Presidente diz esperar que estejam dispostos a voltar a conversar para coisas voltarem à normalidade
O presidente Lula (PT) elogiou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, pelo bloqueio das credenciais de um agente de imigração americano após o governo de Donald Trump ordenar a retirada de um delegado brasileiro dos Estados Unidos.
“Parabéns pela sua posição com relação ao delegado americano, colocando a reciprocidade. Ou seja, o que eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles, esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade”, disse Lula nesta quarta-feira (22).
A fala foi feita durante encontro entre Lula, Andrei e o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, no Palácio da Alvorada. Os três participavam da assinatura da contratação de mil novos policiais federais.
O governo Trump informou na manhã desta quarta que o policial, que trabalhava no setor de imigração dos EUA, teria atuado para manipular o sistema de imigração e “contornar tanto pedidos formais de extradição quanto prolongar caças às bruxas políticas em território” americano.
Mais cedo, Andrei afirmou em entrevista à Globonews que o bloqueio ao sistema de dados da PF contra o servidor americano vai durar até que seja esclarecido o motivo que levou os EUA a tomarem as atitudes contra o agente brasileiro.
Como mostrou a Folha, o policial em questão seria o delegado da PF Marcelo Ivo de Carvalho, que atua em Miami. Ele é adido da PF na cidade e teve participação no caso que levou à prisão do ex-delegado federal e ex-deputado Alexandre Ramagem, na semana passada pelo ICE, a agência de imigração dos EUA. Ramagem, que é considerado foragido no Brasil, foi solto dois dias depois, na quarta (15).
Durante passagem por Hannover (Alemanha) na terça (21), Lula já havia afirmado a jornalistas que, se fosse identificado abuso por parte das autoridades americanas com o policial, o Brasil tomaria medidas de reciprocidade contra os EUA.
“Queremos fazer as coisas da maneira mais correta possível, mas não podemos aceitar esse tipo de ingerência que alguns personagens querem ter em relação ao Brasil”, disse o presidente, antes de seguir para a última etapa de sua viagem à Europa, Portugal.
*ICL
Queridos amigos leitores
Nosso blog é um espaço dedicado a compartilhar conhecimento, ideias e histórias que inspiram. Para continuarmos criando conteúdo de qualidade e mantendo este projeto vivo, contamos com o seu apoio! Se você gosta do que fazemos, considere contribuir com uma pequena doação. Cada gesto faz a diferença e nos ajuda a crescer. Pix: 65725972704 e Pix: 24981274823. Agradecemos de coração o seu apoio
Decisão foi apresentada pela PF como um “ato de reciprocidade” depois da expulsão de um delegado brasileiro nos EUA, no início da semana
Num ato de reciprocidade diante da expulsão de um delegado da Polícia Federal que estava nos EUA, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que está retirando a credencial de um servidor americano que está no Brasil e que atua no setor de imigração.
O gesto foi tomado pelo chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que explicou à reportagem a lógica que deu base para sua ação.
Segundo ele, o servidor americano ficará sem acesso a certas informações e aos sistemas informáticos. Ele também terá seu crachá retirado e não poderá ter acesso ao prédio da PF.
Andrei Rodrigues explicou que não expulsou o americano por conta de não ter, até agora, recebido uma comunicação oficial por parte dos EUA de que seu delegado também teria sido expulso. O que existe, segundo ele, é apenas uma declaração por redes sociais.
“Por esse motivo, o que eu posso fazer até aqui é uma suspensão do servidor americano, até que haja algo oficial”, explicou.
Para o chefe da PF, seu papel é o de tomar uma medida de “reciprocidade policial”. O restante terá de ser decidido pelo Itamaraty.
Itamaraty explica Num comunicado, o Ministério das Relações Exteriores explicou a medida adotada pelo Brasil.
Diante da confirmação da informação de que oficial de ligação da Policia Federal brasileira junto ao Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), em Miami, foi comunicado verbalmente pelo governo dos Estados Unidos sobre a interrupção imediata do exercício de suas funções oficiais em território norte-americano, representante da embaixada daquele pais foi convocada ao Ministério das Relações Exteriores no final da tarde de ontem (21).
O agente brasileiro atuava com base em memorando de entendimento firmado entre os dois governos sobre a facilitação do intercâmbio de oficiais de ligação na área de segurança.
A representante da embaixada norte-americana foi informada, também verbalmente, que o governo brasileiro aplicará o principio da reciprocidade diante da decisão sumária contra o agente da Polícia Federal, que não foi precedida de qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo sobre o caso, como prevê o parágrafo 7.3 do memorando de entendimento bilateral que regula essa modalidade de cooperação policial.
A medida tampouco observa a boa prática diplomática de diálogo entre nações amigas, como o Brasil e os Estados Unidos, ao longo de mais de 200 anos de relação. Os termos da aplicação da reciprocidade foram também transmitidos verbalmente à representante da embaixada, e envolvem a interrupção imediata do exercício de funções oficiais de representante norte-americano de area homologa em território brasileiro.
A crise, ainda assim, aprofunda o mal-estar entre os dois países. Mas o gesto era considerado como inevitável, já que deixar a atitude da Casa Branca sem resposta poderia sinalizar uma fraqueza por parte de Brasília quanto a defesa da soberania.
O caso ainda se transforma no pior momento na cooperação entre as polícias do Brasil e dos EUA em anos. Os dois países têm um acordo para a atuação conjunta de suas forças policiais e, no caso de uma crise, os mecanismos previam já a possibilidade da suspensão da troca de informações ou mesmo a expulsão de um adido.
Na segunda-feira, o governo Trump anunciou que solicitou a expulsão de um “funcionário brasileiro” nos EUA. Tratava-se de Marcelo Ivo, delegado da Polícia Federal em Miami e que teve uma atuação na operação que prendeu Alexandre Ramagem, ex-chefe da Abin e que está foragido nos EUA.
A alegação foi de que Ivo tentou convencer as autoridades americanas que o caso de Ramagem era de deportação por conta de um visto vencido, e não de extradição – o que envolveria uma consideração do processo legal contra ele pelo STF.
