A decisão de 48 prefeitos do Paraná de deixar o Partido Liberal (PL) foi oficialmente anunciada nesta quinta-feira (26), durante uma coletiva de imprensa em Curitiba. O movimento acontece em resposta à confirmação de apoio da legenda à candidatura de Sérgio Moro ao Governo do Estado, uma decisão que gerou reações entre lideranças municipais.
O evento foi realizado no Hotel San Juan, no Centro Cívico, e contou com a presença de dezenas de autoridades. De acordo com os organizadores, dos 53 prefeitos presentes, 48 confirmaram a desfiliação do partido. Alguns gestores justificaram a ausência, enquanto outros ainda estão indecisos sobre a decisão.
O ex-presidente estadual do PL, deputado Fernando Giacobo, explicou que a desfiliação foi motivada por divergências políticas e pela quebra de compromissos previamente firmados. “Esse acordo foi quebrado. Então, não fui eu que descumpri palavra”, declarou.
Segundo Giacobo, o grupo político que deixou o partido vinha se alinhando com um projeto político diferente do de Moro, e a decisão de apoiar o ex-juiz foi vista como incompatível com os princípios defendidos pelos prefeitos.
Em um discurso sincero, Giacobo falou das dificuldades pessoais envolvidas na decisão. “Vocês não pensam que está sendo fácil para mim sair de um partido que eu estou há seis mandatos”, disse, destacando que a coerência política foi o fator que o levou a romper com a legenda.
Ele também fez críticas à filiação de Moro, mencionando casos passados envolvendo o ex-juiz e ex-ministro.“Eu não posso concordar que o partido filiou um cidadão […] que quis botar Jair Messias Bolsonaro na cadeia”, disse.
Embora o rompimento tenha sido significativo, ele deixou claro que não imporá nenhum destino partidário aos prefeitos, segundo o DCM.
Ele afirmou que cada um poderá escolher sua nova legenda, levando em conta as necessidades políticas e administrativas de seus municípios. Apesar disso, a tendência é que os prefeitos se alinhem com partidos de perfil semelhante ao grupo político atual.
O movimento de desfiliação também foi respaldado pelo prefeito de Assis Chateaubriand, Marcel Micheletto, presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP). Ele afirmou que a decisão foi tomada em unidade, como forma de preservar um projeto político alinhado com o atual governo estadual e destacou que o grupo deve seguir em apoio ao governador Ratinho Junior (PSD), mantendo os avanços conquistados nos municípios.
A adesão de Sérgio Moro ao PL foi confirmada na semana passada e gerou uma série de críticas e divisões dentro do partido. Ele se tornou pré-candidato ao governo do Paraná, e recebeu apoio do pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro. No entanto, a decisão foi vista por muitos como uma tentativa de romper com o atual governo estadual.
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Instrução foi dada pelo presidente ao novo ministro da Fazenda
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta quinta-feira (26), ter demandado ao novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que apresente soluções para o endividamento das famílias brasileiras. Segundo o presidente, essa solução precisa vir acompanhada de campanhas voltadas à educação financeira das pessoas, para que melhor planejem seus orçamentos.
Em visita à unidade industrial da montadora Caoa, em Anápolis (GO), Lula disse que, apesar de a economia do país estar bem, há ainda um problema a ser resolvido: “temos a sociedade brasileira um pouco endividada”.
De acordo com o presidente, algumas dívidas podem ser consideradas boas, como é o caso das que são adquiridas para a formação de patrimônio, como imóveis; ou que garantam qualidade de vida, como a aquisição de automóveis ou aparelhos domésticos.
O problema, segundo ele, é quando a dívida ou a prestação ficam maiores do que o que sobra de dinheiro no final do mês.
“Aí, a gente fica zangado e culpa quem? Culpa o governo. O mundo é assim. A gente culpa o governo por tudo que dá errado. Eu sei que, na cabeça das pessoas, funciona assim”, disse o presidente.
“Por isso, eu pedi ao ministro da Fazenda para a gente resolver o problema da dívida das pessoas”, acrescentou.
Busca por uma solução Lula disse não querer que as pessoas deixem de se endividar “para ter uma coisa nova da vida”.
“O que nós queremos é ver como é que a gente faz para facilitar o pagamento daquilo que as pessoas devem, e como é que a gente pode começar a ensinar as pessoas a administrar o salário”, disse, ao falar também sobre os riscos de comprometer o orçamento futuro por meio do uso exagerado do cartão de crédito.
“Por isso o Dario Durigan está com a função de apresentar essa solução”, acrescentou.
Momento raro Durigan assumiu o cargo de ministro da Fazenda após a saída de Fernando Haddad, que vai disputar as próximas eleições. Segundo o novo ministro, o país passa por um “momento raro”.
“Não é senso comum nem algo básico que um país cresça e se desenvolva gerando emprego; que tire as pessoas do Mapa da Fome e, ao mesmo tempo, mantenha a inflação sob controle. Estamos vivendo um momento raro”, disse o ministro.
Ele lembrou que o atual governo foi o que mais fez concessões na área de infraestrutura; e o que mais apostou no desenvolvimento do país.
“Ao mesmo tempo, foi o que mais passou recursos a estados e municípios. Isso também não é comum. É raro e mostra que nosso compromisso é com todos: com o meio ambiente, com o agronegócio, com a indústria, com a economia e com a democracia. Mais que tudo isso, nosso compromisso é para que o nosso povo viva com qualidade de vida.”
Produtividade e inovação Segundo ele, um dos desafios a ser enfrentado pelo ministério é aumentar a produtividade e a inovação no país. Algo que, na avaliação do governo, abrange uma melhor formação de trabalhadores e, também, a redução da escala 6 por 1, que dará, aos brasileiros, o direito a folgar dois dias por semana.
Ainda nesse contexto, ele destacou os benefícios que a reforma tributária trarão para a produção no país, uma vez que dará mais eficiência e racionalidade ao pagamento de tributos.
“No ano que vem, vamos ganhar — e muito — em racionalidade, eficiência e celeridade na nossa economia. Isso aumenta a produtividade, com cada um de nós trabalhando melhor. Não necessariamente mais tempo, mas, no tempo de trabalho que a gente tem, com a gente entregando todo o nosso potencial”, argumentou.
*Agência Brasil
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Eixo da Resistência realiza novas ondas de ataques com mísseis de precisão contra instalações militares em territórios ocupados e bases norte-americanas da região
As forças armadas da República Islâmica do Irã, em coordenação com o Eixo da Resistência, intensificaram suas operações de retaliação contra alvos estratégicos de Israel e das forças de ocupação norte-americanas. Nesse contexto, Teerã rejeitou uma proposta de cessar-fogo dos EUA, denunciando a tentativa de Washington de impor termos de rendição previamente descartados.
