Se Lula é respeitado no mundo, FHC é respeitado na provinciana elite paulista. Cada qual em seu quadrado.
Lula discursará na ONU para o mundo, FHC será bajulado no Roda Viva por Vera Magalhães para ser visto por 30 tucanos tardios que sobraram depois da eleição de 2018.
A apresentadora do Roda Viva, Vera Magalhães prepara banquete para receber FHC que terminou seu arrastado e melancólico governo com 27% de aprovação.
Lula, que terminou seu mandato com 87%, um recorde de aprovação, falará para o mundo na ONU por ser o líder político brasileiro mais conhecido e respeitado no mundo hoje, é chamado por Vera Magalhães de espantalho político e escorpião.
Não bastassem as atrocidades cometidas diuturnamente por Bolsonaro e seu governo, agora, usa dados positivos da gestão de Lula e Dilma para se defender das críticas da França. Até quando o Brasil vai suportar essa situação?
Vergonha mundial
Governo Bolsonaro lança nota assinada pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e pelo MRE (Ministério das Relações Exteriores), o governo Bolsonaro usou dados de desmatamento na Amazônia durante a gestão do PT para se defender de críticas da França em relação ao acordo que pode ser firmado entre os países da União Europeia e o Mercosul.
“De 2004 a 2012, o desmatamento da região chamada de Amazônia Legal caiu 83%, enquanto que a produção agrícola subiu 61%. Nesse mesmo período, o rebanho bovino cresceu em mais de 8 milhões de cabeças, chegando a 212 milhões em 2012. Esses dados inserem-se em tendência histórica de intensificação da agropecuária brasileira e dos decorrentes ganhos de produtividade, em sintonia com a preservação ambiental”, diz a nota, citando o período que inclui as gestões dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.
No texto, os ministérios omitem que, desde o início do governo de Jair Bolsonaro (sem partido), em 2019, houve aumento expressivo no desmatamento da Amazônia, além de uma disparada no número de queimadas. Os números acompanham a agenda de política ambiental do governo, que tem como base de apoio ruralistas, latifundiários e organizações patronais ligadas ao agronegócio.
Trata-se do maior desmatamento em dez anos
Em novembro passado, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) informou que, no acumulado de 1º de agosto de 2018 a 31 de julho de 2019, houve registro do maior desmatamento para um período de dez anos na região. Foram derrubados 9.762 km² de vegetação nativa. O número representa uma alta de 29,5% em relação ao registrado no mesmo período de 2017 a 2018.
O registro só foi maior no período de 2007 a 2008, quando a área atingida ficou em 12.911 km².
Desmatamento na Amazônia (em km²)
Neste ano, há receio de que um novo recorde seja batido —o Inpe já registrou o pior agosto em dez anos. Foram 1.499 km² de floresta perdida em um único mês.
Embora tenha se intensificado durante a gestão Bolsonaro, a tendência de aumento no desmatamento na Amazônia teve início em 2015. Desde então, houve uma única queda —foi no período 2016-2017.
As queimadas na região, que invariavelmente têm relação com o desmatamento (são usadas ou para limpeza de um solo previamente desmatado, ou para o desmate em si), também aumentaram na gestão Bolsonaro. O ano de 2019 fechou com um aumento de 30% no número das queimadas em comparação a 2018, segundo dados finais do Inpe.
A Amazônia Legal é formada pelos seguintes estados: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão.
O relatório Divulgado no último dia 18, o documento elaborado pelo governo francês indica que o país é contrário ao acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, ao menos da forma em que ele foi concebido.
Revelado pelo colunista do UOL Jamil Chade, o texto cita um impacto ambiental do acordo e a ausência de ferramentas de controle contra o desmatamento.
As imagens de animais mortos pelo incêndio descontrolado no Pantanal chocaram os brasileiros, mas também a comunidade internacional.
A Amazônia em chamas e o Pantanal sendo devastado pelo fogo, atingindo terras indígenas, é um dos assuntos mais comentados na própria ONU. Mas Bolsonaro resolveu dobrar a aposta na estupidez contando com uma junta militar formada por generais da reserva que, em pleno 2020, vivem 1964, achando que podem esconder da comunidade internacional tudo o que esconderam durante a ditadura no século passado.
