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Vídeo – “Por que temos que pagar?”: Lula culpa potências do Conselho de Segurança da ONU por guerra no Irã e alta dos combustíveis

Presidente também criticou donos de postos por elevarem preços dos combustíveis apesar de medidas do governo para conter os impactos da crise

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente as potências globais ao comentar, nesta quarta-feira (18), a alta no preço dos combustíveis em meio à escalada da guerra no Oriente Médio.

“Nós aqui que não temos nada a ver com isso, que estamos a 14 mil quilômetros do Irã, que estamos longe de Israel, por que nós temos que pagar o preço do combustível? Por quê? Por irresponsabilidade dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU”, afirmou.

A fala de Lula foi feita durante a entrega do prêmio Mulheres das Águas, prêmio destinado a trabalhadoras da pesca no Brasil. O presidente citou diretamente os países que possuem assentos permanentes no Conselho de Segurança da ONU — Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido — e criticou o papel dessas nações no cenário internacional., diz Forum.

“São os cinco países que produzem mais armas, que têm armas nucleares […] que deveriam estar zelando pela paz. Eles decidiram que são donos do mundo e resolveram atacar quem quiserem.”

O presidente também destacou quem, segundo ele, sofre as consequências diretas dos conflitos.

“A vítima disso […] serão os trabalhadores do mundo e os pobres do mundo, porque toda a desgraça causada pelos ricos arrebenta nas costas das pessoas que não têm nada a ver com isso.”

Veja vídeo:


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Mundo

Israel e Irã atacam campos de gás, guerra escala e preço de energia explode

Israel bombardeou campo iraniano e, em resposta, Teerã atacou refinarias no Golfo. Irritado, Trump se distanciou da decisão de Israel e ameaçou “explodir tudo” no Irã.

Numa noite que marcou uma escalada inédita na guerra no Oriente Médio, Israel lançou ataques contra a maior reserva de gás natural do Irã. O gesto levou os militares de Teerã a retaliarem contra o principal depósito de energia do Catar e um dos maiores do mundo. A intensificação temida pela diplomacia internacional fez o preço do gás natural sofrer um aumento de 30% em apenas poucas horas na Europa.

Durante a madrugada, Israel atacou os campos de gás de Pars Sul, no Irã, e um dos maiores do mundo. Essa foi a primeira vez que, no conflito iniciado em 28 de fevereiro, a infraestrutura de energia do país persa foi alvo de uma ofensiva.

Todo o campo que está entre o Irã e o Catar contém cerca de 1.800 trilhão de pés cúbicos de gás utilizável – o suficiente para suprir as necessidades mundiais por 13 anos.

Como resposta, Teerã lançou um intenso ataque contra as instalações de energia de aliados dos EUA no Golfo. O principal deles foi Ras Laffan, uma área industrial no Catar que abriga o maior centro de processamento de gás natural do mundo. Trata-se de uma das maiores instalação de exportação de gás natural liquefeito, causando “danos extensos” e aumentando as preocupações com o fornecimento global de energia.

Mísseis e drones ainda foram lançados contra refinarias na Arábia Saudita, Emirados Árabes e Kuwait.

EUA podem mandar tropas e calcula gasto de US$ 200 bi
Donald Trump, em uma situação delicada internamente, reagiu de forma irritada diante da escalada da guerra. Numa postagem em suas redes sociais, ele afirmou que os “não sabiam de nada” sobre o ataque de Israel e ameaça uma escalada caso o Irã ataque o Catar novamente.

“Por raiva do que aconteceu no Oriente Médio”, Israel “expulsou violentamente”, escreve Trump.

“Os Estados Unidos não sabiam nada sobre esse ataque específico, e o Catar não estava de forma alguma envolvido com ele, nem tinha ideia de que isso iria acontecer”, disse.

Para Trump, o Irã não estava ciente dessa realidade e alertou que os ataques retaliatórios contra Ras Laffan, no Catar, foram feitos “injustificadamente e injustamente”.

Trump garantiu que Israel não atacará novamente o campo de gás de South Pars, no Irã, “a menos que o Irã, imprudentemente, decida atacar” outra nação inocente, que neste caso foi o Catar.

Caso o Irã ataque o Catar novamente, Trump ameaça que os EUA “explodirão massivamente toda a extensão do Campo de Gás de South Pars com uma força e potência nunca antes vistas ou testemunhadas pelo Irã”.