Desde o início das hostilidades, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) realizou 82 ondas de ataques utilizando armas guiadas de precisão. Essas operações atingiram instalações militares importantes nos territórios ocupados e bases de ocupação dos EUA na região, deixando claro que, apesar da retórica triunfalista e contraditória de Washington, a resistência mantém a iniciativa estratégica e operacional em toda a frente de batalha.
As defesas aéreas iranianas, como parte da Operação True Promise 4, marcaram um novo marco estratégico ao abater um quarto caça F-18 norte-americano sobre Chabahar. O ataque, realizado com sistemas de fabricação nacional, demonstra a vulnerabilidade da tecnologia do agressor às avançadas capacidades defensivas da República Islâmica.
O Hezbollah e a Resistência Iraquiana juntam-se à frente A frente de resistência expandiu-se com a participação ativa do Hezbollah no Líbano e da Resistência Islâmica no Iraque, que infligiram danos significativos às capacidades logísticas e militares do inimigo.
O Hezbollah tem concentrado seus ataques em instalações militares israelenses ao longo da fronteira norte dos territórios ocupados. Essas ações são uma resposta ao assassinato do Líder da Revolução Islâmica, o Aiatolá Seyyed Ali Khamenei, e um protesto contra as violações sistemáticas do cessar-fogo por Tel Aviv ao longo do último ano.
Entretanto, grupos de resistência iraquianos mantêm operações diárias, direcionando seus projéteis contra alvos militares dos EUA tanto em território iraquiano quanto em outros países árabes da região.
Ataques e defesas de precisão As ondas 80 e 81 da Operação True Promise 4 empregaram mísseis de precisão (Emad, Qiam, Khorramshahr 4) e drones para atingir mais de 70 pontos estratégicos nos territórios ocupados.
As forças iranianas lançaram ataques diretos contra locais estratégicos nos territórios ocupados, atingindo centros de comando em Safad, Tel Aviv, Haifa, Dimona e Kiryat Shmona. A ofensiva afetou infraestruturas críticas de defesa aérea, fábricas de drones pertencentes à Associação da Indústria Aeroespacial (IAI) e diversas bases logísticas ligadas ao Mossad.
Em paralelo, a operação estendeu-se a instalações militares norte-americanas na região, com impactos registados nas bases de Ali Al-Salem e Arifjan, no Kuwait, Al-Azraq, na Jordânia, e Sheikh Isa, no Bahrein. Além disso, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) confirmou o abate de um caça estratégico F-18 americano, após este ter sido interceptado sobre o espaço aéreo de Chabahar.
Na área de segurança interna, as autoridades iranianas desmantelaram uma rede terrorista em Semnan composta por sete mercenários com ligações diretas a serviços de inteligência estrangeiros . Segundo o relatório, o grupo contava com financiamento externo e treinamento especializado para realizar atos de sabotagem, fabricando dispositivos explosivos.
A Resistência Islâmica do Hezbollah intensificou sua defesa no sul do Líbano, conseguindo destruir oito tanques Merkava em Al-Qawzah e Taybeh , enquanto realizava ataques combinados com drones e artilharia contra tropas no norte da Palestina e nas Colinas de Golã ocupadas.
Por fim, a Resistência Islâmica no Iraque juntou-se à ofensiva, atacando a base norte-americana “Victoria” em Bagdá e os centros operacionais do Mossad em Erbil.
O Irã rejeita as exigências de Trump para o fim da guerra A República Islâmica do Irã rejeitou a proposta de cessar-fogo de 15 pontos do governo Trump, classificando-a como uma tentativa de rendição dissociada da realidade militar. Um porta-voz oficial declarou à Press TV que “o Irã não permitirá que Donald Trump dite quando a guerra termina; o Irã a encerrará quando decidir e quando suas próprias condições forem atendidas “, descartando quaisquer negociações que possam prejudicar seu programa de defesa soberana.
Como condições inegociáveis para a paz, Teerã exige a cessação completa das hostilidades, o pagamento de reparações de guerra e o fechamento permanente das bases militares americanas na região. Além disso, reafirmou seu controle legal sobre o Estreito de Ormuz e denunciou as alegações da Casa Branca sobre negociações diretas como uma manobra de propaganda para mascarar o fracasso da Operação Epic Fury no campo de batalha.
Trump envolto em contradições O governo Trump mantém uma postura contraditória, alegando que sua Operação Epic Fury está perto de atingir seus objetivos, enquanto simultaneamente reconhece sua incapacidade de restabelecer o trânsito pelo Estreito de Ormuz. Embora a Casa Branca afirme ter enfraquecido Teerã, a secretária de imprensa Karoline Leavitt admitiu que o governo dos EUA não tem uma data prevista para garantir o transporte de petróleo , demonstrando que o controle dessa via navegável estratégica permanece sob a soberania iraniana.
A tentativa de Washington de fabricar um cenário diplomático favorável esbarrou na realidade depois que o Ministério das Relações Exteriores iraniano refutou as alegações de Trump sobre conversas positivas durante o fim de semana. Teerã esclareceu que recebeu apenas mensagens unilaterais dos EUA expressando o desejo de diálogo, caracterizando a narrativa da Casa Branca como uma manobra midiática para obscurecer a resistência do Irã à agressão estrangeira.
A retórica imperialista oscila entre uma suposta preferência pela paz e ameaças de ataques “mais fortes do que nunca” caso o Irã não aceite uma rendição disfarçada de acordo. Essa postura ignora o fato de que a escalada foi iniciada pelos EUA e por Israel com bombardeios que resultaram em vítimas civis em Teerã; agressões que provocaram uma forte resposta defensiva da Resistência contra instalações militares americanas em toda a região do Oriente Médio.
Por fim, o fracasso estratégico da intervenção fica evidente na esfera econômica global com a alta dos preços da energia devido ao fechamento do Estreito de Ormuz. Apesar do triunfalismo americano, a realidade no terreno demonstra que a soberania do Irã sobre suas águas territoriais permanece intacta, deixando o governo Trump preso a uma narrativa de força que não se traduz em vitórias tangíveis.
Defesas iranianas abatem o quarto caça F-18 dos EUA A Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) alcançou um novo marco defensivo na quarta-feira ao abater um caça estratégico F-18 das Forças Armadas dos EUA. A aeronave invasora foi interceptada com precisão sobre Chabahar, no sul do Irã, e posteriormente caiu no Oceano Índico, demonstrando a alta capacidade de resposta da rede integrada de defesa aérea iraniana.
Esta operação marca o quarto abate bem-sucedido de caças estratégicos pertencentes às forças hostis de Washington e Tel Aviv no contexto do conflito atual. A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) enfatizou que o ataque foi realizado utilizando um novo e avançado sistema de defesa aérea de fabricação inteiramente nacional, reafirmando a independência tecnológica da República Islâmica diante da agressão imperialista.
