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Falastrão: Trump diz que eleições no Brasil é seu próximo desafio, ‘a potência política da região’

Texto compartilhado por Trump fala em virada à direita no Brasil e mudança no mapa da América Latina

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a citar o Brasil em sua rede social ao compartilhar um artigo que coloca a eleição presidencial de 2026 no país como um dos próximos temas de interesse do republicano. O episódio ocorreu dias após Trump afirmar que o Brasil se tornou “um pouco difícil” e “politicamente perigoso”.

A publicação foi feita na plataforma Truth Social e reproduz um texto do site norte-americano Newsmax, que afirma que as atenções políticas agora se voltam para o Brasil, descrito como “a potência política da região”. Segundo o artigo, a próxima disputa presidencial brasileira pode se tornar a mais relevante do hemisfério ocidental.

O texto também lista o Brasil entre os quatro principais “desafios” que ainda estariam no radar de Trump, ao lado de Cuba, Nicarágua e Venezuela. Na análise, a eleição de 2026 já estaria gerando debates sobre a integridade do sistema eleitoral brasileiro e sobre a condução do pleito em termos de liberdade e justiça.

Em outro trecho, o artigo afirma que “Trump está realmente tornando as Américas grandes novamente” e sugere que, caso o Brasil “se junte à crescente lista de países que se movem para a direita”, o mapa político da América Latina seria “drasticamente diferente do que era há apenas uma década”.

Confusão em discurso no G7
As declarações se somam a falas recentes em que Trump classificou o Brasil como um país “um pouco perigoso”, feitas após questionamentos sobre encontros com Lula durante a cúpula do G7, na França. Na ocasião, o republicano mencionou de forma incorreta a suposta prisão de “Bolsonaro Júnior”. O presidente americano confundiu Eduardo Bolsonaro com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como pré-candidato ao Planalto, além de fazer referência equivocada a uma suposta prisão do deputado, que não ocorreu.

As declarações provocaram reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou que Trump “não conhece o Brasil” e criticou o que classificou como possível interferência em assuntos internos do país. “Eu só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania”, disse Lula.

O presidente brasileiro também saiu em defesa do sistema eleitoral do país e afirmou que os Estados Unidos poderiam “aprender com o Brasil” em termos de organização e tranquilidade nas eleições. “Os Estados Unidos poderiam aprender com o Brasil de eleições mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas”, afirmou.

Lula ainda reforçou que o processo eleitoral brasileiro é um tema interno. “Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil”, disse.

*ICL


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Ultra retrocesso: Ultradireitista Espriella vence na Colômbia; Cepeda pede impugnação de 33 mil urnas

Contagem inicial aponta vitória apertada de Abelardo de la Espriella

A Colômbia elegeu neste domingo (21) o advogado e empresário Abelardo de la Espriella, candidato da ultradireita, como novo presidente da República. Com 99,9% da apuração preliminar divulgada pela Registraduría Nacional, Espriella obteve 49,66% dos votos (cerca de 12,96 milhões), contra 48,70% de Iván Cepeda, senador de esquerda apoiado pelo presidente Gustavo Petro e pela coalizão Pacto Histórico. A diferença está em torno de 251 mil votos entre os dois concorrentes.

O resultado representa uma guinada política após o encerramento do primeiro governo progressista da história do país, liderado por Petro entre os anos de 2022 e 2026. Espriella, que nunca havia disputado um cargo eletivo anteriormente, possui um alinhamento ideológico com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — de quem recebeu apoio explícito —, e baseou sua plataforma eleitoral na promessa de aplicar uma política de mão de ferro contra grupos armados, narcotráfico e o crime organizado.

Esquerda questiona apuração preliminar

Mesmo diante da vitória apontada na contagem preliminar, a esquerda colombiana não reconhece o resultado como definitivo. Iván Cepeda anunciou formalmente que sua campanha iniciou o processo de impugnação de cerca de 33 mil mesas de votação em todo o território nacional, sob a alegação de irregularidades.

Ele afirmou que a apuração preliminar não possui caráter oficial ou vinculante e que só aceitará o desfecho após o escrutínio oficial, quando cada mesa contestada for revisada individualmente. “Reconhecemos o resultado da apuração preliminar desta noite como um dado ainda não oficial e sem força vinculante. No entanto, nosso grupo de testemunhas, advogadas e advogados está procedendo à impugnação de 33 mil mesas em todo o país. Cada uma delas deverá ser objeto do escrutínio oficial”, declarou Cepeda publicamente.