No momento da prisão de Ramagem, a atitude da PF de dizer que o ato foi resultado de uma cooperação entre os dois países irritou a ala mais radical da Casa Branca.
O fato gerou uma mobilização de bolsonaristas que, com contatos nos EUA, conseguiram convencer a Casa Branca a liberar o ex-diretor da Abin.
Teria sido Darren Beattie – enviado de Trump ao Brasil e que foi impedido de entrar no país no mês passado depois de mentir sobre os objetivos de sua visita – quem liderou a pressão para que Ramagem fosse solto e para que o delegado da PF tivesse seu visto revogado. Foi sua revanche.
*Jamil Chade;ICL
Queridos amigos leitores
Nosso blog é um espaço dedicado a compartilhar conhecimento, ideias e histórias que inspiram. Para continuarmos criando conteúdo de qualidade e mantendo este projeto vivo, contamos com o seu apoio! Se você gosta do que fazemos, considere contribuir com uma pequena doação. Cada gesto faz a diferença e nos ajuda a crescer. Pix: 65725972704 e Pix: 24981274823. Agradecemos de coração o seu apoio
Aprovação de propostas que reduzem a jornada de trabalho reforça peso da mobilização por escala justa de trabalho
Nesta quarta-feira (22), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou a constitucionalidade de duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que tratam da alteração da escala de trabalho 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias e descansa um. A votação foi simbólica e aprovou o relatório do deputado Paulo Azi (União-BA).
Estavam em discussão a PEC 8/2025, que propõe a adoção de uma semana de quatro dias de trabalho e três de descanso, e a PEC 221/2019, apensada à primeira, que prevê a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas, ao longo de 10 anos. Os textos mantêm, em geral, a remuneração dos trabalhadores e propõem a reorganização da jornada e dos períodos de descanso.
As propostas agora serão analisadas por uma comissão especial, que ainda será criada.
O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), autor da PEC 221/2019, relembrou a redução da carga semanal de 48 para 44 horas há 38 anos e destacou o papel das negociações coletivas em alguns setores. Segundo ele, no entanto, essas conquistas não foram distribuídas de forma igual entre os trabalhadores. “Os setores mais organizados, mais qualificados e melhor remunerados conseguiram avançar por meio de acordos coletivos. Já os trabalhadores mais vulneráveis, que trabalham mais e ganham menos, ficaram à margem dessas conquistas”, afirmou.
O parlamentar também argumentou que a redução da jornada é necessária diante das transformações tecnológicas e do aumento da produtividade. “Os ganhos de produtividade já chegaram às empresas, impulsionados por tecnologia e inovação. É justo que esse avanço também alcance o trabalhador, garantindo melhores condições de vida”, declarou.
As propostas estavam em tramitação na Câmara dos Deputados e tiveram a votação adiada na última semana após pedido de vista dos parlamentares Lucas Redecker (PSD-RS) e Bia Kicis (PL-DF).
Produtividade A deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) criticou as resistências à proposta pelo fim da escala 6×1 e afirmou que argumentos contrários já foram utilizados em momentos históricos anteriores. “Esses mesmos argumentos, de que a redução da jornada quebraria a economia ou geraria desemprego, já foram usados no passado, inclusive na criação da CLT e na Constituição de 1988 — e o tempo mostrou que não se sustentam”, afirmou.
Ela também defendeu que a medida pode ter impacto positivo na economia. “A redução da jornada pode, ao contrário do que se afirma, impulsionar a criação de novas vagas, especialmente em setores de serviços, que tendem a se adaptar à reorganização do tempo de trabalho”, disse.
A deputada Érika Kokay (PT-DF) reforçou a crítica aos argumentos contrários. “A ideia de que haverá quebra de empresas ou prejuízo econômico é recorrente sempre que se propõem avanços sociais. Esses discursos já foram superados pelos fatos”, declarou.
Condições de vida Presente à sessão, a ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima e atual deputada federal Marina Silva (Rede-SP) também defendeu o fim da escala 6×1, destacando os impactos das jornadas extensas na saúde e na qualidade de vida dos trabalhadores. Segundo ela, o modelo contribui para o adoecimento físico e mental, com reflexos para toda a sociedade.
“A superação da escala 6×1 está assegurada do ponto de vista jurídico, econômico e ético, além de ser fundamental para garantir dignidade nas relações de trabalho”, afirmou.
No mesmo sentido, o deputado Pastor Henrique Vieira (Psol-RJ) relacionou o tema à convivência familiar. “Muito se fala em defesa da família neste Parlamento, mas, na prática, a escala 6×1 dificulta o convívio, a presença dos pais na educação dos filhos e o fortalecimento dos vínculos familiares”, disse.
Ele também fez um apelo às diferentes bancadas. “Se há compromisso com as famílias brasileiras, é preciso transformar esse discurso em voto. Essa escala impacta diretamente a qualidade de vida e o cuidado dentro dos lares”, afirmou.
Posicionamento contrário Entre os críticos da proposta, o deputado Lucas Redecker, do mesmo partido do pré-candidato à presidência Ronaldo Caiado (PSD), fez alarde sobre possíveis efeitos econômicos e prejuízo aos empresários. “Estamos diante de uma medida positiva para o trabalhador, mas que impõe um custo adicional relevante para quem emprega. Esse aumento tende a ser repassado ao consumidor final”, disse.
Outro ponto levantado foi o impacto sobre micro e pequenas empresas. “Esses negócios operam com estruturas reduzidas. A contratação de um único funcionário a mais já pode comprometer a viabilidade da atividade”, declarou. Para Redecker, o fim da escala 6×1 deve garantir uma compensação aos empregadores. “Se há benefícios para o trabalhador, é necessário discutir também como equilibrar essa equação para quem gera empregos. Esse ponto ainda não está contemplado no texto”, afirmou.