Com essa ação, as defesas aéreas do Irã consolidam um histórico de resistência que já resultou na derrubada de quase 140 drones americanos e israelenses até o momento. Teerã descreveu a operação como motivo de orgulho, pois demonstra a vulnerabilidade dos sistemas de guerra ocidentais à determinação soberana dos povos que defendem seu território.
É crucial enfatizar que a atual demonstração de determinação e as operações retaliatórias da República Islâmica são motivadas pela necessidade de defender sua soberania após as agressões ilegais perpetradas pelos Estados Unidos e por Israel em 28 de fevereiro.
Esses ataques, que violaram flagrantemente o direito internacional, resultaram em um trágico número de mortes de aproximadamente 1.300 até o momento, incluindo civis e militares. Diante desse cenário de cerco criminoso, Teerã reafirma que suas ações não são meramente uma resposta militar, mas um ato de justiça e resistência contra uma coalizão que busca desestabilizar a região ao custo de vidas humanas.
*Opera Mundi
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A nova proposta, que inclui mais R$ 5 bilhões ao orçamento fora do teto de gastos, vai modernizar as Forças Armadas e busca corrigir o problema de descontinuidade orçamentária dos programas de autonomia tecnológica
No final de 2025, o Senado brasileiro aprovou um novo aporte orçamentário de R$ 30 bilhões, a ser distribuído ao longo de seis anos, para financiar projetos estratégicos de Defesa do país, em exceção ao arcabouço fiscal.
Com um orçamento anual que costuma variar em torno de R$ 120 a R$ 130 bilhões (ou entre 1,1% 1,3% do PIB), o Brasil tem mais de 70% de seu dispêndio com Defesa concentrado em gastos obrigatórios com pessoal e previdência militar, enquanto menos de 10% recebe aplicação em equipamentos e programas de modernização.
A nova proposta, que inclui mais R$ 5 bilhões ao orçamento fora do teto de gastos, vai modernizar as Forças Armadas e busca corrigir o problema de descontinuidade orçamentária dos programas de autonomia tecnológica.
Segundo o Ministério da Defesa, um dos principais destinos da nova rodada de recursos vai ser o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), programa de monitoramento de mais de 16 mil quilômetros das fronteiras terrestres brasileiras que conta com radares, sensores eletro ópticos, drones de monitoramento e centros de comando e controle para comunicações criptografadas.
O programa também auxilia na fiscalização de atividades ilegais, como o garimpo, o tráfico e crimes ambientais nas regiões florestais mais remotas da Amazônia.
O Sisfron deve receber novos drones operados pela Força Aérea Brasileira, os modelos Hermes 450 e 900, fabricados pela israelense Elbit Systems e projetados para atividades de reconhecimento e inteligência em fronteiras, em missões táticas de longa duração.
A Elbit Systems, com sede em Haifa, mantém licitações com o governo brasileiro e é uma das principais fornecedoras de armamentos e equipamentos avançados do país.
Uma das subsidiárias da companhia, a AEL Sistemas, que fornece eletrônicos e aeronaves à Força Aérea (FAB), tem atuação física em Porto Alegre, enquanto a ARES Aeroespacial e Defesa, subsidiária da Elbit no Rio de Janeiro, é especializada na produção de estações de armas remotas e outros equipamentos terrestres com os quais abastece o Exército.
No caso das forças terrestres, o foco da modernização é o principal blindado produzido para transporte de tropas no Brasil, o VBTP Guarani, um 6×6 desenvolvido em parceria com a indústria nacional e projetado para mobilidade em terrenos diversos, equipado com proteção balística e capaz de integrar-se a sistemas digitais.
Outra modernização deve ser o programa ASTROS 2020, sistema de artilharia de foguetes de alta precisão produzido pela Avibras e capaz de operar com mísseis táticos.
O objetivo é aumentar a capacidade de dissuasão do Exército Brasileiro com mísseis que alcançam até 300 km. De acordo com a Forum, o shoot-and-scoot (sistema que “atira e sai” rapidamente) brasileiro é considerado um dos sistemas de artilharia mais poderosos de sua geração e, entre 2025 e 2026, com o novo aporte aprovado para a Defesa, o Exército Brasileiro deve reformular o sistema ASTROS com a inclusão de sistemas de IA, mísseis e drones.
De acordo com as Forças Armadas, o Astros deve ser renomeado para “Fogos” e passar por melhorias técnicas, como a junção de três plataformas de lançamento verticais em um único “guarda-chuva”, sistema de direção de tiro superior.
Os blindados brasileiros, como o EE-9 Cascavel, veículo de seis rodas desenvolvido para auxiliar em missões de reconhecimento de terreno, devem passar por melhorias tecnológicas que prolongarão sua vida útil, com novos sensores e sistemas de tiro e comunicações.
Submarino nuclear Uma das apostas mais ambiciosas das Forças Armadas brasileiras é o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), que inclui quatro submarinos convencionais (da classe Riachuelo) e o primeiro submarino de propulsão nuclear das Américas, SN-10, desenvolvido em parceria com a Itaguaí Construções Navais (ICN).
O SN-10 deve entrar em fase final de comissionamento, testes de desempenho, homologação naval e incorporação à frota da Marinha do Brasil entre 2032 e 2034, equipado com armamento ofensivo de alta capacidade, capaz de lançar torpedos pesados, como o franco-brasileiro F21 Artemis, além de mísseis antinavio, como o Exocet SM39, e minas navais.
Um dos elementos centrais do novo aporte é o fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID) e a redução da defasagem do setor.
Como nota à Agência Senado o autor do projeto de lei que viabilizou o novo aporte, Carlos Portinho (PL-RJ), o Brasil já acumula anos de juros do contrato de entrega dos caças Gripen, negociados com a fabricante sueca Saab e a Embraer durante o governo Dilma, por atrasos de pagamento. O valor das perdas, segundo ele, “já equivale ao valor de duas aeronaves” Gripen.
Apesar disso, o primeiro caça F-39E Gripen desenvolvido totalmente em território brasileiro deve ser apresentado pelo presidente Lula nesta quarta-feira (25). Das 36 aeronaves contratadas, 15 terão montagem final em solo brasileiro.
Até então, a Força Aérea Brasileira (FAB) conta com 11 aeronaves F-39 Gripen entregues e em operação ou em fase de testes. As entregas devem se estender até 2032.
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Em entrevista exclusiva, oficial da organização xiita iraquiana Badr revela o papel do Iraque na guerra do Irã e aponta para risco de expansão do conflito
requentemente ignorado, o Iraque é um dos pontos fundamentais de tensão na atual guerra entre EUA, Israel e Irã. O país e a República Islâmica não estão só entrelaçados pela fronteira terrestre de 1,5 mil quilômetros que compartilham. Carbala, no centro do Iraque, é a cidade onde Hussein ibn Ali, neto do profeta Maomé, considerado pelos xiitas como o terceiro imã, foi martirizado em 680 d.C pelas forças do califa omíada Yazid I. A morte de Hussein na Batalha de Carbala é o principal dia santo do xiismo: durante a Ashura, data que marca o martírio do imã, milhões de xiitas pelo mundo participam de grandes procissões e homenagens, durante as quais os homens batem violentamente contra os próprios peitos para relembrar a dor de Hussein. A data também é considerada pelos xiitas como um símbolo da luta contra a opressão, princípio fundamental para a identidade do próprio xiismo.
