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Política

Mendonça vira cabo eleitoral de Flávio Bolsonaro e infla ato de 7 de Setembro

O que deveria ser uma data de celebração da Independência do Brasil está sendo transformado pelo bolsonarismo em palanque eleitoral. E, no centro dessa operação, surge uma figura que jamais deveria ocupar o papel de cabo eleitoral de candidato algum: o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça.

A crise instalada no STF, agravada pelo embate entre Mendonça e Alexandre de Moraes e pelas revelações envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro, passou a ser explorada politicamente pela campanha de Flávio Bolsonaro. O objetivo é evidente: transformar uma disputa institucional em combustível eleitoral e usar o 7 de Setembro como demonstração de força da candidatura do filho de Jair Bolsonaro.

Mendonça, indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro, tornou-se uma espécie de novo herói para a militância bolsonarista. Nos atos programados para o 7 de Setembro, aliados de Flávio pretendem apresentá-lo como contraponto a Moraes, enquanto os slogans “Fora, Moraes” e “Fora, Lula” ajudam a transformar a manifestação em um evento claramente político-eleitoral.

É aí que a história ganha contornos ainda mais preocupantes.

Quanto mais a crise no Supremo é alimentada, mais espaço se abre para Flávio Bolsonaro ocupar o centro do discurso da extrema direita. O conflito institucional passa a funcionar como palanque; a indignação política vira ferramenta de mobilização; e o ministro do STF acaba convertido em personagem de campanha.

Não por acaso, aliados do próprio candidato admitem que o 7 de Setembro estava com dificuldades de mobilização e que a crise envolvendo Mendonça e Moraes deu novo fôlego à manifestação. Ou seja: a temperatura institucional subiu justamente quando a candidatura precisava de uma pauta capaz de levar sua militância às ruas.

A operação é politicamente conveniente demais para ser ignorada.

Flávio precisa de multidões. Precisa de imagens. Precisa de um inimigo capaz de unificar sua base. Precisa, sobretudo, transformar a eleição presidencial em um plebiscito sobre o STF e sobre Alexandre de Moraes. E Mendonça, voluntariamente ou não, acabou fornecendo o combustível perfeito para essa estratégia.

O problema é que instituições da República não podem ser utilizadas como extensão de campanhas eleitorais.

Um ministro do Supremo não deveria ser transformado em ídolo de manifestação partidária. Muito menos em símbolo de uma candidatura presidencial. Quando isso acontece, a fronteira entre a atuação institucional e a disputa política começa a desaparecer — justamente quando deveria ser mais nítida.

O 7 de Setembro pertence ao Brasil, não a Flávio Bolsonaro. A Independência pertence aos brasileiros, não a um partido, a um grupo político ou a uma candidatura.

Transformar a data em palanque eleitoral e usar uma crise no STF para inflar manifestações pode até produzir imagens fortes e gerar manchetes. Mas também revela o tamanho da instrumentalização política das instituições e dos símbolos nacionais.

No fim, Mendonça pode até não ter pedido o papel de cabo eleitoral. Mas é exatamente esse papel que a máquina bolsonarista está lhe atribuindo: o de protagonista de uma crise institucional que Flávio Bolsonaro pretende transformar em votos.

E quanto maior a crise, maior o palanque.


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Política

O fumacê midiático em torno do Banco Master: quem ganha quando o foco sai de Flávio?

O Banco Master, de Daniel Vorcaro, nasceu e cresceu durante o governo Jair Bolsonaro e acabou liquidado no governo Lula, depois que vieram à tona suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo a instituição. No meio desse terremoto financeiro, surgiu uma conexão política que deveria estar no centro do debate: o caso Dark Horse, filme destinado a promover a trajetória de Jair Bolsonaro e que recebeu dezenas de milhões de reais ligados a Vorcaro.

E aqui começa a parte mais incômoda da história.

Flávio Bolsonaro não é um personagem periférico nesse episódio. Ele próprio confirmou que procurou Vorcaro para obter recursos para o filme. Mensagens e áudios divulgados pela imprensa mostraram a atuação do senador nas tratativas, enquanto as investigações passaram a examinar o destino dos recursos. Segundo a Agência Brasil, os repasses identificados chegaram a cerca de R$ 61 milhões; novas revelações elevaram ainda mais o volume associado ao projeto.