Tudo isso é sabido hoje, em tempo real pela imprensa mundial e, consequentemente por investidores, empresas internacionais, chefes de Estado e todas as organizações de cooperação internacional de vários países que podem e vão interferir para que essa escalada autoritária de Bolsonaro seja interrompida.
Mas o ponto central hoje no mundo nem é mais Bolsonaro, pois o mundo já tem opinião formada sobre a sua personalidade genocida. Por isso suas aberrações na tribuna da ONU ecoaram pelos quatro cantos do planeta, mas não estarreceram ninguém, porque o mundo não espera mais nada de Bolsonaro além de seus discursos de ódio, mentirosos e de suas práticas incendiárias e criminosas.
Na ONU, ridiculamente, Bolsonaro tentou se absolver colocando-se como vítima de instituições internacionais que agem por interesses obscuros, culpando os índios pela tragédia provocada pelos incêndios no Pantanal e na Amazônia.
O que hoje é essencial para a comunidade internacional é saber qual o problema ocorreu no Brasil para que Lula, um dos líderes mais respeitados do mundo como presidente do Brasil, fosse cassado politicamente e preso para Bolsonaro vencer a eleição, mas sobretudo como o sistema de justiça brasileiro fez vista grossa diante de todas as ilegalidades de Moro e sua Lava Jato que condenaram e prenderam Lula sem provas para eleger Bolsonaro e ser o Ministro da Justiça e Segurança Pública.
O Brasil de Lula e Dilma era o maior exemplo de preservação ambiental do mundo, enquanto Bolsonaro representa o maior exemplo de devastação ambiental da terra.
Como explicar à comunidade internacional o que de fato ocorreu no Brasil para Lula, que estava em primeiro lugar nas pesquisas de opinião, ser preso e Bolsonaro ser presidente?
É essa indagação que, certamente, a comunidade jurídica internacional está fazendo sobre o sistema de justiça brasileiro, porque sabe que o que aqui ocorreu não foi acidente, mas foi determinante para o país descambar para essa forma de autoritarismo, possível somente com a cumplicidade do judiciário brasileiro.
Aliás, é isso que ficará para a história, porque é isso que faz o mundo jogar os holofotes nos interesses sombrios que tiraram Lula da disputa eleitoral e colocaram Bolsonaro no poder através de uma trama em que a justiça, de forma determinante, foi usada para mudar os destinos do Brasil.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa nesta quinta-feira (24), às 10h, na abertura do Webinário “Educação e as Sociedades Que Queremos”. O indiano ganhador do Prêmio Nobel da Paz Kailash Satyarthi também discursa na abertura do encontro virtual. Participam ainda o diretor geral da ICESCO, Salim M. Al Malik, e a secretária executiva da Parceria Global para a Educação, Alice Albright. O Instituto Lula é um dos organizadores.
A relatora da ONU para o Direito à Educação, Koumbou Boly Barry, afirmou ao convidar o ex-presidente que “a experiência do Brasil na educação interessa ao mundo”, e que Lula foi um presidente “que tanto colaborou e colabora para o progresso mundial, fortalecendo laços entre povos”. Sobre o evento, Boly afirma: “Como diz o ditado africano: ‘Se você quiser ir rápido, vá sozinho, e se quiser chegar com segurança, vá com as pessoas’. O contexto do mundo atual exige a mobilização de todos os tomadores de decisão, todas as competências dos vários locais nacionais, regionais e internacional para enfrentar os desafios educacionais e até existenciais da humanidade.”
O ex-ministro da Educação e conselheiro do Instituto Lula, Fernando Haddad, também participa do seminário. Haddad fala na mesa “Políticas e Mecanismos para garantir uma educação de qualidade, igualitária e inclusiva para todos” que reunirá ministros de sete países.
Este encontro faz parte da iniciativa “Sociedades que queremos”, coordenada pela Organização do Mundo Islâmico para Educação, Ciência e Cultura (ICESCO), com o objetivo de disseminar conhecimento e implementar programas inovadores para construir sociedades saudáveis, pacíficas, prósperas, inclusivas e resilientes a partir de uma necessidade que se acelerou com o advento da pandemia causada pelo novo Coronavírus. Entre os parceiros estão a relatoria especial da ONU para o Direito à Educação (ACNUDH), a Campanha Nacional pelo Direito à Educação e o Instituto Lula.