Para além dos locais religiosos, também foi do Iraque que veio a principal ameaça à República Islâmica do Irã logo após a Revolução Islâmica de 1979. Em setembro de 1980, um ano após o triunfo da revolução iraniana, o líder iraquiano Saddam Hussein, incentivado pelo Ocidente, invadiu o Irã, temeroso de que os princípios da revolução iraniana se espalhassem para um Iraque que, embora então liderado por um sunita, tinha maioria xiita. Ávido por conquistar zonas ricas em petróleo, como o Cuzistão, e estabelecer domínio completo sobre o rio Chatt al-Arab, Saddam deu início a uma guerra que, ao longo de oito anos, levaria a ao menos 500 mil mortos, pelo menos 200 mil deles iranianos. Para além das ondas sucessivas de jovens iranianos que se lançavam contra os inimigos iraquianos e da enorme engenhosidade iraniana em readaptar equipamentos militares de segunda mão, no que foi fundamentalmente uma guerra de improviso, um dos elementos estratégicos mais importantes com os quais o Irã pôde contar foram as organizações xiitas que, dentro do Iraque, combatiam contra Saddam.
Dentre estas, uma das mais relevantes é a Organização Badr. Nascida entre 1982 e 1983, durante a Guerra Irã-Iraque, com o nome de Brigadas Badr, a organização era o braço militar do Conselho Supremo da Revolução Islâmica no Iraque (SCIRI), liderado pelo clérigo xiita Mohammad Baqir al-Hakim. Formada por generais iranianos e clérigos iraquianos, a organização cresceu a partir de exilados iraquianos no Irã, refugiados de guerra e desertores do exército iraquiano, e chegou a milhares de membros durante a guerra Irã-Iraque, na qual combateu ao lado dos iranianos.
Em 1991, durante os levantes contra Saddam, as Brigadas Badr foram fundamentais nos campos de batalha de Najaf e Carbala, e ao menos 5 mil homens da organização combateram, em 1995, durante a Guerra Civil Curda.
A partir de 2003, com a invasão americana do Iraque, as Brigadas tomam parte na luta contra Saddam e mudam seu nome para Organização Badr, passando a operar de fato como um partido político, agora liderado por Hadi al-Amiri. Ao lado de seu braço paramilitar, a organização amplifica seu trabalho político e de caridade, estabelece bases políticas ao longo de toda a comunidade xiita do Iraque e fortifica sua presença dentro do Estado iraquiano, chegando a controlar postos como o Ministério do Interior.
Em 2014, a organização combate contra o Estado Islâmico (DAESH) no país e se incorpora às Forças de Mobilização Popular (FMP), uma organização guarda-chuva composta por cerca de 40 grupos paramilitares, formada pelo Estado iraquiano para o combate ao DAESH e formalmente submetida ao Ministério do Interior, às Forças Armadas e ao primeiro-ministro do Iraque. Estima-se que a Organização Badr atualmente tenha entre 10 e 15 mil membros ativos e controle de 10 a 17 brigadas das Forças de Mobilização Popular. Conta com um canal de TV, um jornal online, um centro cultural, uma organização de juventude e escritórios por todo o Iraque. Atualmente, tem 21 dos 329 assentos do parlamento iraquiano.
Jovens carregam bandeiras da Organização Badr durante procissão em fevereiro de 2025. (Foto: @badraljamahiri / Reprodução Instagram)
A Organização Badr é ainda, ao lado de muitas facções e grupos paramilitares no Iraque, parte do chamado Eixo de Resistência, a aliança regional coordenada pelo Irã que inclui grupos como o Hezbollah, no Líbano, o Ansar Allah (houthis), no Iêmen, e o Hamas, na Palestina.
Por isso, quando as explosões fizeram-se ouvir em Teerã, no dia 28 de fevereiro, e a morte do líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, foi confirmada, a Revista Opera entrou em contato com Muomel Alsaady, oficial da Organização Badr em Bagdá, responsável político por um importante distrito do leste da cidade, para organizar a entrevista que segue, no qual tratamos dos impactos da morte de Khamenei entre o povo iraquiano – particularmente dentre os 60% a 69% de xiitas que conformam sua população –, da participação de grupos armados na política oficial do país e dos planos e ações da Organização Badr e outros grupos paramilitares frente à guerra entre EUA, Israel e Irã.
Muomel Alsaady, oficial da Organização Badr, ao lado do líder da organização Hadi al-Amiri. (Foto: Arquivo pessoal)
Como os ataques ao Irã e a morte do Líder Supremo Ali Khamenei foram recebidos pelo povo iraquiano? E que impacto isso teve nas Forças de Mobilização Popular (FMP), e particularmente na Organização Badr?
O povo iraquiano, em todas as suas diferentes correntes ideológicas — grupos religiosos, esquerdistas, comunistas e outros —, tem se sentido profundamente entristecido e intensamente indignado com o assassinato de Sayyid Ali Khamenei e de outros líderes iranianos que foram martirizados de forma tão traiçoeira.
Como você sabe, a comunidade xiita no Iraque é frequentemente descrita como tendo duas correntes religiosas principais: aqueles que seguem a linha associada a Muqtada al-Sadr e aqueles que seguem a autoridade religiosa do Grande Aiatolá Ali al-Sistani. Nesta questão, no entretanto, ambas compartilham a mesma posição e estão agindo em total harmonia.
Membros da Organização Badr durante operação para libertar a cidade de Tal Afar, durante a guerra contra o Estado Islâmico em julho de 2014. (Foto: Mohammad Hossein Velayati / FARS / Wikimedia Commons)
As Forças de Mobilização Popular (FMP) são uma instituição oficial do Estado iraquiano sob a autoridade do primeiro-ministro. No entanto, as facções da resistência [que compõem as FMP] são movimentos revolucionários cujas decisões decorrem do dever moral e religioso de defender a verdade e os oprimidos — mulheres, homens e crianças na Palestina e em todo o mundo. No que tange à justiça, humanidade e Islã, as fronteiras administrativas traçadas pela Grã-Bretanha não definem nossas responsabilidades.
Quanto à Organização Badr, nossa posição é clara e consistente: estamos ao lado da República Islâmica do Irã e de nossa sábia autoridade religiosa, representada por Sayyid Ali al-Husseini al-Sistani, que repetidamente exortou todas as pessoas honradas em todos os lugares a defender a República Islâmica em todas as plataformas e em todas as frentes.
