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O PCC que atormenta Trump, é o Partido Comunista Chinês

Os Estados Unidos são, disparado, o país que mais consome e comercializa drogas no mundo. Ou seja, o maior consumo absoluto e financeiro está justamente lá.

O país, presidido por Donald Trump, é o principal destino financeiro do narcotráfico global. Conforme dados compilados pelo Escritório das Nações Unidas sobre drogas e crime organizado, os EUA enfrentam uma grave crise de saúde pública.

O consumo de fentanil e outros sintéticos gera um mercado de bilhões de dólares e altos índices de overdose.

Os EUA são, historicamente, considerados o maior mercado consumidor de drogas ilícitas no mundo em valores econômicos e volume absluto. O país também lidera o comércio financeiro do narcotráfico pelo alto poder aquisitivo da população e pela forte demanda por opióides sintéticos, como fentanil e cocaína.

O cenário global do tráfico e consumo divide-se de forma específica entre consumo proporcional e comercialização e os EUA são o líder de todos esses quesitos.

Por isso, terceirizam a produção para o México e Colômbia e pulverizam a distribuição das drogas por todo o território norte-americano debaixo das barbas da CIA, do FBI, etc.

Se os EUA não conseguem resolver esse gigantesco comércio e consumo dentro do próprio território, como quer resolver essa questão em país alheio?

Aliás, essa é a principal crítica feita por especialistas em segurança pública e relações internacionais à política externa dos EUA.

É de fato uma estrondosa contradição entre suas ações internas e externas.

A tal guerra às drogas, que os americanos fantasiam, é uma balela estratégica para se meter em outros países, impondo sanções econômicas e classificando grupos estrangeiros como terroristas, como faz agora com o Brasil.

Na verdade, no caso brasileiro, além do olho gordo de Trump nas terras raras, na Amazônia, no petróleo e até mesmo na água, a China, a maior parceira comercial do Brasil, tendo o nosso país como principal destino de seus investimentos, que chegam a 10%, é o grande calcanhar de Aquiles dos EUA.

Pouco ou nada adianta Trump ficar nesse cerca frango para impedir a China de continuar a tratorar a economia americana, porque não tem capacidade nenhuma de disputar o mercado global com ela.

Os problemas são muitos e se acumulam e detonam o próprio mandato de Trump, que hoje vê a inflação americana crescer, a economia estagnar e, logicamente, sua rejeição explodir, tendo apenas 32% de aprovação.

Para os americanos, o demônio é muito mais feio que o próprio pinta.

Mas a coisa não para por aí, para Trump seguir tentando ficar de pé com o populismo que lhe é peculiar, sua situação política fica cada vez pior, sobretudo com o fracasso da política de tarifas, que não aterou em nada positivamente os números da economia americana, somado à humilhante derrota da bradada super potência para o Irã, tendo que sair do país persa com o rabo entre as pernas.

E se não pode militarmente com o Irã, que fará com a China.

Que fique claro que o problema de Trump não é o PCC brasileiro (Primeiro Comando da Capital), mas sim, o PCC chinês (Partido Comunista Chinês), que avança de forma cada vez mais acelerada em Inteligência Artificial, transição energética, semicondutores e domínio do mercado global de veículos elétricos, pressionando a liderança tecnológica de Washington.

Ou seja, não tem nada de Flavio, comparsa de narcomilicianos e outros bichos soltos com relações pesadas com o PCC nativo e com o Comando Vermelho.


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Vídeo: Paraguai manda retirar painéis após montagem com Bolsonaro causar confusão

Telões mostravam Bolsonaro agredindo o jogador Gustavo Gómez em meio a provocações contra o Paraguai

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, afirmou, na noite desta sexta-feira (29), que ordenou a retirada de painéis de LED em Ciudad del Este, na fronteira com o Brasil, após a exibição de uma montagem com o ex-presidente Jair Bolsonaro ao lado de provocações políticas e futebolísticas que provocou confusão.

As imagens incluíam uma cena em que Bolsonaro aparece agredindo o jogador Gustavo Gómez, convocado pela seleção paraguaia para a Copa do Mundo, com a frase “Paraguai derrotado”. O conteúdo foi exibido em pelo menos três painéis eletrônicos da cidade. Moradores destruíram um dos telões.

A montagem dizia que o “Brasil mandou e desmandou no campo e na política”. A imagem era acompanhada da imagem de Bolsonaro sentado nas costas do jogador, puxando-o pelos cabelos. No canto inferior da montagem, havia a provocação “o Hexa é nosso”.

Nas redes sociais, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, lamentou o episódio e anunciou a retirada de todos os painéis na cidade. “Ordenei ao Ministério de Obras Públicas e Comunicações a remoção de todas essas estruturas, bem como de quaisquer outras instalações não autorizadas que ocupem espaços públicos, dentro do âmbito das competências legais que a instituição vem exercendo em diversas partes do país”, publicou.

Empresas afimam que painéis foram alvo de invasão hacker
As empresas responsáveis pelos espaços publicitários, Fast Print e Publimix, afirmaram que os sistemas foram alvo de invasão hacker. As empresas afirmaram que o conteúdo foi divulgado por meio de “manipulação não autorizada” das telas publicitárias.