Poderia-se até dizer que a cabeça provinciana e medíocre dos lavajatistas de Curitiba não admitiam que um brasileiro fosse tão respeitado no mundo, sobretudo com uma trajetória iniciada na pobreza, para se tornar um dos mais importantes líderes mundiais.
O medíocre pensa de forma medíocre, pequena. Então, forma teorias a partir de sua própria limitação intelectual, arquitetando uma mesquinha história para dar asas à sua pequenez e, assim, tentar, através da arte da manipulação em parceria com a mídia, produzir no psique coletivo uma visão caseira do próprio mundo.
Lógico que esses mesmos incapazes, desde o princípio, sabiam que a denúncia que sustentavam era vaga pelo simples fato da imprensa internacional cobrir as palestras de Lula no exterior. Mas isso precisava ser negado para que o coro e o clima de linchamento levassem a acreditar que Lula era um corrupto.
Essa, na verdade, foi a estética oficial da Lava Jato na doentia perseguição ao maior presidente da história do Brasil que teve uma aprovação recorde depois de oito anos de condução do Brasil que o levou a um patamar inimaginável para o miolo mole dos medíocres de Curitiba.
Agora, chega a notícia de que, sem o pensionato do Jornal Nacional, a mentira teve que ser arquivada e o cabotinismo moral dos imorais, carregado de soberba, tem que enfiar o rabo entre as pernas e escrever com todas as letras que aquela acusação era típica de um inconsolável rancor de classe que os janotas e sinhás da Lava jato carregavam com eles contra Lula.
E só o fizeram porque a lei obriga ou sustentariam essa grosseira acusação para o resto da vida. Mas tiveram que, novamente, de frente para Lula, ajoelhar, enfiar a viola no saco e se confessarem incapazes até de mentir diante da grandeza e envergadura de um líder mundial.
A própria Lava Jato investigou a realização de todas as conferências e depois de cinco anos a Polícia Federal e o Ministério Público não conseguiram apresentar nem uma acusação inventada em torno das palestras. E arquivaram essa acusação.
Entretanto, depois de muito acusarem e insinuarem, quando não acham crime, não reparam o estrago, não pedem desculpas, não divulgam para a imprensa, não saem notícias na TV e rádios do mesmo jeito que fazem quando acusam.
Mas aqui no blog divulgamos a verdade amarga para quem quis difamar Lula.
Quando se passa os olhos na aprovação no final do segundo mandato de 28 % de FHC e de 87% de Lula, lembra-se e se assusta com a veneração que a mídia brasileira tem por FHC e o ódio que tem por Lula.
Só uma coisa explica isso, preconceito com o povo brasileiro.
Dia desses, o subconsciente da jornalista da Globonews, Cristiana Lobo calou tão forte que ela não conseguiu esconder o brilho nos olhos na hora de falar de FHC.
A mesma Cris Lobo, como é chamada pelos colegas, também não consegue disfarçar o maldito rancor que sente de Lula.
Carlos Alberto Sardenberg, por sua vez, escreveu um artigo falando maravilhas de FHC, com o título “O melhor presidente”.
É uma invenção tão tosca de Sardenberg sobre FHC que, tem um vídeo do próprio FHC, em um encontro com Clinton e chefes de Estados europeus, onde diz que a situação de seu governo era tão vulnerável que qualquer crise no mundo por menor que fosse afetaria o Brasil.
Então, é uma gigantesca bobagem Sardenberg criar um personagem de ficção para dar a ele asas de ganso quando FHC, na verdade, foi um pato manco engolido pela vaidade e pela incapacidade de ver que o neoliberalismo que adotou como política econômica lhe derrubaria do cavalo.
Ora, é só pegar a imagem de FHC deixando o Palácio do Planalto e comparar com à de Lula quando terminou seu mandato.
Enquanto FHC saiu de cabeça baixa, murcho e isolado, Lula é agarrado pelo povo que, junto com ele, chorava emocionado pelo bem que ele proporcionou a milhões de brasileiros, ao contrário de FHC que deixou o governo com recorde de desemprego, dívidas com FMI e zero de reservas internacionais, além da fome e da miséria.
Mas tudo isso a prepotente mídia, comandada pelos barões da comunicação, ignora, assim como sempre ignorou o sofrimento do povo.
Sim, porque o problema dessa mídia e a aversão que ela tem do povo, sobretudo o povo pobre, o mesmo que foi o maior beneficiado pelo governo Lula que tirou 40 milhões da miséria.