Durante a Guerra dos Doze Dias contra o Irã no ano passado, as milícias iraquianas e as PMF não agiram. Isso agora mudou. Por quê?
Desta vez, o inimigo americano-sionista ultrapassou um limite grave ao assassinar aquele que consideramos a mais alta autoridade espiritual e religiosa para os muçulmanos no mundo, o Imã Khamenei. Este foi um ato chocante e devastador.
Homens e mulheres no Iraque sentem que mesmo sacrificar suas vidas e seu sangue por ele não seria suficiente. Naturalmente, tal evento produziu uma reação muito diferente em comparação com confrontos anteriores.
A resistência possui muitas opções e medidas dentro de seu quadro estratégico. Algumas dessas medidas agradarão nossos amigos e irritarão nossos inimigos, e elas serão implementadas no momento e da maneira apropriados.
Membros da Organização Badr durante operação para libertar a cidade de Tal Afar, durante a guerra contra o Estado Islâmico em julho de 2014. (Foto: Mohammad Hossein Velayati / FARS / Wikimedia Commons) Já há relatos de facções do Eixo da Resistência lançando operações militares contra Israel e os Estados Unidos em vários países, em resposta aos ataques ao Irã. No Iraque, desde o 28 de fevereiro, milícias xiitas já realizaram várias ações, como um ataque no norte do país que resultou na morte de um soldado francês e vários ataques a instalações americanas, particularmente em Erbil. Os EUA e Israel, por sua vez, também atacaram posições das PMF no Iraque e declararam que intensificarão seus ataques contra elas. Se a guerra contra o Irã continuar, qual será o papel do Iraque? É possível que ele seja arrastado para o conflito ou que venha a passar por algum tipo de guerra civil? E qual seria a posição da Organização Badr nesse cenário?
Sim, grupos de resistência iraquianos já realizaram inúmeras operações visando interesses e bases americanas no Iraque. No entanto, essas bases também abrigam soldados de outros países aliados aos Estados Unidos sob a bandeira da chamada coalizão internacional.
A presença deles nessas bases os torna parte da equação, e eles devem arcar com as consequências dessa escolha, sejam eles franceses ou de qualquer outro país. Os povos dessas nações devem pressionar seus governos a adotarem uma posição de neutralidade; caso contrário, correm o risco de serem tratados como forças hostis.
Quanto à Organização Badr, nossa posição é de conhecimento público. As medidas específicas que podemos tomar não são algo que discutimos antecipadamente. Somente Deus sabe o que acontecerá a seguir, e em breve o inimigo também ficará sabendo.
Que papel a Organização Badr desempenhou durante os últimos dois anos do genocídio contra o povo palestino?
Nos últimos dois anos, a organização desempenhou um papel humanitário no apoio ao povo palestino. Isso incluiu a prestação de assistência financeira, o envio de alimentos e suprimentos médicos, tendas e equipamentos essenciais, além de facilitar os canais logísticos para a entrega dessa ajuda.
Além disso, oferecemos forte apoio moral e político por meio de nossa base popular e das plataformas de mídia da organização.
A própria Organização Badr não realizou operações militares durante esse período. Se o fizéssemos, todos saberiam, pois nossas ações teriam um impacto significativo.
O Iraque atualmente encontra-se governado por um primeiro-ministro interino, tendo em vista que não formou um novo governo após as eleições de novembro de 2025. Qual é a posição da Organização Badr em relação ao governo do atual primeiro-ministro interino, Mohammed Shia al-Sudani, e à formação de um novo governo?
A Organização Badr detém atualmente 21 assentos no parlamento iraquiano, enquanto os partidos da Estrutura de Coordenação [aliança de partidos e facções xiitas pró-iranianas no Iraque] detêm, coletivamente, mais de 90 assentos.
A posição oficial da organização em relação ao governo do primeiro-ministro Mohammed Shia al-Sudani foi articulada pelo secretário-geral da Organização Badr, Hadi al-Amiri.
No momento, a organização apoia a indicação de Nouri al-Maliki para formar o próximo governo. Caso ele se retire dessa tarefa, é provável que a organização apoie o candidato alternativo que ele propor.
Como nosso Secretário-Geral costuma dizer, a relação entre a Organização Badr e o Partido Dawa Islâmico — do qual Maliki é membro — é como um “casamento católico”, ou seja, uma parceria política profundamente enraizada e duradoura.
Diferentes facções dentro das Forças de Mobilização Popular (PMF) assumiram posições divergentes quanto à escalada na região. Existem divergências significativas entre os grupos de resistência iraquianos sobre até que ponto o Iraque deve ir no confronto com Israel e os Estados Unidos?
Antes de responder à sua pergunta, é importante que todos compreendam um ponto fundamental. As Forças de Mobilização Popular (PMF) foram formadas a partir dos combatentes de facções armadas iraquianas que se levantaram para enfrentar o terrorismo do ISIS em 2014. Hoje, porém, a PMF é uma instituição oficial do Estado iraquiano. Ela opera sob a autoridade do governo iraquiano e possui uma estrutura militar organizada que, em muitos aspectos, se assemelha à de um exército regular.
As facções da resistência, no entanto, representam algo diferente. Elas representam o próprio povo. Suas decisões, reações e movimentos emergem da vontade popular. Não podem ser reduzidas à decisão de um único indivíduo, por mais elevada que seja sua posição. No Iraque, qualquer um que tente agir contra a vontade do povo rapidamente verá o chão ser retirado de debaixo de seus pés.
Quanto à sua pergunta sobre divisões entre as facções, não há nenhuma.
A frente de resistência no Iraque é composta por várias facções, cada uma com sua própria liderança e estrutura de comando. Cada facção adota as táticas que considera mais adequadas às tarefas e circunstâncias que enfrenta. Na verdade, essa diversidade de táticas fortalece a resistência. Ela complica o campo de batalha para os americanos e os fará experimentar a mesma sensação de impotência que sentiram outrora no Vietnã, no Afeganistão e até mesmo em Cuba durante a Baía dos Porcos.
Forças de Mobilização Popular levantam sua bandeira ao lado da bandeira iraquiana após derrotarem o Estado Islâmico em Fallujah, em junho de 2016. (Foto: Mahmoud Hosseini / TASNIM / Wikimedia Commons) O senhor acredita que a atual guerra regional fortalecerá a influência política das facções da resistência dentro do Iraque, ou ela poderia gerar pressão para limitar o papel dos grupos armados no país, como pretende os EUA?
Os Estados Unidos sempre tentaram pressionar os governos do Líbano e do Iraque a desarmar a resistência e a enfrentá-la. Mas essa exigência é simplesmente impossível na prática. A resistência não é uma milícia que possa ser dissolvida por decreto — é uma expressão viva do próprio povo. A resistência é o povo, e o povo é a resistência. Alguém poderia tirar o fuzil das mãos de Ernesto Che Guevara? Alguém poderia tirar o violão das mãos de Víctor Jara? Alguém poderia impedir Mahatma Gandhi de praticar a desobediência civil?