O presidente Gustavo Petro também questionou a apuração preliminar. Em postagens nas redes sociais, afirmou que, na condição de presidente, não aceita os resultados da apuração preliminar e cobrou a realização do escrutínio oficial. Petro mencionou possíveis problemas no sistema eletrônico e questionou a legitimidade de eventuais interferências externas. “Nenhum governo estrangeiro legitima resultados eleitorais na Colômbia. A Colômbia deve ser respeitada! Somos livres e soberanos. Vamos aguardar os resultados após o escrutínio oficial”, escreveu o mandatário.

Alinhamento com Trump e reflexos regionais

O resultado consolida a aliança entre a ultradireita colombiana e o governo norte-americano de Donald Trump. Espriella, que possui dupla cidadania e manteve residência estável em Miami por vários anos, recebeu endosso público do presidente dos Estados Unidos, que o qualificou como um líder forte e duro, assegurando que ele terá o apoio total norte-americano.

A vitória de Espriella é vista como um novo capítulo da onda ultradireitista que avança na América Latina, convergindo com os governos de Javier Milei na Argentina e Nayib Bukele em El Salvador. Para setores da esquerda, o apoio aberto de Trump configura uma ingerência direta nos assuntos internos da Colômbia, ocorrendo em um momento de fragilidade do processo de paz.

Riscos para as negociações de paz

Durante a gestão de Petro, a Colômbia priorizou a chamada política de Paz Total, com tentativas de negociação e acordos com o Exército de Libertação Nacional, dissidências das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e outras organizações armadas. Apesar das dificuldades severas e da continuidade da violência em regiões interioranas, o caminho institucional escolhido foi o do diálogo político.

Espriella, por outro lado, defende uma abordagem militarizada e repressiva. Movimentos sociais alertam que a promessa de mão de ferro contra a criminalidade pode paralisar as negociações em andamento, resultando em uma escalada dos conflitos internos, o que setores progressistas classificam como o início de uma fase de retrocesso para a solução política do conflito histórico do país.

Com a posse presidencial prevista para o dia 7 de agosto, o novo mandatário assume uma sociedade profundamente dividida. O Pacto Histórico já sinalizou que prepara contestações jurídicas e mobilizações sociais, mantendo o desfecho em aberto até a conclusão do escrutínio oficial pelas autoridades eleitorais.


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Insanidade: Trump se compara a Hitler e Napoleão e diz não haver limites para seu poder

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não enxerga limites para o próprio poder após a assinatura de um acordo com o Irã que recuou de várias das exigências apresentadas inicialmente por Washington.

Em entrevista ao programa “The Axios Show”, divulgada na quinta-feira (18), Trump foi questionado pelo jornalista Marc Caputo sobre o que teria aprendido “sobre o exercício do poder ou os limites do poder” após o conflito envolvendo os dois países.

“Eu ainda não aprendi essa lição. Eu sei que existem limites, mas não há limites. Nós os derrotamos totalmente do ponto de vista militar”, respondeu o presidente americano.

A declaração veio após Trump abandonar a exigência de uma “rendição incondicional” do Irã e aceitar um memorando de entendimento que prevê a criação de um fundo de US$ 300 bilhões para a reconstrução do país persa e abre caminho para o fim de sanções econômicas. Em troca, o acordo não impõe restrições significativas ao programa nuclear iraniano.

A visão de Trump sobre poder também aparece em um novo livro dos jornalistas Maggie Haberman e Jonathan Swan, chamado “Regime Change: Inside the Imperial Presidency of Donald Trump” (“Mudança de Regime: Por Dentro da Presidência Imperial de Donald Trump”).

Segundo os autores, o presidente costuma exibir um documento que sustenta a tese de que ele seria mais poderoso do que figuras históricas como Alexandre, o Grande, Gêngis Khan, Napoleão Bonaparte e Adolf Hitler. DCM.

De acordo com o relato do livro, Trump argumenta que os grandes conquistadores do passado não dispunham dos meios de transporte e comunicação modernos. “Eles não tinham aviões, certo? Você não podia viajar por aí”, teria dito ao comentar sobre Alexandre, os Césares romanos e Guilherme, o Conquistador.

Os autores também afirmam que Trump demonstrava aparente satisfação ao se comparar a líderes autoritários como Mao Tsé-Tung, Adolf Hitler e Josef Stalin.