Ele acrescenta que não quer autorizar “esse nível de violência e destruição devido às implicações a longo prazo” para o Irã, “mas se o gás do Catar for atacado novamente, não hesitarei em fazê-lo”.

Fontes no governo americano indicaram à agência Reuters que a Casa Branca considera o envio de tropas para a região, enquanto a imprensa dos EUA revela que o Pentágono já estipula que terá de pedir um orçamento de US$ 200 bilhões para lidar com o atual conflito.

Num comunicado, o Ministério das Relações Exteriores do Catar condenou “nos termos mais fortes” os ataques iranianos a instalações de energia na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos. Os ataques foram uma “violação flagrante dos princípios do direito internacional” e uma “séria ameaça” à segurança energética global, diz a declaração.

O ministério acrescenta que as “agressões brutais iranianas” contra os países vizinhos “ultrapassaram todas as linhas vermelhas”.

Impacto global
A escalada da guerra foi imediatamente sentida nos mercados. Na Europa, o preço do gás natural deu um salto de 30% em poucas horas. No acumulado desde o início do conflito, o valor já sofreu uma alta de 60%.

O preço do petróleo Brent subiu 4%, para US$ 112 por barril, no início do pregão na Ásia. O petróleo nos EUA também subiu 3%, para US$ 99,27.

As bolsas de valores asiáticas caíram no início do pregão de quinta-feira. O índice Kospi da Coreia do Sul caiu 3%, enquanto o índice Nikkei 225 do Japão caiu 2,8%.

*Jamil Chade/ICL


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Mundo

Irã ataca mais de 100 alvos em Tel Aviv em retaliação ao assassinato de Ali Larijani

Operação da Guarda Revolucionária Islâmica provocou mortes e apagões no sistema elétrico em várias regiões, após morte do chefe de Segurança iraniano

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) realizou a 61ª onda da “Operação Promessa Verdadeira 4” nesta quarta-feira (18/03) atingindo mais de 100 alvos militares e de segurança israelenses em Tel Aviv, em retaliação ao assassinato do chefe de segurança Ali Larijani. Este ataque, que teve como alvo locais em territórios palestinos ocupados, causou interrupções em serviços básicos e danos significativos à infraestrutura.

Segundo o comunicado da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), a última fase da operação concentrou-se em Tel Aviv, um importante centro de atividades militares e de segurança israelenses. O ataque envolveu o uso de sistemas de mísseis avançados, como o Khorramshahr-4 (que carrega múltiplas ogivas), mísseis Qadr, mísseis Emad e mísseis Kheybarshkan, evidenciando as capacidades tecnológicas do Irã.

A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) alegou que a operação foi realizada em retaliação ao assassinato do chefe de segurança Ali Larijani. A IRGC afirmou que o líder foi martirizado em uma agressão conjunta dos EUA e de Israel contra o país.

A declaração iraniana indicou que os ataques foram bem-sucedidos contra mais de 100 alvos militares e de segurança israelenses devido a uma falha no Domo de Ferro, o sistema de defesa aérea de Israel, que permitiu que os mísseis atingissem locais estratégicos. Os primeiros relatos indicam que o ataque causou cortes de energia em diversas áreas de Tel Aviv, interrupções nas operações de resposta a emergências e um número inicial de mortos superior a 230.

Entretanto, o serviço de emergência israelense Magen David Adom (MDA) informou que duas pessoas morreram em Ramat Gan, no distrito de Tel Aviv, devido ao impacto em seu prédio após o ataque de mísseis do Irã.

https://twitter.com/i/status/2034204220128387086

A retaliação iraniana é uma resposta aos ataques persistentes perpetrados pelos Estados Unidos e pelo regime sionista desde 28 de fevereiro, que deixaram mais de 1.300 mortos , incluindo 171 meninas da escola Minab e um bebê. Líderes de alto escalão da Revolução Islâmica, incluindo o aiatolá Ali Khamenei, também foram mortos durante o ataque.

As autoridades iranianas denunciam os ataques sistemáticos dos Estados Unidos e de Israel contra a infraestrutura civil da nação persa, que constituem crimes de guerra agravados e uma violação flagrante do direito internacional.

Durante o dia, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) lançou as ondas 58, 59 e 60, como parte de uma resposta mais ampla à agressão de Washington e Tel Aviv contra os interesses militares dessas entidades na região e dentro da Palestina ocupada.