E quem ficou com a relatoria do caso no Supremo? André Mendonça, ministro indicado por Jair Bolsonaro.

Mas justamente por isso a questão que precisa ser feita é outra: até onde vai a independência dessa investigação, quais serão seus próximos passos e por que o debate público parece tão mais interessado em transformar o caso numa guerra interna do STF do que em seguir o dinheiro?

Porque, enquanto a imprensa produz diariamente uma gigantesca cortina de fumaça em torno das disputas entre ministros, existe uma pergunta muito mais objetiva: qual foi a origem dos milhões de Vorcaro, por que Flávio Bolsonaro procurou o banqueiro e qual foi o destino efetivo desse dinheiro?

Agora, diante das controvérsias envolvendo Mendonça e seu encontro não registrado oficialmente com Vorcaro, aparece Flávio Bolsonaro para defender a “inocência” do ministro.

Conveniente, não?

O político diretamente atingido pelas investigações sobre os milhões destinados ao projeto Dark Horse sai em defesa justamente do ministro que conduz uma das apurações relacionadas ao caso. Ao mesmo tempo, a discussão pública é empurrada para uma briga espetacularizada entre integrantes do Supremo.

É o fumacê perfeito.

Enquanto todos discutem quem atacou quem, quem encontrou quem e qual ministro está em guerra com qual ministro, o foco principal corre o risco de desaparecer: Vorcaro, o dinheiro, o Banco Master, os repasses milionários e suas conexões políticas.

E talvez seja justamente essa a pergunta que a velha mídia deveria fazer com muito mais insistência: por que o caso Dark Horse, que envolve diretamente Flávio Bolsonaro e dezenas de milhões de reais ligados a Vorcaro, não recebe o mesmo tratamento obsessivo reservado às disputas envolvendo Alexandre de Moraes?

Não se trata de proteger Moraes, Mendonça ou qualquer outro ministro. Trata-se de exigir o mesmo rigor para todos.

Porque, quando a imprensa transforma uma investigação sobre dinheiro e possíveis irregularidades em uma novela sobre egos, intrigas e guerras palacianas, o resultado é previsível: muita fumaça, muitos holofotes e pouca luz sobre o caminho percorrido pelo dinheiro.

E é justamente o caminho do dinheiro que deveria estar no centro de tudo.


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Política

Todos os caminhos de Vorcaro levam a Bolsonaro

Há histórias que, de tão cheias de coincidências, deixam de parecer coincidência. O caso envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master é uma delas. À medida que surgem novos documentos, mensagens, movimentações financeiras e conexões políticas, o mapa vai ficando cada vez mais incômodo — e, nele, o nome Bolsonaro aparece com uma frequência que exige explicações.

Não estamos falando de uma fotografia isolada, de um encontro casual ou de uma relação protocolar. O que precisa ser esclarecido é a extensão de uma rede de contatos que aproxima Vorcaro de personagens do universo bolsonarista e envolve valores que não podem ser tratados como meros detalhes contábeis.

É dinheiro. É poder. É influência. E, sobretudo, são relações que precisam ser explicadas.

A velha fórmula da política brasileira — fingir que não existe problema enquanto se espera que o escândalo desapareça do noticiário — não pode prevalecer. Se há operações financeiras, encontros, mensagens ou intermediações envolvendo pessoas ligadas à família Bolsonaro, e o próprio Flavio Bolsonaro, tudo precisa ser colocado sob a luz do dia.

E há uma pergunta que não pode ser abafada: por que tantos fios dessa trama parecem convergir para o mesmo grupo político?

É evidente que proximidade, por si só, não prova crime. Mas também é evidente que proximidade recorrente, dinheiro e influência política formam uma combinação que não pode ser simplesmente ignorada. Cabe às autoridades investigar, aos envolvidos explicar e à imprensa acompanhar sem proteger ninguém.

O mais preocupante seria assistir novamente ao velho espetáculo da seletividade: quando o personagem investigado pertence ao campo adversário, qualquer indício vira manchete; quando as conexões chegam ao entorno bolsonarista, surgem imediatamente eufemismos, justificativas e uma impressionante disposição para relativizar.

Não é assim que uma democracia funciona.

Se existe uma trilha financeira, que se siga o dinheiro. Se existem mensagens, que sejam examinadas. Se existem encontros, que se descubra o que foi tratado. Se existem beneficiários, que sejam identificados. E se não houver irregularidade alguma, que os próprios investigados sejam os primeiros a exigir que tudo seja esclarecido.