FHC é o próprio Bolsonaro envergonhado, assim como é o artigo de Vera Magalhães “Uma escolha difícil” publicado uma semana antes do segundo turno da eleição de 2018.
FHC, por ter quebrado o Brasil três vezes em oito anos, terminou seu segundo mandato com 26% de aprovação.
Lula, por sua vez, terminou seu segundo mandato com popularidade recorde chegando a 87% de aprovação, segundo o Ibope.
Vera, tempos atrás, disse que não levaria Lula ao Roda Viva porque, segundo ela, “Lula não tem objetivo de conciliação algum. É alguém que levou à situação em que estamos hoje e que, nem preso, em 2018, aceitou alguma conciliação que implicasse sua perda de hegemonia”
Mas não para aí o ranço tucano da moça que sentencia: “Lula não é player da crise de covid-19. É um condenado em prisão domiciliar. Por isso e por ter mais de 60 tem de ficar em isolamento. Emular esse espantalho político é tudo que Bolsonaro quer para cortina de fumaça dos seus erros”.
Eseguiu com sua rancorosa cantilena tucana: “Se afoitos e ingênuos querem ser o sapo da travessia do escorpião, o Roda Viva não será essa jangada. Vamos seguir fazendo jornalismo de serviço e relevância, ouvindo quem tem o que dizer nesse momento grave do país”
Vera Magalhães mentiu descaradamente, Lula nem é condenado e, muito menos, está, como nunca esteve, em prisão domiciliar.
Se mentiu por absoluta ignorância, é grave, por se tratar de alguém que comanda um programa de entrevistas numa TV. Se mentiu por maldade, é ainda mais grave, por fazer coro com Bolsonaro que espalha fake news nas redes sociais.
O fato é que essa gente tem adoração pelo fracasso, e FHC é um gigantesco fracassado.
Mas parece que a arrebatadora aprovação de Lula incomoda profundamente essa gente reacionária, envernizada como Vera Magalhães.
A hashtag #HaddadLula2022 subiu no Twitter nesta manhã de sábado, 19, e prossegue sendo um dos assuntos mais comentados da plataforma. Protocolo tradicional das milícias bolsonaristas, a subida forte de uma hashtag eleitoral da esquerda surpreendeu a todos, inclusive os próprios setores progressistas, que se engajaram nos compartilhamentos.
Para quem acreditou que as esquerdas ficariam apenas observando mais um passeio da extrema direita nas redes sociais em plena eleição municipal, a hashtag #HaddadLula2022 foi um balde de água fria. Setores progressistas passaram a povoar mais as redes e começam, neste momento, a produzir uma inflexão de engajamentos e participações do usuário digital.
Mais recente investida da Lava Jato contra o ex-presidente copia ilicitudes e inova ao repetir denúncia já julgada.
“A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”. A célebre frase de Karl Marx ganhou contornos de atualidade no último dia 14, quando a força-tarefa Operação Lava Jato de Curitiba ofertou sua quarta ação penal contra Luiz Inácio Lula da Silva, por suposto ganho ilegal de valores cedidos pela empreiteira Odebrecht, em troca de favorecimentos à empresa em contratos públicos.
Isso porque a denúncia repete as ilegalidades e impossibilidades processuais constantes nas anteriores, o que já é uma tragédia. Mas não apenas mimetiza a fórmula ilegal: reproduz acusações já apresentadas, apreciadas e rejeitadas pela Justiça, como se um novo fato fosse, a justificar um novo processo.
A denúncia, de 121 páginas, está aqui. É quase tão caudalosa quanto a primeira da série, que tinha 149 páginas, de 2016, sobre o triplex do Guarujá (SP), imortalizada na apresentação de PowerPoint de Deltan Dallagnol. Em 85 das 121 páginas, os assuntos tratados não são relacionados ao suposto crime que se denuncia: lavagem de dinheiro por meio de doações fraudulentas da Odebrecht ao Instituto Lula.
Nessas páginas, os procuradores da Lava Jato repetem todo o teor do PowerPoint de 2016, mas de forma estendida. Discorrem sobre a teoria de que Lula era o chefe de um esquema criminoso que fraudava contratos públicos em desfavor da União em troca de vantagens recebidas em dinheiro ou bens patrimoniais, para si próprio, aliados, campanhas eleitorais ou partido político.
