita dessa magnitude seja simplesmente empurrada para debaixo do tapete. Quando a própria Polícia Federal levanta a hipótese de que movimentos dentro do STF poderiam estar relacionados à criação de condições para anistiar criminosos do 8 de Janeiro, o que está em jogo já não é apenas a disputa entre ministros: é a integridade das instituições que sustentam a democracia brasileira.

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