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Assista à manifestação no Rio de Janeiro: Congresso inimigo do povo

As manifestações contra o Projeto de Lei (PL) da Dosimetria em São Paulo e Rio de Janeiro terão transmissão ao vivo, neste domingo (14). Das 27 unidades federativas, 18 convocaram os atos para hoje.

No Rio, os atos acontecem no Posto 5 de Copacabana, e reúnem diversos artistas, com direito a apresentação de Caetano Veloso, Paulinho da Viola, Gil, Chico Buarque e outros. Em São Paulo, o portal Diário do Centro do Mundo (DCM) acompanha o ato, além de receber o deputado estadual Leonel Radde (PT-RS) para bate-papo com os jornalistas. A manifestação ocorre na Avenida Paulista, no coração da grande SP.

https://youtu.be/RLCH2l3OiYc


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Toffoli retira quebra de sigilo de Vorcaro da CPMI do INSS

Documentos devem ser enviados para a presidência do Senado até decisão definitiva do STF sobre o caso

André Richter – da Agência Brasil

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta sexta-feira (12) restringir o acesso da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aos documentos das quebras de sigilos bancário, fiscal e telefônico do banqueiro Daniel Vorcaro, um dos sócios do Banco Master.

Pela decisão do ministro, os documentos deverão ser retirados da CPMI e enviados para a presidência do Senado, onde deverão ficar guardados até uma decisão definitiva do STF sobre a questão. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, não faz parte da comissão.

Toffoli mantém decisão da CPI
Na mesma decisão, Toffoli negou pedido de defesa do banqueiro e manteve a legalidade das decisões da CPMI e da Justiça que determinaram as quebras de sigilo.

Na semana passada, a CPMI aprovou a quebra de sigilo de Vorcaro. A comissão investiga operações de crédito do Banco Master para aposentados e pensionistas e aportes de fundos previdência de servidores públicos na instituição financeira, que foi liquidada pelo Banco Central.

Vorcaro e outros sócios do banco foram alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF para investigar a concessão de créditos falsos pelo Banco Master, incluindo a tentativa de compra da instituição financeira pelo Banco Regional de Brasília (BRB), banco público ligado ao governo do Distrito Federal.

Pelas redes sociais, o senador Carlos Viana (Podemos -MG), presidente da CPMI, disse que a decisão de Toffoli causa indignação.

“Essa decisão não é apenas estranha. É grave. Sempre que se afasta de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito o acesso a documentos essenciais, enfraquece-se a investigação e amplia-se a desconfiança da sociedade sobre o que se tenta ocultar”, afirmou.


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Vídeo: Ataque a tiros deixa 10 mortos em evento judaico da Austrália; ao menos 13 feridos

Disparos ocorreram durante evento da comunidade judaica na praia de Bondi; dois suspeitos foram presos e a polícia mantém operação em andamento

Um ataque a tiros deixou pelo menos 10 pessoas mortas e várias feridas na praia de Bondi, em Sydney, na Austrália, neste domingo (14). Segundo a polícia de Nova Gales do Sul, os disparos ocorreram durante um evento da comunidade judaica realizado no local. Dois suspeitos foram presos, sendo que um atirador morreu e outro está hospitalizado, enquanto a operação policial segue em andamento.

A polícia australiana informou que ao menos 13 pessoas foram encaminhadas a hospitais, embora ainda não esteja claro se esse número inclui as vítimas fatais. O ataque aconteceu em um momento de grande movimentação na praia, um dos principais pontos turísticos do país

De acordo com o jornal Sydney Morning Herald, publicado pelo Agenda do Poder, houve múltiplos disparos na região. Ainda não há informações oficiais sobre a motivação do crime, mas autoridades confirmaram que havia um evento da comunidade judaica no local, relacionado à celebração do festival de Hanukkah, que teria começado ao pôr do sol.