Na quinta-feira, o presidente americano publicou um documento em sua rede social do historiador Dave King. Entre comparações com conquistadores históricos e declarações de que seria “o chefe” dos demais líderes do G7, Trump reforçou uma concepção de poder absoluto baseada na capacidade de impor sua vontade a outras nações, invadindo, bombardeando e estuprando os povos.


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Rumble e Trump Media pedem à Justiça dos EUA julgamento à revelia de Moraes

Empresas sustentam que Moraes ‘não compareceu, respondeu, solicitou prazo adicional ou apresentou qualquer defesa’

A Rumble e a Trump Media, empresa ligada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediram nesta quinta-feira (18) que a Justiça da Flórida reconheça formalmente que o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), não apresentou defesa dentro do prazo previsto em uma ação movida pelas companhias contra ele.

A medida representa um passo preliminar para um eventual julgamento à revelia. As empresas afirmam que Moraes foi citado por email em maio, por meio de um procedimento alternativo autorizado pela própria corte, e que o prazo para resposta terminou em 15 de junho sem manifestação do ministro.

Segundo os advogados da Rumble e da Trump Media, os documentos da ação foram enviados por meio de dois emails. Embora uma das mensagens tenha retornado com aviso de que a caixa não estava habilitada para receber emails, os autores afirmam ter recebido confirmação de entrega da mensagem enviada ao endereço vinculado ao gabinete do ministro.

Na petição, as empresas sustentam que Moraes “não compareceu, respondeu, solicitou prazo adicional ou apresentou qualquer defesa” após a citação. Com base nisso, pedem que a secretaria da corte registre formalmente o descumprimento do prazo processual pelo réu.

O pedido foi apresentado três dias após a AGU (Advocacia-Geral da União) ingressar no processo. A Rumble argumenta que a iniciativa do governo brasileiro não impede o reconhecimento de que Moraes deixou transcorrer o prazo sem apresentar defesa.

Ao anunciar a medida, a AGU afirmou que a ação representa uma tentativa de submeter atos praticados por um integrante da Suprema Corte brasileira à jurisdição de um tribunal estrangeiro, o que configuraria afronta à soberania nacional e à independência do Judiciário.

Na manifestação protocolada nesta quinta, porém, os advogados da Rumble afirmam que a atuação do governo brasileiro não substitui uma resposta de Moraes. Segundo eles, a República Federativa do Brasil não representa o ministro individualmente no processo e não possui autoridade para responder em seu nome.

Os autores destacam ainda que, embora o governo brasileiro tenha pedido para intervir na ação e solicitado seu arquivamento, Moraes não apresentou defesa própria nem pediu prorrogação do prazo para se manifestar.

A medida solicitada pelas empresas não encerra o processo nem representa uma vitória automática dos autores. Caso o pedido seja aceito, a ação seguirá para uma nova fase processual, na qual a Rumble e a Trump Media poderão buscar uma decisão favorável com base na ausência de defesa apresentada pelo réu.

A disputa judicial teve início após a Rumble e a Trump Media contestarem decisões de Moraes relacionadas à moderação de conteúdo e ao bloqueio de contas em plataformas digitais.

Em 22 de maio, a Justiça dos EUA autorizou a citação do magistrado por email. Segundo a decisão, foram frustradas as tentativas de notificação formal por meio de cooperação internacional entre os dois países. Com a citação efetivada, passa a correr prazo de 21 dias para apresentação de resposta, sob pena de decretação de revelia.

As empresas alegam que as determinações do ministro produzem efeitos nos Estados Unidos e violam garantias previstas na Constituição americana.

*ICL


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Vídeo: Lula responde a Trump sobre “Brasil politicamente perigoso”: Não se meta!”

Presidente brasileiro rebateu declarações de Trump, que ainda propagou fake news sobre a prisão de “Bolsonaro Jr.” durante a cúpula do G7 na França

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu publicamente, nesta quarta-feira (17), às declarações de Donald Trump sobre a política brasileira feitas ao fim da cúpula do G7 em Évian-les-Bains, na França. Em coletiva de imprensa em Genebra, Lula afirmou que Trump “não pode violar a soberania e se meter nas eleições brasileiras” e defendeu a lisura do sistema eleitoral do país, após o presidente americano classificar o Brasil como “politicamente perigoso” e disparar fake news sobre “prisão de um Bolsonaro Jr.”