Quanto à influência política, o Iraque possui um processo político democrático, e é o povo quem decide em última instância. O povo iraquiano já se pronunciou nas urnas ao eleger muitos representantes provenientes das fileiras da resistência. Os Estados Unidos não serão capazes de quebrar a vontade do povo iraquiano.
Forças de Mobilização Popular levantam sua bandeira ao lado da bandeira iraquiana após derrotarem o Estado Islâmico em Fallujah, em junho de 2016. (Foto: Mahmoud Hosseini / TASNIM / Wikimedia Commons)
*Pedro Marin/Revista Ópera
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Teerã apresentou cinco condições para negociar, entre elas o fim dos assassinatos de seus líderes
O governo iraniano rejeitou as condições impostas pelos EUA para estabelecer um cessar-fogo na região e chamou os critérios apresentados pelos americanos como “excessivos”. A informação foi divulgada pela emissora estatal de televisão no Irã, a Press TV.
Mais cedo, as autoridades em Teerã ironizaram as declarações do presidente Donald Trump de que estariam desesperadas para fechar um acordo para encerrar a guerra. Nesta quarta-feira, diplomatas, a imprensa americana e israelense confirmaram que a Casa Branca enviou uma proposta de plano de cessar-fogo aos iranianos, por meio de negociadores do Paquistão.
O pacto prevê o fim de todas as atividades nucleares do país. Mas não fala em mudança de regime e nem em denúncias de violações de direitos humanos, argumentos que Trump sempre usou para justificar a guerra.
De acordo com as emissoras estatais, o Irã exige que os seguintes pontos sejam atendidos pelos EUA para que a negociação possa existir:
Cessação total das agressões e assassinatos por parte dos EUA e Israel.
Criar mecanismos para garantir que a guerra não seja reiniciada contra o Irã.
Pagamento de indenizações e reparações de guerra.
A conclusão da guerra em todas as frentes e para todos os grupos de resistência envolvidos em toda a região, incluindo Hezbollah.
Reconhecimento e garantias internacionais quanto ao direito soberano do Irã de exercer autoridade sobre o Estreito de Ormuz.
Não chamem sua derrota de acordo
Num vídeo publicado nas redes sociais, o porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya do Irã, Ebrahim Zolfaghari, atacou a “autoproclamada superpotência global” e alertou: “não chamem sua derrota de acordo”.
“O nível do seu conflito interno chegou ao ponto em que vocês estão negociando entre si?”, questionou.
“Vocês não verão seus investimentos na região nem os preços anteriores da energia e do petróleo novamente, até que entendam que a estabilidade na região é garantida pela mão poderosa de nossas forças armadas. A estabilidade vem da força”, disse Zolfaghari, fazendo referência a um dos lemas de Trump, que insiste em falar da “paz pela força”.
“Alguém como nós jamais chegará a um acordo com alguém como vocês. Nem agora, nem nunca”, completou.
Horas depois, numa entrevista ao jornal India Today, o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, admitiu que muitos países entraram em contato com o Irã, oferecendo-se para mediar o conflito. “Há mensagens circulando há alguns dias… Respondemos a essas mensagens. Nossa mensagem é muito clara. Continuamos a nos defender”, afirmou.
Para Baghaei, não se pode confiar na intenção de Trump de negociar a paz. “Vejam os fatos. O Irã está sob bombardeio constante e ataques de mísseis dos EUA e de Israel. Portanto, a alegação deles de diplomacia e mediação não é crível. Porque eles iniciaram esta guerra e continuam a atacar o Irã. Então, alguém pode acreditar que a alegação deles de mediação seja crível?”, questionou.
Baghaei, ainda assim, admitiu contatos entre o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, que tem mantido contato com seu homólogo paquistanês.
“Portanto, esse tipo de conversa está acontecendo entre o Irã e seus vizinhos e outros países amigos. Entendemos que os países da região, os países vizinhos, estão preocupados com as consequências e todos estão tentando, de alguma forma, ajudar a situação a se acalmar”, disse ele.
O que diz o plano Enquanto as diferentes versões disputam espaço sobre a existência ou não de um processo negociador, a imprensa israelense e americana publicou o que seria o rascunho do plano de paz.
Eles são:
As instalações nucleares de Natanz, Isfahan e Fordow serão desativadas e destruídas.
Transparência e supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre as atividades no Irã.
O Irã abandonará o uso de grupos armados na região e cessará o financiamento e o armamento de seus afiliados regionais.
Desmantelamento das capacidades nucleares existentes já acumuladas.
Compromisso de nunca buscar o desenvolvimento de armas nucleares.
Nenhum material nuclear será enriquecido em solo iraniano, e todo o material enriquecido será entregue à AIEA.
O Estreito de Ormuz permanecerá aberto e constituirá uma “zona marítima livre”.
Os mísseis do Irã estarão sujeitos a uma decisão futura, mas serão limitados em quantidade e alcance, e destinados apenas à autodefesa.
Em troca, o Irã receberia:
Assistência americana no desenvolvimento de um projeto nuclear civil em Bushehr para a produção de eletricidade.
Remoção de todas as sanções.
Remoção da ameaça de renovação das sanções.
ONU: “Flerte com catástrofe sem precedentes”
Numa reunião de emergência do Conselho de Direitos Humanos da ONU, o alto comissário do órgão internacional, Volker Turk, fez um apelo pela paz.
“A situação é extremamente perigosa e imprevisível, e gerou caos em toda a região, afetando Bahrein, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Jordânia e outros países”, disse.
“Os recentes ataques com mísseis perto de instalações nucleares em Israel e no Irã ressaltam o imenso perigo de uma escalada ainda maior. Os Estados estão flertando com uma catástrofe sem precedentes”, insistiu.
Turk denunciou violações das leis internacionais por todos os lados. Ele acusou Teerã de estar atacando locais sem fins militares. Mas também indicou que ,“dentro do Irã, civis buscam abrigo dos ataques aéreos em todas as 31 províncias do país”. Segundo dados do governo iraniano, cerca de 1.400 civis foram mortos e mais de 20.000 ficaram feridos.
“Há um padrão crescente de ataques que afetam áreas residenciais, infraestrutura civil e outros locais protegidos pelo direito internacional. Casas, hospitais, escolas, sítios culturais, redes de transporte e infraestrutura energética foram atingidos”, afirmou.
Turk também denunciou a repressão no país. “Enquanto os iranianos se abrigam desses ataques, também enfrentam outra onda de cruel repressão estatal, incluindo prisões arbitrárias, execuções, intimidação e censura. A internet está fora do ar há mais de três semanas”, disse.