Um dos vídeos que circulam nas redes sociais mostram um dos atiradores em ação antes de ser imobilizado por um homem de camiseta branca, aparentemente civil, que lhe tomou a arma. Outro homem é visto disparando várias vezes de um local próximo, em uma passarela, antes de, aparentemente, ser atingido pelas forças de segurança.

https://twitter.com/i/status/2000186817321300131

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Política

Otto critica projeto da Câmara sobre dosimetria e diz que texto não passará no Senado

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, o baiano Otto Alencar (PSD), afirmou que o projeto de dosimetria penal aprovado pela Câmara dos Deputados não deve avançar no Senado. Ao UOL, o senador disse que o texto vai além dos atos ligados ao Oito de Janeiro de 2023 e pode reduzir penas de crimes graves, como corrupção e crimes sexuais.

Otto informou que solicitou um estudo jurídico sobre a proposta e disse ter ficado alarmado com o resultado. “Alivia pena de crimes sexuais, de corrupção. Esse projeto anula o Antifacção. Assim não passa”, declarou.

Conforme o parecer da assessoria jurídica, o texto aprovado pela Câmara altera regras gerais do Código Penal, sem limitar seus efeitos apenas aos envolvidos na tentativa de golpe. Na prática, as mudanças impactariam todos os crimes submetidos à dosimetria penal.

“O projeto não cria novos tipos penais nem restringe sua aplicação aos crimes do Oito de Janeiro”, avaliou Otto. O estudo aponta que, mesmo com contexto político ligado aos atos golpistas, o texto modifica critérios gerais de cálculo de pena.

Segundo o documento, crimes de corrupção, como peculato, concussão e corrupção ativa e passiva, seriam automaticamente afetados. O mesmo ocorreria com crimes contra a dignidade sexual, cuja pena-base depende de fatores como culpabilidade, circunstâncias e personalidade do agente.

Para o senador, qualquer padronização ou limitação nesses critérios pode resultar em redução de penas também para crimes sexuais. “E piora”, resumiu Otto ao comentar o impacto do projeto.

Em tom duro, o parlamentar criticou a atual composição da Câmara. “Virou um ajuntamento de pessoas sem noção do impacto do que faz. Do jeito que está, não dá”, afirmou.

Otto Alencar disse ainda que já acionou o relator do projeto no Senado, Espiridião Amin (PP-SC), e garantiu que a proposta só avançará se for profundamente modificada. “Da CCJ esse texto só sai redondo. Eu não entrego de outro jeito”, concluiu.


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Congresso esculhambação: Delação de “Beto Louco” cita favores a Alcolumbre em troca de benefícios na ANP

Proposta entregue à PGR por empresários do setor de combustíveis detalha depósitos de R$ 2,5 milhões e mensagens atribuídas ao presidente do Senado

247 – A revista piauí revelou, em reportagem, que segue abaixo, que uma proposta de colaboração premiada apresentada à Procuradoria-Geral da República (PGR) descreve supostos repasses milionários ligados a eventos no Amapá e a tentativas de reverter sanções regulatórias impostas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Detalhes de uma delação inflamável
Beto Louco, investigado em fraude dos combustíveis, quer relatar à PGR pagamentos pedidos a Alcolumbre para bancar show de Roberto Carlos – uma parte dos milhões que diz já ter desembolsado para o senador

Breno Pires, de Brasília, João Batista Jr, do Rio de Janeiro, e Arthur Guimarães, de São Paulo

O Amapá celebrou os últimos dias de 2024 com uma programação que incluiu shows de astros da música como João Gomes, Alceu Valença, Pablo do Arrocha, Alok e a maior estrela, Roberto Carlos. Em um texto de divulgação, o governo do Estado celebrou o próprio governador, Clécio Luís, do Solidariedade, e o senador DaviAlcolumbre (União-AP). Dizia: “O trabalho sério e com responsabilidade de divulgação do Amapá feito pelo governador Clécio, com apoio do senador Davi, vem chamando a atenção da iniciativa privada e garantindo investidores para os eventos”. Não há detalhes de como o parlamentar, que não tem nenhum cargo no governo do Amapá, participou dos preparativos.