O deputado Kim Kataguiri (União-SP) também se posicionou contra a proposta, alegando que ela não alcançaria trabalhadores informais. “Milhões de brasileiros que estão na informalidade ou atuam como pessoa jurídica não serão beneficiados. Para eles, a realidade seguirá a mesma”, disse o parlamentar, ferrenho crítico da CLT e defensor da Reforma Trabalhista de 2017, que lançou milhares de trabalhadores na informalidade.
Processos paralelos Há outras propostas pelo fim da escala 6×1 que tramitam no Congresso: a PEC 148/2015, do senador Paulo Paim, visa reduzir a jornada de trabalho semanal gradualmente, começando com 40 horas na primeira fase e diminuindo uma hora por ano até atingir o limite de 36 horas semanais.
Em dezembro de 2025, o projeto foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, recebendo parecer favorável com emendas, e está pronto para deliberação em plenário, onde ainda precisa ser votado em dois turnos pelos senadores. Caso aprovada, a proposta seguirá para análise da Câmara dos Deputados, também em dois turnos, antes de eventual promulgação e entrada em vigor.
O governo do presidente Lula também apresentou um projeto de lei (PL), colocado em regime de urgência constitucional, na última terça-feira (14). A medida reduz o limite da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, garante dois dias de descanso remunerado e proíbe qualquer redução salarial, além de prever o fim da escala 6×1.
*BdF
Queridos amigos leitores
Nosso blog é um espaço dedicado a compartilhar conhecimento, ideias e histórias que inspiram. Para continuarmos criando conteúdo de qualidade e mantendo este projeto vivo, contamos com o seu apoio! Se você gosta do que fazemos, considere contribuir com uma pequena doação. Cada gesto faz a diferença e nos ajuda a crescer. Pix: 65725972704 e Pix: 24981274823. Agradecemos de coração o seu apoio
Durante dois anos a diretoria do Banco Central presidida por Ilan Goldfajn, cujo mandato se encerrou em 28 de fevereiro de 2019, analisou pedido formalizado por Daniel Vorcaro em 15 de setembro de 2017 para assumir o controle acionário do então Banco Máxima, que posteriormente passou a se chamar Banco Master.
Depois da longa e criteriosa análise, a diretoria comandada por Ilan indeferiu o pedido, seguindo o Voto 20/2019-BCB, de 13 de fevereiro de 2019, de Sidnei Corrêa Marques, então Diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução [DIORF] do BC.
O indeferimento decorreu, fundamentalmente, do fato de Daniel Vorcaro não conseguir demonstrar o atendimento de dois requisitos exigidos em norma do CMN – Conselho Monetário Nacional para se tornar controlador de um Banco: i] licitude dos recursos utilizados para a compra das ações representativas do controle, e ii] capacidade econômico-financeira para não só efetivar a compra, mas para, adicionalmente, no futuro arcar com novos aportes de capital na instituição caso necessário, como era o caso concreto do Banco Máxima, que repetidamente apresentava prejuízos e recebia alertas de desenquadramento de limites de capital.
Na análise que durou dois anos, foram constatadas inconsistências relevantes a respeito da origem dos R$ 40 milhões que Daniel Vorcaro utilizou para adquirir 56,87% do capital do Banco Máxima para, desse modo, passar a ser seu dono.
No voto, Sidnei Marques destacou que “na análise da origem dos recursos utilizados por Daniel Vorcaro para integralização dos mencionados aumentos de capital, foram verificadas várias inconsistências que se mostraram de difícil superação”.
Apesar, no entanto, das “inconsistências de difícil superação” –eufemismo para dizer que Vorcaro não conseguiu comprovar a regularidade, licitude ou legalidade da origem dos R$ 40 milhões utilizados para se tornar controlador do Banco Máxima–, os ventos mudaram a favor de Daniel Vorcaro a partir da nomeação de seis dos nove diretores do BC começada em 28 de fevereiro de 2019, dentre eles o presidente Roberto Campos Neto. Foi quando a diretoria do BC passou a ter maioria de membros indicados por Paulo Guedes e Bolsonaro.
Se sob a presidência de Ilan o pleito de Vorcaro foi escrutinado durante dois anos e finalmente indeferido, sob a presidência de Campos Neto o banqueiro não precisou mais que oito meses para obter a almejada autorização para assumir o controle acionário do Banco Máxima.
O voto 218/2019-BCB, de João Manoel Pinho de Mello, sucessor de Sidnei Corrêa Vasques como diretor do DIORF a partir de 28 de fevereiro de 2019, é uma peça essencial para se entender os meandros do processo que permitiu a Vorcaro alcançar seu objetivo.
A decisão da diretoria de Campos Neto que atendeu o pleito de Vorcaro foi adotada em 14 de outubro de 2019, e só foi possível graças [i] à omissão da falta de comprovação da origem lícita e legal dos R$ 40 milhões usados por Vorcaro para se tornar o acionista majoritário, e [ii] à adoção de um enquadramento atípico e sem amparo técnico e legal no voto do diretor Pinho de Mello.
Essa é a conclusão a que se chega a partir da análise de documentos obtidos junto ao Banco Central por meio da Lei de Acesso à Informação [LAI] relativos ao processo interno nº 156967, que trata do pleito de Daniel Vorcaro para assumir o controle do Banco Máxima.
No voto de Pinho de Mello aprovado pela diretoria de Campos Neto em 14 de outubro de 2019, foi omitido o apontamento relevante do diretor Sidnei Marques, de que Daniel Vorcaro “não apresentou qualquer documento ou informação que demonstre, de forma clara e inequívoca, a origem dos recursos utilizados na aquisição do controle e nos aumentos de capital da instituição, não estando satisfeitos, por conseguinte, os comandos normativos que exigem a demonstração da regular origem dos recursos”.
Como já mencionado, a operação de transferência do controle societário do Banco Máxima foi contratualizada em 15/9/2017 entre o controlador original Saul Sabbá e Daniel Vorcaro “mediante aquisição de ações representativas de 56,87% do capital do Banco Máxima por R$ 40 milhões”.
No conjunto da operação, Vorcaro venderia parte da sua participação societária, assim mesmo permanecendo como maior sócio individual do Máxima, com 46,57% das ações do capital social.