“As informações preliminares apontam para atos ilícitos de invasão hacker da estrutura publicitária”, informaram. As empresas disseram ainda que uma denúncia criminal está sendo formalizada junto à Promotoria de Crimes Cibernéticos no Paraguai.

As imagens também foram exibidas em um outdoor ligado à loja New Zone, que informou que não teve participação na divulgação do conteúdo e que solicitou esclarecimentos imediatos à empresa responsável pelos anúncios, além da retirada das imagens.

O Departamento de Segurança Turística do Paraguai afirmou que equipes policiais acompanharam a confusão para evitar confrontos e preservar a segurança no local.

A prefeitura de Cidade do Leste afirmou que abriu uma investigação administrativa para apurar o caso e identificar os responsáveis pela divulgação das imagens. A administração municipal repudiou os anúncios e informou que irá analisar possíveis sanções e multas contra as empresas responsáveis pelas estruturas publicitárias.

*ICL


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Em pacto com bolsonarismo, Trump põe Brasil no foco de sua ‘guerra’ pela América Latina

Decisão de designar PCC e CV como terroristas é parte da estratégia da Casa Branca de controle militar na América Latina

Com Flávio Bolsonaro e a extrema direita brasileira, o governo de Donald Trump anuncia que designarão os grupos criminosos PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras, abrindo o caminho para adotar sanções e mesmo medidas militares contra os criminosos. Ao classificar os grupos como terroristas, o governo dos EUA também transforma suas bases e operações em alvos legítimos de um ataque militar, mesmo em território estrangeiro, e transforma o Brasil no foco de sua doutrina de controle da América Latina.

Nos últimos meses, documentos da Casa Branca explicitaram que havia uma intenção deliberada de militarizar a região e colocar os cartéis como foco do combate contra o terrorismo internacional. Combater o PCC e o CV, portanto, passou a ser apenas um argumento para chegar a esses objetivos.

Pela doutrina americana, o combate ao terrorismo internacional justifica ações em qualquer parte do mundo, inclusive violando a soberania de países.

Para representantes do alto escalão do Palácio do Planalto, a decisão de Trump agora coloca o Brasil como alvo de sua “guerra”.

Bomba atômica
A decisão une, no fundo, os interesses bolsonaristas à estratégia militar de Trump. O gesto foi interpretado pelo governo brasileiro como uma tentativa de Flávio Bolsonaro de usar uma ‘bomba atômica’ para salvar sua candidatura para presidente e tentar, assim, enterrar a crise envolvendo sua relação com Daniel Vorcaro.

O recurso à designação do crime organizado como grupos terroristas ainda é a esperança do bolsonarismo para obrigar o país inteiro a debater a nova realidade no cenário político nacional, deixando suas polêmicas em segundo plano.

O trunfo de Flávio foi ainda visto como uma manobra para se apresentar como a suposta liderança para tratar de crime organizado e ainda sufoca outros nomes da direita que, diante de sua crise com Vorcaro, esperavam que ele abandonasse a corrida.

Para o governo brasileiro, porém, o gesto é tanto uma ingerência na eleição brasileira como uma violação da soberania.

Flávio Bolsonaro não tinha viagem planejada para os EUA. Mas, diante dos questionamentos até mesmo por aliados sobre a viabilidade de sua candidatura, o filho do ex-presidente tentou um “tudo ou nada” em Washington.

Com o anúncio, o PCC e o CV entraram numa lista que já inclui mais de uma dezena de outras organizações criminosas da região. São elas:

México: Cartel de Sinaloa, Cartel Jalisco Nova Geração , Cartel do Golfo, Los Zetas;
Colômbia: Clã do Golfo;
Haiti: G9 e Família;
Equador: Los Choneros.

A decisão ainda corre o risco de abalar a suposta “boa química” que existiria entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. O combate ao crime organizado foi um dos principais pontos da reunião entre os dois líderes, há duas semanas.

Mas uma decisão dessa natureza ameaça descarrilhar o trabalho diplomático de aproximação. O governo brasileiro acreditava que havia neutralizado o risco ao propor um programa conjunto para lidar com o crime organizado.

A pauta não se limita ao combate ao crime. Entre diplomatas, o tema é também um instrumento político de pressão. A classificação como terroristas era uma reivindicação de bolsonaristas que, ao colocar o tema como centro da relação com o Brasil, buscam o envolvimento direto do governo Trump na agenda doméstica do país.

Flávio Bolsonaro chegou a sugerir a necessidade de uma ação americana em território brasileiro. Ele recebeu uma delegação americana ainda em 2025 para debater o tema e deu seu sinal favorável à medida. Um suposto dossiê ainda foi preparado pelo governo de Cláudio Castro, no Rio de Janeiro, e mandado para a Casa Branca, com detalhes sobre os grupos criminosos.

Dentro do governo, existe ainda a suspeita de que informações possam ter sido passadas pelo ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência, Alexandre Ramagem, e que hoje vive nos EUA.