Porque o que está em jogo não é apenas a reputação de Vorcaro ou de qualquer integrante da família Bolsonaro. É a capacidade das instituições brasileiras de investigar relações entre dinheiro, bancos e poder político sem escolher previamente quem merece ser protegido.

No fim, a pergunta continua de pé — e ficará cada vez mais difícil silenciá-la:

quantos caminhos ainda precisarão ser percorridos até que se descubra onde, exatamente, termina Vorcaro e começa a família Bolsonaro?


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Política

Urgente: Coaf revela novo repasse de R$ 8,6 milhões de Vorcaro para Flávio Bolsonaro

O caso envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro acaba de ganhar um novo capítulo — e ele é particularmente incômodo para o candidato à Presidência. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), obtido pela revista piauí, registra um novo repasse de US$ 1.666.667, ou seja, R$ 8,6 milhões, para o fundo americano Havengate Development Fund, responsável por administrar recursos destinados à produção de Dark Horse, a cinebiografia de Jair Bolsonaro. A transferência ocorreu em 16 de setembro de 2025.

O detalhe explosivo é a data. Flávio Bolsonaro havia afirmado publicamente que o último pagamento de Vorcaro ocorrera em maio de 2025. O documento do Coaf mostra, porém, que o dinheiro continuou circulando quatro meses depois.

E há algo ainda mais significativo: o novo pagamento aconteceu apenas oito dias depois de Flávio cobrar Vorcaro por parcelas atrasadas. Ou seja, a documentação conhecida agora reforça a existência de uma relação financeira que se prolongou muito além do período admitido publicamente pelo senador.

Com esse novo repasse, o total enviado por Vorcaro para o projeto saltou de aproximadamente US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões, mais de R$ 65 milhões na cotação da época.

A dimensão política do episódio é impossível de ignorar. Flávio não aparece simplesmente como alguém que tomou conhecimento de um financiamento feito por terceiros. As mensagens já reveladas mostram sua participação nas cobranças relacionadas aos pagamentos. Agora, o relatório do Coaf acrescenta uma peça documental decisiva ao quebra-cabeça: havia um novo desembolso depois da data que ele próprio apresentou como o encerramento dos pagamentos.

E a explicação oferecida por sua assessoria, segundo a piauí, é igualmente reveladora: em vez de esclarecer a discrepância entre a declaração do senador e o relatório do Coaf, a assessoria transferiu a responsabilidade para a produtora do filme.

O problema, portanto, deixou de ser apenas o tamanho do dinheiro envolvido. É a falta de transparência sobre a origem, o destino, a cronologia e os responsáveis pelos milhões de dólares que cercam Dark Horse.

Flávio Bolsonaro prometeu transparência, mas os fatos continuam produzindo novas perguntas. E cada novo documento torna mais difícil sustentar a narrativa de que se tratava de uma operação simples, encerrada em maio de 2025 e sem maiores mistérios.

O Coaf acaba de colocar mais uma peça sobre a mesa. US$ 1,666 milhão que, segundo a própria versão de Flávio, não deveriam mais estar sendo repassados — mas foram. Agora cabe ao candidato explicar por que sua versão não coincide com os registros financeiros.

E, sobretudo, explicar quantos milhões ainda faltam aparecer nessa história.


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Pesquisa

Atlas/Intel: Pesquisa mostra Lula 10 pontos à frente de Flavio Bolsonaro no 1º turno

Pesquisa AtlasIntel divulgada hoje mostra o candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 43,4% das intenções de voto do primeiro turno da eleição presidencial, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem 33,7%. Augusto Cury passou de 1,6% para 7,8%.

A pesquisa ouviu 5.014 eleitores, por recrutamento digital aleatório, entre os dias 25 e 30 de agosto. A margem de erro é de 1 ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O registro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) é BR-07972/2026.

No levantamento anterior, em 29 de julho, Lula aparecia com 44,9%, e Flávio Bolsonaro, 35,8%.