Lula reage a Trump e defende soberania brasileira
A resposta de Lula foi direta.

“Para mim, ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem nenhum problema, é problema dele, afinal de contas, gosto não se discute. Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil”, disse o presidente, em Genebra.

Lula acrescentou que espera apenas que Trump “não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania”.

*Forum


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A íntegra do fundamental discurso de Lula no G7

O discurso do presidente Lula na cúpula do G7, em Évian, na França, destacou-se pela defesa do multilateralismo e críticas contundentes ao protecionismo, ao unilateralismo e à desigualdade global. Ele falou diretamente diante do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abordando temas de soberania e justiça econômica.

Os principais pontos da fala do presidente incluíram:

Desigualdade e Neoliberalismo: Lula afirmou que o neoliberalismo agravou a crise econômica e as desigualdades entre países ricos e pobres.

Ele citou o empresário Elon Musk ao destacar que o primeiro trilionário do mundo é mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial.

Defesa da Soberania e Crime Transnacional: Fez uma crítica indireta a decisões dos EUA sobre o combate ao narcotráfico, ressaltando que tal esforço deve respeitar a soberania dos países e ser integrado à agenda de desenvolvimento, e não utilizado como justificativa para intervenções unilaterais.

Financiamento e Dívida Externa: Criticou os gastos militares globais (cerca de US$ 3 trilhões), enquanto nações em desenvolvimento pagam bilhões em serviços da dívida. Ele defendeu que essas nações não devem ser obrigadas a escolher entre pagar credores e alimentar sua população.

Tecnologia e Inteligência Artificial: O presidente argumentou que a Inteligência Artificial e a transição digital não podem reproduzir padrões históricos de concentração de renda e exclusão dos países em desenvolvimento.

A íntegra do discurso:

Agradeço ao presidente Macron pelo convite para participar deste segmento ampliado em Évian.

Ainda em 2003, uma das minhas primeiras tarefas como presidente do Brasil foi participar da Cúpula do então-G8 nesta bela cidade.

Desde aquele ano estive em outras nove cúpulas do G8 ou G7.

Em todas elas nos defrontamos com crises e desafios que afetam milhões de pessoas ao redor do mundo.

Mas em nenhuma conseguimos construir respostas coletivas e duradouras.

Ficamos aprisionados em dogmas que defendem desregulamentação de mercados, Estado mínimo e austeridade fiscal como fins em si mesmos.

O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias.

Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas.

A distância que separa a prosperidade de Évian da realidade enfrentada por bilhões de pessoas no Sul Global não está diminuindo.

Nos últimos anos, a desigualdade entre países ricos e pobres tem aumentado.

O primeiro trilionário do mundo é mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial.

A extrema concentração de riqueza decorre de décadas de políticas pró-bilionários.

Caminhamos na contramão da Agenda 2030.

Faltam 4 trilhões de dólares por ano para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

A COP-30 voltou a evidenciar a distância entre os compromissos assumidos pelos países desenvolvidos e os recursos efetivamente mobilizados para cumpri-los.

Para acelerar a implementação do Acordo de Paris, é preciso ampliar o financiamento climático para, pelo menos, um trilhão e trezentos bilhões de dólares.

Os desafios se multiplicam, mas a solidariedade internacional encolhe.

No ano passado, registramos queda histórica de 23% na Ajuda Oficial ao Desenvolvimento.

O Programa Mundial de Alimentos perdeu cerca de 40% de seu financiamento.

A Organização Mundial da Saúde e o UNICEF reduziram seus orçamentos em mais de 20%.

Não são cifras abstratas.

Elas impactam diretamente o cotidiano dos habitantes de países em desenvolvimento.

São milhões de pessoas sem acesso à alimentação adequada; crianças sem frequentar a escola; mulheres privadas de proteção; e comunidades vulneráveis diante de doenças que podem ser prevenidas.

Guerras e conflitos também continuam desviando o foco da agenda do desenvolvimento.

Os gastos militares anuais somam quase 3 trilhões de dólares.

Nossa tarefa é corrigir as desigualdades de um sistema que produz riqueza em abundância, mas que distribui oportunidades de forma profundamente assimétrica.

O mundo em desenvolvimento transfere 1,4 trilhão de dólares por ano em serviço da dívida, valor sete vezes superior à ajuda recebida dos países ricos.