Uma versão muito menos congratulatória está detalhada em uma proposta de colaboração premiada apresentada à Procuradoria-Geral da República. Os candidatos a delator são dois investigados em fraudes bilionárias no setor de combustíveis: o empresário Roberto Leme — conhecido como Beto Louco, controlador da Copape, fabricante de gasolina — e seu sócio Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”. A dupla propõe revelar como abasteceu boa parte do panteão do Congresso Nacional com dezenas de milhões de reais em troca de influência, entre 2021 e 2025, com destaque para Davi Alcolumbre, presidente do Senado, e Antonio Rueda, presidente do União Brasil.

No episódio dos shows em Macapá, Beto Louco conta que desembolsou 2,5 milhões de reais, a pedido de Alcolumbre, para bancar o show de Roberto Carlos. A piauí apurou que a proposta de delação diz que a tratativa foi realizada no dia 20 de dezembro de 2024, em reunião presencial no gabinete do senador, em Brasília. O dinheiro, afirma a proposta de delação, era a forma encontrada por Beto Louco para tentar reverter uma decisão da Agência Nacional do Petróleo (ANP) que havia proibido a Copape de produzir combustível, sua principal atividade. O empresário reclamou que o fechamento fora resultado de “perseguição regulatória” e pediu ajuda.

Na conversa, Beto Louco lembrou que o senador tinha meios de pressionar por uma reversão. Afinal, naquele mês de dezembro, o governo Lula havia indicado dois nomes para integrar a diretoria da ANP. E os nomes seriam submetidos a uma sabatina no Senado, momento em que Alcolumbre podia exercer sua influência.

De acordo com o relato entregue à PGR, Alcolumbre sinalizou disposição para ajudar. Em dado momento da reunião, ainda segundo o documento, o senador mudou de assunto e contou que ele próprio estava com um problemão de outra natureza. Com a desistência de um patrocinador, ficou faltando dinheiro bancar os custos do show de Roberto Carlos, já anunciado pelo governo amapaense. Faltavam precisamente 2,5 milhões de reais.

Segundo a proposta de delação, Beto Louco concordou em pagar o valor, e o senador pediu que a transferência fosse feita por intermédio de um contato chamado “Cleverson”.

Segundo os documentos apresentados à PGR, o intermediário enviou os dados de duas contas bancárias para o depósito de duas parcelas, cada uma no valor de 1,25 milhão. Uma conta era da CINQ Capital Instituição de Pagamentos, no Banco do Brasil. A outra era da QIX Transportes Logística Ltda, na Sicredi.

Conforme o combinado, as duas transferências foram realizadas por uma empresa da dupla na véspera do show do Rei, que aconteceu no dia 28 de dezembro. A piauí teve acesso ao número de contato de “Cleverson”. O DDD é do Ceará e o dono do número chama-se Kleryston Pontes Silveira, um empresário do ramo musical de Fortaleza, que trabalha para nomes como Xand Avião, Zé Vaqueiro, Nattan e Mari Fernandez. Roberto Carlos não está entre seus agenciados.

Ainda segundo o material de posse da PGR, Beto Louco ligou para Alcolumbre para avisar que os depósitos haviam sido feitos. A ligação estava falhando, mas logo o senador respondeu com uma mensagem: “Tamo junto sempre!”. Em seguida, o senador emendou uma outra mensagem com o desenho de um gesto de prece seguido de um “Muito obrigado!”.

Procurado pela piauí, Alcolumbre respondeu por meio de sua assessoria que “não mantém relação comercial ou empresarial com os citados”. Sua nota diz o seguinte:

“As empresas mencionadas [refere-se à QINC e à QIX] nunca patrocinaram o Réveillon do Amapá nem qualquer evento articulado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O senador não mantém relação comercial ou empresarial com os citados.

É fato público que o presidente Davi sempre buscou, de forma institucional, correta e transparente, apoio de empresas para iniciativas que fortalecem a cultura e geram empregos no Amapá — como a Expofeira, o Carnaval e o Réveillon. Em 2024, o senador solicitou a várias empresas e instituições apoio para fomentar o evento, entre elas a Febraban e o Banco do Brasil.