Ao ICL Notícias, a chefia da Polícia Federal confirmou que sequer aceitou receber essa delegação do Departamento de Estado norte-americano, em 2025, que queria convencer o Brasil a também classificar os grupos como terroristas. A delegação acabou sendo recebida pelo Ministério da Justiça e pelo Itamaraty e, em ambos, ouviu que o Brasil não seguiria na mesma linha.

Em 2025, um informe do Departamento de Estado norte-americano obtido pela reportagem indicou que “a organização criminosa brasileira Primeiro Comando da Capital (PCC) e cartéis do México e da Colômbia intensificaram suas atividades na Bolívia”. “Esses atores representam novos e significativos desafios para o controle do narcotráfico na Bolívia”, disse.

Num outro trecho, o informa aponta que “as organizações transnacionais de narcotráfico, especialmente o Primeiro Comando da Capital (PCC), representam a principal ameaça à segurança nacional do Brasil”. “Segundo a Polícia Federal (PF), o PCC opera em 22 dos 27 estados brasileiros e atua em pelo menos 16 países ao redor do mundo, incluindo os Estados Unidos”, apontou.

Alvo militar e sanções
Um dos temores das autoridades brasileiras é de que, com a designação, as operações do PCC e do CV se transformem em alvos legítimos de ataques militares dos EUA.

Semanas depois de designar grupos colombianos como terroristas, o governo Trump intensificou os ataques contra barcos na costa do país sul-americano.

Nas últimas semanas, o governo Trump lançou ofensivas contra o narcotráfico no México e no Equador. Em ambos, o discurso foi de que se tratou de uma operação conjunta. Mas, entre latino-americanos, a “cooperação” é apenas uma forma de os governos locais se justificarem diante de suas populações.

Trump ainda sinalizou seu interesse em transformar o tema do narcotráfico num instrumento de controle da região. O americano, ao lado de uma dezena de países latino-americanos em março, anunciou a criação de uma “aliança” militar contra os grupos criminosos.

Seu discurso foi revelador. Num certo momento, ele explicou que fará com o narcotráfico o mesmo que os EUA fizeram com o Estado Islâmico. Ou seja, bombardear em territórios estrangeiros.

Em um tom de brincadeira, ele ainda avisou aos demais presidentes da região: “vocês querem mísseis? Posso também bombardear. Esses mísseis são precisos”.

*Jamil Chade/ICL

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Crime organizado, carimbo de terrorista

Casa Branca classifica o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações que propagam o terror, e abre caminho para ações unilaterais de forças de segurança dos EUA. Para Celso Amorim, ato é “pretexto para intervenção”

Em nota oficial, Marco Rubio afirma que os EUA vão usar “todas as ferramentas disponíveis para garantir a segurança do povo americano”

O governo dos Estados Unidos (EUA) decidiu denominar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como “organizações terroristas estrangeiras”. O ato é similar ao adotado pela Casa Branca para classificar quadrilhas ligadas ao narcotráfico no México e na Venezuela como grupos que praticam o terror a nível internacional. A decisão foi emitida por meio de um comunicado assinado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, um dos principais nomes do governo do presidente Donald Trump.

“O Comando Vermelho e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntos, eles comandam milhares de integrantes e orquestraram ataques brutais contra policiais brasileiros, autoridades públicas e civis. Sua influência e redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, alcançando toda a nossa região e, também, o nosso país”, sustenta Rubio, na nota.

O instrumento utilizado pelo governo norte-americano para definir os grupos como terroristas é a Ordem Executiva 13.224 — editada pelo presidente George W. Bush logo após o ataque ao World Trade Center, em setembro de 2001. O objetivo da norma é facilitar a ação dos Estados Unidos para desmantelar grupos terroristas fora das fronteiras do país, mas que geram uma “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia” dos EUA.

Ainda de acordo com a nota publicada ontem, o Departamento de Estado informou que o governo Trump seguirá utilizando “todas as ferramentas disponíveis” para proteger a nação e os interesses de segurança nacional do país, “mantendo drogas ilícitas fora de nossas ruas e interrompendo as fontes de receita que financiam narcoterroristas violentos”. A medida entra em vigor, oficialmente, em 5 de junho.

Amorim responde
No Brasil, não houve resposta oficial do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva até o fechamento desta edição. Mesmo assim, o assessor-chefe da Assessoria Especial do presidente, Celso Amorim, comentou sobre a medida no Fórum Internacional de Segurança, em Moscou, na Rússia. Segundo ele, a iniciativa norte-americana pode servir de “pretexto para intervenção” no Brasil, reforçando a preocupação já manifestada pelo próprio Lula e outros membros do governo.

“Segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento socioeconômico. Crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção é inaceitável”, afirmou o secretário.

*Correio Braziliense

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Milei fecha acordo militar com Trump para patrulha do Atlântico Sul

Iniciativa acende alerta no Brasil e ocorre depois de Paraguai também fechar acordo para ter base dos EUA; militarização da região é objetivo de Trump

Num gesto que deixou diplomatas brasileiros em estado de alerta, o governo dos EUA anunciou nesta segunda-feira um acordo com a Argentina de Javier Milei para o lançamento do “Programa de Proteção dos Bens Comuns Globais”. O nome esconde, porém, o objetivo da operação: agir em “cooperação” para fortalecer a segurança marítima no Atlântico Sul, na fronteira com o Brasil.