A documentação analisada por Sidnei evidenciou, porém, que “os recursos utilizados para a aquisição das ações de Saul Sabbá, no valor de R$ 40 milhões, e para os aportes adicionais de capital promovidos por Daniel Vorcaro, tiveram origem na distribuição de resultados da empresa Viking Participações Ltda, que, por sua vez, decorreu de reavaliação de ativos”.
O diretor Sidnei identificou que para simular capacidade econômico-financeira que de fato não tinha para assumir 56,87% do capital do Máxima, Vorcaro informou a “reavaliação de ativos” e super valorizou em 4.858% o empreendimento Via Expressa, que passou de R$ 1,9 milhão para R$ 90,3 milhões, e em 635% a Fazenda Taquaral, reavaliada de R$ 10,6 milhões para R$ 63,7 milhões.
Para Sidnei, havia “considerável fragilidade em relação aos números apresentados nesses laudos” feitos por empresas avaliadoras contratadas por Vorcaro para auferir aquelas valorizações forjadas.
Além de inflar os valores de ativos próprios, Vorcaro também mencionou um financiamento para totalizar os R$ 40 milhões que permitiram a ele deter, no final da operação, a maioria acionária do Banco Máxima em vias de se tornar Banco Master.
A esse respeito, Sidnei Marques identificou que “não ficou demonstrada, nos documentos apresentados na instrução do pleito, a capacidade econômica e financeira de Daniel Vorcaro para obter os recursos necessários para o pagamento do financiamento referido”.
Para a diretoria de Ilan, que acolheu a recomendação de indeferimento do Voto do diretor Sidnei, “é primordial que os pretensos controladores comprovem capacidade econômica e financeira, não só para fazer face à aquisição do controle [condição não atendida, como já mencionado], mas também para capitalizar a instituição sempre que for necessário no curso de seu funcionamento, inclusive em razão de prejuízos futuros, tais quais os registrados nos últimos anos” nos balanços do Máxima.
Sidnei mencionou, ainda, o emaranhado empresarial engendrado por Vorcaro para aparentar acréscimo irreal de recursos financeiros mediante criação de redes de empresas, holdings, subsidiárias, sociedades vinculadas etc, num esquema de espiral financeira para simular aumento de capital de modo artificial.
Quanto a esse aspecto, o diretor relatou que “a fiscalização deste Banco Central apurou que expressiva parcela de recursos para realizar a aquisição das ações do atual controlador foram originados no próprio Banco Máxima, mediante transferências em sequência de recursos entre a instituição, empresas de propriedade de Daniel Vorcaro e fundos de investimentos. Inquirido, o interessado [Vorcaro] não apresentou elementos que elucidassem essa questão de forma clara e inequívoca”.
Nem mesmo os sócios apresentados por Vorcaro que comprariam parte de suas ações no limite de permanência dele com 46,57% satisfizeram exigências legais, pois se recusaram a comprovar previamente a origem de recursos para a aquisição, “o que não se pode admitir, já que se trata de pressuposto para a concessão da autorização”.
Diante das inconsistências, obscuridades, valores inflados e presumível ilicitude da origem de recursos, Sidnei Marques argumentou que “fica patente o não atendimento ao comando normativo vigente pelos citados pretensos controladores”, pois Vorcaro não conseguiu demonstrar regularidade, licitude ou legalidade dos R$ 40 milhões.
Em razão dessa realidade, o diretor determinou “o indeferimento do pleito de transferência do controle acionário do Banco Máxima”, e instou a DEORF – Diretoria de Organização do Sistema Financeiro a “adotar as providências necessárias à implementação da decisão deste Colegiado”, que neste caso corresponderia ao desfazimento do contrato assinado em 15/9/2017 por Daniel Vorcaro e Saul Sabbá e à anulação do negócio, mantendo, desse modo, o controle do Máxima com Saul Sabbá.
[ii] o enquadramento atípico pela diretoria de Campos Neto Para burlar a decisão de 13 de fevereiro da diretoria anterior e assim conseguir atender o pleito de Daniel Vorcaro, a diretoria do BC presidida por Campos Neto adotou um enquadramento administrativo atípico, sem amparo técnico e legal, como se verá adiante.
No seu voto, João Manoel Pinho de Mello, sucessor de Sidnei Corrêa Marques na DIORF, percorreu um caminho engenhoso para engendrar a solução favorável ao banqueiro.
Num ato com potencial indício de improbidade administrativa, Pinho de Mello omitiu [1] a falta de comprovação de licitude dos R$ 40 milhões utilizados por Daniel Vorcaro para se tornar acionista majoritário do Máxima, e, também, [2] a falta de capacidade econômico-financeira de Daniel Vorcaro – aspectos que foram enfaticamente ressalvados no voto de Sidnei Marques. Isso feito, Pinho de Mello passou a considerar Vorcaro como detentor de 46,58% do capital do Máxima, e, portanto, o controlador efetivo do banco.
Partindo deste fato consumado, o voto de Pinho de Mello de outubro de 2019 então passou a analisar o caso como se fosse de “alteração na estrutura de controle acionário”, e não mais de “transferência de controle acionário”, como no voto de Sidnei Marques de fevereiro de 2019.
Existe uma diferença enorme, que entretanto parece sutil, no objeto dos dois votos. Como mostra a imagem acima das ementas dos votos, em fevereiro de 2019 o BC indeferiu a transferência do controle acionário, ao passo que em outubro de 2019 o BC aprovou a alteração na estrutura de controle acionário.
A diferença de terminologia não é semântica, mas de enquadramento legal. Transferência do controle caracteriza mudança drástica do controle acionário; ocorre mudança completa dos integrantes do grupo, ao passo que alteração do controle pode significar modificações do grupo acionário, como, por exemplo, exclusões, inclusões de sócios.
Ocorre, contudo, que em fevereiro de 2019 o BC determinou o desfazimento do contrato entre Saul Sabbá e Daniel Vorcaro. Isso significa, portanto, que do ponto de vista legal, a transferência de controle não se consumou, porque não foi autorizada pelo BC, e então Vorcaro não poderia ser considerado detentor de 46.58% do Máxima.