1º turno – estimulada (quando é apresentada lista com nomes dos candidatos)

  • Lula (PT): 43,4%
  • Flávio Bolsonaro (PL): 33,7%
  • Augusto Cury (Avante): 7,8%
  • Renan Santos (Missão): 7,6%
  • Ronaldo Caiado (PSD): 3,3%
  • Pablo Marçal (PRTB): 1,9%
  • Romeu Zema (Novo): 1%
  • Samara Martins (UP): 0,9%
  • Rui Costa Pimenta (PCO): 0,1%
  • Wilton Grassi (Democrata): 0,1%
  • Nenhum/Branco/Nulo: 0,1%
  • Não sabe/Não respondeu: 0,2%

2º turno

Lula x Flávio Bolsonaro

  • Lula (PT): 47,1% (era 49,2% em 28/7)
  • Flávio Bolsonaro (PL): 42,6% (era 42,9%)
  • Branco/Nulo/Não sei: 10,3% (era 7,9%)

Lula x Ronaldo Caiado

  • Lula (PT): 46,6% (era 48,2% em 28/7)
  • Ronaldo Caiado (PSD): 41% (era 38,9%)
  • Branco/Nulo/Não sei: 12,3% (era 12,9%)

Lula x Romeu Zema

  • Lula (PT): 47% (era 48,6% em 28/7)
  • Romeu Zema (Novo): 40,7% (era 39,6%)
  • Branco/Nulo/Não sei: 12,3% (era 11,8%)

Lula x Renan Santos

  • Lula (PT): 47.5% (era 47,6% em 28/7)
  • Renan Santos (Missão): 26% (era 30,2%)
  • Branco/Nulo/Não sei: 26,6% (er 22,2%)

Evolução das intenções de voto no 2º turno
Lula (PT)

  1. Fevereiro – 46,2%
  2. Março – 46,6%
  3. Abril – 47,5%
  4. Junho – 48,8%
  5. Julho – 49,2%
  6. Agosto – 47,1%

Flávio Bolsonaro (PL)

  • Fevereiro – 46,3%
  • Março – 47,6%
  • Abril – 47,8%
  • Junho – 42,3%
  • Julho – 42,9%
  • Agosto – 42,6%

Branco/Nulo/Não sabe

  • Fevereiro – 7,5%
  • Março – 5,8%
  • Abril – 4,7%
  • Junho – 8,9%
  • Julho – 7,9%
  • Agosto – 10,3%

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Política

Flávio Bolsonaro: da fieira de escândalos à disputa pela Presidência sob o manto da impunidade

Com uma fieira de escândalos e crimes acumulados ao longo da trajetória política, Flávio Bolsonaro chegou ao Senado e agora se apresenta como candidato à Presidência da República. É uma das mais impressionantes demonstrações de como a impunidade pode se transformar em método político.

Flávio aprendeu que, no Brasil, basta repetir uma versão até que ela ganhe aparência de verdade — e, sobretudo, basta contar com uma blindagem política e midiática suficientemente resistente para que as contradições não produzam consequências imediatas. O resultado é um candidato que pode desfilar diante das câmeras, acumular declarações desmentidas por fatos e documentos e, ainda assim, seguir falando como se estivesse acima de qualquer cobrança.

As recentes entrevistas e checagens são um retrato desse mecanismo. Veículos de checagem apontaram distorções e contradições em suas declarações sobre o Banco Master, Daniel Vorcaro, o 8 de Janeiro e outros temas. E as investigações envolvendo suas relações com o caso Master e a produção do filme sobre Jair Bolsonaro continuam produzindo novos capítulos.

O mais escandaloso, portanto, não é apenas a quantidade de controvérsias que acompanha sua carreira. É a naturalização delas. Flávio parece ter chegado a um estágio em que a mentira deixou de ser um recurso excepcional da política e passou a funcionar como instrumento permanente de comunicação: diz, nega, distorce, muda a versão e segue adiante.

E há algo ainda mais grave: a candidatura presidencial transforma esse passado em uma espécie de teste para as instituições. Se alguém pode atravessar uma longa sucessão de crimes, investigações, contradições e denúncias e, em vez de prestar contas, simplesmente subir mais um degrau na hierarquia do poder, a mensagem transmitida à sociedade é devastadora.

A questão já não é apenas o que Flávio diz. É por que ele pode dizer qualquer coisa, tantas vezes, sem que a mentira tenha custo político, jurídico ou institucional proporcional à gravidade das acusações que a cercam.

A impunidade, quando se torna rotina, deixa de ser apenas ausência de punição: transforma-se em licença para continuar. E Flávio Bolsonaro parece apostar justamente nisso — na ideia de que, aconteça o que acontecer, haverá sempre uma narrativa pronta, uma tropa política para repeti-la e uma blindagem suficiente para impedir que a realidade alcance o personagem.