Sendo a teoria da Lava Jato amparada pela realidade ou não, fato é que o que precisa constar em uma denúncia para que a Justiça possa acatá-la é algo muito mais simples: a descrição de um ato criminoso, a atribuição de sua autoria a alguém e as provas de que o delito em questão foi cometido pelo acusado que se aponta. Isso, assim como o libelo acusatório de 2016, a nova denúncia não traz.
A inquestionável falta de provas da denúncia
Eis o crime que tenta denunciar o MPF-PR: a empresa Odebrecht, entre dezembro de 2013 e março de 2014, realizou quatro doações, no valor de R$ 1 milhão cada, para o Instituto Lula. Na verdade, porém, dizem os acusadores, não era intenção da empreiteira doar esses valores ao instituto. Tratava-se de um pagamento de propina ao ex-presidente, travestido de doação a seu instituto, em troca de favorecimentos que Lula teria garantido à companhia em contratos públicos enquanto era presidente da República.
De início, para aceitar a lógica da denúncia, é preciso acreditar que Lula favoreceu a Odebrecht enquanto era presidente, mas, por algum motivo, aceitou, na negociata em que teria se envolvido, que a propina por sua atuação no esquema fosse paga só quatro anos após ter deixado a Presidência da República.
Então, segundo a lógica da Lava Jato, entre 2010 e 2014, Lula teria aguardado pacientemente até que a empreiteira pagasse pelos favorecimentos há anos concretizados. Nesse ponto, há uma vantagem em relação à denúncia do triplex: pelo menos a propina teria chegado a Lula através de seu instituto, e não por meio de um imóvel no Guarujá do qual jamais foi dono ou usufruiu, e de que nem a empreiteira que estaria pagando a propina era dona, mas sim seus credores judiciais.
Depois, os procuradores têm que enfrentar outros dois fatos que não colaboram com sua tese: o primeiro é que as doações foram feitas todas publicamente e de acordo com o ordenamento normativo em vigor no país, seguindo todas as regras contábeis, tributárias e comerciais vigentes, constantes em declarações de renda, balanços financeiros e informes à Receita Federal.
O segundo é o de que os valores doados em nada diferem, em escala e procedimentos, de muitas outras doações idôneas desse tipo, feitas por outras empresas ao mesmo Instituto Lula. E também em nada diferem em procedimento ou valores de doações que essas mesmas empresas já fizeram a entidades semelhantes de manutenção de acervo histórico presidencial, como o Instituto Fernando Henrique Cardoso ou o Instituto Obama, nos Estados Unidos.
A questão, inclusive, já foi apreciada pela Justiça em ação penal anterior proposta pelo mesmo MPF-PR contra os mesmos réus, tendo como base outra empresa e outra doação. Daí a farsa da denúncia, que tenta fazer julgar algo que já foi julgado, conforme explica ao Brasil de Fato o advogado Fernando Fernandes, que representa Paulo Okamotto.
“Não há diferença entre essas doações e outras já realizadas pela Odebrecht, pela OAS ou qualquer empresa, sobre as quais a Justiça já se posicionou: não constituem lavagem de dinheiro. O assunto já foi objeto de ação anterior, e Paulo Okamotto já foi absolvido da acusação.”
Quer dizer: em princípio, nada nas operações de doação faz crer que tenham sido um acobertamento do crime de lavagem de dinheiro. À primeira vista, são transações legais, corriqueiras e insuspeitas.
De qualquer maneira, o Ministério Público bem poderia demonstrar o ânimo criminoso que teria movido as doações, se tivesse havido um. Para tanto, precisaria deixar claro e provado:
a) Qual foi o favorecimento que Lula forneceu em troca da propina travestida de doação.
b) Por que as doações, na verdade, não são doações, e sim pagamento de propina.
A tarefa, como se nota, não é fácil, mas não seria impossível. Os procuradores têm à sua disposição uma série de ferramentas legais para alcançar a materialidade de atos criminosos. Uma prova poderia ser, por exemplo, uma escuta telefônica em data e horário autorizados pela Justiça em que Lula ou algum assessor combina com algum executivo da empreiteira que a favoreceria neste ou naquele contrato com a União em troca das doações – dali a uns quatro anos – a seu instituto.