*Opera Mundi


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Política

Vorcaro diz que não poupará ninguém, seu advogado discute delação premiada com a PF

O advogado de Daniel Vorcaro, José Luís Oliveira Lima, procurou a Polícia Federal para informar que o banqueiro está interessado em firmar um acordo de delação premiada. De acordo com fontes ouvidas pela TV Globo, o defensor afirmou que seu cliente se compromete a colaborar totalmente com as investigações e não pretende poupar ninguém.

O advogado, conhecido como “Juca”, tem um histórico de delações premiadas em casos de grande repercussão, incluindo a do ex-empresário Léo Pinheiro, da OAS, na Operação Lava Jato. Ele quer se reunir com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça para discutir a possibilidade, segundo o DCM.

Vorcaro é investigado por fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master e sua prisão foi determinada na semana passada como parte das investigações conduzidas pela PF. A delação premiada poderia trazer novos elementos cruciais para o andamento das investigações.

Mendonça prorrogou o inquérito do caso Master por mais 60 dias após um pedido da PF. A prorrogação foi necessária para a realização de diligências adicionais essenciais.

Os investigadores afirmam que ainda há uma grande quantidade de material para ser analisado, incluindo mais de 100 celulares apreendidos, oito dos quais pertencem a Vorcaro. Os dados são apontados como fundamentais para aprofundar as apurações.

O inquérito apura a fabricação de carteiras de crédito falsas e o desvio de recursos para o enriquecimento pessoal dos envolvidos, com prejuízos estimados em mais de R$ 12 bilhões. A investigação também envolve a suspeita de que o Banco de Brasília (BRB), sob a direção de Paulo Henrique Costa, tenha injetado bilhões no banco por meio de operações fraudulentas.

Em fases subsequentes da operação, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens e valores, e 15 mandados de busca e apreensão foram realizados. Esses mandados atingiram endereços ligados a Vorcaro e seus familiares, com apreensões de carros de luxo e dinheiro em espécie.

A fase mais recente da investigação, realizada em março deste ano, revelou a existência de um grupo chamado “A Turma”, uma milícia privada usada para intimidar adversários e jornalistas que investigavam o banco.


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Política

Senador Ciro Nogueira teve cartão de crédito pago por deputados do PP do Piauí

Deputados do PP do Piauí pagaram cartão de crédito do senador Ciro Nogueira, diz site

Informações estão em relatórido do COAF logado às investigações do BK Bank; faturas totalizaram R$ 17 mil

Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) aponta que faturas de cartão de crédito do senador Ciro Nogueira (PP-PI) foram pagas por dois deputados federais do mesmo partido. Os valores, registrados em 2024, somam cerca de R$ 17 mil e envolvem os parlamentares Átila Lira e Júlio Arcoverde, ambos aliados do senador no Piauí.

As informações fazem parte de um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) ligado à investigação sobre a fintech BK Instituição de Pagamento, conhecida como BK Bank, apontada pela Polícia Federal como um dos canais utilizados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para lavagem de dinheiro.

Segundo o documento, o senador também realizou transferências que totalizam cerca de R$ 12,3 mil para contas vinculadas à fintech. A Caixa Econômica Federal classificou a movimentação da conta como “inusitada”, considerando o período entre janeiro e junho de 2024.

Em 4 de junho, Átila Lira aparece como responsável pelo pagamento de um boleto de R$ 3.457 referente a um cartão do Banco de Brasília (BRB) em nome de Ciro Nogueira. O deputado, no entanto, negou ter feito o pagamento e afirmou que a informação está incorreta, segundo o ICL

Já no dia 19 do mesmo mês, outra fatura, no valor de R$ 13,6 mil, foi quitada por Júlio Arcoverde. O parlamentar disse que o pagamento pode estar relacionado a despesas pessoais, como compras feitas pelo senador durante viagens ao exterior.

O relatório também destaca outras movimentações consideradas atípicas, como transações incompatíveis com a renda declarada, transferências para pessoas politicamente expostas e remessas internacionais sem justificativa clara. Entre elas, está o recebimento de cerca de R$ 25,8 mil, enviados por um condomínio em Miami Beach, nos Estados Unidos, classificado como “transferência sem contrapartida”.