A Conferência de Sevilha sobre Financiamento para o Desenvolvimento apontou para a direção correta.

Embora a contribuição do setor privado seja bem-vinda, a Ajuda Oficial ao Desenvolvimento segue sendo responsabilidade primordial dos estados.

Precisamos de um sistema financeiro no qual os países não sejam obrigados a escolher entre pagar credores e alimentar suas crianças.

Está claro que o desafio não é administrar a escassez.

O déficit que enfrentamos é de implementação e de vontade política.

Não faltam boas ideias.

Mecanismos inovadores como a troca de dívida por ação climática ou investimentos sociais podem contribuir para ampliar o espaço fiscal dos países mais vulneráveis.

O Brasil tem dado a sua contribuição.

O Fundo Florestas Tropicais para Sempre vai canalizar investimentos para a conservação desse bioma e de seus habitantes.

A Aliança Global contra a Fome possibilita compartilhar experiências e auxiliar a implementação de políticas públicas eficazes na redução das desigualdades.

O estabelecimento do Painel Internacional sobre Desigualdade, proposto pela presidência sul-africana do G20, apoiará com dados e evidências a formulação de respostas coordenadas a esse desafio.

Outros temas, como o combate aos crimes transnacionais, também devem fazer parte da agenda de desenvolvimento.

Um deles, é o desafio do crime organizado, que aterroriza comunidades e desvia recursos públicos que deveriam ser direcionados para a construção de escolas, hospitais e estradas.

Esse esforço deve levar em conta do respeito à soberania dos Estados.

A Declaração de Líderes do G7 sobre o Combate ao Tráfico de Drogas é um passo positivo.

Mas o enfrentamento ao narcotráfico não pode ser dissociado de outros ilícitos como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas.

Valorizar o diálogo e a cooperação institucional, inclusive por meio da INTERPOL, contribuirá para a localização de ativos e indivíduos vinculados a essas atividades criminosas.

Outro desafio que não pode permanecer excluído do debate sobre parcerias para o desenvolvimento é o acesso a tecnologias de ponta, como a Inteligência Artificial.

As transições energética e digital não podem reproduzir padrões históricos que concentram benefícios econômicos em poucos atores.

Os países detentores de minerais críticos devem participar das etapas de maior valor agregado da cadeia, por meio da industrialização, da transferência de tecnologia e da formação de capacidades, conforme suas necessidades nacionais.

Muito obrigado.


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França oferece ao Brasil tecnologia para reduzir dependência dos EUA

Em encontro no G7, Macron indicou que quer participar de busca do Brasil por soberania digital

O governo da França se ofereceu para fornecer supercomputadores ao Brasil, num esforço para garantir a soberania digital do país. O tema esteve na agenda entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e o francês, Emmanuel Macron. O encontro ocorreu em Evian, às vésperas do início da cúpula do G7.

De acordo com o Palácio do Planalto, a conversa durou cerca de 40 minutos. “O presidente Macron reiterou o interesse da França em participar dos esforços brasileiros para a aquisição de supercomputadores, em reforço à soberania digital do Brasil”, disse.

Há pouco mais de dez anos, o governo adquiriu um primeiro supercomputador da França. Agora, o país está dando um salto em sua capacidade computacional e deve abrir licitação para a compra de novas tecnologias, principalmente para o setor de IA.

Ciente da busca do Brasil por alternativas à tecnologia dos EUA, Macron vem insistindo em oferecer supercomputadores ao país. Para Brasília, a França terá de fazer uma oferta de preços e apresentar uma tecnologia que seja considerada como adequada.

No encontro desta segunda-feira, o presidente brasileiro destacou ainda que este ano marca os 20 anos da criação da UNITAID, organização criada por Lula e Jacques Chirac em 2006, com o objetivo de promover a ampliação do acesso a medicamentos pelos países do Sul Global. A iniciativa foi lembrada como exemplo concreto de combate às desigualdades e de reafirmação da solidariedade internacional.

“Na esfera bilateral, os dois presidentes reiteraram os avanços positivos da cooperação em defesa, em especial o sucesso do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB)”, disse.

“Os mandatários concordaram também em ultimar medidas para o aprofundamento da cooperação transfronteiriça entre a Guiana Francesa e o Amapá”, completou a nota do governo.