Nas redes sociais, a embaixada dos EUA em Buenos Aires anuncia que a parceria será iniciada com a entrega de uma”câmera especializada a bordo de uma aeronave dedicada ao patrulhamento do território marítimo argentino”.

A diplomacia dos EUA também indicou que se trata de um programa que irá se expandir até 2030 e prevê a chegada de equipamentos avançados, treinamento de elite e apoio para “interceptar e neutralizar” ameaças marítimas. Não são apresentadas quais seriam essas ameaças.

O anúncio gera um desconforto no Brasil que, nas últimas semanas, tentou retomar a ideia do Atlântico Sul ser uma zona de paz. A iniciativa original, de fato, tinha a Argentina como um de seus pilares.

De acordo com a embaixada dos EUA, porém, o Contra-Almirante Carlos Sardiello, do Comando Sul das Forças Navais dos Estados Unidos (USNAVSO), e o Almirante Juan Carlos Romay, da Marinha Argentina, assinaram o acordo que “inicia esta aliança estratégica de cinco anos para defender os bens comuns globais e fortalecer a segurança regional”. “Mais fortes juntos. Mais seguros juntos”, declararam.

A aproximação militar dos EUA ao Cone Sul tem sido alvo de debates internos no Brasil. No início do ano, Trump fechou um acordo com o Paraguai no qual o país sul-americano se colocava à disposição para receber uma base militar americana.

No final de abril, o presidente Javier Milei participou de uma atividade conjunta organizada pelo Comando Sul dos Estados Unidos a bordo do porta-aviões USS Nimitz, localizado ao sul da cidade de Mar del Plata.

*Jamil Chade/ICL

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Lula é destaque em Nova York, Flavio é ignorado, No Brasil, bolsonaristas tomam porre de detergente Ypê

Durante a Brazilian Week (semana de eventos com bancos, empresas e organizações brasileiras), em uma conferência fechada para investidores na sede da BlackRock em Nova York, o analista Aitor Jauregui — responsável pela América Latina da maior gestora de ativos do mundo — avaliou que o presidente Lula (PT) deve se reeleger em 2026.

Razões citadas: Otimismo com os dados econômicos do Brasil. Jauregui destacou que a economia ainda pesa na decisão do voto e que é “difícil tirar a vitória” do atual presidente.

Flávio Bolsonaro: Não foi mencionado nem por Jauregui, nem pelos outros participantes (incluindo Chis Garman, da consultoria Eurasia, que também traçou cenário positivo para Lula, inclusive na relação com Donald Trump).

A BlackRock administra trilhões de dólares em ativos e suas visões influenciam o mercado global, mas trata-se de uma análise interna em evento fechado, baseada em indicadores econômicos atuais — não de uma previsão infalível.

Isso reflete a visão de parte do mercado financeiro internacional: estabilidade macro, números recentes da economia e o encontro recente Lula-Trump ajudam a percepção do incumbente.


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Com ameaça e chantagem, EUA minam ação do Brasil em defesa da população negra

Proposta do Brasil de criar uma Declaração Interamericana é alvo de uma pressão diplomática de Trump

O governo de Donald Trump nos EUA não aceita a proposta do Brasil de criar uma Declaração Interamericana dos Direitos das Pessoas Afrodescendentes. O ICL Notícias apurou com exclusividade que a diplomacia do país está operando uma forte pressão sobre diversos países das Américas para impedir que o documento seja negociado.

O caso, porém, se transformou num espelho da capacidade dos EUA de ditar seus interesses na América Latina, orquestrando o apoio da extrema direita na região e combinando as alianças com ameaças e chantagem contra governos mais vulneráveis.

Desde o começo de 2025, Brasil e Colômbia vêm liderando a negociação de uma futura Declaração Interamericana, com o objetivo de adotá-la na Assembleia Geral da OEA no final de junho, no Panamá.

Segundo observadores que tiveram acesso ao documento, trata-se de uma declaração inovadora e que, em sua versão atual, conta com 28 artigos substantivos e disposições finais, organizados em torno de quatro eixos temáticos fundamentais: Reconhecimento, Justiça, Desenvolvimento, e Gênero e Interseccionalidade.

Na avaliação de seus proponentes, esses temas refletem as principais demandas históricas das pessoas e dos povos afrodescendentes na região.

Desde o ano passado, 14 reuniões de negociação permitiram que um acordo fosse obtido sobre mais da metade do texto. O governo dos EUA, ao longo de todo o ano de 2025, se recusou a participar do processo.

Mas, faltando um mês e meio para a Assembleia, a diplomacia de Trump resolveu agir para paralisar as negociações.

Para isso, buscou apoio em seu grupo de países mais alinhados, e muitos deles governados pela extrema-direita. Assim, o esforço de minar o processo passou a contar com o apoio de Argentina, El Salvador, Honduras, Paraguai, Peru, Equador e outros.

A operação por parte de Trump também passa pelo Caribe, região que possui grande população afrodescendente e vinha se engajando nas negociações em bloco. Segundo diplomatas, o grupo também sentiu a pressão norte-americana.