A legislação brasileira permite que terceiros quitem dívidas em nome de outra pessoa. No entanto, esse tipo de operação pode levantar suspeitas se houver indícios de tentativa de ocultar a origem dos recursos. Em casos envolvendo agentes públicos, situações assim podem ser enquadradas em normas relacionadas à improbidade administrativa ou corrupção passiva, dependendo do contexto.

O senador foi procurado, classificou os questionamentos como “absurdos” e afirmou que não comentará o caso.


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Política

Governadores sabotam Lula e não reduzem o ICMS sobre combustíveis

O Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) informou nesta terça-feira (17) que os governos estaduais não pretendem reduzir o ICMS sobre combustíveis, mesmo após o pedido do presidente Lula.

A decisão foi divulgada em manifestação pública na qual o grupo argumenta que cortes no imposto podem comprometer o financiamento de políticas públicas e não garantem queda efetiva no preço ao consumidor.

A posição dos secretários ocorre após o governo federal anunciar a retirada de impostos federais sobre o diesel, como PIS e Cofins, diante da alta do petróleo causada pela guerra no Oriente Médio. Na ocasião, Lula pediu “boa vontade” dos governadores para que também reduzissem o ICMS, tributo estadual que incide sobre combustíveis e representa parte relevante da arrecadação dos estados.

No comunicado, o Comsefaz afirmou que a discussão precisa considerar o impacto fiscal das medidas. “Esse debate precisa ser conduzido com responsabilidade social, econômica e federativa. A busca por medidas de alívio ao cidadão é necessária, mas deve levar em conta seus efeitos concretos sobre o financiamento de políticas públicas essenciais custeadas pelos estados e municípios, como saúde, educação, segurança pública, transporte e infraestrutura” diz a nota.

Os secretários também sustentam que a redução de tributos nem sempre chega ao consumidor final. De acordo com a nota, a “reiterada prática mostra, com nitidez, que reduções de preços como as reduções tributárias não costumam ser repassadas ao consumidor final”. O argumento se baseia em estudos sobre o comportamento do mercado de combustíveis e da cadeia de distribuição.

O Comsefaz citou análise do Instituto de Pesquisa em Petróleo, Gás e Biocombustíveis (Ineep), publicada no fim de 2025, segundo a qual “parte relevante do esforço tende a ser absorvida ao longo da cadeia de distribuição e revenda, limitando seu efeito nas bombas”.

“Não há, portanto, base empírica consistente para sustentar que uma nova perda do ICMS resultaria em benefício efetivo para a população, não entregando o efeito de fato esperado. Insistir nessa premissa desconsidera a dinâmica real do mercado de combustíveis e pode impor aos estados uma perda fiscal concreta, sem a correspondente contrapartida social”, prossegue a nota.

Na avaliação do comitê, reduzir o imposto poderia provocar perda de arrecadação sem garantia de redução de preços. O documento afirma que insistir nessa medida pode gerar uma “dupla perda”, pois o consumidor não veria queda significativa no valor do combustível e, ao mesmo tempo, haveria redução de recursos destinados a serviços públicos essenciais.

O governo federal informou que a retirada de PIS e Cofins sobre o diesel não causará perda de receita, pois será compensada com aumento do imposto de exportação sobre o petróleo. A equipe econômica também anunciou subsídios temporários para produtores e importadores de diesel, além de medidas de fiscalização para garantir que a redução de custos seja repassada ao consumidor.

A discussão ocorre em meio à disparada do petróleo no mercado internacional após o início da guerra no Oriente Médio. O preço do barril ultrapassou US$ 100, pressionando o custo dos combustíveis no Brasil e elevando as projeções de inflação.

*DCM


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Brasil Mundo

EUA perdem para o Brasil no quesito Democracia pela primeira vez

EUA deixam de ser democracia liberal, pela primeira vez em 50 anos

No principal informe publicado sobre a saúde da democracia no mundo, Brasil e EUA vão em sentidos contrários no fortalecimento do estado de direito. Se o país lidera no processo de democratização, os americanos perdem, pela primeira vez em 50 anos, seu status de democracia liberal.

Segundo o relatório sobre Democracia do Instituto V-Dem, da Universidade de Gotemburgo, o retrocesso está acontecendo agora em democracias consolidadas e a democracia nos EUA está se deteriorando a uma “velocidade sem precedentes”.