*Jamil Chade/ICL


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Brasil Mundo

Liderada por Brasil, negociação na OIT aprova salário mínimo para trabalhador de aplicativo

Após intensas negociações, governos chegam a acordo para criar primeira convenção internacional para garantir direitos aos trabalhadores de aplicativos

Pela primeira vez na história, trabalhadores de aplicativos terão uma convenção internacional. Depois de uma negociação tensa e liderada por Brasil e México, empregadores, governos e trabalhadores chegaram a um acordo sobre a criação de uma convenção na OIT (Organização Internacional do Trabalho).

Pelo acordo, empresas não poderão discriminar os trabalhadores por algoritmos. Ou seja, não podem usar a tecnologia para rejeitar trabalhadores negros, imigrantes ou mulheres.

Fica estabelecido também a necessidade de que se crie um salário mínimo para esses trabalhadores e que eles tenham direito a um seguro de saúde.

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, comemorou. A avaliação do governo é que, ante da diversidade de opiniões e interesses, bem como da complexidade do tema, todos sabiam que desde o início, que as negociações seriam desafiadoras”, disse.

Para o Brasil, em um contexto internacional complexo, o multilateralismo reafirma sua força.

A estimativa do governo é de que, apenas no Brasil, cerca de 2 milhões de trabalhadores terão suas oportunidades, sua dignidade e sua autonomia fortalecidas por esta convenção.

O governo de Donald Trump tentou diluir o quanto pode o texto e contou com o apoio de Israel. Mas o Brasil comemorou a primeira normatização do trabalho em plataformas. O governo Lula, porém, quer que isso seja apenas um piso, um ponto de partida para as leis trabalhistas no setor.

O que diz o texto
Estados devem adotar medidas para prevenir acidentes, doenças ocupacionais e outros danos à saúde relacionados ao trabalho em plataformas digitais, garantindo inclusive o direito do trabalhador de interromper atividades diante de risco iminente e grave à sua vida ou saúde, sem sofrer consequências indevidas.

Os Estados devem assegurar a correta classificação da existência ou não de vínculo empregatício, considerando principalmente os fatos relativos à execução do trabalho, remuneração e demais elementos característicos da relação laboral.

Os trabalhadores devem receber remuneração devida em tempo hábil e de forma integral. Quando houver relação de emprego, a remuneração não poderá ser inferior ao salário mínimo legal ou negociado. As plataformas também deverão fornecer informações claras sobre pagamentos e descontos.

Os trabalhadores de plataformas digitais devem ter acesso à proteção previdenciária e à seguridade social em condições não inferiores às aplicáveis a outros trabalhadores com a mesma classificação jurídica.

As plataformas devem informar os trabalhadores sobre o uso de algoritmos e sistemas automatizados para monitoramento, avaliação e tomada de decisões. Trabalhadores terão direito a explicações sobre decisões automatizadas que afetem seu trabalho, incluindo suspensão, bloqueio de conta ou desligamento.

*Jamil Chade/ICL


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Esporte Mundo

Vídeos: “Parece a Carreta Furacão”: abertura da Copa 2026 é detonada nas redes

A cerimônia de abertura da Copa do Mundo de 2026, realizada nesta quinta-feira (11) no Estádio Azteca, na Cidade do México, movimentou as redes sociais antes mesmo de a bola rolar para México x África do Sul. Com apresentações de Shakira e do cantor nigeriano Burna Boy, intérpretes da música oficial do torneio, “Dai Dai”, o evento recebeu reações variadas do público, mas as críticas acabaram dominando boa parte dos comentários online.

A abertura marcou o início do primeiro Mundial sediado por três países: México, Estados Unidos e Canadá. Apesar da expectativa em torno do espetáculo, muitos internautas demonstraram decepção com a produção. Comparações com eventos anteriores surgiram rapidamente, especialmente com a cerimônia realizada no Brasil em 2014, que teve uma produção maior e voltou aos assuntos mais comentados nas redes sociais.

Entre os comentários publicados nas redes sociais, diversos internautas fizeram críticas à produção da cerimônia. “Tá parecendo a Carreta Furacão”, escreveu um usuário. Outro ironizou: “Amei a ref carreta furacão + terno do Didi Mocó”. “Eu prefiro ver o filme do Pelé”, comentou um perfil.

Outros espectadores compararam a apresentação a eventos escolares. “Parece uma gincana de colégio do ensino fundamental”, publicou um internauta, em uma das mensagens que repercutiram durante a abertura da Copa do Mundo de 2026.