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Política

Vídeo: Flávio no epicentro do Banco Master: Lula transforma o escândalo em questão eleitoral

Lula decidiu fazer aquilo que Flávio Bolsonaro provavelmente mais gostaria de evitar, colocar o caso Banco Master no centro da campanha eleitoral e obrigar o candidato do PL a responder por sua relação com Daniel Vorcaro.

Na propaganda eleitoral, a campanha de Lula não tratou o episódio como uma nota de rodapé, muito menos como um assunto superado. Fez o contrário, trouxe o caso para o primeiro plano, recuperou o áudio de Flávio dirigindo-se ao banqueiro e recolocou diante dos eleitores a pergunta que continua sem uma resposta politicamente convincente: afinal, o que aconteceu com o dinheiro que Flávio pediu a Vorcaro?

É uma jogada eleitoral de alto impacto porque atinge justamente o ponto mais vulnerável da candidatura de Flávio, a distância entre o discurso de candidato que promete combater a corrupção e as notícias sobre sua proximidade com personagens e negócios que estão sob investigação.

A campanha de Lula explorou essa contradição sem rodeios. O áudio, as referências ao Banco Master e ao projeto do filme Dark Horse passaram a funcionar como uma espécie de cartão de visitas político de Flávio. Segundo as informações divulgadas sobre o caso, Flávio teria solicitado R$ 134 milhões a Vorcaro e recebido R$ 61 milhões; o senador afirmou que os recursos estavam relacionados à produção do filme e prometeu prestar contas.

O problema político é que, enquanto Flávio tenta declarar o assunto encerrado, a campanha adversária insiste em mantê-lo aberto. E eleição é, sobretudo, disputa pela narrativa. Se Lula conseguir fazer o eleitor associar o nome Flávio Bolsonaro às palavras Banco Master, Vorcaro e dinheiro sem explicação, terá criado uma marca eleitoral extremamente difícil de apagar.

Mais do que atacar Flávio, portanto, Lula está tentando transformar o episódio em uma pergunta permanente durante a campanha: por que um candidato à Presidência precisa ser cobrado para explicar sua relação financeira com o dono de um banco envolvido em um dos maiores escândalos do momento?

A ofensiva é ainda mais significativa porque ocorre justamente quando a corrupção voltou a ocupar lugar central na disputa presidencial.

Flávio pode tentar mudar de assunto, atacar Lula ou repetir que o episódio é “página virada”. Mas há um detalhe cruel para sua campanha: quem decide se uma página virou não é o candidato; é o eleitor.

E Lula acaba de colocar essa página bem no meio da propaganda eleitoral.

A mensagem é brutalmente simples: antes de pedir o voto dos brasileiros, Flávio terá de explicar o dinheiro, o banqueiro e a história que envolve os dois.

E quanto mais ele tentar fugir do Banco Master, mais Lula terá oportunidade de perguntar por que ele está fugindo.


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Política

Flávio Bolsonaro no JN: uma seleção de mentiras em horário nobre

Flávio Bolsonaro entrou no Jornal Nacional não para enfrentar os fatos, mas para tentar substituí-los por uma narrativa cuidadosamente construída para consumo eleitoral. O resultado foi uma verdadeira seleção de mentiras, distorções, omissões e versões convenientemente adaptadas à sua campanha.

O mais impressionante é que ele sequer parece ter se dado ao trabalho de construir aquelas tradicionais “meias verdades”, nas quais se mistura um pedaço de fato com uma boa dose de manipulação. Não. Em vários momentos, Flávio simplesmente afirmou coisas que colidem frontalmente com os registros disponíveis. As checagens publicadas depois da entrevista identificaram uma sequência de declarações falsas ou enganosas.

No caso do filme Dark Horse, por exemplo, Flávio afirmou que as informações relevantes já eram públicas, quando não havia prestação de contas pública que comprovasse o destino dos recursos. Também tentou transformar em uma banalidade a relação financeira envolvendo Daniel Vorcaro, embora a própria documentação conhecida e as reportagens sobre o caso apontem para uma história muito mais complexa.