O problema, e aí reside a repetição, é que os procuradores novamente acusam Lula (e também o presidente do Instituto, Paulo Okamotto) sem qualquer prova. Custa-se a crer, mas a denúncia, disponibilizada acima, é a própria prova do que se afirma.
Ao longo das 121 páginas do documento do MPF, não figura uma evidência sequer que sustente a tese acusatória. Não há uma gravação de interceptação telefônica, uma mensagem de texto, um e-mail trocado, um documento fraudado, um depósito bancário, uma foto de malas trocadas, um apartamento com milhões de reais dentro, uma testemunha, nada.
O simulacro de sustentação para a tese da Lava Jato dá-se por meio de delações premiadas assinadas por executivos e políticos que efetivamente confessaram e foram condenados por ter pago ou recebido propinas milionárias em desfavor da União – no caso, Marcelo Odebrecht e Antonio Palocci.
O problema – para essa e as outras acusações da Lava Jato contra Lula – é que réus da Justiça que assinam acordos de delação premiada não são testemunhas. Sua palavra não tem valor de prova testemunhal, quanto menos pericial ou documental.
Mas é só assim que o MPF, ao arrepio da lei, sustenta sua acusação. É só assim, muito embora a lei que cria o instituto da delação premiada (12.850/2013) seja cristalina ao afirmar, em seu 16º parágrafo do Artigo 4º: “§ 16. Nenhuma sentença condenatória será proferida com fundamento apenas nas declarações de agente colaborador.”
A razão para a existência de tal norma é evidente. Não fosse assim, qualquer indivíduo que incorresse em ato delituoso poderia, a fim de livrar-se da consequência penal de seus feitos, criar as histórias e acusações que bem entendesse e bem interessasse aos procuradores, livrando-se em parte ou no todo dos débitos que tem com a Justiça. Por isso, delação só vale se acompanhada de provas.
Ainda assim, o Ministério Público Federal sustenta a tese de que Lula, com a ajuda de Okamotto, lavou dinheiro de propina por meio de doações declaradas e contabilizadas baseado unicamente em delações de réus confessos, que obtiveram vantagens judiciais cedidas pelo próprio MPF para assiná-las.
Seria surpreendente se fosse a primeira vez. Mas não é, trata-se do mesmo expediente utilizado pela Lava Jato para denunciar Lula no caso do triplex. Junto com Sergio Moro e os desembargadores do TRF-4, obtiveram a condenação na primeira oportunidade, para o vexame do Brasil diante da comunidade jurídica internacional.
O advogado Cristiano Zanin, que representa o ex-presidente Lula nas ações encampadas pela Lava Jato, resume a questão:
“Essa nova denúncia repete a mesma fórmula das anteriores. É uma denúncia sem qualquer materialidade, que tenta transformar quatro doações lícitas para o Instituto Lula, documentadas, contabilizadas e declaradas, em doações dissimuladas e ilícitas. É mais um grande absurdo. O único amparo para essa nova acusação, para variar, são delações, em especial a delação de Antonio Palocci.”
Lula: “Sou contra isenção de impostos pra igreja católica, evangélica, ou qualquer que seja”.
O ex-presidente Lula, em entrevista concedida ao site DCM nesta terça-feira (15), apontou as organizações Globo como umas das principais mentoras da criminalização da política no Brasil, através da sua relação com a operação Lava Jato. “Como a Globo vai se desfazer do Moro? Foi ela que pariu o Moro”, disse Lula, que durante vários anos foi manchete principal do jornal Nacional, apontado arbitrariamente como corrupto.
“A Lava Jato todo dia inventa uma mentira na expectativa de que algo cole contra o Lula… Essa gente ainda vai ser condenada por crime de lesa pátria. É apenas uma questão de tempo. O Ministério Público é uma instituição séria e não pode ser tomado por fedelhos messiânicos”, acrescentou o ex-presidente.
Lula também disse que “eles [da Lava Jato em Curitiba] precisam encontrar rota de fuga”.
“O crime que eu cometi foi a ousadia. Eles tentam anular essa parte da história do Brasil. Tenho força e caráter para enfrentar a podridão da força-tarefa de Curitiba. Estou tranquilo. A mesma safadeza estão fazendo com o Cristiano Zanin [seu advogado de defesa]. Até quando o Judiciário terá conivência com essa podridão?”, concluiu.