Mas, no caso do Brasil, o país segue numa tendência oposta e, hoje, está classificado como mais democrático que os EUA.

Em sua edição de 2026, o ranking apresenta o Brasil na 28ª posição no mundo. Já os EUA caíram da 20ª posição para o 51º lugar. O país que sempre exportou a democracia ainda deixou de ser classificado como uma democracia liberal e é apenas uma democracia eleitoral, hoje.

De acordo com o informe, quase um quarto das nações do mundo está passando por um retrocesso democrático, ou autocratização, em 2025, e seis dos dez novos países em processo de autocratização identificados no Relatório sobre Democracia de 2026 estão na Europa e na América do Norte.

Entre eles estão países grandes e influentes como Itália, Reino Unido e EUA. “O fato de muitos países populosos e economicamente poderosos estarem se autocratizando é especialmente preocupante. Vários desses países têm o peso econômico e político para remodelar organizações internacionais, normas e comércio, efetivamente remodelando a ordem global. Acho que já estamos vendo o efeito disso”, diz Staffan Lindberg, líder do estudo.

Uma das constatações é de que a democracia dos EUA está atualmente em um processo de deterioração muito mais rápido do que qualquer outra democracia nos tempos modernos.

“Em apenas um ano, a pontuação dos EUA no índice V-Dem de Democracia Liberal caiu 24%, enquanto sua classificação mundial caiu do 20º para o 51º lugar entre 179 nações”, disse.

Os aspectos liberais da democracia mostram o maior declínio nos EUA. O segundo mandato do presidente Donald Trump pode ser resumido como uma rápida concentração de poderes na presidência, de acordo com o relatório.

“O atual governo dos EUA tem minado os mecanismos institucionais de controle e equilíbrio, politizado o funcionalismo público e os órgãos de fiscalização, e intimidado o judiciário, além de atacar a imprensa, a academia, as liberdades civis e as vozes dissidentes”, afirmou Lindberg.

“As eleições de meio de mandato americanas de 2026 serão um teste crucial para a qualidade das eleições e da democracia nos Estados Unidos. Se os indicadores eleitorais também piorarem, os EUA irão piorar ainda mais”, diz Lindberg.

Brasil é destaque positivo: reverteu autocratização
Se Trump conduz os EUA para uma situação alarmante, o Brasil lidera o grupo que atravessa um processo de democratização.

“Entre os países em processo de democratização, o Brasil é de longe o maior em termos de população, seguido pela Tailândia e Polônia. Os três representam uma reviravolta, ou seja, estão se recuperando da autocratização da última década e restaurando seus níveis iniciais de democracia”, destaca.

Na avaliação dos especialistas, a autocratização no Brasil “foi revertida antes de um colapso democrático”.

“A autocratização do Brasil começou com o impeachment da presidente Dilma Rousseff e acelerou após a eleição do populista de direita Jair Bolsonaro em 2018. Ataques à mídia, tentativas de minar as eleições, o legislativo e o judiciário se seguiram. A reviravolta ocorreu quando Luís Inácio Lula da Silva, apoiado por uma coalizão de nove partidos, venceu as eleições de 2022”, destacou.

No entanto, a sociedade brasileira permanece profundamente polarizada, e as eleições de 2026 serão decisivas para o futuro. Bolsonaro, porém, está impedido de exercer o cargo após ser condenado por abuso de poder e tentativa de golpe.

Raio-X da democracia no mundo

  • A democracia retornou aos níveis de 1978 para o cidadão médio global. Os ganhos da “terceira onda de democratização”, iniciada em 1974 em Portugal, foram quase erradicados.
  • O nível de democracia para o cidadão médio na Europa Ocidental e na América do Norte está no seu nível mais baixo em mais de 50 anos, principalmente devido à autocratização em curso nos EUA.
  • Os EUA perdem seu status de democracia liberal de longa data — pela primeira vez em mais de 50 anos.
  • O mundo tem 92 autocracias e 87 democracias no final de 2025.
    74% da população mundial (6 bilhões) agora vive em autocracias.
    Apenas 7% da população mundial (600 milhões) vive em democracias liberais.