E não parou aí. Vieram as versões sobre Adriano da Nóbrega, o negacionismo climático, as urnas eletrônicas, o Pix, o 8 de Janeiro e a atuação do próprio Flávio em questões relacionadas ao Banco Master. Em diferentes pontos, a realidade documentada simplesmente não cabia na narrativa que ele pretendia vender ao telespectador.

É justamente aí que está o problema. Uma entrevista presidencial deveria ser um confronto entre propostas, fatos e responsabilidades. Não pode se transformar em um palco no qual o candidato lança uma afirmação atrás da outra e deixa para o público a tarefa de descobrir, depois, onde termina o discurso político e começa a falsificação da realidade.

E basta uma busca simples para desmontar boa parte desse turbilhão de versões. É só colocar no Google cada uma das frases ditas por Flávio no JN e confrontá-las com documentos, registros públicos e checagens jornalísticas. A narrativa começa a desmoronar em questão de minutos.

O problema, portanto, não é apenas Flávio Bolsonaro ter mentido. É a estratégia política por trás da mentira: falar com tanta segurança que o espectador possa confundir convicção com verdade. Repetir uma versão até que ela pareça um fato. Apresentar a própria narrativa como se fosse a realidade e apostar que ninguém terá tempo ou disposição para conferir.

Mas tem um detalhe inconveniente para essa estratégia: os fatos continuam existindo.

E os fatos não precisam de performance, gestual ou discurso ensaiado. Basta confrontá-los com aquilo que Flávio disse no JN.

Quando isso é feito, sobra muito pouco da entrevista além de uma sucessão de versões convenientes, omissões e afirmações que não resistem ao primeiro contato com a realidade.


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Política

Flávio Bolsonaro, o candidato Sambarilove

Gerson Camarotti talvez tenha encontrado a melhor definição para a participação de Flávio Bolsonaro na sabatina do Jornal Nacional: o candidato assumiu integralmente o figurino e o gestual do Sambarilove da Escolinha do Professor Raimundo.

Foi um espetáculo à parte. Pergunta de um lado, floreio do outro. O entrevistador apertava, Flávio escorregava. Perguntava-se sobre um assunto, vinha uma pirueta verbal; insistia-se na questão, surgia uma cambalhota retórica. Quando a resposta ameaçava aparecer, lá vinha o velho e conhecido sambarilove: muita movimentação, muito gesto, muita convicção cenográfica e nenhuma substância.

Flávio parecia ter ido ao Jornal Nacional não para responder perguntas, mas para dançar em torno delas, imitando perfeitamente o personagem Armando Volta.

Era como se tivesse levado para a bancada uma cartilha intitulada: “Como falar durante vários minutos sem necessariamente chegar ao ponto”. O problema é que televisão não é salão de baile e entrevista não é concurso de coreografia. Em algum momento, o candidato precisa responder.

E aí apareceu o grande talento do sambarilove político: transformar pergunta incômoda em fumaça, questão objetiva em discurso e cobrança em vitimismo.

Quando surgiam temas espinhosos, especialmente aqueles que exigiam explicações mais concretas, o figurino ficava ainda mais completo. Braços para cá, cabeça para lá, sobrancelha para cima, indignação para todo lado — e a resposta, essa criatura misteriosa, continuava desaparecida.

O curioso é que o Sambarilove original fazia aquilo para arrancar risadas. Flávio, ao que tudo indica, tenta fazer o mesmo movimento para conquistar votos.

Só esqueceram de avisá-lo de uma diferença fundamental: na Escolinha do Professor Raimundo, o sambarilove era personagem. Na política, o eleitor espera encontrar um candidato.

Flávio Bolsonaro conseguiu, portanto, uma proeza rara: transformar uma sabatina presidencial em um número de variedades. Saiu de lá deixando a impressão de que, quando a realidade aperta, o melhor recurso disponível é mesmo tirar o sapato, ajeitar o chapéu imaginário e mandar ver no sambarilove.

Só faltou a musiquinha de entrada.

E talvez o mais revelador seja justamente isso: quanto mais se esperava uma resposta, mais aparecia o personagem. Quanto mais se cobrava conteúdo, mais vinha o gestual. Quanto mais a pergunta exigia precisão, mais o candidato parecia ensaiar uma coreografia.

No fim, Flávio não precisava de marqueteiro. Precisava era de um palco, uma orquestra e, quem sabe, do velho bordão:

“Sambarilove, sambarilove… e resposta que é bom, nada!”