Como senador do Amapá, Davi Alcolumbre atua diariamente em todas as pautas estratégicas para o estado. Recebe dezenas de pessoas por dia em seus compromissos, sempre dentro da legalidade, e continuará fazendo isso porque o desenvolvimento do Amapá é a sua bandeira.

O presidente do Senado repudia de forma categórica qualquer tentativa de associá-lo a atos ilícitos, denuncia a distorção dos fatos e reafirma seu compromisso inegociável com a lei e com a verdade.”

A nota deixou sem resposta parte das perguntas enviadas pela piauí. O senador não confirmou nem negou que houve uma reunião em seu gabinete no dia 20 de dezembro de 2024. Tampouco informa se o senador solicitou ou não apoio financeiro aos dois empresários sob investigação. Não respondeu se conhece os empresários, nem as circunstâncias que os conheceu. Não fala sobre “Cleverson”, nem sobre Kleryston Pontes Silveira. Por fim, nada disse sobre as mensagens “Tamo junto sempre!” e “Muito obrigado!”.

A defesa de Beto Louco e de Mohamad Mourad afirma que “não se manifestará a respeito da existência ou não de quaisquer tratativas de acordo, sobretudo porque, se existirem, devem tramitar sob o mais absoluto sigilo”. Na mesma resposta, nega as suspeitas de investigadores de que os dois empresários têm ligação com o PCC. Os advogados dos empresários nas negociações com a PGR são diferentes dos advogados que representam eles nas ações penais.

Procurado pela piauí, o empresário Kleryston Pontes Silveira diz que conhece o senador Alcolumbre apenas de forma profissional: “Dos eventos que meus artistas já fizeram no Amapá.” Sobre o show de Roberto Carlos, ele nega ter tido qualquer ingerência. Indagado se conversou com Beto Louco e se encaminhou a ele seus dados bancários, conforme consta em documentos enviados à PGR, ele não respondeu. No festival de Réveillon de 2026, o cantor Nattan, agenciado por ele, está confirmado para cantar em Macapá.

Os dois nomes indicados pelo governo para integrar a ANP foram sabatinados e confirmados: Artur Watt Neto, indicado pelo senador Otto Alencar, do PSD-BA, e Pietro Mendes, indicado pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, do PSD-MG.

De acordo com a proposta de delação de Beto Louco, o escambo entre favores e propinas em Brasília tornou-se mais frequente em 2024, principalmente depois do fim de julho, quando a ANP proibiu a Copape de atuar na produção de combustível. Para tentar reverter a decisão da ANP, Beto Louco e Mohamad Mourad passaram a fazer viagens à capital federal, acionando contatos antigos e novos. Em troca, eles afirmam ter bancado demandas pessoais e despesas de autoridades do Congresso. Gastaram, por exemplo, 150 mil reais em canetas de Mounjaro, medicamento para controle de diabetes e perda de peso, entregues a Alcolumbre dias depois da decisão da ANP, conforme revelou o portal UOL.

Eles também afirmam que, ao longo de quatro anos, repassaram dezenas de milhões de reais a políticos em troca de interferências diversas em benefício de seus negócios. Na proposta de delação, segundo a piauí apurou, eles dizem que uma parte dos pagamentos se deu em dinheiro vivo, retirado em um escritório em São Paulo, onde intermediários de senadores, deputados e dirigentes partidários apareciam para buscar malas de dinheiro. Outra parte saiu por meio de empresas ligadas ao Copape (Antonio Rueda não respondeu às perguntas enviadas pela piauí).

Beto Louco e Mohamad Mourad procuraram o Ministério Público Federal em setembro, depois que viraram alvos de duas ruidosas investigações criminais do país — a Operação Carbono Oculto, do Ministério Público de São Paulo, e a Operação Tank, da Polícia Federal no Paraná, ambas deflagradas no mesmo dia 28 de agosto de 2025. As investigações desmantelaram esquemas de adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro envolvendo escritórios e fundos da Faria Lima, o centro financeiro de São Paulo e do país. A dupla fugiu do país na véspera das operações policiais. A fuga aconteceu exatamente oito meses depois dos festejos em Macapá.