De acordo com ele, o conflito já causou perdas econômicas de cerca de 63 bilhões de dólares em toda a região árabe. Mas é sua repercussão global que preocupa.
“Este conflito tem um poder sem precedentes para envolver países além-fronteiras e em todo o mundo. A dinâmica complexa pode desencadear novas crises nacionais, regionais ou globais a qualquer momento, com um impacto terrível sobre civis e pessoas em todo o mundo”, disse.
Turk saiu em defesa de um cessar-fogo. “Não podemos voltar à guerra como instrumento das relações internacionais”, disse.
“Quando alguns Estados poderosos tentam enfraquecer o sistema multilateral, precisamos que o restante — a grande maioria — o defenda”, completou.
*Jamil Chade/ICL
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Cláudio Castro (PL) foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira (24 de março de 2026) por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022
O placar foi de 5 a 2 pela condenação à inelegibilidade por 8 anos (contados a partir de 2022, ou seja, até 2030).
Votos a favor da condenação (maioria): ministra Isabel Gallotti (relatora), Antônio Carlos Ferreira, Floriano de Azevedo Marques, Estela Aranha e Cármen Lúcia.
Votos contra: ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça. veja.abril.com.br
A acusação envolvia irregularidades na contratação de milhares de funcionários temporários na UERJ e na Ceperj (Fundação Centro Estadual de Estatísticas), que teriam sido usados como “cabos eleitorais” durante a campanha de reeleição, configurando abuso de poder.Sobre a cassação do mandatoCláudio Castro renunciou ao cargo de governador do Rio de Janeiro na segunda-feira (23 de março de 2026), um dia antes da retomada do julgamento.
Com a renúncia, a cassação do mandato ficou prejudicada (não pode cassar quem já não ocupa o cargo). No entanto, a inelegibilidade permanece válida.
Impacto político
Castro era pré-candidato ao Senado em 2026 (chegou a anunciar planos ao lado de Flávio Bolsonaro).
Com a inelegibilidade até 2030, ele está impedido de disputar qualquer eleição nesse período, inclusive o Senado.
Ele já sinalizou que vai recorrer da decisão, mas, por enquanto, a inelegibilidade está valendo.
O caso começou no TRE-RJ, que havia absolvido Castro, mas o Ministério Público Eleitoral recorreu ao TSE, que reformou a decisão. Essa condenação se soma a uma longa lista de crises políticas envolvendo governadores do Rio nos últimos anos (prisões, impeachments e cassações).
Relembrando o caso Os cargos secretos consistiram na contratação de dezenas de milhares em programas sociais e de extensão universitária às vésperas da campanha eleitoral de 2022, com base na descentralização de recursos orçamentários para a fundação Ceperj e para a Uerj.
O esquema foi revelado pelo portal UOL em junho de 2022. O governo Castro usou a fundação Ceperj — uma espécie de IBGE da administração fluminense — para empregar cerca de 27 mil pessoas em programas sociais. As folhas de pagamento eram secretas e não foram informadas nem mesmo para os órgãos de controle, como o TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado).
O governo do Rio usou descentralizações de crédito — quando um órgão permite que outro ente use parte de seu dinheiro — para injetar centenas de milhões na Fundação Ceperj.
O mesmo procedimento foi usado para bancar projetos de extensão ligados à Uerj, que também mantinham folhas secretas de bolsistas contratados com remunerações mensais de até R$ 35 mil.
No caso da Uerj, 45 mil bolsistas foram contratados nas folhas secretas.
O esquema movimentou em torno de R$ 1,3 bilhão em aproximadamente 1 ano e meio — entre o segundo semestre de 2021 e dezembro de 2022.
Até ser interrompido por decisão judicial em agosto de 2022, o esquema no Ceperj custou R$ 502,7 milhões aos cofres públicos. Já na Uerj, as folhas secretas dragaram R$ 798,9 milhões até serem interrompidas por decisão da universidade, em dezembro de 2022.
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A anistia concedida pelo STF a Bolsonaro, na figura de Alexandre de Moraes, foi desingripada pela Globo, mais precisamente por Malu Gaspar, que lubrificou as chaves da Papuda para Bolsonaro voltar para o seu hotel cinco estrelas e, de lá, ganhar voo próprio para curtir a vida.
Jamais se pode esquecer que o Grupo Globo é bilionário, ou seja, é parte da oligarquia brasileira e, através de uma campanha de degradação de imagem, pode transformar qualquer um num monstro que ele desenhar em seus bastidores.
É só ler o recadinho da bolsomorista, Malu Gaspar, em matéria no Globo de hoje, deixando claro que a pizza de marmelada, preparada por ela e os Marinho, só estará concluída depois que a anistia ampla, geral e irrestrita de Bolsonaro for completada, inclusive com a permissão da volta de Eduardo Bolsonaro ao Brasil, sem que ninguém lhe enconste um dedo. Está lá na capa do Globo para quem quise er:
“Moraes busca saída honrosa e tenta blindar STF ao conceder prisão domiciliar para Bolsonaro”
Além de colocar a cabeça de Moraes à venda, Malu deixa claro que a vedação que fará com que a mídia pare de perseguir Moraes só acontecerá de fato quando rentregar o serviço completo, com anistia, com tudo que, convenhamos, é uma barbada para um grupo que, em defesa dos seus interesses, trata o pescoço da mãe como canela.
Sim, esse é o estágio do neoliberalismo que carrega com ele o fascismo em estado puro, essa é a verdadeira cara da extrema direita brasileira. Afinal, falamos do Grupo Globo que tem um século de prática golpista no Brasil, geração após geração.
Lógico que, depois disso, Moraes seguirá como um pato manco rumo à porta dos fundos do STF.
O que de fato há por trás disso, por ora, dá para imaginar, mas não afirmar.
Mas não será Bolsonaro o único a se lambuzar dessa gigantesca pizza de marmelada. A Globo e os demais jornalões ainda não desistiram da terceira via e, certamente, tentarão lubrificar cada vez mais a imagem de Tarcísio para transformar seu nome e imagem em algo mais palatável.
Flavio Rachadinha já mostrou que tem um teto baixo e de vidro e, com certeza, é o mais cagado dos candidatos de direita disponíveis na praça.
O risco de perder a eleição e o guarda-chuva do foro privilegiado é grande e muito arriscado para quem tem a folha corrida que ele tem.
Não se espantem ou se afobem, sendo Tarcísio o candidato oficial da Faria Lima/PCC, Globo/Master, fintechs e big techs, o evangelhistão bolsonarista, por ordem do demôbuo mor, trabalhará em peso para tirar a fórceps o quarto mandato de Lula para colocar o vigarista, escolhido pelos donos da terra, para cumprir o papel sujo a ele designado.