Em razão disso, o BC não poderia, em outubro de 2019, alterar o controle da estrutura acionária considerando Vorcaro como membro da sociedade. Procedendo como procedeu, a diretoria de Campos Neto aceitou como lícito o que foi indeferido pela diretoria anterior por ser irregular ou por apresentar “carência de licitude”, para dizer de modo eufemístico.
Num passe de mágica, no seu voto Pinho de Mello desprezou [1] as “várias inconsistências que se mostraram de difícil superação” e [2] a falta de comprovação “clara e inequívoca” da origem dos R$ 40 milhões, para então consignar fantasiosamente “que a origem dos recursos foi regularmente demonstrada por todos os novos acionistas, conforme avaliado pelo Departamento de Organização do Sistema Financeiro”.
Pinho de Mello sustentou que os recursos se originaram em “vários aportes de capital deliberados entre março e junho de 2019” – portanto, já em período subsequente ao indeferimento da transferência de controle para Daniel Vorcaro.
E, “considerando também a reavaliação do acervo patrimonial de Daniel Vorcaro, reputo [Pinho de Mello] atendida” a demonstração da capacidade econômico-financeira de Vorcaro aceitando como real as valorizações forjadas de 4.858% do empreendimento Via Expressa e de 635% da Fazenda Taquaral.
Segundo um técnico de carreira do BC consultado, “à rigor, o BC sequer poderia atender nova solicitação de Vorcaro, porque não foi demonstrada a origem lícita dos R$ 40 milhões para adquirir o controle de capital do Banco Máxima, e tampouco sanadas as graves inconsistências apontadas no voto de Sidnei Corrêa Marques como de difícil superação”.
Diretoria de Campos Neto viabilizou esquema mafioso de Daniel Vorcaro A aprovação atípica do negócio pela gestão de Campos Neto foi o primeiro passo para Daniel Vorcaro fundar o Banco Master e, após, colocar em prática o esquema mafioso que movimentou dezenas de bilhões de reais neste que é considerado o maior escândalo bancário e financeiro do Brasil.
A responsabilidade da gestão de Campos Neto nessa mega fraude é incontestável. Além de reabrir o processo para atender o pleito de Daniel Vorcaro, ao longo do seu mandato concluído em 31 de de dezembro de 2024 Campos Neto desprezou inúmeros alertas do Fundo Garantidor de Crédito, da Comissão de Valores Mobiliários e de outras instituições financeiras.
À medida que o Banco Central complemente as informações solicitadas via LAI e forneça a cópia integral do processo, se poderá conhecer as razões para a diretoria de Campos Neto não ter anulado o contrato entre Saul Sabbá e Vorcaro em obediência à deliberação da diretoria comandada por Ilan Goldfajn; e, ainda, por ter iniciado nova análise do pleito logo após a assunção da diretoria do BC indicada por Paulo Guedes e Bolsonaro.
*Jeferson Miola/Viomundo
Queridos amigos leitores
Nosso blog é um espaço dedicado a compartilhar conhecimento, ideias e histórias que inspiram. Para continuarmos criando conteúdo de qualidade e mantendo este projeto vivo, contamos com o seu apoio! Se você gosta do que fazemos, considere contribuir com uma pequena doação. Cada gesto faz a diferença e nos ajuda a crescer. Pix: 65725972704 e Pix: 24981274823. Agradecemos de coração o seu apoio
No Brasil, a grande mídia se acha mais que um poder da República, mas o poder supremo sobre tudo e todos.
O jornalismo de convicção opera com o único rito onde a sentença sai antes do processo, a prova atrapalha a tese e o juiz é o dono da emissora.
A hierarquia que o tribunal da mídia inventou para si produz aquele powerpoint pornográfico, feito na base da “convicção”, totalmete alheio à realidade.
Andreia Sadi pediu desculpas sem fazer qualquer correção. Estava ela lá decalcando o powerpoint de Dallagnol sem se preocupar com o ridículo e, por esse ridículo, pagará pelo resto da vida.
Na verdade, para a população, foi ela quem meteu o chamegão e levou aquele troço ao ar, a partir de uma outra convicção, a de que a Globo é intocável, e quem estiver no bonde, como maquinista, idem, tem imunidade midiática automática.
Mas a coisa não foi bem assim, algo saiu errado. Sadi foi espinafrada em questão de minutos, com uma chuva de repúdios de internautas, a ponto de fazer a moça tirar o time de campo, apagando a sua conta nas redes sociais.
Não só ela, a direção do império dos Marinho, que se acha o primeiro poder da República, sentiu o tranco.
Eles devem ter percebido que esse primeiro poder está somente na cabeça deles, mas ainda ssim, dão uma no cravo, outra, na ferradura.
E o padrão segue. A tal “fonte próxima”, acusa. Mas a fonte não tem nome, não tem prova, não tem rosto, não tem nada e, lógico, produz um rio seco.
O passo seguinte, é a manchete, “Escândalo abala governo”, quando, na verdade, só abala a redação dos mancheteiros de plantão, mesmo que o comentarista contratado solte o clichê “isso é gravíssimo”, não sabe explicar por que é gravíssimo. Então, apela-se para a convocção do lavajatismo midiático.
Mas o limite bate palmas e acorda os desavisados.
O fato é que esse primeiro poder caiu de podre com a prisão de Bolsonaro. Os sintomas de sua falência são justamente o ataque coordenado ao Supremo, sobretudo a Moraes.
O raciocínio é simples, Bolsonaro é golpísta, genocida, corrupto, do pai aos filhos, mas é nosso, porque a Faria Lima (agiotas, fintechs e PCC), acha que mil Lulas não valem um Bolsonaro. Os motivos? Não tem graça comentar.
Chamar o STF de ditadura da toga, não cola. Ditadura que deixa golpista na TV, como Paulo Figueiredo, correspondente da GloboNews, nos RUA, não é só burrice, é escassez de solução para algo que não tem remédio, então, cria-se o “STF em crise”, em garrafais.