Semanas depois, a proposta de colaboração premiada foi rejeitada pela PGR. Procurada pela piauí, a procuradoria disse que “não comenta eventuais discussões ou confirma a existência de tratativas”, em razão do sigilo imposto pela lei que trata de colaborações premiadas. Em conversas reservadas, interlocutores do procurador-geral da República, Paulo Gonet, contam que o material entregue pela Copape não apresentou “materialidade suficiente”.

As delações viraram mania nacional durante a Lava Jato e, desde então, exibiram tanto suas qualidades como seus defeitos. A qualidade fundamental é que um delator – sempre um envolvido diretamente no esquema que denuncia – é uma das formas mais eficientes para se obter informações internas de uma organização criminosa. O defeito é que, em busca dos benefícios da delação, nem sempre o denunciante conta a verdade, ou conta tudo. Para isso, no entanto, existe a investigação policial, cujo objetivo é exatamente comprovar (ou não) os crimes denunciados pelo delator.

Há outro problema que, no entanto, não é inerente às delações. Trata-se da divulgação do conteúdo de uma delação como se fosse expressão da verdade. E há casos em que, depois de submetida ao crivo das autoridades, a delação não se mostra tão comprometedora quanto parecia à primeira vista. Ou seja: crimes são denunciados, criam um ambiente de punitivismo generalizado e, depois, não são comprovados. Ou pior: comprova-se que o delator exagerou na denúncia. Neste sentido, o cuidado da PGR em aceitar a delação de Beto Louco é bem-vindo. Será uma lástima, porém, se a delação for rejeitada mesmo tendo elementos consistentes e passíveis de apuração.

Depois da rejeição da proposta de delação pela PGR, Beto Louco e Mohamad Mourad enviaram informações complementares à sugestão inicial, e ainda aguardam uma nova análise da procuradoria. Cabe ao procurador-geral Paulo Gonet decidir se quer investigar o que os empresários estão dispostos a revelar, em meio à forte pressão política para abafar o caso.

Gonet foi indicado pelo presidente Lula para um segundo mandato como procurador-geral, no dia 27 de agosto, um dia antes da deflagração das operações Carbono Oculto e Tank. Alcolumbre segurou a sabatina e a votação para validar o nome de Gonet no Senado até o dia 12 de novembro, quando, de acordo com as informações obtidas pela piauí, a PGR já havia rejeitado a primeira proposta de colaboração premiada que o tinha como alvo. A aprovação do nome de Gonet foi a mais apertada desde a redemocratização, com placar de 26 votos contrários e 45 favoráveis, apenas quatro a mais que o necessário (o mínimo são 41).

A proposta de delação surge num contexto institucional delicado. Cabe ao presidente do Senado — hoje, Davi Alcolumbre — decidir sobre a admissibilidade de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal, algo que Alcolumbre sempre se recusou a fazer. O tema ganhou nova tensão dias atrás, quando o ministro Gilmar Mendes concedeu liminar restringindo à PGR a legitimidade para apresentar pedidos desse tipo, sob o argumento de evitar o uso político do instrumento. A decisão veio no momento em que diferentes operações — Carbono Oculto, Refit e a investigação sobre o Banco Master — colocaram integrantes da cúpula do Congresso sob pressão, além das investigações sobre emendas parlamentares. Não há indicação de relação direta entre esses episódios, mas o acúmulo de frentes sensíveis coincide com a cautela na PGR sobre a delação de Beto Louco e Mohamad Primo.

A lei não obriga o Ministério Público a aceitar qualquer colaboração. O órgão pode recusar acordos considerados irrelevantes, frágeis ou repetitivos. Nos últimos anos, o STF endureceu a fiscalização sobre delações “vazias” e benefícios excessivos.