Não se esqueçam que foi assim que Temer e Bolsonaro viraram presidentes após golpe em Dilma e a prisão de Lula, forjada nas redações da Globo e congêneres.
O que dá esperança de derrotar toda essa escumalha é a reação nas redes que colocou a Globo de joelhos e a obrigou a pedir desculpas pela manipulação grosseira do powerpoint.
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A Igreja Universal do Reino de Deus, que controla o partido Republicanos, ao qual é filiado o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, integra convênios e parcerias realizadas sem licitação ou concorrência com o Poder Executivo paulista em, pelo menos, três secretarias estaduais: Segurança, Administração Penitenciária e Educação.
Desde o ano passado, a Secretaria de Educação tem utilizado templos da igreja para realizar reuniões com docentes e outros servidores da pasta, o que tem revoltado os profissionais, que são obrigados a ouvir sermões e palestras religiosas à guisa de orientação para exercício de seu ofício.
Em junho passado, por exemplo, um caso como esse gerou revolta nos professores da baixada santista, que passaram a receber “orientações sobre segurança na sala de aula” em um templo da Igreja Universal.
O evento foi organizado pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, por meio 6° Batalhão de Polícia Militar do Interior, e foi voltado para diretores de unidades estaduais, sendo o convite estendido para os diretores de escolas municipais e supervisores de ensino, segundo o DCM.
A Secretaria Municipal de Santos (cujo prefeito é Rogério Santos, também do Republicanos) aceitou o convite “em razão da importância do tema das palestras: ‘Plano de Contingência Escolar’ e ‘Ataque em escolas, medidas de prevenção, proteção e mitigação”.
Não foram apenas temas ligados à segurança, no entanto, que preencheram a agenda do dia. Conforme relatado por professoras presentes, “o evento foi iniciado por uma espécie de oração, conduzida por um pastor”.
A pasta de Educação, assim, se junta às de Administração Penitenciária e Segurança entre aquelas que, sob Tarcísio, recebem orientação e realizam eventos e programas em parceria com a igreja de Edir Macedo, sempre com a ausência de concorrência para o estabelecimento dos convênios.
É o caso do “Termo de Cooperação Técnica nº 011/00/2024”, assinado pela igreja de Edir Macedo e o governo Tarcísio, por meio da Secretaria de Administração Penitenciária, no dia 3 de outubro de 2024. Nele, está estabelecido que a igreja passava a ser responsável pelo:
“Desenvolvimento de ações educativas de Cursos de Capacitação e Qualificação Profissional, na modalidade presencial, destinadas às pessoas privadas de liberdade, em cumprimento de pena dos regimes fechado e semiaberto, sob a custódia da Administração Penitenciária do Estado de São Paulo, mediante a implementação do Projeto “Cursos de Qualificação Profissional UNP (Universal nos Presídios)”, como parte integrante do Programa de Educação para o Trabalho e Cidadania (PROET), instituído no âmbito da Secretaria da Administração Penitenciária.”
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Governo investe R$ 9 bilhões na Regap e planeja estoque regulador para blindar o mercado interno contra crises no Oriente Médio e a volatilidade do petróleo
O governo federal define os eixos de uma estratégia para retomar o papel do Estado no setor de energia e proteger o consumidor brasileiro da instabilidade geopolítica global. Em visita à Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim (MG), na última sexta-feira (20), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou investimentos bilionários e reafirmou a intenção de recomprar ativos estratégicos, com destaque para a Refinaria de Mataripe, na Bahia. A venda da antiga RLAM para o fundo Mubadala em 2021, por US$ 1,65 bilhão, é apontada pelo governo como um marco do desmonte da soberania energética.
Durante o evento em Minas Gerais, Lula foi enfático ao prever a reversão desse processo, afirmando que, embora possa demandar tempo, o Estado irá recomprar a unidade baiana. Essa intenção já havia sido formalizada em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em agosto de 2024, quando a Petrobras confirmou a realização de um processo de investigação aprofundada, análise e auditoria para uma possível aquisição, condicionada a avaliações econômicas e ritos de governança.
O retorno ao refino baiano
Para o ex-presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, essa privatização fragmentou a capacidade de resposta estatal. Em entrevista ao canal Tutaméia na semana retrasada (13), ele pontuou que a perda da unidade baiana retirou do país o poder de amortecer as variações de preços no mercado interno, criando um ambiente propício para abusos econômicos e especulação:
“A venda de Mataripe agravou a perda de capacidade de regulação de preços em mercados regionais. A privatização da refinaria de Matarip […] levou a essa situação. Quer dizer, você perdeu a capacidade de amortecer as variações de preços no mercado baiano”, afirmou Gabrielli.
A recomposição do parque de refino também se justifica sob o peso de investigações da Polícia Federal, que apuram se a venda de Mataripe foi facilitada por crimes de peculato e lavagem de dinheiro. O ativo foi entregue ao fundo dos Emirados Árabes por cerca de metade do valor de mercado, e a PF investiga se o recebimento de joias de luxo e diamantes por Jair Bolsonaro e sua comitiva funcionou como uma propina indireta pelo negócio vantajoso.
Regap: R$ 9 bilhões e combustíveis do futuro
Enquanto negocia o retorno à Bahia, o governo transforma a Regap em vitrine de expansão e transição ecológica. O Plano de Negócios 2026-2030 prevê aportes que podem chegar a R$ 9 bilhões em uma década, visando elevar a produção dos atuais 166 mil para 240 mil barris por dia em cinco anos, segundo o Vermelho.
O projeto inclui a fabricação de combustíveis do futuro, como o Sustentável de Aviação (SAF) e o Diesel R Renovável (biocombustível), além da instalação da primeira usina fotovoltaica em uma refinaria da companhia, capaz de reduzir em 20% o gasto energético da planta. Para o ministro Alexandre Silveira, as iniciativas “fortalecem a capacidade de produção de combustíveis da refinaria, além de promover a transição energética e gerar empregos”, afirmou.
Escudo contra o Estreito de Ormuz
A urgência em ampliar o refino ganha contornos estratégicos diante da crise no Oriente Médio e do risco de bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã, um gargalo vital para o petróleo mundial. Para blindar o abastecimento, Lula defendeu a criação de um estoque regulador público, comparando a necessidade de reservas de combustível ao “escudo” das reservas internacionais de dólar. Atualmente, o Brasil opera com níveis operacionais mínimos, o que amplia a vulnerabilidade diante da dependência de importações de diesel e gás de cozinha.
Para enfrentar esse cenário, o governo articula ferramentas que incluem a criação de uma sala de situação no Ministério de Minas e Energia, a fiscalização de estoques obrigatórios pelas distribuidoras, o uso seletivo de tributos e a ampliação de biocombustíveis. A estratégia marca uma mudança de paradigma, abandonando a lógica de mercado estrito em favor de uma política de segurança energética onde a Petrobras e o Estado retomam o centro do tabuleiro.
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