Os embaixadores do Haiti, Jamaica e Belize receberam ultimatos. Outros países menores da região também receberam recados de que a insistência em levar a Declaração para a Assembleia Geral seria encarada como afronta aos EUA.

Diante da debilidade de vários desses governos, a pressão surtiu efeito. Em reunião da Comissão encarregada do tema na OEA, diversos países pediram mais tempo para negociar, defendendo que não se envie o texto à próxima assembleia, mesmo tendo ainda seis semanas que poderiam ser usadas para fechar o texto.

O embaixador dos EUA, Leandro Rizzuto, na linha do voto contrário de seu país na ONU à resolução que definiu o tráfico transatlântico de escravizados como crime contra a humanidade, disse a interlocutores de diversos países que não admitirá que o tema dos direitos dos afrodescendentes conste da agenda da Assembleia Geral.

Para além da pauta de defesa do movimento negro, o episódio demonstra a subordinação de diversos países aos desígnios dos EUA, mesmo em assuntos que deveriam ser consensuais e constituem prioridade retórica dos respectivos governos.

Segundo diplomata brasileiro familiarizado com as negociações, “o cenário não apenas revela a debilidade de alguns países para defender seus próprios interesses e valores diante do unilateralismo do país hegemônico na região, mas também confirma a adesão automática de grupo de países ao ideário anti-direitos, que tende a naturalizar a discriminação e a exclusão de grupos vulneráveis”.

*Jamil Chade;ICL


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Mundo

Em meio aos escombros, ativista brasileiro Thiago Ávila vira mural em Gaza

Após sequestro por Israel, Thiago está livre e foi deportado para a cidade do Cairo, no Egito, neste fim de semana

Thiago Ávila não chegou até Gaza. Há uma semana, ele foi sequestrado de seu barco que tinha o território palestino como destino. O ativista brasileiro foi preso por Israel e, neste fim de semana, deportado ao Brasil. Mas ele

se transformou em um símbolo da ajuda humanitária e, neste domingo, ganhou um mural em Gaza.

O artista, Obeil Al Qarshali, escolheu um dos raros muros ainda de pé em Gaza para pintar a imagem de Ávila. Com 28 anos, ele explicou:

Por meio dessa obra, eu queria expressar meu apoio a eles, e esse é meu presente depois de sua libertação da prisão de Israel.

Quero encorajá-los a continuar a apoiar a Palestinas e quero dizer que a Palestina não se esquece quem fica ao seu lado e a apoia.

As imagens e depoimento foram enviados ao ICL Notícias pelo fotógrafo palestino Mohamed Ahmed.

Nos últimos dias, a prisão do ativista despertou uma preocupação internacional. A ONU quer que os maus-tratos contra o brasileiro sejam investigados. Num comunicado emitido na semana passada, a entidade defendeu que os responsáveis por violações sejam levados à Justiça.

Conforme o ICL Notícias já havia revelado na terça-feira com exclusividade, a pressão da ONU era para que Ávila fosse solto, sem qualquer condição imposta.

Além de Ávila, foi levado para Israel o ativista Sair Abukeshek, de nacionalidade espanhola.

O governo brasileiro falou em “sequestro”. Mas não optou por romper relações diplomáticas com Israel.

A defesa do brasileiro apontou que a prisão de Ávila foi marcada por violência. De acordo com um comunicado, os ativistas permanecem em isolamento total, submetidos a iluminação intensa 24 horas por dia, em suas celas, e mantidos com os olhos vendados sempre que são transferidos, inclusive durante exames médicos.

O porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU, Thameen Al-Kheetan, afirmou:

Não é crime demonstrar solidariedade e tentar levar ajuda humanitária à população palestina em Gaza, que necessita urgentemente dela. Relatos perturbadores de maus-tratos severos infligidos a Abukeshek e de Avila devem ser investigados, e os responsáveis devem ser levados à justiça.

Exigimos o fim da detenção arbitrária por Israel e da legislação antiterrorista, ampla e vaga, incompatível com o direito internacional dos direitos humanos. Israel também deve pôr fim ao bloqueio a Gaza e permitir e facilitar a entrada de ajuda humanitária em quantidade suficiente na Faixa de Gaza sitiada.

*Jamil Chade/ICL


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Mundo Tecnologia

Palantir: a empresa mais perigosa do mundo

Pouco conhecida em comparação com as principais empresas do Big Tech (Google, Amazon, Meta, Apple), a Palantir Technologies é uma veterana no Vale do Silício. A pedra fundamental da empresa foi lançada pela agência de inteligência americana CIA por meio de seu fundo de investimento In-Q-Tel. (Imagem em destaque: Adrián Astorgano / El Salto)

A Palantir combina ferramentas de controle, a lucratividade da guerra e ideologias totalitárias em uma série de produtos que se espalharam por todo o planeta

inferno se abateu sobre a escola Shajareh Tayyebeh, em Minab. Era sábado, 28 de fevereiro de 2026, dia letivo no Irã. As aulas haviam sido suspensas devido aos bombardeios americanos, mas centenas de pessoas permaneciam no prédio, esperando que os alunos fossem buscados por suas famílias. Era um processo demorado, já que muitas meninas e meninos moravam nas aldeias vizinhas e precisavam esperar a chegada dos veículos vindos das áreas rurais. Três mísseis Tomahawk atingiram a escola de Minab, causando 175 vítimas fatais, a maioria delas crianças.