Lula abraça o fim da jornada 6 x 1 e a manchete, ignorada pelos trabalhadores e pela imensa maior massa do povo braileiro, é a de sempre, mercado não gostou.
A solução concreta é dizer a verdade como “Lula acerta na economia”, mas o cachimbo já entortou a boca dos barões da mídia, e a boca já nem fecha, mesmo diante de assinantes, eleitores que cansaram de convicção. Essa gente quer informação real e não fantasia.
Queridos amigos leitores
Nosso blog é um espaço dedicado a compartilhar conhecimento, ideias e histórias que inspiram. Para continuarmos criando conteúdo de qualidade e mantendo este projeto vivo, contamos com o seu apoio! Se você gosta do que fazemos, considere contribuir com uma pequena doação. Cada gesto faz a diferença e nos ajuda a crescer. Pix: 65725972704 e Pix: 24981274823. Agradecemos de coração o seu apoio
O presidente dos EUA, Donald Trump, segue com sua popularidade no nível mais baixo de seu mandato. Segundo levantamento Reuters/Ipsos, divulgada nesta terça-feira (21), 62% dos estadunidenses o rejeitam; 36% aprovam seu desempenho.
O levantamento foi concluído na segunda-feira (20) e feito em meio aos impasses em relação cessar-fogo com o Irã e aos embates do mandatário com o papa Leão 14.
A guerra promovida pelos EUA contra o Irã tem apenas 36% de aprovação — índice que se manteve estável ante pesquisa Reuters/Ipsos feita entre 10 e 12 de abril.
A pesquisa também mediu como os estadunidenses avaliam a lucidez do republicano, tema que tem emergido entre as preocupações de correligionários e da sociedade em geral.
Saiba mais: Após imagem como papa, sacrilégio de Trump cresce ao se comparar a Jesus
Fatos como destemperos em relação ao papa, publicação de memes considerados ofensivos à fé católica e rompantes como quando disse que aniquilaria a civilização persa acabando com o Irã contribuíram para essa impressão — embora o comportamento do presidente possa ser facilmente identificado com posturas clássicas de fascistas.
Segundo a pesquisa, apenas 26% dos cidadãos o consideram “equilibrado”. Entre os republicanos, 46% não o consideram equilibrado, enquanto 53% acham que ele é. Apenas 7% dos democratas têm opinião positiva sobre a saúde mental de Trump.
A pesquisa mais recente foi feita com 4.557 adultos em todo o país, de maneira online e tem margem de erro de dois pontos percentuais. Com Vermelho.
Queridos amigos leitores
Nosso blog é um espaço dedicado a compartilhar conhecimento, ideias e histórias que inspiram. Para continuarmos criando conteúdo de qualidade e mantendo este projeto vivo, contamos com o seu apoio! Se você gosta do que fazemos, considere contribuir com uma pequena doação. Cada gesto faz a diferença e nos ajuda a crescer. Pix: 65725972704 e Pix: 24981274823. Agradecemos de coração o seu apoio
Ultraconservadores na Casa Branca intensificam ações contra o Brasil e aliança com bolsonarismo; estratégia é não repetir tarifaço para não dar palco para Lula
A crise no Irã tem causado um dano importante para o Brasil. O problema, porém, não é o Estreito de Ormuz. Fontes diplomáticas em Washington revelaram ao ICL Notícias que o foco de Donald Trump na guerra e seu medo de uma derrota abriram o caminho para que outros temas da agenda de política externa deixassem de receber a mesma atenção da cúpula da Casa Branca.
Como resultado, alas mais radicais passaram a dar as cartas no que se refere à situação com o Brasil. Para membros do governo Lula, a nova realidade e os atos adotados pela administração Trump nas últimas semanas sinaliza que a ingerência na eleição do país já começou na prática.
Em meados de 2025, Trump abriu uma crise inédita com o Brasil, adotando sanções e tarifas. Observadores na capital americana confirmaram que o pacote de medidas contra o país havia sido articulado em parte por Eduardo Bolsonaro, Paulo Figueiredo e uma base mais radical do governo Trump, principalmente no Departamento de Estado. A estrutura ainda ganhou o apoio de republicanos, principalmente na Flórida, e personagens conhecidos por suas campanhas contra as “esquerdas”.
Foi necessário uma operação sigilosa, repleta de canais extra-oficiais e empresários para convencer Trump de que abrir uma guerra comercial e uma crise política com o Brasil seria prejudicial para os interesses americanos. Lula tirou proveito e a crise o levou a ter sua melhor taxa de popularidade em todo seu governo.
A partir de setembro de 2025, um período de distensão foi inaugurado, com Trump chegando a dizer que havia uma “química” entre ele e Lula. Telefonemas e reuniões acabaram ocorrendo entre os dois líderes, seguida pela retirada de algumas das sanções e de tarifas.
Mas a aproximação nunca foi aplaudida pelo Departamento de Estado e nem pela base mais radical dos republicanos. Marco Rubio, o chefe da diplomacia americana, havia sido contrariado e seu semblante em cada um dos encontros era revelador do mal-estar.
Mesmo assim, foi estabelecido que Lula viajaria para Washington para um encontro na Casa Branca. O governo brasileiro, porém, condicionava a reunião a passos concretos por parte dos EUA. Ela apenas deveria ocorrer se houvesse algum anúncio a ser feito. Negociações foram iniciadas em temas como comércio, a luta contra o crime organizado e terras raras. Mas impasses impediram que o processo fosse acelerado e diferenças fundamentais levaram o diálogo a um congelamento.
Com o início da guerra no Irã, no final de fevereiro, os interlocutores que defendiam uma relação “madura” com o Brasil acabaram sendo sugados para a crise no Oriente Médio.
E, segundo negociadores em Washington, o espaço voltou a ser ocupado por uma ala que lutou contra qualquer aproximação com Lula ou uma normalização da relação com o Brasil.
Agenda positiva ‘congelada’ Aos poucos, a agenda positiva entre Brasil e EUA começou a ser congelada, enquanto atritos surgiram. Segundo negociadores, o Departamento de Estado passou a apresentar propostas vagas ao Brasil, sem uma sinalização de compromissos.