As críticas também foram direcionadas ao formato da cerimônia e à execução artística. “Achei um 8. Esperando por nossa Álvaro Cabral: Anitta”, publicou um usuário. A presença de personagens Labubu durante uma das apresentações também chamou atenção e provocou reações bem-humoradas. “Do nada os labubu na abertura da copa do mundo”, escreveu outro internauta.

A comparação com a Copa de 2014 apareceu em diversas publicações. Muitos usuários relembraram a cerimônia realizada no Brasil como referência de espetáculo. “a abertura da copa do mundo no brasil sempre será superior”, afirmou um comentário. Outro destacou: “Falem bem ou fale mal, mas todo mundo sabe que a abertura da copa do mundo de 2014, foi incrível e inesquecível! We Are One, você sempre terá um lugar no meu coração!”

Mesmo com a repercussão negativa predominante, parte do público elogiou algumas atrações musicais. Shakira foi um dos nomes mais citados positivamente pelos espectadores. A cantora colombiana participou pela terceira vez de uma cerimônia oficial de Copa do Mundo e recebeu elogios de fãs durante toda a apresentação.

“O look polêmico” da artista também esteve entre os assuntos mais comentados nas redes sociais. Além da discussão sobre o figurino, muitos usuários apontaram a presença da cantora como um dos pontos altos da festa. “Shakira salvou mais uma vez”, resumiu um internauta.

*DCM


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Irã ataca complexo petroquímico no norte de Israel e acusa Tel Aviv de iniciar ‘jogo perigoso’

Guarda Revolucionária Islâmica afirma que ofensiva responde aos bombardeios israelenses contra empresa de petróleo em Mahshahr

A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) afirmou ter lançado mísseis contra bases aéreas e instalações petroquímicas em Israel nesta segunda-feira (08/06). Os projéteis foram disparados contra um complexo petroquímico em Haifa, no norte de Israel.

Em comunicado, a corporação afirmou que a ação foi uma resposta direta ao bombardeio israelense contra a empresa petroquímica Karoon, localizada na cidade iraniana de Mahshahr, na província de Khuzistão.

“Em resposta à agressão do inimigo sionista contra uma indústria petroquímica, lançamos um ataque com mísseis contra uma instalação semelhante em Haifa há poucos minutos”, declarou o órgão militar iraniano.

A Guarda Revolucionária também acusou Israel de iniciar um “jogo perigoso” ao atingir alvos civis e instalações ligadas à indústria petrolífera. Segundo o comunicado, as consequências dessas ações poderão “abranger todos os objetivos energéticos da região”.

O IRGC acrescentou ainda que eventuais impactos sobre a economia global seriam responsabilidade dos Estados Unidos, descritos pelo grupo como o “principal instigador” da atual escalada militar.

Além do ataque a Haifa, a agência Fars informou que a Guarda Revolucionária lançou mísseis contra as bases aéreas israelenses de Nevatim e Tel Nof, em resposta aos recentes bombardeios israelenses contra sistemas de radar em território iraniano.

Ataques israelenses
As Forças Armadas de Israel emitiram uma série de alertas desde domingo diante das sucessivas ondas de mísseis disparadas pelo Irã. A imprensa israelense também informou que um míssil lançado a partir do Iêmen foi interceptado pelos sistemas de defesa do país.

Em paralelo, Israel ampliou sua ofensiva contra o Irã. Moradores relataram fortes explosões em Teerã, Isfahan e Tabriz. De acordo com a agência estatal IRNA, ao menos duas explosões foram registradas na capital iraniana e outras três em Isfahan. Os militares israelenses confirmaram ataques contra alvos militares localizados no oeste e no centro do país.

Entre os alvos atingidos está a empresa petroquímica Karoon, situada em Mahshahr. Autoridades iranianas informaram que o ataque causou danos em parte da instalação, levando à evacuação dos trabalhadores. O Crescente Vermelho iraniano declarou estado de alerta para responder às possíveis consequências dos bombardeios em diferentes regiões do país.

A escalada acontece após ataques israelenses aos arredores de Beirute, no Líbano, classificados por Teerã como uma violação de uma “linha vermelha” do cessar-fogo entre Israel e o país vizinho. O governo iraniano afirmou que os disparos contra o norte de Israel foram uma resposta direta a essas operações militares próximas à capital libanesa.

*Opera Mundi


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