Shajareh Tayyebeh é o cenário do primeiro suposto crime de guerra da Operação Fúria Épica lançada pelos Estados Unidos e Israel. Conforme admitiram fontes do exército norte-americano, cuja administração a princípio negou o ataque, tratou-se de um erro. O software utilizado para a classificação de alvos havia identificado aquela escola infantil como uma infraestrutura militar. Assim estava designada desde 2013 e ninguém — nem humano, nem máquina — havia alterado a classificação daquele centro, que há muito tempo era independente do prédio militar adjacente.

Um software de comando e controle chamado Maven, que tem como base a hipótese de que a rapidez na tomada de decisões é determinante para a vitória em uma guerra, selecionou a infraestrutura civil e os humanos endossaram a decisão de bombardear a escola. Trata-se de um sistema de inteligência artificial utilizado pelo Pentágono para análise de inteligência, vigilância e planejamento de ataques.

Outras investigações indicam que o Maven também foi a ferramenta por trás da operação de sequestro de Nicolás Maduro lançada pela Casa Branca em 3 de janeiro de 2026. Em 21 de março de 2026, três semanas após o massacre de Minab, a Reuters informou que um memorando do Pentágono estabelecia o Maven como o sistema militar central dos Estados Unidos. Por trás do Maven está a Palantir ou, como a qualificou Robert Reich, ex-secretário do Trabalho no governo Obama, “a empresa mais perigosa da América”.

Pouco conhecida em comparação com as principais empresas do Big Tech (Google, Amazon, Meta, Apple), a Palantir Technologies é uma veterana no Vale do Silício. A pedra fundamental da empresa foi lançada pela agência de inteligência americana CIA por meio de seu fundo de investimento In-Q-Tel. A CIA seguiu o instinto de Peter Thiel e Alex Karp, fundadores da Palantir, que perceberam que os ataques de 11 de setembro de 2001 poderiam ter sido antecipados com uma infraestrutura capaz de apresentar, de forma simples e operacional, os dados que já estavam nas bases das principais agências de inteligência do país.

Foi assim que a Palantir cresceu e, por meio dos softwares Gotham (para instituições de controle) e Foundry (para empresas), expandiu-se por todos os pontos do “Ocidente” com uma aposta baseada no domínio. A empresa fornece sistemas que permitem às agências governamentais acessar um panóptico de vigilância e, uma vez estabelecida nelas, torna-se parte indispensável da gestão política do Estado, contribuindo para uma base de obscuridade e invisibilidade das decisões que evita a prestação de contas democrática.

Em 18 de abril, o cofundador da Palantir, Alex Karp, e Nicholas W. Zamiska, chefe de assuntos corporativos da empresa, lançaram um manifesto por meio da rede de extrema direita X, o que colocou a empresa como tema de conversa em todo o mundo. Baseado no livro A República Tecnológica: Poder Bruto, Pensamento Fraco e o Futuro do Ocidente, escrito por Karp e Zamiska e publicado em 2025, o manifesto gerou milhares de posts e artigos, mas também teve um impacto colateral entre os funcionários da empresa. “Era supostamente nós que deveríamos impedir muitos desses abusos. Agora não os impedimos. Parece que estamos os promovendo”, explicava um desses funcionários à revista norte-americana Wired.

Mas, acima de tudo, o manifesto colocava em primeiro plano alguns dos discursos que Karp tem defendido nos últimos anos. Sua hipótese é que a sociedade americana se tornou medíocre, que a “psicologização da política moderna” é um desvio do caminho correto e que a indústria tecnológica tem se orientado para satisfazer esse conformismo, o que fez com que os EUA ficassem para trás na corrida armamentista e na defesa da nação, algo com o que o manifesto se inicia. Para isso, sugerem o retorno do serviço militar obrigatório e a primazia que os EUA devem ocupar na “dissuasão baseada em IA”. Outro dos elementos que levou o manifesto a ser descrito como “os delírios de um supervilão”, é um forte viés supremacista, explicitado em frases como “algumas culturas produziram avanços vitais; outras continuam sendo disfuncionais e regressivas”.

Expandida por todo o mundo
Somando os contratos obtidos do Departamento de Segurança Interna, do Departamento de Defesa e do Pentágono, a empresa obteve 1,8 bilhões de dólares em receitas provenientes do governo dos EUA em 2025. 55% da receita da Palantir depende desses contratos, o que demonstra a imbricacão do atual governo Trump, suas políticas de choque e a posição monopolística que a empresa de Thiel e Karp está ocupando no atual processo de acumulação militarizada. A Palantir é proprietária de um software que está forjando as bases do novo Estado policial norte-americano, conforme descrito por Robert Reich. Na sequência do manifesto da Palantir, os autores Arnaud Miranda e Gilles Gressani descreveram como “por trás do vocabulário republicano, se desenrola uma estratégia que pode ser resumida em uma fórmula: transformar o Estado em uma filial de sua própria infraestrutura digital, esvaziando assim a soberania de sua dimensão democrática”.