A frieza entre os dois governos foi interpretada como um sinal de que a “química” entre Lula e Trump poderia estar sendo sabotada dentro do próprio governo americano.
A primeira crise veio com Darren Beattie, o novo enviado de Trump ao Brasil e um dos porta-vozes do segmento mais ideológico dentro do governo.
Ao solicitar um visto ao país, ele mentiu sobre a intenção de sua viagem. O enviado acabou tendo seu visto negado. Para Brasília, houve “má-fé” por parte do representante americano ao solicitar a autorização e não revelar, nos documentos, que o objetivo era o de visitar Jair Bolsonaro na prisão.
A crise foi aprofundada com o alerta passado pelo governo Trump a interlocutores brasileiros de que a ideia de declarar o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas estava avançando rápido. A pauta é vista como uma ameaça à soberania brasileira, já que a medida permitiria que, para defender a segurança dos EUA, ataques militares ou sanções financeiras sejam adotadas contra o Brasil.
O caráter eleitoral é também um fator, já que Flávio Bolsonaro chegou a declarar que havia passado informações aos americanos sobre o crime organizado e sugeriu ataques contra esses grupos criminosos, inclusive na baía de Guanabara.
Uma outra frente de atrito foi estabelecida depois que o Brasil se recusou a fazer parte de uma aliança para garantir o abastecimento de terras raras aos EUA. Semanas depois, o governo estadual de Goiás assinou um acordo com o Departamento de Estado norte-americano, fechando uma parceria até mesmo para mapear as reservas na região.
Dias depois, a única mineradora de terras raras no Brasil foi comprada por uma empresa americana que acabara de receber uma injeção de recursos por parte do governo Trump.
O abalo ganhou mais um capítulo nesta semana. Na segunda-feira, o governo Trump anunciou que solicitou a expulsão de um “funcionário brasileiro” nos EUA. Trata-se de Marcelo Ivo, delegado da Polícia Federal em Miami e que teve uma atuação na operação que prendeu Alexandre Ramagem, ex-chefe da Abin e que está foragido nos EUA.
A alegação foi de que Ivo tentou convencer as autoridades americanas que o caso de Ramagem era de deportação por conta de um visto vencido, e não de extradição – o que envolveria uma consideração do processo legal contra ele pelo STF.
No momento da prisão de Ramagem, a atitude da PF de dizer que o ato foi resultado de uma cooperação entre os dois países irritou a ala mais radical da Casa Branca.
O fato gerou uma mobilização de bolsonaristas que, com contatos nos EUA, conseguiram convencer a Casa Branca a liberar o ex-diretor da Abin.
Teria sido Beattie – que foi impedido de entrar no Brasil – quem liderou a pressão para que Ramagem fosse solto e para que o delegado da PF tivesse seu visto revogado. Foi sua revanche.
Agora, o governo Lula cobra explicações aos EUA para entender por qual motivo a expulsão foi realizada. Na terça-feira, uma reunião foi realizada em Brasília entre o Itamaraty e a embaixada dos EUA. Mas o governo Lula já considera expulsar do país um funcionário americano, como ato de reciprocidade.
O ICL Notícias apurou que o tema está sendo tratado internamente e que diplomatas apontam que é “bem provável” que a decisão de uma expulsão seja tomada.
Enquanto os desentendimentos se acumulam, parece ficar cada vez mais distante a chance de uma viagem do brasileiro à Casa Branca.
Flávio empolga radicais nos EUA, mas sintonia com Trump é calculada As pesquisas de opinião sobre a eleição no Brasil têm empolgado a Casa Branca, que considera o destino político do país como “fundamental” em sua estratégia de hegemonia na América Latina. Flávio Bolsonaro seria o “parceiro ideal” na visão de Washington.
Mas, entre bolsonaristas e a ala mais radical do trumpismo, a ordem é a de adotar uma postura diferente daquela de meados de 2025. Quando o presidente americano atacou o Brasil publicamente e adotou tarifas, o resultado foi um salto na popularidade de Lula.
Nos últimos meses, o envolvimento direto de Trump em eleições na Hungria e outros países revelou que o americano é um péssimo cabo-eleitoral.
A ordem, portanto, é a de promover uma ingerência “mais sofisticada”, sem a presença do presidente ou de um tarifaço. Washington descobriu que Lula poderia justamente se beneficiar de uma ofensiva explícita e que irá usar cada gesto de Trump para ganhar votos.
No próprio Palácio do Planalto, a visão também é de que Trump dificilmente se envolverá diretamente na eleição neste momento. Mas isso não significará que não haja uma ofensiva da extrema direita americana no processo eleitoral no Brasil.
“De muitas formas, a realidade é que essa ingerência já começou”, completou um experiente embaixador brasileiro.
*Jamil Chade/ICL
Queridos amigos leitores
Nosso blog é um espaço dedicado a compartilhar conhecimento, ideias e histórias que inspiram. Para continuarmos criando conteúdo de qualidade e mantendo este projeto vivo, contamos com o seu apoio! Se você gosta do que fazemos, considere contribuir com uma pequena doação. Cada gesto faz a diferença e nos ajuda a crescer. Pix: 65725972704 e Pix: 24981274823. Agradecemos de coração o seu apoio
Lula vencendo no primeiro turno, de estalão, morre a narrativa de “polarização”.
O que hoje a mídia vende, é: país dividivo, disputa acirrada, qualquer coisa pode acontecer.
Se Lula vence no primeiro turno, a percepção passa a ser outra, o país decidiu, não está dividido, acabou a novela.
Sem o segundo turno, as especulações que dão notícias nos jornalões, perdem esse filão. Não tem capa da Veja com Lula e Flavio se encarando. Não tem Roda Viva com Flavio repetindo a mesma baba de quiabo, não tem mais nada. São mais 4 anos de governo Lula e fim de papo.
A mídia vive um pesadelo, pois Lula está muito próximo, ou melhor, cada vez mais próximo de uma vitória já no primeiro turno. Uma arrancada mínima de menos de 2%, pode dar o troféu de quarto mandato a Lula.