Procurado pela piauí, o governo do Estado diz que “o Réveillon do Amapá foi realizado pelo Instituto Acender [Iseap] e contou com patrocínio da Cervejaria Império, do Banco do Brasil e da Febraban, além do apoio do Sesc (Fecomércio/Senac) e do Ministério do Turismo. Os patrocinadores foram responsáveis pela contratação, negociação e pagamento dos cachês dos artistas”.

A resposta reforça que os cachês de artistas não estão contemplados nos 3,46 milhões de reais do orçamento do evento (cerca de metade dos cofres estaduais e a outra de emendas parlamentares). O governo do Estado não informou o valor total dos pagamentos dos artistas, quais foram os pagantes e quem cuidou das contratações.

Os shows de João Gomes e Alok costumam custar na casa de 1 milhão de reais cada (fora os custos indiretos de estrutura). O de Roberto Carlos varia entre entre 1,5 e 2 milhões de reais.

Procurado, o empresário do Rei informou desconhecer que Davi Alcolumbre tenha intermediado o pagamento de cachês e alegou que, por razões contratuais, não iria informar o valor cobrado para a realização do show em Macapá.

Em sua nota à piauí, o governo defende que o “Réveillon 2025 movimentou 211 milhões de reais na economia local, com a atração de 32 mil turistas, sendo 13.959 viajantes internacionais. A ocupação da rede hoteleira no período foi de 97%”.

O mesmo comunicado oficial saiu em defesa de Alcolumbre. “O senador Davi Alcolumbre é um dos principais promotores do desenvolvimento do Estado e, de forma contínua, um dos incentivadores dos eventos que integram o calendário turístico do Amapá, por meio de apoio institucional”, afirma, em resposta ao que dizem Beto Louco e Mourad, que consideram as alegadas trocas de favores e milhões coisas muito grandes para esquecer.

*Revista piauí


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Política

Reunião no fim da noite expõe tensão da Câmara após decisão do STF e operação da PF

Encontro em sexta-feira com Brasília esvaziada mobilizou a presidência da Casa diante de decisão sobre Zambelli e operação contra ex-assessora ligada ao entorno de Lira

A convocação de uma reunião de líderes em plena sexta-feira no meio da noite, quanto Brasília já estava praticamente esvaziada, expôs o grau de preocupação interna na Câmara dos Deputados diante de dois episódios sensíveis: a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso envolvendo a deputada Carla Zambelli e a operação autorizada pelo ministro Flávio Dino que teve como alvo uma ex-assessora ligada ao entorno do ex-presidente da Casa, Arthur Lira.

O encontro, considerado atípico por parlamentares, ocorreu fora da rotina do Congresso e foi interpretado como um sinal claro de que o tema mobilizou a cúpula da Câmara, especialmente a presidência. Nos bastidores, a avaliação é de que a reunião teve como objetivo alinhar uma resposta política e institucional diante da repercussão crescente do caso no Judiciário e no meio político.

Ao final da reunião, por volta das 23h, a presidência da Câmara divulgou uma breve nota à imprensa. No texto, Hugo Motta buscou se justificar em relação à operação, tentou afastar qualquer suspeita sobre a atuação da Casa e, ao mesmo tempo, atribuiu ao Poder Executivo a responsabilidade pela execução das emendas parlamentares, ao afirmar que cabe ao governo federal e aos entes federados a contratação, o pagamento e a liberação dos recursos.

Uma forma de, através da nota, tentar deslocar o foco das críticas para o Executivo, desconsiderando o contexto mais amplo da execução orçamentária e o papel político desempenhado pelo Parlamento na indicação, organização e direcionamento das emendas. A estratégia, avaliam interlocutores, não elimina o desgaste institucional gerado pelo caso nem reduz a pressão sobre a Mesa Diretora.

Tensão na Câmara
O episódio ocorre em meio a um ambiente de tensão adicional provocado pelo prazo de 48 horas para o cumprimento da decisão do STF que determinou a cassação de Carla Zambelli, prazo que se encerra neste domingo (14). Apesar disso, Motta já indicou a interlocutores que pretende se manifestar formalmente sobre o tema apenas na segunda-feira, o que tem sido interpretado como uma forma de Motta querer reafirmar força diante do STF e marcar posição.