Eis os países que lideram o ranking da democracia global

  • Dinamarca
  • Suécia
  • Noruega
  • Suíça
  • Estônia
  • Irlanda
  • Costa Ric
  • Finlândia
  • França
  • Bélgica
  • República Tcheca
  • Austrália
  • Uruguai
  • Nova Zelândia
  • Alemanha
  • Chile
  • Luxemburgo
  • Países Baixos
  • Áustria
  • Letônia

Jamil Chade/ICL


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Política

Lindbergh Farias que decisão de Mendonça é “blindagem” a Flavio Bolsonaro e Campos Neto

Deputado afirma que restrição de acesso da CPMI do INSS ao celular de Vorcaro impede apuração e levanta suspeitas sobre nomes ligados ao Master

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou nesta terça-feira (17) que há uma tentativa de impedir o avanço das investigações relacionadas à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Segundo ele, a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu o acesso à chamada “sala-cofre” da comissão, levanta suspeitas de proteção a figuras políticas citadas no caso.

A declaração foi feita em publicação nas redes sociais e em vídeo divulgado pelo parlamentar. De acordo com Lindbergh, a medida ocorreu após a divulgação de informações pela jornalista Mônica Bergamo, indicando a presença do nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na lista de contatos de Daniel Bueno Vorcaro, investigado no caso.

Decisão do STF restringe acesso a dados da CPMI
A decisão de André Mendonça determinou o bloqueio imediato do acesso a todo o material armazenado na sala-cofre da CPMI do INSS relacionado a Vorcaro. De acordo com o 247, o ministro também ordenou que a Polícia Federal retire os equipamentos do local para uma nova análise. Segundo o despacho, a medida busca preservar informações de caráter privado. O ministro afirmou que a Polícia Federal deverá realizar uma triagem para separar conteúdos pessoais de dados relevantes à investigação.

Lindbergh aponta contradições e cobra investigação
Lindbergh criticou a decisão e sugeriu que ela impede o esclarecimento dos fatos. “Estão tentando esconder a verdade! Bastou o nome de Flávio Bolsonaro aparecer nos contatos de Daniel Vorcaro e pronto: proibiram o acesso à sala-cofre da CPMI do INSS. Coincidência? Difícil acreditar”, afirmou.

O deputado também mencionou outros nomes que, segundo ele, aparecem nos registros analisados. “Roberto Campos Neto, peça central desse esquema, também surge na lista”, declarou.

No vídeo divulgado, Lindbergh reforçou as críticas à restrição de acesso e detalhou o conteúdo armazenado. “A sala-cofre é uma sala onde ficam documentos ligados à CPMI do INSS. E lá está o telefone, a nuvem do Daniel Vorcaro”, disse.

Ele também questionou declarações do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), citando supostas inconsistências. “O jornalista pegou ele e disse: ‘e aí? Você falou com o Vorcaro? Já falou alguma vez com o Vorcaro?’. Ele disse: ‘não, nunca falei com o Vorcaro’. Aí muda de opinião: ‘mas eu posso ter falado, porque temos um amigo em comum, o André Valadão’”, relatou.

Medida envolve retirada de equipamentos pela Polícia Federal
A decisão do STF prevê que a Polícia Federal recolha os dispositivos armazenados na sala-cofre em cooperação com a presidência da CPMI. O objetivo é realizar uma nova análise dos dados, com foco na separação de informações pessoais.

Segundo Mendonça, a iniciativa busca garantir que conteúdos “exclusivamente à vida privada do citado investigado não sejam compartilhados com a referida Comissão Parlamentar”.

Lindbergh, por sua vez, classificou a situação como uma tentativa de obstrução. “Eles estão atrás de uma ‘operação abafa’, e nós queremos uma apuração de tudo, porque a gente sabe onde é que isso vai cair”, afirmou.

O parlamentar também rebateu críticas sobre a atuação do PT na criação da comissão. “O PT assinou, sim, pedido de investigação. O que não assinamos foi a CPMI do PL feita para confundir e proteger”, declarou.


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Política

O esgoto do clã Bolsonaro: PT aciona TSE contra Flávio e Carlos Bolsonaro por vídeos que ligam Lula ao PCC

O Partido dos Trabalhadores (PT), por meio da Federação Brasil da Esperança, acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o senador Flávio Bolsonaro, o agora ex-vereador Carlos Bolsonaro e o Partido Liberal (PL). A ação, protocolada nesta segunda-feira (16), trata de três vídeos publicados nas redes sociais que associam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Os conteúdos foram divulgados pelos irmãos Bolsonaro e pelo PL no Instagram em 10 de março. Segundo a federação, os vídeos apresentam acusações sem base factual.