O Ministério da Defesa espanhol, o serviço de inteligência francês ou sistemas como o de saúde e o de dissuasão nuclear britânicos contrataram os serviços da Palantir, que também se ofereceu para gerenciar, a baixo custo, sistemas logísticos de distribuição de ajuda por parte de ONGs. Uma experiência que agora serve para a gestão das batidas migratórias realizadas pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos EUA (ICE) por meio do programa ImmigrationOS fornecido pela empresa de Thiel e Karp.

A jornalista especializada em tecnologia e direitos humanos Marta Peirano explica que a base do poder acumulado pela Palantir é a gestão privada de dados fornecidos por órgãos públicos. A partir dessa análise e apresentação, a empresa propõe modelos algorítmicos de tomada de decisão que oferecem soluções aparentemente técnicas. Em terceiro lugar, a Palantir treina seus modelos de inteligência artificial com base nos dados e na experiência coletados, de modo que, embora a empresa afirme não acumular esses dados, na prática eles se tornam o combustível que alimenta seu produto.

Em toda a cadeia de decisões, há considerações éticas sobre privacidade e os vieses empregados nessas segmentações que despertam a atenção de defensores dos direitos humanos em todo o mundo. Há uma “delegação de funções e responsabilidades por parte do governo”, detalha Peirano, que transforma a empresa em um ator privilegiado no comando de instituições, a priori, sujeitas ao escrutínio democrático. Como alertou o pesquisador francês Olivier Tesquet, coautor de Apocalipsis Nerd, por meio dessa posição de poder na tomada de decisões, a Palantir aspira se tornar “o sistema nervoso da próxima ordem mundial”.

O anticristo e o transumanismo
Uma empresa perigosa requer fundadores perigosos. Na campanha de 2016, Thiel foi um dos grandes doadores de Trump, o primeiro dentro do até então nominalmente liberal Vale do Silício. Posteriormente, tornou-se o grande patrocinador do agora vice-presidente dos EUA, JD Vance. Após a vitória da chapa formada por Trump e Vance em 2024, Thiel colocou parte de sua comitiva em cargos-chave do governo americano. Outra figura fundamental do governo Trump, o porta-voz e vice-diretor do Gabinete de Políticas da Casa Branca, Stephen Miller, possui uma participação de várias centenas de milhares de dólares na Palantir.

O fundador da Palantir soube enxergar o potencial de Donald Trump como acelerador das tendências pós-democráticas necessárias para seu projeto político. Seu credo está relacionado ao do Iluminismo Negro. Baseia-se na preeminência dos monopólios, monarquias corporativas, destinadas a governar cidades ou territórios fora do princípio democrático. A ideia foi colocada em prática em ilhas como Roatán — cedida pelo governo corrupto de Juan Orlando Hernández, em Honduras — onde o município de Próspera é uma “zona de emprego e desenvolvimento econômico” fundada em 2017 com o dinheiro de uma série de tecnooligarcas, entre os quais se encontra Thiel. Próspera prefigura um plano muito mais ambicioso: o controle das populações por meio da tecnologia e da vigilância e, ao mesmo tempo, o desenvolvimento das criptomoedas como ferramenta de controle por meio da economia. Mutatis mutandis, é o mesmo plano apresentado por Jared Kushner para a “nova Gaza”.

A Próspera tem sido, também, um pequeno laboratório de experimentação clínica, seguindo o principal desejo de transcendência que move Thiel e outros investidores como Sam Altman (ChatGPT) ou o investidor Marc Andreesen, seguidores das filosofias TESCREAL. Essa sigla, popularizada de forma crítica pelo filósofo Emile P. Torres, abrange uma série de vertentes de pensamento, entre as quais se destacam o transumanismo e o longoprazismo, nos quais Thiel milita ativamente.

Essas ideologias coincidem em um ponto-chave: a extinção dos seres humanos pode se tornar um dano colateral da chegada dos indivíduos pós-humanos, uma ideia defendida por Thiel, entre outros. Como Torres observou a respeito do longoprazismo no podcast Utopía X: “Vejo o longoprazismo como um movimento a favor da extinção que, como tal, representa uma ameaça significativa e de curto prazo para nossa espécie, porque os longoprazistas não estão interessados só em criar pós-humanos em algum momento, mas querem criar pós-humanos o mais rápido possível”.

Da Escola de Frankfurt à Escola de Minab
O segundo nome mais conhecido da Palantir é o de Alex Karp, CEO da empresa. Ao contrário de Thiel, Karp remete-se à tradição filosófica europeia, em princípio distante do milenarismo profético que caracteriza o primeiro. Influenciado por Jünger, Habermas e a Escola de Frankfurt, Karp mudou de um discurso que inicialmente era entendido como “a esquerda da Palantir” para um pensamento que identifica dois inimigos fundamentais.