Parlamentares avaliam que o eventual descumprimento da decisão judicial pode gerar responsabilizações diretas, incluindo a possibilidade de afastamento do comando da Casa. Às vésperas do encerramento do ano legislativo, a sucessão de episódios reforça a percepção de que a crise ultrapassou o campo administrativo e passou a mobilizar o núcleo político da Câmara dos Deputados.

*ICL


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Mundo

Não há tensão entre EUA e Venezuela, há agressor e agredido

Classificar as hostilidades de Washington como uma ‘tensão entre nações’ é criar uma equivalência irreal e absurda

Quando as grandes agências internacionais e a imprensa comercial brasileira voltam a olhar para o que está acontecendo com a Venezuela, é comum a classificação da conjuntura como “uma tensão entre Caracas e os Estados Unidos“.

Não parece importar a posição defensiva venezuelana e os pedidos de paz feitos pelo governo de Nicolás Maduro, a falsa equivalência permanece nas matérias e nas análises.

Até parece que são os venezuelanos que moveram o maior porta-aviões do mundo para a costa da Flórida e conduzem exercícios militares a poucos quilômetros do território estadunidense.

Ou até que é o ministro da Defesa de Maduro que viaja com frequência para países do Caribe para pedir apoio a governos locais à sua campanha de pressão máxima contra Donald Trump.

E que cidadãos estadunidenses estão sendo executados em bombardeios contra embarcações não identificadas, alvos da inteligência venezuelana em um suposto esforço de combate ao narcotráfico.

Todas essas situações estão ocorrendo neste momento, enquanto escrevo estas linhas. Mas, na realidade, são os Estados Unidos quem bombardeia e mata venezuelanos em lanchas, foi Trump que ordenou o deslocamento de tropas no Mar Caribe e é o seu secretário que articula com governos de direita aliados na América Latina a pressão para a derrubada de Maduro.

Ontem (11), Trump deu mais um passo: ordenou o sequestro de um barco que carregava toneladas de barril de petróleo de produção venezuelana, alegando violação das sanções aplicadas pelo Departamento do Tesouro dos EUA.

“Roubo descarado e pirataria”, reagiu Caracas. Na verdade, roubos e pilhagem de ativos venezuelanos se tornaram recorrentes desde que Trump chegou à Casa Branca. Desde 2016, a Venezuela teve recursos congelados em bancos internacionais, reservas de ouro apreendidas no Banco da Inglaterra, uma rede de refinarias liquidada à revelia pela Justiça norte-americana e está, desde 2019, praticamente impedida de vender seu principal produto, o petróleo, sem ter que triangular com operadoras de outros países, correndo altos riscos e pagando altas taxas.

O momento, obviamente, é tenso para a Venezuela e para a região. Uma ação militar dos EUA teria consequências desastrosas para todos os países da América Latina e arrastaria o povo estadunidense a mais uma das inúmeras guerras de rapina que a Casa Branca frequentemente cria.

No entanto, classificar as hostilidades de Washington como uma “tensão entre nações” é criar uma equivalência de posturas e poder de fogo que, na prática, são irreais e beiram o absurdo.

O Brasil de Fato é o único veículo de comunicação do país que mantém uma correspondência fixa na Venezuela há mais de 10 anos. Nosso objetivo é informar os leitores e espectadores com objetividade, qualidade e rigor jornalístico, evidenciando todos os riscos que a situação apresenta. Sem falsas simetrias ou comparações, mas com uma visão popular e anti-imperialista.


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*BdF


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Política

Zambelli só tem uma saída, delatar a bandalha bolsonarista

A fidelidade de Carla Zambelli tem limite, tanto isso é verdade, que Flavio Bolsonaro, Girão e Damares, lideraram uma caravana para a Itália n tentativa de amarrar a boca dqa moça, promentendo salvar seu mandato e, consequentemente, impedir a sua prisão aqui no Brasil.