O pedido inclui a concessão de liminar para retirada imediata dos conteúdos no prazo de 24 horas. Além disso, a ação solicita a aplicação de multa aos responsáveis pelas postagens. Pela legislação eleitoral, casos de propaganda antecipada podem resultar em penalidades entre R$ 5 mil e R$ 30 mil, sendo requerido o valor máximo.

A representação também menciona que um dos vídeos reutiliza um áudio de 2019 já analisado pela Justiça Eleitoral, que não comprovou ligação entre o PT e organizações criminosas.

Governo Lula no combate ao crime organizado
A representação também ressalta que a estratégia de desinformação ignora a realidade das políticas públicas adotadas pelo governo Lula no combate ao crime organizado. Dados apresentados na ação apontam que operações da Polícia Federal desmobilizaram mais de R$ 9,6 bilhões em ativos do crime organizado apenas em 2025, além de um prejuízo acumulado superior a R$ 20 bilhões às organizações criminosas desde o início da atual gestão.

A petição cita ainda a ampliação de investimentos em segurança pública, com mais de R$ 3 bilhões destinados aos fundos nacionais de segurança e do sistema penitenciário, bem como o reforço das operações de repressão ao tráfico e ao contrabando nas fronteiras e rodovias federais.

Para a federação, esses dados evidenciam que a narrativa propagada nos vídeos não apenas é falsa, mas contradiz frontalmente as ações concretas do governo federal no enfrentamento ao crime organizado.

Os advogados também argumentam que campanhas de desinformação como essa prejudicam o próprio funcionamento da democracia, pois contaminam o debate público com acusações sem base factual. Ao difundir informações falsas em larga escala, afirmam, acabam criando “realidades paralelas” que impedem que o eleitor forme sua opinião com base em fatos.

*PT


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Michelle Bolsonaro compartilha vídeo fake e jornalistas recebem ameaças de morte em Brasília

Conteúdo distorcido acusava profissionais de imprensa de desejar a morte de Bolsonaro; Abraji, Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas do DF condenaram os ataques e pediram investigação das ameaças

Ocompartilhamento de um vídeo pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro nas redes sociais desencadeou uma onda de ataques contra jornalistas que cobriam a internação do ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília.

O vídeo, divulgado originalmente por uma influenciadora bolsonarista, acusa repórteres de estarem comemorando os problemas de saúde do ex-presidente. Não há qualquer evidência que sustente a acusação.

As imagens mostram jornalistas reunidos em frente ao hospital DF Star, onde aguardavam informações sobre o estado de saúde de Bolsonaro. Mesmo sem provas, a gravação sugere que os profissionais estariam desejando a morte do ex-presidente.

Michelle compartilhou o conteúdo em seu perfil no Instagram, onde possui mais de 8 milhões de seguidores, ampliando rapidamente a circulação do vídeo, segundo a Forum

Após a postagem, jornalistas que aparecem nas imagens passaram a receber ameaças de morte, ofensas e mensagens de intimidação nas redes sociais. Um dos profissionais procurou a polícia e registrou boletim de ocorrência.

Também começaram a circular montagens e vídeos manipulados, incluindo um conteúdo produzido com inteligência artificial que simula o esfaqueamento de uma jornalista.

Veja o vídeo:

https://twitter.com/i/status/2033367881774215494

Entidades denunciam intimidação
Organizações que representam profissionais da imprensa reagiram à disseminação do vídeo e aos ataques.

A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) afirmou que o material foi retirado de contexto e acabou expondo repórteres que estavam apenas exercendo seu trabalho.

Segundo a entidade, a divulgação do conteúdo por figuras públicas ampliou uma campanha de desinformação que resultou em ameaças contra jornalistas.

A Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) e o Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal também condenaram os ataques e pediram investigação das ameaças.

As entidades destacaram que intimidar jornalistas por meio de campanhas de difamação representa um ataque direto à liberdade de imprensa.

Bolsonaro está internado desde sexta-feira (13) na UTI do hospital DF Star, em Brasília, com diagnóstico de broncopneumonia bacteriana bilateral. Segundo boletim médico divulgado neste domingo (15), o quadro é estável, embora ainda não haja previsão de alta da unidade de terapia intensiva.


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