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Política

A mídia nativa de alta potência já escolheu seu candidato há muito tempo

Sem ilusões. Os papas da mídia nativa de alta potência, com a Globo à frente, não precisam declarar apoio explícito a Flávio Bolsonaro para trabalhar politicamente pela sua candidatura. É justamente aí que mora o perigo. O método é mais sofisticado — e muito mais eficiente: uma crítica milimetricamente controlada, capaz de preservar a aparência de independência enquanto poupa o candidato dos golpes que realmente poderiam desmontar sua candidatura.

O roteiro é conhecido. Em vez de blindagem escancarada, oferece-se ao público uma espécie de oposição cenográfica: uma pergunta mais dura aqui, uma cobrança ali, uma observação crítica acolá. Depois, encerra-se a conta. O candidato sai dizendo que foi “pressionado”, a emissora pode proclamar que fez jornalismo rigoroso e, ao mesmo tempo, aquilo que realmente poderia produzir dano político fica convenientemente fora do centro do palco.

É preciso observar o que acontece quando a entrevista chega aos pontos realmente explosivos. Flávio foi questionado sobre Banco Master, Daniel Vorcaro, os R$ 61 milhões relacionados ao financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro, a tentativa de golpe e suas declarações sobre as urnas. Ainda assim, análises posteriores apontaram que ele conseguiu escapar de respostas objetivas em temas decisivos e que a condução permitiu que dominasse boa parte da narrativa.

É exatamente nesse espaço entre parecer crítico e ser efetivamente contundente que a mídia pode desempenhar um papel político decisivo.

O que está em jogo não é simplesmente favorecer Flávio com elogios. É algo mais sofisticado: normalizá-lo. Transformar um candidato cercado por controvérsias em um presidenciável “como qualquer outro”; deslocar os assuntos potencialmente devastadores para o rodapé; suavizar contradições; oferecer-lhe tempo para reorganizar a narrativa; e, sobretudo, impedir que a eleição seja travada em torno das questões que mais incomodam sua candidatura.

Foi assim que o bolsonarismo aprendeu a sobreviver politicamente: convertendo crises em espetáculo, acusações em vitimização e perguntas incômodas em combustível para sua própria mobilização.

Flávio, aliás, reproduz até gestos do repertório eleitoral do pai. Na entrevista ao Jornal Nacional, apareceu com palavras anotadas na mão — “Mudança”, “Futuro” e “7/set” — repetindo uma estratégia já utilizada por Jair Bolsonaro em 2018 e 2022.

Portanto, não se deve esperar necessariamente que a grande mídia coloque Flávio no colo. Basta que não o coloque contra a parede.

A diferença é enorme.

Um candidato pode ser criticado durante quarenta minutos e, ainda assim, sair politicamente beneficiado se as perguntas mais importantes forem formuladas de maneira suficientemente branda, se as respostas evasivas forem aceitas sem insistência e se os temas mais perigosos forem rapidamente substituídos por outros.

É a crítica controlada: aquela que preserva a reputação de independência do veículo sem necessariamente ameaçar o projeto político do candidato.

E há uma razão para levar essa possibilidade a sério. A eleição de 2026 não é uma disputa qualquer. Flávio tenta ocupar o espaço político deixado pelo pai e, ao mesmo tempo, apresentar uma versão eleitoralmente mais palatável do bolsonarismo. A própria imprensa já registra a tensão entre o setor mais radical do movimento e a tentativa de construir uma candidatura mais moderada e profissionalizada.

Nesse cenário, a mídia tem uma escolha: investigar o candidato até as últimas consequências ou ajudá-lo a se tornar palatável ao eleitorado.

E é por isso que não basta prestar atenção ao que os grandes veículos dizem sobre Flávio. É preciso observar também o que deixam de perguntar, o que deixam de aprofundar e aquilo que retiram rapidamente do centro do debate.

Porque, numa eleição presidencial, a blindagem mais eficiente não é o silêncio.

É uma crítica cuidadosamente dosada — suficiente para parecer jornalismo independente, mas insuficiente para colocar o candidato em verdadeiro perigo político.

Se essa for a estratégia, a sociedade precisa reconhecê-la antes que seja tarde. Afinal, não se trata apenas de quem fala mais alto na televisão. Trata-se de quem consegue definir quais perguntas a sociedade fará ao candidato — e quais perguntas jamais chegarão ao horário nobre.


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