Aquela comemoração, trombeteada pelos bolsonaridas, ficou estacionada ali, porque ALexandre de Moraes redimensionou o caso, tratorando o Congresso que havia decidido salvar uma criminosa comum, que tem a chave da caixa de pandora capaz de mandar pelos ares toda a curriola bolsonarista no Congreeso, junto com todo o clã Bolsonaro.

Lógico que a vitória de Glauber Braga sobre Arthur Lira, via Hugo Motta, é algo a ser muito comemorado, até porque houve uma virada espetacular em 24 horas, não deixando dúvidas de que a mobilização da sociedade foi a chave da vitória.

Mas no caso de Zambelli, sua condenação por Moraes e já já sua extradição para o Brasil, terão um capítulo à parte, pois, abrindo a boca, a jugular de Bolsonaro vai para o espaço.

Para piorar e tirar o bolsonarismo completamente do prumo, Lula conseguiu tirar as sanções contra Moreas pelos EUA, através da Lei Magnistky, mostrando que, hoje, efetivamente, o clã Bolsonao está politicamente restrito ao clã.

Tudo indica que a tentativa de utilizar o PL da Isometria também caminha para o fracasso. E a sociedade está mais indignada do que com o PL da Bandidagem.

Uma coisa é certa, a cada dia que passa, o desenrolar dos fatos mostra que Bolsonaro e seus filhos estão pisando mais em falso, cada vez com menos apoio, cada vez mais expostos à luz do dia.

Nesse caso, tudo indica que Zambelli imitará Mauro Cid, pois, com certeza, ela sabe de coisas do arco da velha.

O encrudecimento de Moraes contra Za,nelli não deixa espaço para além de uma delação capaz de explodir o resto de bolsonarismo que ainda sobrou no Congresso.


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Política

PL da Dosimetria: esquerda vence batalha digital, com sete vezes mais posts do que o bolsonarismo, diz relatório

Mobilização favorável à gestão petista repete um cenário próximo ao observado após a aprovação da PEC da Blindagem

O debate digital sobre a aprovação do projeto de lei da Dosimetria, que prevê a redução de pena para o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros réus por atos golpistas, foi dominada por postagens de apoiadores do governo Lula. Segundo relatório da consultoria Bites, publicações governistas foram quase sete vezes mais frequentes que posts do bolsonarismo sobre o tema. De acorrdo com O Globo, mobilização favorável à gestão petista repete um cenário próximo ao observado após a aprovação da PEC da Blindagem.

Desde terça-feira, o PL da Dosimetria foi mencionado mais de 1,8 milhão de vezes nas redes sociais. Foram geradas 24 milhões de interações, com o pico tendo ocorrido na quarta-feira.

A versão do PL da Dosimetria aprovada na madrugada de quarta-feira pela Câmara, e que segue para análise no Senado, acelera o cumprimento da pena de Bolsonaro no caso da tentativa de golpe, mas mantém como remota a possibilidade de que ele volte a disputar uma eleição.

A articulação para a votação do projeto, que diminuiria pela metade o tempo de Bolsonaro no regime fechado, ocorreu após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se apresentar como o nome escolhido pelo ex-presidente como candidato do campo da direita nas eleições presidenciais de 2026.

A proposta foi aprovada com 291 votos a favor e 148 votos contrários. Os votos contra o projeto ficaram restritos à base de partidos mais ideologicamente ligados ao governo, como o PT, o PSOL, o PDT e o PSB. No caso das duas primeiras siglas, a votação foi unânime contra a proposta, enquanto o PDT e o PSB tiveram apenas um voto favorável cada um.

Por outro lado, o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro deu 75 votos favoráveis e apenas um contrário. Em geral, os partidos do Centrão apoiaram em peso a proposta. O MDB, por exemplo, que tem três ministros no governo Lula, deu apenas cinco votos contra o PL da Dosimetria. Em outros partidos mais à direita, como o União e o PP, o nível de divergência foi ainda menor: foram quatros votos contrários no União Brasil e apenas dois no PP.


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