Resumo da ópera: a mídia parece viv um velório atecipado, pedindo pelo amor de Deus para alguém tirar esses 2% de Lula.
Zema abriu a boca para cumprir esse papel e perdeu 2% dele mesmo.
Claro que a mídia lancará um solgan em prol do segundo turno para tentar embarreirar a vitória de Lula no primeiro tempo e mandará coisas do tipo, segundo turno é pedagógico para o eleitor, o que traduz, precisamos de mais 30 dias de Flavio Bolsonaro no JN para vender anúncio.
Democracia se fortalece no confronto de ideias. Primeiro turno abrevia esse processo, e por aí vai.
Ou seja, o manual da manchete desesperada já está na praça.
Queridos amigos leitores
Nosso blog é um espaço dedicado a compartilhar conhecimento, ideias e histórias que inspiram. Para continuarmos criando conteúdo de qualidade e mantendo este projeto vivo, contamos com o seu apoio! Se você gosta do que fazemos, considere contribuir com uma pequena doação. Cada gesto faz a diferença e nos ajuda a crescer. Pix: 65725972704 e Pix: 24981274823. Agradecemos de coração o seu apoio
Bolsonaro chamou Sergio Moro de traidor, mentiroso, traíra sem caráter e coisas do tipo várias vezes entre 2020 e 2022 e Flávio, por sua vez, reforçou o coro. Isso aconteceu principalmente depois que Moro saiu do Ministério da Justiça em abril de 2020, acusando Bolsonaro de tentar interferir na Polícia Federal para proteger familiares como no caso das “rachadinhas” do Flávio e indicações para PF. Bolsonaro rebateu chamando a versão de Moro de “mentira deslavada” e disse que o ex-juiz queria o cargo para se projetar politicamente, inclusive cogitando uma vaga no STF.
Moro era o símbolo da Lava Jato e, numa armação com Bolsonaro, prendeu Lula pavimentando o caminho de Bolsonaro para a presidência em 2018.
No governo Bolsonaro, a relação dos dois azedou rápido: Moro alegou falta de “carta branca” para o suposto combate à corrupção e interferência política. Bolsonaro negou e acusou Moro de ingratidão e ambição pessoal e por descobrir sua traição.
A PF investigou as acusações de Moro e, em 2022, concluiu alegando não ter provas de interferência ilegal por parte de Bolsonaro — o que ele usou para reforçar o “Moro é traíra e mentiroso”.
Bolsonaro e Moro se atacaram mutuamente com termos pesados porque viraram rivais políticos. Moro flertou com candidatura contra Bolsonaro em 2022. Isso não prova automaticamente que um ou outro seja podre, mas os dois, além de provar que a briga foi feia e que ambos jogam pesado no lamaçal da política de direita no Brasil.
Em 2026, por se tratar de política e de mau-caratismo, a história deu uma volta, Moro se aproximou novamente dos Bolsonaros, filiou-se ao PL (partido de Bolsonaro) e virou pré-candidato a governador por Paraná.
De traidor e Judas para aliado por conveniência eleitoral. Política não tem amizade eterna, só interesses momentâneos.
Um não confia no outro, e o outro não confia no um.
Queridos amigos leitores
Nosso blog é um espaço dedicado a compartilhar conhecimento, ideias e histórias que inspiram. Para continuarmos criando conteúdo de qualidade e mantendo este projeto vivo, contamos com o seu apoio! Se você gosta do que fazemos, considere contribuir com uma pequena doação. Cada gesto faz a diferença e nos ajuda a crescer. Pix: 65725972704 e Pix: 24981274823. Agradecemos de coração o seu apoio
Flávio Bolsonaro entregou a Medalha Tiradentes ao ex-capitão do Bope, Adriano da Nóbrega, mesmo ele estando preso e acusado de homicídio, sendo depois identificado como um dos líderes de uma milícia e do “Escritório do Crime”.
A família Bolsonaro, que já havia homenageado Adriano anteriormente, visitou-o na prisão. Além disso, a mãe e a ex-esposa dele trabalharam no gabinete de Flávio, o que levou a acusações de rachadinhas e vínculos com milícias.
Ultimamente, Flávio tem bufado medidas rigorosas contra o crime, embora seus críticos apontem contradições em seu histórico de apoios a policiais acusados de ligação com milícias. Ele afirma que suas homenagens eram destinadas àqueles que lutavam contra o tráfico e nega qualquer envolvimento com milícias.
O fato é que o rompante eleitoral de Flavio, soa como anedota pelo histórico da família.
É tradição no clã, ou melhor, o clã Bolsonaro se confunde com a milícia carioca e o sujeito, aos berros, balançando os braços freneticamente, diz que vai detonar violentamente os “vagabundos” do tráfico e da milícia, o que tem credibilidade zero, até para alimentar o fanatismo dos bolsonaristas mais debilóides.
A única coisa que fica clara nessa epopeia de valentia de Flavio, é que algo se moveu na disputa eleitoral contra ele para abandonar o figurino moderado e abraçar a retórica agressiva e violenta do pai, deixando claro que o Flavio fofo não encheu os olhos do bolsonarismo como um todo, muito menos o respaldou para ser de fato o queridinho da Faria Lima.
Grosso modo, Flavio vestiu a farda da milícia, prometendo combater o tráfico e a milícia e, junto com a fala ronca e fuça, apostando na pauta da segurança a la Claudio Castro para, ao fim e ao cabo, promover chacinas de pretos e pobres nas favelas e periferias do Brasil.
Queridos amigos leitores
Nosso blog é um espaço dedicado a compartilhar conhecimento, ideias e histórias que inspiram. Para continuarmos criando conteúdo de qualidade e mantendo este projeto vivo, contamos com o seu apoio! Se você gosta do que fazemos, considere contribuir com uma pequena doação. Cada gesto faz a diferença e nos ajuda a crescer. Pix: 65725972704 e Pix: 24981274823. Agradecemos de coração o seu apoio