Em primeiro lugar, os inimigos do que eles chamam de “Ocidente”, ou seja, a Rússia, o Irã e, sobretudo, a China. Em segundo lugar, o chamado “vírus woke”, com o qual a extrema direita classifica a esquerda defensora dos direitos humanos. Como resume Tesquet, para Karp “as democracias estão perdendo uma espécie de guerra de civilizações contra seus adversários autoritários, não porque lhes falte talento, mas porque seus engenheiros se tornaram apreensivos demais para colocar suas habilidades a serviço do poder militar”.

De origem judaica, o fator que desencadeou o discurso mais violento por parte de Karp foi o genocídio perpetrado por Israel em Gaza, no qual a Palantir participou orgulhosamente, conforme confirmou o próprio CEO da empresa.

Os assassinatos extrajudiciais fazem parte dos danos com os quais a civilização deve arcar, segundo a ideologia exposta por Karp, que se inspira cada vez mais em uma fonte alemã radicalmente distinta das de Frankfurt, como é o pensamento do jurista do Terceiro Reich Carl Schmitt a respeito da dicotomia amigo-inimigo, na qual os Estados se baseiam para sua maior prosperidade. Em uma reviravolta inusitada, o manifesto publicado em abril por Karp e Zamiska fazia uma referência às potências do Eixo na Segunda Guerra Mundial, em seu ponto número 15: “O desarmamento da Alemanha foi uma correção excessiva pela qual a Europa agora está pagando um alto preço. Um compromisso semelhante e altamente teatral com o pacifismo japonês, se mantido, também ameaçará alterar o equilíbrio de poder na Ásia”.

Como concluiu Olivier Tesquet, a Palantir ocupa um lugar central na biopolítica do capitalismo tardio, decidindo quem deve viver — inclusive, seguindo o credo de Thiel, que tipo de seres pós-humanos devem sobreviver à espécie homo sapiens — e quem deve morrer, em uma aposta pela necropolítica de difícil reversão. Para revertê-la, conclui Peirano, não basta acabar com a crescente dependência que os Estados ocidentais adotaram em relação à Palantir, mas será necessário destruir as bases de dados acumuladas por essa empresa, uma empresa que aspira criar uma espécie de Razão Tecnológica de Estado, uma versão acelerada e privada das tendências autoritárias latentes nas democracias liberais.

*Opera Mundi

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Brasil supera EUA e lidera ranking global dos investimentos chineses

Em 2025, os chinenses aplicaram no país US$ 6,1 bilhões distribuídos em 52 projetos

O Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) divulgou que o Brasil assumiu a primeira colocação do ranking global de investimentos da China no exterior. Em 2025, os chinenses aplicaram no país US$ 6,1 bilhões distribuídos em 52 projetos.

Desse modo, houve um crescimento de 45% em valor e 33% em número de empreendimentos em relação ao ano anterior.

“Esse desempenho colocou o Brasil como principal destino global dos investimentos chineses naquele ano, respondendo por cerca de 11% do total aplicado pela China no exterior, um resultado expressivo”, diz nota do CEBC.

O Brasil superou os Estados Unidos, que detêm 6,8% dos aportes globais feitos pelos chinenses, seguido da Guiana com 5,7%, Indonésia com 5,4% e Cazaquistão com 4,4%.

Do ponto de vista setorial, houve uma mudança relevante na composição dos aportes. Segundo a CEBC, o setor de eletricidade manteve a liderança em termos de valor, com forte concentração em projetos de energia renovável e transmissão, mas os investimentos em mineração mais que triplicaram, atingindo sua maior participação histórica.

“Esse movimento reflete o interesse estratégico da China por minerais críticos como cobre, níquel, ouro, grafite e terras raras. A crescente presença de empresas chinesas na mineração dialoga diretamente com o avanço de investimentos na indústria de veículos eletrificados, outro destaque de 2025”, diz o Conselho.

O balanço da entidade aponta que, a despeito desses grandes aportes em energia, mineração e setor automotivo, destaca-se a diversificação crescente dos investimentos chineses, segundo o Vermelho.

Por exemplo, houve expansão para áreas como Tecnologia da Informação, logística, manufaturas de eletroeletrônicos e serviços associados à economia digital.

O CEBC conclui que o Brasil se consolida como um destino estratégico prioritário para capital produtivo, combinando “uma janela macroeconômica favorável e vantagens estruturais como grande mercado consumidor, abundância de recursos minerais e energéticos e uma matriz elétrica limpa, ao mesmo tempo em que se beneficia do redirecionamento do investimento chinês diante de restrições geopolíticas”.

Confira os investimentos por setor:

– O setor de eletricidade foi o que mais atraiu investimentos chineses no Brasil, com participação de 29,5% e aportes que somaram US$ 1,79 bilhão, um aumento de 25% em relação a 2024 e o maior valor desde 2020.

– A área de mineração recebeu investimentos de US$ 1,76 bilhão – mais que o triplo do valor registrado em 2024 e o maior valor desde 2011.

– O setor automotivo ficou em terceiro lugar e respondeu por 15,8% do valor investido pelas empresas chinesas no Brasil em 2025, com aportes que somaram US$ 965 milhões — cifra 66% maior do que a registrada em 2024.

– Os investimentos chineses no setor de petróleo chegaram a US$ 804 milhões em 2025, 24% a menos do que no ano anterior.


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